It Will Rain
3 Capítulo 2 - Shiver
Notas iniciais
Mil desculpas pela minha demora! E leiam as notas finais, por favor.
Boa leitura (:
Edward Cullen.
Terminei de limpara umas das muitas mesas e fui guardar o pano. Meu expediente estava terminando e eu estava feliz por isso, apesar de gostar de trabalhar.
Gostando ou não gostando, eu precisava.
Kate estava guardando alguns produtos de limpeza no pequeno ambiente restrito apenas para funcionários, e em seguida tirou o avental. Ela se virou para mim e deu um sorriso inocente.
Ela era uma menina bonita, sem dúvidas. Kate tinha olhos azuis claros e um cabelo tão loiro que, quando brilhava no sol ou apenas na luz de uma lâmpada, machucava os olhos. Ela não era magra, mas tinha o corpo bonito.
Eu gostava dela; Kate é uma boa amiga. Pena que ela não entendia isso.
– Hum, eu estava pensando, Edward – sua voz era leve e cautelosa –, por que nós não vamos dar uma volta hoje? Podíamos, sei lá, ir ao Central Park...
Eu tirei o boné exageradamente colorido e passei a mão no cabelo, uma mania que tinha de fazer isso quando estava nervoso ou impaciente.
– Acho que é melhor não, Kate – murmurei, tirando o avental. Guardei-o em seu devido lugar, junto com o boné. Peguei minha jaqueta velha e o pouco dinheiro que tinha para a passagem do metrô até o Brooklyn.
Tudo bem, quem sabe numa próxima vez? – deu de ombros, como se não se importasse. Eu sabia que tinha ferido seu ego; ela era uma garota, e garotas não gostavam de ser rejeitadas.
Assenti, sabendo que não haveria próxima vez, assim como nunca haveria uma segunda. Eu, simplesmente, me recusava a ter relacionamentos – eu não era um cara difícil, mas eu era pobre. E as cobranças com um anel de compromisso ou qualquer presente de aniversário de namoro viriam.
Vesti a jaqueta enquanto caminhava em direção à saída da lanchonete. Kate e outros funcionários se encarregariam de fechar a lanchonete hoje.
Infelizmente, estávamos no outono, em uma das piores estações do ano, simplesmente porque o tempo não se decidia se queria estar frio ou quente. Hoje estava um vento gelado, mas o sol ainda podia ser visto no céu, mesmo que já fossem seis e meia.
Eu gostava desse horário porque podia voltar, finalmente, para casa.
E casa era a minha definição do que o orfanato era para mim.
Aproveitei que o semáforo estava fechado para os carros e atravessei a rua. Meus passos eram rápidos e grandes. Ao passar em frente a uma loja grande e que exalava um cheiro bom, diminui a velocidade e olhei na vitrine.
Havia vários bichinhos de pelúcia, e todos mantinham um sorriso bonito em suas caras cheias de pelo sintético.
Entrei, esperando que tivesse uma boa quantidade de dinheiro comigo.
O interior da loja era simples, mas mesmo assim era um lugar bonito, limpo e com um cheiro doce não muito enjoativo. Olhei as prateleiras, em busca de algo que me chamasse atenção.
– Posso ajudar, senhor? – a vendedora baixinha me olhou de cima à baixo e fez uma careta, mas tentou ser gentil. Sua voz era um pouco rude e cautelosa.
– Hum, estou procurando um bichinho de pelúcia – percebi que minha frase tinha sido um tanto tosca. Aquilo era uma loja de bichinhos de pelúcia, então, o que mais eu iria procurar ali? – É para uma menina de dez anos. Minha irmã. Tem que ser algo pequeno...
Quanto menos fosse, menos eu pagaria.
– Qual a cor que ela gosta? – a vendedora perguntou, analisando uma prateleira com muitos ursinhos, coelhos, gatos e todos outros animais fofos.
Mordi o lábio inferior e franzi o cenho. Eu não fazia ideia; acho que nem Claire sabia qual era sua cor preferida. Ela não tinha como saber.
– Rosa? – murmurei, em tom de pergunta. Toda garota prefere rosa. A vendedora pegou um ursinho totalmente da cor que eu disse. Ele era maior do que eu esperava e, quando o segurei, acho que sem querer apertei alguma coisa.
Era uma música. Uma música muito chata, que eu tinha certeza que, se comprasse, iria ficar tocando o dia inteiro no meu ouvido.
Olhei a etiqueta do urso, que ainda emitia sons, e me espantei. Quarenta dólares. A vendedora com cara de rato estava tirando uma com a minha cara, certo?
Certo. Ela fingiu um sorriso na minha direção. Entreguei o urso de volta a ela, que o pôs na prateleira que estava antes. Procurei por outro.
‘Eu te amo’, ‘você é minha vida’ e ‘você é especial’ eram as frases mais comuns escritas em uma caligrafia bonita e bordada – talvez bordada até em ouro –, nos corações que os bichinhos seguravam.
Coloquei as mãos no bolso, enquanto olhava os preços diversificados. Os valores iam de vinte a cem dólares.
Peguei um de vinte e o analisei. Não tocava música, era barato e eu o considerava bonitinho e fofo, como crianças gostavam.
Ele tinha o pelo amarelo claro, com vários detalhes em rosa, como as patas, focinho e um lacinho que enfeitava delicadamente seu pescoço.
– Vou querer esse – falei para a vendedora, que deu de ombros, pegou o urso da minha mão e me fez segui-la até o caixa.
Felizmente, a moça do caixa tinha a cara mais simpática.
– Quer que embrulhe para presente? – ela me perguntou, séria; pelo menos ela não forçava um sorriso ou me pré-julgava pelas roupas.
– Ah – franzi o cenho. Custaria mais. – Por favor – tudo bem, não deveria ser muito mais. Só um pouquinho.
A vendedora que havia me atendido colocou o urso em um saco bonito e brilhante de papel, amarrando-o com uma fita de cetim.
– Vinte e dois dólares – a moça do caixa disse. Tirei o dinheiro do bolso e suspirei. Eu tinha vinte e quatro dólares e isso significava apenas uma coisa: eu não teria dinheiro para a passagem. Ótimo.
Entreguei o dinheiro, peguei o pacote que já estava dentro de uma sacola, agradeci e sai da loja. Olhei as ruas movimentadas. Tudo bem, quarenta minutos de caminhada e eu emagreceria.
[...]
Eu toquei o interfone do orfanato, esperando que Sue me reconhecesse pela câmera e viesse abrir o portão para mim. Ela não demorou e apareceu com um sorriso.
– Estava preocupada com você, menino! Achei que não fosse voltar mais para casa! – ela ralhou, abrindo o portão.
Todos nós referíamos o orfanato como uma casa, o que realmente era. As pessoas eram acolhedoras e eu gostava de estar ali.
– Tive que vir caminhando – respondi, sorrindo de lado. – Onde está Claire?
– Na sala do Carlisle – respondeu, andando ao meu lado. Entramos no orfanato. – Eles estão estudando.
– Ok, vou ir atrapalhar um pouco – falei, antes de subir as escadas de dois em dois degraus.
O corredor do andar de cima estava silencioso e quando cheguei à porta do escritório de Carlisle, parei e ouvi vozes lá dentro.
Carlisle era como um pai pra mim, além de ser professor e ter me ensinado muito mais coisas que um professor ensinaria. Ele era a melhor pessoa que eu conhecia – generoso, gentil, sábio e carinhoso com todos nós.
– Eu nunca vou conseguir enxergar, nunca vou poder brincar como as pessoas normais... – ouvi a voz triste e um pouco alterada de Claire vinda de dentro do escritório.
– Claire! Jamais diga isso! – Carlisle repreendeu-a. – Você é normal! É tão normal quanto qualquer outra criança...
Resolvi que talvez fosse a hora de entrar; pelo que parecia, eles estavam tendo aquela conversa há algum tempo.
Bati levemente na porta. Escutei alguns passos e Carlisle apareceu na minha frente. Seu rosto estava com uma expressão cansada e chateada, mas se alegrou quando me viu.
– Surpresa! – eu me animei e tentei animá-los, mas foi triste quando vi lágrimas escorrendo pela bochecha de Claire. Ela mantinha os olhos fechados, como ficava sempre que alguém diferente estava perto dela. Diferente, no sentido de qualquer um que não fosse eu.
Claire passou as mãos pelo rosto, secando as gotas de água salgada. Ela riu levemente. Pelo menos, ela parecia um pouco menos triste.
– Parabéns, pequena – murmurei, ao tirá-la da cadeira, em um abraço apertado. Rodei-a no ar e ela riu.
Percebi, então, que a porta da pequena sala estava fechada e que Carlisle não estava mais conosco.
– Obrigada, Ed – senti que ela sorria abertamente. – Eu estou ficando velha! – fez um bico quando a devolvi em seu antigo lugar.
Eu ri.
– Velha? Você está fazendo dez anos ainda! Eu é que estou velho!
– Hum, o que é isso na sua mão? – ela perguntou, franzindo o cenho, enquanto esticava a pequena mão na direção do embrulho. Afastei-o.
– É o seu presente – respondi. Puxei Claire pela mão e arrastei-a para fora da sala. – Venha, vou te dar no nosso quarto.
Ela sorriu e deixou-se ser guiada por mim. Carlisle não estava no corredor e não avistei ninguém ali. Continuei meu caminho até meu quarto.
Por ser mais velho, Sue tinha me dado meu próprio quarto, por mais que houvesse apenas uma cama e um colchão velho, um despertador quase estourando de tão antigo e um pequeno armário, onde eu guardava minhas roupas e todos os pertences que precisava, os quais não eram muitos.
O fato de eu me referir como ‘nosso quarto’, é que Claire dormia comigo de vez em quando – quase sempre. Ela era como uma irmã para mim, e eu a protegia quando estava com medo.
Coloquei o embrulho colorido e não muito grande no colo de Claire assim que ela se sentou na cama pequena.
– Não é algo caro ou muito bonito. É só para que você se lembre de mim quando eu não estiver mais com você – murmurei, chateado por não poder comprar algo melhor e por saber que eu não poderia permanecer no orfanato por muito tempo mais.
Claire suspirou.
– Você não devia gastar dinheiro comigo! Eu não posso nem ver... – resmungou.
Uma súbita onda de ódio me invadiu ao ouvi-la dizer aquelas palavras. Eu tinha vontade de fazer os infelizes que fizeram aquilo com ela pagarem. Os próprios pais... – ainda custava acreditar que algumas pessoas pudessem ser tão cruéis com os filhos.
Respirei fundo antes de escolher as palavras certas.
– É claro que você pode ver – falei. – Você mesma disse que eu sou bonito! – tentei animá-la usando um tom de voz mais descontraído. – Vamos, abra!
Consegui arrancar um pequeno sorriso de Claire. Ela sussurrou um ‘tudo bem’ e desfez o laço. Suas mãos pequenas tatearam o interior do pacote e tiraram o urso de lá.
Limitei-me a analisa-la enquanto ela passava as mãos em todos os detalhes do urso, delicadamente, tomando o cuidado de não esquecer nada.
Aos poucos, seu sorriso foi aumentando e fiquei feliz por saber que estava a fazendo feliz.
– É bonito – ela sussurrou após sua longa análise. – Hum, é um urso ou um cachorro?
– Urso – respondi. Claire apertou o bicho junto ao peito.
– Tem o seu cheiro... Que cor ele é?
Me senti, de repente, culpado. Eu devia ter dado algo que não despertasse sua curiosidade em relação às cores; mas o que eu daria?
Era difícil pensar em algum presente legal para uma criança de dez anos cega. Eu tinha medo de ser estúpido e dar algo que fosse totalmente inútil para ela.
– É amarelo – comecei e tentei ser mais detalhado em minha descrição após a resposta vazia –, os pés são rosa claro, assim como as mãos e o laço no pescoço. O nariz e os olhos são pretos.
Claire deu um pequeno sorriso. Ela estava empolgada.
– Qual vai ser o nome dele? – perguntei, deitando-me, com a cabeça em meu travesseiro fino.
Ela pensou um pouco, pousou o urso na cama e se virou na minha direção, mesmo sem me ver. Claire mantinha os olhos abertos, o que era raro. Apenas quando estávamos a sós ela fazia isso e se permitia ser um pouco mais... Relaxada. Segundo ela, seus olhos eram feios e ela sabia disso. Ela nunca usava óculos, mas mantinha as pálpebras abaixadas na presença de qualquer outra pessoa.
Até o último sábado, eu achava que os olhos dela fossem os mais bonitos que já tinha visto; eram azuis em um tom bem claro, embora fossem embaçados por conta de sua deficiência.
Mas aqueles olhos castanhos, tão profundos e misteriosos me fizeram mudar meu conceito – será que eu ainda a veria?
Forcei minha mente a voltar para a realidade.
– Hum... – Claire mordeu o canto da boca. – Teddy Bear?
Eu dei risada e ela fez uma cara emburrada.
– Teddy Bear, Claire? – murmurei, tentando controlar meus risos. – Não é muito... Comum?
Ela cruzou os braços.
– Então... Eddie – sorriu vitoriosa. Eu pistei, atônito. Eddie? Eddie?
– Não! Ah, Claire! Você é tão criativa... Escolha um nome mais legal, por favor! – praticamente implorei.
Claire sorriu maldosa e deitou a cabeça em minha barriga.
– Ah, não... Gostei de Eddie – murmurou. – Vai ser esse!
Suspirei, sabendo que não a convenceria. Claire era mais teimosa que qualquer outra pessoa que eu tenha conhecido – se bem que não contava, porque minha vida social era limitada às pessoas do orfanato e da lanchonete.
– Humpf, então, fique aí com seu Eddie que eu preciso ir tomar banho – bufei me fingindo de indignado. Levantei-me da cama, empurrando Claire delicadamente para o lado. Ela apenas riu e continuou abraçada com o novo brinquedo.
Peguei uma roupa limpa no velho guarda-roupa e me dirigi ao banheiro, fora do quarto, no outro lado do corredor. Ao entrar nele, não me senti tão incomodado por falta de privacidade como me sentia no inicio, quando vim morar aqui, há oito anos.
Conferi se a minha toalha velha e puída estava ali, em seu lugar, onde havia uma etiqueta com os nomes. Então, me despi dentro do último box da fila grande de chuveiros e joguei a roupa para fora do pequeno quadrado onde estava.
Quando liguei o chuveiro, a água estava fria e retraí os músculos. Após alguns minutos, ela começou a esquentar e aproveitei o pouco tempo que tinha antes que a água se tornasse fria novamente.
Por questão de higiene, o orfanato mantinha vidros de sabonete líquido e isso era animador, embora eu não tivesse nojo das crianças dali. Todas eram legais e tentavam ser felizes, apesar de seus passados trágicos.
Ao me sentir limpo o suficiente, desliguei o chuveiro. Abri o box e puxei minha toalha. Sequei-me e vesti a roupa que tinha pegado mais cedo no quarto. Eu costumava usá-la como pijama, já que era uma camiseta rasgada e uma calça de moletom.
Pendurei minha toalha de volta em seu lugar e caminhei para a cozinha, ainda descalço. Eu não tinha reparado que me trancara tanto tempo no quarto com Claire a ponto de todos estarem dormindo já. Aparentemente era isso, já que não havia ninguém na cozinha; nem Sue estava por lá.
Peguei o leite na geladeira e o achocolatado no armário, tendo o cuidado de não fazer bagunça, mas quando se tratava de mim e uma cozinha, a experiência não era boa, por mais que fosse um simples leite com chocolate em pó.
Limpei a bagunça e tomei a bebida; eu não tinha o costume de comer a noite, embora Sue sempre insistisse para tal coisa.
Subi as escadas novamente, sendo silencioso. Entrei em meu quarto e encontrei Claire do mesmo jeito que estava antes, com apenas uma diferença: ela dormia – percebi isso por conta de sua respiração calma. Ela tinha o rosto calmo e seus cabelos loiros e cacheados estavam emaranhados sobre o meu travesseiro.
Deitei-me ao seu lado e ela imediatamente se aconchegou em meu peito. Fiquei feliz em saber que podia cuidar de alguém, por mais que não fosse no sentido financeiro ou algo do tipo.
Eu não demorei muito tempo acordado e logo estava entrando em uma escuridão.
Isabella Swan.
Tensão – essa era uma boa palavra que resumia as minhas emoções e encabeçava a lista.
A outra era raiva. Eu tinha raiva de Charlie por se achar pai apenas nas horas de me punir.
Eu fui obrigada a chegar cedo à escolha, porque Alice me ligou às seis horas da manhã. Suas palavras foram:
– Por favor, já que você não tem responsabilidade e não se importa em passar de ano, então tenho ao menos pena de mim e de Rosalie que queremos um futuro decente!
Eu acatei ao seu pedido e agora estava estacionando o carro em uma vaga mais afastada.
Olhar para o Volvo antes de passar pela entrada principal do colégio me fez lembrar que teria que passar em algum lugar para saber se meu ataque de sábado no restaurante tinha sido registrado por algum fofoqueiro – não que eu me sentisse culpada, mas eu realmente me importava com meu carro.
Suspirei e entrei na escola, tentando passar reto por todos, sem me encontrar com Jacob. Felizmente, cheguei à minha sala sem ser quase notada. No entanto, a surpresa de Rosalie e de Alice foi grande ao me verem sentando-me em meu habitual lugar.
Percebi que a maquete estava pousada na mesa delas.
Rosalie veio até mim, após uma troca de olhares e cochichos entre as duas.
– Bom dia, Bella – ela foi polidamente educada. Franzi o cenho, mas continuei quieta. – Hum, você vai falar sobre a influência da segunda guerra mundial nos tempos atuais, ok?
Eu revirei os olhos.
– Tudo bem – murmurei.
Quando ela saiu, procurei pensar sobre essa influência.
Em algum momento, eu desisti e pensei no que faria a noite. Talvez eu ligasse para Jacob, ou então compraria alguma droga e ficaria em casa...
Quando o professor fez a chamada e eu respondi na minha vez, ele me olhou um tanto espantado; qual era o problema? Eu nem faltava tanto...
No fim, a apresentação foi boa; eu me limitei a dizer apenas o que tinha certeza, e isso não rendeu uma explicação longa de minha parte. Alice me agradeceu e fiquei me perguntando se eu era tão ruim para que elas fizessem aquilo
Quando estava saindo da escola, após uma manhã e começo de tarde extremamente entediantes, fui abordada por Emmett. Ele parou entre mim e o Volvo, sorrindo como uma criança.
– Ei, eu e o pessoal vamos comer em um lugar que a Rose descobriu esses dias... – ele disse. – Quer ir? Por favor... Faz tanto tempo que você não sai com a gente...
‘Pessoal’ significava Rosalie, Alice e Jasper. Além de Emmett e eu, claro. Costumávamos ser um grupo inseparável – mas isso já tinha um tempo.
Eu estava sem nada para fazer, e não queria ficar sozinha, embora não estivesse com vontade de sair com duas pessoas, e elas eram Rosalie e Alice. Eu sabia que tinha magoado Rose, mas não fazia questão de me redimir, e eu ficara um pouco irritada pelas palavras de Alice no domingo.
Mas ali na minha frente, Emmett parecia realmente esperançoso.
– Tudo bem, eu vou – respondi. – Onde é?
Emmett me abraçou apertado e acabei tendo que afastá-lo, não muito feliz.
– Só me siga – disse, sem notar o meu desagrado. Ele voltou para junto do grupo, que nos observava. Cada um entrou em seu carro.
Eu segui Emmett, prestando atenção no caminho e tinha a leve impressão de que conhecia.
Fiquei feliz ao estacionar na frente da lanchonete que havia ido no sábado; eu realmente gostava dali. Além de a comida ser boa, o ambiente era muito bom.
Sentamo-nos em uma mesa grande e uma atendente veio anotar nossos pedidos.
Eu não sabia, mas percebi que havia comida salgada ali também quando Emmett pediu seu lanche. Eu pedi um lanche natural para mim.
– Estou ansiosa para o baile de primavera – Alice comentou, tomando um gole do seu suco que havia acabado de chegar.
– Mas só vai ser em Setembro – murmurei.
– E daí? Significa que estaremos mais perto da faculdade! – argumentou.
Significa mais um ano como uma vagabunda, no meu caso.
Nossos lanches chegaram e Alice e Rosalie iniciaram uma conversa sobre bailes e festas, além de experiências de suas mães no colégio. Emmett e Jasper comentavam de vez em quando na conversa das garotas, mas acabaram por manter uma conversa de homens sobre futebol.
Eu fiquei isolada em meu canto e quando acabei o lanche, tirei um cigarro do bolso e um isqueiro. Acendi-o, sem que ninguém percebesse.
Soltei a fumaça com força, chamando a atenção de uma atendente loira que me olhou feio. Emmett percebeu também e revirou os olhos, soltando um sorrisinho divertido.
Emm era o mais legal comigo e o que nunca havia me julgado. Quer dizer, Jasper também nunca havia me julgado, mas ele era tão... Fechado.
Tímido, talvez.
Vi que a atendente loira e com cara de mal humorada conversar com um garoto ao seu lado, sempre olhando para mim. Percebi que o garoto era o mesmo que me atendera quando eu estava com Noah. Ele me olhou e fez um sinal negativo com a cabeça. A loira continuou falando; ele deu um suspiro pesado e veio até nossa mesa.
Soltei a fumaça quando ele estava se aproximando.
– Desculpe, senhorita, mas é proibido fumar aqui – apontou para uma placa em uma das pilastras coloridas. Sua voz era gentil e tinha uma ponta de desagrado.
Perguntei-me se esse desagrado era da minha atitude ou se era pela loira que havia praticamente implorado para que ele viesse até mim – bom, eu tinha certeza que era sobre isso que eles estavam “discutindo”.
– E? – perguntei, mal educada.
Todos em minha mesa alternaram olhares entre mim e o atendente.
– E que temos regras no estabelecimento – a loira com cara de chatinha apareceu atrás do rapaz. – Se quiser fumar, terá que sair daqui.
Eu estava com raiva, muita raiva. Primeiro porque meu dia tinha começado mal; segundo porque eu tinha certeza que ficaria sem meu carro por algum tempo e terceiro porque essa garota era uma vadia.
Vi Alice me advertindo com o olhar. Eu fui e arrastei a cadeira para trás, me levantando. Tirei alguns dólares do bolso e joguei na mesa.
– Sairei – murmurei, soltando a fumaça que havia prendido na boca em sua cara. – Com muito prazer.
Caminhei a passos decididos até a saída daquela porcaria e, ainda com o cigarro, entrei no carro. Eu continuei parada em frente à lanchonete por uns cinco minutos antes de decidir que já estava mais calma. Joguei o cigarro do lado de fora, na rua, e dei a partida. Optei por ir até uma livraria, onde eu tinha a intuição de que as revistas seriam mais bem selecionadas.
Mas era só uma intuição.
Enquanto dirigia, eu pensava em argumentos para dar a Charlie, para que não precisasse andar com motoristas por sabe-se lá quanto tempo.
Parei o carro no estacionamento da livraria que ficava em uma avenida não muito longa, paralela à Quinta Avenida.
Havia muitos cartazes na entrada da grande livraria, anunciando o lançamento de livros; mas eu passei reto e me encaminhei para a sessão de revistas.
Todos os gêneros estavam organizados – científicas, escolares, culinária, informática... Meus olhos passaram pelas prateleiras até encontrarem “entretenimento”.
Eu tive a vontade de chamar algum funcionário, já que o nome certo para aquele gênero era ‘fofoca’, mas me contive.
Puxei uma revista fina e folheei. Não havia nada que me interessasse ali.
Tentei me convencer que aquilo bastava, mas eu tinha visto apenas uma revista; Charlie iria olhar todas. Todas.
Suspirando, me abaixei para examinar melhor.
Havia vários nomes de revistas, mas todas eram do mês passado.
Essa loja não costuma se atualizar, não? Foi tendo esse pensamento que abaixei os meus olhos para uma caixa de papelão. Ela estava lacrada com uma fita adesiva grossa e verifiquei se não havia ninguém no corredor.
Uma mulher de feições tristes buscava um livro de autoajuda no corredor oposto ao que eu estava, mas ela estava tão compenetrada em sua tarefa que talvez não houvesse problemas.
Tirei a chave do carro do bolso e passei sua ponta no meio da fita adesiva, onde ela unia as duas tampas da caixa de papelão. Abri rápido e não foi uma surpresa encontrar uma pilha de revistar com a minha foto estampada na capa.
Todas eram desse mês e entendi o porquê de não ter achado antes. As edições deviam ter chego a não muito tempo.
As revistas estavam envolvidas em um plástico fino e tirei-o de uma delas. Antes de tudo, pesquisei a página no sumário para que não perdesse muito tempo e lá estava uma foto minha, saindo do restaurante francês.
Uma reportagem não muito longa estava anexada ao lado de mais algumas imagens, mas não me dei ao trabalho de ler.
Deixei a revista no chão e sai daquele lugar, quase bufando de ódio.
No entanto, eu tinha outro plano, e tinha a certeza de que Charlie ao menos ter pensado na hipótese de eu usar minha moto.
Ele proibiria o veículo de quatro rodas; eu ainda tinha o de duas.
Ainda nervosa, mas um pouco mais relaxada por ter tido uma grande ideia, sai da livraria e dirigi para o Beco, no Brooklyn. Eu iria enrolar Charlie o quanto pudesse, mas algum dia teria que voltar para casa.
As ruas começavam a ficar movimentadas, por ser a hora em que as pessoas saiam do trabalho e estavam voltando para casa. Levei quinze minutos a mais do que levaria se tivesse vindo mais cedo.
Quando eu estava estacionando o carro em uma rua movimentada, meu celular tocou. Atendi, já caminhando para o lugar que queria.
– Fala – murmurei, sabendo que era Jacob Black, após olhar no visor.
– Quer fazer algo hoje? Jessica e Mike compraram cigarros e vamos para o Galpão – ele falou direto.
Todos os lugares que íamos tinham um codinome. O Galpão era, obviamente, um galpão, mas nunca citávamos o endereço ou algum lugar próximo.
– Hum, ok – respondi. – Vou precisar levar alguma coisa? Estou no Brooklyn.
– Brooklyn, Isabella? Estava pensando em se divertir sem seus amigos? – sua voz era divertida. Revirei os olhos.
Eu não os considerava meus amigos – eu não tinha amigos –, apenas parceiro para meus momentos de diversão, como todos nós chamávamos.
– Tudo bem – continuou –, traga as drogas.
Murmurei um ‘ok’ e desliguei o celular, sem me despedir; nós nos veríamos em breve e eu não via necessidade de uma despedida com ‘tchau’.
Caminhei a passos apressados para o local que já havia ido muitas vezes; o Beco não era longe de onde eu estacionara, mas eu teria que andar ao menos quatro quadras. Ficava em uma rua muito pouco movimentada e mal cuidada.
O céu já se tornava escuro, deixando pouca luminosidade. A rua estava mais escura ainda, porque poucos postes de luz funcionavam. O lugar tinha algo realmente assustador... Barulho de goteiras, bichos nojentos, gritos vindo de dentro das casas com ar de abandonadas...
No entanto, eu não sentia medo – talvez nojo, mas medo não. Eu evitava passar perto das paredes e das entradas de ruas anexadas à que eu andava, mas tive que entrar em uma, e essa era o que chamávamos de Beco.
Ela era tão suja quanto qualquer outra rua deplorável do Brooklyn e se localizava entre dois prédios abandonados. Era um pequeno declive, que foi fácil descer mesmo estando com saltos.
No final da rua, pude ver o mesmo cara que sempre me vendia drogas sentado no chão, fumando. Ele me olhou e deu um sorriso malicioso.
Apesar de ter a cara de malvado, John era inocente – pelo menos comigo.
– Vai querer o quê, gata? – perguntou, com a voz arrastada. Ele piscou algumas vezes e olhou dentro de uma mochila. – Tenho ecstasy hoje.
– Quero o mesmo de sempre, só que duplique a quantidade. E o ecstasy – falei, procurando o dinheiro no bolso.
Ele separou tudo em saquinhos transparentes e guardei na mochila, após conferir. Quando entreguei o dinheiro a John, ele conferiu também e sorriu.
– Hum, dá até prazer em vender drogas pra você, gata – murmurou. – Mas sabe o que me daria mais prazer?
Ele ia continuar, mas dei as costas, revirando os olhos.
– Até mais, John.
Eu não estava nem na metade da travessa quando ouvi uma sirene na rua de trás. Eu olhei para os lados e depois para trás. Vi que John tentava se levantar, desajeitado, e arrumava suas coisas apressadamente. Mas eu não podia voltar; comecei a correr, mesmo com saltos – era algo que eu havia me acostumado, após fazer tantas vezes.
Quando cheguei à rua longa e mal iluminada, parei, olhando para os lados. De cabeça baixa, continuei a andar, em passos longos e rápidos.
Eu só não estava preparada para o impacto a seguir.
Ao levantar a cabeça, notei estar sendo segurada por uma mão forte, mas macia. Analisei o rosto da pessoa a minha frente, me demorando nos olhos. Eram tão verdes quanto... Quanto os dele.
Engoli em seco e não sei se foi por estar tão perto de um estranho ou se foi por ele ser tão bonito. Senti um arrepio.
– Você está bem? – perguntou. Eu sabia que já havia visto ele. Sua voz e seu rosto me eram familiares...
Pisquei algumas vezes e pigarreei.
– Estou – eu disse, soando ríspida. – Será que você poderia me soltar?
Ele tirou as mãos de mim, parecendo indignada. Ajeitei a jaqueta no corpo e encarei à minha volta.
– Desculpe por te impedir de cair – murmurou, mexendo as sobrancelhas. Ele olhou para o meu rosto mais atentamente. – Ei, eu acho que já vi você...
– Ah, claro – revirei os olhos. – Eu estive na lanchonete hoje – argumentei e depois acrescentei, em um tom mais baixo: – e no sábado.
Ele assentiu.
– Mas não é só de lá. Acho que já te vi em outros lugares...
– Revistas? – levantei uma sobrancelha. – Programas de fofocas? Jornais? Prazer, infelizmente sou Isabella Swan – levantei minha mão.
O garoto franziu o cenho. Minha atenção foi desviada para seus cabelos, que tinham uma mistura de loiro com castanho, algo que formava... Cobre. Eu nunca tinha visto alguém com aquela cor de cabelo, mas achei bonito.
Ele olhou para minha mão ainda estendida e ignorou.
– Ah, então está explicado – debochou. – E o que a senhorita Swan faz numa rua tão deserta do Brooklyn?
Eu bufei; era um estranho – um estranho idiota e arrogante.
– Nada que seja da sua conta – respondi, mas olhei por cima do ombro. Ele seguiu meu olhar em direção ao Beco.
Seu olhar foi um pouco surpreso, mas logo tratou de disfarçar.
As sirenes se aproximavam.
– Droga – resmunguei, mordendo o lábio inferior e passando a mão no cabelo. – Finja que está comigo – soou praticamente como uma ordem, enquanto enlaçava o meu braço no dele. Forcei-o a caminhar junto comigo.
Uma viatura se aproximou de nós, dirigindo lentamente pela rua. Baguncei meus cabelos, para não ser reconhecida, deixando a franja cair em cima dos óculos escuros.
O carro parou ao nosso lado e pude ver um policial gordinho e de bigode. Eu diminui meus passos, e paramos em frente à janela do veículo.
– Para onde estão indo? – ele perguntou com uma voz fanha.
Eu desviei os olhos, abaixando a cabeça e tossi fortemente.
– Eu... – o garoto murmurou. – Eu estava levando minha namorada para a casa dela. Sabe, ela está passando mal.
Se eu tivesse que contar uma mentira dessas, contaria muito mal.
– Hum... – o policial estava desconfiado. – Vocês virão alguém sair daquele beco? – sinalizou o lugar onde eu estava minutos antes. Negamos com a cabeça. – Ok. Cuidado, crianças, há um drogado nessa rua e é ele quem eu estou procurando.
Percebi que o garoto assentiu. O policial se despediu e logo seu carro sumia em uma esquina.
– Drogado – murmurou o cara ao meu lado. – Era você?
Arrumei o cabelo e tirei os óculos, colocando-os na cabeça.
– Sim, era – respondi, sem muita importância. Ele me olhou esquisito. – O que?
– Nada, é só que... – ele balançou a cabeça. – Por que está estragando a vida assim?
Eu respirei fundo, pensando no por que das pessoas serem tão intrometidas.
– Por que está conversando com uma drogada? – devolvi. – Aliás, eu não sei o seu nome – mudei de assunto.
– É Edward – respondeu, mexendo no cabelo, deixando-o mais bagunçado do que já era.
– Ah, então, Edward – enfatizei seu nome –, obrigada por não me deixar cair e por me livrar do policial, mas eu preciso ir.
Eu tentei ser o mais simpática que minha pessoa permitia, e obtive um sucesso um tanto... Forçado. Mesmo assim, dei um sorriso amarelo e percebi que nossos braços continuavam entrelaçados.
Edward, seguindo meu olhar, corou e tirou seu braço do meu.
– Tudo bem – sussurrou. – Tchau, então.
Eu ri, mas por pouco tempo.
– Quem sabe não nos encontramos por aí? – falei, piscando. Virei-me, pronta para voltar para o meu carro. – Até logo, Edward!
Eu não ouvi sua resposta, porque já andava rápido para onde tinha vindo. Edward tinha sido legal comigo, mas isso não derrubaria minhas barreiras.
Tão logo vi o Volvo, e destravei o alarme, entrando no interior aconchegante do carro. Coloquei minha mochila embaixo do banco do passageiro e fui para o Galpão.
Ouvi meu celular tocar dentro da mochila, até que, depois de um bom tempo, parou e suspeitei que a bateria tivesse acabado. Com certeza era Charlie me ligando.
Enquanto dirigia, me perguntei por que Edward havia me ajudado. Ele era um completo estranho, e tinha os olhos tão misteriosos... E ele ao menos havia mencionado o incidente na lanchonete, que acontecera de tarde.
Era fácil responder a uma pergunta que ele me fizera: “Por que está estragando a vida assim?”. Eu já havia me perguntado a mesma coisa, afinal, muitas meninas sofreram o que sofri; no entanto, para mim, esse era o melhor jeito para fugir da situação.
Estragar a minha vida desse jeito era a melhor maneira de me matar aos poucos, já que eu não tinha coragem de fazer isso de uma vez.
E eu tentara, não podia negar; mas não consegui. Nunca.
Parei o carro longe do Galpão, onde vi que o carro de Jacob estava parado, junto com o de Mike. O local não era longe da li, e pude ir caminhando com a mochila nos ombros.
– Aleluia! – ouvi um grito de Jessica, na entrada do Galpão. Os meninos apareceram atrás dela para me esperarem.
– Não precisavam me esperar – resmunguei, entrando no lugar e joguei minha mochila no chão.
– Não estávamos te esperando – Mike disse, com um tom brincalhão. – Estávamos esperando a droga.
Rolei os olhos ao mesmo tempo em que Jacob enlaçava minha cintura com seus braços fortes e me beijava. Sinceramente, Jacob não beijava bem... Seus beijos eram sempre muito... Babados.
Mesmo assim, correspondi seu beijo, tocando nossas línguas. Quando nos separamos por falta de ar, vi que Mike e Jéssica nos olhavam.
– Vocês podiam deixar para transar quando estiverem a sós – ela comentou, pegando uma garrafa em sua bolsa.
Era uma garrafa verde, que reconheci como Absintho, ou Fada Verde, como a bebida era popularmente chamada.
Revirei os olhos novamente – essa era uma mania que estava se tornando habitual para mim.
– Tem cigarro? – perguntei. Ninguém respondeu, mas Jacob acendeu um cigarro, deu uma tragada e me entregou.
Vi quando Mike pegou minha mochila e começou a fuçar lá dentro. Eu estava pronta para repreendê-lo, mas ele apenas tirou o saco com as drogas e se voltou para mim.
– Ecstasy? – perguntou, retoricamente. Sorri.
Jacob sorriu malicioso para mim e me puxou para sentar em seu colo, em algum canto do galpão. Ele afastou meu cabelo para o lado e começou a dar beijos molhados em meu pescoço.
Soltei a fumaça do cigarro enquanto pendia minha cabeça para trás.
– Como conseguiu ecstasy? – Jacob perguntou, sem parar de me beijar.
– John tinha lá e eu apenas comprei – respondi.
– Vocês vão querer? – Jessica estendeu o saquinho, sentada ao lado de Mike. Eles compartilhavam a maconha e o Absintho.
Eu sorri, voltando a cabeça para frente. Entreguei o cigarro para Jacob e procurei o comprimido dentro do saco. Era amarelo e tinha uma carinha feliz. Eu ri da ironia e coloquei na boca.
– Ei, não monopolizem a Fadinha – Jacob falou para Mike. Ele entregou a garrafa para nós e tomei alguns goles. A bebida desceu junto com o comprimido pela minha garganta, queimando e fazendo meus pulmões arderem.
Em poucos segundos, eu senti falta de ar. Meu peito chiava, clamando pelo ar. Eu tinha certeza que com mais dois goles, estaria embriagada.
Aos poucos, a bebida parou de queimar e tomei mais um pouco, passando a garrafa para Jacob. Ele terminou de beber, engolindo um comprimido de ecstasy junto.
– Hum, que tal se formos para um lugar mais afastado, bebê? – Jessica murmurou para Mike, usando um apelido ridículo. Ela estava sentada entre as pernas dele e jogou a cabeça para trás para poder morder o queixo do namorado.
Jacob ignorou, voltando a beijar meu pescoço e apertar minha cintura fortemente.
Jessica e Mike saíram dali e creio que foram para a parte de trás do galpão.
– Quer aproveitar? – Jake murmurou, sua voz abafada pelo contato de sua boca com minha pele.
Eu assenti, fazendo um pequeno movimento em seu colo. Jacob soltou um riso malicioso e me colocou de frente para ele.
Notei que, por baixo de sua jaqueta, o ombro da camiseta branca estava rasgado. Ignorei e beijei seu ombro, alternando em mordidas. Seus dedos foram para o botão da minha calça jeans.
Nós voltamos a nos beijar, sua língua se enroscando com a minha. Minhas unhas arranharam os braços de Jacob e eu tinha certeza que ele ficaria com marcas mais tarde.
Quando nos separamos, respirei fundo e um cheiro estranho invadiu minhas narinas. Tive a sensação de que meus pulmões estavam ressecados mais uma vez naquela noite.
Jacob me encarou confuso.
– O que? – perguntou.
– Não está sentindo o cheiro? – devolvi a pergunta. Procurei, em minha memória, algo parecido com aquele cheiro. Imagens invadiram minha mente e eu estremeci. – É madeira sendo queimada...
– O que? – Jacob repetiu, só que dessa vez com mais ênfase em sua confusão.
Levantei-me e caminhei para o fundo do galpão.
– Bella – Jacob chamou –, por que está indo aí? Mike e Jessica estão...
Mas ele não terminou sua frase.
Uma explosão veio em minha direção e fechei os olhos, colocando um braço em frente a eles. Percebi que estava muito calor e que eu começava a suar.
Tirei o braço do rosto e não vi nada de anormal. Exceto que o cheiro de queimado só aumentava. Eu estava caminhando de volta para onde Jacob estava, quando vi fumaça entrando pelas janelas altas e empoeiradas.
Jacob olhava para um ponto atrás de mim. Virei-me e vi um fio de eletricidade solto queimando, assim como os outros vários fios antigos presentes ali. Dei um passo para trás quando um deles soltou um estalo alto, e acabou se tornando uma sequência.
Eu ainda estava paralisada quando a parede oposta à que eu estava mais perto pegou fogo. Tudo. A parede inteira. Alguns pedaços do telhado frágil daquele lado começaram a desmoronar.
Eu puxei uma longa corrente de ar para os pulmões, porque não havia reparado que tinha prendido a respiração. Ao invés de alívio por respirar, eu senti dor por causa da fumaça escura.
– BELLA! – meu nome saiu gritado pelos lábios de Jacob. A parede do lado leste começou a pegar fogo junto com a do sul, que foi a primeira a ser carbonizada.
Mais pedaços do telhado antigo começaram a cair e minha mente deu um estalo. Eu não percebera que ficara tão desligada. No entanto, meus pensamentos não estavam focalizados no meu passado, como era de se esperar.
Eu estava com medo de morrer.
Dei mais alguns passos para trás e me virei abruptamente, correndo junto com Jacob para a saída do Galpão. A estrada estava vazia, e estaria escura se não fossem as chamas que agora consumiam o lugar onde eu estava há segundos.
Um arrepio percorreu minha coluna.
Parei de correr apenas quando destravei o alarme do Volvo, que estava a uma boa distância do fogo. Entrei no conforto do meu carro e vi que Jacob entrou em seu Jaguar e deu a partida.
Eu ainda fiquei ali por alguns segundos, vendo as chamas através do retrovisor lateral. O galpão onde eu estava continuava queimando, com a diferença que já estava totalmente caído no chão e que o fogo se alastrava pela mata com grama demais atrás dele.
Minhas mãos não pararam de tremer, assim como meu corpo inteiro, mas eu estava um pouco mais controlada agora.
Girei a chave na ignição e sai dali, me perguntando onde Mike e Jessica estariam.
Ou não estariam.
Eu tremi mais forte com a possibilidade deles estarem mortos. E, com muita sorte, não teríamos provas para ver quem estava lá quando os bombeiros, avisados de alguma forma, chegassem para apagar o fogo.
Mas como os bombeiros iriam ser avisados? Não havia ninguém ali – absolutamente ninguém. O fogo iria continuar até que não houvesse mais nada a ser queimado? No entanto, o Galpão não ficava longe da cidade e com o tanto de mata presente ali, eu não duvidada que as chamas chegassem até o centro.
Acelerei mais, mas o carro vacilou na pista. Eu ainda estava bêbada. E o ecstasy não fizera efeito. Ainda, pois não havia nem meia hora que eu o tomara.
Minhas mãos se mantiveram firmes no volante, quando eu finalmente cheguei ao centro de Nova York, onde as coisas eram... Digamos... Mais urbanizadas.
Parei o carro de mau jeito em uma rua não muito movimentada, deixando um pedaço em cima da calçada. Sai dele, caminhando até o telefone público mais próximo. Algumas gotas de chuva começavam a cair e agradeci mentalmente, porque tirariam o cheiro insuportável da minha pele, roupas e cabelo.
Procurei uma moeda nos bolsos e depositei-a no telefone. Disquei o número do corpo de bombeiros.
Uma voz monótona atendeu e eu disparei a falar.
– Eu... Eu estava entrando em Nova York quando passei por uma estrada e vi um lugar pegando fogo – respirei fundo e passei o endereço. – Por favor, sejam rápidos – murmurei –, o fogo não demorará a chegar à cidade.
Então eu desliguei, ao mesmo tempo em quem algumas lágrimas escorriam por meu rosto coberto por cinzas, manchando-o. E, minutos depois, quando me recuperei e entrei no carro, uma onda de euforia dominou meu corpo e meus pensamentos.
Era o efeito do ecstasy.
E nada era tão bom para esquecer meu passado e o dia que vivi hoje quanto ele.
Notas finais
Eu sei que eu demorei um pouquinho, mas entendam... São capítulo grandes - esse está com 19 páginas do Word - e eu tive provas a semana inteira :/ E vou ter a partir do dia 15, então...
Pensei seriamente em deixar o Jacob no galpão, mas eu acho que vou precisar dele mais tarde... É uma pena!
Comentem, ok? Vocês não sabem como foi difícil escrever esse capítulo! Se não fosse pelos reviews de vocês, eu não teria conseguido postar.
Ah, e quem quiser recomendar... Eu iria adorar, tá? Hihi.
É isso gente. Não vou prometer nada, mas acho que não vou demorar muito para trazer o terceiro capítulo.
Beijos :*
Fale com o autor