It Was Just A Dream. - Faberry
11 Sweet Dreams part.2
Notas iniciais
O celular chamou uma, duas, três, quatro vezes até alguém atender.
– Alô, minha vida é um saco. — a voz de Kurt soou sonolenta.
– Hey, Kurt. — cumprimentou Quinn com uma animação anormal. — Como estão as coisas?
– Quinn? O que houve? — perguntou o rapaz desconfiado. A loira sorriu para Santana que acompanhava a conversa pelo viva voz.
– Apenas começando um bom dia, então...O que vai fazer na sexta?
Kurt pensou por um momento.
– Acho que agora tenho compromisso, mas já vou avisando que minha preferência é homens.
– Ela é gay! — berrou Santana recebendo um beliscão de Quinn.
– O que? — Kurt assustou-se e riu em seguida. — Omg!
– Kurt, relaxa. Conversamos sobre isso depois. — pediu a loira risonha. — Precisamos de você.
– Intervenção gay? — sugeriu o rapaz arrancando risadas de Santana.
Quinn balançou a cabeça, agora seriam dois para fazê-la passar vergonha.
– Mais ou menos isso, preciso que deixe Rachel espetacular para sexta. — disse. — Ela e eu vamos passar a tarde junto e a noite nós quatro nos encontramos na Broadway, tenho alguns ingressos.
– Você vai assistir a Ber... — Santana tentou falar, mas Quinn tapou sua boca a tempo. Não queria estragar a surpresa.
– Santana? — chamou Kurt preocupado.
– Ela precisou correr para o banheiro. — explicou Quinn sentindo a latina fungar. — Promete que fará isso?
Kurt nem precisou pensar e logo respondeu:
– Ela estará linda.
Fim da ligação.
***
O resto da semana passou rápida e a neve foi sendo substituída. Quinn procurava uma roupa em seu guarda roupa e no guarda roupa de Santana sob os protestos e piadas da latina de que ela deveria comprar um terno. Ela precisava admitir que aquelas piadas estavam ficando sem graça e irritantes, mas era também uma forma de Santana passar o tempo sem pensar em Brittany, pois Quinn já acordara de madrugada para tomar água e flagrou a latina sentada na mesa da cozinha chorando. E então as duas ficavam se consolando, essa era a vida das duas e Quinn amava Santana incondicionalmente para vê-la triste.
– Vista essa cacharrel branca e a jaqueta de couro preta por cima. — Santana jogou uma roupa de dentro do armário para Quinn que estava sentada na cama. — É a sua cara.
Quinn revirou os olhos.
– Eu posso até usar isso, mas devolva minhas botas. — pediu tirando seu par de botas preferido das mãos da latina. — Eu estou bem, por que não escolhe a sua roupa?
– Porque não sou eu quem vai para um encontro. — ironizou Santana saindo do quarto resmungando em espanhol.
A loira estava atônita, faltava apenas algumas horas para ver Rachel e seu coração parecia que iria sair pela boca. Ela guardou os ingressos na bolsa juntamente com a câmera e o celular, tudo precisava estar perfeito. A campainha tocou e Quinn ouviu Santana correr atender a porta antes dela.
– Que diabos...? — Santana não conseguiu terminar a frase e Quinn ficou paralisada ao ver Rachel.
Ela estava linda, linda como nunca a vira na vida. Os cabelos estava um pouco encaracolados e ela usava um vestido branco com um decote que deixou a loira sem fala. Rachel sorria envergonhada, porém, seus olhos tinham um brilho diferente ao encontrar os de Quinn, ela estava feliz.
– Olá, Santana. — cumprimentou a pequena com um abraço na latina.
– Berry. — foi o que Santana conseguiu dizer ainda parecendo hipnotizada. Rachel sorriu ainda mais e se aproximou de Quinn que sentiu seu corpo tremer.
– Oi. — disse a pequena segurando as mãos da loira.
– Você está linda. — disse Quinn apertando as mãos de Rachel nas suas e lhe dando um beijo na testa.
– Não seja modesta, Quinn. Você é perfeita. — a loira corou. — Mas eu trouxe outra roupa para passearmos, só queria que você aprovasse meu vestido.
As duas trocaram sorrisos.
– Pode se trocar no quarto. — falou Santana indicando as escada, Rachel pediu licença e subiu. A latina não perdeu tempo e se aproximou de Quinn. — Minha Britt ainda é melhor.
Quinn revirou os olhos.
– Você está babando, Lopez.
– Cale a boca.
Depois de um tempo, Rachel desceu vestindo uma blusa de manga comprida cinza com uma carinha desenhada e calça, e a loira não pode deixar de ficar boba ao ver sua pequena tão linda em trajes simples. Quinn sorriu ao ver a boina.
– Vamos indo, nos encontramos daqui algumas horas, Santana. — disse Quinn para a latina pegando as chaves do carro.
Santana concordou e deixou que as duas passassem pela porta, não sem antes comentar:
– Vocês duas, — Rachel e Quinn se viraram para ela. — não quero cheiro de sexo no meu carro!
Rachel corou furiosamente e Quinn amaldiçoou todas as vidas passadas da latina que fechou a porta rindo.
A loira entrou no carro totalmente envergonhada e ela pode ver que Rachel ria silenciosamente no banco do carona.
– Acha isso engraçado? — perguntou a loira.
– O comentário ou a sua expressão?
Quinn sorriu também.
– Aonde quer ir?
Rachel pareceu pensar.
– Eu não sei, vamos fazer algo que não costumamos fazer, o que acha?
As duas trocaram olhares divertidos e Rachel ligou o som do carro de Santana, trocando de música em música.
– Tem uma coisa que eu não faço a muito tempo. — comentou Quinn parando o carro no semáforo. Rachel a olhou curiosa. — Tomar sorvete.
As duas riram e Quinn ficou com medo de ter soado infantil para a pequena.
– Essa definitivamente não é você. — comentou Rachel desistindo do rádio e voltando a se encostar no banco.
– Sabe qual é o melhor?
Quinn ergueu uma sobrancelha curiosa.
– O que?
– Sorvete de baunilha! — exclamou excitada como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
**
Alguns dizem que o mundo acabará em fogo, outros dizem em gelo. Fico com quem prefere o fogo. Mas, se tivesse de perecer duas vezes, acho que conheço o bastante do ódio para saber que a ruína pelo gelo também seria ótima e bastaria. — Robert Frost
Milhares de pessoas dizem que andar pelo Central Park é um sonho, é mágico. Agora, imagine estar com a pessoa que faz todos os seus problemas desaparecerem, seu corpo relaxar, e que faz você se sentir mais viva do que nunca neste mesmo lugar? Quinn estava feliz, ver o sorriso de Rachel a estava fazendo feliz acima de tudo, a pequena parecia maravilhada, pois caminhava todo dia pelo parque, mas pela primeira vez, ela parecia ter uma visão diferente do lugar por apenas estar ao lado de Quinn.
– Experimente, Quinn, por favor! — Rachel praticamente implorava em frente ao carrinho de sorvete. — Você não pode viver a base de chocolate.
O sorveteiro sorria divertido assistindo a pequena discussão entre as duas garotas.
– Eu posso muito bem viver de chocolate, sim! — insistia Quinn um pouco irritada com a insistência da pequena. — Odeio baunilha.
– Já experimentou?
– Não.
– Então como sabe que odeia?
Quinn deu de ombros.
– Sexto sentido. — virou-se para o sorveteiro. — Um de chocolate, por favor.
– Dois de baunilha! — cortou Rachel entrando na frente de Quinn. A loira levantou a cabeça impaciente e perguntou a Deus o que ela tinha feito para merecer alguém tão teimosa.
– Alguém já disse que você é irritante?
– O tempo todo. — sorriu Rachel convencida. Quinn aceitou vencida o sorvete de baunilha das mãos do homem e bufou.
Assim que pagou, ela se virou para continuar caminhando, deixando Rachel para trás.
– Não se faça de zangada, eu te conheço, Fabray! — exclamou Rachel dando um meio abraço na loira. — Meu Deus, como isso é bom.
– Você é muito convencida, Berry. — disparou Quinn levando o sorvete a boca. Oh, como isso é bom! Ela ficou encarando o sorvete por um bom tempo e Rachel começou a rir da cara da loira. — Nada mal.
As duas caminharam até o gramado onde havia muitas famílias com as crianças que corriam atrás dos cachorros, ou brincavam de pega-pega. Rachel sentou infantilmente cruzando as pernas, e Quinn sentou ao seu lado.
– Você sumiu. — comentou Rachel, observando as crianças brincando mais a frente. A loira levou o sorvete a boca e sentiu-se envergonhada.
– Precisava pensar um pouco.
Rachel concordou com a cabeça e esperou um momento para dizer:
– Eu gosto de você, Quinn. — sua voz saiu tão doce que a loira estremeceu. A pequena levantou os olhos para encará-la. — Eu não sei o que é isso, mas eu quero que continue.
Quinn surpreendeu-se com aquelas palavras e encarou a pequena de volta.
– Você não tem medo? — perguntou preocupada.
Rachel não pareceu entender o que ela queria dizer.
– Medo?
– Sim, — a loira desviou os olhos para todas as pessoas sentadas em volta. — Das pessoas, dos olhares, da ilusão...
Rachel seguiu os olhos da loira e deixou-se se perder na visão de uma garotinha loirinha brincando com seu cãozinho. Ela sorriu, a garotinha lembrava Beth, e por um momento ela desejou poder ser mãe, e ter uma família.
– Acho que não tenho muito tempo para ter medo. — respondeu. — Você é a pessoa que me faz bem no momento, e eu quero muito te beijar agora.
Quinn sorriu e deu um beijo demorado no rosto de Rachel, ela fechou os olhos e deixou que a pequena sentisse sua respiração na bochecha, as duas se sentiram arrepiar.
A loira tirou a câmera de dentro da bolsa e teve uma ideia travessa.
– Você pode me beijar quando quiser. — disse, e em seguida passou o sorvete no nariz de Rachel que abriu a boca surpresa sentindo a massa gelada.
– Quinn!
A loira gargalhou e não perdeu tempo em fotografá-la com certa admiração. Rachel vendo o que Quinn fazia, passou seu sorvete no rosto da loira que deu um gritinho de susto. As duas riram e tiraram fotos de suas situações. Após se limpar com o guardanapo, a pequena bagunçou o cabelo curto de Quinn e deitou em seu ombro.
– Já disse que gosto do seu cabelo?
– Aé? — perguntou a loira passando o braço no corpo da pequena num abraço e fazendo carinho de braço de Rachel.
– Sim, você parece um leão. — riu. Quinn abriu a boca confusa, mas então riu também. Se Rachel tivesse noção do bem que estava fazendo a ela, continuaria a falar para sempre, pois em apenas alguns dias, ficar sem ouvir sua voz seria tortura. E agora mais do que nunca, o que Quinn mais amava em Rachel eram seus monólogos e sua teimosia, isso tudo deixava a pequena muito fofa.
– Então eu pareço um leão? — perguntou a loira com uma voz sexy girando seu corpo para frente de Rachel, que num reflexo, se deitou e Quinn ficou por cima dela.
– Sim, my lion Quinn! — exclamou sentindo a mão da loira percorrer a lateral do seu corpo. — Quinn, as pessoas vão começar a achar estran...
Mas ela não pode terminar a frase, houve uma explosão de gargalhadas causadas pelas cócegas que a loira fazia em Rachel. A pequena se contorcia em seus braços e continha lágrimas nos olhos, e Quinn se divertia, voltava a ser criança naqueles pequenos momentos. Agora ela tinha sete anos. Rachel conseguiu segurar o ombro da loira e inverteu as posições, as pessoas que passavam apenas sorriam, pensando ser uma brincadeira entre amigas ou irmãs.
Eles nunca imaginariam que ali estavam duas pessoas extremamente apaixonadas e confusas, duas pessoas cujo destino as unira de uma forma bruta, mas ainda sim, as fizera perceber que amar as tornavam crianças crescidas. As duas se olhavam com ternura agora enquanto Rachel mantinha suas mãos nos cabelos da loira, bagunçando-os ainda mais, e Quinn apenas conseguia admirá-la deitada ao seu lado, já estava anoitecendo e elas podiam ver o pôr-do-sol. Quinn nunca se sentiu tão clichê e ao mesmo tempo tão romântica como naquele momento.
– Sabe, depois de perder tudo o que você mais preza na vida, sua fé diminui...Se torna quase um nada. — iniciou Quinn. — Mas agora eu sei porque voltei a acreditar que existe um ser maior lá em cima, olhando por nós, desafiando nossas escolhas...
Houve um momento de silêncio até Rachel olhar para Quinn curiosa.
– Por que?
Quinn também a olhou com doçura e respondeu:
– Ele fez você.
***
Oito horas, eram oito da noite e Rachel insistira para que Quinn a acompanhasse até um karaoke dos alunos de NYADA. A loira de inicio recusou, se sentiria deslocada em meio aos estudantes, mas ela estava discutindo com Rachel Berry, a garota que não perdia discussões.
– Temos uma hora até nos encontrarmos com Kurt e Santana. — disse Quinn sentada em uma das mesas com Rachel. — Ou então amanhã nossos nomes vão aparecer no noticiário.
Rachel uniu as sobrancelhas.
– Santana nos assassinaria, você sabe. Ela tem um facão em casa. — as duas riram.
Um garoto havia acabado de cantar uma música extremamente chata que fizera a loira quase dormir na mesa.
– A ultima vez que vim aqui, Kurt e Blaine ainda namoravam. — comentou a pequena tomando um gole de seu suco. — Finn e eu também.
Quinn se sentiu irritada. É claro que ela tinha que falar dele, o grande amor da Berry. Rachel percebeu o que causara na loira e tentou concertar:
– Não fique assim, Finn é passado. — ela tocou o braço de Quinn gentilmente. — Você está no meu presente.
As duas se olharam e então os olhos da loira percorreram o pequeno palco vazio. Ela pensou que poderia expressar o que estava sentindo naquele momento com a unica forma que Mr. Shue a ensinara: cantando. Só faltava coragem para subir naquele palco e cantar para dezenas de pessoas melhores que ela, eles ririam, isso sim.
Ela batucou impaciente na mesa e resolveu que não tinha outro jeito, ela já tinha pisado em fogo, o jeito era se queimar. E se queimar com os olhos de Rachel junto aos seus não parecia uma má ideia, foi então que ela pediu licença e se afastou da mesa. Rachel a seguiu com os olhos curiosa, e ao ver o que a loira faria, abriu a boca e arregalou os olhos. As pessoas dentro do bar perceberam que alguém havia subido ao palco e as conversas se encerraram, todos os olhos se voltaram para a loira que pegou um dos violões e recusou a banda. Ela se sentou em um banquinho e ajustou o microfone a sua altura.
– Certa vez, um homem me disse que não há melhor maneira para expressar sentimentos do que cantá-los, aqui está uma música que pode descrever o que não seria o suficiente com palavras.
Rachel segurou a respiração e olhou para os lados perguntado-se se era mesmo para ela que Quinn cantaria. Não parecia real. Então ela deixou que seus olhos se focassem nos da loira, e relaxou ao ouvir o som do violão.
Summer after high school when
(No verão, depois do Ensino médio)
We first met
(No nosso primeiro encontro)
We'd make out in your Mustang
(Nós nos beijamos no seu Mustang)
To Radiohead
(Ouvindo Radiohead)
Talk about our future like we had
(Falamos sobre o nosso futuro como se soubéssemos)
A clue
(De algo)
Never planned that one day
(Mas nunca planejei que um dia)
I'd be losing you
(Eu perderia você)
Houve uma pausa, Quinn olhou com intensidade para Rachel e continuou com a voz calma e a melodia lenta:
In another life, I would be your girl
(Em uma outra vida, eu seria sua garota)
We'd keep all our promises, be us
(Nós manteríamos todas as nossas promessas)
Against the world
(Seriamos nós contra o mundo)
Rachel sabia que aquelas palavras eram verdadeiras, ela podia sentir a emoção que Quinn transbordava, e seu interior parecia querer gritar para que ela beijasse sua garota.
In another life, I would make you stay
(Em uma outra vida, eu faria você ficar)
So I don't have to say you were
(Então, eu não tenho que dizer que você era)
The one that got away
(Aquele Que Se Foi)
Quinn fechou os olhos e deixou que os momentos daquela tarde a invadissem, deixou que o sorriso de Rachel fosse sua fonte de inspiração:
I was June and you were my
(Eu era June e você era meu)
Johnny Cash
Never one without the other
(Nunca um sem o outro)
We made a pact
(Nós fizemos um pacto)
Sometimes when I miss you
(Às vezes eu sinto sua falta)
I put those records on
(Então coloco aquelas músicas para tocar)
Quinn abriu os olhos e deixou que uma lágrima escapasse. Não era atoa, ela sabia que não demoraria para perder Rachel para sempre, ela sabia que se fosse em outra vida, ela seria sua garota, e apenas sua.
In another life, I would be your girl
(Em uma outra vida, eu seria sua garota)
We'd keep all our promises, be us
(Nós manteríamos todas as nossas promessas)
Against the world
(Seriamos nós contra o mundo)
Rachel também deixou que suas lágrimas descessem, não as seguraria por mais tempo, ela precisava chorar, precisava demonstrar a Quinn que sua alma onde quer que estivesse, sentiria falta de todas as palavras não ditas, e abraços carinhosos.
I should have told you what you
(Eu deveria ter te dito o que você)
Meant to me, whoa
(Significava para mim, whoa)
Cause now I pay the price
(Porque agora eu pago o preço)
Com muito esforço, Quinn fechou os olhos e disse a ultima frase com a voz transbordada:
In another life
(Em uma outra vida)
A loira foi ovacionada pelos estudantes, até mesmo os garçons pararam para aplaudir a garota, mas ela não se importava com nenhum deles, seus olhos ainda estavam presos em uma pequena figura em meio as pessoas.
***
– Eu vou castrar você! — exclamou Santana agarrando Quinn pela gola da camisa quando as duas apareceram. — O espetáculo já começou, vocês não estavam transando no meu carro, não é?
Rachel riu e negou.
– Ela está pegando sua mania, Rach. — caçoou Quinn dando uma piscadela para Santana. — Ela apenas demorou para se trocar, já tentou fazer isso dentro de um carro?
Santana ignorou as duas e as conduziu para dentro do prédio, o som estava muito alto e o lugar estava cheio. Quinn sentiu apreensão, seria daqui a pouco, seu corpo todo tremia com medo de que algo desse errado, ou que Rachel recusasse. As três se sentaram ao lado de Kurt que guardava o lugar, eles estavam bem na frente, com uma visão perfeita. Santana parecia mais nervosa que a loira, e Kurt estava maravilhado demais com o show onde várias pessoas estavam grudadas uma na outra em cima de uma rede, Quinn achou aquilo bizarro e estranho, mas não tinha paciência para assistir, apenas segurou a mão de Rachel, passando mentalmente as forças que ela precisaria em breve.
Rachel olhava não só a peça, como também o lugar, ela nunca se cansava de analisar as paredes e colunas da Broadway, aquele lugar era um sonho, seu sonho. E ela sentia uma angustia enorme dentro do peito quando pensava que nunca poderia realizar seu sonho de se tornar uma famosa, e estrear naquele palco. Sentia a mão de Quinn sobre a sua e sabia que estava tudo bem, que sonhos eram assim mesmo, algo dentro de si se contentava por ter a loira em sua vida agora.
– Estranho, — comentou Kurt. — aquela não é Cassandra July?
Santana, Kurt, Quinn e Rachel olharam para trás da cortina aberta, onde a loira os encarava. Quinn franziu o cenho.
– Eu já a vi em algum lugar...
O espetáculo deu sua pausa, o coração de Quinn saltou no mesmo instante. Algumas poucas pessoas saíram para ir ao banheiro ou comprar algo para comer. Então Carmem apareceu no palco quando a cortina se fechou levando um microfone, Quinn pode ouvir Santana suspirar.
– Boa noite. — disse Carmem com sua voz inabalável. — Quero agradecer aos presentes e espero que tenham apreciado a primeira parte do espetáculo. — algumas pessoas aplaudiram. — Quero também dizer que esta noite teremos algo incomum. — seus olhos focalizaram os de Quinn e a loira olhou de relance para Rachel que parecia não entender o que acontecia. — Temos uma convidada especial para se apresentar durante a pausa. — as mãos de Quinn suaram e de repente ela soltou a de Rachel. — Rachel Berry?
Algumas pessoas começaram a murmurar: Rachel Berry? Kurt estava chocado olhando para a pequena e Quinn sentiu a coragem invadir-lhe, virou-se para Rachel e viu que ela estava paralisada na cadeira, olhando para Carmem como se tivesse levado um soco.
– Rachel? — chamou Quinn cutucando seu braço gentilmente. A pequena não se mexeu. — Rachel, você precisa subir la em cima. Vem.
Facilmente, a loira conseguiu segurar a mão da pequena que estava gelada e conduzi-la até o palco, atrás da cortina onde um coral se aprontava e três telões enormes eram ligados. Rachel estacou assim que pisou no palco, Quinn voltou preocupada e segurou as mãos dela.
– O que... é... isso? — ela perguntou afobada.
– Rachel, depois eu explico. Preste atenção. — a loira beijou-se a testa. — Atrás daquela cortina está um publico pronto para ouvi-la cantar, então agora você vai enxugar essas lágrimas e mostrar a eles quem é Rachel Berry!
A pequena soltou as mãos de Quinn desesperada e tremendo como nunca.
– Não...Não, eu não posso, eu não me preparei, e isso é alguma brincadeira. É, eles estão brincando comigo, eles vão rir de mim, eu preciso sair daqui...
Rachel virou as costas e desceu as escadas do palco correndo, Quinn pulou os degraus e puxou a pequena que chorava descompassadamente junto de seu corpo apertando-a com força.
– Rach, olha pra mim, eu procurei Carmem, eu pedi a ela que desse a você seu show. — Rachel levantou a cabeça chocada encarando Quinn. — Você não precisa se preparar, você já nasceu preparada. Você pode cantar a qualquer momento, agora suba naquele palco e cante como nunca antes.
– Mas, Quinn...
– Olha, tente adivinhar essa: — pediu segurando o rosto da pequena e afagando-lhe. — A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.
Rachel não precisou pensar muito, e deu um pequeno sorriso.
– Charles Chaplin.
Quinn sorriu orgulhosa e encostou seus lábios nos de Rachel, sentindo uma sensação maravilhosa e todos os arrepios. A pequena enxugou as lágrimas.
– Eu acredito em você, Kurt e Santana também. Eu vou estar ali, na terceira fileira, observando a minha estrela brilhar.
Foi o necessário para Rachel dar um forte abraço em Quinn e correr de volta ao palco, e loira voltou para sua fileira onde Santana explicava tudo a Kurt.
– Eu quero namorar com você! — disse ele com os olhos marejados.
– Deixa a Berry ouvir você dizer isso.
Os três riram e então a cortina se abriu. Nos três telões passavam imagens de fogo crepitando, o que deu ao lugar uma pitada de adrenalina, o coral atrás vestia vermelho e preto e bem no centro do palco estava uma estrela. Rachel olhou para o publico, o maior que já vira em sua vida, suspirou e fechou os olhos. Atrás de si a música começou a ser tocada e em uma fileira em meio as pessoas, uma certa loira a olhava com determinação, passando a coragem que Rachel precisava. A pequena levantou os olhos e eles já não estavam mais vermelhos, pelo contrário, estavam mais vivos do que nunca e sua voz soou suave:
The world is changing
(O mundo esta mudando)
And time is spinning fast
(E o tempo esta passando depressa)
It's so amazing how you came into my life
(É tão incrível a forma que você entrou em minha vida)
I know it seems all hope is gone
(Eu sei que parece que sua esperança se foi)
I know you feel you can't be strong
(Eu sei que você sente que não pode ser forte)
And once again the story ends with you and i
(E mais uma vez a história termina comigo e você)
Kurt e Santana olharam diretamente para Quinn vendo que a loira chorava intensamente, eles sabiam que aquela música era para a loira. E atrás de si, eles podiam ouvir as pessoas comentando sobre o quão maravilhosa a voz de Rachel era.
And anytime you feel like you just can't go on
(E sempre que você sentir que não pode continuar)
Just hold on to my love
(Apenas se abrace ao meu amor)
And you'll never be alone
(E você nunca estará sozinho)
Então o coro cantou junto de Rachel:
Hold On
(Aguente firme)
We can make it through the fire
(Nós podemos atravessar o fogo)
And my love
(E meu amor)
I'm forever by your side
(Eu estarei eternamente ao seu lado)
And you know
(E você sabe)
If you should ever call my name
(Se você chamar meu nome)
I'll be right there
(Eu estarei bem aqui)
You'll never be alone
(Você nunca estará sozinho)
A pequena segurou o microfone sem sentir insegurança, aos poucos ela conseguia se soltar e ela se surpreendeu ao perceber que seu único publico que importava era Quinn, que sorria para ela.
Hopeless to describe
(Desesperado para descrever)
The way I feel for you
(A maneira que eu sinto por você)
No matter how I try
(Não importa como eu tente)
Words could never do
(As palavras nunca conseguirão demonstrar)
Havia tanto amor escondido por tanto tempo, que nada poderia parar. Rachel já havia reprimido seu amor por tempo demais para deixar que ele escapasse agora, ela precisava de Quinn e isso estava claro.
I looked into your eyes to find
(Eu olhei em seus olhos para encontrar)
As long as love is alive
(O quanto o amor pode sobreviver)
There ain't nothing we can't make it through
(Não há nada que não podemos fazer juntos)
Santana e Kurt seguraram as mãos de Quinn em conforto. O coro novamente cantou junto de Rachel:
Hold on
(Aguente firme)
We can make it through the fire
(Nós podemos atravessar o fogo)
And my love
(E meu amor)
I'm forever by your side
(Eu estarei eternamente ao seu lado)
And you know
(E você sabe)
If you should ever call my name
(Se você chamar meu nome)
I'll be right there
(Eu estarei bem aqui)
You'll never be alone
(Você nunca estará sozinho)
Então coral tomou a frente e cantou:
Through the fire, by your side
(Atravessarei o fogo, do seu lado)
Rachel fechou os olhos e deixou que sua voz e suas emoções falassem por si:
I will be there for your soul, don't you worry
(Eu estarei lá em sua alma, não se preocupe)
And you know, I'll be there
(E você sabe, eu estarei lá)
You'll never be a... alone
(Você nunca estará s... sozinho)
Dos dois lados do palco houve uma explosão de fogo juntamente com a voz do coro e de Rachel acompanhando, as pessoas começaram a aplaudir e como se não fosse o suficiente, levantaran-se. Rachel merecia ser aplaudida de pé.
Hold on
(Me abrace)
We can make it through the fire
(Nós podemos atravessar o fogo)
We can make it, baby
(Nós podemos fazer isso, baby)
And my love
(E meu amor)
Novamente a pequena tinha lágrimas em seus olhos, mas eram lágrimas de felicidade, de realização. Olha olhou para uma fresta da cortina e viu Carmem olhando-a admirada, e ao seu lado estava Cassandra July, a pessoa que sempre a provocou e a desafiou.
Said I'm forever by your side, yeah
(Eu digo que estarei eternamente ao seu lado, sim)
And you know
(E você sabe)
If you should ever call my name
(Se você chamar meu nome)
Said I'll be, I'll be right there
(Eu digo que estarei eternamente ao seu lado, sim)
E se maior e unico amor estava bem a sua frente, sorrindo para ela, aplaudindo-a de pé juntamente de seus dois melhores amigos.
Oh, oh, oooohOh,
oh, ooooh
Hold on
(Me abrace)
Yeah, yeah
We can make it through the fire
(Nós podemos atravessar o fogo)
Yeah, yeah
Oh no
(Oh, não)
My love
(meu amor)
I know, and you know
(Eu sei e você sabe)
I'm forever by your side
(Eu estarei sempre ao seu lado)
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah
And you know
(E voce sabe)
If you should ever call my name
(Sempre que você chamar meu nome)
I'll be right there
(Eu estarei lá)
As pessoas gritavam por Bis, Santana assobiava e Kurt dava pulinhos. E Quinn? A loira estava parada, com um meio sorrido e os olhos marejados. Rachel era sua estrela, e estava junto de sua constelação. Rachel estava em seu lugar, era o brilho daquele céu. E as pessoas pareceram concordar com isso.
***
O carro estava praticamente coberto pela geada. O frio mais do que nunca era cortante, Quinn se sentia trancada num freezer a mais de duas horas, apesar de estar dentro do carro de Santana com o ar condicionado quebrado.
– Não se fabricam mais coisas de qualidade? — reclamou dando socos no painel, como se isso garantisse que o ar fosse mesmo esquentar.
Rachel sorriu divertida e massageou as mãos da loira com as suas.
– E você não para de reclamar nenhum segundo? — brincou. Quinn fechou a cara para o aparelho no painel e ficou em silêncio esperando até que sua mão estivesse aquecida. — Pronto. Está melhor? — a loira concordou com a cabeça. Rachel encostou no banco, sorrindo. — Nunca me senti tão viva como hoje.
– Você merecia isso.
A pequena olhou para Quinn.
– Você está realizando meus sonhos, Quinn. — ela disse séria. — Mas hoje, em cima daquele palco, eu descobri que dentre todos esses sonhos, você era o maior deles.
Quinn se encolheu um pouco, sentia-se tão feliz por Rachel que sequer pensara em agradecimentos. Ela não precisava disso, ver a pequena feliz era o maior pagamento que poderia receber.
– Eu te amo. — disse Rachel, confiante enquanto acariciava o braço da loira.
– Sabia que a palavra amor, vem de morte? — Quinn tratou de explicar. Rachel abaixou a cabeça imaginando que teria alguma lição de moral, mas a loira respirou fundo antes de concluir: — Quando você diz a uma pessoa "eu te amo", é como se estivesse dizendo que morreria por ela.
Rachel ficou encarando-a, até como uma nerd ela conseguia ser sexy e fazer com que a pequena se apaixonasse a cada segundo mais.
– Então... Eu te amo. — repetiu alargando o sorriso. Quinn segurou seu rosto e sussurrou bem pertinho:
– Eu amo você.
Então Rachel encostou seus lábios mais uma vez no de Quinn, mas dessa vez não houve medo ou insegurança, elas sabiam o que queriam, elas sabiam que queriam uma a outra, então a pequena pediu passagem com a língua e a loira concedeu. Suas línguas se tocaram delicadamente, esquentando todo o corpo da duas, aquela era a sensação do paraíso. A língua de Rachel brincava na boca de Quinn e a loira a puxou contra si com necessidade, com medo de que fosse um sonho, ela não queria acordar, ela queria ter sua estrela para sempre.
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