It Was Just A Dream. - Faberry
10 Sweet Dreams part.1
Notas iniciais
Mais um capitulo revelador para os sentimentos de Quinn, e me perdoem a demora para os momentos amorosos de Faberry, já fui ameaçada de morte no facebook e no twitter AHSUHSUAHHA D: mas tenham paciência, as duas estão inseguras, é preciso trabalhar isso, e drama nunca é demais, não é? Tudo ao seu tempo...
“Dias tornaram-se semanas, semanas tornaram-se meses, e então em um dia nada especial, eu fui até minha máquina de escrever, me sentei e escrevi nossa história. Uma história sobre uma época, uma história sobre um lugar, uma história sobre as pessoas. Mas acima de todas as coisas uma história sobre amor. Um amor que viverá para sempre.”(Moulin Rouge)
Sabe quando dizem que o primeiro beijo pode revelar tudo? Que seu corpo passa a enviar sinais de embriaguez e suas pernas simplesmente estremecem? Quinn sentia-se assim agora, deitada aos pés da cama. Sentia por dentro um misto de felicidade, uma felicidade que queria explodir, cantar, dançar, sorrir sozinha...E medo. Sim, Quinn tinha medo, mas não a julguem, são poucas as pessoas que engravidam na adolescência, perdem tudo o que tinha, são expulsos de casa, sofrem acidente, ficam inválidos por um tempo, passam a viver apenas no automático e permanecem lúcidos, ou fora de um centro de reabilitação. Fora isso, seus relacionamentos não traziam nada de bom, ela não conhecia outro tipo de felicidade a não ser a dos outros, ou dos casais de TV.
E agora, dois anos depois, ela estava novamente apaixonada. De uma forma diferente, diria ela, pois pela primeira vez não era uma paixão proposital, que ela tenha procurado. Rachel era para ser seu serviço social, uma forma de pagar tudo de ruim fizera no passado, e até mesmo uma forma de se redimir com a pequena. Mas como nem tudo nessa vida sai como planejado, o tiro saiu pela culatra, e ali estava ela, com o gosto dos lábios de Rachel Berry nos seus, e um sentimento inexplicável dentro do peito. Haviam também as perguntas...
Rachel ouvira seu pedido desesperado no hospital?
O sentimento era...Reciproco?
Esse pensamento causou um arrepio na loira, não conseguia imaginar uma Rachel homossexual. Na verdade, nem ela mesma sabia se definir no momento. E tinha Finn, a pequena o amava, certo? Isso deveria apenas ser confusão da cabeça dela, algo do tipo...Carência, isso! Rachel estava carente, e Quinn era a pessoa mais próxima que ela tinha no momento.
– Hey, Cássia Eller, será que podemos conversar? — a voz irônica de Santana soou na porta, e Quinn não se deu ao trabalho de responder, ela sabia que era sim ou sim.
A latina fechou a porta atrás de si e caminhou até a cama com os olhos pregados em Quinn.
– Vai passar o dia todo na cama só porque descobriu que é do babado? — perguntou sentando-se na cabeceira da cama e cruzando as pernas.
Quinn ergueu o corpo ficando de frente para Santana e fez careta:
– Não use o termo babado, e eu já disse que não sou gay.
Santana olhou para os lados repetidas vezes e franziu o cenho:
– Tá legal, agora estou confusa, eu jurava que a Berry era mulher.
Um travesseiro voou até a latina que o espalmou a tempo, ela sorriu generosa, mostrando que entendia o que a amiga estava passando, pois por trás das piadinhas e xingamentos, Santana sabia até antes mesmo de Quinn sobre seu amor por Rachel, a latina desconfiava disso desde o ensino médio, onde a meta da loira era chamar a atenção da pequena com maldades.
– Você sabe que eu sei o que está passando, não é? — perguntou Santana cautela.
– Eu sei, San, só está sendo difícil aceitar uma paixão de algumas semanas e...
– Algumas semanas? — a latina elevou a voz sem intenção, Quinn assustou-se e ela pigarreou antes de continuar. — Você gosta dela desde o ensino médio, Q.
Quinn ergueu uma sobrancelha novamente, algo em seu peito inflou e ela foi obrigada a abaixar a cabeça, concordando com Santana. Agora ela sabia, seus sentimentos eram mascarados com ódio e uma necessidade incontrolável de chamar a atenção de Rachel na escola, era esse então, o motivo das noites mal dormidas sonhando com Finn e Rachel abraçados, a natureza de seu sofrimento e ciumes nunca fora Finn, como todos a sua volta e até ela mesma pensava, mas sim Rachel.
– Não sei o que fazer. — disse a loira inconsolável, abraçando o corpo de Santana que afagou seus cabelos.
– Você gosta dela?
Quinn concordou com a cabeça.
– Então eu sugiro que você seja rápida e viva o máximo com Rachel, eu não preciso lembrar que faltam alguns meses...
A verdade atingiu Quinn em cheio. Ela perderia Rachel de uma forma ou de outra, a vida levaria a alma de sua pequena e isso ela não podia mudar. A loira soltou-se de Santana e encarou a latina com os olhos arregalados.
– Vem, vamos terminar o que começamos. — e dito isso, Santana levantou da cama e abriu a gaveta da escrivaninha de Quinn tirando o diário de Rachel de dentro.
As duas ficaram em silêncio olhando para o diário como se fosse um livro de magias ou a bíblia. Santana o abriu e Quinn se encolheu receosa, ela deveria continuar? Sim, era o certo a fazer, deixar as coisas acontecerem, não deixar que um pequeno detalhe interferisse em seu plano. Santana passou alguns minutos folheando o diário com certo interesse, o que deixava Quinn mais impaciente e infantil.
– O que está escrito? — perguntava de cinco em cinco segundos. Da ultima vez, a latina ergueu os olhos furiosa e exclamou:
– Eu vou jogar esse diário na sua cabeça se não calar a boca!
Quinn continuou balançando o corpo freneticamente para frente e para trás como uma louca, não estava bem, ainda tinha o cheiro de Rachel nela e se fechasse os olhos, poderia sentir o corpo quente junto ao seu...
Abriu os olhos e se deparou com Santana a encarando com expressão de nojo.
– Estranha. — murmurou, rindo em seguida. Quinn sentiu-se corar e riu junto da amiga. — Eu encontrei algo que possa servir, ouça: — pigarreou — Broadway! O lugar onde o show nunca pode parar, o palco em que os maiores sonhos são realizados. A maioria das pessoas dizem que os meus desejos são inalcançáveis, e que Broadway está acima do que pode se chamar de sonho. Eles estão enganados. Eu sou uma estrela, e aquele palco é o céu. Aquele é o meu lugar, onde meu brilho se intensifica, onde eu posso fazer parte de uma constelação e não me sentir mais deslocada. Finn também não acredita. Nem mesmo meus pais, por mais que eles demonstrem o contrário. Mas eu sei que um dia, meu maior sonho será realizado, e eu irei subir naquele palco. Eu sei, que um dia, irei me sentir viva diante de pessoas me aplaudindo.
Santana abaixou o diário com uma expressão vazia no rosto, e sim, seus olhos estavam marejados. Nem em outra vida ela sonharia que Rachel Berry poderia ser tão tocante, a ponte de fazê-la se comover com sua vida. E Quinn? A loira chorava silenciosamente, sentindo o peso do mundo sob suas costas.
– Esse é o maior sonho dela. — disse Quinn mais para ela mesma do que para Santana. — E eu não posso fazer nada.
A latina levantou os olhos determinada, e no segundo seguinte, saiu do quarto. Quinn a seguiu aos tropeços até a sala e antes mesmo que pudesse perguntar algo, a latina já estava ao telefone:
– Você tem certeza, Hummel? — perguntava ameaçadoramente. — E onde posso encontrá-la? — pegou um pedaço de papel na mesa de centro e escreveu algo. — Não interessa! Tchau.
Quinn se aproximou e pegou um papel com um endereço e um nome anotado:
Carmen Tibideaux
– Isso, — disse Santana apontando para o papel. — é o sonho de Rachel. Você tem duas opções: Amassar esse sonho e jogar na lata de lixo da cozinha, ou atravessar aquela porta e ir atrás dele por Rachel.
Houve um momento de tensão onde a respiração pesada de Santana podia-se ser ouvida. Quinn estava surpreendida, não imaginava que Santana pudesse fazer isso por alguém que não fosse Brittany. E estava confusa. Olhava o papel como se fosse um coração prestes a fazer o transplante, não seria fácil, seria quase idiotice ir atrás de algo assim, Rachel ainda era estudante em NYADA, ela sabia que não haveriam chances.
Mas o que é o amor, sem as suas loucuras?
E foi assim que a loira subiu para o quarto e se arrumou as pressas, Santana jogou a chave do carro para ela quando passava pela sala e gritou:
– Vai lá, Romeu!
Dirigiu rápido pelos ruas de Nova York sob a neve. Deixou que as imagens de Rachel patinando e beijando-lhe a invadissem para criar coragem, e questionou sua própria sanidade. Não demorou para encontrar o endereço indicado, era um prédio — um dos maiores da cidade -, luxuoso, os escritórios mais caros estavam ali, e a loira teve certeza disso ao entrar. Os lustres eram maiores que ela mesma, pensou, e a delicadeza da decoração dava um ar fino ao lugar. Quinn se dirigiu a uma recepcionista loira e simpática que sorriu ao vê-la:
– Olá, em que posso ajudá-la?
– Preciso falar com Carmen Tibideaux. — respondeu Quinn insegura. A recepcionista mediu a loira dos pés a cabeça e disse:
– Os testes já foram encerrados...
– Eu não vim para testes, eu...Eu... — suas mãos começaram a tremer e seu medo falar mais alto. Como Santana agiria? — Eu sou a sobrinha dela.
Quinn amaldiçoou-se ao dizer isso, sobrinha? Você já mentiu melhor, Fabray! A recepcionista soltou uma risadinha abafada e concordou, pegou o telefone e discou.
– Miss Tibideaux, — o coração de Quinn parou por um momento. — sua sobrinha está aqui e deseja vê-la.
Ela diria que aqueles cinco segundos em que a recepcionista ficou muda, foram os mais longos de sua vida. Deus, ela poderia ser presa! Já estava analisando uma forma de fugir pelos seguranças quando a recepcionista desligou o telefone e sorriu desconcertada:
– Décimo primeiro andar.
Quinn nem conseguia acreditar, e deve ter feito cara de boba na frente da moça, pois acabara de passar sem a ajuda de Santana. O alivio foi tão grande, que a loira sorriu confiante para a recepcionista e até deu uma piscadela antes de entrar no elevador.
– Segunda fase, Fabray. — disse a si mesma olhando seu reflexo no vidro. — Nivel difícil.
O elevador apitou e abriu. Quinn olhou de um lado para outro analisando o lugar e viu que havia mais uma recepcionista, agora uma velha, ela caminhou até o balcão.
– Vim falar com Carmen Tibideaux. — a velha nem sequer olhou para o rosto de Quinn e saiu fazendo sinal para que a loira a seguisse.
Elas caminharam até uma porta com um segurança alto e a velha pediu que ele a abrisse. Quinn sentiu a garganta seca, aquilo era loucura, ela ainda podia fugir, era só inventar uma dor de barriga e dizer que voltava outra hora. Aquilo parecia mais missão impossível, onde seu fim seria atrás das grade. Mas então o rosto de Rachel lhe veio a mente e ela pode ouvir a voz da pequena: "Eu sou uma estrela, e aquele palco é o céu. Aquele é o meu lugar, onde meu brilho se intensifica, onde eu posso fazer parte de uma constelação e não me sentir mais deslocada." Essas palavras foram o combustível para Quinn entrar na sala e fechar a porta com cuidado. Ao passar os olhos pela sala, entendeu o porque da risada da recepcionista: a velha que escrevia algo atrás de uma mesa era negra, e Quinn era totalmente branca, loira e de olhos claros.
Sentiu-se uma idiota.
Carmem levantou os olhos por trás do óculos e analisou Quinn:
– Você não se parece com nenhuma das minhas sobrinhas. — disse ríspida voltando a escrever. Quinn engoliu em seco e estacou no meio do escritório.
– E não sou. — respondeu mantendo a voz firme. — Mas eu precisava falar com a senhora, meu nome é Quinn Fabray.
Silencio.
Carmem parou de escrever e olhou para Quinn.
– Me dê um bom motivo para não chamar a policia, senhorita Fabray.
É agora Quinn, desembucha, anda! O sonho de Rachel depende de você, seja apenas sincera, não deixe sua estrela morrer sem antes brilhar.
– É sobre Rachel Berry. — sua voz tremeu. Ela se aproximou da mesa onde a velha estava sentada, Carmem não disse nada, então Quinn continuou: — Ela está...Doente. Rachel tem apenas alguns meses de vida, e eu não posso deixar que ela vá embora sem antes realizar seu sonho de cantar na Broadway...
Carmem abaixou a cabeça e tirou os óculos. Pareceu realmente triste com o fato da doença de Rachel, mas então falou:
– Eu sinto muito pela sua amiga, mas minha mãos estão atadas.
O que? Não. Ela mal quis saber o resto da história, como ela podia fazer isso? Era o sonho de Rachel, Quinn não queria aceitar ser derrotada, e isso lhe deu mais coragem.
– Eu insisto. Eu sei que a senhora pode conseguir uma apresentação para Rachel em algum evento...Apenas uma música! — pediu. — Pode ser no intervalo de alguma apresentação, por favor.
Seu pedido saiu desesperado, e ela estava. A sensação de não conseguir o esperado a deixava angustiada.
– Não seja imatura, sabe quantas pessoas dariam a vida para se apresentar naquele palco?
– Eu sei, eu sei, estou pedindo que abra apenas uma exceção...
– Uma exceção? Por que eu abriria uma exceção para Berry? — perguntou Carmem incisiva, e ao mesmo tempo despreocupada, enquanto tirava os óculos e cruzava as mãos em cima da mesa. — Há centenas de pessoas doentes, inválidas e morrendo que tem o mesmo sonho!
– Isso não é justo! — exclamou Quinn furiosa sentindo as lágrimas virem a tona.
– Estamos falando sobre a vida real, senhorita, e ela não é justa. — replicou Carmem.
Quinn ficou parada no meio da sala, estava afobada e furiosa. Deixou que as lágrimas escorressem, estava vencida. Carmem recolocou seus óculos e voltou a escrever, em sinal de que aquela conversa estava acabada. Quinn até fez menção de se virar, mas algo em seu interior a impediu de dar qualquer passo a mais, e o ódio de repente foi maior que sua sobriedade.
– A senhora já recebeu um não? — indagou com a voz carregada, voltando ao mesmo lugar de poucos segundos. Carmem levantou os olhos mais uma vez e ficou em silêncio. — Já sentiu todos os seus sonhos, esperanças e desejos serem jogados fora por uma pessoa? Eu tenho certeza que em vários momentos de sua vida, o não lhe foi dito. Dói, não é? — perguntou sem esperar resposta. — Dói ser rejeitado, e eu sei que pessoas como a senhora querem que os alunos aprendam que o não é uma forma de se aprender a não cometer os mesmos erros, mas para Rachel é diferente! A senhora me perguntou porque ela seria uma exceção, e a resposta é porque eu a amo. E eu sempre vou fazer dela uma exceção. Então sim, eu menti minha identidade e estou prestes a ser presa, mas não vou desistir até ver ela feliz! É o que a senhora devia fazer também! Dar as pessoas um pouco de esperança ao invés de simplesmente dizer-lhes não. Me desculpe, mas não são todos que tem forças para continuar após ser negado, e eu não quero lhe ensinar a fazer seu trabalho, mas um pouco de esperança é o que falta nesse mundo. — Quinn praticamente cuspia as palavras, e Carmem permanecia imóvel. — Rachel é uma estrela, e não importa o que a senhora diga, estrelas não morrem facilmente! Já ouviu ela cantar? É por isso que está em NYADA, ela tem a voz mais linda que eu já ouvi, e seria uma honra não para Rachel, mas para o público ouvi-la cantar. Aquele palco é a vida de Rachel, e a senhora está tirando a oportunidade dela sentir-se viva por uma última vez, por uma única noite.
Carmem manteve sua expressão vazia, enquanto Quinn havia deixado todas as suas emoções florescerem.
– A senhorita sabe onde é a saída.
Foi então que seu coração foi esmagado. Quinn sentiu vontade de bater naquela mulher, mas saiu correndo, chegou a trombar em uma mulher loira que estava parada na porta do escritório. Ela decepcionara Rachel, decepcionara Santana e decepcionara a si mesma.
***
– Me devolve o papel, eu vou mostrar meu facão para aquela mulher! — exclamou Santana com a mão estendida.
– Não podemos fazer mais nada... — disse Quinn dando mais uma garfada em seu bacon.
Estavam jantando em um restaurante, Santana até tentou chamar Kurt e Rachel, mas Quinn achou melhor adiar o recontro, precisava de um momento para si antes.
– Vai desistir assim? você é uma péssima perdedora, Fabray!
– Santana, chega. — pediu cansada. A latina a olhou decepcionada e depois voltou a comer.
Quinn odiava o fato de sentir tanta responsabilidade e culpa, odiava saber que estava apaixonada, odiava tudo no momento. As duas voltaram para casa naquela noite sem se falar, Santana recusava-se a trocar palavras com Quinn, e a loira sentia-se mal, mas incapaz de fazer qualquer coisa.
O relógio marcava uma da madrugada e o sono de Quinn parecia distante, a loira estava deitada no escuro pensando em Rachel e ouvindo o som da chuva na janela quando seu celular tocou. Primeiro pensou em ignorar, caso fosse seu namorado, mas então viu o nome de Rachel Berry no visor e quase pulou da cama.
– Alô?
– Oi, Quinn... — a voz do outro lado parecia timida.
Quinn achou estremamente fofo.
– Oi...Silencio.
– Está chovendo. — disse Rachel timidamente. Quinn sorriu.
– Me ligou para falar sobre o clima?
Ouviu um riso abafado do outro lado, então Rachel falou:
– Estava com saudade da sua voz.
Quinn agradeceu estar sozinha e no escuro, pois sentiu seu rosto queimar.
– Eu também estava da sua... — deixou a voz morrer.
– Sobre hoje a tarde...
– A gente conversa sobre isso depois. — pediu a loira. — Você não precisa se explicar.
– Certo. — a voz de Rachel agora parecia decepcionada. Quinn suspirou ouvindo o som da chuva, podia jurar que conseguia ouvir também a respiração de Rachel do outro lado do telefone, e isso lhe causou arrepios.
– Só para constar, eu não me arrependo de nada sobre o que disse no hospital. — disse séria.
– E eu não me arrependo de ter ido até a casa de Santana.
Mais silencio, elas preferiam assim, ouvir a respiração uma da outra era como um bom remédio para dormir.
– É melhor eu desligar... — sugeriu Rachel.
– Talvez...
– Até mais...
– Até...
E o celular ficou mudo. Quinn permaneceu com ele no ouvido por alguns minutos, Rachel e ela estavam tímidas uma com a outra, e isso era fofo na visão da loira, ela conseguia imaginar o sorriso tímido e o corpo encolhido da outra do outro lado do celular, a forma como Rachel abaixava o rosto quando estava envergonhada...E foi assim que adormeceu, com a imagem de sua pequena, e um sorriso nos lábios.
***
Quatro dias se passaram sem que Rachel e Quinn se vissem, a loira adiava o encontro o máximo que podia, dizendo que estava doente, que Santana estava emotiva — essa parte ela não deixava a latina saber -, a loira estava preparando o emocional e pensando em algo para deixar Rachel feliz, ela queria que tudo fosse perfeito, e demorou quatro dias para isso acontecer.
– Más noticias, a Berry morreu. — anunciou Santana entrando no quarto de Quinn as pressas. A loira assustou-se e se desequilibrou quase caindo no chão, sentiu o ar lhe faltar quando viu que Santana gargalhava a sua frente. — Estou brincando, tem telefone pra você.
A loira fechou a cara e jogou um sapato em Santana, esse acertou bem na costela da latina que mostrou o dedo do meio.
– Quem é?
– Por que não desce e descobre? — indagou Santana abrindo passagem para que a loira saísse do quarto.
Quinn coçou os olhos e desceu aos tropeços a escada, pegou o telefone no sofá e perguntou meio sonolenta:
– Pois não?
– Senhorita Quinn Fabray? — uma voz autoritária soou do outro lado do telefone.
– Sim?
– Aqui é do escritório de Carmen Tibideaux.
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