Issues - Short fic
4 ISSUES - O início do sucesso
Notas iniciais
Bastidores do TAP (Typical American Program)
Califórnia, estúdio de filmagem
CINCO ANOS DEPOIS
Um dos maiores programas de auditório da atualidade era apresentado por Elizabeth Fischer, o conhecido “Typical American Program”, um nome completamente real segundo ela, “apenas mais um programa para entreter” dizia frequentemente quando questionada. De forma orgânica Beth conquistara seu público e ganhou grande notoriedade. Artistas desejavam ser entrevistados por ela, Liz exalava carisma, alegria, arrancava sorrisos e sempre fazia com que todos se divertissem.
Logo, ser convidada para falar da carreira era um prestígio, sentia-me completamente privilegiada e em um estado de euforia imensurável.Mesmo que já nos conhecêssemos fora dos bastidores conversar com minha amiga de forma pública seria um certo “desafio”, pois seria algo novo. Jenn, falava comigo me dando instruções do que eu deveria fazer, assim garantindo que tudo desse certo:
— Você vai esperar aqui atrás, está certo? — a produtora me informou, enquanto apontava para um lugar — Assim que a Eliza chamar você entra, tudo bem? — questionou, e eu apenas assenti. — Boa sorte — apertou meu ombro e logo se retirou, apenas agradeci ao sorrir. A coxia fornecia uma visão privilegiada do palco e platéia, podia ver as pessoas conversando distraidamente enquanto outras fotografavam o ambiente.
Encarei meu reflexo por um espelho posicionado ao longe. Meus cabelos volumosos e repletos de cachos que caiam pelos meus ombros e desbravam até a metade de minhas costas, presos em uma trança lateral permitindo que a outra parte fosse realçada. Minhas roupas brancas, divididas entre uma blusa larga com botões dourados e uma calça solta fixada com um cinto marrom. Além de um simples salto preto. Queria estar impecável, então impedia-me de pôr as mãos em meus fios para não desgrenha-los.
Sorria ansiosa, observando as pessoas ao longe e ao vê-la sentada em uma poltrona enquanto cumprimentava a plateia, era divertido e transmitia certa tranquilidade. Uma sirene alta ressoou e soube que começaria em breve. Eliza se levantou para que pudesse fazer sua entrada corriqueira de todos os programas, andou em minha direção para que pudesse sair do enquadramento da câmera, piscou antes de virar-se para frente e aguardar o alto som tocar mais uma vez.
A contagem regressiva começou e ao chegar ao fim e ela andou pelo palco acenando para o público.
— Boa tarde, senhoras e senhores! Está começando mais um “Typical American Program” — aplausos ressoavam pelo estúdio — Onde vocês mandam suas perguntas para os nossos artistas favoritos e conversamos sobre tudo que se pode imaginar — pausou — Nesse dia tão especial recebendo nossa mais nova artista sensação Clarissa Fairchild, em um papo sincero sobre carreira e inspirações. Além de alguns questionamentos íntimos, mal posso esperar! Pode entrar Clarissa! — o som se repetiu, dessa vez mais alto e acompanhado com alguns gritos.
Entrei enquanto acenava para a plateia, retraí os ombros por alguns segundos enquanto sorria, embora não fosse a primeira vez, o nervosismo latente continuava por estar perante a tantas pessoas, a sensação nunca ia embora, talvez essa fosse a graça.
Lizie levantou para que pudéssemos nos abraçar, e logo sentou-se, apontando a poltrona em sua frente para que eu fizesse o mesmo.
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— Quando você percebeu que não era mais uma adolescente comum? — sorriu — Em que momento você sentiu a fama?
— Bom… Algumas pessoas me conheceram pelos covers na internet, mas eram meus vizinhos ou amigos de amigos meus — respondi sincera — Também tinham os fãs da banda Curse Paradise...
— Que era a banda que você fazia parte, certo? — questionou de supetão.
— Em partes sim, meu amigo Simon era um integrante, o vocalista na verdade. Eu era apenas uma participante honorária — brinquei e o público reagiu soltando sons semelhantes a uma risada — Mas as pessoas nos conheciam pelas músicas que nós tocávamos nas festas temáticas e de “lembranças” da cidade. — confessei — Eu acho que só notei que não era mais apenas diversão, e que existia uma possibilidade de carreira quando a UNIQUE RECORDS quis assinar um contrato comigo.
— Foi nesse momento que você sentiu a fama?
— Não exatamente… Mas foi nele em que eu percebi a dimensão que as coisas estavam tomando. Quando alguém decide apostar em você é uma surpresa, entende? Você só não espera que vá acontecer, você deseja, mas é uma incerteza. Então quando o pessoal da UR me chamou para conversar eu fiquei pensando “Nossa isso pode mesmo acontecer, é real” e percebi que as coisas estavam se tornando sérias. — suspirei, e ao notar que não havia respondido a pergunta em questão ri: — Desculpa Eliza, eu fugi da pergunta.
— Talvez um pouco. — segurou minha mão — Quer tentar mais uma vez? — apenas assenti — Quando você sentiu a mudança e o reconhecimento?
— Acredito que eu tenha sentido o reconhecimento quando um grupo de meninas me parou no shopping e conforme nós conversávamos notava que elas conheciam meu ciclo de amizades, não porque faziam parte indiretamente dele, mas porque gostavam de mim. Foi aí que eu pensei “Nossa, elas conhecem meus amigos porque me acompanham” não porque os conhecem pessoalmente. Isso foi depois de assinar com a gravadora e lançar Issues profissionalmente.
— Como isso foi para você? Esse grupo em específico ter ido te cumprimentar.
— Um misto de sensações. Fiquei feliz, confusa e surpresa. Mas foi incrível, as meninas eram simplesmente maravilhosas e super simpáticas, fiquei muito realizada em saber que pessoas como elas acompanham meu trabalho. — pausei — O conceito de fama é meio estranho — ri ao comentar, pensando na pergunta que ela tinha feito. — Acho que foi por isso que me confundi.
— Muitos dizem isso. É porque nós não nos enxergamos como eles nos enxergam, o sentido de fama é diferente nesse ponto. Obviamente nós temos nossos ídolos, eu por exemplo, quando conheci o DiCaprio foi o momento do ano para mim, nós demoramos para reconhecê-los como “pessoas normais”.
— Com certeza. Quero dizer nós sabemos que somos reconhecidos porque aparecemos em revistas e sites de fofocas, porque nossa vida se torna pauta para outras pessoas poderem comentar. Mas reconhecer isso como um momento específico para mim ainda é confuso, consegue entender? — ela assentiu — Eu sei que se eu sair de pijama na rua isso vai aparecer em algum lugar e que eu não posso flertar online sem que eu corra o risco de que qualquer coisa aconteça. Não sei se isso soou arrogante, mas não foi a minha intenção. — a platéia riu. — Mas é sempre uma surpresa, cada show e cada conquista é sempre “uau” então acredito que essa sensação de reconhecimento como artista e pessoa, porque o rosto acaba se tornando mais visível e público.
— Você tem ideia dos números das pessoas que te acompanham? Já parou para pensar sobre?
— Já, mas às vezes eu prefiro fingir que não. Porque é loucura! Eu tenho milhões de seguidores no instagram e isso me deixa muito surpresa e nervosa porque é uma responsabilidade. Em algum momento você passa a servir de exemplo e se você pisar na bola…
— Você induz ao erro. — Eli me ajudou a terminar a sentença
— Exatamente! Ao mesmo tempo que se torna alvo de críticas constantes. São muitos dedos apontados em sua direção.
— Você vê a crítica como um problema?
— Não, mas acho que existam limites. Elas são importantes para que você saiba onde errou e o que você pode aprender com isso, reconhecendo seus privilégios e podendo crescer a partir disso. Mas em algum momento as críticas deixam de ser só sobre isso e as pessoas começam a falar da sua família e amigos.
— Acredito que nesse caso estejamos falando de ataques online, não é? O famoso ódio gratuito. Você já passou por isso?
— Óbvio! — sorri — Mas com ao tempo a gente começa a lidar melhor. Porém não deixa de ser decepcionante saber que você sempre é culpada de algo que às vezes nem é responsabilidade sua, ou que passam a te “odiar” porque você terminou um relacionamento. Quero dizer, é o meu namoro. Não é da conta de ninguém. Mas de repente você é só a vadia que terminou com o “ artista favorito” de alguém, eu não sou mais a cantora ou artista, eu sou reduzida a isso a um relacionamento que não deu certo. — a frase termina com um pouco de raiva imprevista, as pessoas aplaudem e eu sinto minhas bochechas avermelharem, apenas coloco minhas mãos sobre as bochechas.
— Isso é verdade, já aconteceu com você. — antes que ela pudesse terminar logo disse:
— Particularmente eu acredito que já tenha acontecido com qualquer artista feminina nos dias de hoje. O que é uma pena, porque os ataques nunca param, as comparações nunca terminam. É decepcionante. Mesmo quando tudo se resolve.
— Você quer dizer que seu relacionamento com o Jaden terminou de forma amigável? — quis rir após notar o rumo que a conversa estava indo
— Eli você é minha amiga e acabou de ignorar tudo o que eu acabei de dizer? — sorri, levantando as sobrancelhas
— É meu trabalho. Fazer perguntas as quais vocês não querem responder — respondeu de maneira sutil — Mesmo que você seja muito discreta fãs encontram pistas sobre seu relacionamento.
— Eu brinco que tenho minha equipe particular do FBI.
— Isso é verdade Tenho que confessar, eles são muito bons.
— São os melhores.
— Existem muitas suposições feitas sobre seu relacionamento anterior. Alguns feitos por seus fãs enquanto outros não. Há uma dúvida em torno dessa questão. Que aproveitar essa oportunidade e esclarecer tudo?
— Já faz um bom tempo desde que assumimos o término de maneira pública. Quase um ano. Estamos bem. Foi um término amigável. Não vou dizer que foi sobre “incompatibilidade na agenda” porque na minha época de fã eu não gostava dessas respostas — sorri — Mas apenas acabou. Acontece. Somos amigos agora. — a platéia aplaudiu, talvez fosse o letreiro piscando exigindo uma reação, ou a satisfação pela sinceridade. Talvez eu nunca descobrisse.
— Isso é muito bom, nem todos os términos acontecem devido à alguma tragédia. E seria uma tragédia caso você perdesse o próximo bloco desse programa incrível. Voltamos já com TAP’s, o seu programa favorito — aplausos ressoam em conjunto com a sirene após Elizabeth concluir sua sentença enquanto sorri para a câmera. — Você está indo bem. — diz ao se levantar, assim como eu. — Aproveite a pausa caso queira ir à algum lugar — riu
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— Então Clary, esse é o bate-volta. São perguntas perguntas feitas por fãs ou pessoas curiosas. Mas o que são pessoas curiosas se não fãs? — brincou — Eu faço as perguntas e você responde, certo?
— Certo.
— Essa aqui foi mandada pela @littlefairy “Qual é a parte mais difícil de ser famosa? Ou conhecida?”
— Acredito que seja a sensação da falta de privacidade. Nós já falamos sobre isso na entrevista? — questionei sem conseguir me lembrar — De qualquer forma é isso. É meu trabalho. — Eu amo o que eu faço, porém às vezes sinto que minha vida se torna uma grande atração. Pensei em continuar com essa frase, contudo disse um simples — Obrigada por mandar a pergunta, um beijo.
— “Você se vê atuando? Muitas cantoras mostram esse lado, está nos seus planos?” perguntou @PeachFromHeaven
— Na verdade não. Já pensei sobre, mas não é algo que vá acontecer tão cedo… Porém, vocês podem esperar por uma música minha na trilha sonora de uma série muito em breve. Obrigada por mandar a pergunta. Um beijo.
— Falando em música…— começou ela — Clarissa, eu gostaria de fazer uma pergunta específica… Está preparada? — apenas assenti, o que a fez continuar — A sua primeira música autoral foi Issues, ou você já tinha outra canção no ar?
— Ela foi a primeira a ser lançada, mas existem outras canções de quando eu era mais nova, com toda a certeza.
— Existe uma história por trás dessa canção? — questiona. A sensação é estranha quase um desconforto, mas nada muito importante, já não é a primeira vez que me fazem essa pergunta deveria ter me acostumado. Há uma interrogação sobre a inspiração da canção, é relativamente fácil escapar uma resposta vaga geralmente é o suficiente, mas não é nada demais. Não é mesmo? — Quero dizer, muitos dos seus fãs dizem que há uma grande inspiração em específico para essa música, mas ninguém sabe quem é.
— É verdade. — tento sorrir e consigo, felizmente, devido aos meses de preparação artística, meus agentes sempre foram cuidadosos ao me explicarem que é muito importante não deixar que certos assuntos nos afetem em frente às câmeras — Bom acho que finalmente vou tirar essa dúvida de algumas pessoas — a platéia riu — Era sobre um namorado meu da época, nós terminamos e essa música foi escrita a partir disso. — alguns anos para uma frase tão singela e direta.
Não é mentira, apenas uma síntese.
— E desde então vocês se falaram e ele soube que a música era sobre o relacionamento de vocês?
— Assim que a música saiu ele soube. Mas não nos falamos desde então. Quero dizer, temos amigos em comum — isso é um eufemismo. Isabelle é minha melhor amiga, trabalha comigo pois é responsável por muitos de meus figurinos junto com Magnus, além disso, como se não fosse o suficiente Simon também está inserido no meio artístico, contudo, na parte de produção musical. É quase irônico dizer que temos amigos em comum, pois somos uma família — Então ainda ouço falar sobre ele, mas nós não mantivemos o contato. — mentirosa
— Então existe algum ressentimento entre vocês?
— Claro que não! — sorri tentando descontrair. Aquele assunto estava massacrando meu peito, contudo eu não podia simplesmente parar de responder, ficaria evidente o desconforto. Seria mais fácil lidar com as notícias caso fossem desse jeito, informadas como a entrevista ocorreu e não ressaltando meu incômodo ao tocar no nome “Jace Herondale”, mesmo que sem citá-lo diretamente — Não é como se eu odiasse o cara. Foi um relacionamento que acabou, apenas isso. Como eu disse, nosso ciclo de amizade é semelhante então ainda nos encontramos esporadicamente, só não somos amigos.
Dizer que ele iria casar nos próximo ano ajudaria a manter a pose?
Jonathan Herondale casaria. Izzy e Alec fariam parte do elenco de padrinhos. Eu soube, não por eles, mas pelo convite recebido há três meses. Precisava responder o quanto antes. Mas… O quão desrespeitoso aquilo seria? Queria ter uma resposta para essa pergunta que não me deixava dormir.
— Acontece. — sorriu — Infelizmente eu não consigo manter a compostura perto dos meus ex’s namorados. Você sabe o motivo. — sorriu para mim piscando seu olho esquerdo em minha direção, deixando o público em dúvida. Enquanto eu apenas me lembrava das manchetes.
“Seria pelo sexo? Ou pela paixão ainda presente?
Descubra porque Elizabeth Fischer não supera seus ex’s.”
Era divertido ler sobre essas suposições na internet enquanto a verdade era que a grande maioria tinha se relacionado com outra pessoa durante o envolvimento dos dois. Ou seja, traição. Contudo, os tabloides preferiam noticiar que ela tinha dificuldades para superar a assumir que os favoritos da mídia eram infiéis. Elizabeth e eu, costumávamos sentar e rir dessas suposições, porque de algo aquele punhado de mentiras teria que servir.
— Você é terrível por deixá-los na curiosidade. — brinquei
— Minha filha, eu não quero ser processada. — ri — Então, para fugir do processo vamos continuar com as perguntas. — ajeitou as fichas que segurava que continham as perguntas.
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Ao sair do estúdio, meus olhos doeram ao encontrarem os raios solares. Meus seguranças rodeavam-me embora estivéssemos saindo pela parte de trás do estúdio e não existisse perigo, pareciam muito compenetrados em seu trabalho. Entrei no carro rapidamente e encostei a cabeça na janela respirando aliviada.
Eu preciso de um banho.
Antes que pudesse pensar em qualquer coisa, meu celular vibrou, soube que era de um de meus conhecidos, visto que, os demais contatos da minha agenda estavam silenciados para que soubesse o que priorizar no caos que minha vida pessoal se tornava muitas vezes.
O nome da minha mãe brilhava na tela, abri a mensagem em um misto de curiosidade e preocupação. Porém, me arrependi no mesmo instante em que meus olhos leram a pergunta que eu não sabia responder:
“Você vai ao casamento?”
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