Isso não vai prestar...
5 Nobody's Perfect
Notas iniciais

"Se você olhar de perto
O olho pode dizer mais do que você pensa
Um simples borrão pode se tornar algo
Uma luz virar uma sombra
O mundo fica colorido."
On. Pov Nanami
Sabe aquele momento em que você tem que contar até um milhão para não matar alguém? Se não, você têm sorte. Se sim, agora sabe exatamente como eu estou me sentindo.
Tudo por que aquele IMBECIL do Cecil havia TOPADO aquela bagunça toda!
Recapitulando para você, pessoa desmemoriada (tipo eu), no último capítulo (Abracadabra) de “Isso não vai prestar...”, o meu queridíssimo (lê-se quase sendo assassinado por mim) amigo de infância Cecil havia me arrastado junto a uma penca de malucos Trem a fora. LITERALMENTE.
– ME SOLTEM! SENÃO EU VOU GRITAR!
– Você já está gritando... – disse Cecil com uma risada debochada.
– CALE A BOCA IDIOTA! – berrei tentando chuta-lo, mas era difícil com Ren e Masato segurando minhas pernas, Natsuki e Tokiya segurando meus braços.
Sério, como ninguém na rua reparava aquilo?
Depois de muito me debater, chutar, arranhar e socar finalmente me largaram no chão como se eu fosse um saco de batatas.
– ISSO DÓI PORRA! – gritei esfregando minhas costas.
– Desculpa princesinha, machucou? – debochou Tokiya.
– TÁ ME CHAMANDO DE FRESCA SEU VIADO? – ergui um punho em sua direção.
– E SE EU ESTIVER? VAI FAZER O QUE? – devolveu.
Ia berrar novamente, quando senti mãos firmes segurarem meus ombros.
– Acalme-se Nanami-san. – sussurrou Otoya. – o Toki só está um pouco estressado, não prossiga com essa briga.
"Olhe nos meus olhos"
Senti meu rosto corar com a proximidade do ruivo.
– T-Tudo bem. – gaguejei. – eu p-paro se ele parar t-também.
Tokiya fez uma careta e separou bruscamente Otoya de mim, para logo em seguida envolve-lo num abraço possessivo. Rosnou cerrando os dentes e me encarou, esfolando-me com o olhar.
– Ok! Tudo resolvido! –riu Otoya que não havia percebido o clima estranho no ar.
Off. Pov Nanami
“Quando estou nervosa
Eu tenho essa coisa, sim, eu falo demais
Às vezes eu simplesmente não consigo calar a boca
É como se eu precisasse contar para alguém
Qualquer um que vá escutar
E é aí que eu pareço ferrar com tudo”
On. Pov Kurosaki
– Ran-Ran! Bom diaaaa!!!- berrou o escandaloso do Reiji.
– Cale a boca que estou com dor de cabeça. – resmunguei sem nem ao menos olha-lo.
– Eh? Que grosso! – Reiji lançou-se em meu pescoço, sentando em meu colo. – Ran-Ran, está precisando de alivio? – rebolou propositalmente em meu colo.
Revirei os olhos e o empurrei, fazendo o moreno cair no chão e depois voltar-se para mim fazendo um bico.
– Por que não me deixa te satisfazer Ran-Ran? – disse com a voz chorosa e engatinhou até o meio de minhas pernas.
Bufei e ajeitei-me na cadeira ao tempo em que empurrava o cigarro sobre o cinzeiro que estava sobre a mesa. As luzes da sala eram fracas, a maior luminosidade vinha de uma brecha pela janela.
Abri minha carteira pegando outro cigarro, num gesto automático, acendi-o com o isqueiro e tornei a traga-lo, automaticamente sentindo minha boca ficar seca.
– Está realmente estressado Ran-Ran, é por causa do seu noivo?
Engasguei com a fumaça e engoli a tosse.
– Isso não é da sua conta. – falei evitando olha-lo e respirei fundo. – faço logo o que quer e vá em bora.
Reiji sorriu travesso e se acomodou entre minhas pernas, deslizando os dedos experientes pelo zíper de minha calça, abrindo-o.
– Vou te deixar feliz Ran-Ran...- sussurrou roucamente o moreno, adentrando os dedos quentes por minha box escura.
Afastei brevemente o cigarro de meus lábios apenas para controlar a respiração e imaginar outra pessoa fazendo aquilo em mim. Olhei para a aliança prateada em meu dedo e tombei a cabeça para trás.
– Masato... – gemi inconscientemente.
Off. Pov Kurosaki
“Sim, eu esqueço as consequências
Por um minuto que eu perco meus sentidos
E no calor do momento
Minha boca se abre
E as palavras começam a fluir”
On. Pov Masato
– Acho melhor nos descansarmos por hoje. – suspirei.
Caminhávamos há horas, sem nem um minuto para relaxar.
– Podemos ficar naquele hotel ali. – disse Otoya todo sorridente apontando para um pequeno prédio.
– É... Toya...- disse Tokiya ruborizando levemente. – aquilo é um motel.
Otoya ficou mais vermelho que os próprios cabelos e riu nervoso.
– E-Eu sabia! Era só u-uma b-brincadeira!
Eu quase ri com a inocência de Otoya, mas limitei-me a curvar os lábios um pouco para cima, coisa que não passou despercebida por Ren que colocou um braço em volta de meus ombros e sorriu maliciosamente.
– Gosta de motéis princesinha?
Como resposta, pisei acertei uma cotovelada na boca de seu estomago e ele ofegou, tirando o braço de meus ombros e massageando o local golpeado.
– Não me chame assim. – falei encarando o chão.
Ele riu baixinho e tornou a colocar o braço em meus ombros. Inclinou-se e sussurrou roucamente em meu ouvido:
– Mas você fica tão sexy quando te chamo de princesinha.
– I-Idiota. – senti meu rosto corar.
Olhei para ele, e tinha que admitir, Ren era extremamente bonito. Mesmo com os óculos escuros, o cabelo preso e o boné para disfarçar, ele continuava a ser incrivelmente belo. Chamava atenção de várias pessoas na rua, principalmente mulheres.
E, por algum motivo, isso me irritava.
Olhei distraidamente para a rua enquanto brincava com a aliança prateada em meu dedo.
Aquela aliança... Kurosaki havia me dado uma semana antes de eu “fugir...”.
Off. Pov Masato
“Mas eu nunca quis te machucar
Eu sei que com o tempo vou aprender a
Tratar as pessoas que amo
Como eu quero ser amada
Isso é algo que tenho que aprender”
On. Pov Ren
Depois de mais ou menos meia hora de discussão, decidimos por nos dividirmos em dois quartos.
Eu, Masato, Syo e Natsuki em um. Nanami, Cecil, Tokiya e Otoya no outro (obviamente que tivemos que quase amarrar a Nanami para ela topar, mas não havia condição de alugar um quarto só para ela e, sim, ficamos no motel).
Masato não pronunciara mais nenhuma palavra desde que no acomodamos no quarto. Engraçado foi observar o rosto da recepcionista enquanto discutíamos quem ficava com quem, e por fim ficarmos quatro em cada quarto... Sinto que ela não estava tendo pensamentos puros pela quantidade de sangue que seu nariz soltava.
– Tudo bem Masato? – perguntei sentando ao lado dele na cama.
Natsuki e Syo haviam saído para comer alguma coisa numa lanchonete que ficava ali perto, deixando apenas eu e Masato no quarto, o mesmo continuava calado, fitando o chão e brincando com algo em suas mãos.
– Hm. – ele respondeu.
Olhei curiosamente para suas mãos, identificando um pequeno objeto prateado passear entre elas.
– Isso é...
– Sim.
Fechei a cara, por que ele tinha algo daquele tipo? Ou melhor, por que guardava aquilo?
Uma aliança de noivado. E eu sabia muito bem quem havia a dado.
– Por que está guardando isso? – perguntei.
Ele não respondeu, apenas tornou a colocar a aliança no dedo e largou-se na cama.
– Vou dormir. – falou afundando a cabeça no travesseiro, fechando os olhos, e começou a desabotoar a camisa. — esse tipo de roupa... Incomoda. – suspirou. – como consegue vestir isso?
Irritei-me por ele ter mudado de assunto, mas se não queria falar, não conseguiria arrancar nada dele. O jeito era apelar...
– Não gosta de roupas ocidentais Masato? – apoiei minhas mãos na cama e aproximei-me do menor. – sente falta dos seus Kimonos?
– Eles eram bem mais confortáveis... – dizia ainda de olhos fechados.
– Mesmo? Eu raramente vestia... Por isso não gosto muito deles. – a esse ponto já estava quase encima dele.
– Que gosto estranho vocês têm... – Masato terminou de desabotoar a blusa e finalmente abriu os olhos. – por que v...
Calei-o com um beijo.
“E eu odeio ter te decepcionado
E me sinto tão mal com isso
Eu acho que o carma vai voltar
Porque agora eu sou a única que está sofrendo, é”
Masato nem respirou. Seu corpo ficou completamente duro assim que o toque. Deslizei meus dedos pela pele macia de seu abdômen, sentindo-o ficar arrepiado.
Separei-me de seus lábios por um segundo, deixando-o recuperar o folego já que o mesmo não sabia como respirar em meio ao beijo. Seus olhos lacrimejavam, as bochechas coradas e o hálito quente soprando sobre minha pele.
– O que... – tentou dizer. – e-está fazendo...?
– Eu não sei.- admiti.
Não lhe dei tempo para falar novamente, tornei a beija-lo, acariciando seu torso, subindo até os botões róseos e apertando-os entre meus dedos enquanto puxava-os lentamente para cima.
O que tinha de errado comigo? Por que queria tanto toca-lo? Por que ele pensar naquele cara dos Kurosaki... Me irritava?
“E eu odeio ter feito você pensar
Que a confiança que tivemos foi quebrada
Então não me diga que você não pode me perdoar
Porque ninguém é perfeito”
– NÃO VOU VESTIR ISSO! – berrou uma voz familiar.
Saí de cima de Masato num salto, a tempo de conseguir ver a porta quase ser arrombada por um Syo extremamente irritado e um Natsuki choroso.
– Por que não Syo-chan? – dizia o maior com um bico infantil. – você vai ficar tão kawaii!
– Que se foda! – Syo largou-se na cama de casal ao lado da nossa e olhou para nós. – Eh...? O que vocês estavam fazendo?
Natsuki voltou seu olhar para mim e Masato também, franzindo a testa ao ver o azul-arroxeado completamente vermelho e ofegante ao meu lado.
– Masa-chan... O que estava fazendo? – perguntou Natsuki inocentemente.
– Até parece que não sabe! – riu Syo sentando-se na cama e olhou diretamente para mim. – não sabia que vocês tinham esse tipo de relacionamento!
– N-Nos não temos nada disso! – finalmente Masato se manifestou e abotoou agilmente a camisa. – e-eu só estava com calor! – dito isso colocou-se de pé. – vou ver como os outros estão! – saiu quase que correndo do quarto.
– Masato! – levantei-me da cama e fui atrás dele, ignorando os rostos confusos dos outros dois. – espera um segundo!
“Não, não, não, não, não, não, não, ninguém é perfeito, não!”
Droga! Por onde ele foi? Por que eu fiz aquilo? Eu sou um idiota!
– Masato! Cadê você? – caminhei pelos corredores do lugar, sentindo um frio percorrer meu estomago ao ouvir os gemidos nada discretos vindo dos quartos.
Claro, estávamos no motel, eu já devia ter entendido isso...
Masato definitivamente odiaria escutar essas coisas, ele é... Puro demais pra isso, e mesmo assim eu fiz aquele tipo de coisa. Arg! Alguém me bata por ser tão imbecil!
– ...Omoi mo namida mo keiken mo (Toda a sua tristeza, lágrimas e experiências)...
Espera... Essa voz.
– Masato...
– ...Egao e no michishirube dakara (Irá guiá-lo para o seu sorriso,)...
Dobrei mais alguns corredores, o som agradável de sua voz ecoava em meus ouvidos.
– ...Sono subete tabanete gutto nigirishimete (Então, reuni-los todos em seus braços e mantê-los perto)...
“Se eu pudesse voltar no tempo
Eu juro, eu nunca teria cruzado aquela linha
Eu deveria ter mantido isso entre nós
Mas, não, eu fui e contei
Ao mundo todo como eu estava me sinto e oh”
– MASATO! – finalmente havia o encontrado.
Ele teve um sobressalto ao ouvir minha voz, logo olhou para mim, encolhendo-se como se estivesse com medo.
– Me desculpa! – curvei-me. – eu agi sem pensar... Eu...
– Tudo bem! – disse ele um tanto exaltado.
Ergui o olhar, encontrado um Masato completamente corado e com uma mão sobre o rosto., cobrindo os lábios.
– Eu só... Fiquei surpreso. – disse um tanto tremulo, desviando o olhar para o chão.
Corei ao vê-lo daquela maneira, como podia ser tão fofo?
Off. Pov Ren
“Então eu sento e percebo
Com essas lágrimas caindo dos meus olhos
Eu preciso mudar se eu quiser
Manter você pra sempre
Eu prometo que vou tentar”
On. Pov Tokiya
O que aquela garota pensava que estava fazendo com o MEU Otoya?
Desde que entramos no quarto ela se grudara a ele feito cola, alegando que eu ou Cecil iriamos acedia-la em algum momento. Mas a única pessoa que estava sendo assediada naquele cômodo era O MEU OTOYA.
– Ok. Já chega. – arranquei Nanami do braço de Otoya e o puxei para mim.
– Hm? Qual o problema Toki? – perguntou o ingênuo ruivo colocando ambas as mãos no braço que eu apoiava em seus ombros.
– Nenhum... Vamos dormir.
– Mas ainda são sete e meia...
– Não me importa. – arrastei-o até a cama do outro lado do quarto e o joguei ali.
– Boa noite. – falei secamente para os outros dois.
Cecil deu um pequeno sorriso sem graça e Nanami cruzou os braços, irritada.
– ... Vou tomar um banho. – disse ela virando o rosto, havia uma aura ameaçadora ao seu redor. – se entrar no banheiro eu te mato Cecil.
O moreno apenas recuou um passo em direção à porta.
– Hm... É... Vou ver como os outros estão... – e escapuliu do quarto, garoto esperto!
Nanami lançou-me um olhar fuzilador e revirou os armários do quarto, achando uma tolha, lgo dirigindo-se em passadas rápidas ao banheiro e fechando a porta com força.
– Por que ela estava tão irritada? – Otoya franziu a testa, ainda jogado de barriga na cama.
– Não sei. – menti.
Joguei-me ao seu lado e o puxei para mim, colando suas costas ao meu peito.
– Hm... Toki... Não acha estranho nos ainda dormirmos assim? – disse Otoya tentado soltar-se de meus braços.
– Claro que não! – agarrei-o com mais força, aconchegando-o a mim. – por que diz isso?
– É que não conheço ninguém que durma assim com um amigo... Só quando eu estava no orfanato, mas...
– Otoya, fique quieto.
– Sim senhor.
Afundei meu rosto em sua nuca, aspirando o cheiro doce que a pele cálida do menor exalava.
– Boa noite. – sussurrei.
“Mas eu nunca quis te machucar
Eu sei que com o tempo vou aprender a
Tratar as pessoas que amo,
Como eu quero ser amada
Isso é algo que tenho que aprender”
Senti sua pele arrepiar-se, uma pontada de esperança acendeu-se em meu peito ao perceber que ele estava nervoso e deixei meus dedos deslizarem por sua cintura, chegando ao cós da blusa e adentrando-a, sentindo meus dedos gélidos aquecerem-se completamente ao entrar em contato com a pele absurdamente quente de Otoya.
– T-Toki... – gaguejou. – o que está f-fazendo...?
Rapidamente retirei meus dados dali, mas que merda eu estava fazendo?
– Nada. – respondi. – durma logo.
– Mas estou sem sono.
– Durma.
O menor se mexeu inquieto em meus braços, mas logo se conformou e ajeitou-se numa posição mais confortável.
– Hunf... – resmungou. – boa noite.
Apenas sorri internamente ao imagina-lo fazendo um biquinho irritado e fechei os olhos, logo relaxei, deixando-me levar pelos braços de Orpheus...
Off. Pov Tokiya
“E eu odeio ter te decepcionado
E me sinto tão mal com isso
Eu acho que o carma vai voltar,
Porque agora eu sou a única que está sofrendo, é”
On. Pov Nanami
Aquele Tokiya era muito irritante!
Afinal qual era a relação dele com o Otoya? O moreno era ciumento demais para ser um simples amigo!
Terminei de me vestir e sai do banheiro depois de mais ou menos uma hora e meia, o suficiente para eu ao menos esfriar a cabeça., o que era difícil com os gemidos absurdamente altos do quarto ao lado.
Passar a noite num motel com três caras no mesmo quarto ficará na minha lista de coisas que nunca mais vou fazer.
A primeira coisa que vi ao sair do quarto foi Tokiya e Otoya dormindo agarradinhos na cama.
Definitivamente, eles não eram apenas amigos.
Fiquei alguns minutos observando a cena, quando de repente meu cérebro começou a processar e minhas mãos moveram-se sem eu pensar.
– É isso. – murmurei para mim mesma.
Abri minha mochila, retirando uma canela e paginas para partitura, logo as notas vieram quase que automaticamente em minha cabeça.
Olhei novamente para os “amigos” agarrados na cama.
Não... Não era um simples “agarrado”, era algo carinhoso. Afetuoso.
Era lindo.
– Unf. – fiz um bico, mas logo sorri, deixando a tinta da caneta escrever sobre o papel. – obrigada moreno idiota...
Off. Pov Nanami
“E eu odeio ter feito você pensar
Que a confiança que tivemos foi quebrada
Então não me diga que você não pode me perdoar
Porque ninguém é perfeito”
On. Pov Kurosaki
– Senhor, nos encontramos.
Sorri mentalmente com a noticia, mas não deixei que o sentimento transpassasse por meu rosto e apenas assenti positivamente com a cabeça.
– Excelente, avaliarei suas informações e logo darei minhas ordens. Retire-se.
– Sim senhor. – curvou-se e saiu da sala.
Deixei os documentos deslizarem por cima da mesa e girei minha cadeira, observando o minúsculo foco de luz vindo da brecha da janela.
– Não pode fugir de mim... Masato...
Off. Pov Kurosaki
“Não, não, não, não, não, não, não, ninguém é perfeito!”
Eu não sou uma santa, não, não mesmo
Mas o que eu fiz não foi legal
Mas eu juro que nunca mais vou fazer isso com você”
On.Pov Ren
Masato e eu voltamos para o quarto depois de longas duas horas de puro silencio.
Após nosso “acerto”, havíamos saído do motel, caminhando pela cidade.
Ele estava muito envergonhado, seu rosto tornou-se quase uma maçã quando entrelacei nossos dedos. Ele correspondera timidamente, mas nenhum de nós dias tinha certeza do que sentia.
– Onde vocês estavam todo esse tempo?! – interrogou-nos Syo assim que entramos no quarto.
– Por ai. – respondi.
– Ninguém ficar “por ai” durante duas horas!
– Acalme-se Syo-chan. – Natsuki massageou os ombros do menor. – tenho certeza de que apenas viram algo fofinho e acabaram se distraindo.
– Poupe-me! – Syo atirou-se na cama e afundou o rosto no travesseiro, completamente emburrado.
– Fica reclamado por ser pequeno, mas age como uma criança... – murmurei.
Por sorte ele não ouviu, mas Masato me lançou um olhar cesurador.
– Vamos dormir logo. – Masato retirou os sapatos e deitou-se na cama, ficando tão longe de mim que se encostava a parede.
Revirei os olhos a sua inocência, ele acha mesmo que isso vai me impedir de sgarra-lo durante a noite? Não que eu vá fazer alguma coisa além disso mas...
– Boa noite Ren-chan! – disse Natsuki deitando-se ao lado de Syo em quanto o menor continuava murmurando coisas desconexas e acabara adormecendo.
“Eu não sou uma santa, não, não mesmo
Mas o que eu fiz não foi legal
Mas eu juro que nunca mais vou fazer isso com você”
Deitei-me também, junto a Masato e retirei minha blusa, largando-a num ponto qualquer do chão, agora trajava apenas uma calça jeans. Soltei meus cabelos daquele rabo de cavalo doloroso e aconcheguei-me ao acolchoado macio da cama. Fora os gemidos vindo dos quartos ao lado estava tudo bem.
“E eu odeio ter te decepcionado
E me sinto tão mal com isso
Eu acho que o carma vai voltar
Porque agora eu sou a única que está sofrendo, é”
Lancei um olhar esperançoso a Masato que continuava encolhido contra a parede. Depois observei Natsuki e Syo na outra cama, eles já estavam dormindo.
– Fugindo de mim princesinha? – sussurrei aproximando
Se possível, acho que ele se fundiria a parede de tanto que tentava se colar mais ainda á ela. Ri baixinho de seu comportamento e segurei seu ombro, virando-o de frente para mim e agora eu que o imprensava contra a parede, pondo uma perna entre as dele.
Masato prendeu a respiração e olhou para mim, completamente corado.
– P-Pare d-de fazer e-essas coisas p-pervertidas! – gaguejou.
“E eu odeio ter feito você pensar
Que a confiança que tivemos foi quebrada
Então não me diga que você não pode me perdoar
Porque ninguém é perfeito
Não!”
Ele ficava tão fofo quando agia tão timidamente que me dava vontade de morde-lo.
– O que estou fazendo? Isso? – empurrei minha coxa contra seu membro, o menor mordeu o lábio inferior. – não há nada de errado princesinha.
Masato pôs uma mão sobre a boca, enquanto eu roçava minha coxa por seu membro semi-desperto. Mesmo com as roupas era possível ver um significativo volume em sua calça.
– R-Ren... – gemeu baixinho. – p-pare... E-Eles estão dormindo na cama ao lado...
Eu não ia avançar mais com isso, mas ele estava tão fofo naquele momento que foi impossível parar.
– Não posso para agora Masato... – sussurrei roucamente no ouvido do menor enquanto mordia lhe levemente o lóbulo.
Masato ofegou ao sentir o contato de meus lábios a seus ouvidos e extremesseu.
– Esse... É seu ponto fraco? – sussurrei novamente.
– N-Não...
– Que fofo... Princesinha... – acariciei a pele macia com a ponta da língua, ele ficou extremamente quente ao meu toque e seus braços trêmulos rodearam meu pescoço.
– Ren...
“E eu odeio ter te decepcionado
E me sinto tão mal com isso
Eu acho que o carma vai voltar
Porque agora eu sou a única que está sofrendo, é!”
– ACORDEEEEEEEEEEEEEEEEEEM!!! LEVANTEM SUAS BUNDAS PREGUISOSAS DA CAMA IMEDIATAMENTE!!!
A porta abriu-se com um estrondo e Nanami entrou saltitante por ela, carregando algumas folhas na mão e um sorriso que tanto podia ser contagiante, como podia ser mortal em seu rosto.
Masato me empurrou com tudo, fazendo-me rolar para o outro lado da cama.
– ONDE É O INCENDIO? – gritou Syo sentando-se na cama num salto.
– Syo-chan... – Natsuki bocejou. – não grita...
– Não têm incêndio nem porra nenhuma! – agora eu estava realmente irritado. – Lady, o que pensa que está fazendo aqui?!
– Nossa! Que mal agradecido! – fez um bico irritado. – eu aqui, toda feliz, com uma partitura ÓTIMA, humildemente falando, para vocês e nem um “obrigada Nanami, você é incrível”? Magoou cabeludo!
“E eu odeio ter feito você pensar
Que a confiança que tivemos foi quebrada
Então não me diga que você não pode me perdoar
Porque ninguém é perfeito!”
– Cabeludo? – ergui uma sobrancelha e Syo segurou uma gargalhada.
– Enfim! Aqui está a partitura! Foi um prazer ser sua compositora, adeus! – largou os papeis.
– Espere aí! – agarrei o pulso da garota e ela fez uma careta. – não vai escapar fácil assim!
Ele resmungou e sentou-se emburrada na cama enquanto eu pegava as partituras e me juntava aos outros.
“Não me diga
Não diga
Não me diga que você não pode me perdoar, oh
Não, não
Não”
– Você compôs isso Nanami-san? – Natsuki sorriu. – que incrível!
– É bom mesmo! – Syo olhou para a garota com os olhos brilhando. – como consegue compor melodias tão incríveis?
Nanami corou de leve e desviou o olhar.
– E-Eu sempre compus! – disse ela ainda sem olha-lo.
Um Tokiya e um Otoya sonolentos entraram no quarto e observaram a cena sem entender nada.
– Nanami compôs uma melodia. – falei.
Os dois pareceram se empolgar com aquilo e correram, arrancando os papeis de minhas mãos.
– Que incrível Nanami-san!!! – Otoya abraçou a garota que ficou vermelha feito um pimentão.
Tokiya cerrou os dentes, arrancando o garoto de perto de Nanami pela milésima vez naquele dia e falou, parecendo um tanto relutante.
– Hm... Dá pro gasto.
Nanami sorriu vitoriosa e se colocou de pé.
– Eu vou dormir! – saiu do quarto, deixando-nos.
Sentei na cama, vendo que Masato escondia sua excitação abraçando um travesseiro e sorri de canto.
– Vocês deveriam ir dormir também, amanhã teremos que procurar algum trabalho. – falei.
– Têm razão... – Otoya agarrou-se ao braço de Tokiya. – vamos voltar a dormir Toki... – bocejou.
Eles se retiraram do quarto, logo todos estávamos de volta a nossas respectivas camas.
– Boa noite Masato. – suspirei.
– Boa noite... – disse um tanto corado.
Fechei os olhos e sorri enquanto entrelassava seus dedos aos meus.
Antes que eu me esqueça, ele ainda estava excitado...
“Porque ninguém é perfeito, não”
Off. Pov Ren
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