Isso não é...

30 Isso não é sentimento.


Notas iniciais
Oi, aqui está o capitulo 30, aproveitem. A música é Just Give Me A Reason de Pink, embora eu prefira o cover de Megan Nicole - https://youtu.be/AG7ihOkT2YQ

Now you've been talking in your sleep, oh, oh

Things you never say to me, oh, oh

(Agora você está falando em seu sono, oh, oh

Coisas que você nunca me diz, oh, oh)

30-Isso não é sentimento. (Ahn... é que... e-eunãogostodevocê?)

Segunda-feira, 09 de maio

Na opinião de Ashton, levar Julie para superar sua rejeição – mesmo que fosse de um encontro falso – tomando milkshake foi uma ótima ideia. Uma ideia de gênio. Julie amava doce e amava ainda mais quando era doce grátis. Contudo fazer isso a noite transformou-a numa péssima ideia. Julie era tão fraca, tão fraca, que, no outro dia, ela já estava doente. E Julie doente era um porre.

Assim que Ashton entrou na casa dos Hemmings para pegar o trabalho de arte – ele e Julie sempre eram parceiros e ela sempre insistia em ficar com o trabalho, não confiando que Ashton iria levar no dia, embora ele soubesse que a verdadeira razão era para ela poder dizer que fez algo (Julie nunca fazia nada) – ele acabou encontrando-a deitada no sofá, numa posição bem estranha e que deixaria Ashton surpreso se ela não acordasse toda dolorida. Julie dormia no sofá de cabeça para baixo! Ela devia ter girado, e girado, e girado, ate que acabou com as pernas em cima das costas do sofá, os pés caindo para fora, e a parte de cima torcida para o lado, com a cabeça escondida entre os braços que serviam de travesseiro.

—Julie – chamou Ashton, não apreciando a vista.

Como ela estava com as pernas para o alto, os shorts de dormir tinham caído e mostravam muito mais do que suas coxas desnudas, como cicatrizes;. Ele já tinha tido uma visão delas antes, um dia depois do aniversario de Julie, mas Ashton tinha relacionado-as a... A sonhos? Ele devia estar delirando, ele devia estar com sono, foi o que disse a si mesmo. Mas, ao mesmo tempo que pensava isso, Ashton sabia que era uma mentira. Ele estava sem sono. Mas era melhor pensar que o fato dele estar sem sono era a mentira, porque... de onde tinha vindo aquelas cicatrizes? O que Julie tinha feito a si mesma?

Ashton não conseguia imaginar Julie fazendo isso a si mesma, mas... Ela era uma idiota e idiotas eram conhecidos por serem idiotas, mas, mesmo assim, era difícil acreditar que Julie faria isso a si mesma. Ela não era tão idiota assim. Ou talvez fosse.

Colocando a mão na coxa de Julie, com a intenção de puxar o short um pouco mais para cima, para ver ate onde isso iria – ele não queria nem pensar no quanto isso parecia indecente – Ashton percebeu o quanto ela estava quente. Muito quente. E Julie não era quente – bem, ela era quente, com Q maiúsculo, (e aqueles pernas, mesmo com as cicatrizes, e o pedaço de pele descoberto pela blusa que também tinha subido era Quente) mas não tão quente assim.

Antes que Ashton fizesse algo – ele não sabia o que iria fazer ou com o que lidar primeiro: a temperatura ou as cicatrizes?– com a mão ainda repousando na coxa quente de Julie, ela se revirou, como se tentasse se livrar das garras dele, e jogou as pernas para o lado, mas foi com tanta força que acabou caindo de cara no chão com um baque. Contudo Julie não acordou. Ela apenas começou a falar dormindo, delirando, respondendo sua pergunta quanto ao que fazer. Ajudar a garota caída no chão, quente e falando sozinha, estava no topo da lista.

—Não – murmurou Julie, revirando-se. – Não, por favor, por favor...

Suspirando, Ashton abaixou-se e tentou despertá-la novamente ate perceber que não adiantava. Ele tinha ido pegar um trabalho de arte e agora teria que dar uma de enfermeiro, cuidando de uma garota psicótica.

Pegando-a nos braços, Ash a levou para o quarto dela com cuidado para não bater sua cabeça em nada e deitou-a na cama. E, como um péssimo enfermeiro, Ashton não sabia mais o que fazer. Julie pareceria morte para ele por causa de toda aquela palidez – ela estava mais pálida do que o normal – se não estivesse sentindo sua temperatura alta ou vendo suas tremedeiras.

Sem muitas opções, Ash a envolveu num coberto – era o melhor que ele poderia fazer em relação as suas tremedeiras. E ligar para Luke. Ele saberia o que fazer. Em relação a irmã, Luke sempre sabia o que fazer.

—Julie está com febre e delirando – anunciou Ashton assim que Luke atendeu o telefone.

—E?

—E? Ela está com febre e delirando – repetiu Ash, estranhando a falta de preocupação de Luke. Cadê seu desespero para saber se sua irmãzinha estava bem? – Você está bêbado?

—Óbvio, altas drogas aqui – respondeu Luke, rindo de um jeito meio drogado, o que fez Ashton franzir as sobrancelhas. O que ele tinha tomado? – Sério, não se preocupe. Julie é uma idiota e idiotas melhoram rápido. – Ashton estava levando a serio o que ele falava (Luke não iria mentir sobre quando sua irmã está doente, iria?) ate que o próprio suspirou e completou, num tom de voz mais serio: – Certo, pegue os remédios no banheiro e dê a ela o...

—Luke? – chamou Ashton, quando ele parou de falar do nada.

Olhando para a tela, Ash percebeu que a ligação não tinha sido desligada. Colocando no ouvido novamente e repetindo “Luke”, Ashton ouviu Luke falando, discutindo com alguém no fundo, ignorando-o.

—Ei, meu celular.

—Nada de usar celular durante as aulas, Hemmings – disse uma voz que Ashton reconheceu como sendo de Paul. Paul, o irritante professor de português.

—É importante...

—Sempre é.

—Julie está...

—Faltando a escola, eu sei. Vou ficar com esse celular ate...

Depois, Ashton só conseguiu ouvir o “tum tum” da ligação caída, e, não acreditando na sua sorte, ele olhou para a tela do celular para ter certeza, e lá estava “ligação perdida”. Ash estava esperando que Luke dissesse que voltaria para casa para ficar com Julie, ele ate já tinha tudo planejado: ligar para Luke, dar o remédio a Julie, esperar Luke e ir para casa. Ficar de babá não estava na lista e Ashton não aceitaria isso facilmente, então ele fez sua segunda ligação para Liz, que atendeu rapidamente.

—O que aconteceu, Ash? Julie está bem? Me diga onde vocês estão que já estou...

—Pare, Liz. Está tudo bem – disse Ashton o mais calmo que conseguiu e esperou Liz soltar um suspiro tremulo e perguntar com a voz embargada:

—Julie está bem?

Lançando um olhar a Julie que estava deitada na cama, revirando-se de um lado para o outro, Ashton chegou a conclusão que não era o me melhor momento para dizer que Julie estava delirando de febre no quarto, então ele disse:

—Sim, ela está.

—Luke também está, não está? Bem , digo. Ninguém morreu, morreu? – perguntou Liz, toda enrolada.

Independente da opinião de Julie, Ashton sabia o quanto Liz preocupava-se com os olhos, mais do que com o trabalho. Ouvir o desespero na voz dela só serviu para comprovar isso. A questão era que Liz não sabia como mostrar isso, ela era tão boa em expressar os seus sentimentos quanto a filha, só que, enquanto Julie enfrentava isso, Liz sentia-se mais confortável fugindo.

—Estamos todos bem, Liz. Respire. Liguei para dizer que... – Para dizer o que? Ashton não podia dizer o que queria. – Mamãe vai fazer um jantar para o meu aniversario.

Não era mentira. Só que...

—Quando é?

—Final do mês? – tentou ele.

—E você está ligando agora? – perguntou ela, devagar. Liz parecia que querer matá-lo, e, subitamente, ficar de babá não pareceu a Ashton tão ruim assim.

—É, Liz – murmurou ele.

—Não me preocupe desse jeito, Ash. Acha divertido passar trote, Ashton? – reclamou ela, completando antes de desligar: – E é sogrinha.

Oh, sim, Ashton amava passar trotes. Não tanto quanto cuidar de doentes, mas passar trote também estava numa posição elevada. Embora ser puxado acidentalmente para uma cama com uma moribunda, logo depois de tê-la dado remédio, e acabar entrelaçado a ela de algum jeito ganhava de qualquer outra coisa. O que poderia ser melhor do que aproveitar-se de uma pessoa que não poderia reagir nem se lembrar depois? É claro que seria ouvir o que ela tem a dizer durante uma alucinação, seus sentimentos mais profundos e sombrios.

—Não vá – pediu Julie, agarrando a blusa de Ashton quando ele conseguiu soltar-se dela.

Sentando na cama ao lado de Julie, Ashton tentou soltar os dedos dela da sua roupa, mas eles pareciam de ferros, determinados a segurá-lo ali. Julie devia realmente amar Ashton. Apenas em momentos como esses, quando ela estava adormecida, Julie ficava sentimental. Sorrindo, Ashton retirou a mecha que caia sobre olhos dela e deslizou a mão acompanhando o comprimento do seu cabelo. Gostando, Julie soltou a blusa de Ashton para trocar logo depois pela mão dele, apertando-a contra sua bochecha, quase ronronando como um gatinho.

—Eu gosto quando você faz isso, papai – confidenciou Julie, delirando. – Isso me lembra quando Ashton fez isso, ele deve ter pensado que eu o odiava, porque assim que cheguei em casa cortei o cabelo... – Julie ficou calada por um momento, apenas aproveitando a massagem não intencional que seu ouvinte fazia para se livrar daquelas garras. – É mesmo, você só o viu uma vez. Ele é um mulherengo, você teria gostado dele... – Ashton sorriu, perguntando-se que tipo de pessoa Andrew era. – Ou não, já que ele só me colocou em confusões desde que nos conhecemos ate hoje. – E essa afirmação fez Ashton revirar os olhos diante de tanto drama, Julie também não era nenhuma santa. – E sua garotinha provavelmente está apaixonada por ele.

Ahn... O que? Aquela era mais uma brincadeira de Julie não era?, questionou-se Ash, parando de tentar escapar. Ela só estava apenas fingindo dormir, não é? Não...

Respirando fundo, Ashton tentou se acalmar, porque... Sério, o que Julie tinha tomado para delirar daquele jeito? Agora ela mentia até dormindo? Julie apaixonada por ele? Isso só podia ser brincadeira. Ashton não queria nem pensar na possibilidade daquilo ser verdade. Ele nunca sonhou que isso fosse acontecer algum dia. Ele sabia que era maravilhoso, mas Julie deveria ser mais inteligente do que isso, não? Porque ele podia ter uma ótima aparência, contudo, Julie, melhor do que qualquer um, deveria saber o quanto sua personalidade era péssima. Como ela pode se apaixonar por ele? Logo ele que era um idiota?

Julie deveria ser mais inteligente do que isso.

Notas finais
Pequeno, eu sei. Iria postar ontem, mas não gostei do que escrevi, então eu reescrevi hoje, espero que tenha ficado bom. O que acham?