Isabel
2 Um novo dia amanhece
Notas iniciais
O dia amanhece. Isabel levanta às 5:00 da manhã e começa a lavar as roupas da senhora Norma. Ela estende as roupas no varal e, em seguida, senta-se à máquina de costura para colocar os zíperes nas blusas de frio. Depois de finalizar o conserto, leva as blusas para o tanque, lava e as estende no varal. Beijoca, sua fiel companheira, está sempre ao seu lado, acompanhando seus passos.
Isabel organiza a casa, deixando tudo limpinho, e se arruma para ir à cidade.
— Beijoca, cuida da casa e das roupas da senhora Norma. Vou à cidade fazer compras para nós e, assim que voltar, farei um almoço bem gostoso. — Ela passa a mão na cabeça da cachorrinha e sai para pegar o ônibus.
Beijoca acompanha Isabel até o ponto de ônibus. Quando o ônibus chega e Isabel entra, Beijoca volta correndo para casa, aguardando ansiosamente o retorno de sua dona.
Na cidade próxima ao vilarejo, Isabel entra no mercado e, com uma lista em mãos, começa a verificar os preços, comprando apenas o que pode com seu dinheiro:
Lista:
2 pacotes de arroz
3 pacotes de feijão
3 garrafas de óleo
1 pacote de sal
2 pacotes de macarrão
2 latas de massa de tomate
2 pacotes de açúcar
Além disso, Isabel reserva um pouco de dinheiro para comprar tecido para confeccionar um vestido especial. Ela sonha em estar linda para o dia em que encontrar seu príncipe encantado, mesmo sem saber quem ele é ou onde mora.
Ela também compra ração para Beijoca, remédio para pulgas e carrapatos, e agenda as vacinas da cachorrinha, assegurando sua saúde.
Na loja do senhor Ruan, Isabel escolhe um tecido bonito, com detalhes dourados e muito brilho.
— Eu vou levar este aqui, senhor Ruan! — diz alegremente.
— Tudo bem, Isabel. Quantos metros vai querer?
— Dois metros, por favor.
— Certo, dois metros. Prontinho, R$ 25,00.
— Aqui está, senhor Ruan. — Ela entrega o dinheiro com um sorriso.
— Obrigado, Isabel. Volte sempre!
— Tchau, senhor Ruan. Voltarei sempre. — Sai feliz da loja.
Na praça, Isabel observa jovens de sua idade se divertindo. Sente um vazio no coração, pois sabe que sua vida é cheia de responsabilidades e que não pode se dar ao luxo de lazer.
De repente, um jovem bonito a cumprimenta com um sorriso radiante.
— Olá! — diz ele.
— Olá! — responde Isabel, timidamente, passando a mão pelos cabelos.
— Tenha um bom dia, senhorita!
— Obrigada, igualmente.
— Tchau, senhorita! — Ele se despede com um aceno.
— Tchau! — Isabel pensa por um momento e, de repente, grita: — Ei, espere! Qual é o seu nome?
O jovem se vira e responde:
— Vitor. — E logo acrescenta, seriamente: — Mas já tenho namorada. Você é linda, mas não é a minha praia.
Ele se afasta, juntando-se a seus amigos e beijando uma moça de cabelos ruivos e cacheados que olha feio para Isabel.
Triste, Isabel pega o ônibus de volta ao vilarejo. Chegando em casa, Beijoca a espera ansiosamente. As compras são entregues por um moço bonito e forte. Isabel pergunta:
— Seu moço, qual é o seu nome?
— Eduardo, senhorita.
— Muito prazer, senhor Eduardo. Posso fazer uma pergunta?
— Que seja rápida, tenho muitas entregas.
— Você acha que sou sua praia? — Isabel joga seu charme, mas Eduardo responde grosseiramente:
— Garota, sou casado, tenho dois filhos lindos e uma esposa maravilhosa. Não me atreveria a deixar minha família por nada neste mundo. Você é jovem e bonita, tem um futuro pela frente. Um dia encontrará alguém compatível que a fará muito feliz. Agora preciso ir. Tchau, senhorita!
Inconsolável, Isabel chora. Cansada de esperar, decide ir à igreja, onde acredita que o padre pode ajudá-la a encontrar seu príncipe encantado.
— Na igreja sempre há um viúvo solitário ou um jovem apaixonado, nã é, Beijoca? Vamos atrás do meu príncipe encantado, e o padre nos ajudará a encontrá-lo. — Determinada, Isabel entra em casa e começa a guardar as compras, feliz por ainda ter esperança de encontrar o amor.
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