Isabel
3 No dia seguinte...
Notas iniciais
Depois de organizar as compras e fazer o almoço, Isabel pega as roupas do varal, coloca na bacia, leva para dentro do quartinho de costura e começa a passar ferro. Dobra com cuidado e guarda as roupas no cesto bem organizado. Em seguida, escreve em seu diário:
Dia 28/01/2000
Hoje tive um dia um pouco cansativo, com muita melancolia, mas sei que Deus não vai esquecer de mim e vai me arranjar um bom casamento. Terei uma família bem grande e feliz. Beijoca vai junto para nosso castelo e viveremos felizes para sempre, pois não faltará nada. Teremos tudo, principalmente uma família.
Ao parar de escrever, Isabel começa a chorar, desesperada. A jovem sonha em se casar e ter uma família grande e feliz, mas sente-se deslocada. Apesar disso, promete para si mesma que não vai desistir e continuará sua caminhada.
No dia seguinte, Isabel levanta às 5:00 da manhã, pega a enxada e vai carpir sua horta, que estava cheia de mato. Seus legumes e verduras estão brotando: alface, cebolinha, coentro, salsinha, rúcula, couve-flor, repolho, quiabo, mandioca, milho, pepino, rabanete, gengibre, entre outros. Isabel também aproveita para colher algumas frutas como banana, abacaxi, abacate, acerola, goiaba e limão para preparar sobremesas.
Exatamente às 13:00, Isabel almoça e dá comida para Beijoca, que está sempre por perto para defendê-la. Dona Joana aparece chamando Isabel:
— Isabel! — batendo palmas e gritando.
Isabel escuta e responde:
— Estou indo, calma!
Quando olha para fora do portão, fica admirada com a beleza da visitante: uma jovem refinada, bonita, com cabelos castanhos claros e olhos azuis, parecendo uma boneca de porcelana. Isabel, timidamente, pergunta:
— Em que posso ajudá-la, senhorita?
— Preciso que conserte dois vestidos, mas tenha muito cuidado, pois custaram uma fortuna. Minha cozinheira falou de você e disse que é uma ótima lavadeira e costureira. Vim com meu motorista para encontrá-la, Isabel.
— Ahhhh... Pode deixar, senhorita...
— Joana. Meu nome é Joana — diz a jovem com o nariz empinado.
— Senhorita Joana, vou tomar todo o cuidado do mundo. Você prefere vir buscar ou que eu leve até sua residência?
— Prefiro que você leve até a fazenda Raio de Sol. Esperarei. Agora tenho que ir. Tchau — despediu-se Joana, novamente olhando Isabel de cima a baixo com reprovação.
Joana entra no carro e Isabel, ao entrar em casa, vai até o quartinho de costura. Retira os vestidos da caixa e do papel de seda, observando que estão novos, apenas com zíperes quebrados e algumas manchas. Isabel começa a consertar os vestidos e aproveita para experimentar um deles, sentindo-se como uma princesa. Beijoca olha com reprovação e late forte.
— Eu sei, Beijoca, que não deveria experimentar os vestidos das clientes, mas são tão lindos e perfeitos — diz Isabel, tirando o vestido e levando-o para a lavanderia.
Depois de lavar os vestidos, Isabel reflete:
— Beijoca, queria tanto ser rica, poder viajar, conhecer várias pessoas e ter muita fartura. Comeríamos tanto que não haveria espaço na nossa barriguinha — diz, rindo, enquanto Beijoca lambe seus pés carinhosamente.
Isabel recolheu os vestidos, passou o ferro, guardou cada um em sua sacola e preparou a janta. Depois de comer com Beijoca, continua fazendo o vestido pedido por Joana.
— Cansei, Beijoca. Hora de dormir. Amanhã teremos novas tarefas — boceja e estique os braços para cima.
Pegando Beijoca no colo, Isabel deita-se e adormece profundamente.
Fale com o autor