Notas iniciais
Nem demorei né?
Chente, tô postando rapidinho, já tô atrasada ;)
Notas finais: importante...
Iria postar o cap ontem, mas aconteceu uma tragédia...
Cap baseado na ideia da pirralha (Súúh Lerman)
Boa Leitura!

POV ANNABETH

Quando eu cheguei em casa, meu corpo todo doía, minha cabeça estava girando, os pensamentos eram um furacão desordenado bagunçando minha mente.

Depois que Thalia tinha chegado, as coisas dentro do CHB tomaram um novo rumo. As férias e a vida mansa haviam acabado pra todo mundo, iríamos trabalhar 24 horas por dia, de domingo à domingo, e se isso ainda não fosse o suficiente para a Seita, iríamos aprender cristalomancia e vislumbrar o desfecho disso tudo em bolas de cristal.

Acho que eu preciso de terapia, eu já não estou falando coisa com coisa.

Joguei minha bolsa no sofá e fui pra cozinha em busca de uma Aspirina. Assim que engoli o comprimido, ouvi um barulho, como se algo estivesse sendo derrubado. Rapidamente, saquei minha arma calibre 40, com silenciador, do coldre e abaixei-me junto aos armários, esperando. Alguns minutos passaram e no apartamento só imperava o silêncio. Mas eu ainda não estava convencida, o assassino havia agido bem debaixo do nariz do Instituto novamente, conseguindo nos colocar sob pressão, nos deixando sem saída, a mercê da imprensa e do Governo. Isso sem falar que ele ainda fez uma ameaça a nós, praticamente nos desafiando a impedi-lo, como se ele soubesse que isso era impossível, que estávamos dando um tiro cego. Eu não me surpreenderia se ele entrasse no meu apartamento e me fizesse sua próxima vítima.

Seria quase um favor pra mim, levando em conta tudo o que está acontecendo. Comecei a caminhar, lentamente, ainda agachada, usando os armários e a mesa como escudos. Cheguei na porta que ligava a cozinha ao corredor e esperei novamente. Ouvi um leve rumor de respiração ofegante e tive certeza de que havia alguém ali dentro. Agucei minha audição e me apoiei na parede da cozinha, fora de alcance da sala e do corredor, tentando distinguir de onde vinha a respiração barulhenta.

“Meu quarto”. Sim, estava vindo de lá. Me levantei e andei lentamente pelo corredor em direção ao meu quarto. A porta estava levemente entreaberta, o suficiente para eu conseguir ver o brilho azulado da TV refletido nas paredes brancas, o zumbido baixinho indicando que quem estivesse usando o aparelho havia deixado no mudo. Lentamente, eu me aproximei da porta. Contei até três, senti arrepios de ansiedade atravessarem meu corpo, minha mente foi invadida por mil e uma possibilidades de ataque e de como revidar. Fileiras de rosto percorreram minha mente, buscando a face do assassino misterioso. E então, meu corpo começou a agir por conta própria.

Irrompi pela porta, de arma engatilhada, pronta para me defender se fosse preciso. E então, eu senti o ataque.

O ataque de risos que eu tive ao ver Percy somente de cuecas do Batman, deitado em minha cama, assistindo Bob Esponja. Mas a minha situação era tão tensa que eu riria até em um velório. Percy ruborizou imediatamente, puxou o edredom até o pescoço, encarando o teto, desviando meu olhar. Eu ria tanto, mas tanto, que cheguei a rolar no chão, limpando as lágrimas e tentando recuperar o fôlego.

─ Não teve graça Annabeth. ─ Murmurou ele, baixinho, totalmente corado, brincando com o cobertor.

─ Percy. ─ O chamei, séria, já totalmente recuperada e com uma aparência decente e condizente com minha idade e status. ─ Você está assistindo Bob Esponja na minha cama. Só de cuecas. Cuecas do Batman! ─ E novamente, eu desandei a rir descontroladamente. Dessa vez Percy me acompanhou.

Cucas do Batman! Juro que toda vez que eu ouvir a palavra Batman, eu vou ver o meu vizinho gostosão assistindo desenho vestindo aquela cuequinha infantil. E assim nós gastamos os minutos, rindo daquela situação desagradável. Até que seu olhar encontrou a arma que eu carregava a poucos minutos em cima da cômoda.

Os olhos de Percy se arregalaram, o rosto contorceu-se num esgar de pavor e a face ficou totalmente lívida. Ri de sua expressão e guardei a arma no coldre, o colocando no fundo do meu armário.

─ Desculpe por isso, Percy. ─ Eu o encarei ─ Eu não queria te assustar, é só que hoje meu dia não foi muito agradável, as coisas estão ficando cada vez mais complicadas e eu acabei esquecendo que você estava aqui em casa. Quando eu cheguei, ouvi um barulho, como se algo tivesse caído, sabe? E me espantei. Acabei entrando de arma empunhada aqui, sem querer, é só que eu estou com os nervos à flor da pele e minha memória anda péssima. Me desculpe mesmo, eu não sabia que as coisas chegariam a esse ponto.

No final, minha voz já estava embargada e eu me controlava para não ceder ali, na frente dele. Eu nem me lembro da última vez em que eu chorei. Eu não faria isso agora, não na frente de Percy pelo menos.

Ele levantou e caminhou até mim, me abraçando forte quando viu que eu iria ceder. As mão fortes de Percy me guiaram até a cama, nos deitando ali enquanto eu me encolhia em seu peito. Ele só ficou afagando meus cabelos, me deixando sentir seu calor enquanto eu me recuperava. Eu podia perceber pelo movimento frenético de sua respiração que ele estava apavorado. Eu ri e ele me acompanhou. Mais alguns minutos se passaram até que ele me perguntasse:

─ O que foi, Annabeth? ─ A voz melodiosa era baixinha ao meu ouvido, a respiração descontrolada banhando meu pescoço. Não pude evitar o arrepio que percorreu minha pele, fazendo-o sorrir. ─ Me conte o que está acontecendo pra te deixar assim. Essa não é a Annbeth que eu conheço. Aquela loira gostosa que eu conheço está sempre sorrindo e o único brilho que se vê em seus olhos cinzentos, é o da alegria.

Eu sorri com suas palavras.

─ Viu? Você fica muito mais linda assim. ─ Ele beijou o alto da minha cabeça. ─ Você pode confiar em mim. Eu quero saber o que aconteceu pra que você perdesse esse encanto que fez com que eu me apaixonasse na primeira vez que eu te vi.

Novamente, um sorriso escapou de meus lábios e eu neguei com a cabeça, manhosa. Percy levantou meu queixo, forçando-me a olhar em seus olhos. Isso fez com que uma enxurrada de lembranças transpassasse minha mente, como lança. O modo como suas mãos passeavam por meu corpo, o jeito com que ele me olhava antes de em beijar, o toque dos seus lábios na minha pela, a sensação de seus dedos me acariciando. Tudo voltou em minha memória num rompante, me fazendo sorrir. Não precisei usar um das vinte e sete armas escondidas afinal.

Ele me puxou mais pra cima, deixando nossos rostos no mesmo nível, comigo deitada sobre ele. Suas mãos deixaram meu rosto próximo ao seu e os lábios que em tocaram eram hesitantes. O beijo foi calmo e terno, não tinha desejo. Somente necessidade. Assim que o ar nos faltou, ele descolou nossos lábios e me deitou novamente em seu peito, voltando a acariciar meus cachos loiros desgrenhados.

─ Me conta. ─ Ele pediu novamente e eu o encarei, estupefata.

─ Você nem é teimoso, não é? ─ Eu ri.

─ Por favor? ─ Ele suplicou novamente e eu suspirei, me rendendo.

─ O Instituto está com problemas. ─ Eu comecei, hesitante, tentando escolher as palavras cuidadosamente. ─ O caso em que eu estou trabalhando é um labirinto, um quebra cabeça com peças faltando. Toda vez que a luz no fim do túnel aparece, uma pedra é rolada para a entrada e o farol se apaga. ─ Eu parei e capturei seu olhar cor de turmalina. ─ Dá pra entender?

Ele assentiu lentamente por um bom tempo antes de responde.

─ Dá pra entender que você gosta muito de comparações e metáforas. ─ Novamente nossos olhares se cruzaram e a o ar entre nós se encheu de seriedade. E depois, sem aviso, o riso escapou de nós, e foi tão natural, tão bom.

─ O.K. vamos começar de novo. ─ Eu suspirei e tentei outra vez. ─ O caso que eu peguei é um pouquinho complicado, cada vez que achamos a resposta para um pergunta, outras 5 surgem ao mesmo tempo como consequência. E isso está acabando comigo e minha equipe. Por isso que eu ganhei aquela folga. O estresse dentro do Instituto é quase palpável. E como se isso já não bastasse, a Seita está furiosa porque esse caso está se estendendo demais, não temos com o que trabalhar, não temos nem sequer um suspeito! ─ De repente eu me vi gritando, a voz embargada, à beira das lágrimas. ─ Você tem ideia do que isso significa? Eu e toda a minha equipe podemos perder o emprego, pra mim, isso é o mesmo que jogar tudo o que eu construí no lixo, meu emprego é, minha vida nesses últimos anos! ─ E então, chorando e esgotada, eu busquei conforto nos calorosos olhos cor de turmalina de Percy. ─ Eu estou com medo...

Percy me abraçou forte, acariciando meus cabelos e cantarolando baixinho no meu ouvido enquanto as lágrimas corriam soltas, traçando linhas salgadas em meu rosto. Percy realmente era um anjo, sem ele eu não sei o que seria de mim nesse momento, sem um apoio, alguém pra desabafar, provavelmente eu acabaria num hospício. Tudo de que eu precisava agora era um abraço forte e carinho. Só isso.

Quando eu me acalmei um pouco e as lágrimas desabaladas se transformaram em soluços ardidos, Percy puxou meu rosto pra cima, capturando meu olhar cinzento, cravando seu olhar em minha alma. Ele fixou meu olhar assim por alguns segundos. E então colou nossos lábios em um beijo calmo e doce, como se dissesse “Ei! Eu estou aqui, tudo vai ficar bem. Eu vou matar os monstros que estão te assustando, não se preocupe.”. Eu me perdi na imensidão daquele beijo, tentando desembaralhar meus sentimentos, encontrar o que eu verdadeiramente sentia por Percy.

A resposta chegou até mim como um soco. No começo, era apenas desejo. Mas quando eu ouvi sua voz, vi seu sorriso, presenciei seu olhar misterioso, quando senti seu abraço, seus lábios nos meus, suas mãos passeando em meu corpo, quando eu ouvi aquelas três palavras proferidas por sua melodiosa voz grave, eu soube que ele era correspondido. Mas eu não queria admitir. Eu já tinha vivido tempo demais sozinha para saber o que era aquilo, saber o que era o “Bom Dia” de um outro rosto além do meu, refletido no espelho. Mas essa era a verdade, e a verdade é incontrariável.

─ Eu te amo. ─ Apesar de eu ter chorado, minha voz saiu impossivelmente forte e firme. Carregada de certeza e convicção. Eu sabia que estava certa do que dizia. Eu confiava na verdade daquelas três pequenas palavras, mas que poderiam mudar totalmente a vida de uma pessoa. Assim como mudou a minha.

Percy passou longos minutos sustentando meu olhar, desbravando meus segredos. Eu apenas retribuí. Mas essa troca de olhares foi interrompida por um inesperado beijo. Dessa vez, o beijo era ardente e cheio de desejo.

POV PERCY

O magnetismo que Annabeth exercia sobre mim era surreal. O efeito que seu toque, seu sorriso, seus olhos, sua voz, sua pele, seu cheiro sobre mim era irracional. Toda vez que eu estava com ela, eu me esquecia de tudo e de todos, eu me esquecia do mundo, de quem eu sou, de quem eu era. Eu já não sabia mais o que era realidade e o que era ficção. A única coisa que eu sabia, era que Annabeth me amava e eu a amava também.

Isso e também as consequências terríveis que viriam, mais dia, menos dia. Eu sabia que a decisão pairava sobre mim como uma guilhotina, prestes a ser solta. Eu teria que fazer uma escolha muito em breve, a escolha que poderia bagunçar minha vida, que me jogaria no poço ou me elevaria às nuvens. Uma escolha entre vida ou morte.

Mas essa escolha não precisava ser feita agora, não é mesmo? Annabeth estava do meu lado, buscado meus lábios, meu toque. Por que eu estragaria a magia com uma escolha idiota quando eu tinha a criatura mais perfeita que já pisou na terra aqui na minha frente, me buscando. Eu não precisava de ar quando ela estava assim, perto de mim. Tudo de que eu precisa era ter seus lábios nos meus, seus olhos me fitando, suas mãos me buscando, seus corpo colado no meu, seu sorriso voltado pra mim. Annabeth poderia me pedir a minha vida agora que eu a ofereceria de bom grado.

Alguém poderia me explicar por que isso tinha que acontecer justo comigo? Por que? Por que a vida é tão injusta?! Justo quando eu descobri algo que desdenhei a minha vida inteira, esse sentimento terá que ser tirado de mim tão abruptamente. Ela estava bem ali ao meu lado, mas só de pensar que um dia ela estará fora de meu alcance, em um lugar onde ela saberá de toda a verdade, meu peito inflava, pedindo para explodir e não viver para presenciar isso. Eu daria tudo para não ter que fazer essa maldita escolha, para somente viver e ter Annabeth do meu lado. Agora que sei que é verdade, eu atravessaria oceano, enfrentaria constelações, lutaria com o próprio Tempo para tê-la ao meu lado, eu lutaria até o fim para que aquilo não acabasse, para que ela continuasse sorrindo e eu pudesse ainda ter o brilho do seu olhar quando acordar.

E é exatamente isso o que eu vou fazer.

--X--

Annabeth parecia um anjo dormindo. O meu anjo. Minha decisão de lutar até o fim, contra tudo e todos, só se reforçou ainda mais enquanto eu a observava, estirada na cama, o peito subindo e descendo lentamente por conta da respiração calma, os longos cachos dourados alinhados, como uma auréola, ao redor de seu rosto.

Estiquei meus dedos e afaguei sua face quente. Ela se remexeu inquieta e eu ri, afastando minha mão. Pulei quando o telefone em minha mão vibrou.

─ Alô? ─ Minha voz saiu trêmula e temerosa, algo que ela nunca presenciou vindo de mim.

A voz gélida soltou uma risada cortante de escárnio e eu senti minhas pernas bambearem. Ele estava nos observando. Ele sabia meu ponto fraco.

─ Um mês. ─ Retornou a voz gélida e rascante. A ligação foi cortada.

Eu ofeguei. Um mês?!

Notas finais
Leiam minha nova fic: é minha e da pirralha u.u
Deixem reviews *-*
Amo vocês ♥ ♥ ♥
Dressa, sua linda ♥ ♥ ♥
Ok, agora tchau '-'

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