Is Prohibited
20 Lobos
Notas iniciais
POV ANNABETH
Eu sentia minha cabeça percorrer eclipses através daquele cenário grotesco. Eu via Cronos e Percy parados lado a lado, um me encarando divertido, o outro, impassível. Senti meu estômago queimar e a bili subir em minha garganta. Grunhi e me forcei a engoli-la.
Que porra é essa?!
Eu não conseguia pensar direito, o que eu via e o que eu sentia se embaralhavam dentro de mim, brigando como lobos, me impedindo de seguir uma linha de raciocínio sã. Eu estava perdida entre tudo isso, à beira da loucura. Eu já podia ver o abismo negro à minha frente, me impedindo de processar tudo o que acontecia.
Fechei os olhos ainda mais forte até sentir que a tontura se misturava ao aperto em minhas mãos, presas às costas, que se intensificara junto com a tontura. Mas eu não consegui agir. Eu estava em um profundo estado de torpor, tentando ignorar aquilo, pois eu simplesmente não podia, não queria, acreditar.
Eu não escutava nada à minha volta, mas sabia que haviam gritos e lamentos. Meus próprios devaneios surdos sufocavam o barulho alheio à minha alma, me deixando ainda mais confusa e nervosa.
Mas era justamente isso que ele queria. Que eles queriam. Eu fraca e confusa, para me manipular e jogar sal nas minhas feridas.
E eu não daria esse bálsamo à eles. Não iria sofrer nem demonstrar fraqueza, nem mesmo se arrancassem meu coração. Pois a visão de Percy ali, do lado errado da história, despertou um velho torpor, que eu já usara e muito, algo já decorado: alma fria, coração indiferente, emoções ausentes e semblante furioso.
O meu já tão conhecido “Torpor de Traição”, cujo qual me ancorei quando Luke fez aquilo comigo. Traição, era isso, que para mim, Luke tinha me dado em troca da minha paixão.
E se Luke já havia sido um canalha nojento, Percy era três vezes pior, pois ele me usou, me traiu e me iludiu da forma mais grotesca e dolorosa que um ser humano pode ser usado, traído e iludido. Amando.
Eu sentia nojo e raiva.
Nojo e raiva de mim mesma por ter ido tão longe, e no fundo, quando eu estava prestes a embarcar nesse Titanic, eu sabia que me arrependeria. Mas eu ignorei esse aviso, essa última chance que minha alma oferecia.
E agora minha alma gritava: “Bem feito, levou um merecido ‘tomou no cú’”. E eu spo podia concordar.
─ Meu amado filho! ─ A voz rascante, carregada de ironia e desprezo foi a única coisa que me libertou do torpor frio. Cronos falava e agia como se estivesse em um reality show. ─ No passado, você derrubou meu Império e atrasou minha ascensão. Porém agora, a hora da vingança chegou, e a sua vez de sofrer pelo seu cume quebrado. ─ Ele riu com escárnio e desdém, o timbre metálico em sua voz me fazendo ofegar e um assovio incômodo no meu ouvindo me obrigando a encolher.
─ Pare com isso Cronos. Você não conseguirá...
─ Ah, vamos apelar agora para velhos clichês, meu filho?! Que assim seja! ─ Zeus começou a falar, porém Cronos interrompeu-o antes que chegasse ao ponto.
Ele caminhou pelo espaço livre do galpão, subindo em uma pilha de ferro velho pequena, agindo como se fosse o rei do mundo.
─ Eu retornei dos mortos! Eu terei minha vingança agora! ─ O sorriso nojento encobria sua face fria, impossível de ser descrita. Os olhos caramelos imperando horror doentio. ─ Eu não conseguirei seguir com isso em frente? Quem irá me deter? Seus leais agentes, que na verdade estão do meu lado? ─ Ele riu com um prazer gélido, sendo acompanhado pelos seus homens que nos mantinham reféns. ─ É, eu já tinha metade daquele Instituto na minha mão antes mesmo de começar esse ataque. Só faltava a mesa diretória e seus peões. ─ Ele começou a andar calmamente, descendo da pilha de sucata vindo em minha direção. Pelo canto do olho captei um movimento de Percy: ele caminhava logo atrás de Cronos percebendo qual era sua intenção.
E eu fiquei entre alívio e desespero, sem saber qual emoção eu deveria creditar.
Mas no final, o desespero acabou vencendo, quando as mãos de Cronos deslizaram por minha face, parando em meu queixo, forçando minha cabeça pra cima, me obrigando a olhá-lo. Suas mãos tinha um toque frio, pútrido e áspero.
O toque da morte...
Eu me recusava a erguer meus olhos para os seus, eu sabia que ele conseguiria senti meu medo e desespero se eu fizesse isso.
─ Então essa é a sua garota, Percy? ─ sua voz metálica rasgou o ar mais uma vez, me fazendo grunhir em protesto, pelo som da sua voz e por suas palavras.
─ Eu não sou a garota de ninguém. ─ Minha voz saiu baixa e arrastada, as palavras deixaram meu lábio lentamente, carregadas de desprezo e asco.
Finalmente ergui os meus olhos. Eu não admitiria que ele falasse isso de mim. Agora, ser a garota do Jackson, entrava para minha lista de insultos. E eu já não temia que ele lesse a fraqueza em meus olhos. Sabia que eles estava tão carregados de desprezo que Cronos não notaria os sentimentos em segundo plano. Ele veria apenas o desafio.
E de fato, quando nossos olhares se chocaram, dourado no prata, um arrepio atravessou meu corpo e eu senti sua mão pesar ainda mais em meu queixo, ficando mais gélida, se isso fosse possível. Ambos estávamos tensos, eu sentia a surpresa dele por encontrar algo que ele não esperava estampado em meus olhos. Sorri ameaçadora e senti-o recuar.
Logo depois, ele retribuiu meu sorriso com descrença, soltando meu roto, que eu fiz questão de deixar levantado, e falando com Jackson, sem tirar os olhos de mim. Algo como expectativa girava em torno dele.
─ Agora sei o porquê de você a ter escolhido. Ela é sagaz e esperta. E mente muito bem, oh sim, ela mente. ─ Por um momento meu sorriso vacilou, fazendo o dele aumentar. Confusão dominava minha mente. Ele sentiu.
Ele sabia que eu estava mentindo? Ele é mais perigoso do que eu imagina... Nem Zeus percebeu que eu escondia o que sabia sobre Cronos.
─ Sabe querida, você é a única sensata aqui. Você sabe que perdeu não é mesmo? Sabe que não tem mais volta, que á está consumado, mas mesmo assim... Mesmo assim aceita o seu destino. Impressionante. ─ O tempo parecia correr mais devagar quando ele falava ou se movia. Era como ser torturado em câmera lenta.
Suas palavras acalmaram os lobos dentro de mim, deixando-os em silêncio. E eu pude compreender toda a tensão e expectativa dentro do galpão. Pude sentir o olhar preocupado e aflito de minha mãe sobre mim. Quíron emanava confiança e Zeus estava lívido.
Mas os lobos responderam às palavras de Cronos. Porque elas eram verdadeiras.
Eu sabia o que aconteceu e aceitava. Era diferente da minha mãe que ainda estava aflita, procurando uma saída. Diferente da confiança de Quíron de que eu pensaria em algo para dar a volta por cima. E diferente de Zeus, ainda em choque sem saber o que pensar.
Estávamos mortos, essa era a verdade!
─ Eu não acredito em destino. ─ Ele me encarou confuso. ─ Mas acredito que nada acontece por acaso. Quem sabe quais serão as consequências disso tudo? De minha morte? De sua vitória? Pra tudo nesse mundo há um propósito, nem sempre explícito, porém ele está lá. Maquiado pelo medo e pela confusão. ─ Eu sorri divertida ao encarar Cronos surpreso com o rumo que a conversa havia tomado.
─ Belas palavras. ─ Ele concordou. ─ Uma pena que não valerão de nada. ─ Ele se virou de costas, encarando Percy, que eu havia notado só agora o quão próximo de nós tinha chegado. Mas seus olhos verdes estavam fixos em mim. Uma linha de suor escorria por sua testa e as mãos fechadas em punho estavam tensionadas ao lado do corpo. ─ Chegou a hora criança. Me mostre que merece piedade. ─ Cronos saiu para longe dele, estalando os dedos.
Imediatamente, duas coisas aconteceram simultaneamente.
Todos os agentes do CHB, incluindo o diretório foi bruscamente retirado do espaço livre, sendo acomodados em uma parede sem sucata, seguros por cordas e correntes. Estava tudo claramente preparado para recebê-los.
Sim, eu digo eles, porque ao invés de eu ser presa com os outros, o aperto em meus pulsos afrouxou, a pressão em minhas pernas sumiu e o cano gelado da arma deixou meu pescoço, que eu sentia estar suando frio.
Meu corpo tombou no chão de cimento bruto, totalmente amortecido, mas eu consegui desviar a cabeça para a esquerda vendo quem me prendia. Megan, a líder da Equipe 2.
Então ela era a traidora.
Eu queria difamá-la com todas as minhas forças, porém no momento eu tinha coisas mais preocupantes que mereciam minha atenção.
Cronos ainda titubeava com Zeus e minha não, ainda prosseguindo no clichê de vilão de filme. Quando finalmente senti que meu corpo não cairia se eu tentasse me levantar sem apoio, me ergui do chão, lentamente, gemendo em protesto, meus membros ainda estavam doloridos.
Quando ergui os olhos, senti a bili outra vez parar em minha garganta.
Percy estava à minha frente, indeciso entre dar um passo em minha direção ou recuar. Seus olhos emanavam tantas coisas ao mesmo tempo que eu não conseguia distinguir nada. Eu só o via ali, arma empunhada, pronto para me matar.
─ Acabe logo com isso. Por favor. ─ Eu praticamente implorei, desviando meu olhar para o chão corroído.
Ouvi-o suspirar e abaixar a arma.
─ Não até você olhar pra mim. ─ sua voz não saiu mais alta que um sussurro. Falha e embargada.
A contra gosto, ergui os olhos.
Eu não queria encará-lo porque eu não queria sentir todos aqueles sentimentos virem à tona, se misturarem e me deixarem confusa, fazendo com que as lágrimas caíssem.
Mas eu não iria chorar na frente daquele pedaço de nojo.
Minha raiva era tanta que eu reviveria aquela noite com Luke, se isso me tirasse todas as lembranças de Percy que eu tinha e pagasse o amor que eu, inevitavelmente sentia.
Mas eu não tinha escolha,
Assim que o encarei, todos os momentos felizes, todas as carícias, todos os momentos que passamos junto me derrubaram por dentro. Senti meus olhos marejarem, porém nenhuma lágrima foi liberta.
Vi sua expressão desmoronar, eu não tinha a mínima ideia de quem era aquele Percy à minha frente. Um estranho, alguém que eu nunca conheci.
Pois o meu Percy, aquele que eu amo, é o menino homem, sorridente e sarcásticos, protetor e desejoso.
Este à minha frente?
Um completo estranho, que chorava sem motivos.
─ Me mate. Agora. ─ Minha voz exala ordem.
Mas ao invés disse, ele saiu aos meus pés, soluçando.
─ Me perdoe, Annabeth. Foi ele. Cronos me transformou nisso. ─ Ele começou a falar, desesperado, respondendo á minha pergunta. Ele não me encarava, apenas despejava as palavras que eu me recusava a ouvir, mas não podia. ─ Ele matou meus pais, matou Liesel, matou todos que eu amava. Ele transformou minha vida num inferno quando eu descobri o que ele era. Eu só queria proteger quem eu amava, por isso agi assim. Eu só queria proteger você. Annabeth, eu... Ele me mandou fazer isso.
─ Isso o que? ─ Perguntei quando ele hesitou.
Poderia parecer egoísta e masoquista, mas se eu o mantivesse seguro, teria alguns minutos a mais de vida. E nesses minutos, eu sentia como era bom repirar, sentir meu coração batendo e os raios de sol matutinos brincar em minha pele.
─ Minha missão era me envolver com você. Era fazer você se apaixonar por mim, como eu já tinha feito tantas vezes antes com outras mulheres, para que eu pudesse conseguir informações sobre o CHB. ─ Finalmente ele ergueu seus olhos para mim. $E dessa vez, eu consegui distinguir o que havia neles. Arrependimento. ─ Mas... Mas as coisas fugiram do meu controle, eu não esperava que isso acontecesse.
Novamente ele hesitou. Segurou os soluços, as lágrimas ainda trilhavam seu rosto.ele se levantou, encarando meu roto, querendo tocá-lo, mas eu o afastei.
─ O que aconteceu? ─ Agora não eram alguns minutos a mais que eu queria. Eram repostas.
─ Eu me apaixonei por você. ─ Ele gritou, desesperado.
Meu coração parou por duas batidas, retomando um ritmo acelerado logo em seguida. Eu não sabia o que pensar, como agir, o que falar.
Se Percy estivesse dizendo a verdade, ele estaria sofrendo tanto quanto eu.
Mas eu queria jogar sal na sua ferida como ele havia feito comigo.
─ Por quê? ─ A pergunta ecoou pelo galpão e só então eu notei que todos, até mesmo Cronos, prestava atenção em nós. Percy não parecia se importar.
─ Por quê? Eu não sei porquê... Quando eu vi... Eu já estava totalmente apaixonado por você. Foi algo mais forte, foi algo inexplicável... Como se minha vida não fizesse mais sentido sem você. E então, Romeu amou Julieta. A Noite abraçou o Dia. Ariel e Caliban se envolveram. O Bem sustentou o Mal. Heathcliff e Catherine se entregaram. O Cordeiro se apaixonou pelo Leão. O Homem de Ferro descobriu seu coração. O Mar envolveu a Praia. O Vampiro desejou a Humana. A Garotinha se apaixonou. A Inocência acabou. A Mocinha beijou o Vilão. A Vida abraçou a Morte.
─ Por quê? ─ Eu gritei. Eu não entendi porque isso tinha acontecido conosco. Era castigo.
─ Porque é proibido... ─ Ele simplesmente respondeu isso.
E só então eu entendi.
Por um momento, fez-se total silêncio ali dentro. Silêncio esse quebrado por palmas.
Palmas solitárias que ecoavam no enorme espaço. Mas eu não ligava pra isso. Os olhos de Percy ainda estavam presos aos meus e era isso que importava.
─ Ah, o amor, esse vermezinho nojento que faz as pessoas soarem assim tão ridículas... ─ Cronos disse isso e seus homens riram. ─ Agora mate-a.
Percy respirou fundo.
─ Me desculpe. ─ Ele sussurrou.
─ Eu sei. ─ Nossos olhos se encontraram mais uma vez e eu não pude conter o impulso. Me atirei em seu pescoço e o beijei. Foi um beijo calmo e cheio de paixão, interrompido bruscamente quando Cronos esbofeteou Percy, o jogando no chão.
─ Percy! ─ E a minha primeira lágrima daquela noite caiu.
─ Ou você a mata, ou eu mesmo faço isso. ─ Cronos ameaçou com a voz gélida.
─ Não. Eu faço. ─ Ele disse rapidamente, levantando-se e engatilhando a arma. Ele soluçava e chorava.
Cronos ria e eu fechei os olhos, esperando que aquilo terminasse.
Mas não foi o barulho de tiros que eu ouvi. Foi o barulho de portas arrombadas e tropas invadindo o local. Abri meus olhos, temendo o pior, reforços de Cronos. Mas fiquei confusa quando ele arregalou os olhos e sussurrou um “Não” sentido.
Depois, eu não vi mais nada, só senti os braços de Percy ao meu redor, seu cheiro se misturando ao meu enquanto ouvia gritos tiros e Cronos blasfemando.
Ele nos arrastou até os fundos do Fero Velho, atrás de uma pilha de sucata e beijou minha testa.
─ Eles vão me prender, você precisa ficar segura.
A ideia fez meu estômago revirar.
─ Vá, eu te dou cobertura. ─ Percy me olhou indeciso e me abraçou forte uma última vez e eu solucei. Peguei sua arma antes dele correr pra fora do galpão.
Eu dei um tiro para o nada, simulando um disparo que provaria que eu o matei quando a autópsia fosse feita. Depois disso, apenas caí no chão, chorando como nunca chorei antes, nem mesmo naquela noite.
E depois não lembro de mais nada.
–-X--
─ Annabeth! ─ Uma Thalia aliviada me apertou em um abraço quando eu abri os olhos, sensíveis à claridade.
Eu estava grogue e confusa, barulhos de tiros escoavam por minha cabeça me deixando tensa.
─ Comece a falar Thalia. ─ Eu disse. Ela suspirou e me soltou, sabia que discutir comigo era o mesmo que tentar convencer uma parede a usar vestidos.
Eu tentei me sentar a alguém me ajudou. Pisquei algumas vezes, ainda com a visão sensível e embaçada, me assustando quando ouvi um bipe.
Olhei para o lado e vi Bianca, sorrindo doce para mim.
Ao seu lado, estavam Leo, Charles e Afrodite.
Do outro lado da cama, Thalia, Nico, Piper e Jason sorriam complacentes para mim.
Comecei a reparar melhor onde eu estava. Reconheci a maca branca, as roupas de hospital, os aparelhos na cabeceira da cama e as paredes brancas.
Eu estava na enfermaria do CHB.
─ Thalia. ─ Recorri à ela, desesperada.
─ Tudo bem. ─ Ela suspirou e sentou-se ao meu lado na cama, segurando minha mão. ─ Na hora em que Percy ia atirar em você ─ Estremeci com a lembranças, finalmente lembrando de toda aquele confusão ─ Charles, Clarisse e Piper invadiram o galpão com uma equipe de apoio depois que Afrodite recebeu uma ligação de Silena que os avisou sobre a emboscada. Ninguém sabe ao certo como ela sabia disso, e quando rastreamos a ligação, encontramos um celular numa das lixeiras de Seatlle. Parece que ela fugiu. O fato é que graças à ela, Afrodite conseguiu coordenar uma operação, salvando você, e provocando um tiroteio. Alguns homens de Cronos foram presos, inclusive alguns próximos a ele. Outros, assim como o próprio Cronos, foram mortos durante o tiroteio. E depois de uma busca, encontramos você desmaiada nos fundos do Ferro Velho.
Ela terminou o seu relato sorrindo pra mim.
Digeri todas aquelas informações antes de falar:
─ Eu fui atrás de Percy. Ele fugiu quando tudo isso aconteceu e eu queria minhas respostas. Mas infelizmente ele me magoou demais. Ele estava tentando fugir quando o encontrei. Então eu atirei.
─ Você o matou? ─ Perguntou Piper.
─ Então é por isso que ele não foi encontrado... ─ Leo ponderou.
─ Seu corpo deve ter caído naquele riacho atrás do Ferro Velho. ─ Completou Bianca.
Eles acreditaram. Deu tudo certo.
─ Vou avisar Quíron. ─ Afrodite avisou, saindo do quarto apressada.
Eu olhei para todas aquelas pessoas ao meu redor, analisando as suas expressões. Mas ainda faltava alguém. Franzi a testa e perguntei:
─ Cadê minha mãe? ─ Imediatamente, Thalia soltou minha mão e todos na sala ficaram tensos. Eu suspirei, sentindo meu coração acelerar e os bipes aumentarem a frequência.
─ Annabeth. ─ Bianca começou e eu me virei para ela. ─ Durante a emboscada, no tiroteio, algumas pessoas do nosso lado também morreram. Sua mãe é uma delas.
Senti meu coração afundar e as lágrimas me dominarem outra vez.
Thalia rapidamente me abraçou e começou a sussurrar coisas em meu ouvido que eu ignorava.
Então é assim que eu acabaria?
Percy longe de mim, escondido por aí e minha mãe morta?
Perdi as duas pessoas que eu mais amava no mesmo dia. E cada uma delas levou um pedaço da minha alma consigo.
Eu nunca mais seria a mesma Annabeth Chase.
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