Notas iniciais
ÚLTIMO CAPÍTULO, CHOREM COMIGO! :'(

POV ANNABETH

Eu andava calmamente pelas ruas de Milão, apreciando a arquitetura gótica que predominava pelas ruas. Eu já estava morando aqui faz alguns meses, mas nunca deixava de me encantar com a beleza dessa cidade. O sol de começo da manhã ainda brilhava suave, porém começava a demonstrar que estaria quente naquela tarde de verão milanês. Sorri ao cruzar a rua, saindo do centro da cidade e sentando num dos inúmeros cafés italianos em um bairro elegante. Pedi apenas um macchiato, e enquanto esperava meu pedido chegar, comecei a ler um romance que eu carregava comigo pra todo lugar, meu livro favorito.

Mas eu não conseguia me concentrar na leitura simplesmente porque algo ficava martelando em minha cabeça.

Faz cinco anos, exatamente hoje, que minha mãe morreu na emboscada para Cronos.

Com um suspiro, coloquei o livro na mesa e me recostei na cadeira, olhando as pessoas indo e vindo apressadas pela calçada. Meu pensamentos vagaram para aquela noite, cinco anos atrás e eu não pude evitar de sentir um aperto desconfortável no peito.

Afinal, naquela noite eu não havia apenas perdido minha mãe. Eu havia perdido metade da minha alma também. As duas pessoas que eu mais amei nessa vida me deixaram ao mesmo tempo. Me lembrei de todo o luto que eu havia passado, as noites insones que eu virei chorando e o desespero tomando conta de mim toda vez que eu entrava no meu apartamento vazio, e eu sentia falta da minha mãe para poder pedir um conselho e a preocupação que me consumia, por ele.

─ Oh, eu não acredito no que estou vendo! ─ Uma voz doce e conhecida me despertou de meus devaneios.

Abri os olhos e encarei a bela moça ruiva à minha frente. Seus cabelos ruivos com cachos perfeitos brigavam com os olhos cor de mel de forma que a faziam parecer uma fada. Com movimentos graciosos, um sorriso espantado, ela sentou-se à minha frente na mesa.

Eu tinha a sensação de que já a conhecia, que ela era familiar, porém eu não conseguia me lembrar o porquê.

Franzi as sobrancelhas confusas:

─ Me desculpe, você deve ter se enganado... Acho que não nos conhecemos..? ─ A afirmação tornou-se uma pergunta no fim, fazendo a moça rir, um riso suave e gostoso. Novamente o dèja vu.

─ Annabeth, não seja tola, você não está me reconhecendo? Sou eu. Silena. ─ Ela sorriu acolhedora e eu arfei.

De repente, aquelas feições delicadas, a voz doce, o jeito manhoso associaram-se o nome e eu ri surpresa.

─ Lena! ─ Eu exclamei, me levantando para abraçá-la e ela fez o mesmo. ─ Eu não acredito nisso!

─ O mundo dá voltas Annabeth. Quem diria que nos encontraríamos aqui depois de cinco anos? ─ Ela afirmou e meu sorriso vacilou.

─ Silena, nós ficamos preocupados com você... Depois do que aconteceu, Quíron falou com a Interpol e explicou sua situação. Contou o que você fez, que nos ajudou naquela noite. Eles concordaram em “esquecer” sua ficha criminal por ter nos ajudado, mas você nunca apareceu... A notícia falsa que o Governo deu para a mídia era de que você estava morta, pois Silena simplesmente desapareceu! ─ Quando eu vi, já tinha soltado tudo, a fazendo rir.

─ É eu sei... Por isso eu estou aqui, disfarçada. Agora eu me chamo Allie McPown. ─ Ela afirmou e eu ri.

─ Seja como for, o CHB deu cobertura total à você.

Ficamos mais algum tempo conversando frivolidades da vida e sobre o passar dos anos, relembrando momentos passados com velhos amigos. Eu contei sobre como Charles ficou triste depois que ela foi em bora e resolveu deixar o Instituto indo para a América do Sul. Contei também que cinco meses depois do que aconteceu eu também deixei o Instituto.

─ Espera, você não é mais a Agente Chase? ─ Ela pareceu surpresa.

─ Não Lena. Depois do que houve eu fui “promovida” e passei a ocupar o cargo que era da minha mãe. Mas aquela experiência era tão dolorosa. Ele não estava mais do meu lado e tudo naquele Instituto me lembrava dela. Me doeu demais, então eu deixei a farda. ─ Sorri.

─ E o que você fez depois? ─ Ela perguntou interessada.

─ Entrei pra faculdade! ─ Rimos. ─ É, eu resolvi fazer arquitetura, seguir o exemplo do meu irmão. A diferença é que quando eu me formei, ano passado, eu me mudei pra cá e com o dinheiro que eu tinha guardado, abri um escritório e comecei a trabalhar por conta própria. Uma vida nova longe de todas as lembranças dolorosas. Infelizmente, também tive que abrir mão de ver o pessoal o tempo todo. Eu sinto tanta saudades de todos! A última vez em que eu os vi, foi no casamento de Leo e Bianca...

Silena riu.

─ Quer dizer que eles se casaram?! E Nico? O que achou disso?

─ É, pois é! Nico foi obrigado a aceitar, ele não podia fazer nada. Ele e Thalia estão enrolados nesses últimos anos. Se amam e vivem juntos, porém estão sempre discutindo. Piper e Jason estão noivos, sabia?

─ Ual, quanta coisa aconteceu... ─ Ela refletiu. ─ Então quer dizer que você deixou o Instituto e agora leva a vida de uma arquiteta em início de carreira em Milão. O destino gota de brincar não é? Nós duas resolvemos recomeçar nossas vidas aqui!

─ Quem diria, Lena, que um dia acabaríamos assim?

Nós rimos.

─ Mas me conta. ─ Ela disse depois de tomar um gole do café que ela havia pedido. ─ Você está namorando, casou..?

Eu ri.

─ Não Lena. Meu coração ama outra pessoa. Alguém impossível. Eu não consigo seguir em frente...

Pensei em Percy e em todas as minhas tentativas falhas de “seguir em frente”.

Lena sorriu, se levantando e pagando a conta. Logo depois me puxou pelo braço, conduzindo-me pelas ruas agitadas de Milão.

─ Ótimo. Você não está ocupada agora, não é? ─ Ela não me deixou responder. ─ Você tem que ir a um lugar comigo.

Eu ri de seu jeito imperioso que não mudara nada, enquanto a bombardeava com perguntas, perguntas essas que ela fazia questão de não responder.

Andamos por um tempo, saindo totalmente do centro da cidade, entrando em um dos bairros de Milão.

Quando finalmente paramos em frente ao que parecia ser uma escola, com crianças correndo e brincando, mães preocupadas, professoras desesperadas. O prédio era uma construção baixa, porém elegante. Os tons pastéis e vermelhos davam ao local um ar aconchegante por detrás dos portões de ferro negro.

─ Annabeth, quando eu vim para Milão, eu não estava sozinha. Comigo veio Grover, um colega meu lá da facção e uma garota por quem ele se apaixonou e que seria escravizada no México, o nome dela é Juníper. Veio também uma família, que já sofreu muito por causa de Cronos e seus esquemas da máfia. Não pudemos recusar ajuda quando eles chegaram até nós, prestes a embarcar. Pai, mãe e filha. Por isso eu pintei meus cabelos de ruivo. Eu me passo pela irmã da mulher. ─ Ela terminou de falar e eu me perguntei onde ela queria chegar.

Silena apontou para algum ponto atrás de mim, sorrindo e eu me virei.

Ao longe, um casal caminhava de mãos dadas, sorrindo. Ela era muito bonita, não muito baixa nem muito alta, ruiva e de olhos negros. Ele era bem alto, tinha cabelos castanho claro e cacheados, olhos extremamente verdes e feições gentis. Quando viram Lena, caminharam até nós. Ela acenou para o casal e depois me virou de frente para os portões da escola outra vez, me obrigando a olhar pra dentro.

─ E ali está a garota. ─ Um lampejo ruivo chamou minha atenção.

─ A ruiva? ─ Eu ri.

─ Sim.

A garotinha tinha longos cachos alaranjados que eu reconheci com um ofego. O casal ao parecia ser familiar pra mim, mas mesmo de tão longe, eu conhecia o sorriso sapeca da garotinha ruiva, as bochechas rosadas, e embora eu não conseguisse ver, eu sabia que seus olhos eram mais verdes que o mar de verão.

Senti meus olhos marejarem quando Lisel correu direto para os braços de um moreno de olhos verdes, que a ergue do chão, os girando em círculos, os dois rindo.

─ Depois de um ano morando aqui, o tio dela apareceu, irmão de Tyson. Eu não si como ele conseguiu nos encontrar, mas ele de fato, está tentando recomeçar sua vida ao lado de sua família. Pena que o coração dele sofre tanto por um amor impossível.

Cinco anos sem ouvir sua risada. Cinco anos sem ver o brilho dos seus olhos verdes. Cinco anos sem fazer carinho nos seus cabelos negros rebeldes, Cinco anos sem acordar sentindo seu cheiro do meu lado, na cama. Cinco anos de lágrimas de saudade. Cinco anos de desespero preocupado. Cinco anos de angústia e dor, cinco anos de saudades.

Cinco anos sem viver.

Era isso que eu sentia todo esse tempo, era isso que me impedia de amar outra pessoa e de “seguir em frente”.

A certeza de que ele estava em algum lugar por aí, refazendo sua vida longe de mim, tentando ser feliz sem mim.

Senti meu coração virar chumbo e falhar duas batidas quando eu o vi com Liesel em seus braços. Lena me abraçou e a única coisa que eu fiz foi chorar em seu ombro. Chorar de alívio, chorar de saudade, chorar de tristeza.

Eu não sabia, eu só conseguia pensar nele, ali tão perto de mim e chorar.

Lena me abraçava forte e eu sentia alguém afagar meu cabelo.

Depois de alguns minutos, quando eu me acalmei e senti meus membros formigarem, ansiando por seu toque mais uma vez depois de cinco anos, eu percebi que Ella me tocava com carinho e Tyson me olhava gentil.

Eles sabiam o quanto eu amava Percy, e ao que parece, Lena também. Eu não sabia o que fazer, só sentia uma estúpida ansiedade, querendo ouvir sua voz e olhar em seus olhos.

Eu não conseguia pensar em todo aquele sofrimento que eu senti aquela noite, tudo era anulado por suas palavras de arrependimento, pelos momentos felizes que vivemos juntos, todas as horas de amor que passamos.

Era tão difícil pra mim, depois de cinco anos, lá estavam os lobos outra vez, gritando e rasgando dentro de mim. A traição de Percy, o fato de ele ter abusado da minha confiança e brincado comigo. Mas as consequências disso, ele jurou que aprendeu a me amar.

Eu me sentia uma anomalia, sem saber o que pensar direito.

Mas de que adianta eu pensar se eu sei que quando olhar dentro daquela imensidão verde, eu esqueceria de tudo? E apenas me lembraria de seu beijo.

─ Eu não posso fazer isso Silena. ─ As lágrimas voltaram a escorrer.

O sorriso de Lena transformou-se em um semblante aflito.

─ Annabeth, vocês se amam, não houve um dia se quer sem que ele mencionasse seu nome, ou chorasse por seu sorriso. ─ Lena começou.

─ Nos cortava o coração toda vez que ele chorava de saudades de você, mas não ousava te procurar temendo sua vida. ─ Ella continuou.

─ Tenho certeza de que isso foi tão difícil pra você quanto pra ele. ─ Tyson por fim falou e as lágrimas ardiam em minha pele. ─ Annabeth, eu conheço meu irmão melhor que qualquer um, a não ser você talvez. Eu sei que Percy só é ele mesmo ao seu lado! Eu nunca o vi tão abatido, nem mesmo voltar a dar aulas, a coisa que ele mais ama nessa vida é ensinar para essas crianças, conseguiu fazê-lo feliz, feliz do jeito que ele era quando estava com você. Sabe o que é ver Liesel tentando consolá-lo? Dói na alma o ver daquele jeito. Ele está arrependido Annabeth, eu tenho certeza. Entendea que ele não teve escolhas quando fez o que fez. Você precisa saber de tudo. ─ Tyson me puxou para um banco ali perto e nos sentamos. Eu ainda chorava. ─ Quando Percy tinha 15 anos e nossos pais tinham acabado de separar...

Durante meia hora eu escutei Tyson contado o que seu irmão teve que passar. E então eu tive certeza do que deveria fazer.

Lembrei de quando nos conhecemos e Percy mentiu pra mim dizendo que sua mãe era escritora em Washington. E Tyson me falando que ela tinha sido morta.

Imaginei a dor que ele sentiu ao contar essa mentira pra tentar me convencer.

Lembrei da primeira vez que ele disse eu te amo, na primeira noite em que transamos, e como ele nunca mais tinha me dito aquilo.

Ele foi obrigado a dizer que me amava pra me convencer.

Eu não aguentava relembrar esses momentos que deveriam ser tão dolorosos para ele quanto são para mim.

Acho que tomei minha decisão.

–-X--

O sinal havia tocado, Tyson, Ella e Lena foram levar Liesel pra casa, depois dela me dar um abraço demorado e me contar o que tinha acontecido com Tio Percy. Liesel já tinha 10 agora e era muito apegada ao tio, que pelo que Lena me contou, era mais ciumento com ela do que pai.

Agora eu caminhava pelos corredores da escola antiga, agora vazia e silenciosa, tentado achar a sala onde Ella me disse que Percy estaria.

Eu já sabia de tudo e entendia o que ele passou e o que ele fez, entendia também que o que eu sentia não era vago, muito menos uma via de mão única.

Enquanto andava, eu não sentia mais minhas pernas, meu corpo estava tenso, o coração disparado. Eu sentia o suor escorrer na minha nuca e um sorriso bobo brincar em meus lábios.

Quando finalmente cheguei na porta de sua sala de aula, que estava aberta, suspirei. Percy estava curvado sobre a mesa, sorrindo para os desenhos de seus alunos. Ele nem notou quando comecei a caminhar para dentro da sala, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Minha respiração estava acelerada e eu já não sentia mais o chão debaixo dos meus pés. Todos os meus sentidos estavam focados em Percy.

─ Percy? ─ Perguntei em voz baixa.

Ele se virou pra mim, levantando-se rapidamente. Ficou parado por um momento apenas me fitando. Uma lágrima desceu idiotamente pela minha face, enquanto ele dava dois passos em minha direção, nos deixando cara a cara, com um sorriso enorme desenhado nos lábios.

Ele levantou polegar e enxugou a lágrima teimosa e todo o meu corpo se arrepiou ao seu toque. Meus braços voaram para seu pescoço, uma de suas mãos na minha cintura e a outra no meu rosto. Ele me olhou nos olhos por um momento e eu vi sua alma refletida neles. Então me abarcou forte, sem dizer uma palavra, enterrando a cabeça na curva de meu ombro. Eu afundei meu nariz em sua nuca, sentindo o seu cheiro me embriagar mais uma vez, apreciando seu toque, sua pele, seus cabelos macios.

E, em perfeita sincronia, deixamos nossos lábios se encontrarem, embarcando em um beijo longo, repleto de saudade, desejo e sinceridade.

─ Eu... Annabeth... ─ Ele tentou falar, mas eu o interrompi com um beijo.

─ Eu sei Percy, eu sei. ─ Encostei minha testa na sua e apenas ficamos assim: ofegantes, fitando os olhos um do outro, minhas mãos passeando por seu corpo, assim como as suas.

Não sei por quanto tempo ficamos assim.

Só sei que nos beijávamos e tentávamos diminuir a saudades, mas todo toque parecia ser pouco, as palavras pareciam não dizer nada e o tempo muito curto.

Percy me conduziu pra fora da escola e me abraçou quando chegamos na rua, me erguendo do chão e nos girando enquanto me beijava.

Parecíamos dois adolescentes bobos, amando pela primeira vez.

─ Eu nunca, nunca, nunca mais vou me separar de você. ─ Ele disse. Eu fechei os olhos apreciando sua voz.

─ Você não teria coragem. Se você me deixasse eu te mataria e dessa vez, seria pra valer.

Ele me encarou e nós rimos.

─ Eu te amo, Annabeth.

─ Eu te amo Percy.

Ele me puxou para seus lábios em um beijo calmo e ao mesmo tempo urgente.

E eu tive certeza.

Esse seria o primeiro de muitos “Eu te amo”.

─ Por que você me ama? ─ Eu perguntei quando interrompemos o beijo.

Ele riu e me beijou outra vez. Eu insisti:

─ Por quê?

─ Por que é Proibido.

Notas finais
É pessoal... É isso! Acho que nosso tempinho juntos aqui em Is Prohibited acabou não é?Por um lado eu estou mega feliz por terminar minha primeira fic. Mas por outro estou triste por deixar vocês,meus primeiros leitores. De verdade, eu queria agradecer de coração à todos que leram essa bagaça, deixaram um review e me fizeram sorrir, favoritaram e me deixaram nas nuvens e às meninas que deixaram uma recomendação, me fazendo ter um ataque cardíaco! É pessoal... Acabou! Vou sentir falta de vocês, de verdade... Mas quando quiserem conversar comigo, me mandem uma MP, me chamem no Twitter, leiam meus textos no tumblr, enfim, vão lá no meu perfil e se divirtam ;) Se vocês ainda quiserem ler uma fic minha, leu estou postando duas Percabeth e um Original, adoraria ter vocês como leitores mais uma vez! É isso! Muito, muito, muito obrigado à todos que tornaram essa fic possível e me ajudaram a chegar até aqui. Beijim meus amores, eu amo vocês
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!