Is Prohibited
3 Lembranças
Notas iniciais
*-*
Bem, vou deixar vocês lerem esse capítulo, que na minha opinião ficou confuso, enrolado e sem noção, (mas no fim ficou fofinho ^^).
Mãs, nas notas finais gostaria de pedir um mega favorzão pra vocês...
Bem, sem mai delongas,
Boa Leitura!
─ Isso não pode estar acontecendo. ─ Thalia batia sua cabeça metodicamente contra a mesa prateada usada em autópsias. ─ Isso não pode estar acontecendo.
─ Para com isso! ─ Jason reclamou, segurando sua cabeça por trás, com uma das mãos, sendo que a outra estava ocupada com um copo de café. ─ Você parece um zumbi, Lia.
Jason e Thalia eram irmãos. “ Os Encrenqueiros Grace”. Mas Jason não trabalha no CHB. Ele só vem encher o saco quando não tem o que fazer. Na verdade, Jason vive atarracado debaixo da asa do papaizinho. Não trabalha, não estuda, não faz nada. Um perfeito playboy.
─ Por que tem que ser a mesa de autópsia? É sério, quem escolhe o lugar onde essas reuniões são feitas? Pelo Olimpo, toda vez que eu venho aqui, tenho a sensação de que vou jantar as nádegas de algum pobre coitado que caiu nas teias do crime nova yorquino...
A sala desandou a rir com meu comentário nem um pouco propício...
Era necessário. Pelo menos consegui desanuviar a tensão que pairava sobre as cabeças dos condenados que se encontravam nessa sala.
Zeus presidia a reunião na cabeceira. Minha mãe, sentada do lado direito, olhava atentamente seu notebook. Apolo, à esquerda de Zeus, nosso médico legista, o cara das autópsias, encarava o teto, apático. Ao seu lado, Leo Valdez, nosso querido “mestre bélico”, especializado em desenvolvimento e estruturação de armas, brincava com algum novo projeto, provavelmente. Depois vinha Clarisse e seus gloriosos olhos enigmáticos, outra agente de campo, encarando Jason, á sua frente, atrás da cadeira de Thalia, sentada entre minha mãe e Quiron, o “gerente” do CHB. Seguindo a ordem, a dupla de campo da Clarisse, Nico Di Angelo, sempre enigmático e fechado, brincava com um canivete em cima da mesa. Ao lado da Clarisse, Afrodite, responsável pela organização e arquivamento dos casos. Ao lado do Nico, sua irmã, Bianca, que juntamente com Reyna, Pipper e Chris, formavam nosso time de peritos criminais, investigadores de cena.
Então Luke, o maníaco de New York havia escapado. De uma das celas de segurança máxima das prisões de Manhattan. Eu não sabia o que era pior. Thalia estava descontrolada, fora de si na maioria das vezes. Luke e suas mentiras a afetaram muito mais do que a mim. Ou talvez não. Talvez eu só saiba mascarar meus sentimentos mais eficazmente. Thalia era durona, mas com certeza era um livro aberto no capítulo “Emoções e sentimentos”!
Ou talvez fossem todas aquelas lembranças pútridas que invadiram minha mente e romperam a delicada barreira de sanidade que eu havia criado nos últimos quatro anos, como se ela fosse plástico bolha nas mãos de uma criança. E, como consequência, os pesadelos desconexos que voltavam a povoar meu sono, sempre inquieto.
Ou quem sabe eu só estivesse irritada com a inevitável carga extra de trabalho que teríamos que encarar. Mas, para mim, essa era a opção menos provável. No fundo, no fundo, eu sabia que reviver aquele conto macabro, como se eu estivesse lendo a resenha de um livro – com todos os detalhes pesados, prós e contras, análises detalhadas de cada cena, tópicos importantes explanados, trechos marcantes relembrados – estava consumido com as poucas forças que me restavam. Pessoas próximas a mim viam isso. Mas elas fingiam que não perceberam nada pra que minha autoconfiança não fosse abalada, meu autocontrole permanecesse intacto. Bom, más notícias: Isso não funcionou.
Eu podia sentir a razão se esvaindo de minha mente, como areia correndo pelos meus dedos. Eu sabia que não conseguiria aguentar por muito mais tempo. Então eu fiz o que sabia fazer de melhor. Isolei-me do mundo, comecei a compor a máscara de indiferença que esconderia minha dor e meu medo pelos próximos dias, enquanto a caçada recomeçava. Plim, plim! Segundo raund.
─ Bom, dois casos de estupro seguido de homicídio já foram identificados durante os dois dias em que Luke esteve a dançar sob o sol. Um no Brooklyn e um no Queens. A primeira vítima é Alice Joker, loira, 32 anos, manicure. A outra, Penny Split, tem 22 anos, loira, trabalha como babá. Nenhuma das famílias deu queixa, pois sabiam que as duas estavam com o “namorado”. Elas não se conheciam. O único padrão que pudemos constatar aqui, foram os cabelos loiros, ─ Atena relampejou o olhar em minha direção. Baixei os olhos para a superfície plana e espelhada da mesa de autópsias. ─ já que os bairros ficam em extremos opostos da cidade, as idades não coincidem, muito menos as profissões.
O silêncio tornou-se pesado na sala. Todos já tinham percebido a lógica de Luke. Eles só estava atacando loiras. Assim como eu. “Meu Deus o que eu fiz pra merecer isso?”. Na verdade eu queria me desmoronar em lágrimas, sair do país, ir pra longe de tudo isso. Mas eu não ia vergar perante ele. Não depois do que ele me fez passar. Não depois do que ele fez com Thalia. Não depois do que ele fez com tantas outras garotas inocentes, que tinham sonhos e medos pra realizar e superar. Eu vou me vingar, custe o que custar.
─ O.k. Eu vou fazer a exumação dos corpos, ver se eu encontro o sêmen, comparar as amostras e o modus operandi. ─ Apolo quebrou o silêncio depois de alguns minutos. Com essas palavras, todos os presentes na sala pareceram despertar imediatamente.
─ Se é assim, Nico e eu vamos conversar com as famílias das vítimas, amigos e testemunhas. ─ Se manifestou Clarisse.
─ Eu e Pipper vamos investigar a cena do crime de Alice, enquanto Chris fica responsável pela cena de Penny. ─ Bianca disse isso decidida.
─ O.k., eu vou falar com o departamento policial responsável pelo caso, tentar conseguir as armas usadas no crime, ver se coincidem e procurar digitais. ─ Leo disse, levantando-se.
─ Eu vou verificar as digitais e os arquivos assim que a exumação e a análise das armas ficarem prontas. ─ Afrodite exclamou olhando de Apolo para Leo.
─Muito bem, eu vou analisar os dados que forem encontrados, descobrir o paradeiro do assassino e encontrar alguma lógica nisso tudo. Quíron, vou precisar da sua ajuda. ─ Minha mãe intimou-o.
─ Faremos o que for preciso pra que ele seja encontrado. ─ Finalizou Zeus, levantando-se de sua imponente cadeira na ponta da mesa.
Todos estavam agindo. Sem que ninguém pedisse. Estavam fazendo isso por conta própria. Trabalho extra no fim de semana e nem se importavam. Eu sabia que eles estavam querendo ajudar. Sabia que estavam fazendo isso para ajudar Thalia e eu. Porque eles sabiam o quanto isso nos deixava abaladas. Tanto que eu não ouvi uma vez sequer o nome Luke ser pronunciado durante toda a reunião. Estavam todos tentando fazer com que isso pareça ser só mais um caso costumeiro, algo comum dentro do CHB.
Mas não era!
─ Chega! Parem com isso! ─ Não fui eu quem explodiu, embora estivesse prestes a fazer o mesmo. ─ Por favor, não nos obriguem a passar por isso outra vez... É como se o mundo estivesse ruindo em cinzas e vocês estivessem discutindo a pontuação da NBA com nachos e cerveja. ─ Thalia explodiu, com as mãos coladas nas têmporas, como se isso pudesse diminuir a dor.
─ Ela tem razão. ─ Eu tinha que falar ou acabaria entrando em combustão espontânea. ─ Não importa o que vocês façam, não vai mudar o que aconteceu. Nem mesmo se tratarem tudo com essa indiferença mal encenada. Podemos ver que se preocupam conosco. Que querem nos ajudar. Mas vamos encarar os fatos. Ninguém aqui está lidando com suspeitos ou um assassino como nos outros casos. Todos têm um nome em mente. O mesmo que está nos tirando o sono nas últimas duas noites. É inútil fingir que ocultando os fatos vocês vão atenuar a dor ou as lembranças. ─ Levantei-me, de repente irritada, como se eu precisasse liberar o fluxo contínuo de sensações antes que elas tomassem conta de mim. ─ Por favor, se alguém aqui realmente se importa comigo e com Thalia, não finjam que isso é só mais um dia de trabalho normal. Eu nem seu porque eu estou tão irritada! ─ Então eu me vi gritando, batendo na mesa, causando um eco agudo pela sala branca cheia de monitores e aparelhos cortantes. ─ Me desculpem, minha cabeça está... uma confusão. Não consigo distinguir as coisas. Está tudo muito misturado. Eu preciso... de...
Suspirei, deixando a frase morrer ali, e saí da sala apressada, caminhando sem rumo pelos corredores metálicos e monótonos, somente querendo sair antes que qualquer um pudesse se manifestar ou se recuperar do choque inicial. A doce Annabeth explodindo não é uma coisa muito comum de se ver. Mas a minha cabeça estava realmente uma confusão. Quer dizer, eu deveria estar feliz por eles tentarem fazer alguma coisa pra tornar tudo isso menos doloroso! Até Clarisse estava querendo ajudar! Eu tinha que reconhecer que eu e Thalia tínhamos os melhores amigos desse mundo. Mas ao invés disso eu faço o que? Claro, explodo, pelo motivo mais idiota do mundo, os ridicularizando por estarem nos ajudando durante essa fase tão conturbada de nossas vidas,
─ Parabéns Annabeth! Aqui está o seu Prêmio Nobel de Mongolóide do Ano. ─ Falo sozinha e me vejo no terraço, o vento frio batendo em meu rosto, fazendo meus cabelos voarem pra longe dos meus olhos cinzentos, que brilham com uma mistura de lágrimas, frustração e raiva. Principalmente raiva.
Me debruço nas grades de proteção, encarando os trinta e quatro andares abaixo. “Seria tão fácil acabar com todos esses problemas. É só eu me debruçar um pouquinho mais e deixar o vento terminar meu trabalho. E bam! Cinquenta e oito quilos de Annabeth amassada no concreto. “
Mas antes que eu pudesse concretizar esse pensamento infantil, alguém para ao meu lado, encarando o céu ao invés do chão, e eu percebo que é Nico. Ficamos em silêncio por um tempo relativamente longo até ele se virar e capturar meu olhar cinzento, percebendo todas as emoções existentes nessas órbitas geladas. Percebo a compreensão dar lugar à preocupação em seus olhos cor de breu. Sem dizer nada, ele me puxa pra seu peito, prendendo-me em um abraço de urso, afagando os cachos dourados, descendo em cascatas pelas minhas costas. Resisto no começo. Sempre percebi que Nico tinha certa inclinação à mim, e eu não queria criar falsas expectativas ou esperanças sem fundamento. Não agora.
Mas me lembrei de que ele e Thalia estavam começando a se entender e eu podia sentir seu olhar emanar desejo quando ele a olhava. Um consolo amigo talvez fosse tudo de que eu precisasse agora. Aos poucos fui me entregando a seu abraço, enlaçando suas costas largas com meus braços finos, aconchegando minha cabeça na curva de seu pescoço, sentindo o perfume suave que subia de sua pele pálida.
Então, num rompante, as lágrimas desceram. Insolentes, sem aviso, como se fossem donas do mundo. Nico estreitou os braços à minha volta e meu corpo começou a chacoalhar em soluços desesperados de um desabafo contido por anos. Eu sentia as lágrimas lavando toda a dor e medo que existiam dentro de mim, carregando as minhas incertezas, mágoas, solidão e desespero para um depósito longínquo onde nem o tempo pudesse alcançar.
Nico ficou lá, me consolando e afagando em silêncio, enquanto os minutos escapavam junto com meu choro.
─Lembra daquela vez em que Bianca tentava me explicar como usar o arco e flecha? ─ sua voz melodiosamente grave rompeu o silêncio da noite, me surpreendendo com a pergunta.
É claro que eu lembrava! Tínhamos 17 ou 18 anos e sua irmã, Bianca, concordou em ensiná-lo a usar o arco e flecha. Mas ele era péssimo. Não me pergunte como, mas a figura aqui conseguiu acertar a própria perna. Meu Deus, parece que isso aconteceu a tanto tempo, em outra vida!
─ Claro que sim! ─ Consegui rir com a lembrança. ─ Você ficou cinco dias no hospital e precisou de uma transfusão de sangue, porque sua perna não parava de sangrar enquanto Jason dirigia no trânsito caótico, costurando, até chegar ao hospital. Lembro como se fosse hoje: Bianca tinha a tipagem sanguínea da sua mãe enquanto você possuía a do seu pai. Tive que doar um litro de sangue pra salvar a sua vida! ─ Dei um leve soco em seu ombro, brincando, e ele fingiu se encolher de dor, me arrancando outro sorriso.
─ É. E vocês se revezam me visitando o hospital durante aqueles cinco horrorosos dias! Eu não via a hora de ir pra casa. E todos os dias alguém invadia o meu quarto no hospital de madrugada, contrabandeando Mc Lanche Feliz, Coca-Cola e algum filme de terror idiota. Passávamos a noite toda acordados, todo mundo fazia as minhas vontades! Ah, aqueles foram meus dias de glória! ─ ele parou, suspirando e fazendo uma careta e me arrancando outro sorriso. ─ Nós estamos aqui, Annabeth. ─ Ele exclamou depois de algum tempo em silêncio. ─ Sempre estaremos. Mesmo quando errarmos e não conseguirmos ajudá-las como deve ser, quando tomamos as escolhas erradas e agimos errado, vamos estar aqui. Assim como vocês estavam sempre comigo enquanto eu aproveitava a minha estada no hospital. Porque os amigos são pra essas coisas, não é mesmo?
Desmanchei o abraço e capturei seu olhar brincalhão, quase que se podia tocar a sinceridade que despendia deles. Limpei meu rosto em sua camisa, sorri pra ele e caminhei em direção à porta que levava pra dentro da cede do CHB novamente.
─ Ah! ─ Disse me virando em sua direção, chamando sua atenção. ─ Você ainda está me devendo aquele litro de sangue, Walking Dead!
Notas finais
Sua opinião é muito importante ^^
E a gora o favor...
Chente, eu gostaria de recomendar pra vocês a leitura de duas fics maravilhosas de leitoras divas e maravilhosas daqui!
Essa, que se chama Heroes, da linda da Jensen Delights. É uma história maravilhosa, sobre os heróis e heroínas anônimas que encontramos por aí. É muito bem escrita e tem um enredo maravilhoso, aposto que vocês vão amar tanto quanto eu!
http://fanfiction.com.br/historia/410135/Heroes/
E essa aqui, da minha Diva, Mary Jackson, de Harry Potter, uma fic interativa, ou seja, você pode criar um personagem ^^ Enfim, é maravilhosa pelo que eu li até agora, e como a Mary sempre me atura em todas as suas fics, não custa nada deixar aqui a minha recomendação de leitura, porque ela escreve definitivamente bem!
http://fanfiction.com.br/historia/413836/The_Slytherin/ageconsent_ok
É isso, então pessoal, até o próximo.
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