Is Prohibited
14 Decisões - Bônus Especial
Notas iniciais
POV MISTERIOSO 2
A madrugada avançava trazendo um calor insuportavelmente grande consigo. O tempo em NY estava ficando cada vez mais confuso, o que me agradava. E sem aviso prévio, grossas gotas de chuva se chocaram contra minha janela. Ri e voltei a sentar na poltrona atrás de minha mesa, bebericando a vodca com calma, apreciando a reação de minha boca à bebida forte. Eu gostava dessa sensação.
Fui interrompido por Silena que entrou na sala com o semblante carregado. Imediatamente fechei a cara. Mais problemas não. Não é possível que mais alguma coisa tivesse dado errado?
─ Estou chegando do Instituto agora. Rachel deixou uma pista no corpo de Zoë, foi por isso que me avisaram ontem à noite. O corpo dela era pra estar limpo, como foi combinado que seria com o Ciclo da Morte. E o pior, Clarisse e Bianca conseguiram descobrir do que se tratava. ─ Ela me contou quase assustada com a minha reação.
Sem perceber, o copo na minha mãe estourou, tamanha a força com que o segurei. Maldição.
─ E o que Rachel fez no corpo da agente? ─ Perguntei, em busca de algo que pudesse concertar as coisas.
─ Segundo as duas, uma constelação. A constelação d’O Arqueiro. Eu não sei o que isso significa. Se Rachel estivesse viva...
─ Chega. ─ Gritei a interrompendo. Ela se contraiu e minha imediatamente minha cabeça começou a latejar em função do stress. ─ Jackson está fazendo sua cabeça também? Só porque você era amiguinha da Rachel não quer dizer que também pode decidir quem vai morrer ou não. Isso é função minha. Mas o que foi que deu nos meus soldados? ─ De repente aumentei o tom de voz, fazendo Silena arfar ao ouvir o timbre carregado dela. ─ Estão todos contestando minhas decisões, se recusando a matarem!
Me levantei da poltrona e Silena me olhou assustada, indo até o canto da sala.
─ Essa constelação, esse desenho, vai atrapalhar nossos planos?
─ Quando ninguém estava olhando, eu fui até o corpo de Zoë estudar a tal constelação. ─ A voz dela saiu mais baixa do que o normal. ─ Demorei um bom tempo até notar o que era. Tinham alguns pontos em destaque, algo de familiar. E então eu percebi que era um mapa. ─ Olhei para ela, confuso. Como assim um mapa? ─ Ele mostrava os locais de todos os assassinatos, inclusive os que ainda vão acontecer. Poderia colocar tudo em risco.
─ E o que você fez?
─ Tranquei a porta e modifiquei alguns pontos. Editei as fotos e joguei as originais fora. Não sei se será o suficiente para driblá-los, mas... Foi o melhor que consegui fazer.
Fiquei algum tempo em silêncio, tentando absorver tudo o que ela me disse.
─ Maldição. Tudo por culpa daquela vadia. E agora ela está morta, não pode nem pagar pelo que fez direito. ─ E então eu perdi a cabeça. Eu gritei. Um urro tão forte e medonho que fez minha garganta sangrar. Eu pude sentir todo o meu autocontrole se esvaindo.
E então ouvi os gritos de Silena se misturando aos meus. Isso só serviu para que meu ódio crescesse. Um monstro se rompeu dentro de mim, assumindo o controle. Eu já não respondia por mim. Me aproximei da frágil garota e arremessei sua cabeça na parede, numa tentativa descontrolada de dominar minha fúria. Pude ver seus olhos perderem o foco e sentir sua garganta sufocar. Agarrei seu pescoço e o apertei o mais forte que eu pude. Em nenhum momento parei de gritar, eu senti toda a tensão e raiva acumulados em mim nesses últimos dias, enfraquecendo.
De repente senti alguém agarrar meus ombros, me puxando para trás. A razão voltou a mim como uma flecha. Eu quase havia estragado tudo. Soltei o pescoço de Silena e ela caiu no chão quase inconsciente. Respirei fundo e me virei para ver quem tinha me tirado desse transe. Encontrei os profundos olhos verdes de Percy me encarando num misto de raiva e medo.
Dois dos meus soldados se aproximaram e tiraram Silena da sala. Encarei Percy esperando ele falar, mas a única coisa que ele fazia era me olhar embasbacado.
─ Não deveria estar com a Chase? É madrugada você deveria estar aproveitando enquanto pode, garoto apaixonado. ─ Desdenhei.
Tentei agir como se nada tivesse acontecido, como se eu não tivesse quase matado Silena e perdido o controle por um momento.
Isso fez com que ele falasse.
─ Ela ainda está no Instituto. Parece que Rachel fez um ótimo trabalho. Eles estão ocupados com a morte da Zoë e da Rachel, principalmente com o recadinho que nossa querida ruiva deixou. Quando Annabeth chegar tentarei descobrir o máximo que eu puder.
Assenti pensando no que fazer. Acho que agora só me sobra uma alternativa.
─ Chame Ethan. Acho que precisaremos fazer algumas mudanças dentro da facção.
Percy saiu apressado. Depois do meu momento de descontrole, ninguém teria a ousadia de me contrariar.
Durante um tempo, a sala ficou em absoluto silêncio. Somente a chuva batendo, agora mais forte, na janela me fazia companhia. O calor ainda permeava as paredes do meu escritório. Meu cérebro havia assumido um estado de torpor indeterminado. Eu precisava de uma saída. E rápido.
─ Senhor. ─ A voz grave e comedida de Ethan Nakamura me libertou do transe. ─ Me chamou?
Percy sentou-se no pequeno sofá ali perto, esperando para ver o que aconteceria.
─ Sim. Não podemos mais esperar. As coisas estão se complicando. Precisamos agir antes do previsto. Chegou a sua hora de mostrar que tem potencial, que pode ser um dos meus eleitos e que merece minha confiança. Eu estou mais do que satisfeito com seu trabalho aqui dentro, mas eu preciso que você se saia excepcionalmente bem agora. ─ Andei lentamente até Nakamura, observando suas reações. Ao contrário da maioria, ele não se encolhia ao ouvir minha voz ou desviava seu olhar do meu. Sua cabeça permanecia erguida. ─ Você irá matar Silena Beauregard.
Ethan Nakamura sorriu frio e eu soube que tinha feito a escolha certa.
–- X--
POV SILENA
Ao acordar senti minha cabeça latejar e vi galáxias. Fechei os olhos fortemente e soltei um gemido de dor. Assim que a pontada latejante abrandou, olhei em volta, percebendo que estava na enfermaria da sede da facção. Minha cabeça girou e por um momento fiquei confusa, eu não lembrava de nada do que havia acontecido.
Ao tentar levantar, senti uma pressão desconfortável em meu pescoço, e com ela, tudo o que tinha se passado durante a noite voltou à minha mente.
Ele estava ficando louco! Eu precisava agir...
Rapidamente, peguei meu celular e liguei para Grover. Eu sabia que ele também estava descontente com a maneira como ele agia.
─ Lena? Você está bem? ─ Ele atendeu no primeiro toque e ouvir sua voz carregada de preocupação fez com que um pequeno suspiro deixasse meus lábios a contragosto.
─ Sim, Grover. Eu preciso sabe o que aconteceu depois que eu saí. ─ Não havia tempo para formalidades.
─ Silena, você precisa fugir. Ele quer te matar! ─ Ao ouvir isso, desabei na cama. Minha cabeça tornou a girar e eu me lembrei do que Percy havia me dito alguns meses atrás...
FLASHBACK ON:
─Lena, ele vai matar um de nós. Se ele te oferecer a proposta de entrar no esquema, recuse e fuja! Grover me disse que estão precisando de alguém para coordenar os esquemas de prostituição na Angola. Peça à ele para você ser enviada para lá, não aceite a proposta no caso!
─ Bobagem, Percy! Por que ele mataria algum dos nossos? Além disso, ele nunca faria mal a mim, eu sou sua protegida.
─ Lena... Tome cuidado. Quem brinca com fogo é para se queimar.
FLASHBACK OFF.
Na hora, eu havia rido dele. Mas agora sei que aquele monstro não tem coração, não consegue ter o mínimo de afeto por ninguém. Ele não tem amigos. Ele mantém um círculo de presas para o abate, prontas para serem sacrificadas quando as coisas se complicam.
Amaldiçoei mela milésima vez o dia em que eu havia aceitado a proposta de Luke e me tornado um monstro. Eu não era assim, nunca fui esse pedaço de lixo que todos os que o seguiam eram. Eu não podia mudar o meu passado, mas poderia manipular o presente por um futuro diferente.
─ Percy suspeita que ele vá colocar outra pessoa no seu lugar. Ele precisa da confiança de todos. Eu acho que ele implantou uma escuta dentro do Instituto, pois não confia mais no julgamento de Percy, ele sabe que Annabeth é mais esperta do que Jackson revela. ─ terminou Grover.
─ Percy está cego pela paixão. ─ Emendei.
Paixão.
Me lembrei de Charles, o garoto carinhoso por quem me apaixonei dentro do CHB. Neguei uma aproximação maior com ele, temendo por sua segurança e agora vejo que eu estava certa. Pecry colocou sua família e Annabeth em risco ao abraçar esse amor.
─ Grover... Eu vou mudar isso. Eu não vou fugir como uma covarde. Vou assumir meus erros e tentar consertá-los. Me dê cobertura.
─ Claro.
Eu desliguei o telefone e me dirigi até a saída da sede da facção. Se Rachel pode se arrepender e ajudá-los, eu também posso. Sou uma pessoa infinitamente melhor do que a ruiva.
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