Notas iniciais
Oi, gente. Este capítulo está ótimo, digamos que xonei nele.

EPOV

― Como assim ele te espera? Não entendi. ― Uma Char muito curiosa esperava pela minha resposta. Eu não tinha motivo para guardar toda a história, então derramei tudo de uma vez: desde o fato da gente vir conversando, até a substituição da Mari e como eu fui tratada pelo poderoso “Sr. Tate”. Char apenas deu de ombros como se não fosse nada e replicou: ― Nossa, não sabia que aquele gostosão era assim... Mas talvez seja apenas falta de sexo, por que você não pega ele de jeito no primeiro horário do dia? ―

― Char! Eu já falei que não o vejo dessa forma... ― Eu tentava me convencer que era realmente isso que pensava, mas que ele era um bom pedaço de homem... Ah! Isso era.

― Porque é idiota! ― Replicou sem tirar os olhos da TV.

― Que seja... Mas eu ainda preciso de ajuda com o jantar. ―

― Você pode pedir, irei sair para jantar com a Bárbara e o Tom, por isso não fui para casa... Estava com preguiça. ―

― Eu não sei como alguém pode ter preguiça de entrar em um apartamento maravilhoso como aquele... ―

― Fácil! Basta ele ficar do outro lado da cidade. ― Respondeu dando de ombros.

― Por que você não o vende ou loca? Seria tão mais fácil. ―

― Não posso, foi um presente do papai e ele me mataria. ― Ah! Sim... O Sr. Lucas mataria a filha se ela abrisse mão do imóvel. Ri com esse pensamento só de imaginar a cena.

― Você sabe o que faz... Mas espera... Bárbara? Tom? ― Indaguei curiosa. ― Quem são esses, amigos do trabalho? ―

― Nada... ― Respondeu ainda vidrada na TV e eu me perguntava como ela fazia as duas coisas ao mesmo tempo. ― São meus namorados, vamos tirar a vontade e eu vou apresentá-los, se é que me entende. ―

Eu não aguentei e comecei a rir, aquela era a maior piada.

― Charlotte Lucas namorando? Cuidado ao sair, talvez a neve pare para dar lugar aos canivetes! E nem importa se é dois ao mesmo tempo, só o fato de usar a palavra “namorado” é algo sobrenatural. ―

― Não é para tanto, Lizzie. ―

Merda, será que ela nunca iria largar aquela TV?

― O que tanto você assiste aí que não pode conversar como uma pessoa normal comigo? ― Indaguei curiosa.

― Mas eu estou conversando como uma pessoa normal... No século 21. ― Revirei os olhos. ― Você já ouviu falar na S.H.I.E.L.D? ― Perguntou não dando muita atenção para mim. Aquilo era frustrante.

― Não... É alguma nova droga? ― Tentei segurar o riso, mas não obtive muito sucesso.

― Não. Se não sabe o que é, não vai querer saber. ― Foda-se.

― Ah, que seja, vou pedir uma pizza... ― Murmurei indo até a cozinha.

Eu até tinha em mente uma pizza, já que comida italiana era uma das minhas favoritas, mas ainda olhei um pouco para alguns cardápios de delivery dos restaurantes que eu gostava, para no fim acabar voltando para a tradicional massa. Liguei para minha pizzaria favorita e pedi uma pizza de calabresa, para depois voltar para a sala e constatar que Char ainda permanecia na mesma posição.

― Você é uma droga de companhia. ― Murmurei indo em direção ao meu quarto e escutando um “Eu sei” que me fez revirar os olhos e não dar mais a mínima para a minha melhor amiga.

Enquanto a pizza não chegava, optei por navegar um pouco na internet, parando no facebook, que por sinal não havia nada de interessante além de algumas postagens de antigos amigos que eu não lembraria os seus nomes caso não existisse essas redes sociais. Arriscando ficar online por um tempo, acabei notando que a minha irmã também estava, então meio que ordenei que ela ficasse online no Skype. Eu sabia que andava ignorando as mensagens dela nas últimas semanas, então nada mais do que normal tentar uma aproximação, afinal, ela era a minha irmã mais querida. Não demorou muito e logo ela estava online e eu mandei o convite para uma chamada com vídeo.

― Eu pensei que você iria me ignorar pelo resto dos meus dias! Lizzie, eu sou sua irmã, mas se não fosse pela Char eu não iria saber nada sobre você! ―

É, um ótimo início de conversa.

― Oi, irmã, também senti sua falta. Como você está? ―

― Sem essa, Lizzie, você sabe muito bem que eu senti a sua falta, fico praticamente sozinha agora. ― Aquelas palavras foram suficientes para me fazer sentir culpada... Eu não queria fazê-la sofrer.

― Jane, eu não tencionava sumir, mas o trabalho vem me mantendo ocupada... E agora virei babá de um riquinho orgulhoso. ― Bem, não era totalmente mentira, embora só fosse babá não havia muito tempo.

― Não me venha com essa... Até acredito que realmente esteja ocupada, mas você anda sim me ignorando e nem me deixa lhe dizer as novidades! ― Exclamou irritada e eu pude ver nos seus olhos o quanto isso lhe magoava.

― Desculpa... Mas pode me falar agora ou sua amada irmã não merece mais saber? ― Fiz charminho batendo os cílios sabendo que iria funcionar. Jane revirou os olhos e respondeu, com um sorriso contagioso nos lábios.

― Bem... Marcamos a data do casamento e, Lizzie, eu gostaria que você fosse a minha madrinha. ― Pediu com os olhos brilhando de tal forma que eu não conseguiria dizer não. ― Charles já chamou o melhor amigo dele para ser o padrinho, que por sinal é um gato solteiro que eu gostaria muito de te apresentar. Acho que vocês formariam um ótimo casal! ― Aquela esperança estava me deixando ainda pior.

― Sinto muito, Jane, eu decidi virar lésbica e já estou até namorando. ― Falei séria. Ela ficou calada por alguns segundos e, quando eu jurava que não falaria mais, tornou:

― Você está falando sério? ―

Eu tentei assentir séria, mas o riso que tentava prender se soltou e logo eu gargalhava enquanto era xingada pela minha irmãzinha querida, até que escutei o som do meu celular me despertar. Era uma mensagem. Uma mensagem que acabou com o meu humor.

D: Você realmente vai me encontrar no sábado? Estou muito ansioso!

D: Eu sei que disse que só iria dar sinal de vida no dia, mas eu estou precisando conversar um pouco com você.

Fiquei algum tempo olhando para aquelas mensagens até que uma Jane confusa chamou minha atenção.

― Aconteceu alguma coisa? ―

― Não, irmã... Nada grave, mas eu preciso voltar ao trabalho, muita coisa para colocar no lugar. ― Suspirei. Depois de nos despedir e de eu desconectar do Skype, voltei minha atenção para o meu celular e para as mensagens que havia recebido.

L: Talvez o fato de não nos conhecermos seja o que torna essa “relação” possível. Sabe lá se o meu “eu” verdadeiro iria agradar você.

Eu não queria realmente enviar aquilo, mas precisava ao menos tentar manter aquela relação apenas por aquele meio, tornar mais “pessoal” seria um erro.

Não demorou muito e o celular avisou novamente que uma nova mensagem havia chegado.

D: Quando a gente conversa, este é o meu “eu” verdadeiro.

Eu tentava refletir sobre o que ele havia enviado quando uma nova mensagem chegou.

D: Você não quer me conhecer.

Aquilo não era uma pergunta e eu levei muito tempo pensando o que responderia. Tempo demais, na verdade.

D: A falta de resposta já me respondeu. Tudo bem.

L: Will, não é bem assim... Só estou nervosa.

D: Com o quê? Você só está indo conhecer um amigo... Ou alguma coisa parecida.

Eu revirei os olhos para o final da frase.

L: É que te conheço há tão pouco tempo, sem falar que sei quase nada sobre você.

D: Você sabe que sou uma pessoa agradável para conversar.

Droga! O que eu iria fazer para me livrar daquela situação?

Eu ainda tentava encontrar uma resposta quando Char entrou no meu quarto. Ela me olhou tentando entender o que estava acontecendo até que viu o celular na minha mão. Estendeu a mão revirando os olhos e esperou até que eu entregasse o aparelho. Como não o fiz, avançou sobre mim e o puxou. Eu tentei lutar para recuperá-lo, mas foi em vão... Char era bem mais forte do que eu. Enquanto olhava as mensagens, ela caminhou até a sala e foi nesse momento que eu gelei.

― Char! Volta aqui! ― Gritei seguindo ela, mas o sinal do interfone tocou e eu tive que ver quem era. Como só era o cara da pizzaria, eu apenas liberei sua entrada e voltei para Char para pedir novamente o aparelho quando notei que ela estava respondendo.

― Char! Merda, não faz isso, por favor! ― Praticamente gritei tentando correr atrás dela, mas ela era mais rápida e fugia de mim facilmente.

Filha da puta!

Desculpe-me, Sra. Lucas.

Não demorou muito e a campainha tocou. Separei algumas notas e fui até a porta. O entregador me olhou analisando demais, mas dei de ombros e peguei a pizza, entregando as notas e mandando-o ficar com o troco. Sem esperar qualquer resposta, fechei a porta na sua cara só de raiva do seu olhar impróprio que eu não iria suportar!

Decidi que não iria mais atrás da Char, então apenas sentei no balcão e comecei a comer a pizza acompanhada de um copo enorme de Coca-Cola. Estava ainda na metade da primeira fatia quando ela desistiu e me entregou o celular.

Peguei meu aparelho e, enquanto lia as mensagens, quase tive um enfarto.

D: Você sabe que sou uma pessoa agradável para conversar.

L: Sim, você é muito agradável, mas eu não sei se é uma boa ideia me aproximar.

D: Por quê?

L: Porque... Porque talvez seja se envolver demais.

D: Você está se envolvendo?

L: Sim.

D: E isso é um problema?

L: Enorme.

D: E se eu também estiver envolvido?

L: Talvez não exista mais um problema.

D: Eu gosto disso.

L: Eu também.

D: Eu gostaria mesmo de ver você... agora, amanhã... quanto mais cedo melhor.

L: Eu também...

D: Por que eu acho que tem um “mas” depois disso?

L: Porque tem... Eu estou com medo.

D: Do quê?

L: De não ser suficiente.

D: Você é.

Merda. Merda. Merda. Mil vezes merda.

― CHARLOTTE! Que porra é essa aqui? Você estragou tudo! ― Inquiri indo até o banheiro onde agora ela tomava banho. Ela demorou apenas mais um pouco, mas logo saiu e foi em direção ao quarto de hospede que eu mantinha para ela.

― Se te deixa mais calma, ele demorou um pouco para responder algumas mensagens... “As mais delicadas”. O que significa que pensou e não agiu por impulso. É seu, pegue e não se esqueça de gravar. Acho esse cara quente demais. ― Sibilou sonhadora se trancando no quarto e no mesmo instante uma nova mensagem havia chegado.

Porra!

D: Hm.

E outra...

D: Eu realmente quero te ver.

Eu tentava respirar, mas estava ficando cada vez mais difícil.

D: Na verdade, seria muito estranho se fosse agora?

L: Sim, seria.

D: Eu sei... Quando?

L: Sábado.

D: Não, ainda falta muito tempo.

L: Eu não sei...

D: Almoça comigo amanhã?

Eu não estava preparada para isso. Primeiro porque eu não queria me envolver... Depois porque eu estava mesmo me envolvendo. Eu sei que ficava dizendo que só o via como amigo, mas isso era mesmo o que eu queria acreditar. De qualquer forma, o que eu poderia fazer? Se eu ficasse e encarasse isso, poderia acabar no mesmo lixo que George havia me deixado... Por outro lado, se eu fugisse e passasse a ignorá-lo, além de prejudicar a carreira da Mari, ainda continuaria tendo a vida de merda que vinha tendo desde o dia que deixei Londres.

Com a decisão tomada, e antes que pudesse voltar atrás, digitei a resposta que poderia mudar completamente a minha vida:

L: Sim.

Notas finais
Até depois. x