Ironias do Destino

7 O Outro Lado...


Notas iniciais
Um Extra legal para vocês. Nele vocês irão saber o que se passou na mente do Darcy durante todo esse tempo em Chicago e entender o que deu nele para começar a enviar aquelas mensagens para a Lizzie. E aí... Antes de ler, o que vocês acham que ele pensou da Lizzie? (Não vale olhar antes de responder, ok? n haha)

WPOV

Voar não era uma das minhas atividades preferidas, eu gostava bem mais do chão. Mas, infelizmente, eu precisava estar mais tempo dentro de um avião do que eu queria. Por outro lado, daquela vez eu tinha um interesse especial: Iria conseguir a empresa que desejava já fazia um tempo... E ver a Lizzie.

E era na última que eu vinha pensando durante toda a viagem. Eu tentava evitar, afinal aquilo estava indo longe demais, mas não tive muito sucesso, então desisti.

Para a minha sorte a viagem seguiu tranquila e horas depois o jatinho já estava pousando. Apressei-me para sair assim que me foi permitido, tentando deixar aquele aeroporto o mais rápido que pude. O que, claro, não aconteceu porque minutos depois eu fui parado. Que sorte!

― Sr. Tate? ― Chamou uma voz que eu nunca havia ouvido e me virei para ficar de frente a uma morena que me olhava com expectativa.

― Sim? ― Respondi a contragosto. Queria mesmo era estar no meu apartamento... dormindo!

―Sou Mariana Dashwood, irei lhe acompanhar, senhor. ―

― Oh! Sim... Prazer, Srta. Dashwood. ― Tentei ser um pouco mais agradável, mas não acho que estar muito cansado ajudou em algo. ― É ótimo encontrá-la aqui, mas a viagem foi muito cansativa e eu gostaria de descansar um pouco antes de precisar ser o homem de negócios de sempre. ― Completei piscando para ela. Ela ficou me encarando por tempo demais para o meu gosto, mas tentei me segurar até que ela percebesse o quanto aquilo estava sendo ridículo. O que não tive sucesso. ― Srta. Dashwood? ―

― Sim, Sr. Tate. ― Falou ao despertar. ― Tem um carro lhe esperando, por aqui... ― E começou a finalmente caminhar, mas quando chegamos ao carro (que foi aprovado por mim) e ela fez menção de me seguir, eu a parei.

― Srta. Dashwood, se me permite, eu prefiro não falar sobre negócios e agenda durante algumas horas, então gostaria que passasse o seu endereço para o motorista para que a deixemos em casa enquanto eu descanso, certo? ― Não esperei resposta e entrei fechando a porta atrás de mim, o que deixou para ela a opção de ir na frente... Claro que eu queria descansar e andar com uma assistente grudada em você não ajuda em nada.

Não sei quanto tempo a viagem até o meu apartamento levou, pois só despertei quando o motorista me acordou avisando que havíamos finalmente chegado. Deixando ordens para que a minha bagagem fosse levada, saí do veículo e rumei até o prédio, aproveitando aquelas horas para ignorar tudo de bom ou ruim que essa vida possa oferecer.

~~

Acordei muito mais cedo do que eu desejava e, para não atrasar o meu dia, tomei um banho rápido. Assim que eu estava saindo do banheiro escutei o interfone tocar, ao atender fui comunicado que a Srta. Dashwood estava à minha espera, então autorizei a sua subida e voltei para terminar de me arrumar no meu closet. Estava colocando a gravata quando escutei uma voz feminina chamando meu falso nome. Acreditando que era a Srta. Dashwood, caminhei até a sala ainda terminando de colocar a minha gravata, e comecei a responder:

― Sim, Srta. Dash... ― E enquanto falava erguia a cabeça, o que me fez parar abruptamente ao perceber que não estava na presença da Srta. Dashwood, mas de uma completa desconhecida. ― Quem é você? Acredito que dei autorização para a Srta. Dashwood subir. ― Tornei e fiquei fitando-a esperando que ela me respondesse. Eu detestava aquele tipo de invasão, principalmente quando era de algum repórter atrás de alguma história suja envolvendo o meu nome... O único problema era que eu não me envolvia em histórias podres. Não mais, pelo menos.

Eu já estava considerando colocá-la para fora quando obtive uma resposta.

― D-d- Desculpe-me, Sr. Darcy. A Srta. Dashwood precisou resolver outros problemas, de modo que serei sua assistente pelo tempo que precisar. Sou Elizabeth Bennet. ― Ela disse com sua voz doce. Eu me permiti por um momento apreciar aquela voz que muito parecia com a de um anjo, mas com muito mais confiança. E, sem mesmo perceber, dei um passo na sua direção, mas parei.

Se controle, Darcy!

Até que... Espera. “Sr. Darcy”?

Como diabos ela sabia o meu nome? Haviam me enviado algum tipo de perseguidora para ser assistente? Eu precisava conseguir logo outra pessoa, não gostava desse joguinho.

― Como você sabe o meu nome? Pensei que havia sido claro quando disse ao Sr. Collins que o meu nome ficaria em segredo. Pelo jeito a Política de Privacidade não funciona muito bem nessa empresa, certo?! ― Expeli sem pensar, minha voz firme e eu não a condenaria se me achasse um idiota por falar naquele tom.

― Bem... Não foi o Sr. Collins quem me disse o seu nome, apenas o reconheci. ― Falou novamente e eu reconheci ali um pouco do mesmo sotaque que eu carregava.

“Um anjo inglês, interessante...” Pensei enquanto avaliava cada pormenor do seu corpo, que embora estivesse bem agasalhado por ainda estar com as mesmas roupas que veio da rua, dava para notar o quanto era atraente. Mas os olhos... Ah! Aqueles olhos eram o melhor ali e eu nunca havia visto nada igual. Eu poderia ser capaz de abrir mão da metade da minha fortuna para poder olhar naqueles olhos por dias.

Droga! Novamente!

Controle-se!

― Deve ser inglesa, seu sotaque lhe entregou. ― Falei caminhando até a poltrona mais próxima, convidando-a para também sentar-se.

Ok, eu queria que ela sentasse em outro lugar, mas, como o cavalheiro que devo ser, apontei para a primeira poltrona que vi.

― Devemos repassar logo essa agenda. Antes de tudo, deixo claro que não preciso dos seus serviços em tempo integral. Como é uma cortesia da empresa, e ainda não tive tempo para procurar um assistente aqui em Chicago, precisarei apenas que organize a minha agenda. ― Eu precisava ser sincero e nem um pouco egoísta. Não é porque eu estava intrigado com aquela mulher que iria atrapalhar a vida dela.

― Certo, Sr. Darcy. ―

Era até agradável ouvi-la dizer o meu nome, mas eu não podia. Não é que eu não gostasse, mas esse nome trazia um peso que eu gostava de evitar. Eu conseguia, embora não com muita frequência, ser ignorado em uma ou duas ocasiões. Mas uma vez que alguém escutava o nome “Darcy” eles ficavam atentos como urubus à procura de carniça... E eram tão semelhantes a urubus que poderiam escutá-lo a quilômetros de distância.

― E, por favor, evite falar o meu nome. Embora o meu rosto seja bastante conhecido, ainda assim as pessoas demoram a perceber quem eu sou... E seria mais agradável que isso levasse mais tempo do que costuma levar. ― Tentei soar agradável, mas não é como se eu vivesse treinando, então não obtive muito sucesso.

E a manhã passou lentamente, enquanto eu não tirava os olhos daquela figura atraente e tentava conter a minha vontade de me aproximar. Não é como se eu fosse um tarado que não podia ver uma mulher como aquela, mas alguma coisa nela me chamava.

Passei para ela a agenda que já havia preparado em Londres e, como não estava sendo dono de mim, acabei lhe chamando atenção algumas vezes. Era infantil, eu sei, mas eu não sabia como agir.

Pela primeira vez na vida, William Darcy não sabia o que fazer!

Para a minha sorte, antes que eu cometesse alguma besteira ela foi embora e eu fiquei livre para colocar em prática mais uma das minhas loucuras.

― Sim, Will? ― Respondeu meu amigo e empregado Denny assim que atendeu. Eu sei que o que iria fazer poderia parecer idiotice, mas eu já tinha colocado na cabeça... E eu precisava saber onde estava querendo me meter o mais cedo possível.

― Denny, eu gostaria que você pesquisasse algo para mim. ― Falei sem hesitar.

― E sobre o que seria? ―

― “Quem”. Elizabeth Bennet. ―

― Uma mulher? Interessante... E o que deseja saber? ― Revirei os olhos para a forma como ele falou. Eu sabia que seria o próximo assunto dentro das conversas em grupo... Foda-se!

― Eu quero saber tudo. ―

― Certo. Te passo tudo até o final da noite. ―

― Obrigado. ― E desliguei.

O resto do dia passou tão rápido que eu só vim notar que horas era quando Denny me ligou.

― Enviei tudo por e-mail, mas se quiser posso mandar para Chicago. ―

― Não, está ótimo, Denny. Você foi de grande ajuda! ― Respondi grato, mas querendo que o meu amigo desligasse para que eu pudesse ver tudo o que ele tinha descoberto sobre ela.

― E quando você volta? ―

―Em breve, em breve... Depois eu te ligo, agora estou ocupado. Até, Denny! ― E desliguei antes que ele respondesse. Se eu o conhecia bem, ele agora estava rindo da minha cara e ainda hoje encontraria uma forma de encontrar Richard e Charles para gargalharem um pouco sobre mim. Ótimos amigos esses!

Assim que abri o e-mail que Denny havia me enviado comecei a ler tudo o que podia sobre ela: quantos anos tinha, se era casada, endereço, qual faculdade cursou e até o usuário do Skype e ID do facebook, mas o que me surpreendeu mesmo foi o seu e-mail e depois o número do telefone.

Me surpreendeu tanto que eu precisei de um tempo olhando para o nada antes de voltar.

A mulher por quem eu havia despertado interesse com apenas um e-mail, era a mesma que havia me deixado atraído depois de poucos minutos de convivência. Era muita coincidência e eu senti uma vontade súbita de ir até ela e confirmar. Eu precisava ouvi-la dizer que ela era a mesma Lizzie com quem eu passei os últimos tempos conversando e depois fazer o que eu havia sentido vontade durante todo o dia, mas eu sabia que era loucura me aproximar da mulher sem saber o que ela pensava sobre mim. Eu era rico, bonito, atraía as mulheres facilmente, mas não era certo achar que a minha Lizzie seria desse tipo que se deixaria iludir com coisas superficiais... Será que eu tinha alguma chance?

Por que eu estava tão inseguro?

E por que eu estava mesmo pensando sobre isso?

Sem conseguir me conter, acabei enviando uma mensagem para ela.

Não adianta, não há nenhuma possibilidade de William Darcy parar uma vez que ele comece.

D: Você realmente vai me encontrar no sábado? Estou muito ansioso!

E eu estava.

Estava tanto que enviei outra me desculpando... Ela poderia pensar mal de mim.

Porra, por que eu estava me importando com o que outra pessoa pensa sobre mim? Que droga!

D: Eu sei que disse que só iria dar sinal de vida no dia, mas eu estou precisando conversar um pouco com você.

E eu estava quase enviando outra quando me segurei.

L: Talvez o fato de não nos conhecermos seja o que torna essa “relação” possível. Sabe lá se o meu “eu” verdadeiro iria agradar você.

“Iria”?

O que diabos ela queria dizer com aquilo? Por que “iria” e não “irá”? Como assim eu não vou gostar do “eu” dela? Eu já gostava tanto que queria ele por cima de mim!

Droga!

Não é essa imagem que devo passar para ela. Ela precisa ver o cavalheiro que eu realmente sou, então terei sucesso.

D: Quando a gente conversa, este é o meu “eu” verdadeiro.

Mas então a ficha caiu: e se o problema não fosse ela, mas eu? Então enviei.

D: Você não quer me conhecer.

E esperei. Esperei, esperei e esperei... Esperei tanto tempo que tive certeza.

D: A falta de resposta já me respondeu. Tudo bem.

L: Will, não é bem assim... Só estou nervosa.

D: Com o quê? Você só está indo conhecer um amigo... Ou alguma coisa parecida.

De preferência o “alguma coisa parecida”. Algo mais com cor!


L: É que te conheço tem tão pouco tempo, sem falar que sei quase nada sobre você.

E eu senti uma vontade súbita de dizer tudo sobre mim.

Que merda é essa?

D: Você sabe que sou uma pessoa agradável para conversar.

L: Sim, você é muito agradável, mas eu não sei se é uma boa ideia me aproximar.

Agradável? Que merda de agradável! Homem nenhum quer receber esse adjetivo! E o que ela quis dizer com não era boa ideia se aproximar?

D: Por quê?

L: Porque... Porque talvez seja se envolver demais.

Nessa altura a temperatura caiu dentro do meu apartamento.

D: Você está se envolvendo?

Eu mandei e prendi a respiração.

“Responda que sim, responsa que sim.”

L: Sim.

Wow.

D: E isso é um problema?

Digitei mais calmo.

L: Enorme.

D: E se eu também estiver envolvido?

Pronto, já foi. Eu não disse que queria casar com ela, então ainda está tudo bem com a minha saúde mental.

L: Talvez não exista mais um problema.

Yes!

D: Eu gosto disso.

L: Eu também.

D: Eu gostaria mesmo de ver você... Agora, amanhã... quanto mais cedo melhor.

Tentei mais uma vez... Quem sabe desse certo, hein?

L: Eu também...

D: Por que eu acho que tem um “mas” depois disso?

L: Porque tem... Eu estou com medo.

Medo? Medo do quê?

D: Do quê?

L: De não ser suficiente.

D: Você é.

Fiquei em silêncio esperando por uma resposta que não veio, então tentei novamente.

D: Hm.

D: Eu realmente quero te ver.

D: Na verdade, seria muito estranho se fosse agora?

L: Sim, seria.

Droga!

D: Eu sei... Quando?

L: Sábado.

Não, mulher, você não vai me fazer esperar até sábado!

D: Não, ainda falta muito tempo.

L: Eu não sei...

D: Almoça comigo amanhã?

Lancei a minha cartada final. Ou ela aceitaria, ou eu teria que encontrar outra forma de virar aquela cabeça e impedi-la de desistir do encontro do sábado.

L: Sim.

Olhei a resposta e parei, congelado, só então notando que havia prendido a respiração. Eu já tinha recebido um sim, agora era ver se aquele encontro seria tão bom quanto as nossas conversas.

Eu iria assegurar que a minha parte fosse muito bem feita!

Notas finais
Até a próxima. x