Notas iniciais
E sai mais um capítulo bem fresquinho... espero que gostem. :3

Não passava das 6h00 quando meu celular tocou. Acostumada ao toque do despertador, precisei de algum tempo até perceber que era uma ligação. Atendi imediatamente, para então escutar o desespero do outro lado:

― Lizzie, por favor, eu preciso de você! ― Era Marianne, a assistente do Sr. Collins. Bem, uma delas, já que ele insistia em me fazer trabalhar nessa função vez ou outra, e ainda tinha Katherine e Anne. Eu não sei para que o homem precisava de tanta gente fazendo um trabalho que deveria ser dele!

― Hm... O que aconteceu? ― indaguei tentando me levantar para sentar. De alguma forma o meu cérebro funcionava melhor quando eu estava sentada.

― O Sr. Collins... Droga! Ele me pediu para escoltar um possível investidor do aeroporto até o seu apartamento, assim como ser sua assistente durante seus dias de permanência aqui. O problema é que Elinor está muito doente e precisará ficar internada durante toda a semana, no mínimo! ― Tentei registrar tudo o que ela havia dito, era muita coisa para um dia que ainda nem começou. ― Eu liguei para ele, informando, mas fui avisada que se deixasse o tal homem sozinho iria perder o emprego, então preciso arrumar alguém para ficar no meu lugar. Lizzie, eu só pensei em você, por favor, você sabe que não conheço mais ninguém nessa cidade. ― Pelo que eu conhecia, eu poderia imaginar as lágrimas que caiam pelo rosto de Marianne. Ela estava certa... Não existia mais ninguém, apenas eu.

― Mari... Ei, Mari, fique calma. Vai dar tudo certo, eu estou aqui e irei te ajudar. ― respondi, embora soubesse muito bem que iria acabar trabalhando por duas durante a próxima semana. ― Me fale um pouco sobre ele.

― Lizzie, me desculpe... Eu preciso desligar. Estou ligando do hospital e a qualquer momento alguma enfermeira irá me ver. Irei te mandar o endereço dele por SMS, certo?! Obrigada, amiga. ― Não discuti, sua filha era mais importante do que dados... Eu poderia descobrir mais depois. Despedi-me de Mari depois de prometer uma visita no hospital e me apressei em me arrumar para chegar à empresa um pouco mais cedo.

Poucos minutos para 7h00 e eu já estava no escritório organizando arquivos, assinando alguns documentos que havia deixado para o outro dia e enviando outros para o meu e-mail. Quando finalizado, peguei a mochila que havia levado comigo contendo meu notebook e deixei a empresa, não sem antes deixar os documentos prontos na mesa do Sr. Collins e um aviso sobre a minha decisão de substituir Marianne.

Depois de muito trabalho, era maravilhoso deixar a empresa antes das 9h00. Eu sabia que não havia feito muito, que dois ou três documentos não eram nada comparado ao que eu costumava passar o dia fazendo, mas já era um bom adiantamento. Claro, eu aproveitaria qualquer momento livre daquela semana para trabalhar, além de voltar para a empresa assim que esse tal investidor me liberasse.

Assim que cheguei à frente da empresa parei o primeiro táxi que deu sinal de vida, e em poucos minutos eu estava na frente de um prédio luxuoso. Comuniquei na recepção os mesmos nomes que Marianne havia me informado e fui autorizada a subir. O percurso de elevador não foi nenhum problema, mas assim que o mesmo abriu e eu fui “lançada” em uma cobertura de luxo, ricamente decorada com requinte e bom gosto, minhas mãos começaram a tremer.

Nunca, nem mesmo em meus sonhos, eu havia lidado com alguém que tivesse tanto dinheiro. Eu não sabia nem mesmo como deveria me comportar. No entanto, como era basicamente uma das “assistentes” do Sr. Collins, decidi que me comportaria assim como já fizera antes. Dessa forma, esperei alguns segundos até que alguém viesse me receber, mas, como não havia ninguém, me vi sem outra saída além de fazer a minha presença ser notada.

― Olá, Sr. Tate? ― Minha voz não havia saído muito alta, mas eu sabia que a maior parte das pessoas com dinheiro poderia ouvir um sussurro mesmo a quilômetros de distância. Eles eram acostumados com o “leve sussurrar do vento” e nada mais que isso. Como pensei... Não demorou muito e um homem, muito mais alto do que eu, cabelos negros e cabeça abaixada se aproximou de mim enquanto acertava o nó de sua gravata.

― Sim, Srta. Dash... ― começou enquanto erguia a cabeça, mas parou abruptamente, tornando a falar com a voz fria beirando a rudeza. ― Quem é você? Acredito que dei autorização para a Srta. Dashwood subir. ― Seus olhos fitavam-me procurando uma resposta, mas eu sabia que se não respondesse nos próximos dois minutos, acabaria por ser expulsa dali. O problema era conseguir falar! Eu estava pálida, completamente sem chão, olhando para o cara com quem talvez viesse conversando durante semanas! Mas a questão era que eu tinha que falar...

― D-d- ― respirei fundo e tornei: ― Desculpe-me, Sr. Darcy. A Srta. Dashwood precisou resolver outros problemas, de modo que serei sua assistente pelo tempo que precisar. Sou Elizabeth Bennet. ― falei imaginando que havia sido clara, mas sua expressão mudou, suavizando um pouco, no entanto denotando uma surpresa que não fazia sentido. Mas ele logo se recuperou e tornou a parecer irritado. Muito mais, na verdade.

― Como você sabe o meu nome? ― indagou finalizando o nó em sua gravata e caminhando até uma janela que ia de alto a baixo na parede, exibindo a fantástica vista da Chicago que eu tanto amava coberta por neve, e ficando de costas para mim. ― Pensei que havia sido claro quando disse ao Sr. Collins que o meu nome ficaria em segredo. Pelo jeito a Política de Privacidade não funciona muito bem nessa empresa, certo?! ―

Eu ainda estava tentando voltar ao meu “eu” normal, mas, como uma resposta era esperada, e ele não parecia estar de bom humor, achei mais aconselhável responder depressa, além de encontrar uma desculpa. ― Bem... Não foi o Sr. Collins quem me disse o seu nome, apenas o reconheci. ―

Ele virou no mesmo instante e, como se me avaliassem, seus olhos acompanharam a estrutura do meu corpo até os meus pés e novamente voltou a fitar meus olhos. ― Deve ser inglesa, seu sotaque lhe entregou. ― exclamou dando de ombros e caminhou até uma das poltronas, mas antes de sentar fez sinal para que eu o fizesse, e logo se acomodou. ― Devemos repassar logo essa agenda. Antes de tudo, deixo claro que não preciso dos seus serviços em tempo integral. Como é uma cortesia da empresa, e ainda não tive tempo para procurar um assistente aqui em Chicago, precisarei apenas que organize a minha agenda. ―

― Certo, Sr. Darcy. ―

― E, por favor, evite falar o meu nome. ― interpelou. ― Embora o meu rosto seja bastante conhecido, ainda assim as pessoas demoram a perceber quem eu sou... E seria mais agradável que isso levasse mais tempo do que costuma levar. ―

Apenas concordei, não havia muito que eu poderia fazer naquela situação. Sob o seu olhar que chegava a ser desagradável, anotei os seus compromissos para aquele dia e o dia seguinte, agora só precisaria ficar atenta para avisá-lo caso alguma coisa saísse do acertado. Exceto por uma ou duas... Ou três, chamadas de atenção, minha manhã passou normalmente. Ok, serei sincera, eu me sentia novamente no maternal. Embora fosse lindo e extremamente cativante por mensagens, ele, com o seu olhar acusatório, era desagradável demais. Oh, por favor, agora eu tinha certeza que os dois homens eram duas pessoas totalmente diferentes! Mas se era, o que ele estava fazendo em Chicago justamente na mesma data que Will também estava?

Naquele dia o Sr. Darcy... Ou melhor, o Sr. Tate me liberou cedo, embora esperasse que não fosse ficar tanto tempo por perto, e eu pude me concentrar no meu trabalho. Para minha sorte, o Sr. Collins ainda tinha a ajuda da sua secretária Anne e a estagiária da minha antiga função, Katherine, o que me livrava o fardo de ter que, como sempre, fazer o papel também de sua assistente. Finalizei tão rápido quanto pude e, um pouco depois das 20h00, eu consegui chegar em casa, não sem levar algum trabalho, claro...

― Charlotte! ― gritei assim que abri a porta e vi Char jogada no sofá assistindo a algum dos dramas que ela tanto gosta...

― Oi, oi... Nunca pensei que a minha presença pudesse trazer tamanha surpresa. ― Ela tinha uma capacidade e tanto para falar com você enquanto acompanhava tudo o que passa na TV, o tenso é que você se sente ignorada. ― Estressada? ―

― Depende do que você chama de estresse... Talvez passar o dia todinho ao lado do cara que passou as últimas semanas conversando por e-mail conta? ― ironizei indo até o meu quarto e me livrando da minha bagagem. ― Ah, sim... O “homem dos meus sonhos” é um carrasco sem tamanho. Idiota como só um riquinho boa pinta pode conseguir ser... Estou até pasma por não ter notado antes, teria me livrado um tempo enorme e eu poderia aproveitar muito melhor! O cara nem me conhece e já me olha como se eu tivesse uma espinha tamanho de um girassol no meio da testa! Definitivamente perderei a fé nos homens, pois eles se resumem a duas categorias: Wickham e Darcy! ― Foi só quando terminei que me permiti olhar para Char, que havia dado pausa na série e estava me olhando perplexa. Deixar Char nesse estado poderia me deixar rindo por dias, mas eu não estava com humor para isso. ― O que foi? ―

― Como assim... Você conheceu Darcy? Como foi isso? Marcaram onde? Droga, Lizzie, você nunca me conta nada! Você precisa me dizer! ―

― Char, tire essa bunda do sofá e, já que vai ficar por aqui, me ajude a preparar o jantar. ― Era mais saudável desviar do assunto um pouco, ao menos até recuperar o meu “eu” que estava perdido em algum lugar. ― Falando nisso... O que acha de locar seu apartamento já que quase nunca vai lá, hein?! ―

― Você está me expulsando ou cansou dos homens? Descobriu que gosta tanto de mim que resolveu assumir que é bi e deseja fazer sexo selvagem toda noite? Sua mãe iria adorar me ter como nora! ― Eu tive que rir ao imaginar a cena. Valeria a pena só por presenciar a cara da Sra. Bennet.

― Ah, claro... Eu realmente ando precisando de uma mulher que seja mais homem do que a maioria... ― ironizei.

― Lizzie, fala sério! Você não deve culpar todos os homens por causa de um Wickham. Muito menos um Darcy! Eu sei, eu sei... Você namorou aquele idiota por um tempo muito longo, mas foi preciso algo assim acontecer para que você acordasse e visse que tipo de homem estava bem debaixo do seu nariz. Desculpe-me, embora não deva pedir desculpa alguma, mas você é muito acomodada e morre de medo de arriscar. Vai acabar sozinha e até eu, que ando mais perdida que tudo, estou mais perto de me interessar por alguém do que você, amiga, que nem ao menos olha para os homens querendo dar no mínimo uns amassos. A vida não acabou porque um crápula resolveu mostrar quem ele realmente era! ― E nisso ela já estava na cozinha e eu a olhava chocada. Foi o maior discurso que ela havia feito em anos. E o pior, eu sabia que ela estava certa. ― E é sério, se realmente cansar dos homens e quiser trepar comigo é só falar. ― E novamente lá vinha ela desviando todo o assunto novamente...

― Char, por favor, não é?! Você sabe que Wickham morreu para mim e eu não vivo comparando! Só que ainda não estou pronta para deixar alguém entrar na minha vida. E eu não pensava no Will dessa forma, gostava dele como amigo. Confesso que ele é bastante atraente, mas você sabe que é preciso muito mais para me agradar como homem. ―

― Darcy não é só atraente, você sabe disso. E realmente é preciso mais... O cara precisa foder com a sua irmã para lhe agradar. ― Eram palavras duras, e se tivessem saído de outra boca eu poderia fazê-la sentir o peso do meu braço, mas Char estava lá o tempo todo, ela sempre soube que George não prestava e tentou me avisar diversas vezes... E agora estava eu há muito tempo, longe de todos, fugindo e ainda assim guardando tudo o que tinha a ver com aquele idiota. ― Mas vai, me fala como foi esse encontro aí. ―

― Não foi um encontro, ainda... ele me espera no próximo final de semana. ― E de repente a realidade caiu como um balde de água fria sobre mim. Como eu iria conhecer um cara que achava que era uma espécie de meu “patrão”? Eu não poderia fazer isso, mas ao mesmo tempo os momentos de conversas eram tão bons... Eu estava perdida e teria poucos dias para tomar uma decisão. Uma decisão que talvez pudesse me trazer um dos maiores arrependimentos da minha vida!

Notas finais
A Char é maravilhosa! Daquele tipo de pessoa que não leva quase nada a sério e diz as maiores verdades, mas, claro, de sua forma excêntrica. Amo! s2 E algo me diz que ela realmente quer pegar a Lizzie, mas será que a Lizzie quer? Com um Darcy desse pelo caminho, sei não, hein... Até breve.