Ironia do Destino
19 Humilhados
Notas iniciais
Dona sentiu um frio percorrer suas costas. – Eu vim aqui somente para ver como a Bella está.
Ele a segurou e fechou a porta do quarto deixando todos dentro, assim teriam mais privacidade.
– Eu sei que você deve estar se perguntando o motivo dela estar aqui comigo. É compreensivo. – Ele passou a mão pelos cabelos.
– Isso não é da minha conta. – Tentou não mostrar seu sofrimento.
– Eu só quero que entenda, eu a encontrei em um estado lastimável, não poderia simplesmente deixa-la ali, ela é um ser humano afinal de contas. Seria muita crueldade da minha parte... – Mas foi interrompido por Dona.
– Já chega Shura! Mas do que é que você está se justificando, pare de tentar fazer parecer que não se importa! Eu não sou nenhuma idiota! Eu sei que o que aconteceu entre nós não significou nada para você, que é a Bella quem você ama! – Ela começou a se alterar e ele a abraçou.
– Fique calma, me desculpe Dona. Você tem toda razão do mundo em se irritar comigo, sou um cretino mesmo, mas o que posso fazer se o que sinto por ela me domina ao ponto de não me deixar tomar nenhuma decisão, é como se ela comandasse meu corpo e minha alma. Tinha jurado para mim mesmo que nunca mais a queria ver na minha frente mas não fui capaz de cumprir, eu sinto muito. – E se afastou. – Mas queria que soubesse que se pudesse escolher... escolheria você!
Dona tapou a boca com a mão para não gritar umas verdades na cara dele. Aquilo já era demais. Começou a se afastar andando para trás e saiu correndo, precisava fugir dali, nunca havia se sentido tão humilhada.
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Lizzy segurou Kanon pelos ombros e o afastou.
– Não, pare! – Pediu ofegante.
Ele a olhou e deu um passo atrás. – Me desculpe, não resisti.
– Kanon... – Se aproximou e tocou o rosto dele sorrindo. – Vamos com calma está bem, eu também queria, mas não podemos fazer tudo o que queremos.
– Eu quero você Elizabeth, mas não sei, as vezes me dá a impressão que não me quer. É como se algo passasse por sua mente e te fizesse recuar. Não sei mais o que pensar. – Confessou triste.
– Aconteceu tudo muito rápido você não acha? Talvez eu esteja confusa, deve ser isso. – Ela tentou explicar o que não poderia explicar.
– Você tem razão! Vamos dar um passo de cada vez. Quer jantar comigo hoje ou já tem algum compromisso? – Convidou Kanon.
– Por mim tudo bem, me parece uma ótima ideia. – Concordou Lizzy.
– Excelente! Venha mais bonita que o casual, se é que isso é possível. – E lhe deu uma piscada.
Lizzy estranhou a exigência do Cavaleiro mas decidiu aceitar. – Bem nos vemos mais tarde então. – Se aproximou para lhe dar um beijo mas Kanon se abaixou e lhe beijou a mão.
Ela sorriu sem graça, o irmão de Saga sabia mesmo como tratar uma mulher. Desceu as escadas e deu de cara com Dona que passou correndo pela casa de Gêmeos. Lizzy seguiu em frente até chegar a casa de Capricórnio onde encontrou Shura encostado em uma coluna.
– Bom dia Cavaleiro, posso ver a Bella por favor? – Pediu com educação.
– Mas é claro, venha. – E a acompanhou e entraram juntos no quarto.
Estavam todas sentadas espalhadas pela grande cama de Shura. Bella se sentou lentamente, já não sentia tanta dor.
– Como você está se sentindo? – Se aproximou Lizzy.
– Bem melhor! – ‘’Por fora’’, pensou Bella.
– Então já pode voltar para casa? – Continuou a Amazona de Castor.
– Ainda não! – Se intrometeu Shura. Todos olharam para ele. – Ehhhh vamos esperar até que ela se recupere bem, quero dizer. Melhor não arriscar. – Tentou não parecer obvio que não a queria longe de si.
– Uhu sei! – Mia entendendo toda a situação. – Onde está a Dona?
– Eu não sei! Teve que ir embora, talvez tenha esquecido de fazer alguma coisa. – Mentiu Shura.
– Que estranho! – Comentou Shiva. – Ela estava tão preocupada com a... – Mas parou imediatamente ao ver o Cavaleiro de Peixes entrar no quarto.
Afrodite também parou ao vê-la.
– Que bom que está aqui. Estava para te chamar. – Shura contente em ver o amigo.
– Afrodite, não tive a oportunidade de te agradecer, foi muito amável da sua parte ter me ajudado. – Bella agradeceu fazendo com que o pisciano ficasse todo vermelho.
– Não tem que me agradecer, tenho obrigação de salvar o próximo. – Sua resposta fez com que Shiva se sentisse um número.
– Você não acha que a Bella já está bem o suficiente para ir para casa dela Dr. Afrodite? – Mia soltou deixando Shura irritado.
– É um pouco cedo ainda, vamos esperar até amanhã! – Aquilo parecia uma sentença de morte aos ouvidos do capricorniano. – Afinal Shura tem suas obrigações também com o Santuário, não pode ficar enfurnado aqui dentro.
– É isso mesmo, não vou fazer a ronda no seu lugar não! – Aiólia avisou.
– Para que inimigos quando existem vocês como amigos! – Ironizou Shura. – Saga poderia mandar uma serva cuidar dela enquanto eu estivesse fora.
– Não! Nem pense nisso! Onde já se viu! De jeito nenhum! – Todas se manifestaram juntas!
– Já chegaaaaa! Ninguém vai ter que cuidar de mim estamos entendidos. – Se irritou Bella. – Está decidido, amanhã cedo vou embora!
– Amanhã de noite! – O capricorniano interveio.
– Shura, por favor, não me faça ir embora agora! – Silêncio. – Mais uma palavra sobre quando e como, juro que me levanto desta cama e vou embora sozinha!
Elas se despediram e começaram a sair. Afrodite se aproximou de Shiva e a convidou em voz baixa.
– Quer tomar um chá em minha casa? Já que estamos tão perto! – Esperou a resposta.
– Se o motivo do convite fosse que você queria estar na minha companhia eu talvez até aceitaria mas como o motivo é somente por estarmos próximos a sua casa não me resta outra que negar. – Se juntou as outras e foi embora deixando Afrodite irritado.
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Aiólia ficou em Leão e todas seguiram em frente. Máscara da Morte acordou com o barulho das meninas que passavam por sua casa. Tinha voltado para o seu quarto depois de mandar a serva embora. Levantou só de calça, abriu a porta do quarto e saltou do parapeito caindo em pé no meio da sala fazendo gritar a todas.
– Mas que diabos está acontecendo aqui? – Quis saber com as mãos na cintura.
Por mais que sua aparência seminua fosse extremamente chamativa seu olhar ameaçador as mantinham em alerta.
– Desculpe o inconveniente Cavaleiro, nós estávamos em Capricórnio visitando a nossa amiga. – Explicou Kat.
– Inconveniente? Ora são quase 10:00 horas da manhã, supostamente todos já deveriam estar acordados! – Ousou Mia.
Ele não disse nada, só andou na direção da leonina até ficar cara a cara com ela.
– Ehhh mas é c-claro que isso n-não é problema meu, não é mesmo?! – Mia dando um passo para atrás.
– Vou contar até dez e não quero ver mais a cara de nenhuma de vocês aqui dentro. – Todas começaram a esbarrar uma nas outras para sair dali. – Um, dois, três, Dez!
Saíram correndo tão rápido que quando deram por si já estavam chegando em Áries.
– Como a Bella pode gostar de um cara desse? – Shiva sem folego.
– Pois é! – Mia concordou.
San baixou a cabeça com o comentário, era a ultima pessoa que poderia dizer alguma coisa.
– Bem meninas acho que fico por aqui. Nos vemos mais tarde. – San as cumprimentou e entrou na 1ª casa do zodíaco.
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Máscara subiu se trocou e deixou Cynthia sozinha que ainda dormia. Foi até Capricórnio, precisava vê-la. Ao entrar encontrou Afrodite.
– Por Atena! Que casa mais movimentada! – Se queixou o Cavaleiro de Peixes.
– Tá com ciúme da alta popularidade da Amazona sardinha? – Brincou o canceriano.
– Ora me poupe! Mas confesso que estou impressionado. Por não passar de uma mera Amazona de Prata até que ela tem o seu valor, caso contrário, você não seria o quarto Cavaleiro de Ouro a vir visita-la! – O provocou Afrodite.
– Como assim o quarto? Quem mais veio aqui por causa dela? – Se irritou.
– Hahahahaha, está com ciúme da popularidade da Amazona siri em lata? – Deu uns tapinhas no ombro do Máscara da Morte e saiu.
– Shura é sério, eu estou bem! – Bella reclamou pois o capricorniano não a deixava tentar andar sozinha.
– Você fraturou duas costelas, se cair pode ter complicações. – Disse segurando-a pela cintura.
Bella parou, retirou a máscara e o olhou nos olhos. – Diz a verdade, você está adorando me tocar não está?
Ele se perdeu naqueles olhos verdes esmeralda. – Bella! Bella eu... – Mas foi interrompido por batidas na porta do quarto.
– Deve ser o Afrodite! – Bella recolocou a máscara.
Shura respirou fundo e jurou que jantaria peixe frito! Ao abrir a porta se arrependeu. Antes fosse o Cavaleiro de Peixes.
Máscara a olhou por cima do ombro do capricorniano. – Bella, você já está caminhando?
– Sim! – Respondeu tímida.
– Como você pode ver, ela está melhor. Hasta la vista! – Respondeu Shura tentando fechar a porta na cara dele que a segurou.
– Eu preciso falar com você Bella. Agora. – Ignorando completamente o outro Cavaleiro.
– Você não vai a lugar nenhum! – Se irritou Shura.
– Shura, deixe ele passar por favor! – Ela pediu.
– Mas Bella... – Tentou faze-la mudar de ideia.
– Por favor! Seremos breve, eu também preciso falar com ele. – Shura sentiu vontade de vomitar. Aquilo não estava acontecendo na casa dele. Passou a mão pelos cabelos e saiu. Máscara sorriu e fechou a porta.
– Então, do que se trata? – Bella tentando fingir que não se importava.
– Tomei uma decisão e achei que gostaria de saber. – Explicou.
– Hum sei, e o que seria? – Estava curiosa.
– Vou pedir o divórcio. – Se aproximou, arrancou a máscara dela e a beijou. Ela tentou resistir mas era impossível, amava aquele homem ao ponto de sentir uma dor no peito. Mas não poderia deixa-lo fazer uma coisa dessa. O empurrou e lhe deu um tapa com toda força.
– Não se atreva a fazer isso! – Ela ameaçou.
– Quem é que vai me impedir? – Ele ousou.
– Você não vai fazer o ponto final! Ela acabou de sofrer outro aborto, quer mata-la, será que não tem sentimentos? – Ela não queria nem imaginar as consequências daquilo.
– Não, eu não tenho sentimentos! – Ele disse sério.
– Então o que veio fazer aqui? – Perguntou magoada.
– Com você é diferente! Eu não sei explicar! – Ele passou a mão pelos cabelos bagunçando-os ainda mais.
– O amor é uma dadiva sabia? – Ela deu um passo na direção dele.
– O amor é uma desgraça que serve somente para te fazer de escravo! – Ele disse o que pensava.
– Máscara... por que veio até aqui? Por que se importa comigo? – Ela queria ouvir.
– Eu não sei! – Ele disse confuso.
– Sabe sim! Diga! Não tenha medo! – O segurou pelos punhos.
A olhou nos olhos. – Este é o problema, eu não sei dizer... assim como não sei amar. – Ela o soltou e virou de costas.
– Mas e se eu te disser que estou disposto a aprender? – A abraçou por trás.
– Então prove! – Fechou os olhos, não queria fazer aquilo.
– Diga o que quer e eu o farei! – E afundou o rosto nos cabelos cor de fogo.
– Cuide dela por mim! Cuide da Cynthia, ela precisa de você! – Ao escutar aquilo a soltou imediatamente.
– Mas que Diabo está me pedindo? Não! – Ele negou andando para trás.
Bella recolocou a máscara, era mais fácil se ele não visse sua fisionomia.
– Vá embora e faça o que eu te disse. Prove que existe algum tipo de sentimento dentro de você! Faça isso por mim. – Disse com o coração partido mas não lhe restava outra.
– Você está se sacrificando por ela. O que ganha com isso? – Ele não podia entender.
– Paz interior, eu não suportaria vê-la sofrer, ainda por cima por culpa minha. Alias, sou muito mais forte do que ela, não me importo de te perder. – Mentiu.
– Não se importa? – Perguntou sério.
– Não! – Sua voz saiu mais forte do que ela imaginava.
Ele não conseguiu dizer mais nada, destrancou a porta e saiu do quarto. Ela sentou lentamente na cama e cobriu o rosto com as mãos.
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– Mú? – Chamou San.
Ele apareceu atrás dela com a telecinese. Respirou fundo para sentir o perfume dos cabelos da tibetana, aquilo seria mais difícil do que imaginava. Ela deu meia volta e baixou a cabeça.
– Se for te incomodar, eu entendo Mú! Sei que disse que sim a Mia por educação. – Disse sem graça.
– Me admira escutar uma coisa dessa da sua boca, alias você vem me surpreendendo ultimamente com que diz. – Disse sério. – Se aceitei te ajudar quer dizer que no mínimo não me darei por vencido até estar seguro que aprendeu a lição.
Ela apenas sorriu, ele continuou sério. – Venha, vamos para os rochedos. – E partiram.
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Aiólia junto com Aldebaran e Dohko foram até a casa de Sagitário para organizarem a festa de aniversário do Cavaleiro de Peixes.
– E aí irmão? – Cumprimentou Aiólia.
– Sentem-se, o que querem beber? – Ofereceu Aioros.
– Cerveja! – Milo entrando sem ser convidado. – Muito bonito da parte de vocês nem me chamarem, amigos de araque!
– Para de chorar formiga venenosa! – Soltou Aldebaran.
– Senta aí Milo! – Mandou Aioros. – Nos reunimos para organizar a festa do Afrodite.
– Hum... e o velho Saga autorizou? Vocês não acham que ele anda mais bonzinho que de costume? – Sorriu maliciosamente Milo.
– Não seja ingrato! Ele sempre acaba autorizando. – Defendeu Aioros.
– Nossaaaaa não falem mal do chefinho que o arqueiro se ofende! – Zombou o escorpiano.
Dohko virou os olhos e Aldebaran riu.
– Será que dá para falar seriamente? – Se irritou Aioros.
– Mas é claro! Vamos lá... ele é sueco, o que me dizem de fazer uma festa típica, a gente aproveita a disponibilidade do Capo Saga e traz uma loiras suecas lindas para animar a festa. – Milo empolgado.
Eles se entreolharam. – Não seja ridículo! – Respondeu enfim Aioros.
– Ahhh vai dizer que vocês não gostaram da ideia? – Milo deu uma cotovelada em Aiólia.
– Interessante! Bastante interessante. – Suspirou o leonino.
– Ei você fica esperto que tem namorada. Deixa ela te ouvir soltar essas gracinhas. – Aioros defendendo Mia.
– E é bravinha que só ela. Ficou toda nervosinha quando falei da Shaina. – Lembrou Milo.
Aiólia se levantou e pegou Milo pelo colarinho. – Tinha me esquecido seu desgraçado! Vou dar nessa sua cara feia para você aprender a não se meter na vida dos outros.
Todos se levantaram para apartar. Aldebaran segurou Milo, Dohko se colocou no meio e Aioros segurou o irmão.
– Larga o seu caçula que eu vou mostrar para ele quem vai dar na cara de quem. Você comeu a minha ex namorada e vem dar uma de bom moço moralista. – Milo encarou Aiólia.
Aldebaran e Dohko olharam o leonino e levantaram a sobrancelha.
– Isso é mancada cara! Com ex namorada não se mexe. – O Cavaleiro de Touro concordou com Milo.
– Não é nada disso! Esse cretino a tratou como uma vagabunda e ela foi chorar as magoas na minha casa. – Explicou Aiólia.
– Daí você foi lá e comeu ela como consolação! Ahhhh se liga! – Milo ironizou.
– Eu não comi ninguém seu idiota! Eu tenho namorada esqueceu? – Aiólia se irritou.
– É impressão minha ou você está com ciúme hein escorpião? – Se meteu Aioros.
– Ciúme? Hahahahahaha não seja ridículo, só avisa o seu irmãozinho que a partir do momento que ele coloca suas garrinhas na minha ex namorada perde o direito de ficar nervosinho quando eu falo dela para a namoradinha dele! E me larga Deba! – Deu um puxão e se soltou.
Cada um foi para o seu lugar. Aioros trouxe uma cerveja para casa um.
– Festa, Suécia, namorados, ciúme... por que não matamos dois coelhos com uma cajadada só e organizamos um baile de máscaras com o tema São Valentino? Já que o dia dos namorados passou e ninguém comemorou. – Sugeriu Dohko.
– É, mas só o leão iria poder festejar... – Aldebaran foi sincero.
– Que nada! O Shura e o Máscara podem comemorar com a ruiva os três de uma vez, que delícia hein! – Se divertiu Milo.
Aioros colocou as mãos na cabeça.
– Vocês estão esquecendo do Mú de Jamiel que também tem com quem festejar. Um casal perfeito na minha opinião! – O leonino não perdeu a oportunidade.
Milo fechou a cara. – Hunf! Até parece, ela não tem olhos para ele!
– Será? Estranho porque tive a impressão de vê-los saírem juntos agora pouco. Bem juntinhos. – Sorriu Aiólia.
– Para onde eles foram? – Quis saber Milo.
– Calma escorpião! Perdeu o senso de humor? – Aldebaran levantou as mãos.
– Eles foram para os rochedos se não me engano. – Milo não pensou duas vezes e saiu. – Não me olhem assim, é bom para ver se ele aprende a cuidar da própria vida! – Aiólia se defendeu.
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San parou e Mú se virou.
– O que foi? – Perguntou o ariano sem entender.
– Me sinto uma inútil! Tendo que fazer você parar com suas obrigações para me ensinar uma coisa que eu já deveria saber. – Cruzou os braços e fez bico, ele achou graça.
– Em primeiro lugar, não estou deixando de fazer nada para estar com você aqui, alias posso até incluir isso nas minhas obrigações, agora quanto a você já ter que dominar a telecinese, isso é verdade. – Ela baixou a cabeça depois de ouvir isso. – Mas por Atena, não me interprete mal, talvez você tenha se preocupado mais em aperfeiçoar outras técnicas. Agora não fique assim. – E massageou a lateral dos braços dela.
– Até o Kiki é melhor do que eu! – Ela resmungou.
Ele ergue o rosto dela pelo queixo. – Chega San! – Disse sem conseguir conter o riso.
– Oh! Você está rindo de mim? – Fingiu indignação e acabou rindo também.
Milo escutou vozes e risos. Estavam felizes. Sentiu inveja daquele sentimento tão desconhecido. Só se sentiu assim quando uma garota de cabelos rosas resolveu aparecer na sua vida. Mas por covardia de se deixar levar por aquele sentimento resolveu partir seu coração e se esconder atrás de uma muralha imaginária de desinteresse. E agora estava ali, pateticamente sentindo os tijolos do seu tão solido muro serem estremecidos por aquele sentimento pelo quão decidiu fugir. Se aproximou até que os viu sentados no chão em posição de lótus um de frente para o outro. O ariano a olhava com ternura, existia harmonia entre eles, um “casal perfeito” havia dito Aiólia, aquela constatação o feriu, era como se alguém estivesse estraçalhando seu coração. Um “casal perfeito” sentiu uma lágrima escorrer pelo seu rosto, não lembrava a ultima vez que havia chorado, não se recordava de haver chorado alguma vez. Apertou os olhos, não conseguia mais olhar aquela cena. Com um passo atrás de cada vez se afastou até não ter mais aquela maldita imagem do “casal perfeito” diante de si.
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A noite chegou e Lizzy foi ao encontro de Kanon. Ao chegar a 3ª casa fez com que o geminiano perdesse a fala.
– Uau! – Foi a única coisa capaz de dizer.
– Como estou? – Disse dando uma voltinha. Vestia um macacão de seda branco frente única com um cinto de metal dourado que combinavam com os braceletes, uma pequena bolsa e saltos alto também dourados. Tinha os cabelos soltos que contornavam o rosto coberto pela máscara e desciam quase até a cintura bem cacheados.
– Está um espetáculo! Ficaria a noite inteira aqui parado só te admirando. – Confessou Kanon.
– Mas é claro que cavalheiro como tem se mostrado, não cometerá uma crueldade desta. Estou morrendo de fome! – Brincou.
– Claro que não! Vamos então? – Ofereceu o braço a ela.
Lizzy aceitou e começaram a subir as escadas em direção a próxima casa. Ela franziu o cenho.
– Desculpe mas onde estamos indo? – Quis saber.
– Oh eu não disse afinal! Meu irmão me convidou para jantar com ele e Atena na 13ª casa. – Kanon disse todo orgulhoso.
Os joelhos de Lizzy falharam e ela perdeu o equilíbrio. O Cavaleiro de Gêmeos a amparou a tempo.
– Elizabeth? Você está bem? – Perguntou preocupado.
Ela levantou devagar. – Sim, estou bem! Foi só uma tontura.
Seguiram em frente e quando chegaram na entrada dos jardins da 13ª casa, ela soltou o braço de Kanon e começou a descer as escadas de volta. Ele a alcançou e segurou seu braço.
– Eu não posso! Não posso! – Disse em pânico.
– Mas qual o problema? Se acalme! – Kanon não entendia a atitude da Amazona.
Ela respirou fundo e se virou. Era tarde demais, Saga se aproximava da entrada da casa para receber seu irmão com a misteriosa convidada.
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