Ironia do Destino
20 A dor da vingança
Notas iniciais
Lizzy subiu bem devagar as escadas, não sabia qual seria a reação dele. Queria sair correndo dali. Saga se aproximou, estava sem o elmo, viu a cor desaparecer completamente do rosto dele e com ela foi seu ultimo sopro de coragem. Kanon notando a resistência dela, a puxou para mais perto.
– Está tudo bem querida! Vamos! – Entrelaçou a mão na dela. Saga acompanhou o movimento com os olhos e desviou o olhar. Lizzy teve vontade de chorar, foi quando Larissa apareceu próxima a porta e a fez relembrar tudo e criar forças. Ergueu a cabeça e seguiu em frente.
– Sejam bem vindos! – Os recebeu Saori.
– Obrigado Atena! – Os dois fizeram uma reverência e a seguiram. Saga caminhava sem dizer uma palavra, estava em choque.
– Boa noite Saga! – O cumprimentou Kanon.
Ele não respondeu súbito, olhou para Lizzy. – Boa noite!
– Então Saga, era ela! Ai! Lizzy? – Ela cravou as unhas na mão dele. – Tudo bem, nós somos irmãos, não tem problema. – Disse à ela.
– Que surpresa! Nunca poderia imaginar... – Saga respondeu sarcástico ao irmão que não percebeu. Ela respirou fundo.
Entraram e o jantar foi servido logo em seguida. Lizzy foi a primeira a quebrar o silêncio.
– A proposito, obrigada pelo vestido... e pelos recados enviados juntos a ele também. – Larissa quase engasgou ao ouvir a Amazona.
– Ah claro! Espero que entenda que eram sobre uma situação completamente sem importância. Tudo fruto de uma emoção momentânea! – Saga lembrando da carta que lhe havia enviado. Se sentia um cretino por tê-la escrito e por dizer aquilo.
– Claro! Não tive nenhuma dúvida! – Respondeu séria. – Completamente sem importância. Bem típico!
Saori reparou que havia algo errado e resolveu mudar de assunto. – Gostaria que soubessem que fico feliz em vê-los juntos! – Se referindo a Kanon com Lizzy. – Formam um belo casal, ouso dizer.
Lizzy ficou vermelha da cabeça aos pés.
– Não precisa se encabular Elizabeth, Atena tem razão, você combina fisicamente com o meu irmão gêmeo, não sei no resto porém, somos parecidos somente por fora até onde sei, por isso não posso afirmar nada além da aparência. – Saga ironicamente.
– Saga! – Kanon o encarou. – Mas que tipo de comentário é esse?
Saori interrompeu. – Desculpem, devo me retirar antes da sobremesa, amanhã tenho que madrugar praticamente. Espero que tenham disfrutado do jantar, com licença. – Se despediu. Todos se levantaram por educação e voltaram a se sentar.
– Eu também não quero sobremesa, obrigado! – Lizzy informou a serva que se aproximou para retirar os pratos.
– Aposto que Kanon também não. Afinal ele já tem garantido a sua para mais tarde! – Saga jogou na cara dele.
– Agora já chega! – Kanon se levantou. – Eu estava me segurando por Atena. Qual é o seu problema esta noite?
– Acho melhor irmos embora! – Lizzy também se levantou.
– A Senhorita terá que aguardar um pouco mais. – Informou Saga. – Venha Kanon, quero ter uma palavrinha com você em particular.
Lizzy entrou em pânico, ele ia contar tudo.
– Pare com isso Saga! Seu irmão não tem nada a ver com isso. – Ela implorou.
– Será que alguém pode me dizer o que está acontecendo aqui? – Kanon começou a perder a paciência.
– Venha! – Saga foi com o irmão para a biblioteca.
Já lá dentro, o Grande Mestre trancou a porta.
– Você está interessado nela não é mesmo? – Concluiu Kanon.
– Sinto te informar mas ela está te usando! – Saga mudou de assunto.
– Você não respondeu minha pergunta! – Kanon o encarou.
– Estou fazendo isso para o seu bem, não seja moleque! – Saga se irritou.
– Você continua sem responder a minha pergunta! – Perdeu a paciência.
– Vocês estão juntos a quanto tempo? E quão junto estão? – Saga temia a resposta.
– Isso não te diz respeito! E por que eu deveria responder sua pergunta se você não é homem de responder a minha? – Kanon deu um soco na escrivaninha.
– Sim, eu estou! – Confessou Saga. – Ou estava!
Silêncio...
– Vocês já estiveram juntos? – Kanon não acreditava no que estava ouvindo.
– ...Sim! – Confessou. – Ela está com você por despeito meu irmão.
Kanon caminhou até a janela e ficou ali parado olhando para o nada, depois se virou. – Quer saber o que acho? Ela não está comigo por despeito coisa nenhuma, ninguém faz sexo e grita o nome do homem que tem nos braços quando goza por despeito a outro homem. E eu não lembro de ter ouvido o seu nome Saga! Ela está comigo porque ao contrário de você, eu soube trata-la com respeito, como um homem deve tratar uma mulher. E acho bom você não estar mais interessado nela, porque eu estou e muito! E se ela quiser ficar comigo, sinto muito meu irmão mas terá que sobreviver com isso. – Virou as costas e saiu da biblioteca batendo a porta, deixando Saga imóvel e sem fala.
Enquanto isso na sala de jantar, Larissa se aproximou com a desculpa de retirar o restante dos pratos.
– Eu fico me perguntando, você gosta do gene, é ninfomaníaca ou tudo não passa de uma pirraça barata? – A serva se divertiu.
– Desde quando eu devo satisfação a uma mera serviçal? – Lizzy se controlando para não voar no pescoço dela.
– Serviçal sim, porém feliz e descomplicada. O que não é o seu caso ouso dizer! – Jogou Larissa.
– Você não tem amor a vida mesmo sua vagabunda! – Lizzy se levantou e elevou o cosmo. – Não pense que tenho algum problema em te matar aqui e agora!
Larissa deixou cair os pratos no chão e começou a andar para trás. Até trombar com Kanon. Lizzy estava tão fora de si que não foi capaz de distinguir qual dos irmãos caminhava na direção dela.
– Vamos embora Lizzy! – A agarrou pelo braço e a arrastou dali.
– Você vai morrer sua desgraçada! – A Amazona ameaçou a serva antes de desaparecer pela porta principal.
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Shura passou a maior parte do dia fora, estava enfurecido por ter sido obrigado a dar privacidade à Bella e Máscara da Morte em sua própria casa, era só o que faltava. Entrou no quarto sem bater. Bella se assustou.
– Oh Shura é você?! – Disse com a mão no peito.
Ele nada disse. Passou por ela e entrou no banheiro, se despiu e tomou um banho demorado. Voltou para o quarto só com uma toalha amarrada na cintura, tinha as costas molhadas, Bella retirou a máscara e observou como as gostas de água caíam do seu cabelo e percorriam os músculos das costas até desaparecerem. Ele notou o olhar dela pelo espelho. Ela não era totalmente imune à ele, pensou. Usaria isso a seu favor.
– Está com fome? – Provocou o capricorniano.
Bella ficou totalmente vermelha. Ele sorriu.
– É, acho que um pouco, você está? – Disse sem jeito.
– Não pode nem imaginar quanto! – Disse encarando-a pelo espelho. Se virou e caminho na direção dela.
– Shura? – Arregalou os olhos ao vê-lo se aproximar. – O que você tem?
– O que acha que tenho Bella? Não somos crianças. Eu sou homem e não é fácil dividir o mesmo espaço com uma mulher sem sentir alguma coisa, principalmente se essa mulher mexe com meus sentimentos. – Revelou o capricorniano.
– Sentimentos? – Ela se surpreendeu com a sinceridade dele.
Parou ao lado da cama e apoiou as mãos nos joelhos. – Sentimentos Bella, amor e ódio, é isso o que sinto por você se te interessa saber.
– Eu não sabia... – Desviou o olhar.
– O Olimpo inteiro sabe menos você! Muito conveniente! – Levantou uma sobrancelha. – Eu te odeio por tudo o que me fez e faz passar. Eu te odeio por me fazer sentir pena em vez de raiva. Eu te odeio por me fazer não ter coragem de dar na sua cara. Eu te odeio por fazer o amor que sinto por você ser superior ao amor que sinto por mim mesmo. – Se levantou como se nada tivesse acontecido, caminhou até o guarda-roupa, deixou a toalha escorregar até o chão e vestiu uma calça de moletom cinza sem nada por baixo.
Bella estava de boca aberta. Nunca o havia visto assim, tão agressivo e possessivo. Ele não merecia estar passando por aquilo, alias ultimamente só tinha feito sofrer as pessoas ao seu redor. Olhou para aquele homem lindo e magoado na sua frente. Se levantou e foi até ele. Shura a acompanhava pelo espelho. Quando Bella levantou a mão com intenção de tocá-lo, ele se virou e a agarrou seu pulso.
– Nem pense nisso mocinha! Eu não quero e não preciso da sua piedade! – Disse firme.
Ela não soube o que dizer.
– Volte para cama, eu vou comer alguma coisa, servida? – O Cavaleiro perguntou com indiferença.
– Perdi o apetite! – Se virou séria e voltou para cama.
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Kanon e Lizzy desceram em silêncio até Gêmeos.
– Vai me dizer o que ele te disse? – Ela quis saber.
– Ele me disse tudo Elizabeth! – A encarou.
– Defina tudo! – Esperou pelo pior.
Ele se aproximou até ficar poucos centímetros dela.
– Eu sou um cara legal na maioria das vezes. Mas não pense que tenho sangue de barata! Não me interessa se você transou com o meu irmão ou não, o que você fez antes de estar comigo é problema seu! Apesar de ter mentido para mim quando te perguntei se vocês estavam juntos, sou capaz de deixar isso tudo para lá e começar de novo. Só me diga uma coisa, mas dessa vez eu quero a verdade você me entendeu? – Colocou o dedo na cara dela.
Ela só balançou a cabeça em afirmação, não acreditava que Kanon pudesse ser tão maduro.
– Você está me usando? – Perguntou tão sério que ela não conseguiu responder súbito.
Lizzy tentou tocar o rosto dele mas Kanon a deteve. – Responda!
– Eu jamais faria uma coisa dessa! Que tipo de mulher você pensa que sou? – Se ofendeu.
– Eu só quero saber. Acho que tenho esse direito não é mesmo? Qualquer ser humano em boas condições mentais poderia pensar uma coisa do tipo, principalmente depois de saber que a mulher com quem fez amor esteve na cama do seu irmão gêmeo 24 horas antes. – Jogou na cara dela.
– Kanon, tudo não passou de uma coincidência! Seu irmão me magoou é verdade, mas você me consolou, apareceu em minha vida na hora certa, como posso explicar? Você tapou o buraco que Saga deixou no meu peito! – Começou a chorar. – E se não acredita dane-se também! – Foi em direção a saída.
Kanon elevou o cosmo e bateu a porta fazendo-a saltar. A virou e disse olhando-a intensamente. – Obrigado por me explicar, era exatamente o que queria ouvir. – E a beijou com força, ela correspondeu.
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Bella puxou a coberta até o queixo e fingiu estar dormindo quando escutou Shura voltar para o quarto. Ele a olhou e sorriu, sabia que a Amazona estava acordada. Deu a volta na cama, apagou a luz e deitou. Nem meia hora depois, Bella se virou devagar e o espiou. Agora era ele quem fingia dormir. Ela ficou ali observado o rosto do espanhol no escuro, levemente iluminado pela luz do luar que transpassava as cortinas. Tocou de leve o braço dele e foi deslizando o dedo até chegar no peito nu, contornou o abdômen bem definido e voltou a subir de volta até acabar por descansar a mão aberta sobre o coração do Cavaleiro. Aos poucos foi se aproximando até que pode apoiar a cabeça no peito dele. Ele levantou uma mão e colocou uma mexa de cabelo atrás da orelha dela, fazendo-a paralisar.
– Sabe qual é o seu problema? Você está carente de um homem de verdade. Um que saiba realmente como tratar uma mulher! Mas você prefere os mal educados e sem coração, fazer o que não é mesmo! – Ela virou de volta imediatamente e se cobriu outra vez. – Buenas noches Bella! – Disse com um sorriso e não obteve uma resposta como esperado.
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O sol nasceu cedo no Santuário. Kat, Shiva e Dona foram treinar. San foi ao encontro de Mú para continuar seu aperfeiçoamento da telecinese.
Tenma estava com Yato nos rochedos se preparando para treinar quando Shaina apareceu.
– Ahhh mas que belezinha! – Yato não se controlou. Tenma se irritou e deu um tapa na nuca do amigo. – Au! Ficou doido?
Ela achou graça.
– Ela não é para seu bico não! – Se irritou Tenma.
– Você sabe que eu adoro mulheres de cabelos verdes, além do mais, quem é você para me dizer se ela é ou não para o meu bico. Por que não a deixamos decidir. – E foi na direção dela que parou com a mão na cintura.
– Vai lá babaca! Vou ficar aqui só assistindo de camarote ela dando bem no meio da sua cara! – Gritou Tenma.
– Então, eu me chamo Yato! – Se apresentou o Cavaleiro de Unicórnio.
– Shaina! – E estendeu a mão deixando Tenma de boca aberta.
– Espera aí! Ele você trata bem? Quer saber, você é louca! Completamente maluca... com máscara ou sem máscara! – Deu as costas e foi embora.
– Não liga para ele não! Vêm cá... aí! – Antes que Yato pudesse se aproximar, Shaina o segurou pelo antebraço e o jogou contra os rochedos. Ele caiu de cabeça para baixo. – O Tenma tinha razão, você é maluca mesmo! – Disse massageando a cabeça.
Ela parou e olhou para Yato fazendo-o calar. Depois seguiu em frente até encontrar Tenma perto da praia.
– O que você quer aqui? Não gostou do Yato e veio mendigar minha atenção? Cai fora Shaina! – Disse magoado.
Ela sorriu. – É impressão minha ou você está morrendo de ciúme?
– Ha ha ha, não seja ridícula! Por que eu sentiria ciúme do Yato? – Cruzou os braços.
– E quem disse que estou me referindo ao Unicórnio? – Também cruzou os braços e bateu com o pé no chão.
– Quem então? Você? Hahahaha para com isso Shaina! Não acha que está se dando importância demais? – A esnobou.
Aquele comentário a magoou mais do ela esperava. – Você tem razão! Afinal por que estaria incomodado se outro homem se interessasse por mim, nem lembra que eu existo! – Virou de costas.
– Espera, também não é assim! Tá! Eu não gostei de te ver com o Yato, ahhh sei lá Shaina, não me obrigue a dizer essa coisas. – E parou na frente dela.
– Eu não te obriguei a nada moleque! – E sorriu.
– Você está rindo de mim? – Ele com vergonha.
– Para dizer a verdade não. Achei bonitinho. – Confessou sem graça.
– Bonitinho? Isso é coisa de maricas.... ehhhh Shaina, vendo que hoje você não quer me matar como sempre, será que posso te pedir uma coisa? – Perguntou sem jeito.
– Hum... o que é? – Disse desconfiada.
– Tira essa máscara, eu não gosto de conversar com essa coisa de ferro. – Ela não respondeu e ele esticou o braço mas ela o segurou antes que pudesse tocar seu rosto.
– Não! – O empurrou e virou para ir embora.
Ele recuperou o equilíbrio, a puxou de volta. Ficaram cara a cara. – Por favor? – Tenma pediu com a voz rouca.
Ela não resistiu e deixou que ele a retirasse. – Tão linda! – Ele corria o rosto dela com os olhos.
Quando os olhares dos dois se encontraram, não viram mais nada e se beijaram com urgência.
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Afrodite, Camus, Aiólia, Aioros e Dohko foram até a parte de trás da arena para ver o lugar onde seria feita a festa de aniversário do Cavaleiro de Peixes.
– Vejam que maravilha, temos espaço de sobra! – Abriu os braços Dohko.
– Eu diria que é grande demais, não tenho nenhuma intenção de convidar todo o Santuário. É o meu aniversário, só quero os melhores. – Afrodite com cara de esnobe.
– Daqui a pouco ele vai querer ir sozinho! Festa é festa, precisa de pessoas! – Aiólia explicou.
– Não vamos convidar todo mundo, até porque com um tema desses, temos que estar mais ou menos com o mesmo numero entre homens e mulheres. – Frisou Aioros.
– O que limita bastante a quantidade de convidados, já que nós homens somos em grande maioria. – Observou Camus.
– Eu não sei não, um baile de máscaras até vai, mas esse negócio de misturar os casais através de um sorteio para dançarem juntos não vai dar certo! – Aiólia já pensando com quem Mia poderia dançar no lugar dele.
– Com exceção do aniversariante que terá o direito de escolher a mais bonita! – Essa tinha sido a condição de Afrodite.
– De bobo você não tem nada né! – Aioros brincou. – E vê se relaxa irmão e confie mais no seu taco! Mia não vai te trocar só porque dançou com outro. Afinal nós dois fazemos parte da melhor genética do Santuário.
– Vou fingir que não ouvi isso! – Afrodite debochou.
Camus virou os olhos. – Bom, então se isso é tudo, vamos embora!
Deram a volta para passar pela arena e avistaram Kat, Dona e Shiva que treinavam juntas uma contra outra. Decidiram se sentar para assistir o combate.
Dona se esquivou de um soco de Shiva e passou uma rasteira. A pisciana caiu de costas mas com um impulso dos braços voltou as estar de pé, deu um giro de 360º com a perna e acertou Dona com um chute na nuca.
– Uhhhh! – Todos disseram em coro.
– Rápida a chinesinha hein! – Observou Aioros.
Dona balançou o cabelo cheio de terra, se levantou e tentou dar um soco em Shiva que conseguiu segurar o punho fechado da Amazona. Mas desta vez Dona não perdeu tempo, agarrou Shiva pelo braço e a atirou no chão torcendo seu braço para trás até ela não aguentar mais.
– Rápida mas tem muito que aprender ainda! – Avaliou Camus.
– Ora, mas o que é isso? É normal que a outra seja mais forte e preparada. Não se pode comparar a habilidade e força de uma Amazona com uma Aspirante! – Se irritou Afrodite.
– Não precisa se alterar Afro! Camus só comentou. – Aiólia se divertiu.
– Comentário totalmente desnecessário! – Afrodite insistiu.
Camus o olhou e balançou a cabeça em negativa. – Não se deixe influenciar pelas emoções, eu já te... – Mas teve a atenção roubada quando Kat se posicionou entre as duas em posição de ataque.
Os outros quatro olharam para o aquariano e começaram a rir.
Kat era atacada por todos os lados. Desviava com maestria de todos os golpes. – Vai ficar fugindo até quando? – Shiva a provocou.
Dona e Shiva a atacaram juntas. Kat saltou e abriu as pernas em 180º, chutando o estômago das duas ao mesmo tempo. Elas se levantaram e ficaram em posição de ataque. Quando partiram mais uma vez, Kat elevou o cosmo e liberou o golpe. – Execução aurora! – Fazendo com que as duas caíssem cada uma de um lado da arquibancada.
Camus olhou para Afrodite. – O que você estava dizendo sobre Amazonas e Aspirantes? – Sorriu todo orgulhoso.
– Peraí, tem alguma coisa errada! Essa garota já era para ser Amazona a muito tempo. Alguém sabe me dizer o motivo dela ainda ser uma Aspirante? Porque deve existir um! – Aioros observou.
Camus não havia pensado nisso, mas naquele momento não tinha cabeça e nem queria perder tempo com enigmas, só queria aquele corpo esbelto e habilidoso que conhecia muito bem na sua cama. Se levantou e foi ao encontro da russa.
– Kat? – A chamou.
Ela não pode conter o sorriso. – Desde quando está aqui?
– Desde quando você resolveu me encher de orgulho na frente dos meus amigos. – E apontou para a arquibancada.
Ela corou. – Veio me ver treinar?
– Na realidade não, mas foi irresistível não parar para admirar, assim como é irresistível não te convidar para almoçar comigo, tomar banho comigo, dormir comigo. – Ele disse em voz baixa.
– Camus! – Ela ficou sem graça.
– Por favor não negue, eu imploro! Senti tanto a sua falta. Não aguento mais. Minha cama esteve tão vazia e triste sem você. – Confessou.
– Eu também senti a sua falta, até demais, achei que não fosse me convidar nunca. – Sorriu tímida.
– Pois saiba que eu não preciso te convidar, as portas de Aquário estarão sempre abertas para você. Vamos? – Pediu ansioso.
– Vamos! – E o seguiu para fora da arena.
Aiólia foi ajudar Dona e Afrodite foi até Shiva.
– Camus e Kat? – Dohko levantou uma sobrancelha.
– Eu acho que nessa festa vamos ver mais casais já formados do que você imagina! – Riu Aioros.
– Dona você está bem? – Aiólia a ajudou a se levantar.
– Estou bem, são apenas pequenos cortes e um braço quase congelado. Nada que um bom banho e alguns curativos não resolvam, obrigada! – Agradeceu a gentiliza do leonino.
– Quer que eu te acompanhe até sua casa? – Se ofereceu.
– Não precisa se incomodar, porém Mia está lá sozinha, acho que vai adorar a surpresa se você aparecer assim do nada. – Propôs Dona.
– Sendo assim, vamos para sua casa! – E partiram em seguida.
– Aiiii! – Reclamou Shiva. Sua calça havia rasgado e tinha a parte interna da coxa queimada pelo ar congelante do golpe de Kat.
– Isso está feio! – Afrodite observou.
Ela se assustou e acabou escorregando no degrau da arquibancada mas ele a segurou a tempo, antes que terminasse no chão.
– Atenta! Quer se machucar ainda mais? – Ele disse com ela nos braços.
– Me solte! Não preciso de ajuda. – Se debateu Shiva.
Ele se irritou e a soltou, fazendo-a cair de costas no chão. – Não precisa pedir duas vezes. – E deu as costas.
Shiva se virou de lado e chutou os pés dele com toda força. Afrodite caiu sentado. Aioros e Dohko que já estavam indo embora, olharam para trás e caíram na gargalhada.
Ele se levantou lentamente, limpou a terra das suas calças e se abaixou perto dela. – Acho que a sua memória não anda muito boa! Lembra o que aconteceu da ultima vez que me agrediu com essa sua mãozinha esperta Senhorita? Você quebrou o pulso! – E agarrou o tornozelo dela com força. – Agora não reclame se aparecer de pé quebrado da noite para o dia!
– Ai! Você está me machucando! Pare! – Ela gritou.
Afrodite apertou ainda mais. Ela começou a chorar. E ele a largou imediatamente. Shiva encolheu as pernas e massageou o tornozelo.
– Saia daqui! – Gritou magoada.
– Me desculpe! E-eu não sei o que me deu! – Tentou se aproximar.
Ela levantou com dificuldade e caminho para trás. – Não se atreva a encostar a mão em mim outra vez.
– Deixe eu ver isso? – Passou a mão pelos cabelos nervoso.
– Eu disse para sair daqui! Me deixe em paz! – E saiu correndo do jeito que conseguiu... mancando.
Ele cobriu o rosto com as mãos arrependido.
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