Ironia do Destino
15 Amor impossível
Notas iniciais
Aquilo não poderia estar acontecendo. A esposa dele era a Cynthia, a mesma que anos atrás a salvou, que considerava como uma irmã, a última pessoa no mundo na qual ela poderia pensar em trair. Isso só poderia ser um pesadelo.
Bella caminhou até estar frente a frente com Cynthia. – Oi Cyn, quanto tempo não é mesmo? – Disse um pouco desanimada.
Ela não havia reconhecido Bella imediatamente, mas ao escutar sua voz, a imagem de uma menininha de cabelos cor de fogo invadiu sua mente.
– Bella? Bella é você? – Ela não acreditava no que estava vendo.
– Sou eu mesma Cyn! Desculpe se não posso tirar a máscara. É que agora sou uma Amazona. – Bella não sabia se sorria ou chorava.
– Oh por todos os Santos! Você se transformou em uma mulher maravilhosa! Máscara você conseguiu reconhecer a Bella de imediato? Que cara é essa meu amor? – Cynthia não entendia o porque do olhar horrorizado do marido.
Ele se aproximou de Bella que o encarava. – Cyn por que não vai arrumar as suas coisas, o meu... aaa o nosso quarto fica no andar de cima.
– É melhor mesmo, assim me livro de uma vez. Bella não vá embora, temos muito que conversar. Estou tão feliz que esteja aqui. É muita sorta a minha ter uma amiga por perto. – E subiu com a mala.
Bella esperou ela entrar no quarto, se virou e deu um tapa com toda força no Cavaleiro. – Eu te odeio! – Disse entre os dentes.
Ele massageou o rosto e se aproximou ainda mais. – Mentiu e continua mentindo para mim! Você me ama! – A encarava com intensidade.
– Eu menti para você? Como pode dizer uma coisa dessa? – Ela não acreditava no que estava ouvindo.
– Olhe nos meus olhos e diga que não me ama! – Ele a segurou pelo queixo. – Vamos Bella estou esperando!
– Eu não... não faça isso comigo! – Não conseguia mentir.
– Como imaginei. E posso saber por que não me contou que era aquela pirralha que Cynthia botou para dentro de casa? – Ele passou a mão pelos cabelos.
– Eu disse que te conhecia! E você me reconheceu... espera aí, você não me reconheceu não é mesmo? – Estava indignada.
– Oh pelo amor de todos os Deuses, olhe para você Bella! – A agarrou pelos ombros e a girou para que ficasse de frente para o espelho. – Como eu poderia reconhecer você? Antes não passava de um ratinho qualquer, mas agora, se transformou na coisa mais linda que já tive a oportunidade de ver na minha vida.
– Por que então afirmou ter me reconhecido? – Ela sentia uma dor no peito.
– Por que desde o momento em que entrou naquele salão eu quis te levar para cama. – Disse bem próximo ao ouvido dela. – Não precisei me esforçar muito, o destino te jogou nos meus braços. – Deu um sorriso torto.
– Me largue Máscara, a sua ESPOSA está no andar de cima. – Ela jogou na cara dele.
– E daí? Não é ela que eu quero. E além do mais, agora você é minha Bella. – A girou de volta e se aproximou dos lábios dela.
– Perdeu o juízo? Eu jamais seria capaz de fazer alguma coisa contra a Cynthia. E você sabe melhor do que eu que ela não sobreviveria sem você! – Disse com pesar.
– Eu quero você e você me quer. Tão simples. – Começou a contornar o queixo dela com a boca.
– Não! Nunca! Jamais serei capaz de magoá-la! – Esse comentário o fez parar.
– Muito tarde não acha? Você já o fez. Quer que eu a ponha no próximo voo para Itália? Se é isso o que quer, o farei! Mas não admitirei ficar longe de você! Tinha razão quando disse que perdi completamente o juízo, porque é com loucura que te quero. – E a beijou, ela não resistiu e retribuiu. A empurrou contra uma coluna e passou a mão por baixo da coxa esquerda dela erguendo-a. Estava completamente excitado.
– Você me deixa louco. – Dizia entre os beijos.
– Não Máscara. Pare! – Ela tentava criar forças para afastá-lo.
– Eu quero você! Agora! – E a apertou contra ele.
Escutaram uma porta se abrir no andar de cima e separaram ofegantes. Bella tentava encontrar ar com as mãos no pescoço e ele ofegava olhando-a com desejo apoiado contra a parede. Cynthia surgiu no alto da escada.
– Que bom que vocês ainda estão aí. Meu celular não funciona. O sinal é ruim daqui? – Ela nem imaginava o que estava acontecendo.
– Nenhum aparelho desses funciona dentro do Santuário. Se precisa ligar para alguém terá que ir até a cidade. – Disse sem se importar.
– Como faço para chegar a cidade? – Perguntou descendo as escadas.
– Desça as casas de volta e se informe. – Ele com pouco caso.
– Ora, onde já se viu! Eu te acompanho. – Bella se propôs.
– Você não pode sair do Santuário sem autorização. – Máscara a encarou.
– Eu não quero causar problemas, vou sozinha. Nos vemos mais tarde Bella. – E abraçou a Amazona.
– Me desculpe! – Bella sussurrou enquanto a abraçava.
– Mas que bobagem, não precisa se desculpar. Você não tem culpa, encontrarei o caminho sem problemas, você verá! – Cynthia sem entender o verdadeiro motivo do pedido de desculpas da amiga, deu meia volta e saiu da casa.
Bella tentou segui-la mas foi detida pelo Cavaleiro de Câncer.
– Nem pense em sair e me deixar assim. Preciso de você! – Disse abraçando-a por trás.
– Sua esposa pode resolver o seu problema quando voltar. – Respondeu magoada.
– Não deveria sentir ciúme, sendo você a única mulher pela qual eu seria capaz de fazer qualquer coisa. – Ela fechou os olhos. – Se eu soubesse o que é amar, poderia até ousar dizer que a amo.
Ela se virou e ele arrancou sua máscara. – Você não sabe o que está dizendo. Não brinque com o meus sentimentos. – Bella encheu os olhos de lágrimas.
– Eu não sei o que está acontecendo comigo, eu nunca senti nada parecido antes. – Ele parecia tão sincero e confuso. – Não chore por favor. – E limpou uma lágrima que escorria pelo rosto delicado dela.
– Será que não entende? Esperei a vida inteira por você e agora que o tenho aqui na minha frente, o sinto escorregar por entre os meus dedos como areia. Não pode imaginar a dor que estou sentindo neste momento, meu coração está sangrando! – Bella se deixou levar pelas lágrimas.
O Cavaleiro se comoveu com as palavras dela e a embalou nos braços com delicadeza. – Shhhhhhh, fique tranquila, prometo que vou resolver isso!
– Mas como? – Ela ainda chorava.
– Quando a Cynthia voltar vou contar que conheci outra pessoa e que quero o divórcio. – Ele disse sem problemas.
Ela o empurrou chocada. – Não se atreva a fazer uma coisa dessa! Quer mata-la de desgosto? Eu sou mais forte, posso sobreviver sem você! Está decidido, não quero mais te ver.
– E eu? Não conta o que eu quero? Eu não a amo Bella, nunca a amei! Só nos casamos porque ela estava grávida, era minha obrigação. E nem o vínculo de um filho nós temos mais. – Bella percebeu a dor na voz dele e sentiu pena.
– Você queria muito essa criança não é mesmo? – Ela tocou o ombro dele.
Ele deu as costas quando sentiu uma lágrima picar seus olhos. Não iria chorar como um maricas na frente da única mulher que se importava. – Isso faz parte do passado. Não me interessa, se um dia terei um filho... será com você!
Ela queria morrer. Por que aquilo estava acontecendo com ela. Teria que tomar uma decisão. Só de pensar no olhar perdido de decepção de Cynthia contra ela lhe dava arrepios. Não, jamais teria coragem de fazer isso com a pobre garota. Respirou fundo e parou na frente do Cavaleiro. Pegou a máscara da mão dele e a recolocou. Ele a olhava desconfiado.
– Máscara eu sinto muito por toda essa confusão. Nunca foi a minha intensão disturbar a sua vida dessa maneira. O que aconteceu entre nós foi bom, aliás foi maravilhoso. Só que aquilo tudo o que eu te disse foi fruto de uma paixonite de adolescente mal resolvida, eu era uma pirralha como você mesmo disse, não entendia nada de amor. Eu não tenho sentimentos desde quando os meus pais foram assassinados para dizer a verdade. Agradeço o carinho com que você me tratou, mas não quero nenhum compromisso com ninguém, muito menos ser mãe dos seus filhos. – Apertou os olhos por debaixo da máscara para não ser influenciada pela dor no olhar perdido dele. – Eu vim aqui para melhorar as minhas habilidades de luta, para vingar os meus pais e não para me envolver com alguém. Como eu disse o sexo foi bom, mas terminou ali. Agora eu preciso ir. Cuida bem dela tá, ela merece. E vê se me esquece. – Caminhou até ele e lhe deu um beijo casto nos lábios. Ele nem se mexeu de tão perturbado que estava. Ela deu a volta e saiu da casa. E correu, correu com toda força sem olhar para trás. Se ele tivesse pedido para ela ficar teria botado tudo a perder, correu até atravessar as três casas, correu até a floresta, correu até as suas pernas não aguentarem mais e falharem fazendo-a cair no chão de terra e chorou, chorou alto até perder a consciência.
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Shura despertou com uma dor de cabeça horrível. Por um minuto pensou que tudo aquilo não havia passado de um pesadelo quando viu a prostituta que tinha levado para sua casa depois da festa deitada em sua cama. Então era verdade, toda aquela merda tinha realmente acontecido. Tinha sido humilhado e pisado na frente de todo o Santuário. Aquela desgraçada e pior, aquele maldito que dizia ser seu amigo. Queria matar os dois! Mas isso só pioraria as coisas. Cobriu o rosto com o braço, não sabia o que fazer.
– Huuummm Shura? – A prostituta procurou por ele.
– Levante-se da minha cama agora mesmo e de o fora daqui! – Mandou.
– Você nem me pagou ainda. – Ela disse magoada.
Ele se levantou nu mesmo, foi até a escrivaninha, abriu uma gaveta, agarrou um bolo de dinheiro e jogou na cara da garota.
– Isso paga pelo menos pelas próximas vinte trepadas que você dará. Agora saia daqui! – Ele apontou para a porta. A garota se vestiu rapidamente e saiu praticamente correndo dali.
Ele tomou banho, se vestiu e decidiu ir para os rochedos treinar.
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Lizzy descia quando parou na entrada da casa do Zodíaco que regia a sua constelação protetora. Kanon estava parado observando-a. “Eles tinham que ser gêmeos?”, pensou Lizzy.
– Posso passar Cavaleiro? – Pediu com arrogância.
– Mas é claro. E pode me chamar de Kanon. – Ele disse um pouco sem graça.
Ela caminhou lentamente até passar por ele. Porém alguns passos depois parou.
– Kanon, me desculpe pelo outro dia. Acabei te confundindo com o Grande Mestre. Não fui capaz de perceber uma diferença sequer entre vocês. – Ela aproveitou para dizer.
– Ora, mas isso é mais que normal. Nós somos gêmeos idênticos Elizabeth. – Disse entrando na casa.
– Idênticos ou não, agora sou capaz de saber quem é quem a distância. – Se aproximou e tocou o cabelo dele. – O tom da cor do cabelo por exemplo, é deferente.
Ele olhou para a mão dela que brincava com uma mexa do seu cabelo. – Elizabeth, desculpe se o digo mas não acha perigoso tocar um homem sozinho em sua própria casa? – Segurou a mão dela e a baixou lentamente.
Ela não sabia onde enfiar a cara de tanta vergonha e resolveu mudar de assunto. – Mas que cheiro maravilhoso.
– Ora que descuido o meu, é o café da manhã que ainda está na mesa. Servida? – Ele a convidou.
– Por favor, não quero incomodar. – O estômago dela roncou.
Ele levantou uma sobrancelha sorrindo. – Eu insisto. Venha por favor, faça-me companhia.
– Está bem. Mas me chame de Lizzy. – Não queria nem ver a cara de Saga se a visse ao lado do irmão.
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San tocou os lábios. Ele a havia beijado tão suavemente. Se recriminou por compará-lo com Milo durante o beijo, com certeza ele havia notado e por isso desapareceu. Que confusão havia se metido. Olhou ao redor na sala e decidiu arrumar toda aquela bagunça enquanto esperaria por Mú. Não iria para casa até conversar com o amigo seriamente. Não pretendia magoá-lo mas teria que ser sincera, devia isso a ele. Começou a recolher todos os objetos que se encontravam espalhados pelo chão. Isso levaria um bom tempo. ‘’Melhor assim’’ pensou, ocuparia a mente e não pensaria no Cavaleiro de Escorpião.
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Milo acordou morrendo de dor de cabeça. “Melhor assim”, pensou o escorpiano, a dor o impediria de pensar no que havia feito na noite anterior. Se levantou, tirou a roupa e foi tomar banho.
Shura entrou na casa de Escorpião sem dizer nada. Milo ao escutar apareceu só de toalha.
– Na minha época quando não se pedia autorização para passar pelas casas do Zodíaco ao menos se avisava que estava passando. – Se apoiou em uma coluna.
– E na minha época os Cavaleiros guardiões te recebiam vestindo armaduras. – Disse olhando para a toalha enrolada na cintura do escorpiano.
– Se nota que os tempos não são mais os mesmos. – Milo com um meio sorriso.
– Nem me fale. – Shura perdido em pensamentos.
– Bom eu vou tomar banho, não quero correr o risco de ser agarrado por você agora que está sem mulher. – Milo não perdia nunca a piada.
– Só se for para dar nessa sua cara feia! Como eu não sou uma maricona como você vou treinar em vez de ir para sauna! – E seguiu em frente. Milo riu e voltou para o banheiro.
Shura seguiu em frente e quando passou por Leão Aiólia o chamou.
– Ei cara! Onde vai? – O leonino com medo do pior.
– E desde quando eu lhe devo satisfação Leão? Eu não estou indo matar ninguém se é isso o que te preocupa. – E seguiu em frente.
A próxima casa era a de Câncer e Aiólia temia que aquilo não fosse acabar bem. Shura parou e olhou para a casa. Uma hora ou outra teria que encontra-lo. Tomou coragem e entrou. Máscara da Morte não estava com uma cara nada boa parado no meio do salão principal.
– A que devo a honra de sua visita? Não pensei que fosse ver a sua cara tão cedo! – Máscara sem se importar.
– Não? Infelizmente você não tem escolha. – Os olhos de Shura foram automaticamente para a porta do quarto do canceriano que ficava no alto da escada.
– Ela não está aqui. – Máscara adivinhando seus pensamentos.
Ele desviou rapidamente o olhar. — Ela?
– Sim ela! A sua Bella! – Disse lentamente.
– Hunf! Minha ou nossa? – Shura o olhou nos olhos.
– Pelo que parece de nenhum dos dois! – E foi se sentar em uma banqueta na cozinha.
– O que quer dizer com isso? – Shura não sabia se queria mesmo saber.
– Ela não te quis e agora não me quer também Capricórnio. – Olhou para o nada lembrando da reação dela antes de sair.
– Mas você a quer não é? – Shura fechou os punhos.
Máscara levantou a cabeça mas não disse nada. O capricorniano se aproximou dele, apoiou as mãos nos joelhos e o encarou.
– Sim ou não? – Insistiu Shura. – Não vai me responder não é mesmo? – Silêncio. – Eu devia te matar sabia, mas não, prefiro me divertir te vendo aí, assim, sem saber o que fazer por uma mulher. O Grande Cavaleiro sem coração Máscara da Morte que tanto me julgou. É um prazer ver que você é tão patético quanto eu! – Se levantou e foi embora deixando o canceriano com a palavra patético assombrando seus pensamentos.
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Dona, Shiva e Mia se trocaram e foram treinar. Ao chegarem na arena encontram Kat.
– Pensei que vocês não viriam. – Kat disse ofegante e toda suada.
– Pois eu não queria vir mesmo. Onde já se viu, mal dormimos... – Reclamou Mia.
– Você diz isso pois já é uma Amazona. Eu não posso me dar ao luxo. Preciso conquistar a minha Armadura o quanto antes. – Shiva determinada.
Dona olhou para Mia. – De onde saiu tanta determinação em Shiva? – Mia desconfiou.
– Ora, é normal não? Todas Aspirantes vieram para cá com o mesmo objetivo. – Shiva não queria admitir que estava com raiva.
– Não entenda mal. É que você parece estar misturando raiva com propósito. – Mia insistiu.
– Pois faz muito bem! É sem dúvida a combinação perfeita para ser uma grande guerreira. – Kat disse a distância.
– Como você consegue treinar e prestar atenção na conversa dos outros? Impressionante russa, meus parabéns! – Zombou Mia.
Kat parou o que estava fazendo e a encarou. – Já que não veio para treinar então por que não vai comer uma pizza hein italiana?
– Por Zeus! Vocês querem parar com isso! – Dona tentou esfriar os ânimos.
– Ela tem razão! Eu não estou afim de treinar. Vou comer uma pizza com o meu leãozinho! – E foi embora.
Ao ir em direção as doze casas encontrou Shura pelo caminho. Os dois pararam. – Oi Shura! – Mia puxou conversa.
Ele olhou ao redor como se estivesse procurando por alguém.
– Ela não está aqui Cavaleiro. – Percebendo o olhar dele.
– Ela quem? – Se fez de desentendido.
– Sabe muito bem a quem me refiro. – Disse com as mãos na cintura.
– Pois saiba que eu não vivo em função da sua amiga. Não sei e nem me interessa onde ela está! – Ele se irritou
– Nossa, não precisa ficar bravo. Mas se ela não está aqui, não está em casa e você não a encontrou em nenhuma das casas do Zodíaco, então onde ela foi parar? – Mia se preocupou.
– Como eu já disse não me interessa! Vou para os rochedos próximos da floresta treinar. – E foi embora.
Mia correu para falar com Aiólia, talvez ele pudesse ajudar a procurar Bella.
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San terminou de arrumar praticamente a casa toda de Áries. Estava toda suada, mas não podia tomar banho ali, se Mú voltasse e a encontrasse no seu banheiro... o que poderia pensar? Mas tinha que esperar por ele. Dirigiu-se para o quarto do ariano. Sentou-se em sua cama e esperou. Seus olhos começaram a fechar, estava muito cansada. Apoiou a cabeça no travesseiro dele e acabou adormecendo.
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Lizzy limpou o cantinho da boca com o guardanapo e se levantou.
– Muito obrigado Kanon, estava tudo maravilhoso. Não quero mais te atrapalhar, então melhor eu ir. – Deu um sorriso tímido.
– Espere! Será que eu posso te perguntar uma coisa? Não precisa me responder se não quiser. – Ele deu volta na mesa.
– Tudo bem. O que você quer saber? – Ela cruzou os braços.
– Desculpe a minha indiscrição, mas é que preciso muito saber se por acaso você e... meu irmão, o Grande Mestre estão juntos? – Disse finalmente.
– Não Kanon! Aliás eu nunca estive tão sozinha. – Respondeu com pesar.
– O que é um desperdício ouso dizer. – Aquele comentário a fez voltar a realidade.
“Então o irmão gêmeo do Saga está interessado em mim, que lhe servisse de lição!”
– Por que o interesse agora Kanon? – Ela sorriu para ele.
– Agora? E quem disse que foi só agora? – Ele a mediu de cima a baixo.
– Sei que não tivemos muita oportunidade de conversar antes. Mas confesso não ter percebido nada. – Ela sentiu uma pontada ao observar os traços daquele rosto tão bonito que conhecia tão bem.
– Eu não sou como os outros Lizzy. Sou totalmente discreto. – Deu um passo a frente.
– E aposto que quando quer uma coisa vai até o fim. – Ela tocou a lateral do braço dele.
Kanon sentiu um arrepio ao sentir os dedos dela deslizarem pela sua pele.
– Você não deveria fazer isso! – Avisou.
– Quer que eu pare de... – Mas não teve tempo de terminar pois o geminiano a segurou pela nuca e a beijou. Ela entrelaçou os dedos pelos longos cabelos dele e retribuiu com força.
Mia pediu autorização para passar pela casa e os dois ao ouvir se soltaram ofegantes.
– Avante! – Gritou Kanon sem desviar os olhos da geminiana.
A Amazona de Régulus ficou sem fala ao ver Lizzy tão próxima do Cavaleiro. “Eu não acredito no que estou vendo, será que ela se confundiu de irmão?”, Mia riu em pensamento e logo escapou dali.
– É melhor eu ir Kanon. – Se virou e ele segurou a fita do vestido emprestado que envolvia a cintura dela, a mesma acabou por se soltar e ele a levou aos lábios enquanto observava a Amazona sumir no horizonte. Estava encantado.
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Para chegar até os rochedos, Shura teria que passar pela arena e cortar pela floresta. Apertou o passo para não perder mais tempo e deu de cara com Dona. Que ao vê-lo se levantou e partiu. Ele a seguiu até atrás da arena e a segurou pelo braço.
– Ei, é impressão minha ou está fugindo de mim? – Ele a virou de frente.
– Impressão sua! O que você quer? Ah claro, perguntar se sei onde a Bella está. Afinal você nunca falou comigo sobre outra coisa. – Dona não conseguiu se controlar.
Ele a soltou sério. – Você sabe que não é bem assim. Só queria saber como você está?
– Eu estou ótima! E você Shura como está? – Perguntou irônica.
– Já estive melhor e já estive pior, se é que isso explica alguma coisa. – Ele disse triste baixando a cabeça.
Ela sentiu pena, no final amava aquele homem e vê-lo sofrer a fazia sofrer também. Se aproximou dele meio sem jeito e o abraçou. Ele retribuiu, não aguentava mais fingir que não ligava para tudo o que lhe estava acontecendo.
– Pare de fingir Shura, comigo você pode ser você mesmo. Eu te entendo. – Disse se afastando para olha-lo nos olhos.
Ele sentiu lágrimas nos olhos e se deixou levar. Ela enxugou o rosto do Cavaleiro delicadamente.
– Eu não quero que pense que sou um fraco. – Olhou para o lado.
– Pois saiba que eu nunca conheci um homem mais forte. – Aquele comentário o fez fechar o espeço que restava entre eles.
Com os corpo colados, ele colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela, desceu a mão até o queixo erguendo-o e a beijou. Ela podia sentir o sabor das lágrimas dele que se misturavam com o beijo. Nem que fosse por um minuto era a mulher mais feliz do mundo.
– Desculpe por ontem, me comportei como um completo idiota. – Disse ao se afastar um pouco.
– Shhhhhhh pare com isso! Eu já disse que entendo. – Ela sorriu tímida.
– Mas eu te magoei. Você não merecia aquilo. – E se afastou. – Eu preciso ir senão vou chegar muito tarde nos rochedos.
– Está bem. Nos vemos por aí. – E viu ele ir em direção à floresta. Dona tocou seus lábios e suspirou.
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Três aspirantes a Cavaleiros caminhavam pela floresta para ir treinar na arena quando um deles escutou um gemido.
– Vocês ouviram isso? – Perguntou Douglas o maior deles.
– Eu não estou ouvindo nada. – Cutriss deu de ombros.
– Shhhhhh silêncio! Está vindo daquele lado. – Apontou Blériot .
Caminharam naquela direção até avistarem alguém de cabelos vermelhos como fogo e vestida estranhamente de verde.
– É uma mulher? – Curtiss já se interessando.
– Vamos descobrir. – Douglas com um sorriso malicioso no rosto.
Se aproximaram até pararem ao redor dela.
– Acho que ela está morrendo. – Concluiu Blériot.
Cutriss deu um chute nas costas dela. A dor aguda nas costelas fez com que Bella abrisse os olhos e desse um grito de dor.
– Aaaaahhhhh, socorro! – Mal pode dizer.
– É assim que te ensinaram a tratar uma mulher seu idiota? – Douglas a pegou no colo, o que fez com que ela gemesse de dor mais uma vez. – Com tantas outras coisas mais interessantes para fazer com ela...
– Ela está imunda Douglas, deixe-a aí para virar comida de coiote. – Blériot sem piedade.
– Ora mas que bobagem! Como se ela fosse pior que aquelas prostitutas remelentas com que você sai. Deixa ela comigo. – Curtiss se aproximou rasgou a seda esvoaçante da saia do vestido de Bella.
– Por favor... parem. – Tentou pedir Bella em vão.
Douglas colocou ela no chão de pé e os três começaram a empurrá-la de um lado para o outro. A agarravam pelos cabelos, a tocavam, até que ela perdeu completamente as forças e caiu de joelhos chorando. – Baaaaasta! – Gritou com o último suspiro de ar que encontrou nos pulmões.
– Cala essa boca vagabunda! – Curtiss lhe deu um chute no rosto que a fez cair desmaiada.
– Você matou a garota seu imbecil! – Blériot o empurrou.
Shura estava caminhando pela floresta quando ouviu o grito dela. Será que já estava delirando ao ponto de ouvir coisas mas em seguida ouviu vozes masculinas. Não pensou duas vezes e correu em toda velocidade até o local.
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