Em um primeiro instante, Luke pensou que Nath tivesse trocado de quarto. Depois do que tinha acontecido, era de se esperar, e conhecendo o garoto como conhecia, sabia que se ele quisesse se afastar não diria a Luke para ir embora, o faria ele mesmo. Mas conforme o dia e as aulas passavam, Luke não via Nath em lugar algum. Mandou diversas mensagens e telefonou para ele, sem resposta, e depois das aulas da manhã e dos treinos da tarde, ele foi obrigado a aceitar, o garoto não estava ali.

E por conta disso, tinha ido até a porta do escritório de Bobby no fim do dia. Ele bateu na porta, com um bolo de ansiedade lhe comendo o estômago. Como ia explicar a Bobby que tinha perdido um membro da equipe? Mas não era o tipo de coisa que podia ficar sem reportar, Nath poderia estar em perigo lá fora, sozinho, sabe-se lá onde, sabe-se lá fazendo o quê. Quando Bobby abriu a porta, Luke entrou sem nem olhar na cara do mutante, caminhando direto para as cadeiras do escritório e se sentando.

— Ok… Alguma coisa aconteceu — Bobby comentou, fechando a porta e voltando para dentro em direção à sua mesa.

Luke manteve a cabeça baixa. Não queria olhar nos olhos dele, se sentia envergonhado demais para isso. Não conseguia afastar a sensação de que a culpa era sua, e admitir isso para Bobby depois de ele ter-lhe confiado a liderança da equipe o despertava um sentimento de culpa forte demais.

— Luke, fale comigo — Bobby pediu, tamborilando uma caneta na perna, distraído.

Não ia adiantar enrolar. A verdade era uma só, e quanto mais tempo esperasse para falar disso, mais tempo Nath estaria com problemas.

— É que… Eu acordei hoje de manhã… E o Nath sumiu.

Luke não sabia bem que reação esperava, mas certamente tinha contado com algo um pouco mais elaborado que o “oh” que escapou os lábios de Bobby. Confuso, o garoto levantou o rosto, lacrimejando em pensar em tudo o que tinha acontecido na noite anterior e em como as últimas coisas que tinha falado com ele era uma versão mais elaborada de “eu te disse”. Não queria chateá-lo, mas ainda sentia dor nas costelas ao se mexer e não conseguia se impedir de ficar um pouco magoado por isso.

— Luke, eu sei.

Como? Luke deixou o queixo cair de leve, e levantou o rosto para Bobby, vendo como o homem parecia confuso naquele momento. Bobby se levantou, indo até uma mesa de canto e servindo um copo de água. Voltou trazendo o copo para Luke, e se sentou de novo em sua cadeira.

— Beba um pouco, você parece muito nervoso.

— O que quer dizer com “eu sei”? — O garoto perguntou, bebendo a água e enxugando os olhos, agora um pouco irritado. Ali estava, o dia inteiro preocupado com Nath, e esse tempo todo Bobby sabia? E Nath não pensou em lhe deixar um bilhete nem nada?

— Nath me procurou antes de sair, nós conversamos bastante sobre tudo o que tem acontecido com ele. Ele me disse que precisa de um pouco de distância do Instituto agora, e eu arranjei um bom lugar pra ele ficar no meio tempo. Eu não sabia que ele não tinha avisado vocês, ele me disse que vocês tinham conversado… Eu teria comentado alguma coisa.

Então não só Nath tinha ido embora sem dizer nada, como tinha insinuado a Bobby que ele não precisava falar. Por quê?

— Eu não entendo… Por que ele não me disse nada?

— Bem… Ele comentou que precisava de distância da equipe também. Talvez ele tenha pensado que se você achasse que ele foi embora do nada não iria procurá-lo.

— Isso é besteira! É claro que eu iria! É claro… Onde ele está? Preciso falar com ele.

Bobby suspirou, cruzando os braços devagar. Luke bebeu o resto de sua água, respirando fundo e tentando se acalmar. Nath devia estar muito assustado também. Seria a cara dele pensar que magoar Luke o manteria longe.

— Se ele não está te respondendo, não me parece certo que eu te diga pra onde ele foi. Como eu disse, ele me falou que precisava de espaço, e depois do que ele me contou, eu concordo. Você não precisa se preocupar com ele, eu estou vigiando a situação bem de perto. Não sabia que estava tudo tão complicado assim, mas agora que eu sei… Inclusive, tem alguma coisa que você queira me contar?

Luke sentiu o coração dar um pulo. De repente, foi como se Bobby estivesse olhando dentro de sua alma, e o garoto sentiu uma reviravolta no estômago. Tinha sim coisas que gostaria de falar sobre. Como, por exemplo, o fato de que Balu estava em cima dele como um urubu farejando carniça, e que cedo ou tarde ia descobrir o que estava escondendo dele. Ou como o fato de que Grace vinha se desligando do time aos poucos e tendo problemas para interagir com Damon. Ou o fato de que Damon e Amália com certeza tinham um caso, o que estava piorando a relação de Grace com a amiga também. Tudo isso era agravante pra equipe, tinha certeza, e sim, Bobby deveria saber dessas coisas.

Mas quando Luke tentou abrir a boca para falar, nada fez. Admitir o problema com Balu seria admitir que até hoje não tinha contado para ele, e se sentia sujo e traiçoeiro por isso. Admitir o problema de Grace seria admitir que não conseguia controlar seu time. Falar sobre Damon e Amália, a essa altura, só o faria parecer invejoso.

— Não. Não tem nada — Luke respondeu, e ficou claro pelo olhar de Bobby que o homem sabia que estava mentindo.

— Luke, depois de tudo o que Nath me contou, eu percebi que você não tem dividido nem metade do que acontece nesse time comigo. Isso é sério. Eu não posso ajudar direito se não…

Para a alegria e imenso alívio de Luke, Amália escolheu esse momento para mandar uma mensagem para a equipe. Luke pegou o telefone, depois de ouvir a notificação, e para seu alívio era uma emergência.

— Oh… — Luke comentou, olhando para o texto da garota.

— O que aconteceu?

— Três indivíduos com poderes invadiram uma delegacia para roubar informações de alguma coisa. Parecem ser adolescentes. Podemos…?

— Com poderes? Que tipo de poderes?

— Não sei. Só diz que um deles tem poderes de planta e… talvez um deles tenha poderes relacionados a apagões. Essa não… Bobby, deve ser a nova Irmandade. Anúbis tinha poder de mexer com sombras. Mas não me lembro de ninguém com plantas no time, muito menos três integrantes…

— Eles devem ter alterado alguma coisa. Pode ir, mas no menor sinal de perigo…

— Voltamos. Eu sei.

— E me coloque na discagem automática!

— Já está!

Luke se despediu com um aceno, já correndo para fora da sala. Tinha escapado da conversa que não queria por agora, mas sabia que Bobby ia voltar a isso eventualmente. Só podia torcer para ter boas notícias para dar quando isso acontecesse.

[...]

O X-Wing sobrevoava a região próxima à delegacia com uma distância considerável. Luke, no banco de copiloto, instruiu Damon a colocar o avião pairando acima da praça próxima enquanto conversavam por um instante. As coisas não podiam acontecer ali como tinham acontecido no incêndio da igreja. O risco era muito alto. Lidar com inimigos com poderes era bem mais volátil do que lidar com um prédio em chamas, e embora Luke estivesse certo disso, não tinha certeza se seu time estava na mesma página.

— Um instante antes de descermos — ele pediu, soltando o cinto e se virando para trás. — Por favor, por favor, não me dêem as costas dessa vez. Essa é uma situação perigosa. Nós precisamos estar na mesma página ou algo muito ruim pode acabar acontecendo. A única coisa que sabemos é que um dos integrantes do time tem poderes de planta, e que um apagão aconteceu, o que pode ou não ser Anúbis. Não sabemos mais nada, e temos que assumir que eles sabem tudo sobre nós porque vocês ficam postando nossa vida na internet. Incluindo nossos poderes.

Amália abriu a boca, um pouco ofendida, para retrucar, mas percebeu em meio segundo que Luke tinha razão, e ela nunca tinha parado pra pensar nisso antes. Tudo bem, todo mundo conhecia os poderes dos X-Men, mas eles eram os X-Men. De repente, ela se sentiu muito idiota. Não ia admitir, mas sentiu.

— Eu tenho um truque novo que pode funcionar nas plantas. Eu cuido do garoto planta, vocês dos outros dois. Mas vamos tentar conversar antes de fazer qualquer coisa, eu não quero arriscar ninguém indo machucado pra casa. Entendido?

O time respondeu com um “entendido” coletivo, e Luke teve de aceitar, ia ter de confiar na palavra deles. Dessa vez, talvez, tudo desse certo.

Ele e Damon deram a volta com o avião, o descendo bem próximo do fundo da delegacia, onde já conseguiam ver a tal redoma de plantas que tinha sido mencionada no pedido de socorro. Eles abaixaram o veículo, descendo a rampa, e os cinco saíram.

— Ok, vamos lá — Luke comentou, pigarreando. Ele ajeitou a gola do uniforme e se aproximou de um dos vãos entre as raízes das plantas, inclinando a cabeça um pouco para perto. — Olá! Aqui é Luz Solar, dos Novos Mutantes. Queremos falar com vocês sobre…

— VAI SE FERRAR — uma voz de garota gritou lá de dentro.

Luke ergueu uma sobrancelha, se afastando da redoma.

— Credo. Ela parece nervosa — Damon comentou.

— Parece. Pomba, tente você.

Grace não achava que alguém que tinha mandado Luke se ferrar estaria mais disposto a ouví-la, mas decidiu tentar ainda assim. Ela se inclinou para perto do mesmo vão que Luke.

— Nós queremos ajudar. Os policiais estão preocupados, e com vocês presos aí…

Algo foi atirado contra as raízes, onde Grace estava. Pelo barulho, parecia ser uma pistola, provavelmente descarregada ou a garota provavelmente teria escolhido disparar, o que seria bem perigoso.

— Bem. Nós tentamos conversar — Amália disse.

— Tentamos — Luke comentou, a expressão mudando para uma de seriedade. — Cheguem pra trás, eu não sei o quão certo isso vai dar.

O time obedeceu, em silêncio. Luke respirou fundo, estendendo um braço para frente, e começando a carregar um tiro de plasma solar na palma da mão. A luz na mão dele começou a aumentar mais e mais, e atrás dele, os outros quatro cobriram os olhos e abaixaram o rosto. Olhar para a luz na mão de Luke era como olhar diretamente para o Sol.

Luke atirou. O tiro de plasma voou direto pelas plantas, cortando pelas vinhas como se fossem manteiga e abrindo um buraco na redoma. O fogo começou a se espalhar entre elas, aumentando o buraco, e Luke se afastou para trás.

— Maria Fumaça, retire a fumaça. Não queremos criar um forno tóxico ali dentro.

— Certo. Olha só, você tá tendo umas ideias até bem boas.

— Eu estudo os arquivos da equipe sobre os nossos poderes. Eles podem achar que sabem o que nós sabemos fazer, mas eu sei de verdade.

Em qualquer outra pessoa essa frase viria acompanhada de um sorriso sarcástico, mas em Luke, era apenas uma constatação. De certa forma, deixava a frase ainda mais séria e crível. Não era ego, ele tinha de fato estudado os arquivos. Estavam prontos para aquilo. Tinham que estar.

O buraco ficou grande o suficiente para eles entrarem, e Luke passou primeiro.

Eram três pessoas. Um garoto em posição de se preparar para embate, com as mãos apontadas para a frente. Uma garota ajoelhada no chão, e um outro garoto desacordado.

Luke, que tinha entrado com as mãos prontas para atirar, levantou uma sobrancelha. Não parecia uma situação contra a qual pudessem lutar.

— Bom — ele comentou. — Vocês parecem estar precisando de ajuda. Se colocarem algumas coleiras, podemos curar vocês e trazê-los conosco.

— Não quero ajuda de criança criada a leite com pera — a garota resmungou, tirando algo de trás das costas, e apontando uma pistola para eles. — Saiam!

— Nós podemos ajudar! — Grace disse, de repente, dando um passo para a frente apesar da arma apontada para eles. A garota ajoelhada mudou o alvo para ela. — Um dos nosso integrantes pode curar vocês…

— E depois levar a gente preso? Não. Dá o fora! Midas, tira a gente daqui.

— Não podemos deixar vocês irem embora — Luke alertou. — Vocês invadiram uma delegacia…

— Foda-se. Midas, tira a gente daqui!

Midas, o garoto de pé, olhou para a loira, e ele parecia querer dizer algo, mas não falou. Uma conversa inteira parecia estar acontecendo entre os dois, e Luke começou a pensar no que poderiam fazer. Se fossem apenas os poderes, gostava das chances de sua equipe com a presença de Damon ali, mas uma arma não era algo no que tinham pensado. Sabia que Damon conseguia desarmar alguém, mas pra isso ele precisava chegar perto primeiro, algo que não conseguiria fazer de frente pra ela nessa distância.

A garota e Midas ainda pareciam conversar. Luke começou a calcular a chance de conseguiu acertar a arma com um tiro de luz, mas só poderia tentar uma vez e ainda demorava um pouco para carregar. Se demorasse muito, e ela atirasse antes dele, alguém poderia se machucar.

Talvez Amália pudesse cegar a visão da garota com fumaça, mas talvez isso a fizesse atirar às cegas, o que também era bem perigoso. Se Grace levantasse vôo era a mesma coisa. Não tinham ninguém no time com habilidades defensivas, contavam muito com Damon para isso, mas agora, não adiantaria nada.

— Estou aberto a ideias — Luke sussurrou para o resto do time.

Ninguém parecia ter o que dizer. O garoto ainda estava forçando a cabeça, tentando pensar em algo, quando de repente tudo ficou escuro.

— Anúbis! — Luke gritou, estendendo a mão e acendendo luzes com toda a força que conseguia. — Protejam as costas uns dos outros!

Os cinco se juntaram em um círculo, com as costas para dentro. A luz de Luke viajava pelas sombras do local de forma estranha, iluminando em feixes descontrolados em vez de se expandir como uma fonte de luz local.

— Luz Solar, eles vão escapar! — Damon advertiu. — O que fazemos?

Não diga. O que Damon queria fazer? Perseguir uma garota armada no escuro?

Mas Luke também não sabia o que fazer. Não conseguiam ver um palmo à sua frente, e a cada segundo o trio poderia estar mais longe deles. Eles iam escapar. A menos que se separassem e saíssem pela rua procurando por eles.

Podiam fazer isso, não podiam? A garota parecia ferida, um deles estava desmaiado… Caso se separassem…

Mas e se alguém se perdesse? Ou fosse pego por um Purificador? Ou encontrasse alguém da Irmandade, mas fosse atacado e ferido? Ou… Ou… Como poderia tomar uma decisão dessas?

— Eu não sei! — Ele exclamou, de uma vez. — Eu não sei…

Luke levou a mão ao bolso, apertando a discagem rápida. Bobby atendeu em meio toque.

— Luke?

— Anúbis estava aqui. Não conseguimos ver nada, minha luz não se propaga nessa sombra estranha. Eles estavam feridos. Acho que devem ter fugido.

— Deixe eles irem. Prestem assistência aos policiais feridos e vejam como podem ajudar na delegacia.

Recuar. Luke suspirou, cansado. Ele abaixou as mãos, matando a luz, e o grupo precisou esperar por alguns instantes para as sombras sumirem de vez. Quando isso aconteceu, não havia mais ninguém ali.

Luke se jogou ao chão, exausto. Não tinham podido fazer nada. Sabia que Anúbis estaria ali, e tinha se preparado tanto para precisar lutar contra seus inimigos, que nunca tinha considerado como iriam persegui-los se, em vez de confronto, eles escolhessem a fuga. Isso deveria ser básico. Deviam ter conseguido ligar com isso.

— Bobby nos disse para oferecer assistência aos policiais — Luke comentou, cabisbaixo. — Talvez eles tenham visto algo, então podemos perguntar.

Mas isso não chegava nem perto de parecer o bastante.

[...]

Grace seguiu o time para dentro da delegacia, tentando não parecer tão derrotada quanto se sentia, mas isso nem fazia tanta diferença, pois o ar de derrota estava presente na equipe inteira. Pior do que a sensação foi ter de olhar os policiais nos olhos, sabendo que tinham falhado com eles depois de terem pedido ajuda. Ninguém disse nada, nem mesmo os olharam torto, talvez por não quererem ser muito duros com crianças, mas Grace sabia que ao menos alguns deles estariam pensando como essas crianças tinham sido inúteis no suposto resgate.

— Com licença — Luke chamou, quando entraram na delegacia, atraindo a atenção de uma oficial para si. — Sentimos muito por eles terem escapado…

— Não se preocupe, garoto — a mulher respondeu, com um suspiro cansado. — O que importa é que ninguém se feriu muito gravemente.

— Eu tenho habilidades curativas, se alguém precisar — Balu se ofereceu.

— Seria bom. Jones!

Um policial respondeu o chamado dela, se aproximando do grupo.

— Leve esse garoto até os primeiros socorros, ele disse que pode ajudar.

O homem passou uma mão pelos ombros de Balu, e foi o levando para outro canto da sala. E isso deixou o time encarregado de continuar com o que fosse possível do trabalho investigativo.

— Você pode nos dizer o que aconteceu? — Grace perguntou, tirando seu bloquinho e lápis do bolso.

— Foi meio de repente. A gente tava fazendo o trabalho normal e aí tudo ficou escuro. Não me preocupou muito a princípio, honestamente não sei dizer porque, quanto mais penso no assunto mais fico chocada que tenhamos demorado tanto pra reagir. Acho que as bizarrices de Nova York estão deixando a gente meio anestesiado pra essas coisas… enfim. Quando finalmente fomos fazer alguma coisa, os três indivíduos que vocês viram estavam saindo por um buraco na parede da sala do delegado. Alguns oficiais tentaram cercar eles do lado de fora, mas o conflito não acabou muito bem, como vocês perceberam.

— O que eles queriam?

— Ainda estamos tentando descobrir essa parte… Venham comigo.

Ela caminhou para um corredor fora da sala, e o grupo a seguiu pelo local até uma salinha adjacente onde estava sentado um policial de frente para várias telas com imagens de câmeras de segurança.

— O que encontramos? — A mulher perguntou, e o policial suspirou, frustrado. Não era um bom sinal.

— Não muita coisa. O que eles fizeram para dar blackout em tudo afetou até a visão noturna das câmeras. Não acho que foi um blackout comum.

— Se o responsável for quem achamos que é, certamente não foi — Luke respondeu, se aproximando para ver as câmeras. A imagem das câmeras estava totalmente preta pelo período de tempo do ataque.

— Vocês tem suspeitos? — O homem perguntou, girando a cadeira e cruzando os braços.

— Não que possa ajudar, não sabemos quem é. Mas se quiserem investigar, verifiquem os arquivos da invasão da base Purificadora do ano passado. Um dos mutantes na entrada atende por “Anúbis”, e tem exatamente essa habilidade de mexer com sombras. Achamos que ele ajudou os três na fuga também.

— Hm. Vou passar a informação — a mulher respondeu, saindo da sala. — Obrigada. A sala do delegado está no fim do corredor, vocês podem olhar o que quiserem lá.

— Obrigado — Luke agradeceu, se virando para o resto do time em seguida. — Deveríamos perguntar para mais policiais também. Vamos dar uma olhada nessa sala, depois perguntamos por aí e aí vamos embora com o que a gente tiver.

O que tivessem, ou seja, quase nada. Grace conteve um suspiro frustrado, e virou as páginas de seu bloquinho, pensativa. O que a Irmandade queria ali? Por que eles tinham invadido uma delegacia? Amália fazia um trabalho incansável quase diário de montar uma boa imagem para eles na internet, e vinha conseguido aumentar a opinião dos mutantes tão bem que até as fofocas sobre o passado de Damon estavam ficando esquecidas. E então, vinha a Irmandade e invadia uma delegacia, de graça, sem se preocupar com o desastre de relações públicas que isso seria para a espécie deles, ou como isso ia piorar os discursos de ódio contra eles. Como eles podiam ser tão egoístas?

Estava irritada quando entraram na sala do delegado. Havia um homem sentado no computador, e seus colegas de time foram falar com ele, mas a princípio Grace estava mais interessada no ambiente ao redor deles. Haviam mais vinhas e pedaços de madeira ali, alguns ainda presos à porta da sala. Grace se abaixou, pegando um pedaço de raíz entre os dedos para analisar. Parecia tão verídico quanto qualquer outro mato. O poder do garoto era, de fato, genuíno.

Do outro lado, escondido atrás de mais vinhas, estava um buraco na parede. Lá, as vinhas estavam afastadas no meio, como se alguém tivesse passado entre elas, o que era muito provável de ter acontecido. Grace se aproximou, puxando algumas raízes, mais interessada no buraco da parede. Talvez se conseguissem descobrir como ele tinha sido feito, tivessem um pista do poder de algum dos outros dois integrantes.

Ela arrancou uma boa parte das vinhas, ficando de frente para a seção de concreto desintegrado ao redor do buraco. Parecia que tinha sido corroído pelo vento, sem sinal de queimaduras, ácido ou qualquer outro material.

— Estranho — ela murmurou.

Era uma pena as câmeras de segurança terem sido bloqueadas, ajudaria muito ver como eles tinham feito o buraco. De alguma forma, aquele padrão de corrosão na parede não deixava de ser familiar para ela, mas a garota não conseguia dizer muito bem de onde. Talvez estivesse pensando demais. Ela decidiu se juntar ao time, que conversava com o homem na frente do computador, e parecia ser alguma discussão levemente acalorada.

— Não, de jeito nenhum — o homem insistia, os braços cruzados e a expressão séria. — Esses arquivos são restritos, não posso sair distribuindo eles por aí.

— Meu senhor, vai ficar difícil descobrir o que a Irmandade quer se não soubermos o que eles levaram — Damon argumentou, ficando um pouco mais enérgico a cada palavra. — Precognição não está entre os poderes do meu time.

— Sinto muito, isso está acima do meu nível de autorização. Se vocês quiserem, vão ter de pedir autorização pro delegado.

Santa burocracia… A essa altura, até Grace começou a sentir vontade de socar alguma coisa, e pela primeira vez, entendeu os impulsos de Amália de fazer isso quando estava irritada. A garota conteve um bufar, apertando o bloquinho nas mãos e respirando fundo. Dentre os quatro, ela tinha certeza de ser a pessoa com as melhores habilidades interpessoais. Se teriam de pedir uma coisa dessas, era melhor ir tentando de uma vez.

— Eu vou falar com ele — Grace anunciou.

— Boa ideia — Luke respondeu. — Eu e os outros vamos conversar com os policiais, ver se eles sabem mais alguma coisa.

Grace concordou, e o time deixou a sala. Ela seguiu a passos largos e rápidos pelo local, perguntando pelo delegado e tentando manter a calma, afinal, era ela a responsável por isso justamente por ter a cabeça no lugar. Mas toda a inconveniência da situação e a raiva que sentia de ver a Irmandade destruir a pouca reputação dos mutantes daquele jeito estava começando a subir à sua cabeça. Ela estava seguindo pelo corredor, procurando o delegado, quando passou na frente da sala das câmeras de segurança mais uma vez. Então, teve uma ideia.

— Com licença — ela chamou, entrando na sala e atraindo a atenção do oficial mais uma vez. — Vocês tem acesso a câmeras externas também?

— Algumas. Algumas são de acesso público e outras tem conexão com a rede policial.

— E alguma delas dá visão pros fundos da delegacia?

— Uma. Eu dei uma conferida mas não deu pra ver tanta coisa, só eles chegando, mesmo.

— Tudo bem, é disso que eu preciso. Pode me mostrar?

O homem concordou, clicando algumas coisas e abrindo um feed em um dos monitores. Grace aguardou, ansiosa, enquanto ele procurava o trecho no horário certo, e então, ali estava. O trio chegou a passos rápidos, com os rostos cobertos como tinham os encontrado. Um dos dois garotos se aproximou da parede, colocou as mãos sobre o concreto e, com seu toque, a parede começou a se desfazer.

E de repente, Grace se lembrou de onde reconhecia aquele padrão.

— Não… Não pode ser… — ela murmurou, dando um passo para trás, atordoada.

— É, eu sei. Essa cidade é maluca. O garoto derreteu a parede com as mãos, não quero nem pensar no que isso aí faria na cara de alguém. Imagine só, esses poderes que aparecem do nada… Uma vez um cachorro me mordeu e eu tive esperança de ganhar alguma coisa, mas…

Grace parou de prestar atenção, olhando para a porta, agitada. Talvez estivesse se enganando. Talvez estivesse ficando maluca, finalmente, e começando a ver traições e ingratidões pra todos os lados.

Ou talvez, o mundo que ela estava tentando salvar fosse assim, e era ela quem não tinha visto antes.

— Garota, você está bem?

Ela se virou para o oficial, sobressaltada, percebendo que tinha o deixado falando sozinho.

— S-sim… Eu preciso do delegado.

— Ele teve o braço ferido por um pedaço de planta, eu acho. Deve estar nos primeiros socorros.

Sim. Primeiros socorros. Grace já sabia disso, era para lá que estava indo, não era? Ela respirou fundo, balançando a cabeça devagar e tentando manter o foco. Precisavam descobrir o que a Irmandade tinha levado, e depois…

Depois o quê? Por que ainda estava ali, estava lutando por quem? Quantas das pessoas que ela estava tentando ajudar eram tão podres quanto as que estavam a cercando ultimamente? Grace cambaleou até os primeiros socorros, encontrou o delegado e balbuciou o que precisavam. Ele, já curado, se levantou para ir até a sala dos computadores, mas ela não o seguiu. Balu tinha terminado e estava ali conversando com os oficiais.

Balu. Ele sempre sabia quando alguém estava mentindo, e ele a tinha visto com Byeol antes. Ele saberia.

— Guardião! — Ela chamou, acenando da porta. — Preciso de você um instante.

O garoto assentiu, se despedindo da oficial com quem conversava, e seguindo até Grace. Ela fechou a mão no pulso dele, o puxando para fora e se fechando em um dos cantos do corredor onde, esperava, ninguém os ouviria conversar.

— Minha nossa, o que aconteceu?

— Você lembra quando foi me ajudar com a ficha de William, da I.M.A.? Um garoto estava falando comigo, vocês cruzaram caminho na saída.

— Ah. Lembro sim, ele me olhou meio esquisito.

— Esquisito como?

Balu deu de ombros. A resposta não era o bastante para Grace, e isso pareceu ficar perceptível muito rápido, pois ele elaborou.

— Acho que ele não foi com a minha cara, mas eu senti uma ansiedade, um nervosismo quando ele passou do meu lado. Foi muito breve, mas senti.

— É o mesmo tipo de coisa de quando alguém está mentindo?

— Hm… Às vezes. É complicado determinar isso assim, com pouco tempo, mas é uma das possibilidades. Por que está perguntando isso?

— Eu acho que tem uma coisa acontecendo… Mas é melhor falarmos sobre no Instituto, não é o tipo de discussão pra se ter aqui. Vamos fechar as informações com o delegado e ir embora.

— Ok… — Balu respondeu, meio desconfiado.

Não era do feitio de Grace se comportar daquela forma, e ele se perguntou o que de tão sério poderia ter acontecido para deixá-la tão fora de seu comportamento comum. O que quer que fosse que a preocupasse tanto, certamente era um problema grave.

Ela entrou na sala do delegado, com Balu logo atrás, e o homem estava curvado sobre o computador, mexendo em alguma coisa.

— Ah, vocês descobriram o que eles queriam? — Balu perguntou.

— A ficha de William Stryker, e mais três outras fichas não relacionadas — Luke respondeu — Uma delas é sobre uma mutante foragida que controla animais. Achamos que pode ser a garota que apontou a arma para nós. Outra é sobre um caso criminal em uma lavanderia, e uma parte do caso atualizada recentemente menciona um garoto com poderes de planta que teria pego alguns dos criminosos. A terceira ficha é sobre um atentado de terrígeno que só deixou um sobrevivente.

— Deixa eu adivinhar. Byeol Moon? — Grace perguntou, apertando as mãos aos lados do corpo.

— Como sabia?

— Falamos disso no avião. Vamos poder levar essas fichas?

Luke levantou um pendrive da mesa. Já as tinham, então.

— Acho que terminamos por aqui — Luke comentou, se despedindo do delegado com um aperto de mão. — Por favor, nos ligue no Instituto se descobrirem algo.

— Pode deixar. Obrigado por tudo, tomem cuidado na rua, crianças.

O time se despediu do delegado, e seguiu o caminho até seu avião.

[...]

Grace fez todo o trajeto de volta no mais absoluto silêncio. Amália mexia no celular, Balu cochilava, e Luke e Damon estavam nos bancos de piloto e copiloto. Ela sentia uma mistura forte de mágoa e solidão, afogados por baixo de uma forte camada de desesperança. Não era isso que tinha em mente quando tinha decidido se tornar uma Nova Mutante. Tudo o que queria era ajudar as pessoas, e ainda assim, ali estava, depois de uma missão muito fracassada, e descobrindo que estava sendo feita de trouxa havia tempos.

O avião pousou no hangar, e Grace percebeu que os humores não estavam nada bons. Ela não era a única pessoa frustrada — e até um pouco irritada — com a situação. Para piorar, tinha se esquecido de que prometera a Balu que falariam sobre suas suspeitas no Instituto e, bem, era onde estavam agora.

— Grace? — Ele chamou, se levantando da cadeira. — Você queria falar alguma coisa?

Mais cedo, ela estava muito certa de que sim, precisava falar, sua vontade afiada como uma lâmina, mas agora não podia deixar de se sentir um pouco… idiota. Admitir que tinha sido passada pra trás daquele jeito não seria nem de perto tão fácil quanto gostaria, e com os quatro integrantes da equipe a encarando com curiosidade, a coragem foi diminuindo ainda mais.

— É que… — Ela começou, a cabeça baixa, sem querer encarar ninguém enquanto falava. — Quando eu falei de Byeol… Ele tem me abordado recentemente, na biblioteca, enquanto estou investigando as coisas pra nós. Eu pensei que ele só queria ajudar, mas…

— Acha que ele estava espionando? — Luke perguntou.

— Acho, e… Nós não sabemos o restante dos integrantes da Irmandade! E se mais alguém estiver? E se…

Ela não teve coragem de completar a frase, mas não precisou. Não queria acusar algum de seus colegas de time de ser um traidor, não acreditava que nenhum deles estivesse se comunicando com a Irmandade e, se estivesse, então não precisariam de Byeol para vigiá-los, não é? Mas desde a descoberta sobre Damon, ela sentia cada vez menos que conhecia seu time, e cada vez mais questionava sua própria presença ali.

— Por Ganesha… — Balu sussurrou de repente, se virando para Luke, sua expressão mudando de apatia para horror, e ele deu um passo para trás. — Você… Não… Eu sei que tem escondido alguma coisa… Pensei que tivesse a ver comigo, mas… Bem, é claro… É claro que eu só te sinto nervoso quando eu estou por perto, se eu não estiver perto não vou sentir

— Você só pode estar de brincadeira! — Luke rebateu. — Você acha que eu estou metido com a Irmandade?

— Você está metido com alguma coisa, e eu estou de saco cheio de me sentir jogado pras traças como tem acontecido!

— Gente — Amália interferiu. Gostava de uma briga tanto como qualquer outro, mas preferia não ver isso acontecer dentro de seu próprio time. Não era um bom sinal. — Vamos nos acalmar.

— Chega — Luke respondeu, suspirando, uma onda de irritação se espalhando por seu corpo. — Não tenho energia pra isso agora. Simplesmente não tenho. Eu ainda preciso dar um jeito de escrever um relatório sobre essa tragédia, e quero acabar logo com isso, então, com licença.

Mas a essa altura, a irritação de Luke já estava se espalhando para Balu, e estando tão próximo assim do garoto, não poderia impedir a sensação nem se quisesse. E, na verdade, não queria. Talvez fosse a hora de plantar os pés no chão e exigir uma resposta.

Não — Balu insistiu, se colocando na frente de Luke, e agarrando o pulso dele.

Assim que o toque aconteceu, Luke sentiu uma onda estranha subir por seu braço. Não era dor, nem coceira, sequer chegava a ser um arrepio, mas era um incômodo. Ele abaixou o rosto para Balu, irritado, apertando a mão do braço livre, começando a formar uma bola de luz ali.

— Balu, me deixe ir.

— Olha na minha cara e me diz que não tem nada que eu deveria saber, e eu deixo. Mas eu não sou idiota, Luke.

Como em uma avalanche, Luke se sentia ainda mais irritado, o que fazia Balu consequentemente mais irritado, e muito rápido a coisa toda se tornou um barril de pólvora esperando para ir pelos ares. Grace percebeu isso, mas não queria interferir, parecia algo muito pessoal e ela não queria acabar envolvida na briga de alguma forma. Amália, por outro lado…

— Gente, por favor — a garoa insistiu insistiu, mas Damon segurou o ombro dela, a impedindo de avançar.

— Parece pessoal — o garoto murmurou. — Eles precisam resolver isso ou a próxima briga pode ser no meio do campo de batalha.

Ou eles poderiam acabar tentando se matar dentro do avião, e em vez de perder só um integrante do time, teriam perdido dois. Ou três. Amália fez um esforço para focar no fato de que Damon provavelmente usaria seus próprios poderes antes de deixar isso acontecer, ou ao menos esperava que sim, mas isso não estava a fazendo se sentir melhor.

Balu ainda segurava o pulso de Luke, e eles se encaravam mas, provando o ponto de Balu, Luke não parecia conseguir negar o que quer que fosse olhando para ele.

— Balu, por favor…

— Por que você não fala com as pessoas? Você não dá a mínima pro que as pessoas ao seu redor sentem? Você quer ser líder de um time desse jeito? Você só faz o que te dá na telha, o que você acha certo. Se Damon, Amália e eu não tivéssemos entrado no escritório do Bobby aquele dia, até hoje estaríamos fora da investigação!

— Olhe bem como fala comigo, não te dei espaço pra isso!

— É mentira minha? Foi por sua culpa que eu não fui na invasão da base ano passado, e porque eu não estava lá, Santino morreu!

— Balu, cale…

— …e a essa altura, todo mundo já sabe que o Nathaniel também foi embora por sua causa!

O avião mergulhou em um silêncio súbito. Balu pareceu se arrepender do que disse no mesmo segundo, soltando Luke e cobrindo a mão com a boca. Os olhos de Luke brilharam, e ele parecia prestes a chorar, mas a expressão em seu rosto não era de tristeza. Era fúria.

— Desculpe — Balu pediu. — Eu não quis dizer…

— Quis — Luke cortou, sua boca se contorcendo em uma reação de repulsa que parecia fora de lugar em seu rosto, mas que ainda assim, estava lá. — Você quer tanto assim saber o que é que eu não te contei? Tudo bem então. Eu sei quem matou seus pais. Eu conheço eles. Foram os meus pais. Os biológicos, pelo menos, os que me largaram quando eu nasci. Meu pai parece ter morrido, mas eu encontrei minha mãe na base purificadora. Aquela mesma pra onde você não foi. E ela está presa.

Grace deixou o queixo cair. Tinha pensado por muito tempo que Balu e Luke tinham algum tipo de picuinha, mas isso… Isso não era uma picuinha qualquer. Ela sentiu um calafrio percorrer o corpo, e caminhou tonta em direção a uma cadeira, se sentando.

— O que é isso… — ela murmurou. — Eu me inscrevi para ser uma heroína… e vim parar no meio de uma bagunça de assassinos, e mentirosos… Pra ser enganada…

— Grace — Amália chamou, se aproximando dela. Balu, congelado no lugar, começou a chorar.

— Você sabia disso? O tempo todo? — Balu perguntou, perdendo o controle da respiração, começando a soluçar em meio ás lágrimas. — Você olhou na minha cara, disse que era meu amigo… Me acolheu depois que perdi meus pais, e sabia de tudo, e não me disse nada?

— O que você queria que eu fizesse?! Como se diz pra alguém…

— ME MANDASSE PERGUNTAR AO BOBBY! ME DISSESSE QUE ELE ESTAVA ESCONDENDO! Qualquer coisa, Luke, você poderia ter feito uma infinidade de coisas que não incluíam me contar diretamente, e você escolheu não fazer NADA! Como você conseguiu olhar na minha cara esse tempo todo, me ouvir chorando e desejando meus pais de volta, precisando de um desfecho de qualquer tipo, e você mentiu! E fez tudo isso enquanto se dizia meu amigo!

— Balu…

— Não fale mais comigo! Já chega! Eu estou fora.

Luke soltou uma risada baixa, sarcástica, passando as mãos pelos olhos para enxugar as lágrimas acumuladas ali. Não diria que Balu estava errado em sua raiva, talvez merecesse mesmo a reação dele. Não era como se tivesse mentido sobre roubar um bombom de uma caixa de chocolates. Não. Era algo sério.

— Não se dê ao trabalho por minha causa. Eu claramente não sirvo pra isso, sou eu quem não quer mais se envolver com esse time. Vocês vão se virar melhor sem mim.

Mas a expressão no rosto de Balu deixou claro que mesmo que Luke saísse, isso não o faria ficar. Algo tinha se partido na confiança dele, e ele parecia tão cansado quanto Luke agora.

— Ei, gente — Amália interviu, um sorriso trêmulo aparecendo em seu rosto. — Calma, ok? Não vamos tomar decisões precipitadas…

— Não é precipitado. Eu já me decidi — Luke respondeu, apertando um botão

A rampa do avião desceu, e ele saiu. Balu foi atrás, sem falar com ele e sem fazer menção de mudar de ideia sobre sua desistência da equipe. E para completar, Amália viu Grace se levantar com um olhar triste e cansado, e antes da garota dizer qualquer coisa, sabia o que ela iria fazer.

— Grace…

— Desculpa, Amy. Não era isso que eu queria pra mim. Eu não quero ficar num time que mente e se trai desse jeito. Eu não consigo. Desculpe.

Ela também deixou o avião.

— Eles só estão de cabeça quente — Damon comentou, assistindo os três irem embora pelo hangar. — Mas vão mudar de ideia, não é?

— Grace não faz as coisas no calor do momento, ela já devia estar pensando nisso. Bobby jamais vai deixar nós dois sermos um time sozinhos…

Jamais. Damon e Amália encararam o hangar vazio por um instante, sem quererem sair, pois não haveria time para onde voltar para a próxima missão. Os Novos Mutantes tinham acabado.