Irmandade da Adaga Negra: Amor e Drama
1 Série Necessidades 01 Tohr e Nalla Autora Ravenna
Notas iniciais
Essa short conta uma história de amor entre um guerreiro com o coração destroçado por uma grande perda e uma jovem que acabou de descobrir o que é amar.
Nota da Autora
Gente, esse shipper me foi sugerido pela Josy, então não me matem. Espero que gostem e que comentem.
Capítulo 1
Numa noite bem comum na vida da Irmandade, Zsadist se vestia para sair em mais uma noite de ronda enquanto Bela o observava encostada na porta. Ela tinha as feições preocupadas.
— O que te preocupa, minha leelan? — ele falou carinhoso enquanto terminava de colocar suas armas.
— Estou preocupada com Nalla, ela anda um pouco estranha — Bela respondeu passando a mão pelos cabelos.
— Como assim, preocupada? Onde ela está? — Z falou se virando de repente e segurando Bela pelos ombros. — Vamos, diga. Mas, por favor, me diga que ela está em casa.
— Vá com calma, meu hellren, assim pode nos machucar — ela disse com um sorriso maroto.
— Não estou brincando, Bela — ele falou, quando, de repente, soltou-a e a olhou, atônito. — Você está esperando um bebê?
Ela apenas balançou a cabeça e, com um sorriso maroto, abraçou-o e disse baixinho em seu ouvido:
— Quero que seja um menino, dessa vez.
— Oh! Minha querida leelan, e eu aqui brigando e preocupando você. Como sou filho da puta — ele falou a levando pela mão até a cama e a fazendo se sentar. — Fique aqui e descanse, eu vou atrás de Nalla, vou conversar com ela e ver o que esta acontecendo.
— Z? — ela falou melosa.
— Sim, minha leelan?
— Fique comigo essa noite — Bela falou sensualmente enquanto passava sua mão pelo peito de seu macho.
— E Nalla? — ele falou com a voz rouca.
— Ela está em casa — ela sussurrou mordiscando o pescoço dele.
Nesse momento Zsadist esqueceu suas preocupações com relação a qualquer coisa e se entregou aos braços de sua shellan. Enquanto Z se preocupava em despir sua amada com cuidado, pois agora ele teria mais uma pessoa para se preocupar, seu celular começou a tocar, provavelmente para informar que todos já o estavam esperando para sair. Ele se limitou a atender e responder que não iria essa noite, voltando em seguida para os braços de sua shellan.
***
Enquanto isso, no quarto ao lado, uma linda fêmea de cabelos negros e belos olhos claros olhava pela janela, suspirando por certo guerreiro que coordenava os treinos no início da noite. Um guerreiro viúvo, musculoso, alto, com cabelos cortados rentes.
***
Tohr voltava do treinamento. Sua camisa suada estava colada ao corpo. Gostava de lutar, colocar seus ossos em movimento. Andava muito tenso, e já que sua vida sexual já não era ativa havia muito tempo, preferia malhar como forma de extravasar seu corpo e sua mente. Queria entender até quando negaria seus instintos. Até quanto negaria o que sua natureza clamava. Lembrou-se do olhar dourado que o perscrutara tanto tempo pela janela. Não podia negar a si mesmo que Nalla se tornara a mulher mais bonita dentro daquela casa. E o cheiro dela o enlouquecia. Havia tempos que o tesourinho de Z deixara de ser uma criança.
Já fazia muito tempo desde sua transição, e ela era uma vampira de porte... Blay a alimentava sob os olhos atentos de Z, que era extremamente zeloso com a filha.
Seu tormento começara a mais ou menos um ano atrás, quando entrara no centro de treinamento e Nalla se banhava completamente nua... Ele pudera vislumbrar suas curvas, e imaginar tocar a sua suavidade o fez ficar sedento. Seu membro dera sinal de que ainda podia funcionar... Ele estremeceu diante a lembrança. Naquela noite tocara a si mesmo em busca de liberação... Zsadist provavelmente o estraçalharia por ter feito aquilo pensando em sua filha. Ele, Tohrment, era um maldito filho da mãe. Um bastardo sem vergonha... Seus pensamentos foram interrompidos por um leve bater em sua porta.
Nalla estava à porta de seu quarto.
***
— Oi, Tohr! — ela disse dando um belo sorriso.
Tohr gemeu em seu íntimo, a voz dela tinha o poder de mexer com seu esqueleto.
— Oi, Nalla! Apreciou o treino ao ar livre hoje? — ele perguntou irônico.
— Se me desse chance, eu te olharia o tempo inteiro. Esperei uma serenata embaixo da janela, mas você não veio — ela respondeu no mesmo tom de ironia.
— Não brinque, Nalla. Seu pai arrancaria o couro de qualquer um que cortejasse você — ele falou deixando suas feições sérias.
— Com medo? — ela disse maliciosa. Seus olhos amarelos brilharam intensamente, em contraste com as safiras que eram os olhos de Tohr.
— Acho melhor você ir para a sala comum com as outras mulheres, antes que seu pai sinta sua falta — ele falou sem responder à pergunta.
— Antes quero um beijo de boa noite, afinal, vocês vão sair em ronda, e não vou te ver até o amanhecer — ela falou fazendo biquinho.
— Está bem — ele suspirou derrotado e se aproximou para lhe beijar a face, e ela, marota, virou o rosto, dando-lhe um selinho.
Ele a olhou assustado, ao mesmo tempo em que seus sentimentos por Nalla afloraram de uma forma que poderia fazê-lo deitá-la no chão e torná-la mulher naquele momento. Veio à sua mente o dever que tinha com seu Irmão, e o fato de Nalla ser a filha de um Irmão não ajudou em nada.
— O que pensa que está fazendo, menina? — ele quase gritou.
— Menina? Menina?! — ela gritou de volta. — Se não percebe, não sou uma menina faz muito tempo. E, quer saber, Tohr vai para o Inferno. E leve a menina com você. Porque eu não sou uma menina, e você, mais do que ninguém, deveria saber — ela disse com estupidez e foi saindo.
Tohr estava boquiaberto, não esperava aquela reação explosiva. Mas, afinal, ela era filha de Z, e esse sabia muito bem fazer seu serviço quando queria atropelar alguém. Mas ela não o faria de bobo, ela sabia que ele a havia visto aquela noite, completamente nua. Mas ele nunca contara seu segredo a ninguém.
— O que quer dizer com isso? — Tohr perguntou com seus dedos grandes se fechando em torno dos braços dela.
— Tira as mãos de mim, seu fodido desgraçado! — ela disse violenta tentando se afastar dele, que a olhava em silêncio.
— Por que está fazendo isso comigo? — ele perguntou sério.
— Por quê? Não seja hipócrita. Eu cresci, sou uma mulher. Você é um homem, e eu sinto desejo, sinto meu corpo umedecer quando fico próxima demais a você.
— Não fala isso! — Tohr quase gritou ofegando.
Ela riu pelo nariz tirando as mãos dele dos braços dela.
— Não sou mais uma criança, muito menos sou uma pré-trans idiota. Mas, se quer me tratar assim, menos mal, encontrarei alguém que me trate como mulher.
— Você está brincando? — ele falou sentindo os ciúmes queimarem suas entranhas, e as palavras surgirem na sua mente minha, minha.
— Claro que não, Tohr. Não mesmo — ela falou colocando as mãos na cintura.
— Se procurar outro macho, eu conto ao seu pai — Tohr ameaçou desesperado, sem saber o que dizer sem se entregar ainda mais.
— Ah, sim, e vai dizer o quê? Que não quer me foder. Que não é mais um macho para isso? — ela falou simplesmente dando as costas para ele e caminhando para fora do quarto, deixando-o parado olhando para o nada.
E, como se tudo de repente voltasse a se mover, Tohr saiu correndo atrás dela e novamente segurou seu braço. Sua fronte suava diante a sua luta interna, ele ofegava, e, juntando todo seu alto controle, disse:
— Quem?
***
Capítulo 2
— Quem o quê? — Nalla respondeu ríspida.
— Quem você vai escolher? — ele falou trincando os dentes.
— Não interessa — ela tirou seu braço da mão dele. — A partir de hoje, não me alimento mais do Blay, não mesmo... Vou me alimentar de algum macho que me queira verdadeiramente. Como mulher, do jeito que mereço.
— Sabe o que você merece? Merece uns bons tapas no traseiro para deixar de ser atrevida e impertinente — Tohr disse exasperado, e, ao imaginá-la se alimentando de outro macho, sentiu seu sangue ferver. Sem se conter mais, esquecendo deveres, pudores e toda essa merda que o impedia, puxou-a para seus braços e a abraçou com força.
Nalla assustou-se com a atitude dele, mas em seguida, aconchegou-se nos braços fortes do guerreiro. Tohr levantou seu rosto e a beijou com ferocidade, deixando transparecer toda a sua frustração e desejo no beijo.
Estavam ainda em meio àquele tórrido beijo, quando Tohr ouviu passos e se obrigou a afastar Nalla de seu corpo, fazendo com que ela o olhasse, atônita.
— Calma — ele disse entre dentes quando Blay apareceu no campo de visão deles, fazendo com que ela soltasse um suspiro de alívio.
— Nalla, esqueceu-se do nosso compromisso? — Blay falou sorrindo, afinal ela era uma bela fêmea, não negaria. Se ele fosse um macho livre, poderia quer algo com ela, mas seu corpo e seu coração tinham dono, e Nalla, para ele, era uma amiga muito querida.
— Me desculpe, realmente havia esquecido — ela respondeu caminhando na direção de Blay, e entrelaçou o braço no dele. — Até mais, Tohr.
— Aonde vão? — Tohr perguntou ríspido.
— Vou levá-la ao Havers, já que Jane não está — Blay respondeu, sem entender o porquê da raiva do seu Irmão.
— Tomem cuidado — Tohr falou simplesmente e se virou para voltar ao seu quarto.
Blay e Nalla caminharam de braços entrelaçados até chegar à garagem. Entraram num dos blindados e, quando se preparavam para sair, o celular dela tocou.
— Alô. Eu sei, papai, estou no carro, já. Sim, Blay está comigo, está bem — ela suspirou e entregou o telefone para o amigo.
***
— Desculpe-me pelo meu pai — Nalla disse constrangida.
— Não se preocupe. Já estou acostumado com seu pai — ele falou, ligando o carro e seguindo para a clínica do médico.
Chegaram rapidamente ao destino e Blay estacionou na garagem subterrânea da clínica e perguntou a ela se queria que ele esperasse no carro, mas gentilmente Nalla disse que ficaria feliz se ele fosse com ela.
Entraram na clínica de Havers, que era também sua casa. Na sala de espera havia outras três moças aguardando para também serem atendidas, mas Nalla foi chamada assim que chegou, afinal, ela era filha de um dos Irmãos, e Havers ainda se lembrava das ameaças feitas por causa de sua traição no passado.
Ele a examinou e ficou alarmado com a proximidade da chegada da Necessidade dela, a primeira. Decidiu que devia ligar para Z ou para Bela e recomendar a remoção dela da Irmandade até a passagem desse período. Afinal, lá era o lugar menos apropriado para uma fêmea em sua primeira Necessidade, uma escola cheia de machos e pré-trans. Ele se lembrou, então, que os Irmãos tinham comprado um antigo prédio e o tinham reformado para que as fêmeas fossem levadas.
Então ele pediu licença para a jovem fêmea e se dirigiu ao seu escritório. Ligou para a Irmandade, onde foi atendido pelo doggen Fritz. Pediu para falar com Z.
Fritz estava com o telefone em mãos, indo na direção do quarto de Zsadist, quando encontrou Tohr.
— Algum problema, Fritz? — Tohr perguntou eficiente.
— Senhor, preciso passar essa ligação ao senhor Z. Mas ele me parece ocupado — o doggen falou ao ouvir os barulhos que provinham do quarto.
— Quem é? — Tohr falou fingindo não ouvir o comentário do outro.
— É o Dr. Havers lá da clínica. Parece ser sobre a menina Nalla.
— Me passa o telefone — Tohr falou e, sem esperar resposta, tirou o telefone da mão do criado.
Tohr foi para o escritório com o telefone na mão.
— Olá, Havers. Aqui é o Tohr. O Z definitivamente não pode e não vai querer atender agora.
— É muito importante, Tohr. E tem que ser o mais rápido possível — o médico falou em tom de urgência.
***
— Alguma coisa errada? — Tohr perguntou apreensivo.
— Não sei se ele gostaria que eu te falasse sobre isso — Havers falou cuidadoso.
— Posso responder pelo meu Irmão. O que há de errado com a Nalla? — Tohr falou deixando transparecer sua preocupação.
Havers fez silêncio do outro lado da linha, como se ponderasse.
— O Wrath está? — o médico falou ainda temeroso.
— Vamos, homem, não me faça ter de ir até aí perguntar pessoalmente — Tohr falou sério.
— Nalla esta entrando em sua Necessidade — ele começou a falar. — Precisa mandar alguém buscá-la e levá-la para o abrigo.
— Peça para Blay ligar para mim agora — Tohr disse desligando o telefone em seguida, não dando chance para o médico responder.
Tohr disparou em direção ao estacionamento, sem se lembrar de avisar o rei ou os pais de Nalla, só pensando nela sozinha com outro macho estando em sua Necessidade.
Quando Blay ligou para ele, a única informação que Tohr passou foi que estaria indo buscar Nalla e que não era para que ele chegasse perto dela.
Quando estava na metade do caminho, Tohr se lembrou de falar com o rei, afinal, tinha de dar satisfações e avisar que usaria a casa das fêmeas.
Ligou e informou, mas pediu que deixasse que ele avisasse Z, para não preocupá-lo. O rei concordou, mas disse para que avisasse ainda naquela noite, para que a mãe dela fosse levada o mais rápido possível e, assim, Nalla não ficasse sem cuidados.
Assim que chegou ao consultório do médico, Tohr dispensou Blaylock e ficou esperando por Nalla, que saiu uns cinco minutos após sua chegada.
— O que faz aqui? — Nalla perguntou assustada ao ver Tohr e não Blay esperando por ela.
— Vim buscá-la e te levar para um lugar seguro — Tohr respondeu, agora de cabeça fria, mas, mesmo assim, desconfortável com a situação.
— Como assim “lugar seguro”? — ela ficou assustada. — Aconteceu alguma coisa em casa? Minha mãe? E meu pai?
— Calma — ele falou tocando o braço dela. — É com você. Você tem de ir para um lugar seguro, todos os outros estão bem.
Ele a foi conduzindo até o carro, preocupado com a proximidade do amanhecer, pois estavam ainda longe do abrigo. Talvez tivessem de ficar ali, na casa do médico, até o anoitecer seguinte. Ele se lembrou, então, da chegada do período de Necessidade de Nalla, e decidiu apressar-se em deixá-la segura. Enquanto estava dirigindo a toda velocidade, ficava a todo momento olhando de esguelha para Nalla como se ela fosse explodir a qualquer instante.
— O que está acontecendo comigo para me levar para longe? — ela falou olhando pela janela.
— Bem.... — ele se virou para a outra janela para que ela não o visse corar. — Você.... Bem, é que...
— Tohr, pelo amor da Virgem Escriba! — ela gritou se virando para ele.
— Você esta entrando no período de Necessidade — ele disse rápido e num sussurro, mas fazendo com que ela corasse dessa vez.
— Mas minha mãe disse que ainda demoraria a chegar — ela falou mais para si do que para Tohr, mas mesmo assim ele respondeu.
— Também pensei que demoraria mais, isso é bem precoce. Mas você sempre foi uma menina precoce.
Depois dessa pequena e constrangedora conversa, eles permaneceram em silêncio o resto do caminho. Quando chegaram, Nalla se impressionou com a beleza do prédio antigo. Devia ser dos anos trinta, mas havia sido reformado e reluzia como novo. Quando olhou pra cima, pode ver a magnitude do prédio, ele era alto, com três andares pelo menos, e o teto era em formato de abóboda. Estatuas de gárgulas faziam parte da decoração.
Portas duplas foram abertas, dando passagem para um hall muito interessante, ele era espaçoso e muito bem decorado. Nalla olhou para frente e viu duas escadas, uma à direita e outra à esquerda. Elas davam para os andares acima deles.
***
Capitulo 3
— Pronto, aqui você estará segura — Tohr disse, tão logo fechou as portas atrás de si.
— Acho que isso é uma grande e fodida idiotice — ela falou batendo o pé.
— Olha a boca, menina, uma dama não deveria falar assim — Tohr a repreendeu, indo se sentar na beirada do sofá.
— Sou filha do Zsadist, devia se lembrar disso — ela falou orgulhosa.
— Sim, me lembro o tempo todo — ele se levantou e pegou uma bebida no bar.
— Como ia dizendo, acho que é uma chatice — ela disse fazendo uma careta. — Isso de me tirar de minha casa.
— Sua casa, mocinha, não é um lugar seguro pra você nesse momento — ele disse entediado.
— Por que não? Sempre foi. Minha Mahmen pode cuidar de mim nesse período — ela insistiu teimosa.
Tohr sorriu amargo, enquanto bebericava mais um gole.
— Não se faça de inocente, Nalla, sua mahmen não vai poder cuidar de você nesse período. Não é de uma mãe que vai precisar — ele falou engolindo em seco.
— O Blay poderia cuidar de mim, ele sempre me alimentou — ela falou enquanto mexia com as mãos.
— Primeiramente, o Blaylock teria um inferno de problemas com o Qhuinn. Você sabe que a relação entre eles vai além de amizade. E também deveria saber que um macho, mesmo vinculado ou não, todos os machos que tenham algo que possa ficar sólido entre as pernas, responderia a uma fêmea em Necessidade.
— Isso aconteceu com minha mahmen, e só meu pai a atendeu — ela contestou.
— Um milagre que não tenha havido mortes, e, além do mais, o complexo da Irmandade cresceu bastante, e tem muito mais machos, a tragédia é inevitável. E, quer saber, não quero e não vamos discutir isso novamente, Nalla — ele se levantou e começou subir a escada. — Vamos, vou te mostrar o seu quarto.
Subiram as escadas, ela com a mão no corrimão, e seguiram por um corredor com as paredes pintadas de vermelho sangue com detalhes em preto.
Pararam em frente à porta onde havia uma placa onde estava escrito em dourado “Nalla”, e nas demais portas também havia outras placas, pois cada fêmea da Irmandade, exceto Mary, por ser humana, e Jane, por ser fantasma, tinha um quarto ali. Nalla abriu a porta e começou a observar tudo em volta, percebendo que tudo era ao seu gosto.
— Por que meu nome está na porta?
— Essa casa tem um quarto para cada fêmea fértil do complexo. O rei mandou construir para evitar problemas — ele respondeu seco.
O quarto era bem espaçoso, as paredes eram lilás com detalhes em roxo de ramos de flores, a cama ficava de frente para a porta, ela era alta, com uma cabeceira toda trabalhada em detalhes de ramos de flores. À esquerda, encostada na parede, ficava uma penteadeira bem antiga e delicada na cor preta, ela tinha pernas altas e o espelho em formato oval com detalhes também de ramos e flores, e o banquinho também era de pernas altas.
Entre a cama e a penteadeira ficava uma janela em estilo gótico, com cortinas roxas. Nalla pôde ver, à direita da cama, um guarda roupa na cor preta com portas de vidro e, na parede em frente à cama, ao lado da porta, havia um quadro de uma paisagem de uma praia em meio a uma revolta tempestade. Bem ao lado do guarda roupa ficava a porta do banheiro.
Nalla caminhou até lá e abriu a porta. Bem em frente havia uma banheira enorme de louça negra. Havia cortinas na cor grafite, à esquerda ficava uma divisória para o vaso e, à direita, uma bancada preta, e os azulejos eram em cores alternadas de preto e branco.
— Agora que já me trouxe, pode ir embora — Nalla falou enquanto voltava para o quarto e se sentava na cama.
— Vou ficar nos quartos do andar de baixo, já vai amanhecer — ele falou indo até a porta. — Assim que anoitecer vou buscar sua mãe para que fique com você e Xhex para protegê-las.
E, sem dizer mais nada, Tohr se retirou. Nalla, ao se ver sozinha, decidiu tomar um banho para se refrescar e esquecer toda a loucura daquele dia, o beijo, a cena de ciúmes, a notícia do médico e, principalmente, a preocupação de Tohr. Então, com um estalo, resolveu usar isso em seu favor, porque, se queria realmente conquistar o homem que amava, essa seria a sua melhor chance.
Correu ao quarto que era destinado à sua mãe, abriu o armário e escolheu uma bela camisola de rendas.
Voltou ao seu quarto e foi banhar-se para, em seguida, dar continuidade ao seu plano.
***
Enquanto isso, no andar de baixo, Tohr preparava-se para dar a notícia a Zsadist. Ele caminhou até o bar tomou uma dose extra de uísque e se sentou na cadeira do escritório, pegando seu celular e ligando diretamente para o do Irmão.
— Z? — perguntou Tohr.
— Cadê a minha filha?! — gritou Z de volta. — O Blay me disse que você a pegou. E eu só não quebrei a cara dele porque foi com você que ele a deixou.
— Ela está na casa das mulheres — Tohr respondeu enquanto suspirava.
— Por que ela esta aí? — Tohr ficou em silêncio. — Oh! Não, não, não.
— Z, calma, ela está bem. Havers disse que está perto, mas não aconteceu ainda. Disse que era melhor ela ficar aqui até passar.
— Não está mentindo, está? — ele falou nervoso novamente.
— Claro que não, Irmão. Assim que anoitecer, Bela deve vir cuidar dela, e Xhex deve fazer a segurança — Tohr falou mais calmo.
— Escuta aqui, se a minha filha entrar em Necessidade antes do anoitecer, é melhor que você saia para o Sol, seu fodido filho da puta, porque, se tocar nela, eu acabo com você — Tohr voltou a ficar em silêncio. — Entendeu?!?
— Completamente — Tohr limitou-se a dizer. — Mas, Z, e se as minhas intenções com ela forem... — ele ia dizendo calmamente, mas Z o interrompeu.
— Não me interessa quais as intenções, sejam elas boas ou ruins, é melhor não tocar em nenhum fio de cabelo de minha Nalla, Tohr.
A conversa ao telefone mostrou que os Irmãos teriam um dia infernal tentando conter Zsadist, e Tohr provavelmente estaria no Fade assim que a noite caísse se ele tocasse em Nalla.
Quando estava caminhando para os aposentos destinados aos homens naquela casa, ele sentiu um maravilhoso cheiro de flores. Não o que sentia quando sua falecida shellan exalava quando estava no período de Necessidade, mas com cada fêmea era diferente. E isso era ruim, muito ruim. Ele tinha de ficar o mais longe possível daquele quarto e rezar para anoitecer logo, ou cometeria uma loucura e perderia um Irmão.
***
— Tohr!!! Ele ouviu Nalla gritar do seu quarto e, sem pensar, subiu as escadas correndo, quase morrendo ao se deparar com ela parada aos pés da cama e vestida com uma pequena camisola rosa de ceda e rendas.
Ele tinha pensado que, quando chegasse ao quarto, a encontraria machucada. Mas aquilo o deixou muito irritado.
— Que foi isso, Nalla? Dá pra parar de brincar comigo! — falou, dando um soco na porta.
— Você me achou feia? — ela disse fazendo dengo.
— Porra, Nalla, dá para crescer um pouco, garota? Para com essas tentativas estúpidas de me seduzir. Caralho, Nalla, eu não estou tentado, entendeu? Não mesmo? E esqueça a fodida ideia de que vou tocar em você — ele gritou, assustando-a.
— Por que você não me quer? Sou feia? Não agrado a você?
— Não estou á procura de uma shellan, Nalla. Você merece muito mais do que eu posso oferecer — Tohr disse com a voz triste.
— E se eu quiser? Não estou procurando um relacionamento sério — ela gritou furiosa.
— Não brinca, Nalla, você não merece nada menos que estar vinculada a um macho valoroso.
— E por que você não pode me oferecer essa vinculação?
— Não sou o macho que você precisa, Nalla — ele disse nervoso e triste.
— Você não é mais macho para satisfazer uma fêmea? É isso? — ela disse apenas para enfurecê-lo.
— Vá para o inferno, Nalla! — ele gritou, e saiu batendo a porta.
Nalla, enfurecida, arrancou o pequeno cordão de ouro que usava e o atirou longe. Sentou-se na cama, abraçou seu travesseiro e passou a chorar. Tudo o que queria era que Tohr a visse como mulher e não como a filha de um companheiro.
Em meio ao seu choro, começou a sentir uma grande queimação em seu ventre, acompanhada de uma onda de dor e desejo. Ela não sabia o que estava acontecendo, apenas sentia desejo e dor em uma escala jamais sentida.
Capítulo 4
Tohr havia chegou ao escritório, preparava-se para beber algo, quando a onda de desejo se abateu sobre ele, acompanhada de um doce cheiro de flores.
Nalla, assustada com tudo o que estava acontecendo com seu corpo, decidiu que precisava sair dali, fugir para longe antes que aquilo a consumisse. Ela abriu a porta de seu quarto e saiu sorrateira, desceu as escadas o mais devagar que pôde, mas, quando quase chegava à porta, uma mão a segurou pelo braço.
— Onde você vai, sua maluca?
— Me deixa, Tohr, quero sair daqui, isso dói — ela disse apertando o ventre e tentando abrir a porta.
Tohr sentiu as têmporas latejando.
— Isso é suicídio, o sol já deve estar alto, são quase 8 da manhã — ele falou a tirando de perto da porta e ficando em frente a ela.
— Qualquer coisa é melhor que isso — ela disse, e ele se aproximou.
— Sai de perto de mim! Sai, Tohr, por favor... Ai... — ela se abaixou próxima à porta, curvada de dor.
— Nalla, não vou permitir que você torre ao sol — Tohr disse entre os dentes.
— Está piorando! — ela ofegou.
— É porque eu estou perto — ele disse sentindo seu membro responder às ondas de energia que ela emitia.
— Então sai!
— Você precisa voltar para o quarto.
— Não vou ficar naquele quarto fodido! Ai... — ela chorou, dobrando-se ainda mais.
— Vem, Nalla, eu te ajudo a ir para a cama. Você precisa relaxar.
— Eu... — ela gritou. — Tohr! Está doendo, maldito inferno! Está doendo...
— Eu sei — ele também ofegou. — Dói em mim também, Nalla — ele a pegou no colo, ela apenas se aconchegou.
Quando estavam chegando à escada, ela, numa nova onda que tomava seu corpo e o dele, num impulso o beijou. Com um gemido, ele a apertou mais contra si, colocou-a sentada no aparador que ficava próximo à escada e se posicionou entre as pernas dela. O beijo se tornou mais urgente, ele deslizava suas mãos pelo corpo dela enquanto ela, de um jeito desajeitado tentava tirar o traje de couro dele enquanto inutilmente se esfregava em seu membro rijo. Agoniado com tudo aquilo, ele a pegou no colo e recomeçou a subir as escadas.
O caminho até o quarto foi feito no mais completo silêncio. Tohr a depositou na cama calmamente.
— Tohr... — ela chamou se retorcendo entre os lençóis. — Está queimando... Meu ventre está em brasas... Ai...
— Nalla, por favor — ele pediu sentindo o seu membro enrijecer bruscamente.
— Faz isso passar, Tohr... Por favor...
— Nalla, não me peça isso. Não, Nalla...
— Por favor, Tohr, só um abraço para isso passar...
Tohr sabia que aquela poderia ser a última idiotice que ia fazer na vida, mas ia dar a ele algum alívio. Seu coração doía por vê-la sofrer.
— Escuta, talvez eu consiga te aliviar um pouco, mas tem que se preparar, o pior ainda está por vir — ele disse cauteloso, sentando-se na cama ao lado dela, seus olhos fixos nos seios proeminentes através do tecido fino da camisola. Engoliu em seco. Observou os dedos dela aferrados sobre os lençóis...
— Abra um pouco as pernas — ele ordenou firme.
Nalla obedeceu, trêmula, e ele pôde notar o esforço dela para conseguir o gesto. Com um suspiro resignado, Tohrment levou os dedos entre as pernas dela e a olhou curioso ao perceber que ela não usava nada por baixo da camisola. Seus dedos correram livres sobre a umidade latente.
Ela suspirou aliviada ao sentir os dedos dele, que, no início, foram lentos, e depois, friccionaram rápidos sobre o clitóris inchado.
— Tohr..! — ela gemeu longamente, enquanto ele sentia o cheiro doce de um orgasmo leve. — Mais forte.... Tohr, quero mais forte! — ela pediu de olhos fechados, e ele se afastou.
Nalla abriu os olhos, preocupada, sentindo seu corpo pulsar, emitindo mais uma onda de energia sexual. Tohr se afastou com uma breve prece, e voltou se curvando sobre a cama.
Nalla sentiu as mãos firmes e grandes em sua cintura. Ele foi dando pequenos beijos no interior das coxas dela.
Mas nada do que tivesse sonhado a tinha preparado para o que se seguiu.
Sentiu os lábios dele entre suas pernas, sua respiração quente a dominando, e sua língua deslizou por toda a extensão de sua vagina.
O grito brotou de seus lábios de forma quase inconsciente, bem como suas presas. Ela apertou os olhos, que sabia que estariam amarelos como os de seu pai. A força de seu orgasmo a fez saltar do colchão, mas as mãos dele a prenderam.
— Calma, Nalla, calma, menina. Calma — ele sussurrou, segurando-a firme.
— Tohr! — Nalla abriu os olhos, e deparou-se com o azul profundo dos olhos dele. E só então viu que as presas dele também estavam descobertas, e ele suava como se lutasse com todos os seus demônios interiores.
— Não posso fazer isso, Nalla. Não posso.
— Você vai me deixar sozinha? Tenho fome... Muita fome... O Blay devia estar aqui... — ela disse confusa.
— O Blay não vai mais te alimentar! — ele gritou tomado pelo ciúme e, um segundo depois, tirou sua jaqueta de couro e a camisa.
Os olhos de Nalla se arregalaram diante o objeto de seu desejo. Ela respirou ofegante.
— Tohr...
— Se alimente — ele ofereceu sua garganta, mas ela permaneceu em silêncio, olhando para longe dele. — Vamos, Nalla, se alimente agora! — ele ordenou.
— Nunca fiz isso... O Blay... ele deixa uma ferida aberta... Eu não sei como... — ela disse confusa.
— Diabos, Nalla, você é uma vampira! Morda-me, tome o que posso oferecer.
— Nunca tomei da garganta de um macho. O Blay... ele....
— Se falar nesse fodido desgraçado de novo, eu arrebento ele! — Tohr esbravejou.
Nervosa, ela se agarrou a ele e suas presas tocaram a pele masculina, perfurando-a sem delicadeza nenhuma. Ela se alimentou sugando com força, o suficiente para fazer Tohr gemer e, sem se controlar, deitar-se sobre ela.
As pernas dela se esfregaram uma na outras.
O membro dele, tenso ao extremo, roçava entre as pernas dela, que se aconchegou. Ela era pequena, mas na medida certa, e seu corpo se moldava ao dele com perfeição.
— Tohr! — ela gritou tentando se curvar quando seu ventre doeu mais do que nunca. — Está doendo.... — ela disse sem conter as lágrimas que escorriam em sua face pálida.
Tohr pareceu num segundo vencer todos os seus demônios e se despiu num segundo, retomando seu lugar sobre ela, que, mais uma vez, ofegou entre lágrimas.
— Eu nunca fiz isso! — ela falou escondendo o rosto no ombro dele.
— Nunca fez o quê? — ele perguntou, segurando seu membro ao encontro da entrada dela. — Diabos, menina! Que inferno está fazendo com minha vida? — ele grunhiu entre dentes, sentindo a suas presas se alongarem ainda mais. Era um macho, e, embora houvesse tempos que se reprimisse, não poderia mais. E tomar a virgindade dela, saber que seria o primeiro, o enlouqueceu ainda mais.
Houve alguns instantes de silêncio, e ele uniu seus lábios aos dela, com carinho, enquanto seu membro se postava em sua entrada.
Ela ondulou de desejo e ele escorregou para dentro dela, sem precisar forçar muito devido ao excesso de umidade. Ela se afastou dos lábios dele e gritou, agarrando-se a ele. Ele gemeu alto, sentindo o aperto dos braços dela em seu pescoço, e as presas dela se cravaram em sua artéria mais uma vez, fazendo com que ele gemesse e acelerasse os movimentos. Os dois sentiram que, apesar da magia que agia por causa do período de Necessidade, era esse o lugar onde deveriam estar, pois se sentiam completos.
***
Capítulo 5
Nalla sentiu seu primeiro orgasmo enquanto ele se movia dentro dela e, ao sentir que ela ficava mais molhada pelo gozo, Tohr acelerou suas investidas e acabou por gozar também. Ele se deixou cair por um momento sobre ela, mas, logo em seguida, virou-se e a colocou sobre seu peito, quando um pequeno som chamou-lhes a atenção. Era o celular dela, e ambos sabiam quem era do outro lado da linha. Nalla apenas gemeu e escondeu seu rosto na curva do pescoço de Tohr, que, como macho responsável que era, atendeu prontamente a ligação.
— Onde está minha filha, seu filho de uma cadela? — Zsadist grunhiu ao ouvir a voz de Tohr responder ao telefone.
— Está adormecida, onde deveria estar há muito tempo, em meus braços — Tohr falou com a voz firme.
— Estou indo buscá-la e acertar minhas contas com você, seu maldito filho da puta! — Z gritou, desligando o telefone.
***
Na Irmandade, Bela já esperava por esse tipo de reação, afinal, conhecia sua filha e seu amor por Tohr, só não imaginava que ele correspondia.
— Z? — Bela falou cautelosa.
Ele apenas a olhou, não querendo descontar sua raiva nela. Afinal, ela estava grávida.
— Acho que você não devia ir — ela disse o mais amável que pôde.
— Como não ir? — ele explodiu. — É a minha filha, minha filha. Como aquele filho da puta pôde fazer isso comigo? — ele falava enquanto se vestia para a guerra. — E eu, que o chamei de Irmão!
— Por favor, não vá — Bela usou a melhor arma que tinha no momento: chorou.
— Não chore, minha leelan — ele se arrependeu de ter gritado. — Mas não posso deixar assim, aquele idiota filho de uma cadela deveria ter pelo menos a cortejado antes de... — suspirou. — Antes de transado com ela. Oh, pela Virgem, ele fodeu minha filhinha, ele vai pagar, e muito caro por isso!
Quando Zsadist estava chegando à porta, Phury apareceu, bloqueando-a.
— Que gritaria é essa? — ele se virou e viu Bela chorando. — E, pela Virgem, por que Bela está chorando?
— Phury, por favor, ponha juízo na cabeça de seu irmão — ela fungou. — Ele quer sair e por algo que não tem volta.
— Como assim sair? No meio da tarde? — ele se virou para Z.
— O filho da puta do Tohr está com a Nalla na Casa das Mulheres. Ele... ele... — Z passou a mão na cabeça, desesperado.
— Ele o quê? — Phury começou a se preocupar.
— Nalla está em seu período de Necessidade, Phury. Então, imagina o que o filho de uma cadela fez?! — Z falou tentando sair, mas foi barrado não só pelo irmão gêmeo, mas também pela chegada de Rhage.
— Agora mais um para eu apagar antes de matar o maldito filho da puta — Z falou ainda tentando passar pela porta.
— Como assim apagar? — Rhage quis saber, mas ao ver Bela chorando, imaginou que seria algo grave e, enquanto lutava para barrar a porta junto a Phury, tirou o celular do bolso e ligou paro número de emergência.
Em menos de cinco minutos todos os Irmão estavam à porta do quarto, e, sendo empurrado por todos seus Irmãos, Z caiu de costas aos pés de sua shellan.
— Mas que diabos está acontecendo aqui — Wrath disse com sua voz imponente.
— Agora todos estão aqui para rir de minha desgraça? — Z disse enquanto se levantava.
Bela, assistindo a tudo aquilo, começou a se sentir um pouco tonta e enjoada, sentando-se devagar na cama com medo de cair.
— Alguém cuide do idiota do meu irmão enquanto levo Bela para Jane — Phury falou a ajudando a se levantar, mas ela se recusou e permaneceu sentada.
— O que acontece, Wrath — Bela falou ainda chorosa e com a voz fraca. — É que Nalla entrou em seu período de Necessidade e Tohr a está servindo. Por causa disso meu hellren quer matá-lo. Ou fazer sei lá o que com ele.
***
Tohr ainda estava de pé no quarto, olhando para Nalla, que estava deitada de olhos fechados, seus longos cabelos negros brilhantes espalhados pelo lençol claro. Ouviu seu celular tocar.
— Não atende! — ela pediu apressada. — Pode ser meu pai. E não quero que prometa para ele algo que não quer fazer, algo que se sinta obrigado. Você não tem obrigação nenhuma comigo.
— Escuta aqui, menina, não me venha falar sobre obrigações, eu acabei de te tornar mulher e te servir. Então deixe que agora eu tomo o controle. — ele disse irritado e atendeu o telefone. — Sim, meu Rei...
— Tohr, o que diabos está havendo? — Wrath disse irritado.
— A Nalla, senhor, ela precisou ser atendida em sua Necessidade. E eu a peguei na clínica do Havers.
— Mas ela não estava com o Blaylock? — o rei disse interrompendo.
— Sim, mas quando o Havers tentou avisar ao Z o que estava para acontecer, eu sabia que ela estava com o Blay, e a peguei. Não podia deixar que ele a atendesse — Tohr disse com a voz fraca, como se admitisse um grande erro.
— Como ela está? — o rei conhecia seu Irmão e sabia que ele estava se vinculando à pequena.
— Bem, diga ao Z que eu a atenderei, e honrarei como minha shellan, assim como deve ser.
— Não!!! Você não vai fazer isso! — Nalla gritou a ponto de o rei ouvir do outro lado da linha.
Tohr se afastou quando ela avançou sobre ele, tentando tomar o telefone.
— Diga ao Z que eu ofereço um Rythe a ele, pois sei que o ofendi profundamente. Mas também diga que a filha dele agora é minha fêmea.
— Seu desgraçado! — Nalla bateu forte na mão de Tohr, fazendo a ligação cair.
— Para com isso, Nalla! — Tohr gritou alto, assustando-a.
Nalla se jogou sobre o felpudo tapete no chão, chorando. E logo gemeu. A Necessidade voltava.
***
— Esperem um momento — o rei cego disse enquanto pegava seu telefone e discava para Tohr. Algumas palavras trocadas depois, ele se dirigiu aos presentes. — Acabo de falar com Tohr, que disse que assumiria Nalla como sua shellan com a cerimônia que ela merece e que, se mesmo assim, Zsadist quiser acertar as contas, ele oferece um Rythe.
— Está aceito — Z limitou-se a dizer, levantando-se em seguida para amparar sua shellan. — Me perdoe por tudo isso, leelan, mas sabe como me sinto quanto a tudo isso. Wrath, vou pensar quanto a aceitar o Rythe, tudo vai depender de como Nalla chegar aqui.
— Vamos, Irmãos, o show acabou, deixem Zsadist em paz com sua shellan, acho que ela já sofreu estresse demais por hoje — Rhage disse enquanto saia do quarto, e foi acompanhado pelos outros.
Zsadist pegou Bela no colo e a acomodou na cama, deitando-se ao lado dela, aconchegando-a em seus braços. Achava que estava na hora de admitir para si próprio que seu pequeno bebezinho havia crescido e já havia escolhido seu macho. Tinha, na verdade, de ser grato por ser um Irmão valoroso como Tohrment, que iria poder protegê-la e cuidar dela. Não pôde deixar, entretanto, de se lembrar de quando Nalla era pequena.
FLASHBACK
Zsadist estava passando movimentos de luta para pelo menos vinte pré-trans. Estavam do lado de fora naquela noite, pois estava muito quente. De repente uma pequena menina vestindo um vestido rosa rodado, sapatilhas e uma pequena coroa torta na cabeça, entrou correndo e se agarrou às pernas dele.
— Papai, papai! — ela levantou a pequena cabeça com os cabelos presos por maria chiquinhas. — Me esconde.
— Do quê, Nalla? — ele disse, o treino completamente esquecido.
— A mahmen quer me levar pra ver o doutor — ela disse como se aquilo fosse muito grave.
— Aí está você, menina fujona — Bela disse enquanto caminhava para eles.
— Por que ela precisa ver o médico? — Z perguntou um pouco incomodado.
— Ela tem de tomar as vacinas para vampiros — Bela disse calmamente.
— Não gosto de agulhas — Nalla fez biquinho.
— Treino encerrado por hoje — Z disse se dirigindo aos alunos. – Vamos princesa, o papai vai com você concluiu pegando Nalla nos braços.
FIM DO FLASHBACK
Com essas lembranças da infância, vieram mais algumas, as de quando ela era bebê e ele cantava para niná-la; quando ela tinha quatro anos e fez V fabricar uma coroa para ela, pois dizia ser uma princesa em seu castelo; quando tinha sete e andava pela casa vestida de bailarina, não tendo ninguém que a fizesse tirar as sapatilhas; quando fez treze anos e quase fez seu pai ter um surto por causa de seu primeiro beijo roubado por um coleguinha de classe; a sua formatura, quando ele quase sofreu um baque quando a viu dançando no baile; a sua transformação, quando ele ficou sentado ao seu lado durante todo o tempo, sofrendo com suas dores; e, por fim, agora, seu primeiro período de Necessidade e, de brinde, um hellren para ela.
***
Capítulo 6
Enquanto isso, na Casa das Mulheres onde Nalla ainda estava jogada no tapete, Tohr tentou tocá-la, e ela rosnou mostrando as presas.
— Tira as mãos de mim, filho da puta — ela gritou e se encolheu de dor, exalando mais uma vez o cheiro de sua Necessidade.
— Nalla... — ele gemeu sentindo seu membro duro.
— Eu não te quero perto de mim. Você é um maldito bastardo, fodido do caralho... sai! — ela chorou e ele a tocou, segurando-a firme.
Odiava ter que usar a força, mas, com Nalla, não adiantava falar. Ela esperneou enquanto ele a levava até a cama e se deitava sobre ela.
— Você precisa lavar sua boca com sabão, Nalla, nunca conheci uma fêmea que falasse tantos palavrões — ele falou tranquilamente enquanto prendia as mãos dela. — Deve ser por ter sido criada em meio a tantos machos.
— Ah! — Nalla gritou irritada, sentindo a ereção dele entre suas pernas. — É mesmo? — ela perguntou, irritada, porém com malícia. — Então sai de cima de mim.
— Por quê? Não é o que você quer? Não é o que você precisa? — ele disse sério a sujeitando entre o corpo dele e o colchão.
— É o que você quer, Tohr? Certamente não — ela soltou um pequeno gemido quando sentiu o membro dele roçar em sua coxa.
— Você não sabe o que está falando. Você não sabe — ele falou posicionando seu membro rijo na entrada dela.
— Então vem, Tohr... Entra em mim e satisfaz a minha necessidade de você... — ela disse languidamente mostrando as suas presas brancas e afiadas.
Era um pedido que nem o corpo nem a mente muito menos o coração do guerreiro jamais recusaria. Ele se introduziu nela com violência, fazendo com ela soltasse um pequeno grito, e ele, incentivado pela umidade dela e pelos gemidos, passou a investir cada vez mais forte, fazendo com que a cama se movesse junto com eles. As mãos dela estavam sobre as costas dele enquanto suas presas se aprofundavam na pele masculina, fazendo com que ele soltasse um rosnado de satisfação e aumentasse seu ritmo.
Quando ela se sentiu satisfeita do sangue de Tohr, lambeu a ferida, e ele, percebendo a deixa, virou-a de barriga para baixo, passou sua mão pela barriga dela, elevando-a um pouco do colchão. Tohr soltou um pequeno rosnado ao observar as costas curvadas dela e seu belo traseiro. Não mais suportando estar fora dela, ele passou uma das suas mãos ao longo de suas costas e, com a outra, segurou os longos cabelos dela, se introduziu, fazendo com que Nalla ofegasse.
Os movimentos eram rápidos e profundos, o que fez iniciar rápido as ondas de gozo em ambos. Nalla jogou os cabelos de lado sensualmente e gemeu mordendo os próprios lábios, fazendo com que o cheiro de seu sangue chegasse a Tohr.
Tohr se segurou firme nos cachos escuros e a penetrou com vigor, queria o prazer dela, queria o sangue dela. Assoviou entre os dentes quando ela caiu mole e ele se despejou dentro dela. Nesse momento ele se preocupou se, por algum motivo, a tivesse machucado. Mas não podia parar a torrente de sêmen que jorrava em seu interior quente e receptivo.
Tão logo pôde falar, ele a virou rápido.
— Nalla? Eu te machuquei. Perdão, Nalla! Perdão.
Nalla não disse nada, tinha os olhos fechados, seus seios estavam rosados e as pernas, entreabertas; não podia fechá-las. Ela respirou suavemente. Não podia falar depois daquela onda de prazer. Nervoso e impaciente, Tohr se abaixou entre as pernas dela e olhou diretamente para seu sexo, que estava levemente inchado e vermelho, devido ao tamanho de seu membro.
— Te machuquei — ele disse num sussurro.
— Não me olha! — ela demorou a perceber o que ele fazia, e gritou, levando as mãos entre as pernas.
— Quero ver se te machuquei — ele disse sincero.
— Não... — Nalla disse muito vermelha, e fechou as pernas, segurando-se ao máximo. E chorou.
— Você está chorando! Me deixa ver. Eu fui bruto te machuquei.
Ele passava as mãos pelos cabelos curtos, imaginando que nunca tivera esse tipo de problema com Wellsie, nem na Necessidade dela.
— Não... não... — foi uma breve batalha que ele perdeu quando ela se encolheu num canto da cama e chorou ainda mais.
— Nalla... — ele chamou desesperado, vendo-a gemer mais uma vez... anunciando uma nova onda de Necessidade. — Não vou tocar você de novo — ele disse mais para si mesmo do que para ela.
— Tohr, eu... ai... Eu fico com vergonha de você... Por olhar assim... Mas eu... — ela gemeu longamente. — Foi maravilhoso... Eu senti muito prazer... Eu... ai, Tohr, está começando de novo... — ela choramingou.
— Então não te machuquei? — ele a olhou com alívio enquanto seu membro se enrijecia mais uma vez.
— Não. Só não quero que você me olhe assim... Fico com vergonha...
— Oh, Nalla!
— Tohr... — ela gemeu vencendo a distância entre eles, beijou-o suavemente nos lábios e se afastou. — Me perdoe... mas eu tenho fome... — ela disse próximo ao ouvido dele antes de cravar suas presas em seu pescoço mais uma vez.
Tohr gemeu roucamente e se ajeitou na cama, levando-a consigo. Fez Nalla abrir as pernas e descer suavemente sobre a sua ereção. Quando estava inteiro dentro dela, se ergueu e levou seus lábios aos seios dela, sugando-os com força. Suas mãos grandes se postaram sobre o traseiro dela, mostrando um ritmo agradável, que ela aprendeu rapidamente, e começou a cavalgá-lo devagar.
— Hellren... — ela sussurrou quando Tohr estava tão cravado nela quanto fisicamente possível.
Ao ouvir a voz dela dizendo aquela palavra, Tohr urrou, sentindo a sua semente jorrar dentro dela, junto com a essência de Vinculação, que exalou, marcando-a de dentro para fora. Não sabia se era isso mesmo que ele queria, mas era preciso, porque ele não suportaria
que outro macho a tocasse. E, mesmo que tivesse que enfrentar um inferno com Z, ela era dele, inteiramente dele.
A nova mordida que ganhou na base do pescoço fez seus pensamentos mudarem... Ele era dela, tão dela...
— Nalla... — ele disse antes de gozar mais uma vez, numa voz doce, e a beijou nos lábios, sentindo o gosto de seu próprio sangue.
***
Nalla adormecera com o membro de Tohr ainda dentro dela. E ele estava quase dormindo quando perguntara a si mesmo se não estava ferindo ela. Mas era ali que estava bem, seu corpo forte e másculo cobrindo o dela.
— Eu te amo, Nalla... Te amo, minha pequena... — ele disse na Antiga Língua, mas não teve resposta, apenas o leve ressonar da fêmea em seus braços.
Ao anoitecer, Nalla acordou, mas estava sozinha na cama. Levantou-se e sentiu as suas partes íntimas prazerosamente doloridas. Caminhou pelo quarto, abriu o guarda roupa, olhou as gavetas. Decidiu buscar por Tohr, vestiu uma camisola nova, afinal, a que vestira no dia anterior estava destruída e, quando estava descendo as escadas, ouviu-o cantarolar e o gostoso cheiro de panquecas. Então, o mais silenciosamente que pôde, voltou para o quarto e decidiu tomar um banho, afinal, estava toda grudando.
Tohr chegou ao quarto trazendo uma bandeja enorme com panquecas doces, morangos, suco de laranja, torradas e mais algumas iguarias, quando ouviu um pequeno gemido vindo do banheiro. Ele deixou a bandeja sobre a mesinha no quarto e foi ao banheiro. Nalla estava agachada no box enquanto a água lhe caia nas costas.
— Nalla? O que foi? — ele falou, entrando de roupa e tudo embaixo do chuveiro e se abaixando na frente dela.
— Achei que tivesse acabado — ela falou se abraçando a ele. — Preciso de você.
Ele se juntou a ela no banho, livrando-se das suas roupas e, mais uma vez, satisfazendo sua fêmea. Depois de terem se amado, Tohr a ajudou a tomar banho, secou-a e a levou de volta para o quarto, depositando-a com cuidado na cama.
— Tenho uma coisa para você, leelan — Tohr falou calmamente, mas percebendo o brilho no olhar dela.
— O que é? — ela respondeu, já sabendo o que seria, pois sentira o cheiro da comida.
Tohr pegou a bandeja e a colocou na cama ao lado dela, pegando um morango e o colocando na boca feminina. Como todo macho tinha o instinto de fazer por sua fêmea, ele queria mantê-la alimentada e satisfeita em todos os sentidos.
Capítulo sete
Quando ambos estavam satisfeitos com o café da manhã, Tohr achou que seria hora de conversarem.
— Nalla, gostaria que me aceitasse como seu hellren — Tohr falou enquanto a abraçava.
— Tenho medo, Tohr — ela se aconchegou a ele.
— Medo de quê, leelan?
— Medo de sofrer, medo que me deixe, que se machuque — ela se apertou mais ao encontro dele.
— Oh, Nalla, o que mais quero é que seja minha shellan — ele beijou o topo de sua cabeça. — Deixa eu te contar uma história, a minha historia com Wellsie. Quando nascemos, nossos pais firmaram um compromisso de casamento entre nós. Crescemos em lugares distantes, só a conheci no dia da transição dela, quando fui atendê-la. Nos tornamos amigos, nos casamos e acabamos nos apaixonando. Vivemos por centenas de anos juntos. Há uns anos, ela engravidou e, quando o nosso bebê estava próximo de nascer, ela foi morta por lessers. Eu enlouqueci na época e fugi, deixando tudo para trás. Parecia que me faltava um pedaço, que eu nunca mais ficaria inteiro. Quando te conheci, quando você era pequenina, eu te segurei nos braços, você sorriu para mim e parece que, naquele instante, uma parte de mim voltou ao normal.
— Eu não sabia, Tohr — ela lhe deu um beijo de leve nos lábios.
— Quando você passou por sua transição, quase não pude acreditar no quanto eu a desejava, no quanto a queria para mim — ele suspirou. — Seja minha shellan, Nalla, não porque te supri em sua Necessidade, mas porque eu a amo.
— Também te amo, meu hellren.
***
Tohr e Nalla entraram de mãos dadas na mansão. Ela estava vestida com uma bata larga e comprida, como as que sua mãe gostava de usar. Tohr estava com uma camisa que compraram antes de irem para casa, era preta, de gola alta e mangas muito compridas, a fim de esconder as marcas que ganhara de sua fêmea naquele dia.
O rei os esperava sentado na sala de entrada.
— Boa noite, meu senhor — Tohr disse firme, enquanto apertava as mãos trêmulas de Nalla.
— Boa noite — Nalla disse nervosa.
— Boa noite, Irmão, boa noite, Nalla. Você sabe que tem um fodido problema com seu pai, não sabe, menina?
— Sim, Wrath, mas não posso negar a minha natureza. O que meu corpo pede — ela disse humilde, porém atrevida por falar daquela maneira com o rei.
— Creio que eu tenha problema com o pai dela, Wrath. Ela não teve culpa. Fui eu que a levei para lá. E não saí antes de começar.
— Não estou aqui para julgar. Acredito que fez o que era necessário e certo. Um macho valoroso desvinculado faria a mesma coisa — ele disse com sua voz grave.
— E o Z aceitou o Rythe? — Tohr perguntou sério, e Nalla o abraçou.
O rei não podia ver, mas sentia a presença da vinculação deles desde que entraram, e o medo de Nalla ao abraçá-lo quando o rythe foi mencionado.
— Não. Podemos deixar essas questões para depois.
— Por favor, senhor! Não deixe isso acontecer. Não quero que meu pai o machuque — Nalla se sentou segurando as mãos do rei, que levou as mãos dela aos lábios num gesto carinhoso.
— Oh, pequena Nalla. É difícil para todos nós. Você foi a primeira criança nessa casa. E amamos você incondicionalmente. Mas, se seu pai e seu macho tomarem essa medida, não posso interferir.
— Oh! Wrath! — Nalla se jogou nos braços do rei e chorou copiosamente.
Entretidos, não viram Bela entrando na sala.
— Nalla! Oh, pela Virgem, graças que está tudo bem — Bela caminhou rápido e a filha se levantou.
As duas se abraçaram.
— Meu amor. Você está bem? – Bela perguntou acariciando os cabelos da filha.
— Sim, Mahmen, estou.
— Queria tanto estar perto de você. Te orientar — ela passava as mãos pelos cabelos da filha.
— Não se preocupe, o Tohr ficou comigo.
Nesse momento Bela olhou para o Irmão e caminhou até ele. Tohr fechou os olhos e esperou por algo explosivo como um tapa, um soco, qualquer coisa assim. Mas o que veio foi um abraço.
— Obrigada, Tohr, por cuidar dela.
— Bela... eu...
— Eu sei que vocês se gostam, e acredito que devem ficar juntos... Pude sentir a vinculação de vocês antes mesmo de entrar nessa sala.
— Eu também pude sentir a pouca vergonha desde os meus aposentos — Z disse aparecendo no alto da escadaria.
Desmaterializou-se e tomou forma próximo a Bela e Tohr.
— Zsadist! — Bela gritou quando ele a tirou do caminho e segurou Tohrment pelo pescoço.
— Papai! — Nalla gritou indo em direção a eles.
Os dois machos se encararam nos olhos, bufando, o clima tenso poderia rachar as colunas daquela casa.
— Você é um fodido desgraçado, Tohrment! Um fodido desgraçado! — Z apertou tanto seus dedos sobre a traqueia de Tohr de forma que parecia um milagre ele ainda estar de pé.
— Papai, não machuca ele! — Nalla chorou, tentando tocar o pai.
Nervoso, Z usou uma de suas mãos para afastá-la, não queria ser tocado. O gesto rápido pegou Nalla desprevenida, e ela tropeçou na barra de sua bata e caiu para trás. Bela gritou ao ver a filha cair. Z olhou para trás, mas recebeu um golpe furioso de Tohr, que o jogou para trás.
— Se machucá-la, Z... — Tohr rosnou, mostrando as presas. — Isso vai acabar com um de nós dois no Fade...
Z rosnou em resposta e, antes que ele pudesse se levantar, Wrath surgiu entre eles.
— Chega de palhaçada aqui. Tohrment, pegue a sua fêmea e vá para seu quarto.
— O inferno que ela é a fêmea dele! — Zsadist gritou, aproximando-se da filha e a segurando pelo braço. — Vá para o seu quarto, Nalla, antes que eu perca a cabeça com você também.
— Solte-a, seu filho de uma cadela! — Tohr gritou de volta. — Ela é minha shellan, e assim que possível, farei a cerimônia como dita a tradição.
— Pretende fazê-la sua shellan? — Z perguntou estreitando os olhos.
— Sempre pretendi, desde o dia em que ela se transformou. O problema é que você não é muito acessível, não é mesmo? — Tohr falou ao perceber que a hostilidade de Zsadist diminuía.
— Até lá. Até que a cerimônia aconteça, ela ficará no quarto dela, entendeu? — Z falou soltando o braço da filha, que caiu sentada novamente tamanha a surpresa. — Gostaria de poder mudar as coisas, mas como não posso...
Houve alguns instantes de silêncio, até que Tohr ajudou Nalla a se levantar e a puxou pela mão.
— Espera — ela disse antes de chegarem perto da escada. Correu até onde Z estava, o rei com a mão no peito dele, segurando-o. Os dois se encararam firmemente.
— Papai, eu te amo — ela disse ficando nas pontas dos pés, dando um beijo na bochecha de Zsadist. E voltou correndo para a escada.
— Eu sinto muito, Bela — Tohrment disse olhando para Bela, que havia acabado de se sentar no sofá.
— Zsadist — Wrath disse sério. — Ela cresceu. E Tohr é o melhor guerreiro que poderia cortejá-la. Pense por você mesmo. Ele é livre e honrado. Mas, se você insistir nisso, não quero confrontos abertos em minha casa, chame-o para um rythe, e ele aceitará. Essa é a minha casa, aqui vive a minha família e as famílias dos Irmãos, não quero esse tipo de confronto contínuo, entendeu? Cuide de sua shellan, sinto o cheiro do pavor dela. Ela não deve passar por mais estresse.
Z olhou para Bela, que estava sentada com lágrimas nos olhos, sua fragilidade exposta.
— Oh! Leelan... — Z se aproximou dela e ela o abraçou, ainda soluçando.
Z a pegou no colo e caminhou para a escada, e pôde ver todos os Irmãos espalhados pela sala, todos dispostos a intervirem numa briga mais séria. Inclusive seu irmão gêmeo estava lá.
— Volte para as Escolhidas, Phury, vou cuidar de minha shellan.
— É o certo a fazer, Irmão. Mas pense, Nalla ainda é sua filha, e sempre será nossa criança. Mas agora ela está nas mãos de outro macho — Phury disse antes de se desmaterializar.
***
Bela entrou no quarto de Nalla. Ela estava deitada, e sorriu ao vê-la.
— Mahmen, você está bem? E meu irmão? Meu pai ainda está furioso? O que você acha de... — ela dizia tudo de uma vez, parecendo uma criança novamente.
— Nalla, calma. Uma coisa de cada vez, leelan. Eu estou bem, seu irmão também, e seu pai, bem, ele vai entender. Mas me fale de você. Como está?
Nalla sentiu o rosto fogueado. E Bela riu.
— Não sinta vergonha, sei como é uma Necessidade. Você foi gerada na minha primeira — Bela contou meiga.
— Sério? Ah... — Nalla levou as mãos ao ventre. — E se eu tiver carregando a semente dele? — Nalla não havia pensado nessa possibilidade, e seu coração se encheu de alegria.
— Ah. Aí, sim, seu pai trucidaria o Tohrment — Bela sorriu. — Me conta, ele foi gentil?
— Maravilhoso! Perfeito! Mahmen, eu o amo tanto...
— Desde quando você o ama, Nalla? — sua mãe a olhou desconfiada.
— Desde sempre... — ela respondeu com simplicidade, e Bela sorriu. Tudo era simples assim. — Você o alimentou? Eles ficam fracos depois que tomamos tanto deles.
— Não. Eu não sabia... — ela disse assustada ao imaginar Tohr fraco por causa dela.
— Olha, há muito que posso te ensinar. Bem, eu vou entreter seu pai. E você vá ao quarto de Tohr e o alimente. Lindo o gesto dele, é tão gentil, não te pediu nada...
— E eu o amo ainda mais por isso! — ela disse com o rosto iluminado.
— Eu sei, Nalla.
— Mahmen, eu nunca alimentei ninguém, não sei...
— Ele sabe, e isso vai bastar. Vou para junto de seu pai. Ele não está muito bem — Bela disse com a expressão cansada, mas feliz.
— Mahmen, diga a ele que eu o amo muito. É só que eu cresci, e quero um hellren, e escolhi o Tohr.
— Deixa que, de seu pai, eu cuido mais tarde — Bela disse sapecamente beijando o rosto da filha.
***
Tohr estava sentado de frente para a janela de seu quarto, quando sentiu a presença de sua shellan. Seu coração bateu acelerado e suas veias pulsaram, certamente pela proximidade de seu sangue, que corria nela, ou pelo cheiro da vinculação que ela exalava.
— O que está fazendo aqui, Nalla? Seu pai te mandou para seu quarto — Tohr disse sério sem olhar na direção dela.
— Lá não é mais meu lugar. Meu lugar é aqui, junto ao meu hellren — ela disse com firmeza, e Tohr suspirou vencido.
— Concordo, Nalla, que aqui seja seu lugar. Mas não quero outro problema com seu pai. Sei como ele se sente.
— Me dê a sua mão — ela pediu se aproximando dele, sem que ele percebesse.
Ele hesitou por um segundo e deu uma das mãos para ela, que se ajoelhou aos seus pés.
— Nalla — ele tentou impedir que ela se ajoelhasse.
— Quero estar com você até meu último suspiro. Amo meu pai e minha mãe e os honro. Mas não abrirei mão de estar com o homem que escolhi.
— Oh, Nalla... — ele acariciou os cabelos dela.
— Você está tremendo — ela observou preocupada.
— Você faz isso comigo — ele sorriu maroto.
Ela o olhou por alguns instantes e se levantou, indo em direção à cama. Tohr sabia que estava totalmente rendido.
— Você está bem? Está dolorida? Te machuquei? — ele a olhou preocupado.
— Não me pergunte isso, seu bastardo — ela disse dengosa.
— Sou seu macho, não sou? Então pode me falar essas coisas sem ficar vermelha — ele riu do rosto afogueado dela e o acariciou calmamente.
— Quero ser sua de novo. Quero te sentir dentro de mim — ela disse sem encará-lo.
Tohr segurou o rosto dela e o levantou, beijando seus lábios devagar e com muito carinho. Despiram-se vagarosamente, tentando fixar em suas mentes cada detalhe, cada momento.
Tohr se sentou, suas costas se apoiando na cabeceira da cama. Nalla, completamente nua, abriu as pernas e se sentou sobre ele, que a incentivou a se abaixar devagar. Era diferente, agora que a Necessidade tinha passado. Ofegante e mordendo os lábios, ela se abaixou sobre ele. Sentiu a língua morna passear sobre seus seios e os lábios apertarem seus mamilos. Gemeu desesperada, e pôde sentir a fome dele. Jogou as madeixas negras para o lado esquerdo, oferecendo seu pescoço.
— Sacia a sua fome. Se alimenta de mim — ela disse lânguida.
Tohr soltou um rosnado tão animal que a assustou, suas mãos másculas a sujeitaram pela nuca e ele cravou as presas afiadas em sua pele macia. Nalla tentou gritar, mas apenas se debateu, enquanto ele a segurava firme. A sensação alimentar seu homem era indescritível. Ela gemeu, retesando o corpo sobre o dele, apertando a ereção potente em suas entranhas. Tohr a apertou ainda mais, tanto que temeu parti-la ao meio, mas era assim seu desejo, sua vontade, sua fome, seu amor...
FIM
Notas finais
Oi gente cheguei ao final finalmente.
Espero que tenham gostado, e, para saber sobre se a Nalla vai estar esperando um bebê ou não, teremos de ver se vai surgir na Série Pais e Filhos, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Beijos! E até a próxima.
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