Irmandade: Guerra Terrígena Marvel 717 5
3 O Fim do Começo
O pouso foi, de fato, complicado. O avião não acertou a clareira onde estavam mirando como deveria, o que talvez fosse uma coisa boa considerando como uma base camuflada deveria estar ali. Em vez disso, passou por cima das árvores, derrubando algumas e se encaixando de forma desajeitada entre elas. Ao menos, ela serviram para amortecer o pouso um pouco mais.
— Estão todos bem? — Olivia perguntou, soltando os cintos de co-piloto e saltando para fora do banco.
Bobbi parecia bem. Natasha e Hunter, nas cadeiras centrais, também já estavam de pé, e depois de algum tempo Bucky e Clint saíram das cadeiras dos canhões, parecendo um pouco baqueados por terem estado em um local não muito protegido de impacto quando o avião chegou ao solo. Fora isso, porém, pareciam bem.
— Vivo — Bucky respondeu, testando a mão do braço metálico, como se para conferir que tudo ainda funcionava normalmente. — “Bem” eu vou descobrir depois.
— É o melhor que vai dar pra fazer — Natasha cortou. — Estamos em maioria considerável, Stryker vai tentar fugir. Não podemos perder tempo aqui.
— E como vamos achar ele no meio dessa floresta? — Hunter perguntou, saindo do avião atrás dos demais, se juntando à equipe enquanto se reuniam do lado de fora.
— Eu vi o avião cair — Clint anunciou, já começando a caminhar em uma direção. — Se dermos sorte, a queda deixou ele debilitado, e vamos chegar antes que ele consiga fugir.
E como o avião dele tinha ficado bem mais avariado, e parecia menor e menos preparado para esse tipo de queda, as chances de poderem alcançá-lo eram, na verdade, bem altas, desde que seguissem rápido e na direção correta. E como Clint realmente tinha um dom para ver as coisas, e tinha estado em uma posição privilegiada do avião quando ele caiu, não precisou se esforçar para convencer os demais a segui-lo.
A maior preocupação de Olivia nesse momento não era nem encontrar Strucker, mas sim o que fariam quando isso acontecesse. Eram um grupo poderoso, formado por vários agentes de elite, uns tantos Vingadores, pessoas que já tinham olhado o pior do mundo no rosto e mandado de volta para de onde tinha saído. Ainda assim… Se lembrava muito bem do fato de que Strucker deveria ser muito velho, e não o era por conta de alterações químicas que tinha feito em si mesmo ao longo dos anos. Duvidava muito que fosse apenas para se manter jovem.
Era melhor se preocupar com um problema de cada vez. Encontrar Strucker, depois combatê-lo. Clint os guiava pela floresta na direção da queda do avião, e Natasha, ao seu lado, tinha algum aparelho em mãos que parecia estar usando para rastrear alguma coisa. Se estava procurando sinais de vida ou de um avião caído, Olivia não sabia, mas não se importou, desde que chegassem ao destino.
Não demorou a acontecer.
O avião não tinha tido muito mais sorte que o Zephyr, estando totalmente enganchado no meio das árvores. A rampa estava abaixada, e Strucker não pôde ser visto em lugar algum. Havia um corpo no banco do piloto, sangue cobrindo sua cabeça. Bobbi se aproximou, colocando dois dedos no pescoço dele.
— Não tem pulso — ela sussurrou. — Clint, algum sinal…?
— De fuga? É. Estou olhando, me dê um instante.
Mais um tempo de espera. Olivia tentou não parecer muito ansiosa, porque não tinha motivo. Sua esperança original tinha sido de que poderiam resolver seu lado do problema rápido, e então ela iria ajudar os demais para garantir que sua esposa fosse libertada, mas sem sequer um avião para voltarem, estariam presos ali por um bom tempo esperando resgate. Não poderia ajudar nem se fossem rápidos em resolver sua parte do problema.
— Tem rastros por aqui — Clint comentou, depois de um tempo, parado ao lado de uma das árvores. — Strucker pode estar ferido, se dermos sorte, mas de qualquer forma, vamos rápido. Andem baixo e se escondam nas árvores, talvez assim possamos o surpreender.
Mas não havia fé nenhuma na voz de Clint quando ele disse isso, e Olivia também não tinha. Strucker estaria esperando que eles o perseguissem. Quanto tempo teriam? Não muito, a julgar pelo quão rápido Clint estava caminhando entre as árvores, sendo difícil segui-lo sem fazer barulho demais. Estava determinado a não perder rastro algum, uma vez que não poderiam ter outra chance. Olivia também queria resolver isso de uma vez. Por Marisa.
Seguiram em silêncio, e o grupo observava os movimentos de Clint com atenção, esperando pelo momento certo, pelo local certo, e então… Ele atacou.
Clint mudou para a postura de tiro em um instante, puxando a corda do arco tão rápido e atirando em direção ao que para Olivia era apenas uma árvore que ela mal viu o que estava acontecendo até Strucker sair das sombras com a flecha segura na mão, que ele tinha pego no ar antes de atingí-lo.
Ele parecia irritado. Mancava da perna esquerda e uma grande mancha de sangue escorria da coxa até o tornozelo. Olivia gostaria que isso quisesse dizer que seria fácil capturá-lo, mas não se iludiria a esse ponto. Strucker era ardiloso, e já tinha driblado a morte vezes demais para cair agora apenas por causa de um ferimento qualquer. Era bom porém que isso tivesse os ajudado a alcançá-lo.
— Solte suas armas — Natasha ordenou, os punhos fechados estendidos para a frente, prontos para disparar os discos elétricos no homem.
— Romanoff — ele respondeu, soltando a flecha no chão. — Pensei que seu treinamento como Viúva tivesse lhe ensinado a ser mais… complacente.
— Não temos tempo pra ficar de conversa — Olivia cortou, sem dar a chance a Natasha de rebater de alguma forma. Então ela puxou uma de suas armas, apontou para Strucker, e atirou.
Ela teve certeza de ter acertado. Não teria como errar daquela distância, não com Strucker imóvel, mas ainda assim, se a bala de tranquilizante o pegou, foi impossível perceber. Ele sequer reagiu.
Era sério. Ele não era um humano comum. Isso com certeza complicava as coisas, em particular para Olívia que, para padrões de uma agente da S.H.I.E.L.D., não tinha lá tanta experiência com esse tipo de maluquice. Na sua época, um inimigo ficava mais perigoso porque tinha uma arma maluca, ou coisa parecida, não porque tinha se injetado com algum esteroide maluco.
— Nós somos seis, Strucker.
— Eu ainda não desaprendi a contar — o homem respondeu, o lábio se torcendo em desagrado.
Entre os seis agentes experientes os cercando, e a perna ferida, sem plano de resgate, ele só tinha uma opção, e isso estava claro para todos. Incluindo para ele.
— Eu me pergunto — Strucker comentou, pegando as pistolas dos coldres como se nem desse atenção ao que fazia, e as soltando no chão. — O que vocês acham que estão alcançando aqui. É só o começo. Nós vamos mudar o mundo.
— Hm, deixe eu ver… — Hunter retrucou, enquanto Natasha se aproximava devagar com a algema plástica em mãos para prendê-lo. — Colocando um supremacista nojento atrás das grades? Evitando que o plano dele de criar um grande exército de pessoas com super-poderes se concretize? Salvando o mundo?
Natasha fechou as algemas e começou a puxar Strucker com ela. Bobbi já estava com o rádio em mãos procurando por um resgate. Strucker plantou os pés no chão, o queixo erguido, impedindo Natasha de avançar, e encarando Hunter com aquele olhar egocêntrico no rosto.
— De todas as pessoas, as piores são o seu tipo. Traindo a própria classe. Que deprimente.
— Ah, sim — Hunter continuou. — Homem, branco, inglês, eu deveria ser facista igual você, é isso que quer dizer? Lamento, colega, mas entre os seis agentes que atiraram em seu avião hoje, o único homem hétero branco é o Bucky. E ele é PCD, então… É. Muito bom pra um grupo que não pertence à “raça superior”, não?
A resposta de Strucker foi apenas estreitar os olhos. Hunter acenou em despedida, e Natasha foi arrastando Strucker de volta em direção ao Zephyr caído.
[...]
O poder de Stryker parecia ser algum tipo de supersônico desorientador misturado com um efeito luminoso, algo forte o suficiente para desorientar todo o grupo de uma vez só, e sem Damon para impedi-lo ou Balu para ajudá-los a se recuperarem, estavam por conta própria.
Por sorte, seja por alguma limitação do próprio poder ou por cansaço de Stryker, ele não podia sustentar a habilidade indefinidamente, de forma que o ataque veio em uma onda, e passou.
Cather gemou, as mãos sobre as orelhas e a cabeça girando. Se sentia tonta e enjoada. Provavelmente tinha sofrido mais por conta de seus sentidos aguçados de felina, ainda ouvindo um apito alto em seus ouvidos e piscando os olhos para tentar voltar a enxergar normalmente. Então os tiros começaram.
Foi puro instinto que fez Cather escapar. Ela tinha a agilidade de um gato, e assim que ouviu o barulho conseguiu saltar para o lado, se jogando atrás de uma árvore próxima. Luke estava escondido à sua esquerda. Não viu Marlene nem Grace, mas encontrou Reese mais para à direita, também encolhida atrás de uma árvore, com as mãos nos ouvidos, e tremendo um pouco.
— Cather — Luke chamou, em um sussurro. — Precisamos que Reese ataque ele, vai ser o único jeito. Ela precisa sair do surto. Grace e eu vamos distraí-lo e você lida com ela, ok?
— Por que eu? — A mutante perguntou, ainda ouvindo um apito alto em suas orelhas.
— Porque só você e a Marlene aqui conhecem ela, e você tá mais perto! E rápido de preferência porque eu não quero morrer!
Com isso, Cather era obrigada a concordar. Os tiros pararam, mas isso não era necessariamente uma boa notícia. A fez se perguntar o que ele estaria fazendo, mas para seu desespero, ao esticar a cabeça para espiar em direção à casa, ele não estava mais lá.
A má notícia era que não sabiam mais onde ele estava, e poderia estar vindo atrás deles. Mas pelo lado bom, tinha um instante, e teria de bastar.
— Reese! Reese, ei!
Ainda um pouco trêmula, a garota se virou para Cather. Estava com os olhos vazios, pálida, e parecia ter visto um fantasma. Cather sequer sabia se ela conseguia entendê-la, mas precisava tentar.
— Reese, precisamos que saia dessa. Você precisa bagunçar ele pra gente poder fazer alguma coisa, ok?
— Não posso… Cat, não posso… Ele… É demais…
— Só por um instante, Reese. Só um instante e Luke e eu vamos acabar com ele, ok?
— Eu… Não dá, Cat, eu…
Um tiro ecoou. Cather olhou para trás, sobressaltada, e viu Grace caída no chão, uma mancha vermelha se espalhando em uma de suas asas. Ainda não conseguia ver Stryker, mas se ele tinha acertado um tiro, poderia acertar outro.
— Reese, por favor…
A garota se encostou contra a árvore, respirando fundo, ainda suando frio, mas fechou os olhos. Cather esperou, ansiosa, ouvindo um tiro, mais um, e passos. Ele estava vindo atrás deles agora.
“Reese por favor Reese… Por favor…”
Os passos ficaram cada vez mais altos. Cather se agachou, preparando para saltar nele assim que chegasse perto o suficiente, com os dedos firmes em garras para arranhá-lo assim que necessário.
Um galho quebrou ao seu lado. Cather se virou para saltar, mas no mesmo instante ouviu um grito de Reese, e Stryker caiu choramingando no chão.
Não sabia o que estava causando tamanha reação em Reese, mas decidiu que não adiantava esperar. Ela saltou sobre o homem, arrancando a arma de suas mãos e arranhando seu rosto com força. Stryker reagiu tentando acertá-la, mas estava errático, provável resultado do pavor que Reese tinha incutido nele.
Ela atacou de novo, mais uma vez, o sangue escorrendo do rosto dele pelas suas unhas. Então de repente Stryker a empurrou com tudo para longe, e Cather se sentiu voar um pouco até bater as costas em uma árvore próxima.
Ele não parecia que conseguia ver muito bem.
— Você não vai escapar — ela resmungou.
— Crianças idiotas. Vocês não entendem…
— Não me subestime! — Luke gritou, os olhos brilhando em um branco forte e tiros laser disparando em direção ao chão, onde ele estava pisando.
Stryker gritou, e Cather pensou o que ele iria fazer agora, mas o medo de Reese enfim agiu de forma a fazê-lo ter uma reação irresponsável. Stryker tentou correr em direção a Luke para atacá-lo, e no susto, o garoto respondeu com outro tiro de raios laser, direto através do peito do homem.
Stryker imediatamente caiu no chão.
Reese parou o poder de uma vez, e o grupo olhou quieto para o homem no chão. Ele estava…
Não. Não ainda.
— Mandem uma mensagem, liguem para uma ambulância! — Luke ordenou, correndo até Stryker no chão.
Cather não conseguiu pensar em fazer isso. Seu irmão estava morto. Se Stryker fosse morrer, o único arrependimento era não ter sido ela mesma a fazê-lo.
— Vocês… — ele murmurou, começando a tossir sangue. — Vocês estão estragando o mundo. Os mutantes são uma praga… Nós estamos destruindo a harmonia na espécie humana…
— Já chega — Cather resmungou, se ajoelhando ao lado de Stryker, as garras apontadas para o pescoço dele.
— Cather…
— Ele já vai morrer! E fácil, se quer saber! Merecia pagar! Ele matou meu irmão!
Luke engoliu em seco. Então, para a surpresa de Cather, ele olhou para o lado, claramente fingindo por um instante que não estava vendo o que estava prestes a acontecer em sua frente. Não esperava isso de um Novo Mutante, muito menos do líder deles. Algo devia estar mudando.
Ela decidiu não demorar muito, e então, atacou. E assim, Stryker passou os últimos instantes de sua vida engasgando em seu próprio sangue.
[...]
Cassian seguiu o grupo, mais atrás, em silêncio. Damon apontava a arma nas costas de Agnes, Theo seguia bem perto do garoto dragão e Niko ia um pouco atrás, como um tipo de backup para os dois.
— Nos diga de novo o que vai acontecer — Theo ordenou. — Em detalhes.
— Se Strucker não mexeu com meu projeto, e eu sinceramente acho que não mexeu porque ele não teria capacidade, Hodge está ligado à matriz neural da Phallanx. Eu preciso vasculhar a rede para ver se ele criou cópias do meu código, e vocês dois vão destruir a placa mãe. A parte difícil vai ser que eu preciso mexer no computador pra fazer essa busca então Hodge vai se soltar e tentar nos enfrentar para impedir de destruirmos a coisa toda.
— Vamos dar um jeito — Damon resmungou, encostando o cano da arma nas costas dela por um instante. — Andando.
— Minha nossa, Theo, seu namorado é bem… Exigente. É o tipo de coisa que você curte.
Até Cassian teve de pensar que ela era uma vaca depois dessa. Mas uma vaca corajosa.
Damon porém tinha o pavio curto. Ele jogou Agnes contra a parede, a arma agora firme no pescoço dela enquanto a mulher estava esmagada contra a parede.
— Você tem ideia de que Theo é a única pessoa te mantendo viva agora?
Agnes riu. Já estavam agora dentro da sala do andar superior, e Cassian conseguia ver a máquina no fundo, um computador gigante com várias telas e um enorme tubo vertical no meio. Dentro do tubo, Cameron Hodge, coberto de um padrão preto e amarelo sobre a pele, flutuando em um líquido suspeito e conectado a uma série de tubos escuros.
— Dá pra focar? — Cassian resmungou. Estava ali para acabar com Phallanx, não tinha tempo pra essa palhaçada.
Grunhindo, Damon puxou Agnes de volta pela gola da camisa.
— Vai lá fazer a merda da sua parte — ele comentou, a empurrando em direção ao computador.
— Ok — ela comentou, pegando o celular com um suspiro cansado e começando a digitar alguma coisa.
— O que está fazendo? — Theo questionou.
— Avisando um dos inumanos lá de baixo pra dar o fora. Que que é, vai achar ruim ter menos gente pra lutar lá embaixo?
O silêncio foi resposta suficiente. Agnes guardou o celular no bolso, se aproximou do computador, e começou a digitar.
Cassian flexionou os dedos. Com ela, Damon e Theo ocupados com a máquina, caberia a ele, Niko e o garoto lagarto conterem Cameron, e ele não fazia ideia do quão forte o homem estaria ao sair de lá. Ele esperou, ansioso, quase pulando no lugar enquanto encarava o tubo. A qualquer momento, ia acontecer.
— Uma volta e tanto, não acha? — Niko comentou, conferindo a munição das pistolas que levava.
— O que quer dizer?
Ela deu de ombros, parecendo satisfeita com as armas e as segurando firme, apontadas para o tubo.
— Quando nos conhecemos estávamos os dois tentando esconder quem éramos e planejando nos matar sem saber. Algumas colaborações surpresa depois, e olhe só para nós agora.
Cassian soltou uma risada baixa. O mundo dava voltas mesmo.
— É, a gente mudou um pouco. Mas eu ainda acho você uma pessoa incrível — ele comentou, um sorriso ladino aparecendo no rosto.
— Obrigada. Eu penso o mesmo de vo —
Ela foi interrompida por um ruído forte de algo se chocando contra vidro. Cassian olhou para a frente, a tempo de ver que Agnes tinha terminado a primeira parte do que tinha de fazer. Cameron tinha acordado e estava esmurrando o vidro para sair.
— Vocês mantenham ele longe de mim quando ele sair! — Ela gritou, digitando furiosamente no teclado da máquina.
Mais ao fundo, Theo estava agachado contra uma portinha, puxando alguns fios e tentando fazer alguma coisa, com Damon ao seu lado esperando para disparar uma onda de P.E.M. localizada no momento certo.
Não podiam deixá-los serem interrompidos. Cameron deu mais um soco no vidro, e saiu de uma vez. Cassian o viu se virar na mesma hora para Agnes, mas o garoto lagarto já estava do lado e o pegou pelo pescoço, o arrastando para longe deles, em direção a Cassian e Niko.
Cassian respirou fundo, se transformando em sombras e voando até ele. Se solidificou na frente do homem, dando um soco em seu rosto, mas Cameron mal se mexeu. E então ele viu exatamente com o que Agnes estava tão preocupada.
— VOCÊ ESQUECEU DE MENCIONAR QUE ELE TOMOU BOMBA, AGNES! — Cassian gritou.
— E eu lá sabia? Eu mexo com computador, quem mexe com DNA é o Lorne. Não é minha culpa!
Não adiantava reclamar agora. Cameron era rápido, forte, e quando Niko acertou um tiro nele, ele se regenerou como se não fosse nada de mais. A única coisa que Cassian conseguiu pensar em fazer a essa altura foi tentar se desmaterializar e materializar de novo perto o suficiente para atacá-lo, ou ao menos o bastante para o desorientar até a máquina estar destruída e poderem sair dali.
Mas era mais fácil falar do que fazer. Cameron estava furioso e imbatível. Krystorian voava em sua frente, tentando ajudar Cassian em sua missão, mas em dado momento, Cameron agarrou o garoto lagarto pelas costas, ignorando os tiros que tomava de Niko, e Cassian ouviu o inumano gritar ao ter uma das asas quebrada na base. Foi mais uma distração de Cassian que o impediu de arrancar a asa do outro por completo, mas ficou claro que Krystorian não voaria mais tão cedo.
Cassian não sabia mais o que fazer. Os tiros de Niko não funcionavam e nem os seus socos. Estava se cansando de usar seu poder e sem distraí-lo, o homem iria direto para Agnes, Theo e Damon.
— Vocês estão terminando? — Ele perguntou. — Digam que estão terminando!
— Não se pode apressar a perfeição, Sr. Addams — Agnes respondeu.
— Bem, eu encontrei a placa-mãe — Theo anunciou. — Damon pode queimá-la agora!
— Não! Espera! — Agnes exclamou.
— Esperar? Você ficou maluca? — Cassian resmungou, se distraindo por um instante.
Phallanx o socou com força sobrehumana, e ele sentiu o ar escapar de seus pulmões. Cassian caiu no chão, incapaz de respirar, abraçando o tronco desesperado. Precisava respirar. Precisava puxar um ar, precisava…
Krystorian estava caído em outro canto, sangue escorrendo da asa e parecendo pálido. E isso deixou o caminho de Cameron livre, até Niko se jogar contra ele, com facas em mãos agora que as balas tinham acabado.
Cassian quis gritar, mas não conseguia, ainda se agarrando ao chão.
Respire, Cassian. Respire.
Aos poucos, o ar começou a voltar. Ele se rastejou um pouco, virando no chão, tentando encontrar as forças para se desmaterializar mais uma vez, mas já estava exausto antes do golpe. Ele choramingou, as unhas se arrastando pelo chão, incapaz de gritar ou reagir de qualquer forma, quando Camerou agarrou Niko pelo pescoço e a atirou com força contra a janela.
O vidro se partiu, e Niko voou para fora do prédio. Cassian olhou horrorizado para o vidro, e depois para Cameron, agora se virando para Theo.
— Agnes?! — Theo gritou.
— Ainda não —
— Foda-se! — Damon exclamou, colocando as mãos sobre o computador e enviando um pulso de P.E.M.
O computador desligou de uma vez, e Cameron caiu no chão.
— Pivete maldito! — Agnes resmungou, se afastando da máquina. — Eu ainda estava —
Então ela pareceu perceber que ninguém estava falando nada. Cassian aos poucos voltava a respirar, mas conforme o ar voltava a seus pulmões, vinham também lágrimas em seus olhos. A cada respiração, ele se sentiu um pouco mais forte, e sua capacidade de usar os poderes também estavam retornando.
O curandeiro. Precisava do curandeiro.
Assim que conseguiu se desmaterializar, Cassian se tornou sombra e saiu pela janela, acelerando para o chão. No chão, ele via os cacos de vidro e Niko, caída, a roupa preta contrastando contra a poça de sangue se espalhava no chão ao redor dela.
O curandeiro já estava ali. Ele deveria ter ouvido o barulho.
Cassian se materializou no chão, ao lado dela. Havia muito sangue no chão, e a poça estava aumentando. Niko não se movia. Nem mesmo conseguia vê-la respirar.
Ele já sabia a resposta, mas não pôde se impedir de olhar para Balu, os olhos vermelhos e as lágrimas caindo pelo rosto de forma descontrolada.
— Me desculpe, Cassian — Balu disse, respondendo à pergunta não feita. — Ela morreu no impacto.
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