Irene
1 Quero ver Irene dar sua risada - Capítulo Único
Notas iniciais
Ela chegou assim, arracando as páginas de dentro de mim, desde o primeiro dia. E lá estava ela, Irene, novamente dentre meus devaneios. Ou talvez ela nunca tenha saído deles. Ela surge assim, do aparente vazio, e toma conta de minhas palavras. Mas, é claro, não confidencia tudo as palavras, apenas a parte que ela acha suficiente para que possamos ficar loucos. Ela é simplesmente um mistério, um mistério daqueles que nem mesmo o mais elementar de todos os detetives conseguiu resolver. É um desafio não tropeçar nas próprias palavras quando se vê mais uma mensagem, e a espera angustiante por uma resposta. Ela sabe como ninguém brincar com a paciência e com a sanidade dos que tanto precisam de sua dose de Irene.
Se já não conheço teu rosto, o seu nome nunca me deu trégua. Se hoje canto o seu nome, o eco já não morre cedo. Acredito que seja uma espécie de código secreto. Irene não é escrita, ela é contada, inventada, descrita, vivida e convocada por essas "simples" 5 letras. Irene significa paz, logo ela, que é o caos em pessoa. Irene Adler. Se fizermos um pequeno anagrama com seu sobrenome, e colocá-lo no começo, temos: Lar de Irene. Nada poderia ser mais irônico e certeiro.
Você já tentou resolver um cubo mágico? Bem, Irene é como um. Por mais que você gire, desvire e revire, é quase impossível deixá-lo com todas as cores iguais, a menos,é claro, que você conheça alguma técnica ou forma especial de resolvê-lo. Porém, sinto dizer-lhes, que não há formas especiais (ou talvez até tenha, mas ela guarda a sete chaves) de resolvê-la. Ela é sempre um eterno mistério. Por mais que você tente, nunca você irá resolvê-la ou rá deixá-la do jeito certo. E justamente é isso que a torna incrível. Todo aquela confusão de cores, todos os blocos foras do lugar, tudo isso a torna Irene. A torna diferente. E tenho que dizer, o diferente é sempre melhor. E por que mais que seja impossível, você nunca se cansa de tentar.
Desde o primeiro dia, me apegando a filmes geniais, falando de música, me fazendo rebobinar o século e todas as minhas histórias. Ela veio com seus instrumentos e invadiu minha cabeça, onde tocava um dia tocava uma orquestra e agora, sinto o caos das notas de Irene.
Ela é, e sempre foi, até mesmo por uma ironia de algum cientista meteorológico, um furacão. Sempre revirando com tudo por onde passa, levando tudo o que temos com os seus ventos, embalando-nos com seus sopros, tirando aquela velha e segura ideia a qual estávamos apegados. Ela faz uma bagunça. Mas, é sempre uma honra ser bagunçado por Irene. A menina dos olhos da Paulista.
A canção não é para Irene. Irene é a própria canção.
Ela é os versos, as estrofes, as notas, os arranjos, os sons, o toque, a voz.
Eu dedico, Irene para Irene. Assim mesmo.
"Eu quero ir, minha gente, eu não sou daqui
Eu não tenho nada, quero ver Irene rir
Quero ver Irene dar sua risada"
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