Notas iniciais
Mais um capítulo! Estive escrevendo esse durante bastante tempo, mas só consegui acabar hoje. Queria ver se postava mais um capítulo antes das minhas aulas voltarem (próxima segunda), mas talvez seja difícil. De qualquer forma, boa leitura!

Kurokawa tem o seu sono interrompido pelo som do choque de metal contra uma superfície rígida. Ele lentamente abre os seus olhos, boceja e começa a observar os seus arredores. O sol quase se põe no horizonte e o seu grupo de amigos luta contra várias gárgulas de pedra. Eles parecem ter alguma dificuldade em derrotar os monstros:

—Eu não acredito que vocês tentaram me deixar de fora de toda essa diversão! -Reclama ele levantando e tirando Eclipse do seu inventário.

—Kurokawa!! -Grita Lizzy irritada. -Não seja irresponsável!! Você estava quase morto algumas horas atrás!!

—Você não é a minha mãe! -Retruca ele arremessando uma gárgula para longe com um golpe da sua espada. -Viu? Vocês precisam da minha ajuda!

A criatura se levanta sem ter sofrido nenhum dano e avança na direção de Kurokawa. Takeda intercepta o ataque:

—Se fosse tão fácil assim, nós já teríamos terminado isso. -Comenta ele. -Elas não sofrem dano na parte da frente do corpo, você precisa atacar por trás, Kurokawa.

Kurokawa aproveita que o monstro está ocupado lidando com Takeda, aproxima-se por trás e divide-o ao meio verticalmente:

—Eu fiz isso porque queria! -Resmunga Kurokawa. -Não porque você me disse para fazer!

—Porque você tem de ser tão orgulhoso...? -Suspira Takeda. -Eu não disse nada...

Kaiser aproxima-se de um dos monstros, espera que ele faça um ataque, circula-o e o destrói por trás. Lizzy e Sasesu lutam juntos utilizando táticas semelhantes e rapidamente o número de inimigos chega a zero:

—Bom trabalho, pessoal! -Respira Sasesu um pouco cansado.

—Já acabou?? Eu nem tive tempo de me divertir!

—Um deles não era um grande problema, mas seria bastante perigoso ser atacado por um grupo se eu estivesse sozinho. -Comenta Kaiser.

—Os monstros vão apenas ficar mais fortes conforme nos aproximamos de Masteam então temos que ter cuidado. -Sugere Takeda. -Já está quase de noite, acho melhor acamparmos aqui.

O grupo procura uma área menos exposta ao vento e começa a fazer as preparações para passar a noite naquele lugar:

—Temos mais uma tenda para Kaiser? -Pergunta Lizzy.

Takeda e Sasesu se encaram durante alguns segundos, mas não dizem nada:

—Acho que isso é um “não”. -Continua Lizzy. -Mas deve caber três pessoas nessas tendas, só temos que decidir com quem ele vai dormir.

Kaiser observa uma das tendas durante alguns segundos e tem uma ideia. Ele concentra mana nas suas mãos e ativa uma habilidade:

—Guia do Mochileiro!

Uma tenda idêntica à de Kurokawa lentamente forma-se e cai no chão:

—Uau! Como você fez isso? -Pergunta Lizzy surpresa.

—Eu tenho uma habilidade que me permite criar objetos. -Responde ele.

—E isso não vai desaparecer quando você for dormir?

—Não, o objeto só desaparece se eu quiser, mas eu fico gastando mana enquanto o objeto estiver materializado.

—Isso é incrível! -Sorri ela pensando na amplitude de possibilidades. -Você consegue criar qualquer coisa?

—Eu diria que sim, mas a habilidade segue as cinco limitações básicas de mana. -Responde Kaiser.

—Cinco limitações básicas de mana? -Pergunta Lizzy confusa.

—Vocês nunca ouviram falar disso?

O grupo unanimemente responde que não:

—Se eu me lembro são: Tamanho, Poder, Velocidade, Complexidade e Alcance. -Explica Kaiser. -Com a exceção de complexidade, todos os outros são bastante intuitivos. Quanto maior um deles for mais mana e controle de mana você precisa para utilizar uma habilidade. Complexidade é um pouco diferente porque se refere ao número de instruções necessárias para conseguir fazer algo. Por exemplo, essa tenda que eu acabei de criar. A base dela é um retângulo, uma instrução, a parte vertical parece um pouco uma pirâmide, duas instruções, depois temos textura, cor, densidade e mais alguns detalhes tipo a entrada. O que deram mais ou menos umas dez instruções.

—Você teve que pensar nisso tudo para conseguir fazer essa tenda?

—Dez instruções não são muito para ser sincero. Meu mestre consegue executar comandos com mais de cem instruções.

—Parece que eu ainda tenho muito a aprender... -Responde Lizzy. -Mas porque será que o meu pai não nos ensinou isso?

—Saber isso não necessariamente ajuda. -Comenta Takeda. -Você consegue usar habilidades e manipular mana sem saber essas coisas, pensar nisso tudo até pode te atrapalhar. Mas não é como se isso não fosse importante, esses detalhes te permitem ir muito mais longe se forem dominados.

—Eu sou uma pessoa que gosta de pensar então para mim é bastante útil. -Acrescenta Kaiser. -Mas eu entendo que não é assim para todo mundo.

Kurokawa estende a sua mão e também cria uma réplica da sua tenda:

—Vocês estão complicando demais. -Diz ele de forma arrogante. -Não tive que pensar em nada dessas limitações que você falou, só olhei para a tenda e criei.

Lizzy observa a tenda que Kurokawa criou e começa a perceber algumas diferenças:

—Mas não ficou totalmente igual: a entrada está um pouco mais para a direita, a altura é um pouco menor, a cor está num tom diferente e-

—São só detalhes!! -Retruca Kurokawa irritado. -Parece a mesma coisa então é a mesma coisa!

Kurokawa se distraí e entra numa discussão com Lizzy o que faz a sua tenda de mana desaparecer:

—Ah, sumiu... -Comenta Lizzy.

—Você me fez perder a concentração!!

—Foi bastante bom para uma primeira vez. -Diz Kaiser. -Mas é realmente difícil manter algo materializado por muito tempo sem um contrato, gasta muita mana.

—Lá vem ele com esses nomes inventados... -Resmunga Kurokawa perdendo interesse na conversa.

—Você está falando do contrato que Poderes têm? -Pergunta Lizzy.

—Sim, um Poder e uma habilidade só têm duas diferenças: Um Poder tem um contrato e é criado pelos jogadores enquanto uma habilidade é criada pelo sistema e não tem um contrato. -Explica Kaizer. -Eu não preciso de um contrato para criar essa tenda porque tenho uma habilidade, mas como o Kurokawa não tem, se ele quisesse que a tenda de mana dele fosse idêntica ele ia precisar de um contrato.

—Calma, tudo o que precisamos para criar novas habilidades é um contrato? -Pergunta Sasesu.

—Basicamente sim.

—Eu quero criar um contrato então!

—Não é tão fácil assim. -Responde Lizzy. -Jogadores normalmente só se tornam capazes de criar contratos quando atingem o nível máximo, 200, a quantidade de mana necessária é muito grande.

—É como a Lizzy disse. -Fala Kaiser. -Mesmo se juntássemos toda a mana que nós cinco temos, ainda não seria o suficiente para criar um contrato. Criar um contrato equivale a deixar a tua marca no sistema, não é algo que qualquer um possa fazer.

—Mesmo que eu não consiga criar um contrato, eu ainda tenho interesse em aprender mais sobre mana. -Diz Sasesu. -Você podia me ensinar, Kaiser?

Kurokawa ri

—Você quer que esse cara te ensine? Você está realmente desesperado, Sasu.

—Sim, talvez desesperado seja a palavra certa. -Responde Sasesu. -A minha força atual é insuficiente para atingir os meus objetivos. Eu preciso ficar mais forte o mais rápido possível.

—Para ser sincero, é bastante contraditório você estar fazendo piada do Sasesu quando literalmente tudo o que você faz é tentar ficar mais forte, Kurokawa. -Acrescenta Takeda.

—Kurokawa não acredita

realmente no que disse, ele só falou aquilo para tentar irritar Sasesu. -Comenta Lizzy. -Eu também não me importava de aprender algumas coisas novas sobre manipulação de mana, Kaiser.

—Eu não sou um mestre nem nada, sei poucas coisas, mas não me importo de ensinar a vocês. -Sorri Kaiser.

—Muito obrigado! -Agradece Sasesu.

—Agora que já temos a situação da tenda resolvida, que tal fazermos uma fogueira e começarmos a comer? -Sugere Lizzy.

—Eu acho uma ótima ideia! -Diz Takeda se levantando e começando a cortar galhos próximos para usar como lenha.

Kurokawa entra na sua tenda parecendo estar dessatisfeito com a situação enquanto o restante do grupo prepara a fogueira. Com tudo pronto, eles se sentam à volta da fogueira e preparam a carne. Kurokawa aparece para comer, mas senta-se longe do resto do grupo. Histórias e piadas são contadas, risos e risadas são ouvidos. A noite avança sempre no mesmo ritmo e eles percebem que a hora de se recolherem chegou. O sol nasce na próxima manhã e um novo dia tem início.

Kurokawa abre os seus olhos, mas não sente vontade de estar próximo de outros seres humanos. Sem poder continuar a viagem sozinho ou se afastar muito do seu grupo, ele decide continuar dormindo. Algumas horas se passam e Kurokawa já não possui vontade alguma de dormir. Ele vira de um lado para o outro dentro da sua tenda enquanto escuta vozes vindo do lado de fora. Irritado com a situação que se encontrava, ele decide direcionar a sua raiva aos seus amigos:

—Parem de gritar!!! Reclama ele. -Eu estou tentando dormir!!!

Takeda, que está sentado ao lado da tenda, bebe o seu café calmamente e observa Kurokawa:

—Nós só estávamos à espera que você acordasse para irmos embora. Eles não queriam interromper o teu sono então decidiram treinar para passar o tempo.

Alguns metros ao longe, Sasesu e Lizzy disparam bolas de mana contra algumas árvores marcadas:

—Mantenham o mesmo tamanho, alcance e força, mas aumentem a velocidade ao máximo. -Instrui Kaiser. -Agora! Disparem!

Ambos os projéteis acertam as árvores e as destroem, mas o ataque de Sasesu foi visivelmente mais rápido:

—Bom trabalho! -Sorri Kaiser. -Vocês estão lentamente pegando o jeito.

—Obrigado. -Responde Lizzy. -É um pouco difícil, tipo mover dedos do pé individualmente, mas sinto que estou fazendo progressos.

—O próximo exercício é mirar para cima, aumentar o máximo possível a distância e manter o restante. Vamos lá, 1...2...3!

Novamente os dois disparam ao mesmo tempo e o projétil de Sasesu sobe muito mais alto:

—Realmente você parece ter uma boa afinidade para manipular mana, Sasesu. -Comenta Kaiser.

—É por causa da minha classe.

—Muito engraçado! Vocês estavam atrapalhando o meu sono para praticar as coisas mais básicas possíveis... -Fala Kurokawa enquanto aproxima-se.

—Olha, Kurokawa, já acordou, é melhor irmos andando. -Sugere Lizzy.

—Sim, não podemos gastar muita mana aqui quando temos um dia longo pela frente. -Responde Kaiser.

—Mas foi uma lição bastante divertida. -Sorri Sasesu. -Quando tivermos tempo podíamos continuar.

Kurokawa observa Kaiser com desprezo:

—Olha esse cara, se achando porque consegue manipular um pouco de mana. -Pensa ele. -Sasesu e Lizzy também são uns otários, pedindo ajuda a um zé ninguém arrogante e suspeito.

Kaiser percebe o olhar assustador de Kurokawa e sussurra para Lizzy:

—Porque ele está me encarando daquele jeito?

—Provavelmente te insultando por pensamentos. -Responde ela.

—Ele deve ter inveja por estarmos falando mais com você do que com ele. -Acrescenta Sasesu.

—Eu não devia fazer alguma coisa?

—Nah... -Responde Sasesu. -Você tentar consertar a situação só ia fazer as coisas ficarem pior. A melhor coisa que você pode fazer quando lidando com o Kurokawa é ignorá-lo.

—Vamos então? -Pergunta Takeda. -Estamos apenas a algumas horas da entrada de Masteam.

—Ouviram isso? Estamos quase lá! -Sorri Sasesu animado.

Kurokawa pensa nas criaturas que terá de derrotar no caminho e um pequeno sorriso surge no seu rosto. O grupo volta a mover-se em sintonia e a viagem é retomada.

Notas finais
Gosto de usar esses momentos de conversa entre os personagens para aprofundar e relembrar alguns conceitos sobre o sistema de poderes de IP, até eu esqueço às vezes como isso funciona xD. Rai- Quer dizer, Kaiser, mostrando que está bastante avançado na sua aprendizagem de mana e até mesmo ajudando o grupo de Kurokawa a melhorar. Enquanto isso Kurokawa se mantém o ser humano mais apático e antissocial possível, será que eles conseguem superar os próximos desafios juntos?