Notas iniciais
Voltei! Tinha ficado sem postar aqui porque estava escrevendo outra história (Glass Humans, dá uma olhada lá se tiver tempo), mas agora já acabei essa história então as postagens devem ficar mais regulares! Vou tentar escrever o máximo possível antes das minhas férias acabarem. Boa leitura!

Kurokawa escorra a sua cabeça na mesa ainda muito sonolento enquanto o restante do grupo toma café da manhã e conversa:

—O que vocês vão fazer hoje? -Pergunta Takeda passando manteiga no seu pão.

—Eu tenho que falar com os meus pais para explicar tudo o que aconteceu até agora e avisar que vamos para Masteam. -Responde Lizzy colocando suco no seu copo.

—É... -Responde Sasesu com um olhar meio vazio observando a sua tigela com cereais. -Eu também tenho que falar com os meus pais...

—E vocês? -Pergunta Lizzy.

—O Kurokawa quer encontrar Blut então eu vou aproveitar para vender os itens que consegui no calabouço de ontem em Euler e fazer algum dinheiro. -Diz Takeda. -Tinha esquecido de perguntar, mas você conseguiu algum item bom, Kurokawa?

—Apareceram....coisas...mas...não vi...

Takeda abre o seu inventário e tira um amuleto:

—Se você deu sorte talvez você tenha conseguido esse item aqui. Ele te deixa usar uma habilidade de regeneração parecida à do chefão só que mais fraca. -Explica Takeda. -É um ótimo item, mas não é muito a minha coisa então por isso vou vender.

Kurokawa mantém-se de olhos fechados sem responder. Lizzy, Sasesu e Takeda terminam de comer e levantam-se da mesa:

—Vamos, Kurokawa, estamos indo embora. -Afirma Takeda.

Kurokawa levanta-se, abre o armário da cozinha, tira um saco de caramelos e segue Takeda. Os dois fazem o caminho até A Vila e em seguida se teleportam para Euler:

—Eu sei onde achar pessoas que possam ter interesse nos meus itens, mas e você, Kurokawa? Tem alguma ideia de onde Blut possa estar?

Kurokawa pensa durante alguns segundos:

—Na casa dele...?

—Tudo bem, mas onde a casa dele fica?

—Sei lá, você que é a pessoa que sabe das coisas. Eu não posso simplesmente pesquisar “casa de Blut” no meu mapa?

—Não... -Suspira Takeda. -Você não pode...

—Tsc...jogo de merda...

—Tudo bem, vamos vender os itens primeiros e depois procuramos por Blut. -Sugere Takeda.

—Vender itens é chato... -Reclama Kurokawa.

—Tente ter uma ideia plausível para achar Blut então.

Kurokawa se concentra e sorri:

—Ele parece ser alguém importante dessa cidade, certo? Se eu sai quebrando tudo por aí talvez ele apareça para-

Takeda começa a caminhar para longe:

—Tudo bem, pode me ignorar, eu vou ficar aqui! -Grita Kurokawa. -Quando você voltar eu já vou ter encontrado Blut! Não preciso da tua ajuda mesmo!

Kurokawa procura por um banco e decide se sentar. Ele tenta procurar por “Blut”, “Casa de Blut”, “Como encontrar Blut” e “Onde Blut está?” no seu mapa, mas nenhum resultado aparece:

—Ah!!!! -Grita ele frustrado. -Que mapa inútil...

Ele deixa a sua cabeça cair um pouco para trás e continua pensando em soluções. O seu foco é quebrado quando a sua audição capta algumas vozes e o som de espadas. Kurokawa sorri:

—Já que estou aqui de qualquer forma, vou pelo menos me manter ocupado...

Ele pula por cima do banco onde estava sentado e corre pela rua à sua frente. Kurokawa vira à direita, corre mais alguns metros e vê um beco estreita e sem movimento. Ele consegue notar a presença de três homens lutando contra um jovem de óculos:

—Ei! Vocês podiam ter calma? Eu já disse que amanhã trazemos o dinheiro! -Grita o jovem refletindo e se esquivando de ataques.

—Já te demos uma chance, pirralho! Estou cansado das tuas mentiras!

Kurokawa avança rapidamente e entra na luta. Ele acerta um soco num dos homens, um chute noutro e derruba o último com uma cabeçada. Ele espera para ver se se os seus oponentes vão se levantar, mas percebe que eles estão inconscientes:

—Tsc...muito...rápido... -Reclama Kurokawa virando a sua atenção para o jovem ainda de pé. -Você...quem é você? Você não parece ser forte, mas você acompanhou todos os meus movimentos com os teus olhos.

A pessoa de frente com Kurokawa dá um passo para trás entendendo que está em grande desvantagem:

—Calma...eu conheço você, você participou no torneio de dois dias atrás...

Kurokawa dá um passo para frente:

—Você não respondeu a minha pergunta...

Um jovem de cabelos castanhos e expressão tímida aproxima-se por trás do adversário de Kurokawa com vários cavaleiros de armadura:

—Daten, eu...trouxe reforços!

Ele observa aqueles três homens desmaiados no chão e sorri:

—Uau, você conseguiu derrotar eles sozinhos! Bom trabalho, Daten!

Daten suspira enquanto tenta se afastar de Kurokawa:

—Ike...não estamos num bom momento...

Kurokawa ativa uma habilidade:

—Garras da Besta. Você me ignorou duas vezes. Decidi. Vou te cortar.

—V-você realmente acha que vai conseguir lutar contra todos esses...fortes cavaleiros?! -Interfere Ike hesitando um pouco.

Kurokawa observa-os e percebe uma estranha quantidade de energia exalando dos seus corpos. Ele tira Eclipse do seu inventário e arremessa naquela direção. A sua espada atravessa um deles e aquele cavaleiro se desfaz:

—Alguma habilidade de ilusão? Boa tentativa, mas cansei dessas brincadeiras.

Ele balança o seu braço e percebe que mesmo sendo incapaz de desviar, Daten consegue ver e reagir ao seu ataque:

—Calma!!! -Grita ele quando as garras de Kurokawa estavam prestes a tocar o seu pescoço. -Me dê dois segundos para explicar a situação...por favor...

—Sou todo ouvidos, mas se eu não gostar da resposta... -Diz Kurokawa com uma postura intimidadora e aproximando as suas garras.

—Qual é a desse cara? Porque ele está tão irritado? -Pensa Daten enquanto suor escorre pela sua testa.

Ele limpa a sua garganta a começa a falar:

—Meu nome é Daten, aquele que está atrás de mim é Ike, nós dois somos amigos e devemos dinheiro aos caras que você derrubou. O plano era roubar alguns itens valiosos hoje e dar para eles para pagar a dívida, mas não deu muito certo então eles tentaram nos matar.

—E? -Pergunta Kurokawa com uma aura intensa.

—E... -Diz Daten procurando mais informações para salvar a sua vida. -Você queria saber como eu consegui ver os teus ataques, certo? Minha visão é muito aguçada. Eu consigo ver os pequenos movimentos dos teus músculos que geram o ataque antes mesmo do ataque começar.

—Você ainda não me deu uma razão para abaixar a minha espada.

—Isso não faz sentido nenhum! -Retruca Daten. -Você nem me disse o que você quer. Como é suposto eu saber o que dizer?

—Eu quero...saber onde Blut está! -Sorri ele.

—Blut, o imperador da Realeza?

—Sei lá, Blut, o cara ruivo.

—Só pode ser ele...se você seguir para norte daqui em direção ao mar, você vai encontrar um pequeno vilarejo chamado Hertz. Blut controla esse lugar então é provável que ele esteja lá. Mas eu não iria atrás de Blut se fosse você...principalmente em Hertz...isso é tipo tentar entrar no covil de um leão...

—Não me diga o que fazer. Eu vou procurar nessa direção. -Responde Kurokawa encarando-os. -Mas se você estiver mentindo, você e o teu amigo vão desejar que aqueles caras tivessem te matado.

Kurokawa retrai as suas garras, passa por eles e caminha na direção onde Eclipse caiu:

—Eu sei que não estou em posição de fazer um pedido. -Diz Daten virando na direção de Kurokawa. -Mas no caminho de Hertz, ainda dentro de Euler, está a base da Guild desses caras que você derrotou, Snake Alliance. Não vou te pedir para destruí-la, mas você podia causar pelo menos um tumulto lá?

Kurokawa olha para trás:

—An? Porque eu deveria me envolver com os vossos problemas?

—Eles tomaram a decisão de nos matar, precisamos de tempo para sair da cidade ou arranjar o dinheiro. Se você não fizer nada, vamos ter uma Guild inteira atrás da nossa cabeça! Não tem como sobreviver assim...

—Eu não podia me importar menos.

—Então porque você nos salvou? -Grita Daten. -Porque você é forte se não usa a tua força para nada?

—Eu achei que eles fossem ser fortes, só queria matar o meu tédio. -Responde Kurokawa caminhando para longe.

Daten finalmente entende como negociar com Kurokawa:

—Vai ter um monte de pessoas fortes lá!

Kurokawa sorri:

—Snake Alliance, não era?

—Sim, um edifício verde com a imagem de uma cobra.

—Anotado. -Responde Kurokawa deixando o campo de visão de Daten.

—Obrigado...seu moleque psicótico...

—Está tudo bem? Você está machucado? -Aproxima-se Ike.

—Não, tive sorte, mas é melhor darmos o fora daqui. Não sei quanto tempo aquele louco vai conseguir nos comprar.

—Tudo bem.

Kurokawa corre entre as várias construções da cidade até que vê o tal edifício verde. Ele pula, concentra mana no seu corpo, atravessa uma parede e caiu no meio de uma sala com várias pessoas:

—Mas que merda...quem é você? -Pergunta um dos homens sentados naquela sala.

Kurokawa balança Eclipse à sua volta cortando todos aqueles presentes:

—Eu que faço perguntas aqui. E a minha pergunta é: onde está a pessoa mais forte dessa Guild?

Ao ouvirem a comoção no andar de cima, vários outros membros da Guild aproximam-se daquela sala:

—O que está acontecendo aqui?

—Não importa, matem esse cretino! -Ordena um homem sangrando enquanto tenta se afastar de Kurokawa.

—Oh, você continua vivo, não esperava essa.

Várias armas diferentes são sacadas e Kurokawa é atacado por todos os lados. Ele defende o que consegue, esquiva-se do que pode e utiliza mana para minimizar o dano dos restantes ataques. Na primeira abertura que vê, ele atravessa uma pessoa, utiliza-a como escudo contra os próximos golpes e logo em seguida chuta-a em direção a um aglomerado de inimigos. Kurokawa produz fumaça utilizando a parte negra de Eclipse e no meio da confusão dilacera múltiplas pessoas em sequência com a parte branca.

A fumaça dispersa-se e ele percebe que é o único de pé naquela sala. Kurokawa limpa o suor no seu rosto e percebe que gastou uma quantidade significativa de mana naqueles ataques:

—Devia guardar mana para lutar contra Blut... -Pensa ele. -Isso deve ser o suficiente, vou dar o fora daqui.

Um homem deitado no chão crava uma faca no pé de Kurokawa quando percebe que ele está distraído. Kurokawa sente alguma dor e chuta-o para longe. Ele observa o seu pé e percebe que não está sangrando, mesmo que tivesse alguma certeza que a faca o atravessou:

—Estranho...

Sem perder mais tempo, ele atravessa o buraco que criou para entrar e continua seguindo em direção ao norte sem olhar para trás. Kurokawa passa por um grande portão e percebe que está fora de Euler. Mantendo aquele ritmo acelerado por vários minutos, ele começa a visualizar o mar no horizonte. Próximo à praia, Kurokawa consegue ver um vilarejo rodeado por uma pequena muralha. Ele respira fundo e se prepara para começar a correr de novo quando algo cai na sua frente:

—Eu preferia se você não avançasse mais do que isso e desarmasse as minhas armadilhas à toa. -Diz Blut. -Que dia agitado...já estou de saco cheio de visitantes...

Kurokawa dá um passo para trás e adota uma postura defensiva com Eclipse:

—O que você está fazendo? -Pergunta Blut perdendo a paciência. -Você veio ao meu encontro para lutar? Não seja insolente, moleque, eu vou te matar...

—Você disse para eu te procurar e você sabia o nome de Hikari e Yami.

Blut dá um passo para frente enquanto exala mana do seu corpo:

—E é com essa arrogância que você vem pedir a minha ajuda?

—Eu não vim pedir a tua ajuda! -Grita Kurokawa se preparando para atacar. -Eu vim descer a porrada em você!

Antes que Kurokawa perceba Blut está agarrando o seu crânio e levantando-o ao ar:

—Você tem potencial, eu quero a tua força para o meu exército, é só por isso que não te matei ainda. Mas não fique se achando demais, moleque. -Fala Blut pressionando a cabeça de Kurokawa com força o suficiente para fazê-lo sangrar. -Você é lixo nesse momento. Descartável, inútil, desperdício de tempo. Você quer resolver o problema com Eclipse? Volte aqui quando for forte o suficiente para me ferir. Até lá...se eu te encontrar de novo...não vou ser tão bondoso como estou sendo agora...

Blut larga Kurokawa e começa a caminhar em direção a Hertz. Kurokawa cai de joelhos no chão quase perdendo a consciência. A sua cabeça lateja como se o seu cérebro tivesse sido esmagado. Ele demora vários minutos para conseguir se recuperar e em seguida anda ainda machucado de volta para Euler. Enquanto isso, Blut abre os portões de Hertz e é recebido por Micky, a princesa da guid Royalty:

—Quem era dessa vez?

—Um inseto perdido. -Responde Blut. -Tive que ter muito cuidado para não o esmagar.

—Eu ainda estava pensando sobre o cara que veio antes. -Comenta Micky. -Você tem certeza que foi uma boa ideia dar aquele escudo para ele? Era um item caro e te dava uma habilidade de defesa bastante útil.

—Sou uma pessoa justa, ele nos vendeu a localização e identidade das pessoas que humilharam Narzo. -Diz Blut enquanto caminha em direção ao seu coliseu. -Essa vai ser a oportunidade de Waffe conseguir a sua vingança e provar para mim que continua digno da posição de rei de Royalty.

—Espero que dê certo, eu não gosto muito de Waffe, mas ele é um companheiro dez vezes melhor do que Marwolaeth...

Notas finais
Takeda larga Kurokawa sozinho e o que acontece? Confusão, obviamente. Blut teve que colocar Kurokawa no lugar dele e também deixou claro que ninguém mexe com a Realeza e sai ileso. Também trouxe Ike e Daten de volta para quem leu a primeira versão da história, não acho que eles vão participar muito dessa vez, mas talvez eles apareçam no futuro.