Notas iniciais
Voltei! Esse capítulo vai ser mais curto e um pouco menos agitado. Boa leitura!

Sasesu suspira na frente do portão de entrada daquela mansão e toca a campainha. Passados alguns segundos, ele percebe a presença de outra pessoa através do interfone:

—Sou eu, Sasesu, abra o portão para mim.

—Com certeza. -Responde a voz. -O portão já está aberto.

Sasesu caminha algum tempo até atingir a porta de entrada. Ele é recebido por um homem vestindo um terno preto e camisa branca com cabelos grisalhos junto de uma mulher com longos cabelos negros preso num rabo de cavalo que usava roupas de empregada:

—Seja bem-vindo. -Dizem os dois enquanto abrem a porta.

—Boa tarde, Boris, Aira.

—O senhor já não retornava à casa durante algum tempo, os teus pais estavam preocupados. -Comenta Boris.

—Sim, é verdade. -Responde Sasesu sem muito interesse. -Eles estão em casa?

—O senhor Alexandre está trabalhando no seu escritório nesse momento e a senhora Cristina saiu para fazer compras, eles devem voltar na hora almoço.

—Tudo bem.

—Vou avisar ao cozinheiro que você vai participar da refeição.

—Obrigado, Boris.

—Não há de quê.

Sasesu sobe várias escadas enquanto pisa num tapete vermelho até chegar no primeiro andar. Ele segue o caminho pela direita e finalmente atinge o seu quarto. Dentro está a sua cama, um pequeno cómodo que serve como guarda-roupas, uma porta que leva a um banheiro, um sofá, uma televisão, uma mesa, uma escrivaninha, uma cadeira e várias máquinas de musculação. Sasesu aproveita o tempo livre que tem para estudar um pouco. Todos esses dias que ele esteve com Lizzy e os seus outros amigos fizeram-lhe ficar bastante atrás dos seus colegas de turma.

Mas aquilo não passava de uma responsabilidade que foi colocada nas suas costas pelos seus pais, o que realmente lhe trazia prazer era explorar o mundo de Invisible Play. De qualquer forma, não era sábio abandonar completamente o mundo real então ele fazia o seu melhor para conciliar os dois. Sasesu ouve algumas batidas na porta do seu quarto:

—O almoço vai ser servido em breve. -Informa Aira.

—Tudo bem, já estou indo.

Ele levanta-se, caminha até o seu banheiro, lava o seu rosto e se olha no espelho durante alguns segundos. Sasesu suspira mais uma vez, passa pela porta do seu quarto, desce as escadas para o térreo e vai até a sala de jantar. Ele vê os seus pais sentados numa mesa com dez lugares e se motiva a permanecer naquele lugar:

—É isso. -Pensa ele. -Aqui vamos nós.

O seu pai, um homem de cabelos negros com alguns fios brancos usando uma camisa branca, encara-o:

—Sasesu, eu gostaria que você participasse mais das refeições em família de agora em diante, afinal de contas estes são os poucos momentos do dia que temos para conversar.

Ele puxa uma cadeira e se senta:

—Não sei se conversar é o termo certo, pai. Talvez distribuir ordens fosse mais apropriado.

A sua mãe é uma mulher de longos cabelos loiros e encaracolados. Ela tem olhos verdes e usa um vestido bege:

—Filho, você tem que entender que o nosso tempo é muito valioso. As instruções que o teu pai te dá são para ter certeza que você está aproveitando-o bem.

Boris aproxima-se com um carrinho onde trás o almoço, ele tira um pano que o cobre e revela a refeição:

—O prato de hoje é carne de lagosta cozida recheada com gema de ovo e conhaque.

Ele serve as pessoas sentadas na mesa e se retira. Alexandre corta um pedaço da lagosta e leva-o até a sua boca:

—Delicioso, Nicolae nunca me desaponta.

—Realmente, a comida que ele faz supera a de muitos restaurantes. -Acrescenta Cristina.

Sasesu, mesmo gostando da refeição, não se sente confortável o suficiente para aproveitá-la:

—Sasesu, eu recebi a informação de que você não tem participado nas tuas atividades extracurriculares. -Diz Alexandre.

—Vocês me inscreveram nelas sem o meu consentimento, não vou perder o meu tempo fazendo coisas que não gosto.

—Elas vão te ajudar a desenvolver atividades úteis para o futuro, filho. -Intervêm Cristina. -Já agora, nós vamos participar de um jantar segunda-feira com um grupo político e você vai vir conosco. Essa vai ser uma ótima oportunidade para você fazer conexões e entender um pouco melhor como as coisas funcionam.

—Vocês realmente não se importam com o que eu penso...nem parece que vocês escutam o que eu estou dizendo...

—Filho, você ainda é novo, mas no futuro você vai nos agradecer por todas as oportunidades que nós te demos.

—Sim, nós não tivemos nada disso. -Afirma o seu pai. -Só queremos o melhor para você.

—Vocês não são más pessoas, mas vocês nunca me perguntaram o que EU queria fazer. -Responde Sasesu. -É sempre o que VOCÊS acham que é certo, o que VOCÊS querem...

Ele termina de comer, se levanta e começa a caminhar para longe:

—Eu vou sair numa viagem com os meus amigos, devo voltar daqui uma semana.

—Sasesu, pense melhor sobre isso. -Sugere Alexandre. -O que essas pessoas tem para te oferecer? O que você ganha estando com elas?

—Felicidade.

—Volte aqui, Sasesu! -Grita o seu pai.

Ele continua caminhando até chegar na porta de entrada e o seu mordomo abre-a para ele:

—Já indo embora?

—Sim, Boris, tenho coisas que preciso fazer.

—Tome cuidado e boa sorte.

—Obrigado.

Um pouco longe dali, Lizzy está sentada enquanto almoça com os seus pais:

—Aí ele disse para eu ir até Masteam para encontrar o primeiro fragmento do mapa. -Explica ela.

—Masteam... -Repete Lyonel com um olhar sério. -Em pensar que você teria de ir para lá tão cedo...

—Tem alguma coisa de errado com isso?

—Masteam é uma cidade fantasma atualmente, mas não é nada muito perigoso. Já se passaram vários anos então o miasma do Rei Demônio deve ter diminuído.

—Miasma do Rei Demônio? -Pergunta Lizzy um pouco confusa.

Lyonel não parece muito interessado em continuar falando sobre aquele assunto então Roberta decide intervir:

—O Rei Demônio é um tipo especial de monstro, por ser tão forte, mesmo depois de morrer ele continua afetando a área à sua volta. Os jogadores costumam chamar esse veneno que ele deixa para trás de miasma.

—Entendi...mas vocês acham que eu e o meu grupo de amigos vamos conseguir achar o fragmento?

—Não acho que vai ser fácil. -Responde Roberta. -O fragmento pode estar em qualquer lugar de Masteam e mesmo que exista pouco, o miasma ainda existe. O que significa que os monstros estarão mais fortes naquela área e vocês estarão mais fracos.

—Vamos ter que procurar por uma cidade inteira enquanto lutamos contra monstros...mas tudo bem! Eu confio nas minhas que vão me ajudar.

Lyonel observa Lizzy com orgulho:

—Mas como Yulifer sabia onde estava o primeiro fragmento? -Pergunta Lizzy.

Roberta sorri:

—Ele deve ter ajudado alguém a fazer a mesma missão que você no passado.

—Faz sentido.

Em Euler, Kurokawa caminha em direção ao centro da cidade para atingir o portal quando é encontrado por Takeda:

—Finalmente te achei. Eu voltei para te procurar depois de ter vendido os itens, mas você tinha sumido.

—Sim, estava fazendo algumas coisas. -Responde Kurokawa ainda sentindo alguma dor.

—Você conseguiu achar Blut?

—Sim, mas...ele estava ocupado.

—E você foi embora depois de ouvir isso? -Pergunta Takeda um pouco incrédulo. -Estou surpreso. Tenho certeza que você tentaria arranjar uma briga.

—Pare de encher o saco. Vamos para casa.

—Uau, você está de mau humor...mas o que você vai fazer em relação a Eclipse então?

—Sei lá, eu vou dar um jeito.

—Tudo bem...

Os dois atravessam o portal e em seguida andam da Vila até a casa de Kurokawa. Eles encontram Sasesu lá e algumas horas mais tarde Lizzy também aparece. Ela abre a porta e vê os três sentados no sofá enquanto assistem televisão e conversam:

—E o chefão tinha uma habilidade de regeneração que fazia ele ficar imortal durante trinta minutos! -Explica Takeda.

—E vocês conseguiram derrotá-lo?

—Claro que sim, eu sou incrível. -Sorri Kurokawa.

—Tivemos que ficar lutando em turnos de cinco minutos contra ele, mas foi muito trabalhoso.

—Olá. -Diz Lizzy se aproximando.

—Ah, oi. -Responde Sasesu. -Como foi o teu dia?

—Os meus pais me deram umas boas dicas e me ajudaram a planejar a viagem. -Responde ela. -E o vosso?

—Meh...normal... -Responde Kurokawa.

—Eu também não fiz muito, só estudei um pouco e falei com os meus pais.

—Eu consegui vender os meus itens e fiz bastante dinheiro!

—Eu estava pensando em comermos alguma coisa diferente já que vamos começar a viagem amanhã. -Sugere Lizzy. -O que vocês acham?

—Eu acho uma boa ideia. -Responde Sasesu.

—Contanto que não seja eu a pagar... -Diz Kurokawa.

—Uau, Kurokawa...mas eu também acho uma boa ideia. -Comenta Takeda.

—Tudo bem, só temos que escolher o que vamos comer então.

—Pizza! -Fala Kurokawa com confiança.

—Porque a pessoa menos disposta a pagar é aquela com mais vontade de escolher? -Reclama Sasesu.

—Eu acho pizza uma boa sugestão para ser sincera.

—Eu também, não como pizza há bastante tempo –Responde Takeda.

—Tudo bem...por mim pode ser pizza... -Cede Sasesu.

—Certo, alguém tem o número de uma pizzaria? -Pergunta Lizzy

—Tem uma aqui por perto que faz entregas, vou ligar para lá. -Diz Takeda. -Vamos pedir quantas pizzas?

—Acho que duas são o suficiente. -Responde Lizzy.

—E os sabores? -Continua Takeda.

—Frango com catupiry! -Interfere Kurokawa.

—Tudo bem... -Aceita Takeda impressionado com a audácia de Kurokawa. -E a outra?

—Havaiana! -Afirma Kurokawa mais uma vez.

—Não... -Fala Sasesu com nojo. -Eu me recuso a comer uma pizza com abacaxi...

—Eu também não gosto muito... -Acrescenta Lizzy.

—A tua ideia foi rejeitada, Kurokawa. Qual o outro sabor então?

—Eu não entendo porque deixo vocês viverem na minha casa...

—Que tal portuguesa? -Sugere Lizzy.

—Por mim tudo bem. -Responde Sasesu.

—Eu também gosto então está decidido. -Diz Takeda. -Vou fazer a ligação.

Takeda faz o pedido e alguns minutos mais tarde o entregador aparece com as pizzas. Eles juntam-se à volta da mesa e apreciam aquele último momento de conforto antes de uma grande aventura. O grupo decide ir dormir algum tempo depois de terminarem de comer para conseguir ter uma boa noite de sono.

Notas finais
A viagem começa no próximo capítulo. Vamos ver como Kurokawa e o seu grupo se saem explorando terras desconhecidas.