Notas iniciais
Mais um capítulo fresquinho! Boa leitura!

Lizzy e Sasesu com sorte conseguem caminhar até o ponto de início do calabouço sem serem atacados por mais monstros. Ela aproveita a ausência de perigo para usar algumas poções de cura nas feridas de Sasesu. Apesar desta ação amenizar a dor e parar o sangramento, a maioria dos ferimentos de Sasesu permanece:

—Como o nível dos monstros aqui é alto, as poções de cura não são tão efetivas nas feridas que eles causam. -Explica Lizzy. -Desculpa, isso é o melhor que posso fazer por agora.

—Tudo bem, isso já ajuda bastante. O resto deve sarar com o tempo. -Responde ele.

Os dois seguem o seu caminho de volta àquela casa, e como se estivesse à espera, a porta abre-se. Lizzy e Sasesu sobem as escadas e encontram Yulifer sentado no mesmo lugar:

—Bem-vindos de volta.

—Nós trouxemos o que você pediu. -Diz Lizzy colocando a gota de sangue mágico em cima da mesa.

—Muito bem, estou bastante satisfeito com os vossos resultados. -Responde aquele homem. -A vossa coordenação é boa. É tão cedo, mas vocês já sabem manipular mana, Lyonel treinou-os bem. Admito que fiquei um pouco impressionado com o quão rápido você conseguiu escapar da ilusão, filhote. Quando atingidos pela primeira vez, os jogadores tendem a ficar vários minutos naquele estado de transe, mas você conseguiu escapar em apenas alguns segundos.

—Como você sabe disso? -Pergunta Lizzy.

—Os animais são como extensões de meu corpo, não foi muito difícil acompanhá-los através da visão de um pássaro.

—Lizzy, esse cara é realmente suspeito... -Sussurou Sasesu.

—Eu suponho que com isso eu passei no primeiro teste, qual é o próximo?

—Você pensou na pergunta que eu te fiz? -Pergunta Yulifer.

—Sim, mas eu não sei se cheguei a uma resposta satisfatória. Eu realmente não sei muito sobre esses seres e eu nem sei se a minha ambição envolve necessariamente eles. Se a minha mãe tivesse me contado histórias sobre outras lendas, talvez eu estivesse perseguindo estas outras lendas neste momento. -Responde Lizzy. -Eu nunca tive muito talento para as coisas que eu gosto de fazer, mesmo que os meus pais esperassem um futuro brilhante de mim. Tudo o que eu conquistei na minha vida foi com muito esforço e persistência, mas nunca pareceu o suficiente. Nunca fui capaz de provar para mim mesmo o meu próprio valor. Então para mim, as Bestas Lendárias são apenas um meio. Eu quero encontrá-las para mostrar para mim mesmo que eu sou tão incrível quanto eu penso ser. Eu quero viver essa aventura até o fim e se orgulhar de todos os obstáculos que eu superei.

Yulifer não consegue conter sua gargalhada:

—Bom! Muito bom! Você é honesta e a sua ambição é imensurável! Eu gosto disso! Você passou neste teste também!

Lizzy respira aliviada:

—Fico feliz em ter dito como realmente me sinto e não ter tentado inventar algum motivo diferente.

—Agora, irei te passar o teu último teste, junte pessoas de confiança e faça uma pequena viagem até o lugar que costumava ser chamado de Masteam. Lá, procure pelo primeiro fragmento do mapa.

—Primeiro fragmento do mapa? -Pergunta Lizzy. -O que você quer dizer com isso?

—Esse mapa te levará à algum lugar crucial para a tua jornada. Reúna os fragmentos do mapa, visite o local indicado no mapa e utilize a tua chave dourada. Todas as respostas para as tuas perguntas serão respondidas no caminho ou no fim da tua aventura.

—Tudo bem. -Respondeu Lizzy levantando-se. -Muito obrigado pela tua ajuda.

—Não há de que, filhote. Eu te desejo sorte, você vai precisar.

Lizzy e Sasesu deixaram aquele lugar para trás ainda tentando juntar toda a informação que tinham ouvido:

—Ele foi bastante vago, não sei onde “Masteam” fica, mas se for um lugar muito grande, podemos ficar dias a procura do fragmento do mapa. -Comenta Sasesu.

—Íamos precisar da ajuda de Kurokawa e Takeda, mas não posso pedir para vocês virem comigo e faltarem à escola.

—Isso não vai ser um problema, entramos de férias ontem e só voltamos a ter aulas no dia 3 de janeiro.

—Ótimo! -Sorri Lizzy. -Estou ficando animada! Sinto que estou realmente fazendo progressos!

Enquanto caminham apoiados um no outro, Sasesu entende que perderá esses momentos a sós com Lizzy nos próximos dias. Mas ao invés de admitir a derrota, ele começa a arquitetar planos com a intenção de afastar Takeda e Kurokawa nos momentos importantes. Enquanto isso, não muito longe dali, como se sentisse os pensamentos negativos de Sasesu voarem na sua direção, Kurokawa abre seus olhos e percebe que está em casa. A sua cabeça lateja como se ele tivesse sido atingido por um trem. Um saco de caramelos cai no seu colo:

—Toma. -Diz Takeda. -Coma isso e tente se animar.

—Não são doces que vão curar as fissuras no meu crânio. -Responde Kurokawa mal-humorado.

—Não exagere, se eu tivesse batido com tanta força assim, você nem teria se lembrado do que aconteceu.

—Ah, sim, você quer que eu agradeça por você não ter me causado amnésia?

—Foi um duelo justo, porque você tem que ser um mau perdedor tão grande? -Retruca Takeda.

—Se eu tivesse usado mais a Eclipse, eu não teria perdido...

—Já que estamos falando nisso, você não sentiu nada estranho na Eclipse desde ontem?

—Não. As coisas estão perfeitamente normais, não é mesmo, Yami, Hikari?

Alguns segundos passaram-se sem uma resposta:

—Yami? Hikari? — Perguntou Kurokawa novamente.

—Então você consegue usar o poder delas, mas elas não respondem... -Pensou Takeda em voz alta.

—Elas devem estar dormindo ou algo do gênero.

—Você realmente não consegue pensar em um momento estranho nos últimos dias?

A mente de Kurokawa volta à luta contra Marwolaeth. Ele lembra-se do instante que sua vontade de vencer a qualquer custo se tornou tão grande que afetou sua espada. Durante um segundo, a sua ganância lhe permitiu ir às partes mais profundas daquele objeto em busca de mais força. Era como se ele tivesse tocado a alma das vozes que habitam Eclipse. Mas a sensação foi completamente diferente de harmonia, Kurokawa retirou poder forçosamente daquilo, danificando e corrompendo tudo a volta:

—Kurokawa? -Pergunta Takeda percebendo que seu amigo estava perdido em pensamentos.

—Não, porque isso é importante de qualquer forma? Eu continuo conseguindo usar o poder da espada.

—Totalmente? Eu tenho quase certeza que você precisa falar com aquelas vozes para conseguir espalhar tatuagens pelo teu corpo inteiro.

—Tsc...como você sequer sabe disso? -Pergunta Kurokawa fugindo ao assunto.

—Eu vi você lutar várias vezes. Isso parece um assunto importante, talvez fosse melhor nós descobrirmos o que está acontecendo antes que fique pior. -Sugere Takeda.

—Isso parece muito trabalhoso.

—Eclipse é uma Criação Divina, você devia cuidar bem dela. Duvido que você consiga achar outra arma com esse nível de força tão cedo.

Kurokawa volta a refletir sobre a situação quando se lembra de outro momento. As palavras que aquele homem ruivo lhe disse no fim da sua luta contra Marwolaeth:

—Tive uma ideia! -Sorriu ele.

—Porque eu sinto que não é uma boa ideia...?

—Nós vamos à Euler descer a porrada naquele cara, o...Bruno!

—O nome dele é Blut... -Suspira Takeda. -E como isso resolve o problema da Eclipse?

—Sei lá, ele me disse para procurar por ele caso eu tivesse problemas com Hikari e Yami.

—Hmnn, isso parece muito suspeito. Talvez seja uma armadilha.

—Uau, o que pode dar errado? Ele lutar contra mim? É literalmente isso que eu quero.

Takeda nem sabe como argumentar contra a lógica de Kurokawa:

—As Criações Divinas são itens extremamente raros então é muito difícil achar informações sobre elas, mesmo que seja uma armadilha, ele talvez seja a nossa única esperança.

—Decidido então! -Diz Kurokawa levantando-se. -Vamos invadir Euler e descer a porrada no Blut!

—São dez horas da noite, Kurokawa. Acho melhor deixar isso para amanhã.

—Não! Eu quero fazer agora!

A porta da casa de Kurokawa abre, Sasesu e Lizzy entram:

—Porque a primeira coisa que ouvimos ao voltar para casa é o Kurokawa fazendo birra? -Pergunta Sasesu.

—Ele quer ir a Euler agora lutar contra o Blut da guild Royalty, alguém me ajude a convencê-lo... -Pede Takeda.

—O plano é o seguinte: Vocês o distraem enquanto eu faço jantar, colocamos remédios para dormir na comida dele e o resto é história. -Sugere Lizzy.

—Ei, eu consigo ouvir vocês. -Comenta Kurokawa.

—Você precisa de ajuda para fazer o jantar? -Pergunta Sasesu.

—Sim, para ser sincera, estou bastante cansada.

—Tudo bem, sem problemas!

Os dois caminham em direção à cozinha enquanto Takeda percebe que a responsabilidade de distrair Kurokawa caiu nas suas costas:

—Kurokawa, eu vou jogar todos os teus caramelos fora se você sair agora!

Kurokawa agarra Eclipse com força:

—Tente. Eu vou te cortar em dois antes que você consiga.

—Estamos dentro da tua casa, por favor, não comece uma luta aqui. -Responde Takeda.

—Quem morreu e te colocou como líder? -Aproxima-se Kurokawa tentando intimidá-lo. -É a minha casa. Eu quebro o que eu quiser!

Takeda encontra-se novamente muito confuso em relação ao que está acontecendo:

—Hmn...tudo bem...? Você pode quebrar...se você quiser...Mas eu não acho que isso seja uma boa ideia...

Kurokawa balança sua espada e divide ao meio a lâmpada da sala. Um barulho agudo é emitido enquanto pedaços de vidro caem ao chão. Lizzy e Sasesu rapidamente aparecem tentando entender o que aconteceu:

—O que foi isso? -Pergunta ela.

—Kurokawa quebrou a lâmpada da sala... -Responde Takeda.

—Porque você fez isso, Kurokawa? -Pergunta Sasesu.

—Porque eu posso! Ninguém manda em mim! -Responde ele ficando cada vez mais agitado.

—Takeda, era suposto você tomar conta dele. -Comenta Sasesu um pouco decepcionado.

—Por favor, não me culpe... Ele é irracional demais...

—Kurokawa, eu tenho que fazer uma viagem muito longa para um lugar muito perigoso com muitos inimigos fortes. -Interfere Lizzy. -Se você não se comportar, eu não vou te levar comigo!

Kurokawa afasta o seu olhar enquanto lentamente guarda Eclipse e senta-se no sofá:

—Passar o dia inteiro explorando um calabouço me deixou um pouco cansado para ser sincero, acho que vou a Euler amanhã.

Lizzy e Sasesu retornam à cozinha enquanto Takeda limpa os pedaços de vidro no chão:

—Lizzy está múltiplas realidades paralelas a frente de mim nesse jogo de manipular o Kurokawa... -Pensa ele admirado.

Eles reúnem-se a volta da mesa alguns minutos mais tarde e aproveitam essa oportunidade para conversarem sobre o que aconteceu hoje. A noite avança de mansinho e mais um dia chega ao fim.

Notas finais
Estamos nos aproximando do natal na história. Gostaria de escrever um capítulo sobre os personagens celebrando a data, mas talvez eles ainda estejam ocupados com o que vai acontecer em Masteam. De qualquer forma, o que acharam?