Invisible
4 You just see right through me,
Notas iniciais
Capítulo 4. You just see right through me, but if you only knew me…!
And I just wanna show you
She don\'t even know you
She\'s never gonna love you like I want to
You just see right through me, but if you only knew me
We could be a beautiful miracle unbelievable instead of just invisible
Kaoru.
— Kaoru.
Hikaru estava na cama, parecendo pensativo, e obviamente estivera me esperando sair do banho. Talvez ele tenha percebido...?
Não, melhor não fazer isso. Eu já fantasio demais sobre as coisas, ainda mais sobre o Hikaru. Melhor parar logo com isso.
— Kaoru, você acha que a Haruhi gostou de ir ao parque de diversões com a gente hoje? — completou ele, levantando o olhar, ainda parecendo pensativo.
Meu estômago foi parar em algum lugar não identificável. Meu coração substituiu o vazio causado pelo pulo do pâncreas.
Eu manti a expressão impassível, apesar disso. Seja forte, pensei. Mostre a ele que você pode agüentar o fato de ele gostar da Haruhi. Mostre a ele que você não é um ciumento maníaco-possessivo. Mostre a ele que você ainda é a pessoa que o conhece melhor do que qualquer um, até do que ele mesmo.
Mesmo assim, parecia não estar funcionando; o monstro dentro de mim ainda rugia e devorava minhas entranhas, saboreando lentamente cada pedaço.
— Óbvio — respondi, secando meus cabelos com um ar despreocupado, e pegando o mesmo modelo de kimono que ele estava usando. — É impossível alguém não se divertir quando está com você — expliquei, colocando a toalha no espaldar de uma cadeira qualquer e pegando o secador. — Além disso, se ela não se divertiu, ao menos nós fizemos isso, certo?
Ele me observava, sem mudar aquela expressão — aquilo estava começando a me incomodar.
— Você quis dizer conosco. — ele falou, finalmente.
Exceto que... o que aquilo significava?
— Ãhn, Hikaru... o quê? — perguntei, confuso, desligando o secador.
Ele continuava me encarando, com aquela expressão vazia. Aquela linda expressão vazia, se é que me permitem.
Oh, céus. Eu devo gostar mesmo de sofrer.
— Você disse “é impossível alguém não se divertir quando está com você” — expandiu ele, piscando repetidas vezes. — Quis dizer “conosco”. Não apenas comigo.
Alguma coisa aconteceu naquele momento.
Algo diferente; algo grandioso. Mas tudo o que eu pude perceber foi o súbito aumento da minha temperatura, e finalmente entender que eu estava corando violentamente, e não tendo um ataque do coração.
Liguei novamente o secador, que (infelizmente) não fez tanto barulho quanto eu esperava. Malditos avanços tecnológicos. Desvencilhei meus olhos dos dele, me virei de costas e voltei a secar meus cabelos molhados. O cheiro agradável de produtos para o cabelo começou a encher o quarto, mas a atmosfera parecia pesar sobre nossas cabeças.
— Não — retruquei, baixando o tom de voz —, quis dizer você.
Quase no mesmo instante, senti olhos se cravando nas minhas costas, como se o olhar dele atirasse balas em minha direção. Ele piscou repetidas vezes, coisa que sempre fazia quando queria muito alguma coisa ou não entendia direito alguma coisa que eu dizia, e eu quase pude escutar o som dos cílios e das pálpebras dele se chocando de novo e mais uma vez.
Alguma coisa caiu no chão, e eu me atrevi a dar uma olhada.
Ele estava lá, sentado no chão, encarando as próprias mãos apoiadas no colo. Parecia uma criança, prestes a chorar.
— Kaoru... — a voz estava tremida, indicando que ele realmente poderia estar chorando; de fato, quando ele levantou o rosto a fim de me encarar, eu consegui ver a trilha vermelha que as lágrimas haviam traçado em suas bochechas. — Kaoru, eu fiz alguma coisa errada?
Outro sentimento despencou em cima de mim, e dessa vez eu sabia que era a culpa me atingindo.
Eu estava fazendo Hikaru chorar.
— Eu te magoei de alguma forma, Kaoru? — continuou ele, sendo que eu não dizia uma só palavra. — É por isso que você ficou me ignorando durante todo o dia?
— Hika...
— Eu sei que às vezes eu dou atenção demais à Haruhi, e que você é meu irmão... — ele agora fungava a intervalos regulares, separando uma frase da outra — Eu sei que posso ser inconveniente e imaturo, mas não me lembro de nada que possa ter te deixado tão bravo... Kaoru.
A culpa agora dava socos em meu estômago, me fazendo sentir cada vez pior. Desliguei o secador pela última vez, e já não era sem tempo, pois meu cabelo há muito estava seco. Senti que agora eram os meus olhos que marejavam, e uma gorda lágrima desceu pela minha bochecha, descendo em direção ao assoalho. Me ajoelhei perto dele, enxuguei suas bochechas e o encarei profundamente, como se visse sua alma.
Eu não a vi. E isso me deixou ainda mais chateado.
Like shadows in a faded light
Oh, we’re invisible
I just wanna open your eyes, and make you realize.
— Você não entende! — de alguma forma eu havia me levantado, e agora estava gritando. — Você não entende, não é, por mais que eu demonstre! — Eu estava descontrolado, desvanecido, quase apagado; a única coisa que me mantinha ali era a minha voz, alta e enraivecida. — Eu te amo, Hikaru, é de mim que você precisa, e não dela! Ela não te conhece, não sabe do que você gosta, não sabe do que você precisa!
Hikaru me encarava, e talvez aquele brilho turvo nos seus olhos fosse medo. Mesmo assim, eu não conseguia parar.
— Ela não te compreende, Hikaru! Será que você não viu, em todo esse tempo que nós vivemos, que o certo pra você sou eu? E mesmo assim, você continua a se encantar com a Haruhi, convidá-la para sair com o único intuito de que ela finalmente se apaixone por você e vocês possam viver juntos e felizes! Você não vê como é idiota, Hikaru? Não vê como isso deturpa meus sentimentos? Como me deixa confuso?
Respirei fundo algumas vezes, e então percebi o que eu tinha feito, o que eu tinha dito.
Eu tinha estragado tudo! Saí do quarto correndo, virei as esquinas de cinco corredores, subi uma escada e me tranquei no primeiro quarto que vi pela frente.
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