Invisible

4 You just see right through me,


Notas iniciais
TÃN-TÃN-TÃN-TÃÃÃN! Penúltimo capítulo, pessoal (é, sinto muito, Nana-chan), eu me senti mal por ter feito o terceiro tão pequeno, então caprichei na história deste aqui. Espero que gostem!

Capítulo 4. You just see right through me, but if you only knew me…!

And I just wanna show you

She don\'t even know you

She\'s never gonna love you like I want to

You just see right through me, but if you only knew me

We could be a beautiful miracle unbelievable instead of just invisible

Kaoru.

— Kaoru.

Hikaru estava na cama, parecendo pensativo, e obviamente estivera me esperando sair do banho. Talvez ele tenha percebido...?

Não, melhor não fazer isso. Eu já fantasio demais sobre as coisas, ainda mais sobre o Hikaru. Melhor parar logo com isso.

— Kaoru, você acha que a Haruhi gostou de ir ao parque de diversões com a gente hoje? — completou ele, levantando o olhar, ainda parecendo pensativo.

Meu estômago foi parar em algum lugar não identificável. Meu coração substituiu o vazio causado pelo pulo do pâncreas.

Eu manti a expressão impassível, apesar disso. Seja forte, pensei. Mostre a ele que você pode agüentar o fato de ele gostar da Haruhi. Mostre a ele que você não é um ciumento maníaco-possessivo. Mostre a ele que você ainda é a pessoa que o conhece melhor do que qualquer um, até do que ele mesmo.

Mesmo assim, parecia não estar funcionando; o monstro dentro de mim ainda rugia e devorava minhas entranhas, saboreando lentamente cada pedaço.

— Óbvio — respondi, secando meus cabelos com um ar despreocupado, e pegando o mesmo modelo de kimono que ele estava usando. — É impossível alguém não se divertir quando está com você — expliquei, colocando a toalha no espaldar de uma cadeira qualquer e pegando o secador. — Além disso, se ela não se divertiu, ao menos nós fizemos isso, certo?

Ele me observava, sem mudar aquela expressão — aquilo estava começando a me incomodar.

— Você quis dizer conosco. — ele falou, finalmente.

Exceto que... o que aquilo significava?

— Ãhn, Hikaru... o quê? — perguntei, confuso, desligando o secador.

Ele continuava me encarando, com aquela expressão vazia. Aquela linda expressão vazia, se é que me permitem.

Oh, céus. Eu devo gostar mesmo de sofrer.

— Você disse “é impossível alguém não se divertir quando está com você” — expandiu ele, piscando repetidas vezes. — Quis dizer “conosco”. Não apenas comigo.

Alguma coisa aconteceu naquele momento.

Algo diferente; algo grandioso. Mas tudo o que eu pude perceber foi o súbito aumento da minha temperatura, e finalmente entender que eu estava corando violentamente, e não tendo um ataque do coração.

Liguei novamente o secador, que (infelizmente) não fez tanto barulho quanto eu esperava. Malditos avanços tecnológicos. Desvencilhei meus olhos dos dele, me virei de costas e voltei a secar meus cabelos molhados. O cheiro agradável de produtos para o cabelo começou a encher o quarto, mas a atmosfera parecia pesar sobre nossas cabeças.

— Não — retruquei, baixando o tom de voz —, quis dizer você.

Quase no mesmo instante, senti olhos se cravando nas minhas costas, como se o olhar dele atirasse balas em minha direção. Ele piscou repetidas vezes, coisa que sempre fazia quando queria muito alguma coisa ou não entendia direito alguma coisa que eu dizia, e eu quase pude escutar o som dos cílios e das pálpebras dele se chocando de novo e mais uma vez.

Alguma coisa caiu no chão, e eu me atrevi a dar uma olhada.

Ele estava lá, sentado no chão, encarando as próprias mãos apoiadas no colo. Parecia uma criança, prestes a chorar.

— Kaoru... — a voz estava tremida, indicando que ele realmente poderia estar chorando; de fato, quando ele levantou o rosto a fim de me encarar, eu consegui ver a trilha vermelha que as lágrimas haviam traçado em suas bochechas. — Kaoru, eu fiz alguma coisa errada?

Outro sentimento despencou em cima de mim, e dessa vez eu sabia que era a culpa me atingindo.

Eu estava fazendo Hikaru chorar.

— Eu te magoei de alguma forma, Kaoru? — continuou ele, sendo que eu não dizia uma só palavra. — É por isso que você ficou me ignorando durante todo o dia?

— Hika...

— Eu sei que às vezes eu dou atenção demais à Haruhi, e que você é meu irmão... — ele agora fungava a intervalos regulares, separando uma frase da outra — Eu sei que posso ser inconveniente e imaturo, mas não me lembro de nada que possa ter te deixado tão bravo... Kaoru.

A culpa agora dava socos em meu estômago, me fazendo sentir cada vez pior. Desliguei o secador pela última vez, e já não era sem tempo, pois meu cabelo há muito estava seco. Senti que agora eram os meus olhos que marejavam, e uma gorda lágrima desceu pela minha bochecha, descendo em direção ao assoalho. Me ajoelhei perto dele, enxuguei suas bochechas e o encarei profundamente, como se visse sua alma.

Eu não a vi. E isso me deixou ainda mais chateado.

Like shadows in a faded light

Oh, we’re invisible

I just wanna open your eyes, and make you realize.

— Você não entende! — de alguma forma eu havia me levantado, e agora estava gritando. — Você não entende, não é, por mais que eu demonstre! — Eu estava descontrolado, desvanecido, quase apagado; a única coisa que me mantinha ali era a minha voz, alta e enraivecida. — Eu te amo, Hikaru, é de mim que você precisa, e não dela! Ela não te conhece, não sabe do que você gosta, não sabe do que você precisa!

Hikaru me encarava, e talvez aquele brilho turvo nos seus olhos fosse medo. Mesmo assim, eu não conseguia parar.

Ela não te compreende, Hikaru! Será que você não viu, em todo esse tempo que nós vivemos, que o certo pra você sou eu? E mesmo assim, você continua a se encantar com a Haruhi, convidá-la para sair com o único intuito de que ela finalmente se apaixone por você e vocês possam viver juntos e felizes! Você não vê como é idiota, Hikaru? Não vê como isso deturpa meus sentimentos? Como me deixa confuso?

Respirei fundo algumas vezes, e então percebi o que eu tinha feito, o que eu tinha dito.

Eu tinha estragado tudo! Saí do quarto correndo, virei as esquinas de cinco corredores, subi uma escada e me tranquei no primeiro quarto que vi pela frente.

Notas finais
Reviews, né, gente. A fic tá quase no fim e meu aniversário está chegando, me dêem esse presente ;-;