Invisible
3 And all I think about,
Notas iniciais
Capítulo 3. And all I think about is how to make you think of me
There\'s a fire inside of you that can\'t help but shine through;
She\'s never gonna see the light,
No matter what you do.
And all I think about is how to make you think of me,
And everything that we could be.
Kaoru.
O homem que recolhia os pedidos logo foi embora, e eu me recostei na cadeira, emburrado, enquanto Hikaru e Haruhi conversavam calorosamente sobre alguma coisa. Alguma coisa sobre plebeus. Nada que me interessasse.
Eu estava emburrado, sim. Também, quem mandou o Hikaru dar uma de quem não me conhece logo agora? Isso acaba comigo, ele deveria saber, ele é o meu gêmeo. Não estou nem aí pra quem nasceu primeiro. ELE DEVERIA SABER!
— Hey, Kaoru, o que você acha de nós irmos no carrinho de bate-ba...
Virei a cara, encarando a montanha-russa, do outro lado do parque. Haruhi continuou comendo, e o Hikaru parou, embaraçado.
— Aaaah... Kaoru? — chamou ele, inseguro. Pude sentir a mão em meu ombro esquerdo, e então desisti.
— Que foi, Hikaru? — perguntei, meio que a contragosto, encarando-o com uma expressão descrente.
Aquilo pareceu assustá-lo.
Eu fiquei satisfeito.
Quem mandou, Hikaru? Quem mandou me ignorar e pedir um hambúrguer com os ingredientes errados pra mim? Você me deixou triste. Viu como é bom ser ignorado?
— Tudo... Tudo bem com você?
Por que os olhos deles precisam ser tão verdes?
E a pele dele tão pálida e macia?
E a expressão tão perfeitamente desenhada?
Por quê? Será apenas narcisismo da minha parte?
Digo, por ele ser igual a mim.
— Claro. — É claro que está, seu ruivo idiota (ou pior, nem ruivo mais. Seu cinza-escuro idiota). — Claro. Eu estou bem. Onde nós vamos depois, Haruhi?
Ela se voltou para mim e começou a discursar sobre os brinquedos de que mais gostava, feliz por eu ter voltado ao normal. Parecia estar mais solta, agora; talvez por causa da roda gigante.
Hikaru, é claro, bebia cada palavra que ela dizia. Mas não somente bebia, como simplesmente contemplava-a, como se a garota fosse a última das musas gregas; e então, quando ela terminou de falar (algo sobre brinquedos que faziam loops) ele riu e começou a comentar sobre os brinquedos favoritos dele.
Era lindo.
Quando Hikaru falava, é como se uma luz emanasse de todo o seu corpo, como se ele estivesse em chamas. Como se cada partícula do seu ser entrasse subitamente em combustão — algo impossível de se ignorar.
Lindo como um anjo caído do céu.
Lúcifer antes de se tornar o Mal.
Ou depois?
E então eu prestei atenção em Haruhi.
Por que ela não estava deslumbrada com o brilho? Por que não havia se prostrado aos pés dele, ou se derramado em declarações de amor? Será que ela não entendia que aquilo não podia ser presenciado por qualquer um? Será que ela não via?
Mas era exatamente isso.
Ela não via.
Oh, pobre, pobre Hikaru Hitachiin; pobre outra metade de mim. Não importa o que você fizer, ela nunca vai conseguir enxergar o que eu enxergo por trás de ti.
Ela nunca vai enxergar o anjo.
É isso o que você é, certo? Um anjo?
Porque é isso o que eu vejo, cada vez que olho para você. Eu me vejo ao seu lado, com tanta sorte por ter alguém que pensa exatamente igual a mim, com tanta devoção por você ser inteiramente meu. Eu te entendo, não é? Mesmo que você nunca declare isso em voz alta, eu saberei que sim. Nós temos uma só mente, e existimos em um só pensamento.
Nós somos um só. Sempre somos.
Então, por que você dedica toda a sua energia para fazer com que isso acabe?
Quando tudo o que eu quero é que nós dois continuemos como era antes. Não na parte do isolamento.
Na parte em que ficávamos sempre juntos.
x
Depois de alguns brinquedos, loops, ataques silenciosos de ciúmes e energéticos, eu e Hikaru voltamos para casa (antes deixamos a Haruhi em sua casa, claro. Posso ser ciumento, mas não sou idiota).
Talvez as coisas voltem ao normal, depois que eu saia do banho.
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