Invincible

15 This is not going to last forever


Meu corpo se enrijeceu e senti minhas mãos começarem a suar. Abaixei meu celular na mesa e me virei para trás.

Meus temores estavam corretos. Era ele. Não o ''ele'' que eu esperava, mas era o ''ele'' que eu torcia para ser.

– Nathan, o que você está fazendo aqui? — Perguntei olhando em seus olhos, meio cabisbaixa.

Nathan estava ofegante, como se tivesse vindo correndo até mim. Ele não respondeu nada, apenas veio andando rápido em minha direção, se aproximou de mim e me beijou.

Por um breve segundo, eu estava pensando o quanto estava com saudades do seu beijo.

Não consegui pensar em nada para fazer, então apenas virei meu rosto e lhe dei um bom tapa.

Consegui ouvir ao fundo alguém falando ''da uma chance ao garoto'' e foi quando percebi que ainda estávamos na cafeteria e todos a nossa volta estavam olhando para nós.

Me senti corar. Peguei Nathan pelo braço e o levei para fora.

– Você está louco? Vá embora daqui — Eu disse, virando as costas e tentando ir embora.

– Yasmin, espere — Nathan disse, segurando a minha mão — Não vou embora até que você tenha me perdoado e que tudo entre nós esteja resolvido.

Comecei a lembrar daquela noite, do jeito frio que ele falava comigo. Eu tinha cansado de chorar.

– Nathan, você já deixou bem claro pra mim que eu não passo de um brinquedo pra você, as palavras que você usou naquela noite não pareceram ser da boca pra fora — Respondi.

– Acredite, foram — Ele respondeu — Mais uma vez fui domado pelo ciúmes. Comecei a pensar que eu era um tolo que você jamais amaria e que o Jay te afastaria de mim. Então acabei dizendo aquelas coisas ridículas para você.

– Nathan, você sabia que eu nunca iria te amar da mesma forma que amei o Jay — Respondi — Agora, nem desprezo por você eu consigo sentir.

Nathan abaixou a cabeça.

– Nem tentando te apagar da minha vida eu consegui te esquecer — Ele disse — Meu coração nunca vai te deixar, por favor, me perdoa.

Continuei firme com os meus pensamentos.

– Sinto muito, você só perdeu seu tempo — Respondi.

Me virei e realmente fui embora. Cheguei até o elevador do prédio tentando ser forte e depois desabei em lágrimas.

Cheguei no apartamento e Anna estava sentada no sofá com o Tom. Passei correndo por eles e fui para o banheiro. Me apoiei na pia e comecei a lavar meu rosto, estava com uma leve tontura. Não queria que Anna se preocupasse comigo, eu iria falar que estava apenas com dor de cabeça, até porque eu estava mesmo.

– Está tudo bem? — Anna disse batendo na porta.

– Sim — Respondi abrindo — Só estou com um pouco de dor de cabeça, nada preocupante.

– Ah, é que você passou correndo, fiquei preocupada — Anna respondeu.

– Bobagem, não é nada demais — Respondi — Você tem algum comprimido?

– Sim, vai lá pra cozinha encher um copo com água que já te levo — Anna respondeu.

– Ok — Eu sorri e depois a abracei.

Fui para a cozinha e Tom logo depois apareceu.

– Você não está mal porque viu o Nathan, está? — Ele perguntou.

– Sabia que você estava nessa história junto com ele, pra que Tom? — Eu disse.

– Não sei se você percebeu, mas ele realmente gosta de você e sente sua falta — Tom disse.

– Se ele realmente gostasse, não teria feito o que fez, né? — Respondi.

Antes de Tom responder, Anna apareceu com o comprimido.

Tomei ele com longos goles d'água e estava indo em direção do meu quarto, para tentar dormir um pouco. Até que a campainha tocou.

– Quem será numa hora dessas? — Anna perguntou.

Eu olhei para o Tom ao mesmo tempo que ele olhou para mim.

– Deixa que eu atendo Anna — Respondi.

Abri a porta com raiva e disposta a gritar com o Nathan.

– Nathan... Nathan... — Comecei a falar algo, mas senti as coisas perderem o seu foco, fui ficando zonza, as imagens do meu campo de visão começaram a mexer e depois senti tudo ficar escuro, como se tivessem apagando as luzes de um quarto sem janelas aos poucos.

Quando acordei, deparei com uma luz forte acima da minha cabeça. Fui abrindo os olhos lentamente e tive certeza que não estava em nenhum cômodo que eu conhecia.

Comecei a olhar em volta e percebi que Anna estava sentada em uma poltrona perto de mim e que havia soro sendo injetado em minhas veias.

– Anna — Falei baixinho.

– Yasmin, graças a Deus — Ela se levantou da poltrona e se posicionou ao meu lado.

– O que aconteceu? Por que estamos no hospital? — Perguntei meio assustada.

– Você desmaiou de repente, então trouxemos você aqui e os médicos fizeram alguns exames pra ver se está tudo certo — Anna respondeu.

Nesse momento, um médico entrou no quarto e interrompeu nossa conversa.

– É bom ver que você já está acordada, tudo bem? — Ele disse.

– Estou ótima, acho que foi exagero da Anna me trazer até aqui — Respondi.

– Creio que não — Ele respondeu — Não sei se você já fez algum teste, mas os resultados foram positivos. Você está grávida há 9 semanas.

Eu e Anna nos entreolhamos.

– Espera um pouco, eu estou grávida? — Perguntei.

– Sim, exames de sangue apresetam pequenas chances de falharem — Respondeu o médico.

– Não, isso é impossível, não tem a remota possibilidade de eu estar grávida, cometeram um erro — Eu disse.

– Tem certeza disso? — Anna perguntou.

– Cla... — Minha frase foi interrompida pelos meus pensamentos. Eu estava me esquecendo de um só detalhe, aquela noite junto com o James.

Comecei a chorar e tanto Anna quanto o médico tiveram certeza da minha resposta.

- Isso não pode estar acontecendo Anna, não pode — Eu chorava tanto que até soluçava.

Quando eu realmente acho que as coisas começam a dar certo, elas voltam ao seu ponto de partida. Parecia que eu estava sendo submetida a algum tipo de teste, aqueles do tipo ''até quanto você consegue suportar?''.