Invincible
16 Tonight could be forgettable
- Já parou? — Anna perguntou.
Ela estava fazendo de tudo para me acalmar. Eu estava no estágio da negação. Já tinha parado de chorar a um tempo e agora o que eu sabia dizer era algo como ''não está acontecendo comigo''.
- Anna, isso só pode ser bricadeira — Eu disse.
- O próximo estágio é a raiva? — Anna disse fazendo piada.
- Não tem graça Anna, como eu vou falar pra minha mãe? Como eu vou falar pro Jay? — Perguntei.
- Olha, acho que isso é com você — Anna respondeu.
Fomos interrompidas pelo Tom entrando no quarto.
- Tudo pronto, estão prontas pra ir? — Ele perguntou.
- Sim — Anna respondeu.
- Será que vamos precisar de uma van pra Yasmin entrar? — Tom perguntou rindo de mim.
Revirei os olhos e a Anna deu um leve soco no braço dele. Será que todos estavam levando isso na brincadeira?
Saímos do quarto e logo demos de cara com o Nathan. Ele se levantou assim que nos viu e veio andando até o nosso encontro. Parou na minha minha frente e sem pensar duas vezes, corri para os seus braços. Ele me abraçou com força e eu comecei a chorar.
- Me desculpa, por favor, por tudo — Falei, lhe abraçando com força.
- Você não tem porque pedir desculpas, estarei sempre ao seu lado, por mais idiota que você seja — Nathan respondeu.
Sorri e lhe dei um beijo no rosto.
- O idiota é você — Respondi.
Minha vida se facilitaria de uma forma grotesca se o Nathan fosse o pai dessa criança. Me sinto realmente idiota por não ter o amado da mesma forma que ele me amou.
Tom deixou eu e Anna no apartamento e saiu com o Nathan.
Consegui dormir um pouco, hoje eu teria que arrumar alguma forma de contar para a minha mãe e para o Jay.
Conversei com a Anna e ela sugeriu que eu passasse uns dois dias em Londres com a minha mãe. Concordei, contar pelo telefone não seria uma coisa tão boa, ela seria capaz de vir para Liverpool me bater.
Anna me ajudou com a passagem e hoje a tarde eu já estava saindo da estação. Liguei para Amanda e contei sobre a minha chegada e sobre tudo o que eu havia descoberto ontem.
Custei para acha-la mas logo depois nos encontramos.
- Que saudade — Eu disse a abraçando com força.
- Muitas saudades, por que demorou tanto tempo pra vir? Acho que você já começou a ganhar peso — Amanda disse, indiscretamente.
- Que exagero, são só 9 semanas, não é perceptível — Respondi tocando minha barriga, procurando algum volume.
- Estou brincando — Amanda sorriu e me abraçou novamente — Minha mãe está esperando no carro e vai te deixar em casa, ok?
- Boba, claro, obrigada pela ajuda — Respondi.
Tia Cristina me deixou na frente de casa. Coloquei a mão nos bolsos do meu casaco e fiquei enrolando. Pensei em algo pra falar e finalmente bati na porta.
Minha mãe demorou alguns segundos.
- Pois não? — Ela disse, abrindo a porta devagar.
- Olá — Eu disse com um leve sorriso.
- Yasmin — Minha mãe deu um longo sorriso e me abraçou — Que saudades, como está lá em Liverpool? Tudo certo com a escola? Quer um chá? Por que não me avisou que viria?
- Está ótimo. Mãe, eu vim aqui com intuito de te contar algo — Respondi.
Nesse momento minha mãe parou de me abraçar.
- O que aconteceu? Houve algo com você ou com a Anna? — Ela perguntou.
- A Anna está ótima, vim pra cá para conversar com você sobre mim — Respondi, entrando na sala.
- Ah Yasmin, não me deixa preocupada, o que aconteceu? — Ela perguntou, sentando no sofá.
Sentei na frente dela.
- Noite passada eu passei mal e a Anna me levou pro hospital — Comecei — E o médico me deu a noticia que eu estou grávida.
Minha mãe ficou em silêncio, o que me preocupou. Eu estava esperando gritos, o silêncio me torturava.
- Por favor, fala alguma coisa — Eu disse.
- Preciso realmente falar? — Ela disse — Você sabe tudo o que eu vou dizer. Sempre falei sobre tudo com você, você fez certo em me contar.
- Mãe, para, por favor... — Eu disse.
- Você sabe as consequências que virão, você que arcará com elas — Ela respondeu.
- Eu sei disso mãe, eu só preciso do seu apoio, não suportarei você me odiando — Respondi.
- Não vou te odiar, só estou decepcionada com você — Ela disse, subindo pro quarto dela.
Mexi no meu cabelo, bufei e encostei no sofá. Contar pro James seria pior, parte disso é culpa do meu orgulho. Sinto que estou errando indo atrás dele, mesmo tendo um motivo realmente sério.
Dormi um pouco e quando acordei vi inúmeras ligações do Nathan, retornei pra saber o que ele queria.
- Nathan? — Perguntei.
- Oi, chegou bem em Londres? — Ele perguntou.
- Sim, foi tudo ótimo, o difícil foi falar com a minha mãe — Respondi.
- Ela brigou muito? — Nathan perguntou.
- Não, exatamente por isso, ela não brigou, apenas deu uma lição de moral e falou que eu ia ter responsabilidade de tudo, o que foi pior, sinto que ela está brava — Eu disse.
- É temporário, não se preocupe com isso, ela vai te ajudar — Ele disse.
- Assim espero — Respondi.
- Já falou com o Jay? — Nathan perguntou.
- Ainda não, estou tentando tomar coragem, vou pedir pra me encontrar com ele — Eu disse — Quer vir aqui depois disso?
- Sua mãe não me matará? — Nathan disse.
Rimos um pouco.
- Acho que ela desconfia que você é o inocente — Respondi rindo.
- Menos mal, então apareço por aí, até mais tarde — Nathan disse.
- Até — Respondi.
Conversar com o Nathan me fazia sorrir.
Achei melhor não falar com o Jay pelo telefone, eu não conseguiria falar nada. Então mandei ''Preciso muito falar com você, me encontra na Cabot às 08:00 — Yasmin''.
Fui para Cabot sem ter muitas esperanças de encontra-lo, sentei num banco e esperei. Esperei por longos 40 minutos e ele não tinha aparecido. Decidi ir embora quando ouvi sua doce voz.
- Já vai indo? — Ele disse com um sorriso de lado.
- Acho que alguém não tem relógio — Respondi.
- Desculpa — Ele sorriu — Como andam as coisas?
- Jay, não pretendo prolongar conversa, só vim aqui para te falar uma única coisa — Eu disse — E é importante.
- Ok, desculpa novamente — Ele disse — Pode falar.
- Eu estou grávida e você é o pai — Eu disse pausadamente — Tenho certeza disso, não vim te cobrar nada, só vim te avisar isso.
- Você está brincando né? — Jay disse sem o seu sorriso bobo — Diga que sim.
- Bem que eu queria estar — Respondi — Mas é verdade.
- E agora? Você vai ter essa criança? — Jay perguntou.
- Claro que eu vou ter, eu não faria nada desse tipo — Eu disse.
- Eu não posso ter um filho Yasmin — Jay disse.
- Não é você que vai ter, não é você que vai abandonar uma vida normal para cuidar de uma criança, não estou cobrando nada de você, só vim te avisar — Respondi.
- Não entenda que eu não vou te ajudar, só estou falando que não quero e nem serei presente na vida dessa criança — Jay respondeu.
Isso me atingiu bem no fundo. Ele praticamente estava falando que não estava nem aí pra nada.
- Ok, já entendi, ter uma vida cheia de mulher e bebida é melhor do que ter uma vida normal — Respondi com raiva.
- Lá vem você com isso de novo, para de falar isso, você sabe que não, eu já disse que vou fazer o que puder, pra quem não estava exigindo nada já está exigindo muita coisa né? — Jay respondeu.
- Falha minha achar que você tinha mudado, só perdi meu tempo, esquece o que eu te disse, agora quem não quer que essa criança tenha um pai sou eu — Respondi, me virei e fui embora.
Cheguei em casa com raiva, bati a porta e fui subindo as escadas.
- To vendo que foi ótimo — Nathan disse sarcásticamente.
Voltei e vi ele sentado no sofá.
- To vendo que minha mãe não te matou — Respondi sorrindo.
- É, a gente até conversou, ela falou que você devia ter consciência como eu — Nathan disse brincando.
- Só que ela não te conhece né — Respondi.
Sorrimos e sentamos no sofá um do lado do outro.
- Então, você está bem? — Nathan perguntou.
- Estou tonta e muito cansada, mas estou bem, topa ver um filme? — Perguntei.
- Tonta você sempre foi né — Nathan disse cutucando meu ombro — Topo.
- Idiota — Respondi.
Achamos um legal passando na tv. Cruzei as pernas e me aconcheguei no Nathan. Ficamos conversando e batendo nossas mãos até que a campainha tocou.
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