Invincible

14 Take a moment, listen please


E pela segunda vez em minha vida, eu chorava como se não ouvesse um amanhã.

Perder o James foi uma coisa muito, mas muito difícil mesmo. Mas eu nunca me apeguei tanto a ele como era apegada com o Nathan. Seria, de fato, muito mais difícil viver sem o Nathan. Ele já era um irmão que sempre me ajudava quando eu precisava, mas que agora havia me magoado também.

Pensei muito sobre o ocorrido. Ele não faria isso por vontade própria, custei a acreditar, mas sei que ele não faria.

Isso não importou muito depois, de qualquer forma, ele só provou que qualquer pessoa pode fazer sua cabeça. E que eu não era importante pra ele da mesma maneira que ele era para mim.

Agora eu tinha certeza somente de uma coisa, minha vida em Londres não era mais necessária. Se eu ficasse por aqui, ia fazer minha mãe e a Amanda se preocuparem de novo e eu não queria isso.

Quanto antes eu saísse daqui, melhor. Ninguém sentiria minha falta, ninguém perguntaria por mim.

Resolvi falar com a Anna, a namorada do Tom. Ela havia se mudado para Livepool à algumas semanas por conta dos estudos e estava morando sozinha em um apartamento grande, como me disse no seu último e-mail.

Ficar por lá com ela foi a decisão que eu tomei. Não quero mais dar trabalho para as pessoas que eu amo.

Custei para dormir e sonhei com o Nathan a noite toda. Relembrei nossos melhores momentos e amanheci ainda com lágrimas nos olhos.

Tive uma longa conversa com a minha mãe quando ela voltou do trabalho. Expliquei que precisava dar um tempo ao tempo, falei que queria começar uma vida nova.

Quando ela perguntou o motivo para isso, não fui forte o suficiente para responder e ela finalmente entendeu. Disse que era pra eu falar com a Anna que ela cuidaria das coisas da escola. Eu partiria amanhã.

Mandei uma mensagem pra Amanda contando tudo o que havia acontecido e ela estava batendo na porta do meu quarto 15 minutos depois.

– Oi — Eu disse, de pé dobrando roupas e colocando-as na mala.

Amanda abriu dando um sorriso torto, entrou e sentou em minha cama.

– Então é verdade — Ela disse olhando para o chão.

Coloquei um montinho de roupa em cima da mala e sentei ao lado dela.

– Você sabe que eu não vou ficar lá por muito tempo, não te deixarei aqui sozinha, sua boba — Eu disse.

Eu tentava parecer uma pessoa alegre. No fundo, eu estava sendo corroída por mim mesma.

– Promete que volta em 6 meses no máximo? — Amanda disse.

Sorri.

– Não ficarei lá todo esse tempo, não se preocupe, prometo sim — Respondi.

Nos abraçamos e ela me ajudou a terminar de arrumar as coisas.

No dia seguinte, estávamos bem cedo na estação. Minha mãe e a Amanda choravam tanto quanto eu.

Nossa despedida foi dolorosa como qualquer outra. Mas eu tinha certeza que a escolha era a certa.

Foram longas e pensativas horas até a minha chegada em Livepool. Quando desci do trem já pude ver Anna e seu belo sorriso.

Ela veio ao meu encontro e me deu um longo abraço.

– Bem vinda a Liverpool, a terra dos Beatles — Ela disse animada.

Me lembro que meu maior sonho era conhecer Liverpool por conta dos Beatles ou do Titanic, agora, era apenas uma cidade normal.

– Obrigada mesmo por me deixar ficar com você — Eu disse ainda abraçando-a.

Anna sorriu mas ficou séria logo depois.

– Estou muito feliz por ter você aqui, mas sinto que ainda temos que conversar — Ela respondeu.

Concordei com a cabeça e ela me ajudou com as malas.

Algum tempo depois, chegamos em seu apartamento. Anna me mostrou o quarto que tinha deixado arrumado para mim e colocou minhas coisas lá.

Tomei um longo banho e depois comecei a organizar o meu novo quarto.

Alguns minutos depois Anna bateu na porta.

– Olá, posso entrar? — Ela disse.

– Claro — Eu respondi.

– Vim perguntar se você está com fome — Anna disse.

– Não, obrigada Anna — Eu disse.

Ela andou pelo meu quarto e se sentou na minha poltrona.

– Vamos lá, conte-me o que aconteceu, não quero você triste aqui também — Ela disse.

– Ah, é bobagem — Respondi.

– Olha, se te machucou, não é né? — Ela respondeu.

Ok Anna, foi uma boa resposta. Parei por um segundo e encostei na parede.

– Eu... Eu acho que meu coração foi quebrado em maneiras que eu nem sabia que poderia ser — Respondi.

– E desde quando isso é bobagem? — Anna respondeu — Olha, vou te dizer uma coisa, nenhum sentimento de dor é para sempre, não se esqueça disso. Tudo vai ficar bem e eu não quero pegar você triste ou chorando por aí, promete?

Dei um leve sorriso.

– Ok Anna, prometo — Eu disse, ela me desejou boa noite e saiu do quarto.

O resto do meu mês foi relativamente super parado em relação à essas semanas que eu passei. Minhas aulas começaram e a vida voltou a ser monótona.

Eu via a Anna poucas horas por dia por conta dos nossos horários alternados. Passávamos alguns fins de semana juntas, isso é, quando o Tom não vinha vê-la e eu ficava sozinha no meu quarto ouvindo eles... Hã... Conversarem...

E bom, como hoje já é sexta, o Tom está vindo para cá e a Amanda tem trabalhos da escola pra fazer, acredito que passarei minha noite na cafeteria aqui na frente do prédio.

Peguei meu cachecol e fui atender a porta. Tom chegou e me cumprimentou.

– Posso saber aonde você vai? — Annaa disse abraçada com o Tom.

– Vou aqui na frente comprar um bom capuccino — Respondi.

– Mas está tão frio lá fora, vai demorar? — Ela disse.

– É melhor tomar café no frio do que ficar aqui no meu quarto ouvindo os gemidos e os socos na parede, acredite — Dei um sorriso sarcástico, ri um pouco e saí.

Cheguei no café e tinha uma fila enorme para fazer o pedido, então resolvi me sentar em uma das mesas.

Estava mexendo no meu celular quando ouvi algo inesperado.

– Yasmin? — Disse uma voz, que vinha atrás de mim.