Invincible
13 I'm gonna see some friends
Amanda foi tagarelando o caminho inteiro. Inteiro mesmo.
Estava me contando dos dias em que ela aproveitava as férias enquanto eu ficava triste e deprimida em casa.
Bom, por mim, eu ainda estaria triste e deprimida em casa.
Mas fui arrastada até o shopping onde eu teria que ficar ''feliz'' e aguentar um filme de 1:30 no cinema com a Amanda.
Ela entrou em umas duzentas lojas, comprando tudo o que via e ainda me obrigou a comprar algumas coisas. Não irei negar, me animei muito. Amanda fazia umas caras e uns bicos com cada roupa que esperimentava, ri como nunca.
Logo depois fomos finalmente ao cinema.
Deixei a Amanda escolher qualquer filme, como eu a conhecia, sabia que seria um romântico bem piegas.
Não prestei atenção em qual, até na hora dele começar. Era a continuação de uma saga que tinha ficado bem famosa um tempo atrás.
No começo achei que era mais um filme desses que a Amanda amava ver, mas era totalmente diferente.
A história era parecida com a minha.
Contava sobre um vampiro que aparentemente amava uma humana, mas que decidiu ir embora, simplesmente do nada, sem razões, motivos ou explicações. Ele apenas falou adeus e sumiu.
Ela ficou sozinha e para vê-lo, ela praticamente se matava fazendo coisas perigosas.
Acho que esse filme me acordou. Ou foi um acaso muito por acaso ou a Amanda queria esfregar na minha cara o quanto eu estava sendo trouxa.
Me senti como a Bella, o meu Edward tinha sumido e tinha levado minha vida com ele.
Chorei, me distanciei dos meus amigos e muitas vezes pensei em ir atrás dele... Mas do que adiantaria?
Acho que a escritora dessa saga tinha acabado de me dar um bom tapa na cara.
Saí do cinema com a Amanda ainda aos prantos por Bella e Edward terem ficado juntos no fim. Não achei razão para tanto choro, Edward disse que se afastou dela para protege-la, mas não tinha nexo, eu jamais o perdoaria, mesmo o amando.
Mas acho que minha opnião não é considerável, meu orgulho é maior do que tudo.
Estávamos andando com muita dificuldade pela praça de alimentação, quando a Amanda parou e segurou meu braço.
– Aquele é o... — Ela disse, apontando perplexa.
Olhei para e direção que ela indicava e era ele.
Sim, o James. No mesmo shopping que eu estava. A menos de 4 metros de mim.
Era o mesmo de sempre, cachos lindos, olhos brilhantes. A diferença? Estava abraçado com uma linda garota loira.
Se eu fosse a antiga eu, se eu ainda fosse a Bella, começaria a chorar e sairia correndo de lá. Mas pra que fazer isso? Eu sempre soube, internamente, que ele tinha outra garota.
– Não presta atenção Amanda, vamos logo — Eu disse por fim.
Amanda estava com uma expressão de fúria, mas veio atrás de mim.
Chegamos ao estacionamento e ficamos sentadas em um banco logo a frente de uma das portas laterais.
– Olha, não sei o que dizer, mas você sabe, não precisa bancar a durona na minha frente, entendo sua tristeza — Amanda disse com um olhar amigo.
– Se você está dizendo que eu posso chorar na sua frente, te aviso que isso não vai acontecer — Disse sorrindo — Não vale a pena Amanda, demorei pra perceber, mas entendi.
Ela deu um sorriso e me abraçou. Seu abraço era confortante, um dos melhores do mundo.
Começamos a ouvir risadas de um casal que estava saindo em uma das portas e olhamos para frente.
Bom, eles também olharam para nós...
Ele olhou para mim, da mesma forma que eu tinha olhado para ele. Ele ficou sério e pude ouvir a namorada perguntando o que houve de errado. Ele desviou o olhar de mim, respondendo que estava tudo bem e saiu, ao lado dela, novamente.
Pouco depois a Amanda começou a rir.
– Viu só a cara dele? Bem feito, quem mandou ser um canalha assim? — Ela disse.
Ela começou a falar um monte de baboseiras e eu ria sem parar.
– Olha, apesar de tudo, acho que vocês vão acabar como Bella e Edward– Ela disse cutucando meu ombro.
– Amanda, nem brinque com isso — Eu disse — Não seriamos como Bella e Edward nem querendo muito, na verdade, não seriamos nada nem querendo muito.
Minha mãe veio nos buscar e eu fiquei pensando no assunto, seria eu e Jay como Bella e Edward? Estava crente que jamais seriamos ser assim.
Nathan começou a me fazer falta.
Ele era outro que estava de rolo por aí, da última vez que estive em sua casa, fui praticamente mandada embora porque ele tinha um encontro.
Mas isso faz realmente muito tempo, três semanas ou um mês, ele ainda estava de perna quebrada quando o vi pela última vez. E agora a saudade estava apertando.
Cheguei em casa e corri para o telefone, mas estava sem coragem.
Nathan não me ligou nenhuma vez sequer quando eu estava ''sumida''. Então me fez pensar que ele estava bravo com alguma coisa que eu fizera ou esses pensamentos bobos que veem a cabeça quando uma pessoa que você gosta fica sem falar com você por muito tempo.
Mas tomei coragem e liguei. Chamou por um tempo e logo ouvi sua doce voz.
– Alô? — Ele disse.
– Oi Nathan — Respondi.
– Yasmin? Nossa, quanto tempo, tudo bem com você? — Ele perguntou.
Suas respostas estavam muito automáticas, como se não quisesse conversar.
– Verdade, estou com muita saudade de você, vai fazer alguma coisa hoje a noite? — Perguntei.
– Hã, olha, não posso conversar com você agora, mais tarde te ligo, tudo bem? — Nathan respondeu sendo frio.
– Erm, ok, até mais — Respondi e desliguei o telefone.
Nathan nunca agiu assim comigo, alguma coisa estava errada. Eu não podia fazer muita coisa sobre esse ocorrido, então apenas esperei sua ligação.
Quando ele me ligou eram quase 01:00am.
– Yasmin? — Ele perguntou.
– Por que está ligando tão tarde? — Perguntei.
– Você pode ir pra frente da sua casa? Estou aqui perto e preciso realmente falar com você — Ele respondeu, ignorando minha pergunta.
– Tudo bem — Respondi.
Joguei uma água no rosto e desci as escadas. Saí para fora e ele estava na frente da casa, encostado em um dos pilares, olhando para o céu.
– Nathan? — Perguntei
Ele se virou para mim e eu fui em sua direção abraça-lo.
– Que saudade de você, por que não podia falar comigo aquela hora? Você não sabe a fal...
– Olha Yasmin, não podemos mais ser amigos — Ele disse sendo rápido e me interrompendo.
Nesse momento, parei de sorrir.
– Como assim? Para de brincadeira Nathan, não tem graça nenhuma — Respondi.
– Não é brincadeira, vim aqui apenas para pedir que não me ligue de novo — Ele respondeu.
Não parecia ser brincadeira mesmo.
– Por que está fazendo isso? — Perguntei.
Minhas lágrimas começaram a surgir e só bastava eu piscar para que elas caíssem.
– Lembra que você disse que eu não te devia satisfações? — Ele respondeu, continuando grosso e cada vez mais, me machucando.
Minhas lágrimas caíam sem eu ter controle sobre elas. Não estava entendendo porque isso estava acontecendo, por que o Nathan estava fazendo isso?
– Nathan, você é meu melhor amigo e é uma das pessoas que eu mais amo na vida! Você é doce, meigo e tudo o que eu poderia pedir em alguém, por favor, me diz o que eu fiz de errado — Eu disse chorando.
Por um segundo, Nathan pareceu ter voltado ao normal. Mas deve ter lembrado a razão de estar fazendo isso.
– Eu... Só... Sinto muito, preciso ir agora — Ele disse, se virando, indo embora normalmente, como se eu não estivesse ali suplicando para que ele ficasse...
E como a história dizia, Bella perde o Jacob também.
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