Invincible
12 I hear your heart cry for love
Notas iniciais
– Você ta brava né? — Nathan continuou insistindo — Vai, não fica brava.
Continuei o ignorando, mas tentar almoçar com uma pessoa irritante no seu ouvido é totalmente inconveniente. Nathan agir como uma criança me irritou.
– Eu sei que eu estou te irritando — Nathan disse — E não vou parar até você ser gentil comigo.
– Ok, não aguento mais — Eu disse — Não estou brava.
Nathan olhou pro lado e suspirou.
– Você entendeu né? — Ele disse.
– Entendi o que? — Respondi
– O porquê te pedi em namoro aquele dia — Nathan continuou.
– Nathan, já entendi que você não quer conversar — Eu disse — Não faça isso como obrigação.
– Não to fazendo isso como obrigação, eu realmente devo explicações disso pra você — Nathan disse — Como eu te disse, te pedi em namoro por medo de te perder ou puro ciúmes, não sei, achei que com isso, você seria realmente minha. Mas percebi que eu estava sendo um idiota por isso. Por isso achei que deveriamos terminar, mas bom, como você viu, não aceitei isso direito.
Dei um leve sorriso.
– Você sabe que sempre será meu né? Então não faça mais besteiras, você já tem um nível de idiotice bem elevado — Eu disse rindo.
– Ah, idiota é você — Ele disse sorrindo pra mim.
O ajudei a levantar e comecei a tirar a mesa. Nathan me ajudou com a louça e depois passamos o resto da tarde vendo filmes, jogando conversa fora e tacando pipoca um no outro.
Começou a escurecer e ainda estávamos jogados no sofá vendo tv.
– Que horas são? — Nathan perguntou.
– São 18:50 e já é a quinta vez que você pergunta as horas — Eu disse — Você tem algum compromisso?
– Hã, na verdade tenho sim, vou sair com uma pessoa que eu conheci antes do acidente — Ele disse tentando não prolongar a conversa.
Provavelmente esse ''antes do acidente'' foi no bar que ele tava se matando de beber...
– Ah, ok, então eu já vou indo né, não quero te atrasar — Eu disse me levantando.
Me levantei e estava indo em direção à porta.
– Ei — Olhei para trás e ele disse — Você não vai ficar brava né?
Sorri e respondi.
– Claro que não, você tem que parar com essa mania — Eu disse — Você não depende das minhas opiniões para viver sua vida.
Nathan deu um sorriso.
Continuei andando quando ele me chamou de novo.
– Yasmin... — Ele disse.
– Fala Nathan — Eu disse me virando de novo.
– Você é a melhor, obrigada por ter me ajudado hoje — Ele disse.
– Imagina, sempre vou te ajudar, mesmo você sendo idiota — Eu disse sorrindo.
Quando eu saí, ainda consegui ouvir ele gritando ''você é mais''
Saí da casa do Nathan e fui pra minha casa. Como minha mãe trabalharia hoje a noite e eu não estava com a mínima vontade de ficar sozinha, pedi pro Jay ir dormir comigo.
Ele não demorou muito tempo para chegar na minha casa, mas estava agindo de uma forma diferente, não consegui pensar em razões para isso, mas ele parecia inquieto.
A noite estava bem fria, na verdade, acho que uma das noites mais frias que eu havia enfrentado em Londres. Então decidimos não sair, apenas ficamos deitados no sofá vendo filmes.
– Você está estranho hoje, aconteceu alguma coisa? — Eu finalmente quebrei o silêncio.
– Estranho? Ah, estou apenas pensativo — Ele retrucou.
– Pensativo? Pensando em que? — Perguntei.
Ele olhou para baixo, seu olhar parecia que estava muito além da sala da minha casa, algo estava errado, eu sei que estava.
– Jay? — Perguntei novamente.
– Desculpa, ah, preciso conversar um assunto sério com você — Ele disse.
Ótimo, ele disse aquelas palavras que preocupam qualquer pessoa, ficamos poucas horas sem nos ver, ele não podia ter algo realmente grande, não grande de tamanho ou altura, mas algo grande o suficiente para me magoar.
– Olha, Yasmin, você sabe que foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida... — Ele começou, sentando no sofá.
– Jay, você está me assustando, vai direto ao ponto — Eu falei quase com lágrimas nos olhos e um aperto enorme no coração.
– Você sabe que tivemos muitos altos e baixos, mas andei pensando, acho que realmente a nossa relação não tinha acontecer, e bom, não quero te magoar, mas acho que agora não temos mais como continuar juntos — Jay concluiu.
Eu não conseguia pensar direito, talvez estivesse falando da boca pra fora, ou talvez não. Ele não poderia estar falando sério, realmente não poderia. Ele sabe que o amo mais que tudo, como pode estar dizendo palavras assim?
– Por que está falando isso? — Minhas lágrimas começaram a se transformar em pedras e meu doce coração se endureceu — Não precisa responder, eu sei a razão, você não se prende a ninguém, não é? Comecei a gritar, realmente me discontrolei.
– Não consegueria ter uma vida séria nem que tentasse e fizesse muitos esforços. Está com saudades da vida em bares, acordando cada dia na cama de uma mulher diferente, quem garante que não fez isso ao mesmo tempo que dizia que me amava?
– Você sabe que... — Jay tentou argumentar algo, mas o interrompi.
– Não precisa me falar mais nada — Eu já entendi o suficiente — Conhece a saída, por favor, vá e não volte nunca mais.
– Por favor, isso não precisa acabar assim — James disse delicadamente.
– Ah não? Como seria melhor se acabasse? Eu vendo você engolindo outra mulher? — Respondi, minhas lágrimas que tinham se contido, voltaram a cair — Só vai embora.
Senti que ele tinha mais alguma coisa para falar, mas deixou de lado, percebeu que me magoou o suficiente e foi embora. O que é bem típico dos homens.
Não quis pensar em mais nada, chorei, e chorava mais do que criança fazendo birra. Eu não entendia essa necessidade de chorar, mas apenas chorava. Se passava pela minha mente que eu nunca mais o veria de novo, e se o visse, estaria como o vi da primeira vez. Sentado em uma casa noturna, tão bêbado quanto qualquer outra pessoa encontrada no local.
Meus meses convivendo com o James jamais serão esquecidos, mas chega, decidi, prometi a mim mesma, não o aceitaria de volta nem no pior dos casos.
Passaram dias e meu isolamento só aumentava, recebi inúmeros convites pra sair, mas recusei todos. Não estava aceitando bem esse fato, eu realmente me achava parecida com a Blair Waldorf, mas nesse momento, não sou digna nem do Nate, quem dera ter forças e razões para lutar pelo Chuck.
Cansei disso e liguei para Amanda, ela como minha melhor amiga, logo percebeu minha voz de choro. Tive que apenas falar seu nome, que sem perguntas nenhuma, em menos de 10 minutos estava na minha casa me apoiando.
Ainda não contei a razão de tantas lágrimas, mas é por isso que ela é minha melhor amiga, deve ter deduzido algo. Ficou me animando e me fez jurar que amanhã iria com ela ao shopping.
''Para comprar pelo menos um sorvete'' ela disse sorrindo. Mesmo eu tendo ao meu lado essa pessoa maravilhosa, estava realmente mal.
Consegui dormir o suficiente para acordar e ir ao shopping com a Amanda amanhã.
Queria que a minha vida fosse como aqueles filmes que tem o botão de passar cenas, na verdade, eu apenas queria que eu ficasse bem no final e conseguisse esquecer qualquer James ou Jay que já havia entrado na minha vida.
Amanda me acordou bem cedo no dia seguinte. O sorriso em seus lábios queimava meus olhos, como alguém consegue ser tão feliz pela manhã?
– Ok, não é porque você está mal que tem que dormir até meio dia, ficar de moletom o tempo inteiro e comer como um obeso perdido — Ela disse.
Obeso perdido? Obrigada Amanda, tocou meu coração. Espera, qual?
– Seria muito coisa de obeso perdido dormir sem uma amiga irritantemente feliz enchendo o saco? — Retruquei.
– Seria, por que quem te chamaria de obesa perdida? — Ela respondeu rindo.
Maldita, onde está minha mãe pra me acorrentar na cama?
– Não quero sair de casa hoje, como vou contar pra minha mãe que perdi o amor da minha vida sendo que eu tenho quase certeza que ela sabia que eu tinha um? — Falei.
– Sabia, sim, ela sabia — Amanda disse — Você não esconde as coisas de uma maneira boa, estava escrito na sua testa.
– Ok Amanda, você está me irritando.
Ela apenas sorriu e praticamente me tacou no banheiro.
''Não saia daí até ser linda, maravilhosa e menos resmungona de novo'' consegui ouvir ela gritar.
Vou ficar aqui o resto da minha vida então, ou ficaria, se não tivesse fazendo um frio enorme, como daquela antiga noite. Argh, aquela que eu insisto em lembrar.
Saí do banheiro e o aquecedor do quarto já estava ligado, obrigada meu bom pai.
Me vesti com pressa para não ser congelada e comecei a sentir o cheiro maravilhoso que vinha da cozinha, desci as escadas esperando encontrar o James (que eu insisto em lembrar) mas encontrei minha mãe fazendo um café maravilhoso.
– Bom dia, está melhor hoje? Finalmente alguém fez você voltar a vida né... — Minha mãe sorriu e me abraçou.
– Sou adolescente, você deveria apenas me alimentar e me amar, sem fazer comentários irritantes — Rebati.
– Seu mal humor não muda né? Amanda foi pra casa dela tomar um banho e disse que logo estaria de volta — Minha mãe respondeu.
Esperei Amanda voltar e a sua mãe nos levou ao shopping, que por acaso eu não ia a séculos.
Senti falta de ter uma vida.
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