Inverno Da Alma
1 Prólogo: Um abismo frio e escuro
Notas iniciais
Esse é apenas o começo do drama e da redenção do Warz Gil.
De repente, o frio pareceu bater em mim. Não sabia onde estava, não lembrava de nada do que havia acontecido, minha mente estava escura, o frio era tão intenso, tão cortante, que até minhas veias pareciam senti-lo. Dizem que esquecemos porque precisamos, mas por que precisamos esquecer? E o que precisamos esquecer?
A verdade é que as lembranças em minha mente eram vagas, turvas como as águas poluídas de um rio, como se eu tivesse de mergulhar profundamente para ver o que realmente havia acontecido comigo. A única coisa que eu sabia verdadeiramente era que eu estava mudado, diferente. Que meus traços, meu corpo, até mesmo minha personalidade estavam estranhos para mim.
Mas quando ouvi uma explosão, que na verdade era um relâmpago, tudo pareceu voltar com força total. Eu me lembrava, sabia o que acontecera comigo.
Uma vida inteira trancado em um palácio, uma ordem para conquistar a Terra e uma derrota humilhante.
Depois, a regeneração, o meu novo eu, minha nova vida, mas tudo o que eu conhecia, morto, destruído, aniquilado.
Agora, a minha vida arruinada. O meu coração: somente trevas. A minha alma: fria e morta. O que restava de mim? Nada.
Tudo era escuridão, dor, tormenta, tristeza, lágrimas.
Andei por aquele chão deserto à procura de um lugar onde pudesse dormir ou uma árvore onde eu pudesse me enforcar, quando um ensurdecedor barulho ( http://www.youtube.com/watch?v=TMlle0gBZ7Q ) que parecia uma máquina a vapor com defeito adentrou meus ouvidos com uma força tão absurda que por um momento achei que ficaria surdo e quando eu menos esperava, uma caixa azul que era muito estranha de fato se materializou vagarosamente diante dos meus olhos, a pelo menos sete metros de distância.
O que era aquilo? Me perguntei enquanto andava a passos lentos em direção ao local, mas estaquei no meio do caminho quando vi três pessoas saírem de dentro da caixa, embora eu me perguntasse como era possível aquilo.
– É, Doutor, nós não deveríamos ter ido parar no local onde você disse que iríamos? — perguntou uma linda moça ruiva que pelo jeito devia ser terráquea, assim como um rapaz de jaqueta preta que a acompanhava: — Pelo visto estamos perdidos e aquele cara esquisito também.
"Cara esquisito" é a criatura que pariu ele, pensei furioso porque eu detestava ser chamado assim, ainda mais quando ele era um terráqueo com cara de tolo. Mas eu não podia negar que achara aquela moça do cabelo de fogo a mais linda terráquea que eu já havia visto.
Foi quando eu a vi se aproximar, no que eu queria me afastar, porém, eu estava colado ao chão, como se gravidade estivesse de chacota com a minha cara. Foi quando ela perguntou:
- Você está bem?! Meu Deus, mas o que um rapaz tão bonito como você... faz por aqui?
Ela disse que eu era bonito? Pela primeira vez, senti meu rosto corando e respondi, com meu falho idioma inglês que eu aprendera nas máquinas de Zangyack: – Eu estou bem, moça do cabelo cor de fogo. Qual o seu nome?
– Amy Pond. E...? — ela parou de falar quando percebeu alguma coisa. Quando olhei, o homem de terno e uma gravata de aspecto estranho me olhava atentamente:
– Eu sou o Doutor.
– Que doutor? — perguntei. Aquilo agora me parecia estranhamente familiar.
– Apenas o Doutor, jovem príncipe Gil — ele perguntou e seu olhar parecia desvendar a minha alma, como se procurasse uma alegria que evaporasse o meu mar de tristeza:
– Acredita em anjos?
Não respondi nada e senti as lágrimas virem com força, quando ele se aproximou: — Pois é, eu sou o seu.
Por alguma razão, me deixei abraçar por ele.
À medida que o abraço se tornava mais longo e apertado, percebi: precisava de um abraço, de um ombro amigo onde pudesse chorar todas as mágoas.
Que eram muitas.
Abertura de "Doctor Who": http://www.youtube.com/watch?v=WCD_Aw9RXxU
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