Inverno

22 Capítulo 22


Notas iniciais
O Leão e a Zebra
(Capítulo narrado por Adam)

Eu conhecia aquela casa. Nunca entrei, mas sabia perfeitamente onde ficava. E é por isso que estou aqui. Na verdade, estou aqui por outro motivo. Não aguento mais presenciar os choros de John. Tem somente uma semana que seu romance com Liam tivera fim, mas fora o suficiente para derrubar com a imagem de garoto forte que meu primo passava pra mim.

É um erro se meter no relacionamento dos outros, mas faço isso para o bem deles.

Fui atendido por uma garota muito simpática. Apresentei-me como amigo de Liam, e a garotinha logo me puxaram para dentro da casa. Depois de me fazer milhares de perguntas finalmente fora chamar o loiro. Esse quando me viu, revirou os olhos contestando a sua infelicidade de me ver ali.

“Nossa, minha presença sempre o incomodou? Bom saber...” — Pensei.

Liam fizera sinal para que eu o seguisse, então me levantei do sofá e fui em sua direção. Quando entrei em seu quarto, logo quis fugir dali pela quantidade de roupas espalhadas no cômodo, a cama, por exemplo, estava repleta de fotografias e os travesseiros sobre a mesa de cabeceira. Parte do espelho havia sido quebrada, não sabia ao certo se aquilo fora um objeto lançado ou simplesmente um soco.

O que mais me surpreendeu fora saber que Liam estava se drogando. Drogas?!

— Não me diga que você está fazendo uma merda dessas. — Fui até a mesa onde encontrei aquele pó branco que tive nojo de tocar, mas o acumulei em minha mão e fui direto para o banheiro dali, jogando tudo no vaso.

Pouco importa se Liam me batesse, jamais eu deixarei alguém usar esse tipo de porcaria. Ele ainda é jovem, tão... Novo e com uma vida para viver.

— Você sabe a merda que fez, não sabe? Puta que o pariu, Adam. — O loiro reclamava.

Os olhos trêmulos, vermelhos e úmidos. Um animal. A face marcada em cores escuras, uma mistura de roxo e verde, o nariz vermelho e avantajado. Marcas da briga com Tobias.

— Se John estivesse aqui com certeza faria o mesmo.

Foi somente aquele nome ser pronunciado para o silêncio reinar no quarto. Liam cruzou os braços e encostou-se a parede enquanto eu somente o observava de pé.

— Por que todo esse egoísmo? — Não resisti mais ficar calado.

— Egoísmo? — Ele indagou um tanto sério.

— Terminar com John, assim... Sabendo que ele mais do que ninguém precisa de você. Isso é puro egoísmo, Liam. Você é o único que se deu bem com isso. Não tem uma mãe que pega no teu pé o tempo todo, não tem problemas quanto a sua sexualidade, ou tem... Não sei. — Pausei para ter certeza do que falava. — O John quase morreu por sua causa.

— E é justamente por esse motivo que terminamos, Adam. — Finalmente a imagem do garoto grosseiro fora desfeita quando Liam sentou-se em uma cadeira próxima, pôs os cotovelos em suas coxas e abaixou a cabeça para fitar o chão.

— Como assim?

— Desde pequeno eu o metia em problemas, ele sempre se machucava para me defender. Até quando nos encontramos novamente, olha o que aconteceu desde que ele se juntou a mim? Sofreu ataques de Henry e sua tropa, humilhações por parte da sua mãe, agressões físicas pelas minhas brigas na qual ele resolvia se meter e quase morreu tentando me salvar. Me diz se realmente sou o cara certo para ele? Se isso é egoísmo da minha parte, que seja — O loiro agora olhava para mim — Eu prefiro assim, saber que ele sofre pela saudade, do que passar por humilhações diárias por minha causa.

— Por que você tivera que ir embora quando menores? — Eu indaguei curioso.

Liam não me respondeu. Nem se quer olhou para mim. O motivo realmente deveria ter sido sério.

— Mas acho que de qualquer forma isso é egoísmo. Todo casal tem seus problemas... — Não sei como, mas meus pensamentos agora se focaram em Henry, merda! — Com tempo tudo isso passa e minha tinha logo teria que se adaptar.

— Você acha que iria? Ela pediu pra ele escolher, Adam. Você tem ideia de como ele estava se sentindo. — Liam se levantou e caminhou até seu armário, pondo as mãos em cima e abaixando a cabeça. — Eu apenas facilitei as coisas. Deixei com que tudo fosse mais fácil. Só assim eu enfrentarei sozinho Tobias, Henry e qualquer pessoa que venha contra mim.

— Eu juro que entendo a sua parte nessa história...

— Foi John quem te enviou aqui? — Ele me interrompeu.

— Se soubesse que eu estou aqui, com certeza me mataria assim que eu chegasse em casa. Ele acha que estou com Henry.

— Henry?! — O loiro indagou.

— Depois eu te explico. O foco aqui é você. Continuando — Eu me levantei e fui em sua direção, encostei meus dedos no queixo de Liam fazendo-o olhar para mim. Não queria tocar em seus ferimentos e machuca-lo, então tive cuidado. — Você tem certeza de que quer isso? Assim, deixa com que as coisas tenham esse fim...

Novamente o silêncio. Liam afastou-se de mim e fora até sua porta, dando leves socos na mesma.

— Eu já me decidi, Adam. É assim que eu quero... Mesmo que isso me mate, eu prefiro vê-lo longe de mim.

— John vai embora.

— Como?! — Seu corpo se vira bruscamente para me encontrar.

— Eu tentei, agora o resto é com você. Vai me levar até a saída? — Indaguei caminhando até a porta do seu quarto.

Ele não me respondeu, porém, passou por mim e eu o segui. Não houve despedidas, apenas troca de olhares quando ele finalmente decidiu fechar a porta.


O carro preto de vidros tão negros que faziam com que as estrelas refletissem ali, dando a impressão de que você poderia tocar o céu, me esperava. A janela da porta traseira se abriu. Eu provavelmente esperava um sorriso ou algo mais simpático, mas somente encontrei a cara séria do moreno me encarando. Aquilo era o sinal de que eu já deveria estar ali, pois passei mais de dez minutos conversando com Liam.

Caminhei em direção ao carro, mas nem mesmo precisei abrir a porta quando o moreno se apressou e fizera isso pro mim. Não havia mais ninguém na rua, então não houve preocupações.

— Ainda não entendo porque pediu para que passássemos aqui primeiro. Você sabe que não suporto o Liam. — Henry reclamara, logo quando sentou ao meu lado.

Quando eu estava prestes a responder, o moreno deu sinal para que o motorista nos levasse ao local indicado. Algo que eu não sabia. Segundo ele, era surpresa e que eu realmente iria gostar.

— Tinha assuntos a tratar. — Fui direto na resposta.

— Eu não posso saber ao menos o que é?

— Não.

— Ótimo. Adoro essa confiança que temos um com o outro. — Ironizou cruzando os braços.

— Eu não posso falar, Henry. Entenda, é particular, e não tem nada a ver com você. Mas uma hora todo mundo saberá de tudo. — Eu tentava explicar, mas ele não olhava para mim.

— E o que tem você me contar agora? Por um acaso é tão importante assim a ponto de me fazer sair espalhando para os outros?

— Aposto que você faria se soubesse. Mas é algo entre John e ele.

Fiquei trêmulo nessa parte quando quase entreguei o que era. Quis que Henry não percebesse nada, porque provavelmente estaria muito óbvio que coisas íntimas estavam inclusas nessa conversa. Eu jamais contaria o segredo de John para alguém, nem mesmo para a pessoa que eu mais amo. É tudo questão de princípios, sem contar que meu primo sofre por isso.

— Onde estamos indo? Você não vai realmente me contar? — Indaguei querendo fugir daquele assunto.

— Também não conto.

— Mas por quê?

— Pelo mesmo motivo que você não me conta o que estava fazendo na casa de Liam. E quer saber, não vou fazer mais perguntas.

— Melhor assim. — Fiz o mesmo que o moreno fizera: cruzei os braços.

— Ai, vai pra puta que pariu. Grosso.

— Não tanto quanto você. Ou será que você já se esqueceu de tudo?

— Novamente essa conversa?

— Não é fácil esquecer tudo que passei por sua conta. Mas está certo, não vamos falar sobre nós dois. — Limpei a garganta — Como estão as coisas em sua casa?

— Meu pai tá passando um tempo hospedado em algum lugar, porém não quer contar para mim. E minha mãe procura visitar Laura sempre que possível. — Ele dissera, sua voz mudou.

Não suportava ver aquela imagem se desmoronando a minha frente, mas ele era forte. Até mesmo mais do que eu. Pois lembro o período em que nós guerreamos.

— E em relação a você, como estão?

— Eles fingem não acreditar. — Henry fora direto nessa parte.

Odiava que tocasse nesse assunto. Desde que seu segredo fora aberto para sua família, as coisas em sua casa mudara. Ninguém mais confiava em ninguém. Além de ouvir piadinhas por parte da mãe e do pai que o repreendia sempre por telefone.

Engraçado é o fato de ter um primo com o mesmo problema. Eu tive a sorte de não ter passado por isso. Minhas humilhações foram por parte da sociedade, mas meus parentes sempre estiveram ao meu lado. Devo isso a minha avó, que sendo a mulher que é, mereço tudo de bom nessa vida. Além de ser meu maior orgulho.

— Não vai mesmo me contar para onde estamos indo? — Eu consegui cortar aquele silêncio que nos incomodava.

— Para de insistir, Adam. Eu disse que é surpresa.

— Ai, desculpa.

Depois disso, novamente o silêncio. As estradas iam desaparecendo dando espaço a lugares mais escuros. Henry apenas esboçava um sorriso no rosto sempre quando olhava para ele. Não havia perdido a pose, nem mesmo o jeito atrevido de ser. Continuava babaca, estúpido e o arrogante de sempre. Continuava a provocar aqueles que eram considerados inferiores a ele. Henry não andava mais com Emma, Oscar e Victor, mas tinha que fingir para que os outros não notassem. Fizeram um trato de segredo, e como não quer que o seu venha à tona estava sendo fiel ao que tinha dito.

— Tem algo que não entendo. — Falei o olhando nos olhos.

— Como Emma, Victor e Oscar descobriram sobre você? Pelo que você me disse, seus pais descobriram por fotos no quarto de Laura, e eles três não estavam contigo.

— Se não fosse por minha mãe, tudo continuaria da mesma forma. — Ele dissera repousando a cabeça no vidro do carro e pondo a mão no queixo.

— Como assim?

— Ela ligou para Emma, perguntando se tudo aquilo era verdade ou algum tipo de brincadeira. Se eu era gay, se beijava você de proposito ou se era loucuras de alguma festa. Praticamente abriu minha vida. E dentre todos ali, perdendo somente para mim, a loira é a mais atrevida. Sendo assim, você deve imaginar o resto.

— Nem toda a mentira é sustentada por tanto tempo.

— Pra você é fácil.

— Eu sei, mas é melhor abrir o livro de vez do que ficar se escondendo. Mesmo que seja difícil no início, logo melhora. Você não precisa contar pra todo mundo sobre você, somente a quem acha que deve. — Lá estava eu dando mais lições de moral para Henry. Mas no fundo eu consigo entender o quão difícil é lidar com o medo.

— Vamos mudar de assunto, Adam? — Ele me olhou sério, repreendendo-me com um olhar — Já estamos chegando e eu preciso vendar seus olhos.

— C-como? Por um acaso isso é um sequestro? — Minhas mãos já estavam prestes a abrir a porta.

Eu teria coragem de me jogar do carro mesmo que em movimento. Primeiro pelo fato de estarmos longe da cidade, segundo porque eu não me recordava do lugar, e por ali, as estrelas brilhavam mais, ou seja, não havia edifícios ou casas grandes e nem mesmo muita iluminação.

— Não seria uma má ideia. Porém, eu seria um sequestrador malvado e abusaria desse seu corpo todos os dias. — Dizia enquanto sorria.

— Para de palhaçada. Isso não é engraçado. — Eu o repreendi, voltando a cruzar os braços.

— Você irá gostar, Adam. Posso vendar seus olhos? — Ele já dissera, retirando a venda do bolso.

Fiz uma pausa para que pudesse respirar e concordar. As mãos do moreno tocaram meu rosto e me fizera se aproximar dele. Selou nossos lábios por exatos três segundos até que se afastasse. Logo, a venda preta estava sobre minha visão, impedindo-me de ver o caminho a frente.

— Te abusar todos os dias. — Sussurrou o moreno provocando-me.

Se não estivesse com a venda, com certeza eu teria revirado os olhos reprovando a maldita piada.

Estava curioso. Muito por sinal. Minha audição tornou-se agora os meus olhos, digamos assim. Quando finalmente o carro parou, ouvi a porta ser aberta. Deduzi que Henry havia descido e atravessado o outro lado do carro para abrir a porta para mim. E fora isso que fez. Sua mão encontrou a minha e me guiou.

— Eu vou cair. — Eu falava enquanto caminhávamos.

Eu estava pisando em grama. Tinha certeza disso, pois não sentia o conflito contra o asfalto. Acostumado a andar sempre pela cidade, era fácil reconhecer isso.

— Eu tô do seu lado, não estou? Mas se você quiser, te solto e te deixo andar sozinho.

—Ainda tenho as mãos e posso muito bem tirar essa venda e acabar com essa surpresa maldita.

Quando não recebi resposta, acabei notando que fui grosso no que falei.

— Desculpe, mas é que odeio a ideia de não enxergar.

— Não se preocupa. Se eu estivesse no seu lugar, teria tirado a venda assim que déssemos o primeiro passado.

A mão do maior acariciava a minha. Era incrível tamanho carinho vindo da parte dele. Tínhamos que nos evitar na escola sempre para evitar suspeitas e ele continuar com a pose de garoto popular, mas evitou me atingir com suas palavras. Pena que não pode me visitar durante as madrugadas enquanto as coisas na sua casa estavam apertadas desde aquele dia, em que Henry dormiu comigo, mesmo que afastados durante uma semana, nossa relação evoluiu.

— Pode tirar a venda. — Ele disse.

Estava tão curioso, que na metade da frase meus olhos já estavam admirando tudo preparado para mim.

Dei de cara com um caminho marcado por tochas de fogo, Henry continuava a segurar em minha mãe enquanto caminhava por dentre as chamas. Até que damos de cara com um Chalé.

— Lembra quando Laura não pode vim aqui e eu pedi para que meus pais te trouxessem? Passamos um final de semana inteirinho nos divertindo.

Como esquecer? Fora aí o momento em que meu plano de visão finalmente deu conta de que a área era repleta de chalés, porém somente um era de propriedade da sua família.

Nunca, jamais eu iria acreditar que dentro de toda aquela imagem marrenta pudesse existir alguém tão romântico como ele. Nunca, também pensaria que um dia receberia tal surpresa. Nunca passaria na minha mente que eu pudesse estar tão apaixonado por alguém que eu dizia ser o errado para mim, e agora me faz mudar de opinião.

Eu estava extasiado com tudo aquilo. Não havia palavras para dizer. Sobre a madeira do cercado do chalé, velas iluminava o local. Henry continuava me guiando até que abriu a porta para mim. Mais velas foram encontradas dentro dali, no centro havia uma mesa com dois lugares, vinho, fruta, queijo, pães e até mesmo salmão e lagosta.

Logo, encontrei rosas brancas em alguns vasos espalhados em pontos específicos. Era um lugar pequeno, porém aconchegante. As paredes de tijolos e os objetos de madeira davam um ar rústico, mas ao mesmo tempo estava tão futurístico pela quantidade de aparelhos eletrônicos espalhados.

Henry me guiou até a mesa e puxara uma cadeira para que eu pudesse sentar, e fizera o mesmo logo em seguida sentando-se a minha frente. Ele não tirava o sorriso do rosto.

Mas aquele sorriso fora desfeito quando lágrimas desceram por minha face. Não era lágrima de tristeza, confesso, mas eu estava sentindo-me tão importante e abraçado por ele que não conseguia me segurar.

Eu o xinguei, o humilhei e o fiz compartilhar da mesma dor que eu sentia. Embora ele fizesse coisas piores comigo. Eu não era digno por tamanho carinho.

— Não se preocupa. — Eu disse, fazendo-o por o mesmo sorriso na face. — É só que... — Pausei para limpar a garganta — faz tanto tempo que não venho aqui...

— Eu também não... Não depois do que aconteceu. — Ele confessou.

Eu engoli o seco por não querer lembrar o que já passamos.

O moreno abrira a primeira garrafa de vinho e despejara sobre as taças. Não houve brinde, apenas o silêncio, troca de olhares e alguns sorrisos perdidos.

Eu temia. Confesso que ainda temia. E depois que tudo passar... Como Henry me trataria? Não era tão fácil aceitar que tudo agora estava bem. Que só porque Henry estava sofrendo e tomando uma lição da vida, que as coisas realmente iriam se consertar. Até porque era ele era imprevisível. Eu achava que sabia com quem estava lidando, mas não.

— Henry... — Eu forcei a falar.

— Diga.

— E depois que sairmos daqui?

O moreno não desfez o sorriso do rosto, bebera do vinho e arrastou sua cadeira até encostar-se a mim. Sua mão tocou minha orelha fazendo carinho na região.

— Você não lembra?

— Do que?

— Da frase dita aqui.

Henry se lembrava de tudo. Até mais do que eu que tinha memórias perdidas sobre o lugar.

— A nossa primeira vez, tarde de sábado...

— Seus pais pescando, a casa vazia... — Completei.

— Dois corpos em uma só cama... — Prosseguiu.

— Um só prazer. — Conclui. — E nesse dia falamos um para o outro...

Anos atrás, o sol adentrava as janelas àquela tarde enquanto estávamos sobre a cama, Henry acabara de me invadir e seus olhos estavam fixos aos meus. Eu tinha medo de que seus pais chegassem e acabassem descobrindo tudo. Mas a adrenalina e saber que eu acabara de me entregar por completo a ele me fazia querer continuar ali. Para alguns, a primeira vez não tinha importância, mas para mim sim. Sempre guardei as poucas imagens da quais me lembrava para sempre em meu coração.

— Não importa o que aconteça daqui pra frente, no final, estaremos juntos nesse mesmo lugar. — E quando ele disse isso, ainda acariciando minha orelha, trouxe de volta tudo.

Todas as lembranças, momentos, desentendimentos, mágoas, dores que já senti e sorrisos que Henry me arrancava voltaram à tona. Como eu pude esquecer-me disso? Como pude esquecer essa frase dita pelo moreno na primeira vez em que me entreguei pra ele aqui? Como pude ser tão idiota. Talvez, fora bom não lembrar. Caso contrário eu teria sofrido mais.

Uma linha tênue separa o amor do ódio. Mas será que existiu ódio? Creio que fora tudo tão momentâneo. Foram poucas as vezes que lembrei de que deveria odiá-lo. Meu amor estava acima de tudo. Mesmo que doesse, eu estava ali pra amá-lo. Poderia ser esse o meu destino nessa terra.

Henry virou bruscamente a cadeira para que eu pudesse ficar de frente com ele. Suas mãos agora me tocavam a face. Perdi-me naqueles olhos e também me perdi admirando aquele lábio.

Fora num piscar de olhos que a mão do moreno segurou pela minha cintura, me ergueu e colocou-me sentado sobre a mesa afastando dali de cima as taças que se quebrara no chão. Os olhos ainda fixavam-se aos meus enquanto eu afastava as pernas para que eu pudesse ficar mais próximo de mim.

Os lábios agora encostados em meus ouvidos sussurravam coisas indiscretas, mas que somente eu, com certeza, gostava de ouvi-las quando vindas dele.

— Era uma vez um pequeno leão, aparentemente frágil e destinado a morrer pelos animais que os caçavam naquela floresta. — Sussurrei também em seu ouvido.

— Depois de tanto fugir, aquele leão cresceu e — Henry continuou, desabotoando o primeiro botão de minha camisa — transformou-se num predador.

— Certo dia, — e minhas mãos agora tocavam o seu cinto e dei continuidade a história — outro animal, também indefeso vagava pela mesma floresta. Uma zebra, sedenta e a procura de alimento.

— Aquele leão mostrou a todos do que era capaz e tornou-se o rei do lugar. — O moreno prosseguiu sussurrando em meu ouvido, conseguindo tirar o segundo e o terceiro botão da minha camisa.

— Perdida, a zebra continuava a vagar na floresta. — Eu retirando agora sua camisa tocando naquele tórax nu.

— Com fome, o leão resolveu caçar. — Ele disse, e com força rasgou minha camisa pela impaciência de tirar o último botão.

— Quando menos espera, a zebra encontra o seu maior predador. — Minhas mãos encontraram seu zíper.

— O leão, faminto, corria o mais rápido que podia na tentativa de matar a sua fome. — Ele completava, retirando agora os meus sapatos.

— Porém, a zebra era esperta. E tomava caminhos difíceis na tentativa de despistar o leão. — Eu disse, abaixando sua calça, enquanto Henry retirava o seu tênis.

— O que a zebra não sabia, era que o leão não costumava desistir. — Ele mordiscou minha orelha, arrancando com força a calça do meu corpo, deixando-me despido.

— A zebra cansou de correr e se viu sem saída. — Eu sorri, arranco de seu corpo a última veste que me impedia de ver seu corpo nu. — e o leão...

— Atacou. — Ele finalizou correndo para meus lábios.

Meu corpo já ardia no momento em que seus lábios encontraram os meus. Um beijo cheio de desejo, sensualidade, calor, intensidade e o melhor... Erótico. Brincava com meus lábios e minha língua. Seus toques libertinos deixavam-me em êxtase. No momento, fecho os olhos para me entregar a cada onda de prazer já sentida. O encontro das bocas que lutam debilmente querendo somente saciar a vossa sede. Minhas mãos atacam aquelas nádegas e a apertam e eu recebo a resposta imediata sentindo sua ereção tocar a minha. Era ligeiro, hábil e esperto. Sorrisos formavam-se quando eu não resistia a sua mordida e murmurava coisas quentes. Estava tão entregue ao seu domínio, que está submisso as suas vontades era algo excitante.

O moreno me ergueu no ar e me arrastou até a parede encostando-me no interruptor e apagando as luzes, ainda aos beijos. Somente as velas iluminavam o lugar. Enrosquei minhas pernas em sua cintura para que eu pudesse ficar erguido o maior tempo possível. Era essa a vantagem de ser menor.

Ao mesmo tempo em que suas mãos apertavam minhas nádegas, Henry também dava leves tapas marcando a região. Nunca fomos masoquistas, mas as mordidas e as tapas tornavam a coisa ainda mais quente. Principalmente quando a coisa era bem feita pelas mãos daquele moreno.

— O Adam vingativo... — ele tentava falar entre os beijos — Eu o quero agora.

Henry lembrou-se do dia em que resolvi dar o troco. Quando transamos, eu tornei-me a pessoa mais quente possível. Deixando-o louco a cada ação minha.

“Por que não obedecê-lo?”

Até eu me entreguei à libertinagem. Meus pés tocaram o chão e minhas mãos seu ombro. E então, pus pressão em seu tórax para que o afastasse de mim.

Vendo que ele sorria para mim, vou até a mesa e pego um dos gelos ali presente e volto para o moreno. Primeiro, toco os seus mamilos o cubo e o vejo fechar os olhos. Vou descendo com o gelo por caminhos estratégicos e volto ao outro mamilo. Henry apenas morde seus lábios enquanto sente meu toque. Além da sede daqueles lábios, eu estava com fome daquela pele. Então deposito mordidas em seu corpo, até encontrar minha região preferida: o pescoço. Eu teria que marca-lo para dizer que é meu. Mas quando eu penso em fazer isso, sou pego de surpresa por seus suas mãos rudes.

Henry prende o meu pulso e vai me guiando até a cama, estampando na face um sorriso libidinoso. Me pega como um bebê pelo braço e me joga na mesma, então sou amortecido pelas almofadas espalhadas por ali.

O moreno monta em cima de mim e sussurra mais uma vez:

— De bruços. — Ordenou.

Novamente o obedeci. Eu sinto sua língua encostar a minha nuca. Também sinto seu membro tocar as minhas nádegas, pulsando e desejando me invadir. Mas como disse, Henry era imprevisível. Mordidas iam sendo espalhadas em minhas costas, suas mãos continuavam a dar leves tapas, porém agora em minhas coxas. Eu fechei os olhos para poder receber todo aquele prazer.

Seus dentes entram em contato com minha pele quando Henry começa a mordiscar minhas nádegas. Não pude negar que meu corpo estava prestes a explodir. Meu peito quente e ardendo em chamas. Estava louco para me sentir invadido, louco para que Henry estivesse em mim. Louco pra ser possuído e tomado por aqueles lábios.

Ele então me vira novamente e abocanha de vez o meu falo. Eu murmuro, tentando me controlar o máximo possível. Aqueles lábios, aquela língua... Uma sensação jamais comparada a qualquer que fosse. Você não pode somente ficar parado, assim como o amor o prazer tinha que ser recíproco.

Com o pé toquei o seu membro apenas para alertá-lo, e quando Henry olhou para mim eu pulo em cima dele o jogando para a outra extremidade da cama. Minha mão encontra o seu membro e começa a massageá-lo, meus lábios novamente encontram os dele e mais uma sessão de beijos quentes inicia. Meu dedo toca a sua glande e Henry não esconde em demonstrar que gostou quando solta um leve urro.

Eu me acomodei em cima do moreno e respirei fundo. Seria aquele o momento e era chegada a hora. Prazer.

O olhei nos olhos enquanto descia devagar em seu membro até que finalmente o senti completamente em mim. Minhas mãos estavam apoiadas em seu tórax e as dele segurando em minha cintura. Henry mantinha um olhar de preocupação, mas quando eu sorri, o seu sorriso voltou. Minha face afogou-se em seu pescoço e eu esperei com que ele começasse os movimentos.

— E o leão finalmente devora sua presa. — Eu sussurro mordiscando sua orelha.

Ele não diz nada, apenas continua com seus leves movimentos em mim. Eu tentava ao máximo afastar a dor dos meus pensamentos, embora ela insistisse, meu corpo já estivera adaptado para receber Henry, e rapidamente ela desapareceu.

— Mais... — Eu novamente sussurrei.

Encontrei seus olhos e fiquei mirando-o por minutos. Quando de repente, Henry morde o meu lábio. E dá início a sessão de movimentos rápidos. Eu não tiro meus olhos do seu. Henry era inquieto com sua mão, ora estava em minha cintura ora estavam minhas nádegas. Mas apesar da inquietação, seu toque também era prazeroso.

Ele sorri em meio aos movimentos e também é retribuído.

Eu só tenho a opção de atacar seus lábios e seu pescoço. Então permaneço ali, ouvindo-o sussurrar palavras íntimas.

— A zebra só tem um único objetivo... — Eu digo.

E de repente o moreno me joga na cama de bruços e monta em cima de mim novamente e me invade outra vez.

— Alimentar o leão. — Ele completa sussurrando em meu ouvido.

Eu não hesito em sorri com sua resposta.

— Mais... — Novamente eu exijo.

Henry obedece acelerando cada vez mais seus movimentos. Sexo sob luz de velas.

O moreno cansa e volta a fazer leves movimentos. Não conformado com a posição me vira novamente, pega uma almofada e põe sobre minhas costas deixando-o com facilidade para me penetrar. Feito isso, ele me beija novamente. Beijo sagaz.

— Ah, Adam... — Ele sussurra quase sem fôlego.

A mão de Henry encontra meu cabelo e os puxa, não era violento, mas excitante. Sinal de submissão ao seu mestre.

Eu finalmente tive a primeira ereção. Sim, a primeira. Pois não conformado com isso, Henry continuava com seus movimentos em mim. Fui forçado a recuperar as forças que pudesse satisfazê-lo. Mas por tamanha a pressão, lá estava eu, excitado e com o membro rígido novamente.

— Como é a sensação de me ter em você, Adam? — Ele dizia ofegante.

— A melhor existente. — Foi só o que pude responder.

E então fecho os olhos para que evitasse mais perguntas. Queria mais uma vez chegar ao ápice.

As mãos do maior pressionam minha cintura e sua respiração fica pesada, era sinal de que ele estava chegando ao limite. Seu corpo finalmente se contrai e Henry sai de mim, iniciando uma rápida masturbação até que finalmente ejaculasse.

Não conformado, sua boca abocanha o meu falo mais uma vez. Somente com seu toque, eu afasto a sua boca dali e tenho uma explosão de prazer que insiste em ultrapassar as estruturas do meu corpo. O ápice fora melhor do que o anterior. Tanto é que não aguentei e urrei alto.

Joguei-me no tórax do moreno que estava deitado ao lado, ofegante. Com certeza se eu permanecesse ali, Henry desejaria iniciar novamente o seu jogo de prazer. Que seja, eu estava ali por ele.

Eu não sei como e nem porque, mas depois de alguns minutos quando finalmente demos conta do que fizemos, começamos a gargalhar.

— A triste história do Leão e a Zebra. — Ele disse, e chamas invadiram o meu corpo.

— Idiota.

Notas finais
Capítulo Hedam! Haha. Olha não sei vocês, talvez muitos irão pular o Lemon, mas Hedam é tão quente quando Derick e Oliver, então...
Ah, a sessão de beijos:
http://vocaroo.com/i/s1aSx78H2OUC
O áudio vai tá um tanto alto, porque falei muito próximo do microfone e estava deitado.
É isso. O capítulo de Do Mesmo Sangue sai essa semana.