Inverno
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Quando você tem tudo, mesmo que seja por um dia, há o momento em que o “tudo” torne-se nada. Quando menor, tive tudo. Com o passar dos dias fui perdendo aos poucos aqueles mais próximos de mim — estes valiam mais do que qualquer objeto ou riqueza. Perdi amigo, perdi pai e agora, prestes a perder a mulher que me trouxe ao mundo.
— Me explica isso, John Backer — Pressionou meu braço enquanto me fazia quase engolir a fotografia.
Acrescentou meu sobrenome ao final da frase, e isto era sinal de que realmente estava espantada com o que vira. Suas veias saltavam com tamanha alteração em seu comportamento. Parecia que iria me matar ali.
Envergonhado não pude falar nada. Apenas aceitei os gritos de ofensa e desprezo no meu mais profundo silêncio. O que fazer quando você é pego beijando outro garoto e sua mãe, que sempre achou isto errado, descobre que o filho faz parte dessas consideradas abominações que vieram ao mundo?
— Diz que isso é mentira! Diz! — Gritava.
— Não é. — As palavras foram apagadas com seus gritos.
Tamanha sinceridade doeu em meu coração ao vê-la chorar e gritar mais ainda.
— Meu filho é gay? Eu não merecia aquela traição, agora isso? Qual o objetivo dessa maldita vida? Você não é gay, John. Diz que é mentira. E-eu posso te perdoar. Diz! — Ela suplicava.
Nem mesmo conseguia me tocar, apenas gritava em desespero como se eu realmente fosse uma aberração. Estava disposta a tudo para que eu negasse, mas eu não faria isso. Não depois de que acabara de receber provas de que seu filho beijava garotos. O que tinha de errado nisso?
Tinha muita coisa errada aos olhos daqueles que não passam por isso.
Está certo que muito relutei para aceitar as mudanças que aconteciam comigo, e ainda estou tentando aceitar a dinâmica da vida. Eu diria que o amor, dono de nossas atitudes, estava de certa forma mudando meus pensamentos. Fora o loiro o culpado por esse mal.
Mal?
O que tanto temi estava acontecendo nesse momento.
— O que a senhora esperava de mim? Mais cedo ou mais tarde você iria saber o que se passava com seu filho. — E consegui romper as correntes que prendiam as palavras guardadas em mim.
— O que eu esperava de você? Tudo que me orgulhasse, porque desde pequeno você foi meu orgulho, e agora eu acabei descobrindo da pior forma possível. Com aquele loirinho da infância? Se eu soubesse disso, essa amizade não iria prosseguir.
— Mas mãe, nunca aconteceu nada quando menores.
— Vocês eram amigos, John, mas tamanha proximidade deu nisso. Você é gay! Gay! E eu não aceito isso. — Gritou mais uma vez, cuspindo na minha face as palavras que tanto sentia nojo.
— Está certo. Eu sou isso, mas e agora, o que você vai fazer? Bater-me até me matar? Isso não vai adiantar em nada, eu vou continuar desejando outro garoto. Um em especial.
— Que gritaria é essa aqui? — Minha avó entrou assustada em meu quarto, segundos depois Adam também entra. — Gente, o que está acontecendo? — A matriarca olhava para nós dois espantada com o que via.
—Por que está chorando, John? — Adam posicionou-se ao meu lado.
— Vai embora, John! Sai dessa casa. Jamais aceitarei alguém assim.
— Alguém me diz o que se passa? — Minha avó insistiu mais uma vez em entender a situação.
— Gay! Meu filho é gay! —Minha mãe continuou gritando.
— E-espera, é isso mesmo? — Adam perguntou alto e minha avó também esperava a verdade.
Está certo que eu era bissexual, mas para minha mãe isso seria a mesma coisa.
— Sou bissexual. — E, em seguida, abaixei a cabeça.
— John, querido... — a mais velha do local viera repousar sua mão em meu ombro — Você está assim por isso? — A indagação dessa vez fora pra minha mãe.
— Estou! Só imagino a vergonha quando essa notícia correr pelas ruas desse bairro.
— Vergonha? Vergonha quem tem sou eu de ter uma filha com 36 anos e ser tão bastarda assim, de mente fechada e que trata um filho dessa maneira.
— Mãe? — Ela indagou assustada com a resposta. Talvez por minha avó está me aceitando.
— Você está alterada demais. Não percebeu a forma que você está agredindo seu filho com essas palavras? Esqueceu-se da sua irmã? Você sempre a amou, não é?
— É diferente. Eu tenho um filho que vai ser odiado pelo mundo.
— E você acha que sua irmã não foi? Tive duas filhas, e você está fazendo o mesmo que fez anos atrás quando flagrou sua irmã com outra garota, mas que mesmo assim, antes de falecer disse te amar incondicionalmente. Mesmo que você tivesse vergonha dela quando estava na roda de amigos e todos sabiam que ela era apaixonada por garotas.
E quando dei conta, estavam conversando sobre a mãe de Adam. Algo que nem mesmo eu sabia já que minha mãe falava pouco sobre ela.
Minha mãe não soube o que responder. Estava engasgada com as próprias palavras.
— Vamos ter uma conversa séria... Adam fique com John. E você, Alice, desce agora!
— Não precisa gritar.
— Eu ainda sou sua mãe e, estando debaixo do meu teto, terá que me obedecer.
E com os olhos lacrimejando eu a vi partir. Joguei-me na cama e afoguei meu rosto no travesseiro, umedecendo-o com lágrimas.
— Enquanto eu sou fruto de uma relação perdida, apesar de saber quem é meu pai, você vive uma relação proibida. Está certo que minha mãe engravidou em uma de suas loucuras, apesar de ser lésbica. Mas... Você sabe que tenho diversas perguntas para fazer, não é? Mas esse não é o momento.
Adam tendo somente uma mão para fazer movimento livres, segurou-me pelo pescoço e ergueu meu rosto. Depositou em minha testa um beijo e me fez repousar em seu ombro. Um gesto simples, mas de um grande afeto que tínhamos.
— Pode começar com suas perguntas, sei que não irei me livrar delas. — Tentativa falha de sorrir.
— Depois. — Falou referindo-se as perguntas — Temos sorte de ter uma avó assim. Ela sabe de toda a minha história com Henry, e descobriu sobre mim por conta disso.
Não conseguia falar nada. Meus pensamentos estavam presos nas milhares de perguntas relacionadas a coisas como: “O que vai ser daqui pra frente?” “Ela vai me odiar?” “Quanto tempo irá demorar pra que ela possa me perdoar?”
— Dói, né? Foi uma pergunta idiota, mas não falo sobre o que você está sentindo agora, mas sobre ter que esconder o que não deveria ser considerado um segredo.
— Foi difícil.
— Nada é fácil. Exceto os cálculos de física. — Fez uma piada. Falhou quando percebeu que não sorri.
Meu novo celular estava tocado, fora só retirá-lo do bolso e ler seu nome. Não iria atender. Não depois do que houve. Estava sem cabeça pra conversa e pra explicar-lhe o que estava acontecendo. Joguei o celular na outra extremidade da cama e voltei a repousar minha cabeça no ombro do meu primo.
— Tem certeza? — Indagou referindo-se a minha ação sobre não atender Liam.
Confirmei movimentando a cabeça.
— Por que demorou tanto me contar? — E não resistiu, fazendo-me uma pergunta sobre o ocorrido.
— Insegurança.
— Entendo, por isso não te julgarei. Conte-me mais sobre Liam.
— O que exatamente?
— Como tudo isso teve início. Apesar de sempre imaginar vocês dois tendo algo a mais do que uma simples amizade... Bom, gosto de detalhes.
— Somos apaixonados desde a infância. E agora, depois de anos, temos noção de tudo o que se passa. E-eu — gaguejei — o amo desde o momento em que nossos olhos se encontraram.
— Por que será que a imagem de Henry invadiu meus pensamentos? Mas ainda quero detalhes. — Sorriu para mim.
— Não há necessidade de detalhes, Adam. Você praticamente já sabe de tudo. O tempo nos transformou no que somos agora. Beijamo-nos e agora necessitamos da presença do outro.
— Não aconteceu nem mesmo um sexo?
— Vai à merda.
As horas foram passando-se enquanto estávamos naquele quarto. Adam tentava arrancar gargalhadas de mim, e foram pouquíssimas as vezes que conseguira.
Mais tarde, desci para o jantar.
Adam e eu ajudamos a arrumar a mesa. Minha avó acabara de por a refeição e, então, ordenou que nos servíssemos. Estava tudo indo bem, apesar do clima ruim. Até em que um momento, por um motivo bobo, as coisas vieram a piorar.
— Eu pedi para que me passassem a manteiga, não você. — Minha mãe dissera, quando educadamente fiz o que ela pediu.
— Alice! — Repreendeu minha avó.
Adam olhou para mim, até perceber que meus olhos lacrimejaram. E então, explodi.
— Vai ficar me tratando assim? Tudo isso por causa de uma foto? Nem mesmo eu que sou bem mais novo que você estou sendo tão imaturo.
— Me respeita! E não é por causa da foto em si, mas por você ser quem é. — Exaltou-se.
— Respeitar? Nem mesmo você, que antes dizia me amar e ser o único motivo de orgulho da sua vida me respeitou quando horas atrás me humilhou.
— Estou decepcionada com você. O que você espera de uma mãe que passa meses com um filho na barriga, dá carinho, amor, atenção e cuidado pra no final jogar essa bomba na minha mão? Você não conhece a vida, John. Isso vai passar e quando você acordar saberá que sempre esteve errado.
— O que tem de errado em gostar de outro garoto?
— O mundo condena gente como você! — Gritou, dando ênfase a palavra condena, batendo as mãos na mesa.
Nada falei, perdendo a vontade de me alimentar e tendo vergonha de todos ali presentes. Levantei-me da cadeira e sai. Quando encontrei o sofá da sala, joguei-me ali mesmo e segurei a lágrima que insistia em cair.
— John, não fica assim... — Adam dissera ao chegar na sala e sentar-se ao meu lado.
— Olha a forma que ela está me tratando.
— É passageiro, logo ela se acostumará com isso.
Alguém estava tocando a campainha. Adam levantou-se para abrir a porta, e ali surgiu a pessoa mais bela do mundo. Olhou-me confuso, tentando entender provavelmente o motivo para qual eu não o atendi e o porquê de estar observando-o assustado.
— Você chegou em um péssimo momento. — Adam dissera.
— Por quê? O que houve? — Nem mesmo pediu permissão para entrar e já estava do meu lado.
Minha avó não demorou pra surgir naquele cômodo e também ficara assustada como todos.
— Está bem que eu acho vocês dois bonitos juntos, mas agora não é o momento. Vocês dois poderiam caminhar um pouco. Sei lá, dar uma volta. —Sugeriu.
— Mas alguém poderia me contar o que está acontecendo?
— Eu sugiro que o John durma em sua casa essa noite, pelo menos até as coisas se acalmarem aqui.
— Não precisa. Se for pra ser assim, prefiro continuar aqui até que ela me aceite.
— Eu vou mesmo ficar sem saber o que está acontecendo? — Liam insistia em entender toda a situação.
— Vai embora dessa casa! — E outra coisa que estive temendo acabara de acontecer.
— Eu mandei você ficar na cozinha! — Minha avó fora outra que gritou.
— Pra você ficar acobertando esses dois? Se eu continuar nessa casa começarei a ter ânsia de vômito. Será que vocês não entendem que isso que vocês estão fazendo é errado?
Agora Liam estava tendo ideia do que realmente estava acontecendo. Até mesmo ele ficou envergonhado com toda a situação. Suas bochechas rosadas e seus olhos trêmulos denunciavam seu nervosismo.
— Meu filho viado e o amigo que eu achava que era uma boa companhia. Aposto que foi você quem colocou essas coisas na cabeça dele. Vão embora dessa casa, agora!
— Chega, tia! — Adam também entrou na confusão.
— Alice, você quem está me envergonhando. Por favor, John, vai dar uma volta com Liam antes que eu realmente dê uma boa surra na sua mãe. Apesar da idade, ela está merecendo umas tapas.
O comentário, apesar de engraçado, não conseguiu arrancar sorrisos de ninguém.
Liam me segurou pela mão e na presença de todos me retirou dali.
Fez com que eu subisse na moto e não falasse nada. Na verdade, não havia mais nada pra falar desde aquela humilhação que passamos juntos. E, o pior, causada por minha própria mãe.
Coisas costumam ficar marcadas em nossas memórias; até mesmo momentos ruins como este.
Estávamos no estacionamento de sua casa, em silêncio e parados. Os pensamentos logo começaram a surgir. Acho que provocamos ainda mais minha mãe, quando decidimos sair juntos — está bem que a decisão foi de Liam — de casa.
— Quem contou para ela? — O loiro indagou, despertando-me.
— A mesma pessoa que te viu beijar Henry. Ao que parece você tem um admirador secreto, não é?
— Não sei. Mas essa pessoa irá pagar caro por ter feito isso, porque com certeza irei descobrir. Coisas assim não costumam ficar em segredo por muito tempo. Nem mesmo nós escapamos. —Retirou o capacete e desceu da moto. — Vamos entrar.
— Você tem certeza que não iremos passar pelo mesmo constrangimento? — Estava com medo agora de sua mãe.
— Não se preocupa, vem.
Liam ajudou-me a descer da moto e pegou o capacete que estava comigo. Dessa vez a casa estava tudo iluminado com os lustres e lâmpadas presas na parede da casa. Lana quando me vira viera me abraçar.
— Você voltou! — Sorriu, pressionando minha coxa.
— Oi, Lana! Tudo bem com você? — A ergui do chão, acomodando-a em meus braços.
A pequena sorriu e logo a coloquei no chão.
Uma linda senhora de cabelos loiros e poucos grisalhos acabara adentrando o cômodo, ela beijou a testa de Liam e sorriu para mim. Seus olhos, belos e em azul turquesa, deixaram-me hipnotizado.
— Então esse é o John? O seu amigo quase namorado de infância?
Amigo quase namorado? Nesse momento desejei com que o chão se abrisse e me escondesse de todos ali presente. Estava envergonhado com a situação. Principalmente pela forma tão natural que ela estava falando aquelas palavras. Liam não dissera nada e apenas sorriu.
— O que foi? — Olhou para Liam — Eu disse alguma coisa errada? Liam sempre me falou de você, até mesmo antes de começarmos a morar aqui. Quando saímos do nosso antigo país, ele só pensava em você e queria muito te avisar que estava indo embora.
Então ela já sabe que Liam me contou tudo?
— Não precisa ficar constrangido, John. Até prefiro você àquela garota, e sempre soube que o relacionamento, mesmo que falso da parte do Liam, dos dois não iria dar certo. E sou mãe, sempre acerto no que digo.
— Quem dera minha mãe pensasse dessa forma. — Meus olhos fitaram o chão.
— Mas o que aconteceu? — Me olhou preocupada.
— Mãe, podemos deixar esse assunto pra outra hora? Pelo que parece o jantar ainda não foi servido. Estou faminto, você quer comer algo, John? Tá, você irá comer. Depois do que houve, comida é o melhor remédio.
E a sua presença. Pensei.
Eu não rejeitei o pedido. Estava faminto, já que nem mesmo consegui terminar o meu jantar na minha casa que praticamente fui expulso.
O clima estava tão diferente que por um minuto desejei morar ali. Lana fazia brincadeiras com toda a sua ingenuidade, claro que tocou no nome da Anna no meio da conversa, mas isso não me incomodou. Um pouco, tenho que admitir. É natural.
Após o jantar ainda continuamos conversando. A mãe de Liam agia tão naturalmente e sentia tão bem com a minha presença que fizera diversas coisas para me agradar. Contei para ela sobre o ocorrido e a única coisa que ela disse foi: “Nem todas as mães estão preparadas, umas aceitam, outras carregam costumes antigos de família ou da sociedade. Mas não se preocupe, ela não deixou de te amar, somos mães”.
— Garotos, as horas passaram-se tão rápido. Adorei te conhecer, pela segunda vez, John, apesar de quando menor nunca tivemos algum contato. Cresceu e se tornou um rapaz bonito.
Sorri em forma de agradecimento.
— Mas terei que dormir. Trabalhar pra manter essa família e essa casa. Acho que Lanna já está dormindo, irei passar no quarto dela pra saber como as coisas estão. Boa noite, queridos.
Beijou a testa do loiro e fizera o mesmo comigo, — e me trouxe conforto — saiu logo em seguida. Deixando-nos finalmente a sós. Liam sorriu e iniciou uma breve caminhada, o segui até darmos de frente com a porta do seu quarto.
Abusou do cavalheirismo me enxergando como uma moça.
— Menos.
— O que? — Sua indagação saiu acompanhada de um sorriso irônico.
— Não sou uma moça, donzela ou uma princesa. Sei abrir portas, tenho mãos pra isso.
— É um costume que adotei. Agora entre.
— E desde quando acha que manda em mim?
— Vamos, entre! — Liam segurou em minha mão, e de supetão me puxou para dentro do quarto.
Trancou a porta e retirou a camisa e o tênis, ficando apenas de calça negra e meias azuis.
— Tem filmes, videogame e jogos de tabuleiro. O que você escolher estarei disposto a aceitar.
— Dormir.
— Não te dei essa opção. — Disse ligando a TV.
— Olha. Não tomei banho desde a briga com minha mãe. Posso usar o seu banheiro?
— A toalha está no guarda roupas. Aproveita e a deixa no banheiro. Não quer que eu tome banho contigo? — A pergunta não viera acompanhada de malícia, apenas uma indagação normal.
— Não. — Consegui deixa-lo calado por segundos.
Fui atrás da toalha azul marinho e entrei no banheiro. Banho demorado por conta do choro. Desejei que junto às lágrimas fosse embora toda a dor e vergonha que eu estava sentindo. Quis que o mundo tivesse fim naquele momento. A dor de ter uma mãe que te rejeitara por conta de seu preconceito era maior do que tudo que já passei, superando até mesmo a dor da saudade. Doía lembrar-se dos seus gritos: “Meu filho, gay?” “Eu não aceito isso!” “Eu tenho um filho que vai ser odiado pelo mundo”. “Vai embora dessa casa, John”.
Tamanha humilhação. Desnecessária.
Meus joelhos tocaram o chão e usei da parede como apoio. Eu poderia sorrir, me levantar e fingir que nada estivesse acontecido. Mas era minha mãe. Era minha vida.
Feito um garoto que estava prestes a acabar com sua vida, lá estava eu jogado no chão do banheiro chorando. Lágrimas que não cessavam. Estava tão envergonhado que me encolhi, aproximando o rosto dos joelhos. Não sabendo o que iria acontecer depois dali.
A água do chuveiro havia cessado. Senti o toque da mão do loiro sobre meu braço. Ele me reergueu, pondo a toalha envolta da minha cintura. Não quebrara o silêncio que estava acompanhado de mim desde o momento que passei a chorar. Levou-me de volta para o quarto e entregou-me uma de suas bermudas.
Quando vesti, nada disse. Apenas sorriu — belo, único e acolhedor.
Deitei-me na cama e fui tratado como uma criança quando Liam pusera o cobertor em mim. Ficou sentado na cama ao meu lado me observando. Acariciava-me o rosto e o cabelo, ora sorria e ora olhava-me pensativo. Perdi-me admirando aqueles olhos em cores cinzas, imaginando as estrelas que com certeza estavam acima de mim desejando-me o bem.
Não demorou muito para que ele deitasse ao meu lado. Acolheu-me em seus braços e beijou-me o pescoço.
— Hoje não, Liam.
Sabia exatamente o que ele estava querendo.
— Não quero isso que você pensa. Meu abraço te protege do mundo. Certo?
Pra que resposta se meu silêncio dizia que sim?
Em seu abraço, carinho e delicadeza esperei com que a escuridão se aproximasse. Queria dormir e me desligar por algumas horas da realidade do mundo.
Notas finais
http://vocaroo.com/i/s1TpowbmvB8u
O capítulo já está betado, só não a parte do final, mas revisei. Então perdoem-me os erros. E ah, sobre QD, como disse: O capítulo foi surpresa, e posso surgir com mais capítulos surpresas a qualquer momento.
Deixem seus comentários, podem ler minha atualização de perfil, mudei! haha. E sigam no tumblr.
Mais tarde responderei os outros comentários do capítulo anterior, estou indo dormir agora! Beijão. E ah, recomendem!! Por favor!!
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