Inverno
24 Capítulo 24
Notas iniciais
(Capítulo narrado por Liam)
"A morte, nem sempre é ruim. Eu pelo menos acho. Ela só nos tira desse mundo. A vida, acredito eu, é apenas uma escola com milhares de professores, o amor, o ódio, o perdão, a razão, a emoção, a mentira, a verdade, entre outros. Depois que você morre, aí sim você está pronto para viver... Em um mundo provavelmente melhor que esse."
(...)
— Vamos, John. Irei ganhar de você nessa corrida novamente. — Falei sorridente e tracejando a linha de partida em minha frente.
— Você acha que dessa vez vai ganhar. Não adianta, Liam, eu sou o melhor na corrida. — Ele disse, levantando-se do barril e caminhando em minha direção.
— Então vamos apostar? Se eu perder você fará meus exercícios por uma semana, e se eu perder pagarei seu lanche por uma semana, o que acha?
— Fechado. Vá preparando a grana. — John disse.
— Até a rua das árvores? — Indaguei.
— Vou te fazer comer neve independente do lugar.
John apenas sorria para mim, enquanto eu retribuía o seu sorriso.
— Quando o graveto tocar o chão, tudo bem? — Perguntei.
John apenas assentiu. Depois disso, eu lancei o graveto para o ar e não tirei os olhos da madeira até que essa chocasse contra o chão. Eu me sentia um foguete, veloz, deixando John para trás, mas ele era persistente, nem percebi que ele tinha acumulado uma bola de neve antes do sinal de partida. Quando lançou contra mim, acabou me atrapalhando e mesmo assim não conseguiu me ultrapassar.
Eu apenas ria desesperadamente vendo-o irritado por não conseguir me ultrapassar, ele estava há cerca de um metro atrás de mim. O vi tropeça e cair no amontoado de neve logo a sua frente. Meu coração apertou e corri em direção contrária, o encontrando jogado na neve.
— John? — Eu indaguei, tocando-lhe a face.
Ele não me respondeu. O tombo foi grande que seus sapatos não estavam em seus pés.
— John, responde! — Novamente toquei sua face.
E, mais uma vez, ele não me respondeu. Entrei em desespero a partir daquele momento, quando balancei seus braços e ele parecia não ter reação.
— John, por favor, acorda! — Gritei em desespero.
— Bu! — Ele gritou, assustando.
Por impulso, cai no chão assustado. John apenas gargalhava deitado na neve e apontava para mim. Quis soca-lo naquele minuto. Foi uma brincadeira de muito mau gosto.
— Você acreditou. — Ele dizia enquanto ria.
— Isso não teve graça, John. — Cruzei meus braços e fiquei de costas.
— Ah, para, foi engraçado você todo preocupado.
— Sim, eu achei que você tinha morrido. Não teve graça. — Meus olhos lacrimejavam, mas eu não queria que ele visse.
Ele continuava a gargalhar de mim, e por raiva, taquei neve em sua face.
(...)
Depois do tiro, tudo ficou em câmera lenta. Meu corpo não correspondia a mim, mas sim aos movimentos de John, que caia sem o seu controle e eu me pus a protegê-lo da queda no chão. Anna gritava enquanto corria, Emma chorava desesperadamente, Adam gritava por John, policiais invadiram a sala logo em seguida, Tobias segurava a arma e Laura apenas gargalhava. Sim, ela gargalhava enquanto via John desacordado em meus braços. Ela proferia coisas contra John, e só se calou quando policiais a prenderam na frente de todos.
Rapidamente, homens de branco entraram e me afastaram de John. Eu gritei pedindo para ficar ali, não queria que o levassem de mim. Tiveram que me segurar para que o levasse, a única coisa que sobrou dele comigo, fora seu sangue em minhas mãos e roupas.
A imagem de John fechando os olhos repetia milhares de vezes em minha mente, meu choro era incessante e nem mesmo os milhares de abraços que eu recebia eram suficientes. Cerca de vinte policiais cercavam a escola, ambulâncias por toda a parte.
Sair daquela sala foi como me ver livre de todo o tormento, os corredores pareciam sombrios, e somente policiais passavam por ali. Milhares de alunos nos esperavam na saída da escola, Henry passava ao meu lado deitado em uma das macas, enquanto Adam vinha ao meu encontro em desespero. Ninguém queria acreditar que aquilo tinha acontecido. Pouquíssimos foram os alunos que não vi chorar, mas esses que não choraram expressavam a sua tristeza em gestos. Todos estavam abalados com o que acontecia.
Eu sei que todos gritavam, mas eu de nada ouvia. Era como se tudo fosse silenciado. Imaginar que provavelmente eu iria perder alguém novamente acabou com minha vida e estraçalhou minha alma.
De longe, eu via a ambulância com o corpo de John indo embora. Não consegui ficar parado, e logo atravessei a multidão correndo em busca da minha moto. Depois que subi, esqueci-me daqueles que ficaram para trás. Das informações que eu teria que dar a polícia, das explicações a minha mãe e do apoio que provavelmente eu teria que dar a avó de Adam.
Nem mesmo usei o capacete, não me importei com isso. Meu foco era somente segui aquela ambulância enquanto ela corria em velocidade superior a minha. As minhas lágrimas iam sendo levadas pelo vento que chicoteava minha face violentamente e os motoristas dos carros que eram ultrapassados por mim proferiam palavras de ofensa contra.
Tive que frear bruscamente quando quase bati de frente com um caminhão. Atrapalhei o trânsito, sei disso. Mas deixei o motorista falar sozinho enquanto continuei seguindo a ambulância.
Quando ela finalmente chegou ao lugar, eu rapidamente desci da moto sem desliga-la, pouco me importa a merda do combustível ou o prejuízo que eu tomaria. Empurrei todas as portas do hospital gritando pelo nome de John. Pessoas me olhavam assustadas e tiveram que chamar os seguranças para me segurarem. De nada adiantava, eu lutava para sair dos braços deles.
Eu estava perdendo a voz e já não havia mais lágrimas, nem mesmo força para lutar contra os grandalhões que me prendiam em seus braços. Trouxera-me água, mas eu rejeitei, jogando-a contra a parede. Tudo que eu queria saber era de John.
— Beba um pouco, você está muito alterado. — Dizia uma mulher de longos cabelos.
— John! — Era essa a única palavra proferida pro mim.
— Quem é John? O que aconteceu?
— John! John! — Eu continuava a gritar, mesmo com a voz falhando.
Eu tinha achado que consegui me desprender dos braços dos grandalhões, e quando finalmente consegui correr, fui pego por mais dois a minha frente. Nada me faria parar naquele momento.
— John! — Gritei o mais alto que pude.
Eu não sei o que injetaram em mim naquele hospital. Só sei a pouca força que eu tinha, já não mais existia, minha voz fora ficando fraca e minha visão... Escureceu.
Eu tive um sonho.
Na verdade, eu apenas ouvia a voz de John. O que falava eu não sabia identificar, mas tinha a certeza de que ele falava comigo. Ouvia a sua risada descompassada e a sua respiração pesada em meu ouvido. Depois eu vi o seu sorriso se formar, logo o seu nariz e aqueles olhos miúdos, seu corpo ia ganhando forma e vida. Era o John atual olhando para mim, acenando e sorrindo. Até que então outros traços se formam ao seu lado, era eu, na infância. John brincava comigo e cuidava de meus machucados, depois eu fui crescendo e crescendo até então ficar maior do que ele. Seu sorriso foi a única coisa que vi antes de acordar.
— Liam... — Minha mãe chamou.
Eu estava deitado em sua perna, sua mão tocava a minha face, enquanto ela sorria desajeitadamente para mim.
— John... — Eu murmurei.
— Vai ficar tudo bem, querido. — Ela me disse.
— John. O John...— Eu ainda insistia em dizer.
Ela não me respondeu. Eu vi de forma lenta a sua lágrima descer e tocar a minha testa.
— Ele morreu, não foi?
— Vai ficar tudo bem, querido. Acredite em mim. Descanse mais um pouco.
E depois disso, novamente a escuridão me abraçou.
Eu lembro novamente de acordar no mesmo lugar, ainda nas pernas da minha mãe. Logo à frente, também sentada, estava a avó de Adam, e ao lado a mãe de John. Todas olhavam para mim. Aquilo de certa forma me incomodava, já que eu não entendia porque todos estavam ali. Até então, sentir o cheiro típico dos hospitais.
— John! — Falei.
— Ele está em cirurgia. — A avó de John disse.
— Vivo. O John está vivo?
— É o que todos esperamos. — A mãe dele disse, áspera.
— Tome, beba. — Minha mãe me entregou um copo d’água. — Você precisa se alimentar, querido. Vamos para casa, eu tenho certeza que a avó de John nos dará notícias.
— Eu não vou sair daqui. — Falei firme, prendendo-me ao banco.
— Mas Liam, estamos aqui há duas horas. Você precisa dar o seu depoimento a polícia, precisa se alimentar, tomar um banho.
Depois de dizer isso, foi quando notei minhas mãos limpas, porém, minha camisa ainda tinha o sangue de John.
— Eu não vou conseguir descansar enquanto não tiver notícias.
— Liam, eu sei que vai ficar tudo bem. — A avó de John disse, sua voz não transmitia confiança, e seus olhos brilhavam pelas lágrimas que insistiam em despencar.
— Se não fosse por você, nada disso teria acontecido.
Dessa vez quem falou foi a mãe de John, ela chorava, mas mesmo assim me agredia com suas palavras. Eu sentia sua dor, mas nada pude fazer. Realmente, se não fosse por mim, nada disso teria acontecido. Hoje reconheço o meu erro, se eu não tivesse sido tão egoísta, John e eu não estaríamos naquela sala, provavelmente em outro lugar. Eu sei que ele estava me procurando, eu conheço aquele que amo. Eu fui um tolo, imbecil e incapaz de protegê-lo. Adam tinha razão, eu não poderia deixa-lo sozinho, ele precisava de mim, seu único apoio. Mas cego pelo amor, que achei que iria protegê-lo, acabei cometendo um erro. Imperdoável.
— Você tem razão. — Murmurei, sentindo as lágrimas já se formarem.
— Claro que eu tenho razão. Meu filho está numa sala de cirurgia, ninguém sabe se ele irá morrer ou não. Tudo isso por esse amor idiota que vocês insistem em acreditar, já disse milhões de vezes que isso é errado. Veja só no que deu, uma mãe sempre acerta no que diz.
— Meu filho não tem culpa disso, nem John tem. Ambos se amam e só você com esse coração de pedra que não acredita. Pra uma mulher da sua idade, achei que você seria mais inteligente. — Minha mãe interferiu.
— Você que não é inteligente. Ou será que seu pai não te ensinou sobre essas coisas?
— Para de causar vexame no hospital, Alice. E não envolve o seu pai nessa conversa. — Isobel interferiu.
— Será que vocês não entendem? Por conta disso, meu filho está prestes a morrer! — Ela gritou.
— Eles não têm culpa disso. — Isobel também gritou. — Até parece que não sou sua mãe, olha só, te dei toda educação do mundo pra você agir assim, uma burra, ignorante, preconceituosa.
— Se eles continuarem desse jeito serão mortos! — Alice gritou.
E então, na nossa frente, Isobel usou de toda a sua força e levou a sua mão à cara de Alice. O silêncio foi inevitável, por ser branca, rapidamente vimos quadro marcas vermelhas de dedos formando-se na face da mulher.
— Eu disse que você estava merecendo. — Isobel somente disse. — Agora vá embora ou fique em outro lugar.
Alice estava parada como estátua. Nem mesmo ela acreditava naquilo. Provavelmente, depois de anos a mulher nunca provou de uma surra dada por sua mãe, embora fosse somente um tapa.
Ela em silêncio levantou-se e saiu dali.
Depois disso, só houve trocas de olhares. Isobel estava séria, mas não arrependida. Ela cruzou as pernas e fechou os olhos. Conhecendo-a, tenho a certeza de que estava orando por John.
Depois de mais de uma hora de silêncio, alguém resolve aparecer para nos tirar da apreensão. Era um senhor, já de cabelos grisalhos, mas seu porte físico aparentava ser alguém com seus vinte e oito anos.
— Família de John Backer? — Ele indagou, ao seu lado, estava uma mulher, o que imaginei ser a enfermeira.
— Eu sou a avó dele. — Isobel respondeu levantando-se.
— E eu a mãe. — Alice surgiu atrás.
— Ótimo.
Naquele momento todos já esperavam a notícia, independente do que fosse, os corações batiam aceleradamente. Minha mãe e sua mania de mexer as pernas, enquanto Isobel piscava a cada três segundos. Todos nervosos e esperançosos.
— E então? — Minha mãe indagou.
— O garoto insiste pela vida. — Ele sorriu. — Geralmente, há bastantes complicações em paciente que tomam algum tiro. Ele por exemplo, teve a sorte da bala não atingir algum órgão vital, evitando assim alguma hemorragia interna.
Eu fui abraçado por minha mãe enquanto ela sorria, Isobel não parava de beijar a face do médico, enquanto Alice, ligava sorridente para alguém, provavelmente o pai de John.
— E agora, onde ele está? — Isobel indagou, preparando-se para sair dali.
— Tivemos que induzi-lo ao coma, e esperamos que em quatro dias ele acorde. — Ele disse um tanto descontente.
— E se não acordar? — Indaguei.
— Ele vai acordar, acreditem. — O médico sorriu, mas fiquei com medo daquilo. — Tenho que ir, mais pacientes me esperam. Aconselho que voltem aqui amanhã no horário de visitas. — Ele dizia enquanto se afastava.
Eu vi Isobel se colocar de joelhos e erguer as mãos para o céu, Alice chorava desesperadamente enquanto conversava ao telefone, minha mãe não me largava de seu abraço apertado. Eu? Apenas consegui sorrir.
Meu amor vive.
Depois disso eu tive que ir pra casa, mas antes dei a minha versão sobre o que aconteceu naquela sala. Foi triste ter que relembrar tudo, deixei com que lágrimas escapassem de mim enquanto falava e descrevia detalhadamente tudo o que sentia ali. Mesmo que desnecessário. Diante de uma arma, você se entrega ao medo.
Dois dias se passaram. Durante esse tempo, recebi ligações de alguns alunos perguntando-me sobre John, tudo que eu conseguia dizer era: “Ele vai acordar logo.” Medo eu sentia, é claro. As informações que eu recebia era de que ele poderia acordar com sequelas caso esse limite de tempo fosse ultrapassado. Mas eu acreditava com todas as forças existentes em mim, que ele acordaria e sorriria para mim.
Todos os dias, sempre, fiquei parado do lado de fora da sala, observando aquele corpo deitado. Alguns aparelhos ao seu redor, o lençol azul caído até sua cintura, veias perfuradas enquanto recebia soro, era algo que jamais queria presenciar. Queria ter o poder de invadir sua mente, saber o que ele sonhava.
Disseram-me que eu não poderia entrar ali, era sufocante ter que apenas observá-lo e não tocá-lo. Preso naquela sala, sem saber o que acontece aqui fora.
— Eu acho que você é o Liam.
Quando virei, encontrei uma replica do garoto que eu amava, porém mais velho. Pouquíssimos eram os traços diferentes. Seus cabelos eram maiores do que o do John, era alto, forte e tinha barba.
Eu apenas assenti enquanto ele parou ao meu lado e também olhou passou a olhar o filho. Eu tinha a certeza de quem era ele. O pai de John, aquele que somente pude ouvir de longe enquanto conversava com o filho pelo telefone.
— Prazer em conhecê-lo, Liam. — Ele disse, apertando-me a mão.
Sem jeito, retribui o aperto.
— Você não fala? — Ele indagou sorridente.
— Oi. — Foi só o que consegui dizer.
— John me falou que você não era tímido, e realmente você não era. Lembro-me de quando você invadiu meu quarto e começou a usar minhas roupas com John. — Ele novamente sorriu, passando a mão em sua barba.
Sem jeito, continuei em silêncio enquanto ele lembrava-me dos momentos em que passei em sua casa.
— Você não me odeia? — E então, eu consegui pergunta sério, mas sem conseguir olhar para ele.
— Por que odiaria?
— Sua mulher, perdão... Ex-mulher me odeia.
— E também me odeia. — Ele novamente sorriu, e dessa vez cruzou os braços, olhando novamente para John, deitado logo a nossa frente, dentro da sala.
— John me falou... — Consegui dizer.
— Imperdoável o que fiz, não é? Arrependo-me, mas vejo que indiretamente foi melhor assim. Alice é uma mulher amarga.
— Põe amarga nisso.
— Os primeiros anos de casamento são os melhores, tanto é que o resultado está aí — ele direcionou o olhar para John e sorriu — Depois, as coisas mudam. — E agora o homem olhou para mim. — Você tem certeza de que quer continuar com meu filho? — A entonação, fora a de quem queria saber as minhas intenções. — John é sonhador.
— Forte, corajoso, capaz de ultrapassar barreiras simplesmente para arrancar sorrisos. E tem um coração maduro, capaz de perdoar pessoas por erros imperdoáveis. — E as palavras fluíram. — É inteligente com as palavras. Eu com certeza sou pouca coisa perto dele, mas... — a lágrima deu seu sinal, mas eu teria que me mostrar forte diante daquele homem — Quero errar e acertar ao lado dele.
— Eu aprovo. — Ele disse, afundou seus dedos em meus cabelos, bagunçando-os, segundos depois saiu dali.
Eu fui aprovado.
Antes de ir embora, sorri mais uma vez para o vidro transparente a minha frente, encontrando novamente o corpo de John.
— Você vai sair dessa. — Murmurei.
E finalmente voltei para casa. Dormi pouco aquela noite. Lana dormiu comigo durante esses dias, além da minha mãe, era a única pessoa capaz de me arrancar sorrisos por piadas idiotas. Ela não fazia ideia do que estava acontecendo, mas percebia a tristeza em meu olhar.
Hoje é o quarto dia, e John ainda continua deitado. Novamente estou parado em frente ao espelho, esperando-o acordar. Minhas mãos tocam o vidro e eu murmuro palavras ao vento. Nenhum movimento, nenhuma reação. Como eu queria tê-lo aqui e agora. Observá-lo assim, carente de cuidado, partia-me o coração. Eu, que sempre recebia os seus cuidados, estava ali para cuidar dele. Desde o nosso primeiro beijo na árvore, eu tinha a certeza dessa ligação que tínhamos. Eu só iria viver enquanto ele vivesse. Não seria capaz de amar alguém da mesma forma que o amo. A intensidade em que meu coração pulsa sempre na sua presença é inigualável.
Eu vi a enfermeira adentrar a sala e fazer algumas avaliações, logo em seguida ela saiu. Eu olhei ao redor e ninguém passava pelo corredor. Era arriscado o que eu estava prestes a fazer, mas eu não resistia mais ficar ali parado.
Quando adentrei a sala, meu coração congelou. Era mais intenso do que vê-lo do lado de fora. Eu sentia como se aquele fosse nosso último momento, algo assustador para quem temia a morte. Caminhei em passos leves até o seu lado e observei por alguns segundos aquela face. Meus dedos, inevitavelmente tocaram sua bochecha e meu polegar circundava a região, acariciando aquela pele macia.
— Eu tô te esperando. — Sussurrei.
Estava tão delicado, tão frágil. Eu sei que ele não me ouvia, mas eu queria tanto que esse percebesse a minha preocupação.
— Você é forte, John. Mais forte do que eu. Vamos, acorde... — Novamente sussurrei. — Todo mundo precisa desse seu sorriso que transmite confiança. Eu preciso de você me dando lição de moral todas as manhãs, de você me beijando e me abraçando. Ei, John, vamos... Acorda. — Já não mais sussurrava.
A lágrima, a minha companheira nesses dias, novamente deu o seu sinal. Ela descia em minha face e quando caiam, espalhavam-se pelos braços de John.
— John... — Meus joelhos encontraram o chão e eu direcionei minha mão a sua. — Acorda, por favor. — Murmurei.
— Seguranças! — Alguém gritou do lado de fora.
— Eu preciso ficar aqui, eu sinto que ele vai acordar. — Eu falei para a enfermeira que me flagrou.
— É proibido entrar aqui sem autorização.— Ela disse, enquanto os seguranças adentravam a sala.
— Me solta! — Gritei, tentando escapar dos braços dos grandalhões novamente. — John, acorde! — Eu gritei.
E foi aí que eu vi aqueles olhos abrirem.
Notas finais
http://fanfiction.com.br/historia/364223/Republica_De_Leoes/
Ficaria feliz se vocês passassem lá, haha.
Beijão e até o próximo, e infelizmente (provavelmente) o último capítulo.
Beijos. Amo todos vocês.
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