Inverno

25 Capítulo 25


Notas iniciais
As estrelas
(Capítulo Final)

Se eu morri? Não. Fui resgatado pela mais doce voz, pelo mais sincero gesto e pela mais linda das atitudes: Implorar pela vida daquele que quase conheceu a morte. De nada me recordo, nem mesmo sei se sonhei. Mas sei de que foi a voz daquele que amo que me fizera acordar.


A chuva caía lá fora. Eu vi as gotas chocando-se contra a janela, até mesmo vi minha silhueta se formar no vidro. O outono logo dará espaço ao Inverno, novamente este, que me abraça com o frio, que me deixa nostálgico e me arranca sorrisos. Da janela eu observo o vai e vem de pessoas agasalhadas, de carros buzinando procurando espaço e de crianças pulando nas poças que a chuva formava. Até mesmo esse gesto me recordava de Liam, por mais que não pulássemos em uma poça d’água, mas o fato de encontrar crianças assim, tão próximas, me leva ao passado.


Saudade eu tenho da escola, mas infelizmente eu tive que sair de lá. Não somente eu, como também Adam entre outros milhares de alunos, somente os corajosos arriscavam-se a ficar ali. Como por exemplo, Anna e Tobias, que pelas notícias estão juntos, e mesmo depois de tudo, desejo a eles toda a felicidade. Com certeza está sendo difícil para ela digerir toda a história de Liam. Pra qualquer um seria difícil lidar com o fato do ex-namorado agora se relacionar com um garoto, e se levarmos em consideração Laura, que já nem mesmo no bairro se encontra, seu destino com certeza será longe da sociedade. Anos de psicólogo, tratamento e força de vontade para se livrar desse amor doentio.

Não recebi o perdão de minha mãe, não. Nem tudo é como esperamos, ainda falta muito para a mulher que me deu a vida aceitar o mundo em que vivemos atualmente. Desde que acordei, foram poucos os momentos em que não houve ofensas da parte dela, mas depois disso tudo voltou a acontecer, e é por isso que aqui estou.

— Vamos? — Meu pai indagou.

Estava sorridente. Dessa vez, solteiro, tomou um jeito na vida. Segundo ele, trair nunca mais. Mas eu conheço o homem que me criou, transpira infidelidade, não nasceu pra casar ou ter uma família. Há milhares como ele nesse mundo, mas eu tive a sorte de que ele se esforçou, caso contrário eu não tinha nascido.

— Há quatro meses eu não os vejo. Estou nervoso.

— É normal se sentir assim, John. Está ansioso, e misturado à saudade as emoções tendem a se intensificar.

— Você vai ficar aqui sozinho novamente? Eu consigo ficar mais um pouco.

— Sua vida já não é mais aqui, John, e também não é comigo. Veja você, cresceu, é até mais responsável que eu. —Ele sorriu, pôs a mão em meu ombro e me puxou para um abraço.

— Mas pai...

— Você tem uma avó que está morrendo de saudades suas, vai mesmo deixá-la esperando no aeroporto?

Ele certamente tinha razão. Todas as manhãs ela me ligava para matar a saudades, eu só ouvia a voz de Adam contando-me todas as novidades, de como era legal voltar a estudar com Nat e como, por enquanto, estava feliz ao lado de Henry. Pelo que dizia, eles nunca deixavam de brigar, inclusive, hoje me disse que está novamente adotando o poder do silêncio, quer que Henry corra mais um pouco atrás dele. Idiotas.

Meu pai me ajudou com as malas até o carro, dirigiu e esperou comigo o próximo voo, que no caso seria o meu.

— Eu conversei com o Liam. — Ele falou, sem olhar pra mim, mas deixou escapar um sorriso.

Senti meu coração pulsar fortemente, meus olhos se dirigirem aos dele e me forcei a perguntar:

— Quando?

— Enquanto você estava em coma. O vi parado, observando-o enquanto você dormia.

Não soube o que lhe responder, apenas engoli o seco e me encostei-me ao acento. Forcei-me novamente a falar algo, mas não consegui. Era difícil acreditar, primeiro que era um pai, homem, ou seja, eu imagino o quão estranho foi para os dois. Por que demorou tanto pra me contar?

— Não vai falar nada? — Ele perguntou, despertando-me dos pensamentos.

— Eu não sei o que falar, é que... Com certeza tá sendo muito estranho pra você.

— O que é estranho hoje em dia? — Ele gargalhou, e isso realmente me assustou — Com certeza, no início, foi meio que estranho e difícil de digerir, mas veja só, olhando pra você vejo que é mais feliz assim. Não iria te forçar a levar a vida de mentiras que eu vivi, não é legal e isso te corrói por dentro, melhor te aceitar assim a ter um filho cujo amor de família seria banhado em ordens e deveres impostos pela sociedade.

— E-eu...

— Não precisa falar nada, John. Eu te amo do jeito que é. Agora vamos, porque se você não percebeu acabaram de anunciar o seu voo. E bem, você não vai querer perder, vai?

Meu pai se levantou e me puxou. Eu ainda estava surpreso, tentando realmente acreditar em tais palavras. Mas pouco me importei com as duvidas, eu apenas sorri com a aceitação de sua parte.

Uma sessão de despedida rápida, com abraços apertados e choro da minha parte, e antes de caminhar eu ouvi:

— Venha me visitar nas férias e se quiser, eu pensarei no caso de aceitar dois garotos embaixo do meu teto. — E sorriu, empurrando-me na fila de entrada.

E ali deixei o meu pai, novamente vivendo a sua vida. Mesmo sendo quem é, com seus erros, como qualquer ser humano, eu conseguia me orgulhar do pai que tinha. Aquele homem que quebrou os tabus passados por gerações.

Voo chato, eu estava ansioso. Nem mesmo a garota que estava sentada ao meu lado conseguia fazer com que o tempo passasse rapidamente. Era impossível.

Quando finalmente cheguei, logo fui abraçado por minha avó. Ela me avaliou dos pés a cabeça. Meus cabelos recebera um novo corte e deixei com que minha barba crescesse, não estava lá essas coisas, mas eu particularmente me sentia um pouco mais adulto.

Meus olhos procuravam por todo o espaço os olhos de Liam, mas nada de encontra-lo. Mas não quis demonstrar minha preocupação, com certeza estava fazendo algo mais importante, ou algum problema tinha acontecido.

— Então, cadê Adam? — Forcei-me a sorrir.

— Desde que eu liberei aquele namoro, os dois não desgrudam. Adam não dormiu em casa essa noite, então ainda não sei onde ele se encontra, mas com certeza quando ele chegar irá ter uma conversa séria comigo. — Ele disse, já pegando uma de minhas malas.

— Acho que não é necessário, Adam já é bem grandinho para tal.

— Agora é você quem irá me dizer o que é certo e errado? Não é porque você está mais bonito do que antes que vai achar que tem autoridade. — Ela sorriu e novamente beijou-me a testa.

Foi inevitável segurar o sorriso, eu não mais consegui falar depois que entrei no táxi. Ver tudo aquilo novamente era nostálgico, não fora por muito tempo que fiquei fora. Mas de qualquer maneira estava com saudades e parecia ser tudo novo, principalmente a faixada do apartamento que eu costumava ficar observando.

A nossa casa, dessa vez estava mais florida. A entrada principalmente. Percebi que minha avó havia trabalhando muito nesses últimos meses, porque o colorido e a vida que as flores davam a casa eram incríveis. Até mesmo o ar ali tinha mudado, pena que o céu nublado acabava com a imagem que com certeza em um dia de sol ficaria perfeito.

— Maldito Inverno, vai acabar com minhas flores. — Ela resmungou enquanto caminhávamos.

Acho que sou o único a gostar dessa estação. Coisas boas aconteceram nesse período.

Estava tudo do jeito de antes, nenhuma mudança. Móveis no mesmo lugar, paredes da mesma cor, somente o novo porta retratos pregado à parede com nossa foto que tiramos em minha despedida. Até o idiota do Henry saiu da no foto, e claro, fazendo coisas idiotas, como por a mão na boca do Adam enquanto o fotógrafo batia a foto: Nat.

Liam? Ele não saiu na foto. Ele como a maioria, resolveu passar as férias com a família. Sua mãe achou que seria melhor assim, não só para mim como também para ele. Por isso minha ansiedade para encontra-lo ultrapassa o limite do nervosismo. Agradeço aos criadores do celular, mas nada melhor do que o contato visual, o toque e a voz vinda diretamente dos seus lábios aos meus ouvidos.

— John já chegou? — Adam surge na sala e me encontra, seu olhar era de surpresa, mas logo ele revirou os olhos. — Droga! Era surpresa, entra novamente pela porta, que merda. — Ele resmungava enquanto coçava a cabeça.

Minha avó gargalhou como nunca e claro, eu também. Ele realmente não tinha gostado daquilo, tanto é que nem me abraçou. Continuou ali, parado e me encarando.

— Henry, pode aparecer, é ele mesmo.

Henry? Então ele também estava ali.

Logo o moreno surge com um bolo em suas mãos. Então minha avó mentiu, eles estavam preparando algo para mim. Não contive o sorriso e me joguei no sofá, sem graça. Mas logo Adam viera me puxar e me deu um abraço. Henry continuava lá, parado como estátua, mas sorria. Pelo menos, acho que havia amadurecido. Eu pelo menos espero que sim.

Adam não mudou nada, continuava o mesmo baixinho de sempre, com os cabelos do mesmo jeito. Henry só deixara, também, um pouco da barba crescer. Só não gostei do fato de estar sem camisa. Será que ele não sente frio?

— O bolo não fui eu quem fez, foi a vovó. Henry vai dizer que foi ele quem fez, mas não acredite. — Adam murmurou enquanto me abraçava.

— Eu preparei o bolo pra você, John. Aproveitei e envenenei.

Sim, continuava o mesmo idiota de sempre.

O moreno se aproximou com o bolo, mas pusera na mesinha ao lado e me estendeu a mão. Retribui seu gesto, mas não pude evitar puxá-lo para um abraço. Ele era maior do que eu, mas de qualquer maneira não me incomodei com isso.

Como era de esperar, minha mãe não estava ali para me receber. Senti sua falta, mas eu nada podia fazer. Acho que chegou o tempo em que tudo depende dela. Fiz o possível e o impossível por meras desculpas. Até mesmo ia morrer sem o seu perdão, e atualmente vivo sem esse afeto. Evitei perguntar sobre ela, provavelmente estava em outro lugar bem longe dali, evitando me encontrar em casa. Nem todas as famílias são perfeitas, um exemplo disso é a família de Henry e em seguida vem a minha.

— Emanuel nasceu. — Henry disse.

— Quem? — Indaguei.

— O irmão dele.

Lembrei-me então de que Henry teria um irmão fora do casamento, o que gerou toda a confusão em sua família e separação de seus pais.

— Não se preocupa, é que ele tá bobo desde o nascimento da criança. E resolveu anunciar pra o mundo. Só espero que a criança seja diferente dos dois irmãos, não é? — Adam dizia enquanto fuzilava o moreno, mas deixou escapar um sorriso.

Henry parecia já se sentir em casa, pois fora sozinho à cozinha levando o bolo com ele. Minha avó ia resmungando e chamando seu nome, deixando-me as sós com Adam. Eu o encarei sorrido, e o babaca gargalhou quando encontrou o meu olhar.

— O que foi? — Indaguei, pausadamente.

— Você me olhando com essa cara de idiota.

— Ai, vai se ferrar, Adam.

— Mas... Você me olha assim e ainda me xinga?

— Esquece. — Falei, tacando uma bola de lã em cima dele — Eu quero saber como andam as coisas por aqui. E... Minha mãe...

Adam fora muito direto com sua resposta, como ele sempre foi.

— As coisas por aqui, por enquanto estão bem. E sua mãe, bem, eu a flagrei com um cara enquanto saia com Henry, pelo que parece ela também tá recomeçando a sua vida.

Evitei mais indagações. Então seria assim daqui por diante. Uma mãe com vergonha do filho que tem, vivendo uma nova vida, criando outra família. Só espero, que dessa vez, ela tenha o amor merecido e necessário para acabar com as mágoas em seu coração.

— E Liam, você o viu? — Rapidamente indaguei, claro, sem jeito.

— Não. Assim como você, ele chega de viagem hoje, foi isso que você me disse ontem enquanto conversava comigo.

— Então ainda acho que está na viagem. — Falei e me levantei.

— Você está triste? — Adam segurou meu braço, impedindo-me de dar um passo.

— Eu? — Revirei os olhos. — É claro que não. Estou muito feliz por voltar. E bem, eu tenho que comemorar a vida, quase morri, não tenho porque ficar me preocupando.

Lembrar-se da quase tragédia foi o suficiente para Adam acreditar em minhas palavras. Eu não estava triste, confesso, mas a saudade apertava no peito. E eu queria muito ver o loiro e me afogar em seu cheiro.

Finalmente soltei-me de sua mão e continuei a caminhar, encontrando Henry e minha avó discutindo. Era como se os papeis tivessem mudado. Adam era o pacificador enquanto minha avó parecia forçar intriga com Henry, e ele, na autoridade, rebatia. Porém, era cômico ver essa relação de guerra por eles dois.

— Tobias e Anna vão casar. — Henry dizia, gargalhando.

Era óbvio que ele estava mentindo, mas eu fiquei espantado com o que ele dizia. Porque no primeiro momento duvidei de suas palavras. Vai que ele realmente estivesse contando uma verdade.

Adam revirou os olhos sentindo-se constrangido com a babaquice de Henry, e afastou a cadeira sentando-se do meu lado.

— Então, John, como foi passar esses dias longe de mim? — Adam dizia, enquanto pegava um pedaço do bolo.

— Interessante. — Foi só o que disse.

— Só isso?

— Adam, eu precisava passar um tempo com meu pai.

— Agora meta a mão na minha cara, seu arrogante. — Ele disse, e agora afastou a cadeira pra sentar ao lado de Henry.

— Me sinto uma estranha no meio de vocês jovens, então irei para meu quarto e comer por lá mesmo.

Minha avó nem mesmo esperou qualquer resposta e já estava dobrando a porta quando finalmente nos deixou sozinho.

— Te falei que continuo sendo o rei do pedaço? Aqueles idiotas continuam a me venerar e dessa vez, advinha quem se juntou a mim?

— Adam? — Tão previsível.

— Exatamente. Eu ele e a Nat.

— Não era você quem disse que achava isso ridículo? — Indaguei fitando Adam. — Me lembro do meu primeiro dia aqui. — Logo, imagens do passado invadiram a minha mente.

— É, mas de tanto conviver com esse idiota acabei aderindo aos seus costumes, e eu não pedi pra ser conhecido, as pessoas me fizeram assim. Eu não faço nada além de ficar com ele e evitando-o de se meter confusão.

Revirei os olhos com essa resposta, embora fizesse sentido. O moreno atrai a atenção não somente para si, mas também para aqueles que o cercam.

— Você também saiu da escola? — Minha pergunta agora fora para Henry.

— É claro. — Adam interferiu — Quem mais ficaria ali? Aquele lugar não é mais seguro.

— Também, com uma louca incendiando e atirando para todos os lados aquele lugar realmente não é seguro. — Ele gargalhando e em seguida comeu outro pedaço do bolo.

Eu sorri. Ver Henry zoando a própria irmã era engraçado. E mesmo depois de tudo que ela aprontou, algo recentemente, eu ainda conseguia sorrir. As coisas vieram a piorar quando Henry puxou Adam para beijá-lo, nem me arrisquei a olhar aquilo e me levantei, deixando-os sozinhos na cozinha.

— Ei, aonde você... — Adam tentou falar, mas percebi quando Henry o puxou pra mais um beijo.

Quando adentrei o meu quarto, lembro somente de me jogar na cama. Fora questão de minutos pra dormir por duas horas e acordar no final da tarde. Henry tinha ido embora e Adam estava no quarto comigo. Ele me contava sobre tudo o que aconteceu, na maioria dos casos, ele me contava acontecimento em sua nova escola. Como perdi um ano, estava arrependido por isso, sem chances de recuperar as matérias perdidas. Laura causou-me um grande problema, além do psicológico é claro.

— Você está pensando no Liam, não é? — Adam me acordou dos pensamentos.

— É tão óbvio assim?

— Você me chama de previsível, mas vejamos...

— Sim, estou. — O interrompi.

Adam me abraçou ali na cama e afogou sua mão em meus cabelos. Continuava o mesmo carinhoso de sempre. E eu gostava de toda essa intimidade que tínhamos, sem segundas intenções e a mais pura possível.

— Teve noites em que não consegui dormir pensando em você. — Ele falou.

— Eu sou importante. — Falei, mas minhas palavras eram abafadas por sua voz.

— Foi doloroso aceitar que você tinha tomado um tiro. Eu me senti tão fraco dentro daquela sala, John. Às vezes eu me acho muito vulnerável, sinto que preciso de mudanças. E Henry vive me defendendo na nova escola, e isso cansa.

Palavras me trouxeram boas lembranças, era incrível em como Adam e Liam eram tão parecidos. Sentiam-se tão fracos e ansiavam por mudança.

— Te acho tão forte, Adam. Você não acredita o quanto. — Eu falei, agora afogando minha mão em seus cabelos, ambos compartilhando cafuné.

— Até parece que sou. Veja você...

— Você perdeu a mãe cedo, sofreu por amor, quebrou barreiras por sua sexualidade, arriscou sua vida pra salvar seu primo, sobreviveu a um espancamento... — Eu o interrompi — Você acha que isso realmente é ser fraco? Não falo de força física, se é que você me entende. Hoje está aí, sorrindo e pouco se importando com as tristezas que a vida vive a nos proporcionar.

No final, apenas sorri. Um sorriso sincero.

— Às vezes eu penso em te dar um beijo por ser tão inteligente. — Ele brincou, levantando-se e sorrindo. Eram essas as brincadeiras que Adam tinha quando o encontrei na cozinha, nessa mesma casa, em meu primeiro dia aqui. Ele interiormente era tarado, só passava a imagem de bobo e ingênuo.

— Adoraria que Henry tivesse ouvido isso.

— Ele não iria fazer nada. Eu mando na relação. — Estufou o peito e ergueu os braços — Se eu estalar os dedos ele vem correndo.

— E se ele gritar contigo, você se acolhe no cantinho da parede.

— Isso é verdade. E ainda imploro pelo seu perdão. — Gargalhou.

Tão estúpido que conseguia me arrancar gargalhadas quando eu menos esperava. Adam depois disso desceu e foi ficar com minha avó, deixando-me sozinho no quarto. Eu novamente me pus a pensar no loiro. Da janela, vi que a lua brilhava lindamente lá fora. Agradeci por aqui não estar chovendo, ainda, e também pelo céu nublado ter sido desfeito. As estrelas, tão belas.

Que saudades eu estava, meu corpo já não podia mais suportar esse espaço existente entre nós. Nem mesmo minhas ligações ele estava atendendo. O que somente fiz foi pegar meus óculos que usava para ler e abrir o livro que trouxe em minha mochila. Mas nem mesmo a leitura fora capaz de me desconcentrar, eu olhava de três em três segundos para o relógio esperando as horas passarem, implorando para que a qualquer momento, Liam adentrasse por aquela porta bege do meu quarto.

Acabei por cochilar por tanto esperar.

Toques. Fora isso que me despertou. Primeiro foi um beijo em minha testa, depois mãos afogando-se em meus cabelos, depois palavras como: “Saudade, Ausência e Carência.” Até então encontrar o cinza, logo acima de mim.

Acabei de acreditar em que pensamentos positivos atraem coisas boas.

Era Liam que estava ali, olhando para mim com um sorriso exibindo a arcada dentária perfeita construída pela bem feita genética da sua família. Aquele olhar profundo que me deixou por minutos estático, observando-o, temendo que aquilo não fosse realidade. Até então levar minha mão a sua face e sentir a pele gélida pelo frio da noite.

Eu me levantei de supetão e não pude conter a lágrima que já descia em minha face, não de forma exagerada, mas talvez essa seria a lágrima da saudade, uma única lágrima, indo embora, finalmente.

Eu pressionei minhas mãos contra seu rosto, e não consegui mais me controlar. Deixei-me levar pelas emoções presas em meu coração. Fui como um foguete ao encontro dos seus lábios, que me recebeu em questão de segundos. Aquele olhar de compreensão e desejo, aqueles lábios correspondendo ao meu comando, àquela mão pressionando a minha nuca. Era ele, o meu loiro, o meu Liam.

— Que saudade. — Palavras cada vez mais sendo apagadas pelos beijos e a pouca respiração que me restava.

Ele não me respondia verbalmente, sua única resposta eram os seus beijos ficando mais intensos. Eu finalmente desprendi-me de seus braços e observei seus lábios vermelhos. Queria pode lhe beijar novamente, mas... Tantas perguntas para serem feitas naquele momento.

O loiro com certeza via meu olhar de surpresa, de duvidas e de incertezas. Apenas me abraçou e me aqueceu com o calor de seu corpo, pois a pele gélida já não mais existia. O beijo havia esquentado tudo.

— Eu estou aqui. — Ele disse — E sou totalmente seu. — Murmurou.

Novamente encontrei os seus olhos e o beijei por rápidos segundos. Liam não parava de sorrir, e eu me sentia um idiota por aquilo. Foi quando dei uma leve tapa em seu braço.

— Você não atendeu minhas ligações. — Dei outra tapa. — Eu achei que não te encontraria hoje. — Uma terceira tapa. — Você me deixou preocupado.

Ele apenas ria, tentando se proteger, mas não adiantava, eu conseguia estapeá-lo de qualquer forma. Ele tinha culpa por me deixar tão apreensivo.

— Eu quis fazer uma surpresa, mas acabei aceitando que você é esperto demais para tal. De qualquer forma, eu ainda quero sair com você. — Ele disse se levantando. — E agora, o mais rápido possível. Sem tempo pra perguntas.

Não houve mais incertezas, eu apenas me levantei, ainda usando os óculos que usava para ler e o segui. Como ele mesmo disse: Sem tempo pra perguntas.

Até mesmo saudade da sua moto eu tive quando a encontrei estacionada em frente a minha casa. Ele jogou o capacete para mim e subiu na moto, eu fiz a mesma coisa logo em seguida. Vi minha avó observar na janela, e Adam na janela de baixo. Eu, provavelmente, só os veria pela manhã.

— Para onde estamos indo? — Não pude evitar.

— Logo você saberá.

— Seja mais exato, Liam. Você quer ir a algum motel.

— Para de ser estúpido.

— Como se eu não te conhecesse.

Pra que constrangimento quando se já estamos acostumado com alguém assim? Depois de todas as intimidades, de palavras inapropriadas e de gestos obscenos?

Não. Não foi para um motel que Liam me levou, pelo contrário. Estava na mesma rua esquisita de meses atrás, parados em frente ao mesmo beco escuro que já adentrei, e encontrei uma prostitua que passou a mão em minhas nádegas.

Conhecendo Liam, e no lugar que estávamos agora, bem... Era certo que ele queria passar um tempo comigo, sentados em frente à árvore observando as estrelas. Eu, é claro, não falei nada, apenas desci da moto e o segui. Aquela prostituta já não mais se encontrava ali, apenas os mesmo drogados e alcoólatras de sempre. A entrada do bar rústico continuava do mesmo jeito, com a mesma placa de luzes fracas e algumas apagadas, a única diferença era o fato de a iluminação ser diferente... Luzes amarelas iluminavam o lugar. Sim, esse pessoal tinha um péssimo gosto.

— Veja só quem apareceu.

Aquele mesmo homem, dono do sorriso amarelo estava ali. Sua barriga maior do que o normal, usando camisetas imundas e calças sujas.

— Gregg! — Ambos fizeram um cumprimento de mãos, nada formal — Pelo visto, nada mudou aqui.

— Só a violência que aumentou. Julie morreu. — Ele disse, porém sorria como se aquilo não tivesse a menor importância.

Quem era Julie, eu não sabia, mas aquilo me fez engolir o seco. Evitei olhar para Liam e continuei com meu olhar firme no senhor, mostrando-me forte e nada incomodado.

— Isso nunca é novidade nos dias de hoje. Meus pêsames por Julie. E Tina, continua por aqui?

— Essa daí engravidou, e parece que tomou um jeito na vida.

— Pelo visto muita coisa mudou. Esse é o John, lembra-se dele?

— O garotinho que quase morreu com o conhaque da casa? Como esquecer. Até hoje ele é piada no lugar.

Eu fechei os olhos e contei até três. Encontrar os olhos de Liam com certeza iria me deixar enfurecido, e bem, provavelmente ele estaria sorrido. E o velhote, era duas vezes maior do que eu. Dei-me por vencido.

— Vamos, John. — Liam falou, atravessando a entrada.

Eu nem sorri para o velhote, apenas adentrei o lugar. No momento tocavam músicas desconhecidas e com certeza não era dessa época. Até ali dentro continuava do mesmo lugar, prostitutas se vendendo para velhos nojentos, pançudos e barbudos. Liam nem mesmo passara por perto do balcão, caminhava já para os fundos do local, passando despercebido pelos velhos.

— Vai querer minha jaqueta como da última vez? — Ele indagou, sorrindo.

— Tirou o dia pra ficar me zoando? Se eu soubesse que seria assim, deveria continuar com meu pai.

— Ai, desculpa. Só estou tentando tirar toda essa seriedade de você. — Ele disse, pondo a mão em meus ombros, beijando-me rapidamente.

Não contive o sorriso.

Depois Liam continuou a caminhar, o mesmo trajeto, o mesmo som de folhas secas sendo pisoteadas, de galhos chocando-se uns contra os outros. A lua, três vezes maior do que aquele dia iluminava o nosso caminho.

— Espero que você goste da surpresa. — Ele disse.

— O que? A árvore com...

No momento, fiquei em silêncio e não dei continuidade com a frase. Não era somente a árvore preparada para mim. Lanternas japonesas, brancas, estavam presas a algumas árvores ao redor, logo mais a frente, afastado, uma pequena fogueira estava acesa — por milagre — almofadas prateadas brilhavam pela luz da lua encontravam-se ao redor da árvore na qual nossos nomes fora marcado, sobre uma grande toalha escura que ficava ao lado de uma barraca, que julguei caber quatro pessoas, presa a algumas madeiras. Adorei relembrar a imagem da cidade ainda iluminada, de ver as estrelas brilhando no céu, e a lua, como falei, esplêndida. Tudo preparado especialmente para mim.

— Eu passei o dia aqui, preparando tudo. Claro que perdi algumas horas naquela maldita fogueira, e acho que nem deveria falar mal, é um milagre encontra-la acesa.

— Liam, você tem certeza que ninguém sobe aqui? — Esqueci por momentos da surpresa e me preocupei com os outros.

— Sim, e pra te deixar tranquilo — ele mostrou as chaves — eu pus cadeado na porta que leva até aqui. Acredite, eu preparei tudo. Você não é o único inteligente, John. — Ele sorriu, convencido.

— M-mas... Tô me sentindo muito gay. E isso não parece ter sido feito por você.

— Ótimo. — Ele falou, jogando as chaves para mim. — Pode ir embora se você quiser.

Logo, percebi que tinha falado besteira. E rapidamente corri para o seu lado, beijando seus lábios como pedido de desculpas. Essa dica vale para aqueles que irritam os seus parceiros.

— Eu gosto quando você me trata com esses mimos. — Confessei, murmurando próximo ao seu lábio.

— É claro, se não eu, quem mais? — Ele falou, retribuindo o beijo.

— Adam. — Joguei o nome, dando de ombros.

— Tá, até pode ser. Mas eu faço mais e ainda posso... — Ele falou, levando sua mão as minhas nádegas — Você sabe.

Eu apenas revirei meus olhos e me afastei dele, indo ao amontoado de almofadas sobre a toalha. Liam viera logo em seguida atrás de mim, porém, ele adentrou a barraca e saiu de lá com alguns sacos de marshmallows. Sentou-se ao meu lado, encostando sua cabeça em meu ombro.

— Lembra? — Ele indagou, beijando-me a bochecha.

(...)


— Sempre sonhei com um piquenique assim. Como esses atores fazem. Pegar a garota que gosta e acampar. — Falei, sentado no sofá da sala.


Estávamos Liam, eu, meu pai e minha mãe. Assistíamos ao filme programado para hoje, como era o dia da minha mãe escolher, ela optou por um romance. Meu pai parecia querer vomitar e sempre olhava para minha ela sorrindo, Liam era o único calado no lugar.

— Um dia você fará isso, John. Garotas adoram homens românticos. — Disse minha mãe.

— Garotas gostam de homens românticos, John, mas não tanto. — Meu pai interferiu.

— Certo, é por isso que não existem casais duradouros hoje em dia. — Ela prosseguiu.

— Claro que existe, não existe um casal padrão, baseado em filmes como esse. As pessoas são distintas, Alice.

— Vocês homens são tão estúpidos. — Ela disse iniciando a discussão que eu odiava quando acontecia na frente de visitas.

— Um dia eu irei fazer isso pra pessoa que amo. — Liam então conseguiu chamar a atenção de todos com o que disse, rasgando a discussão e iniciando o silêncio.

E então olhei para ele e ele me olhou.

(...)


Como não lembrar algo como esse? Depois de tantos anos, Liam ainda carregava na mente a ideia de fazer algo para a pessoa que ele ama. E a pessoa, nada mais é do que eu.


Meu sorriso, a resposta mais sincera para uma atitude tão bela como essa.

— Às vezes me pergunto quem é você de verdade, Liam. — Eu falei, sorridente.

— Nasci pra te surpreender. — Ele disse.

— E eu gosto disso.

O loiro encostou-se a mim novamente e retirou alguns marshmallows do saco, era guloso e pôs três de uma vez em sua boca. Eu me contentei somente com um. Foram minutos de silêncio, já que nos perdíamos admirando a fogueira e suas cores.

— Qual a sua constelação preferida? — Resolvi então rasgar o silêncio, fitando o seu repousando agora a cabeça em seu colo.

— A de Altair. — Ele respondeu, ainda mastigando.

— Uma boa escolha. Mas ainda prefiro a ursa menor.

— Me vejo como uma águia, e é isso o que ela representa. Se bem que até faz sentido, deixando a barba crescer você realmente parece um urso.

Era incrível como Liam estava sendo absurdamente romântico, deixando-me desconfortável em alguns momentos. O vi na infância, exatamente desse jeito: fofo. Em pensar que passara por coisas difíceis e hoje prova para si mesmo que é forte.

— Eu tive tanto medo, John... De te perder novamente, de perder mais alguém pra morte.

Dessa vez, fora Liam quem desviara o assunto. O vi fitar as chamas e sua mão pressionou a minha. As palavras eram sinceras, podia-se sentir isso a quilômetros de distancia, mas recordar o que já aconteceu não era legal. Era como se Liam transmitisse sua dor daqueles dias. Eu, em seu lugar, com certeza não iria suportar tamanha dor de vê-lo desacordado, sem saber se um dia iria acordar.

— Todas as noites eu me colocava de joelhos pedindo para que você acordasse. Nas manhãs, antes de te visitar eu conversava com você enquanto tomava banho, mesmo que fosse somente a minha imaginação. Olhava a fotografia, que mesmo sendo tirada por Laura, era de grande importância para mim...

— Ei. — Eu levei meus dedos aos seus lábios. — Já passou. — O confortei com minhas palavras. — Se você provavelmente não tivesse gritado por mim, eu poderia ainda continuar naquele hospital. Eu consigo recordar da sua voz ecoando em meus ouvidos, Liam. Foi por você que estou aqui.

Em seguida eu o puxei para um abraço, repousando sua cabeça em meu ombro como por diversas vezes eu fiz quando ele era menor e chorava. Hoje sei o motivo daquele choro. Estava eu novamente cuidando daquele anjo, protegido pelo meu abraço. Eu tinha tantas incertezas sobre o futuro, e veja onde estou: ainda com ele. Se assim for permitido, estaremos juntos durante a eternidade. Um cuidado do outro.

— Se eu por acaso morresse, você jamais se renderia a tristeza. Porque a cada dia que se passa, tenho orgulho da pessoa que amo.

O loiro apenas sorriu e levou seus lábios aos meus, sem desfazer o sorriso, e então cravou seus dentes no meu lábio inferior, arrancando um leve suspiro meu. A mudança foi repentina, em minutos a pessoa de olhar vazio se encheu de fogo.

— Foi difícil ter que me acostumar com a mão. — Ele falou, logo após a mordida.

Eu não tive tempo de reclamar da sua piada ridícula, pois Liam já havia novamente colado seus lábios aos meus, calando-me com um beijo. Minhas mãos espalmaram seu tórax, mas logo me rendi quando ele novamente cravou seus dentes em meus lábios. Ele sorria vitorioso sempre que arrancava suspiros de mim, e isso me irritava, mas interiormente eu gostava daquilo. E se fosse pra continua recebendo, eu teria que aguentar em silêncio.

Era incrível beijá-lo, assim como também era nostálgico. Lábios furiosos e sedentos, despertando em mim desejos. Aqui, nesse mesmo lugar, foi quando o deixei sozinho quando me beijou a primeira vez, e agora, estou disposto a continuar e a clamar por mais de seus beijos.

Levou sua mão ao meu zíper e por ali ficou, sem nenhum movimento. Mas ele já sentia a minha pulsação. O fogo e a adrenalina, quando misturados, formam uma única sensação, indescritível.

Eu arranquei a jaqueta do seu corpo, e Liam agora cravou seus dentes em meu pescoço, eu tive que pausar e conter a respiração acelerada após aquele ato. Era o loiro, eu teria que me preparar sempre para coisas assim.

— Não aqui. — Ele murmurou.

Liam foi o primeiro a levantar e me guiar para dentro da barraca. Pude notar que lá também estava cercado de almofadas, o cheiro era agradável, mas não havia incenso ou algo do tipo, afrodisíaco. Tudo preparado para mim.

Eu estava de joelhos quando o loiro me beijou, senti sua mão tocar a minha cintura e logo se espalhar por minhas costas, massageando-as. Com a outra mão, Liam retirou meus óculos e o jogou no canto da barraca, eu desejei encontrar os olhos cinzas, mas tudo que vi fora orbes negras por falta de iluminação. De qualquer maneira, eu sabia que a cor ainda existia ali. Ele levou seus lábios até minha orelha, e eu o senti cravar os dentes ali.

— Liam... — Eu murmurei seu nome, tomado pelo prazer.

— Tão meu... — Ele retribuiu o sussurro, cravando novamente seus dentes naquela região.

Fechei os olhos, suportei todas as ondas elétricas que iam sendo descarregadas em meu corpo a cada mordida e murmuro seu. O segurei pelo cós da sua calça, aproximando-o para mais próximo de mim. Levei meus lábios ao seu pescoço, distribuindo mordidas na região, seus suspiros alimentavam ainda mais o meu desejo.

Liam retirou sua própria camisa, provocando-me. Seus cabelos já estavam bagunçados, e por um momento seus olhos brilharam quando encontrou a luz da lua acima de nós passando por uma das brechas da barraca. Ele agora tirava a minha camisa. Não deu um segundo e já estava tomando meus lábios para si.

— Chama por meu nome. — Pediu.

— Liam... — Eu novamente murmurei. Já estava completamente entregue ao seu comando.

Suas mãos tocaram o meu tórax, depois me empurrou, lançando-me contra as almofadas. Foi quando notei que ali tinha o cheiro do seu perfume e deduzi que ele havia espalhado propositalmente. Não falei nada e o esperei montar em cima de mim, e isso não demorou muito para acontecer.

Liam agora beijava a minha mão, passando pelo braço e encontrando o meu ombro, cravou seus dentes ali e depois desceu até o meu mamilo, quando sua língua o encontrou, me contorci por tamanho prazer que estava sentindo. Ele me olhou e sorriu, mas rapidamente voltou a circundar a região. O loiro agora descia vagarosamente pelo meu abdômen e eu o vi morder o cós da minha calça, abrir o zíper e arrancar de vez, minhas últimas vestes. Quando o seu dedo indicador tocou a minha glande, eu mordi o lábio e suspirei. A mão de Liam envolveu meu membro, massageando. Ele mordiscava a minha barriga quando fazia-me uma breve masturbação. Controlar o que estava prestes a vir era difícil, mas eu resistia ao seu toque. Liam ligeiramente abocanhou de vez o meu falo, arrancando de mim um gemido.

— Liam... — Novamente chamei por seu nome, embora não obtive resposta.

O loiro continuava com seus movimentos, levando-me ao delírio. Brincava com meu membro em sua boca, enquanto com seu indicador já me preparava. Dupla dose de prazer.

— Eu não vou conseguir. — Murmurei, sentindo minha ejaculação chegar.

Mas Liam não parava, pelo contrário, ele insistia em continuar. Acelerava seus movimentos com meu membro em minha boca e envolvido por sua mão, logo passou a masturbar-me voltando a mordiscar minha barriga, e ali mesmo, ejaculei. O loiro, esperto, subiu seus lábios até me silenciar novamente com um beijo.

— Ainda não acabou. —Ele disse.

Forças? Eu já não tinha, mas seus beijos iam me renovando a cada segundo. Ele mesmo resolveu retirar sua calça e cueca, ficando também despido. Nossos corpos já transpiravam o suficiente para que nossos corpos se deslizassem um no outro. Sua mão novamente encontrou meu membro, já ereto novamente.

— Fica de bruços. — Ele pediu.

Eu rapidamente o obedeci. Em poucos segundos eu já sentia seu membro deslizando em minhas nádegas e suas mãos massageando minhas costas. Ele provocava e brincava comigo, pois já sabia que eu o queria inteiramente dentro de mim. Mas Liam continuava com seus jogos de sedução, eu senti suas unhas cravarem em minhas costas, com a outra ele deu uma leve tapa em minha nádega. Tentei calcular a quantidade de filmes pornográficos que ele assistiu durante esse tempo em que estávamos afastados, pois viera renovado e saliente.

— Você me deixa tão louco, John. — Ele murmurou quando seus lábios encontraram meu ouvido.

— É esse o meu objetivo. — Eu falei, preso em minha respiração.

— Vai além disso.

— Liam, adianta. — Eu clamei e minha voz saiu falha por um gemido.

Senti seu sorriso se formar em meu pescoço. Mas o idiota apenas brincava com sua glande em mim. Quis matá-lo por isso, porém, eu me via completamente rendido. Um movimento me faria perder toda a sensação prazerosa que estava sentindo.

Era torturante ter que espera-lo me invadir. Mas isso finalmente aconteceu. Liam finalmente pressionou seu membro, até que finalmente conseguira adentrar com sua glande. Eu arqueei minhas costas, há um tempo não transávamos, a dor latejante fora um pouco maior que a nossa última vez. A mão do loiro tapava a minha boca, enquanto eu me contorcia de dor. Se eu não fosse tão estúpido, poderia dizer que Liam aderira ao sadomasoquismo, mas não era isso, ele apenas queria o silêncio enquanto me domava. Porém, isso seria impossível, pois ele mesmo rasgou o silencio com um gemido fraco em meu ouvido quando finalmente, por inteiro, adentrou em mim. Eu suportei tudo, embora eu sentisse que estava sendo rasgado, mas isso não durou quando Liam fizera seu terceiro movimento dentro de mim.

Ele me torturava novamente com seus movimentos fracos, pois sabia que nesse momento eu adorava quando ele acelerava e quando principalmente ia cada vez mais fundo, atingindo o ponto essencial.

Uns pedem por calma.

— Acelera. — Clamei.

Outros imploram por velocidade, no meu caso.

E felizmente ele havia me obedecido, ora acelerava e ora ia com calma, torturando-me sempre, pois adorava me ouvir chamando por seu nome. Exausto, Liam também se deitou ao meu lado, me colocou de costas para ele e ergueu minha perna esquerda, ali mesmo me penetrou pela segunda vez. Eu encontrei sua face e o beijei, mas não resistia e murmurava palavras obscenas, e ele, esperto, apenas ria acelerando mais e mais o seu movimento. Ele sim era uma máquina de fazer sexo.

Se eu pudesse calcular o tempo, te diria que estávamos ali há quase uma hora, pois Liam me torturava impedindo-me de chegar ao ápice novamente, e o dele parecia nunca chegar.

Ele insistiu para que montasse em cima dele, e como o tendo como meu dono, acabei por obedecê-lo. Apoiei minhas mãos em seus ombros, envolvi sua cintura em minhas pernas e ele mesmo se encarregou de fazer os movimentos. Logo, quando conseguiu atingir a próstata, eu cair sobre seu corpo de prazer, mas ele continuava com seus movimentos, por momentos eu só faltei revirar os olhos por tamanho prazer sentido naquele momento.

Não resistindo mais, eu mesmo comecei a me masturbar. O encontrei sorrindo, mas eu não tinha mais forças para isso. Meu corpo estava indeciso sobre o que queria, pois mesmo cansado, eu ainda queria mais.

Liam se levantou, impedindo-me de me masturbar, e ainda dentro de mim, sentando, continuava com seus movimentos. Tomou-me pelos seus lábios, mas eu arqueei meu pescoço e ele cravou seus dentes ali. Senti-me tão vulnerável e sem forças, repousei a cabeça em seu ombro e o abracei fortemente.

— Por favor... — Eu insistia, embora minha voz soasse fraca.

— Você ainda aguenta mais. — Ele disse, firme.

Se o tempo o torna assim, jamais queria me afastar de Liam. Era como se estivesse fazendo aquilo por todas as horas, dias e meses na ausência do meu corpo.

Liam agora me empurrou novamente, e eu caio com a cabeça para forma da barraca, encontrei a lua que parecia sorrir para mim. Mas logo minha visão fora tomada pela face do loiro, que viera sorrindo para mim. Eu pressionei sua cintura enquanto ele ainda continuava com seus movimentos. Nem mesmo as chamas da fogueira há dois metros dali eram mais quentes que o fogo que Liam estava sentindo. Ele novamente atingiu minha próstata e eu mordi seu ombro como resposta ao prazer. Eu já havia ejaculado pela segunda vez, mesmo sem me masturbar, mas o loiro, sedento, continuava ali.

Finalmente seus movimentos se intensificaram, sua mão pressionou minha cintura quando eu envolvi seu corpo em minhas pernas. Ele gritou e eu temi que seu grito tivesse ecoado pela cidade. Liam jogou-se contra meu corpo e estava ofegante. Eu fechei os olhos, também ofegante e sorri. O loiro, idiota, gargalhou, mesmo sem forças para isso.

— Eu te agradeço por você ser tão paciente. — Ele murmurou, passando sua mão na testa suada.

— Eu espero poder andar no dia seguinte. — Reclamei, encolhendo-me em seu corpo.

— Na verdade, no dia seguinte iremos repetir. Você acha que acabei?

Eu o lancei para o lado por tamanha idiotice, mas não resisti e acabei sorrindo.

De longe, ouvi sirenes de ambulância e aquilo me assustou, mas logo o som ia se afastando cada vez mais, e eu tinha que me contentar que estava em um dos pontos altos da cidade.

— Ei, John. — Ele me chamou, sentando-se.

— O que foi? — Indaguei, levantando-me e cobrindo-me com a calça.

Mas Liam a arrancou de mim, e por um momento eu quis xingá-lo por isso.

— Fecho os olhos. — Pediu.

Eu fiquei indeciso quanto a isso, relutei por alguns segundos até então acabar obedecendo-o.

— Não é noivado, nem mesmo casamento. Mas é só pra você sempre recordar de mim quando as coisas apertarem, e da mesma forma, eu irei recordar de você sempre que encontrar esse anel em minhas mãos.

Senti o metal gélido envolver meu dedo e se encaixar perfeitamente, era prata: um anel. Pediu-me para fazer o mesmo. Por um momento me senti realmente em um casamento, mas sem padre, sem cerimônia e sem pessoas, apenas nós dois.

Eu beijei o anel em meu dedo. E me lancei contra seu corpo para fora da barraca. Liam apenas sorria fitando o céu. Os olhos cinzas eu encontrei novamente, banhado pela luz da lua, deixando-os prateado. Era tão belo, tão único e o melhor... Meus.

— Será que Altair e a Ursa menor viram isso? — Ele brincou, sorrindo para o céu.

— Liam! — O repreendi.

— E no final sempre estamos juntos. — Ele disse, novamente desviando o assunto e tocando a minha face.

E com isso, eu consegui finalmente descansar sobre o seu corpo, meus olhos passaram pela lua, depois por algumas estrelas, até encontrar a árvore marcada com nossos nomes.

Daquela árvore eu vi cair uma folha, provavelmente o Inverno logo chegaria.



Outros dizem acreditar no destino. Faço parte desses desde o momento em que o dono do tempo nos separou por anos e resolveu nos unir novamente. Ao certo, encontrei-me perdido por reencontrar aquelas lindas orbes cinzas. Mais tarde, me senti frustrado por não reconhecer mais o anjo da minha infância. Depois disso, novamente fui tomado pela chama dentro de mim, que se aquecia a cada vez que encontrava o seu sorriso e pelo fato de tê-lo de volta para mim.



Eis que como a chuva você repousou sobre o teto de minha casa, umedecendo as paredes e abraçando-me com sua temperatura.

Inverno

O cair da última folha de outono

Thomás MacMillan

\"\"(Desenho feito por Frost)



Notas finais
Olá meus amores, tudo bem? Peço perdão pela demora, mas vamos lá. Primeiramente eu gostaria de me desculpar mais uma vez, pois sei que de qualquer maneira vai existir algum erro ortográfico ou de concordância que passou despercebido, foi duro revisar esse enorme capítulo. Gostaria de agradecer a Mililika, por me ajudar quando o assunto era o hospital e cirurgias, realmente, sua ajuda foi de grande valor. Também agradeço a cada comentário, elogio, crítica, brincadeira, MP (valiosas) e recomendações, de verdade, não gostaria de citar nomes, pois sei que vou esquecer (clichê, mas válido). Vocês me ajudaram muito, muito mesmo nas reviews e isso não há palavras suficientes para agradecê-los, pois realmente os incentivos que eu recebia a cada beijo, sorriso, críticas, de pessoas dizendo que iam me matar (haha) foram o suficiente para me aprimorar mais e mais. É tão bom poder passar o que vivenciei e observei. A começar pela aceitação (Johh), o tempo causando mudanças nas pessoas (Liam), as amizades que nem sempre devem durar, por mais difícil que seja (o grupo se dividindo em três), o preconceito misturado com mães que não estão aptas a aceitar um filho após a descoberta de sua sexualidade, pois nem tudo é um conto de fadas e nem todas as mães se preocupam em aceitar (Alice), nem sempre os erros descrevem que são as pessoas (pai do John), que nem toda família é perfeita e acaba influenciando no comportamento do filho (Henry/Laura), que segredos um dia serão descobertos (Emma, Victor e Oscar), que a realidade atual é realmente pesada (espancamento de Adam e a invasão de Laura na escola), o que o amor doentio é capaz de fazer (Laura), a pedofilia encoberta causando trauma em crianças e destruindo famílias (Liam), entre tantas outras coisas reais que eu tentei levar para essa história. E claro, a que sempre prevalecerá: O amor. Mesmo que demore, ele está sempre presente.
Eu amo cada um de vocês de forma única e especial. Estou super nervoso por receber reviews e saber o que acharam, porque final de capítulo não é fácil de escrever, a começar pela saudade que dá a cada cena, principalmente ao digitar a última palavra. Espero, do fundo do meu coração, que vocês tenham gostado do que leram até esse último capítulo. Eu peço, encarecidamente, recomendações, pois elas vão me ajudar em futuros projetos também, e além do mais, embora o projeto tenha sido concluído, ele de qualquer forma vai continuar atraindo leitores se vocês divulgarem.
Aproveito também e divulgo meu novo projeto.
http://fanfiction.com.br/historia/364223/Republica_De_Leoes/
Conta a história de Colin (porém, será narrada em terceira pessoa) e sua vida agora em um "mundo novo" e repúblicas. Farei o possível para agradá-los, para continuar no mesmo ritmo fazendo vocês gostarem de cada projeto meu. Mais tarde um novo capítulo sairá, e em seguida QD2. Então pessoa, assim eu concluo Inverno dizendo que ama cada um de vocês. Obrigado. Quem sabe um dia eu possa fazer um capítulo especial, assim como em QD? Haha. Beijo meus amores.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!