Inverno

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Apagando as luzes

Eu gritava seu nome enquanto corria. Tobias o pegou desprevenido, deixando Liam tonto após o soco. Depois o empurrou contra a cadeira e foi aí que o loiro retornou a realidade. Quando estava prestes tomar um chute em seu tórax, desviou para o lado e chutou a perna do maior, conseguindo então derrubar esse no chão.

Consegui alcançar Liam e observei seu rosto que com certeza iria ficar marcado por alguns dias. Ele estava assustado, era de se esperar após um soco do grandão. E até mesmo eu ficaria se tomasse um soco assim tão de repente.

Senti uma forte dor em minhas costas quando Tobias me acertou em cheio, conseguindo me derrubar no chão. Gritei de dor e vi então Liam avançar com toda a sua força para cima do maior.

Liam socava Tobias tão rapidamente que transpirava fúria. Mas deixou a defesa baixa, tomando uma tapa em seu braço e em seguida um soco em cheio no estômago. Eu o vi ficar sem ar por um momento e tomar mais socos de Tobias.

Levantei-me com dificuldade suplicando pra que Tobias parasse, mas novamente fui lançado contra o chão. Eu jamais vi Tobias com tanta raiva como aquele dia. Sua força era superior a minha e isso eu teria de admitir. Perto dele eu me sentia um anão.

Por ser menor, Liam levantou e pulou nas costas do maior, dando cotoveladas em seu ombro. Quando vi sangue descer sobre a face do loiro, meu desespero aumentou, principalmente por vê-lo agora desligado do mundo. Eu conseguia ler sua mente. Ele estava prestes a espancar Tobias até deixa-lo desacordado.

Quando notou que o maior estava começando a ficar tonto com as cotoveladas, desceu de suas costas e descontou o mesmo soco que recebera no estômago. Tobias era forte, mas Liam tinha mais agilidade que ele, isso por ser menor. Foi então nesse momento que vi Liam arrancar o lixeiro do lugar e arremessar em Tobias que defendeu com um de seus braços. O loiro correu para aproveitar a oportunidade, mas o outro conseguiu impedi-lo de avançar com um chute no tórax, lançando-o para longe.

Tobias correu e conseguiu prender Liam. Levou seus braços para seu pescoço, sufocando-o. Nesse momento eu consegui esquecer toda a dor que estava sentindo e fui até os dois. Ao me aproximar, vi Liam morder o braço do maior e atingir seu estômago com o cotovelo.

— Parem com essa briga! — Gritei vendo os dois parados, transpirando fúria e respirando fundo na tentativa de recuperar o ar pedido.

Mas de nada adiantou. Liam não estava disposto a perder, nem mesmo Tobias. Eles novamente estavam trocando chutes e socos.

— Que merda está acontecendo aqui?! — Adam finalmente surge atrás de mim e Henry aparece logo em seguida.

Não me importei com a pergunta.

— Vá separá-los! — Gritei para Henry sabendo que ele era bom de briga.

O moreno apenas riu e fingiu não escutar o meu pedido.

— Vai, Henry! — Adam gritou também assustado com tudo que estava vendo.

— Não. – O moreno respondeu com tranquilidade. — Eu esperei o dia para vê-los brigando. — Sorriu e cruzou os braços.

— Você é um idiota mesmo. — Meu primo disse.

Voltei a atenção para Liam, que ainda sangrando insistia depositando chutes agora em Tobias que estava caído e protegendo o rosto. Usou a perna para também derrubar o loiro e subir em cima dele, dessa vez tentando acerta sua face.

Toda a escola estava ali, adorando aquela cena. Ninguém se submetia para ajudar. Enquanto uns riam, outros incentivavam ainda mais a violência. Havia aqueles que torciam para Tobias, mas também os que estavam ao lado de Liam. “Briga! Briga! Briga!” Gritavam. Eram poucos aqueles que realmente queriam que aquilo acabasse. Fora a primeira vez que vi uma briga com tamanha violência.

— Alguém, por favor, ajuda! — Eu corri para cima de Tobias tentando retirá-lo de cima de Liam.

Servi de ajuda quando ele desviou a atenção e Liam conseguiu sair daquela posição, ficando de pé, chutando em cheio entre as pernas de Tobias que naquele momento gritou com tamanha dor. — Dor essa que todo mundo sente.

Liam observava ao redor, com certeza estava procurando algo para atacar. Mas nesse momento eu me coloquei a sua frente e implorei para que parasse, tocando em sua face e tentando limpar o sangue que descia de seus cabelos que trilhava um caminho pela testa. Notei também que seu nariz sangrava. Mas ele nem mesmo olhou em meus olhos. Estava tão atento em acabar com Tobias que se esqueceu de mim.

Quando olhei para trás, Tobias corria em nossa direção. Eu estava disposto a permanecer ali na frente, mesmo que fosse tomar um de seus socos violentos.

Liam somente me afastou, derrubando-me novamente no chão — maldito seja este piso —e também correu para cima do grandão.

Eu não reconhecia mais o loiro. Nem mesmo conseguia ver a imagem da criança de nossa infância. Foi desfeita em questão de minutos. Tomado pela fúria e até mesmo o ódio. Seus olhos cinza, que antes eram serenos, deixava claro o desejo por vingança. Tornou-se o oposto daquilo que eu via. Daquilo que cultivei e presenciei. Era como uma fera que jamais poderia ser domada.

Adam estava ao meu lado, ajudando-me a levantar do chão.

Eu sabia que se seus corpos entrassem em contato mais uma vez, a briga só teria fim quando alguém desmaiasse. Então apenas fechei os olhos e implorei para que aquilo terminasse logo.

Ao abrir, depois de exatos três segundos, a briga finalmente teve fim quando professores resolveram interferir e segurá-los.

Liam gritava de um lado e Tobias do outro. Foram necessários dois homens para que pudessem segurar o grandão. Mas o que mais me surpreendeu fora ver três tentando segurar o loiro, que mesmo assim estavam tendo dificuldade.

— Você não vai se ver livre dessa, Tobias! — O loiro gritava. — Filho da puta!

— Sua bichinha. Veadinho de merda. — Tobias rebatia do outro.

Lá atrás, escondida entre algumas garotas, estava Anna, que nem mesmo se importava com tudo aquilo. Ela encontrou meus olhos indo em sua direção e nem procurou desviar o olhar. Por alguns segundos ficamos assim. Se eu estivesse com uma arma na mão eu não errava o único tiro.

Só tirei a atenção dela depois que vi o loiro sendo levado para a diretoria, carregado pelos três homens.

Até mesmo ignorei Adam quando resolvi ir atrás dele. Não me deixaram entrar a sala. Mas de lá de fora ainda consegui ouvir insultos dos garotos. Sentei-me no chão do corredor e se possível esperaria ali a eternidade. Minha camisa estava manchada com o sangue do loiro, assim como as mãos. Lembrei então que tentei impedi-lo implorando para que parasse com a briga.

Ao me acomodar na parede, notei a dor que estava sentindo em minhas costas quando Tobias me atacou desprevenido. Até mesmo lacrimejei na tentativa falha de me levantar. Eu saberia que em mais algumas horas, precisaria de ajuda para poder caminhar. E no dia seguinte, com certeza, terei até mesmo dificuldades para levantar da cama.

Tobias foi o primeiro a sair da sala na companhia de um dos professores, seu olhar veio em minha direção e até tive medo de ser atacado. Mas ele apenas passou pro mim e desprezou minha presença.

Liam permaneceu na sala por mais alguns minutos e aquilo me deixava inquieto. Por um momento pensei que ele seria expulso. Quando lembrei que Nat tivera uma briga semelhante, mas no lugar da lixeira, resolveu lançar cadeiras contra Anna.

Eu poderia ter feito isso contra essa garota. — Pensei.

Quando ele finalmente saiu, pressionando um saco de gelo em sua cabeça e com roupas imundas, me coloquei de pé. Eu não sabia ao certo definir aquele olhar. Liam passou por mim, sabia que eu estava ali, mas fingiu me ignorar. Eu o acompanhei, é claro.

— E então? — Indaguei enquanto caminhávamos e alguns alunos não tiravam os olhos de nós.

— O que você quer saber? — Respondeu ríspido.

— Se Tobias vai ser punido. Foi ele quem te agrediu.

— Fui suspenso. Satisfeito? Uma semana sem por os pés aqui, e querem minha mãe na escola para que conversem sobre meu comportamento. — Ele dizia enfurecido.

— E Tobias?

Nem percebi e já estávamos no estacionamento indo em direção a sua moto. Os alunos e olhares ficaram para trás, finalmente.

— Ele ainda vai me pagar. Filho da puta. Quem ele pensa que é pra me pegar desprevenido e ainda te atacar? — Liam cuspiu no chão. Era sangue.

— Foi Anna a culpada de tudo isso. — Eu resolvi me manifestar posicionando-se em sua frente.

O loiro apenas desviou-me do caminhou e continuou a andar.

— Será mesmo que ela é a culpada de tudo isso? — Ele indagava. Seu tom de voz mais uma vez modificou-se. Tomando a imagem de minutos atrás.

Eu não sabia o que responder. Carreguei para mim a culpa, pelo simples fato de ter esfregado na cara de Anna que Liam nunca iria deseja-la mais. Eu estava sob pressão e acabei descontando nas pessoas. Mereço mais do que ninguém ser punido.

— Aonde você vai? — Perguntei enquanto o vi subir na moto e largar o saco de gelo longe.

— Para casa. — Respondeu seco.

— Eu irei com você. — Falei subindo na moto e pegando o capacete. Não esperei resposta.

Liam não respondeu. Eu até mesmo senti sua dor quando pôs o capacete em sua cabeça, mas ele estava tão desligado do mundo que as dores físicas não importavam. Quando deu partida, até mesmo orei. Estresse e trânsito não é uma boa combinação.

Liam tomou um caminho diferente, até que percebi que estávamos indo em direção a minha casa. Mesmo sem entender, não reclamei. Apenas aceitei ciente de que ele iria esfriar a cabeça ali ou até mesmo conversar com minha avó, já que se tornaram grandes amigos.

Fui o primeiro a descer da moto quando paramos em frente a minha casa. Mas Liam não desceu, continuou na moto, ainda usando o capacete e olhando para o vazio a sua frente.

— Você não vai descer? E-eu vou cuidar do seu ferimento. — Falei temendo o que ouviria.

Liam não me respondeu, continuou em sua moto. Eu abracei o capacete em minhas mãos e também fiquei calado. Meu coração apertou quando tive medo de pensar o que poderia acontecer.

— John, — finalmente ele olhou para mim — está tudo acabado. — E finalmente conseguira dizer olhando em meus olhos.

Eu engoli o seco sem saber o que dizer após o seu decreto. Acabado? Como assim acabado?

— Mas... — Tentei falar mais fui interferido.

— No fundo, sua mãe realmente estava certa. Somos um problema. Não faço isso por mim, mas por nós dois. Sua vida vale mais do que a minha.

— Liam... — Eu ainda tentei falar.

Meu coração estava tomando fortes marteladas naquele momento.

— E-eu... — ele gaguejou e então notei seus olhos úmidos — É o melhor. — Por fim disse, dando partida logo em seguida.

Foi algo imaturo. Não houve conversa. Eu apenas tive que ouvi-lo sem que pudesse me defender ou tentar consertar o erro que cometi. Liam foi embora, deixando comigo apenas o capacete na qual fiquei abraçado. Parado. Olhando para o nada. Não chorei, mas a dor dentro de mim era tão superior a dor física que Tobias me causou, que meu corpo parecia não ter estruturas para suportar e a qualquer momento eu poderia explodir.

Logo, senti um vazio. A dor da perda. Deixar ir quem um dia foi tudo para mim.

Os vizinhos passavam a minha frente e nem mesmo me importei. Tornei-me um nada diante deles. Depois de quase dez minutos ainda parado, resolvi entrar em casa. Minha avó tomava um cochilo no sofá, optei por não acordá-la.

Nesse momento eu só precisava de um banho. Quando entrei debaixo do chuveiro, vi a água levando embora o sangue do loiro que estava em minhas mãos. Meu corpo ardia devido aos ferimentos das vezes que fui lançado ao chão. Fiquei parado, apenas observando por minutos e ainda tentando aceitar que tudo aquilo havia acontecido.

— Que tipo de idiota eu sou? — Sussurrei, passando a mão em meus cabelos.

Naquele momento, mas uma vez eu só consegui pensar em Liam e toda a sua fúria. Não era o meu menino brigando. Parecia ser tomado por algo. Tamanha era a sua raiva que pra ele uma vida já não teria mais valor e se possível ele matava. Anjo? Anjos podem matar.

— É assim que as pessoas ficam quando tomadas pela fúria? — Forcei um sorriso criando um diálogo comigo mesmo.

Mas meu sorriso foi desfeito quando não mais consegui segurar, o que dentro de mim insistia para sair. A tristeza.

Misturada a água que descia do chuveiro, lá estavam as lágrimas. Dor semelhante a que senti quando fui humilhado por minha própria mãe. Em pensar que tudo isso fora causada por ela. Por ela.

Como uma criança que perdeu seu brinquedo preferido. Um bebê sem a mamadeira por perto. Um gato sem seus fios de lã. O céu sem estrelas. Um pássaro sem seu canto. Um pintor sem seus pincéis. Um cantor sem sua voz. Uma vida sem seu amor.

Então ela queria que eu fosse feliz distante disso? Onde encontrar a felicidade depois de perdê-lo?

Não quis pensar mais. Desliguei o chuveiro e fui correndo para o quarto. Vesti-me rapidamente, peguei meu dinheiro escondido embaixo do travesseiro, calcei os tênis e não me preocupei com o cabelo. Desci correndo e com certeza assustei minha avó ao bater a porta.

Esperei alguns minutos até que finalmente um táxi resolveu passar pelas ruas dali. Meu objetivo? A casa de Liam.

Não poderia acabar. Não daquele jeito.

Eu precisava me desculpar. Talvez consertar o que acabei quebrando. E com certeza a única coisa que se quebrou não foi somente meu coração. Por falar nele, mesmo despedaçado, somente o loiro poderia reaviva-lo.

Eu não iria saber viver sem encontrar aqueles olhos cinzas pela manhã, principalmente ao acordar com ele ao meu lado. Sem o toque das suas mãos em meus cabelos nas madrugadas. Sem aquele abraço quente e que por algumas vezes me erguia do chão. Sem ouvir a voz. A sua voz. Do cuidado que ele tinha para comigo. Sem tê-lo perto de mim, procurando arrancar algum sorriso meu, mesmo quando o dia era triste. Era ele a razão.

Estava apreensivo e ansioso para chegar a sua casa. O trânsito, esse dia, resolveu interferir. Parecia que nem mesmo ele me queria perto de Liam. Como que se alguma forma eu tivesse deixando-o o triste. Dizendo para mim que aquele não era o momento.

Quando finalmente cheguei, quem abriu a porta para mim foi sua irmã. Nem mesmo a abracei ou cumprimentei. Fui direto para o quarto de Liam e por sorte, dessa vez a porta estava aberta.

Encontrei o loiro saindo do banheiro com a toalha enrolada em sua cintura. Seus cabelos estavam úmidos. Pressionava na cabeça, o que imaginei ser, uma toalha de mão.

Olhou-me desentendido. E eu, claro, fiquei calado. Tudo que eu tinha planejado para falar já não fazia mais sentido. Não consegui, também, lembrar de muita coisa. Só consegui ficar parado, observando-o em pé no vão da porta.

Liam ainda estava sério. Parecia estar incomodado com minha presença. Caminhou até a cama e sentou ali, passou a me fitar por alguns minutos e seus olhos diziam: “Vamos, fale algo.” Mas o que falar? Eu só queria agora cuidar do seu ferimento.

Cuidar da sua face roxa e machucada após o soco que tomou de Tobias, e que com certeza ficaria com aquela imagem feia por pelo menos algumas semanas. Suas costas, marcada e ferida pelas vezes que fora jogado contra o chão. O roxo em sua coxa. Liam estava precisando de ajuda, de cuidados e de mim. Eu quis avançar, mas saberia que isso só iria piorar as coisas. Não era desse jeito. Fingir que nada aconteceu.

Foi então que lembrei o motivo da qual eu estava ali. Respirei fundo para tomar coragem até que finalmente falei:

— Nós acabamos mesmo? — Indaguei quase como um sussurro.

O loiro, ainda fitando-me não falou nada. Sua atenção foi até o abajur atrás de mim e logo depois para o teto, parando em seus pés. Ele engoliu o seco até afirmar com sua cabeça.

— Mas não precisamos acabar. E-eu fui um idiota, sei disso. — Eu corri para seu lado e sem a minha ordem, a primeira lágrima desceu.

Liam até mesmo se afastou de mim, ficando de pé sem olhar para meu rosto. Notei agora, nitidamente, as marcas da briga em suas costas. Eram milhares espalhadas naquela região. Até mesmo a cintura fora atingida.

Eu quero cuidar de você. — Pensei.

Nesse momento meu celular tocou. Liam respirou forte, como se aquilo fosse um incômodo. Quando eu vi que era Adam, não hesitei em desligar o celular e até mesmo retirar a bateria para que mais nada disso acontecesse.

— Eu não quero terminar, por favor. Liam, eu fui um tremendo idiota. Eu admito isso. E-eu não deveria descontar em você. — Eu me levantei tocando-lhe o ombro. — Você não sabe o quanto significa para mim.

O loiro mais uma vez se afastou, deixando minha mão deslizar sobre suas costas enquanto ele caminhava. Percebi que Liam urrou um pouco ao se movimentar, provavelmente quando sem querer toquei em um de seus ferimentos.

— Depois de tudo, é realmente o fim? — As lágrimas pediam para sair.

Novamente sem respostas. Liam nem mesmo olhava para mim. Caminhava de um lado para o outro em seu quarto. Tive medo de que ele pudesse explodir e acabar quebrando tudo. E sei que ele seria capaz de fazer isso.

— Eu não darei mais ouvido a minha mãe. Eu prometo. — Supliquei com a voz tomada pelas lágrimas. — Eu sou um imbecil. Um inútil. Idiota. Eu mereço tudo isso, eu sei. Mas por favor, não termina comigo, Liam. Não termina.

Já não sei mais se meu coração batia. A dor de estar suplicando por sua atenção, por seu amor e pedindo-lhe perdão era tão humilhante, mas tão significativa para mim, que nem mesmo me importei de chorar em sua frente.

— Eu estou acabando com sua vida, John. — Ele finalmente disse, ainda de pé e sem olhar para mim.

— Não está. — Respondi imediatamente — Eu quem estava acabando com ela. Já disse, sou o culpado. Eu não quero terminar.

— Veja só, John. Desde que você chegou aqui coisas ruins aconteceram com você. Eu preciso deixa-lo ser feliz.

— Mas eu sou feliz. Eu sei que sou. Tá certo que os problemas acabaram interferindo em nossa relação. Mas estou aqui, pedindo desculpas. Irei melhorar. Você me faz bem, Liam. Eu sei que faz.

Novamente o silêncio. Isso me matava. Meus ouvidos precisavam da sua voz, assim como minha vida precisava do seu amor. E meu corpo do seu toque.

Era falta de amor próprio, talvez. Mas eu não iria admitir perde-lo assim.

— Depois de tudo que eu passei para finalmente te aceitar como meu. Aceitar o que sou, você termina comigo? — Eu caminhei em sua direção. — Olha para mim, Liam! — E toquei novamente em seu ombro. — Eu sou o seu super-herói da infância.

Toquei agora em seu braço e o pressionei, fazendo-lhe virar para mim. Mas o loiro fitou o chão.

— Olhe para mim e diga que realmente é o fim. Faça-me entender e aceitar. Se ao menos você conseguir me olhar nos olhos eu irei embora. Irei tentar te esquecer. E isso eu prometo! — Foi então que gritei.

Bem lá no fundo, eu não queria que Liam olhasse para mim. Queria que ele permanecesse ali, parado, fitando o chão. Pensando sobre tudo que estava acontecendo. Não quero ter que deixa-lo sozinho sob os cuidados de sabe-se lá quem. Não queria ao menos pensar como seriam meus dias daqui pra frente. Ele fazia parte da minha rotina, parte da minha vida e meu viver.

— E-eu te amo. — Falei, na tentativa de acordar seu coração adormecido.

Senti o gosto salgado da lágrima que tocou em meus lábios quando passei a língua.

E finalmente o loiro olhou em meus olhos. Não chorava, mas as lágrimas em seus olhos insistiam para serem derramadas.

— É o fim, John. — Ele disse deixando uma única lágrima escapar.

A minha primeira reação foi sair dali correndo. Como uma criança com medo de um monstro qualquer. Mas eu já não era mais criança e sabia perfeitamente o que era aquilo. Já não era também ingênuo. Eu teria que aceitar o término. Saber que era o fim.

Eu o deixei sozinho em seu quarto.

Notas finais
Bom, está aqui a sessão de beijos:
http://vocaroo.com/i/s1OiOb92sgfe
Muito obrigado aos que leram até aqui. Beijão e até o próximo capítulo.