Inverno

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Armadura
(capítulo narrado por Adam)

Quis desistir no primeiro momento em que cheguei ao último degrau. Principalmente ao me deparar com muitas salas que me esperavam. Fui primeiro a biblioteca, no fundo acreditei que Liam nunca iria se esconder lá, — se é que estava escondido — gritei por seu nome três vezes, mas não tive resposta. Depois fui olhando sala por sala. Posso confessar que não tenho medo de fantasma, mas estava tão silencioso e escuro que a qualquer momento eu iria sair dali correndo. Finalmente cheguei à última sala do final do corredor. Liam não estava lá. Ainda continuei chamando por seu nome enquanto trilhava o mesmo caminho de volta ao térreo. Confesso que meu coração quase saiu pela boca quando ouvi o bater das janelas de uma das salas.

Não quis saber. Quando dei conta já estava descendo as escadas, sem fôlego e assustado. Fantasma filho da puta. Tá, isso é loucura.

Não encontrei John ali e provavelmente ele estaria na festa.

Pensei até na hipótese de estarem se comendo em alguma das salas. É festa, a bebida acaba criando loucuras. E o história de Liam com bebida não é nada legal.

E por um momento eu achei que as coisas iriam ficar melhores, se não fosse o fato de encontrar em meio aos carros o idiota.

— O que faz aqui? — Por um momento até achei que ele estava ali por mim.

— Fazendo o que todo homem faz depois que bebe. O banheiro está lotado e cheio de pessoas espalhadas pelo chão. Ou não viu que meu zíper está aberto? — E como sempre seu sarcasmo vinha acompanhado da pergunta.

Estava envergonhado por tamanho assédio. Embora conhecesse o corpo da pessoa a minha frente e ter feito coisas piores do que somente olhar seu membro exposto.

— Que o dono do carro não descubra que você quem fez isso. Irei voltar pra festa. — Eu teria que ignorá-lo. E dei de costas.

— E no final vai acabar na cama com o Phill novamente. — O moreno jogou a frase.

Como uma pedra lançada sobre qualquer animal, que com certeza o assustaria. Henry nem mesmo poupou em esconder que sabia.

— Como você soube? — Meus olhos voltaram à atenção ao moreno.

— Eu te segui àquela noite. Por que a surpresa? — Perguntou enquanto fechava o zíper e expondo agora seu sorriso.

— É por isso que você o trata assim, por ciúmes? — Indaguei esperando resposta, mas não obtive — Estávamos bêbados e foi sexo por sexo. — Falei tentando explicar-lhe o ocorrido.

Se era a hora de jogar verdades, eu deveria começar atacando-o e falando sobre seu sentimento por mim.

— Sexo por sexo. — Disse, sem responder as perguntas.

— Por que não admite os ciúmes?

— Porque isso não existe. Não entre nós.

— Ah, claro. — sorri em ironia — Brigar com Phill hoje não foi nada relacionado aos ciúmes.

— Quer saber? Tem ciúmes. É isso que você quer ouvir, não é? — Finalmente eu estava ouvindo o que tanto queria, até que minhas esperanças foram por água abaixo quando o ouvi continuar falando — Pena que os ciúmes são da sua parte, já que quem venceu o jogo que você criou fui eu. Não é verdade? — O moreno pôs a mão sobre o carro ficando de frente a mim e começar a sorrir.

— Fui idiota ao participar do mesmo joguinho. Mas não me arrependo, foi bom me divertir provocando-o. O que me faz ter a certeza que também há ciúmes da sua parte. E admitir que me seguiu só aumenta a hipótese. — E com o mesmo tom e sarcasmo, lá estava eu provocando-o novamente.

— Ache o que quiser. — Disse saindo.

— Vamos, Henry. — me coloquei a sua frente — Você não resiste a mim. — provoquei — Por que não paramos com isso de uma vez? — Vi as orbes do moreno olhar ao nosso redor, provavelmente estava com medo de que alguém flagrássemos juntos.

— Eu não posso parar. — Confessou. — Você nunca vai entender o quanto isso significa pra mim.

— Henry... — Eu pronunciei seu nome aproximando-me cada vez mais de seu rosto — diferente de Phill, para nós, não existe somente sexo por sexo.

— Você andou bebendo muito essa noite, Adam. Não sou o Phill. — Henry me afastou.

— Desgraçado! — Eu teria que sair dali antes que acabasse chorando em sua frente. Nunca iria ser melhor que Henry. Ele sempre conseguia uma maneira de se sair por cima. — Uma hora esse seu maldito status acaba e você ficará sozinho. Não ache que irei sempre acabar cedendo as suas investidas. — Tentei dar de costas, mas a mão do moreno segurou em meu braço impedindo-me de continuar.

No momento em que virei encontrei aqueles lindos olhos. Estava tão incerto sobre seu próximo passo que não fiz nada além de espera-lo fazer algo.

— Fumaça?! — Indaguei quando vi que dos fundos uma enorme nuvem negra estava se formando.

— O que? — Indagou.

— John! — Gritei.

— O que tem o John? Que merda deu em você agora? Eu sabia que você tinha bebido demais. — O moreno continuava com suas perguntas.

— Rápido, vai atrás de ajuda. — Disse, soltando-me da mão do moreno.

— O que está acontecendo?

— Não está vendo a fumaça? — apontei — Ou seja, tem algo acontecendo. Chama ajuda, rápido.

— Irei contigo.

— Porra! Por uma só vez, faz o que estou mandando, Henry. Vai procurar ajuda e deixa que eu faço o resto.

Não esperei resposta e deixei o moreno falando sozinho. Naquele momento fiquei feliz em vê-lo obedecer-me. Henry já estava correndo em direção ao ginásio. Mas logo tornei a realidade quando me deparei mais uma vez com a fumaça e o cheiro forte de algo queimando.

Corri imediatamente para os fundos da escola até encontrar a sala abandonada em chamas. Ouvi John gritar por ajuda e não demorei em respondê-lo.

— Eu vou ajuda-lo! — Gritei em resposta.

— Adam?! É você? — Ele gritou mais uma vez.

Pra quê da continuidade ao diálogo? Ele estava em perigo.

Depositei toda a minha força nas pernas e chutei a porta afastando dali uma mesa em chamas. Vi John caído com Liam em seus braços e aquilo me aterrorizou. Principalmente quando encontrei Laura também ali. Mas diferente desses, a garota apenas estava sorrindo.

Pulei as chamas que ainda estavam baixas e fui ao encontro do meu primo.

— Leve-o para fora. — Disse entregando-me Liam. — Laura o dopou. Consegue segurá-lo?

— Consigo. — Liam era pesado. Mas no desespero, pouco se importamos com a força.

Peguei o loiro e coloquei seus braços envolvendo meu pescoço. A porta agora estava começando a incendiar e aquilo só aumentou meu desespero e preocupação para com meu primo.

— Vamos John, a porta vai acabar sendo tomada pelas chamas. — Gritei.

— Temos a louca da Laura. — Ele gritou como resposta.

— Eu não sou sem coração, mas se foi essa vadia que deu início a esse incêndio. Ela merece a morte.

— Os veadinhos acham que são heróis. — A morena gargalhava. — Não irei sair daqui. Eu sou a dona morte. Seus imbecis!

— Que dona morte o quê. Vamos sair daqui, Laura. — Ele dizia, segurando a garota pelo braço.

— Me larga. — Ela disse soltando-se. — Não me toca.

— Desculpa, não sou homem de bater em mulher, mas... — John disse. De repente o vi socar a face de Laura, fazendo-a cair sobre seus braços — É necessário.

— Espero que Henry não saiba disso. — Falei.

— Pouco me importo, ela só sairia daqui desacordada.

— Vamos. — Gritei mais uma vez.

Fui o primeiro ao sair daquela sala, sofrendo leves queimaduras em uma das mãos. Larguei Liam no chão implorando para que ele estivesse vivo e que não tivesse inalado tanta fumaça. John veio logo em seguida com a morena em seus braços.

— Irei ligar para os bombeiros. Antes que o fogo se alastre pela escola.

— E eu irei avisar a todos da festa. — Disse levantando-me.

— Acho que não precisa. — Ele disse com o celular ao ouvido.

Quando olhei para trás, toda a escola estava vindo em nossa direção. Quando vi que o moreno realmente procurou ajuda, só quis agradecê-lo. Mas como sempre, me evitou na frente dos demais.

— O que aconteceu com ela?! — Ele gritou.

— Sua irmã é louca. — John disse entregando-a para seu irmão.

— O que você fez com ela, seu filho da puta. — Nem mesmo se importava com o fogo, apenas com a situação que sua irmã se encontrava.

— Ele a salvou. — Falei afastando Henry de meu primo.

O moreno calou-se diante das minhas palavras, prestando apenas atenção a sua irmã. Logo toda a direção e adultos da escola, estavam ali prestando ajuda. Não demorou para que os bombeiros chegasse ao local e nos afastasse.

No final, todos estavam assustados com o que viram. A festa teve fim bem antes do horário previsto. Policiais, bombeiros e praticamente todos os pais dos alunos estavam ali. Por sorte, não houve nenhuma morte nem mesmo algo tão grave. John estava tão assustado quanto eu. Apenas preocupava-se com Liam que estava sendo atendido em um dos carros de emergência.

— Meu Deus, o que aconteceu aqui?! — Minha avó indagou assustada ao notar a quantidade de pessoas no lugar. Principalmente com as sirenes.

— Uma louca resolveu tacar fogo na escola. — Respondi.

— Isso eu sei, mas vocês estão bem? — Minha avó nos analisava dos pés a cabeça.

— Estou, embora tenha me machucado.

— Não foi nada demais. Não fica preocupada. — John disse.

— Claro que fico. Eu libero meus netos pra uma festa, na escola, e recebo uma ligação sobre um incêndio.

— A irmã de Henry o trancou junto a Liam em uma sala, resolveu ser suicida e fim. No final, eu salvei o mundo. — Eu tinha que brincar e tirar toda aquela tensão.

— Essa família tem sérios problemas. Já não basta o garoto e toda a história, agora a irmã dele? Estou pensando seriamente em tirar vocês daqui. — Devo confessar que vê-la atacar Henry, incomodou-me.

— Não queremos sair daqui. — John falou.

— O que tá acontecendo? — Assim como eu, John também se assustou quando vira sua mãe aparecer naquele lugar.

— Eu liguei para ela. — Sussurrou minha vó.

— Hein gente, o que está acontecendo?

— Prenderam seu filho numa sala e resolveram atear fogo. — Falei. Talvez, a brincadeira não tenha dado certo.

Minha tia o olhou por segundos, até que resolveu estragar tudo.

— Está vendo o que disse? Eu sabia que no final essas coisas iriam acontecer, o mundo condena John. Por que você não tira essa loucura da sua cabeça?

— Não foi bem assim, tia. — Tentei interferir.

— E eu achando que você estava preocupada comigo. — John resolveu se manifestar.

— E estou. Mas isso não muda o fato e nem minha opinião sobre você sabe o que. Sei que um dia você irá acordar e no final saber que sempre estive certa.

— Bom, vamos parar? Não estamos aqui pra isso. Estamos? Seu filho quase morreu e você ainda trata-o assim?! Olha quando eu te disse que ia te dar uns tapas, não estive mentindo. — Como sempre, minha vó interferia na confusão.

Pra piorar ainda mais, Liam resolve surgir.

— Minha mãe ligou, está vindo me buscar, você vem comigo? — O loiro posicionou-se ao lado de John.

Até mesmo eu fiquei em silêncio sabendo que aquela indagação surgira num momento inadequado. A mãe de John nem mesmo se manifestou, apenas fuzilou seu filho com o olhar por alguns segundos e resolveu sair sem ao menos se despedir.

— Ele vai. — Disse minha avó quebrando todo o gelo. — Mas então, querido, você se machucou? O que eles disseram?

— Não foi nada demais, apenas perguntaram milhares de vezes se eu havia bebido. Até que então resolvi contar toda a história, agora estão com Laura. A única coisa que realmente preciso, agora, é descansar.

— Também preciso. Chegar em casa, tomar um banho e dormir.

John continuava em silêncio. Com certeza a presença da sua mãe causara certo impacto. Até mesmo se desligou da conversa pra ficar pensando sobre o ocorrido.

Durante mais alguns minutos de conversa, eu também me desliguei dos demais quando vi Henry passar por nós, sozinho, na ausência de Laura. Até pensei em ir atrás dele e fazer milhões de perguntas. Mas do que adiantaria? A essa altura, ele com certeza deveria estar alterado. Sem contar que minha avó não iria gostar nada disso.

— Ela chegou. — Disse Liam.

Fiquei admirado por tamanha beleza. A mulher, de cabelos loiros e caídos sobre os ombros descia do carro e vinha em nossa direção. Era muito parecida com Liam, só mudando a cor dos olhos.

— Vamos, quero apresentar vocês a ela. — O loiro sorriu.

O seguimos até pararmos em frente da mulher.

— Meu Deus, você está bem? Machucou-se? Não está mentindo pra mim, não está? Já perdi as contas de quantas vezes encontrei machucados em você.

— Mãe, esses são Adam e Isobel. Primo e avó de John. — Liam, para mudar o assunto e constrangimento, resolveu nos apresentar.

A mulher parou por um minuto e então expressara um lindo sorriso em sua face.

— Finalmente estou os conhecendo. Apesar do momento. — Disse, referindo-se a situação.

Está certo que ambas agora iriam iniciar um diálogo. E foi isso que aconteceu, comentaram até sobre a escola e alunos. Depois se conheceram mais. Voltaram pra o mesmo assunto e depois sobre nós três. Fiquei constrangido quando minha avó resolveu falar sobre meu comportamento. Assim como John. Não foi diferente com Liam quando a mãe dele entregou que o filho merece, em alguns momentos, ser castigado.

— Está ficando tarde e realmente temos que ir. — A mãe de Liam disse.

— Realmente. Vou aproveitar e ligar para o táxi.

— Não precisa, eu deixo vocês em casa.

— Eu aceito. — Falei sem se importar com a resposta da minha avó.

Ela me fuzilou. Eu não queria ficar ali, esperando por alguns minutos. Estava louco pra chegar em casa.

— Então vamos. — A mulher foi na frente.

Não demorarmos a chegar em casa. John continuou no carro enquanto nós descíamos.

— Muito obrigado. Espero nos encontrar mais vezes. — Minha avó disse fechando a porta do carro.

— Também espero. Fui um prazer conhece-la, Isobel.

— Digo o mesmo, querida.

— Tchau Adam, fique bem.

E dito isso, deu partida. Fui o primeiro a entrar em casa, a tomar banho e a finalmente dormir para esquecer tudo que ocorreu hoje.

— Adam? — Fui acordado na madrugada.

Tomei um susto ao abrir os olhos e me deparar com Henry. Estar lá, só significava que ele queria alguma coisa. O mesmo de sempre, transar e desaparecer.

— Te acordei? — Indagou.

— O que você acha? — Respondi esfregando os olhos.

— Desculpe.

Desculpa? Como assim? Só por me acordar ele estava pedindo desculpa. Algo de errado tinha acontecido.

Henry estava voltando para a janela. De cabeça baixa e passos lentos. Foi então que percebi que ele não estava lá por sexo. Talvez, procurando um sossego.

— O que aconteceu?

— A casa caiu. Descobriram tudo. — Respondeu descontente.

— Como assim?

— Há séculos ninguém entra no quarto de Laura, depois de tudo que descobriram hoje, acabaram encontrando milhares de fotos que ela tinha guardado. Inclusive, algumas delas eram minhas te beijando. — Ele disse, posicionando-se ao lado da janela.

Eu não sabia o que responder.

— Laura está internada. — Ele disse.

— Como? Repete. — Indaguei surpreso.

— Ela teve que ser internada as pressas e vai passar um bom tempo em tratamento.


— Você me bateria se eu dissesse que isso realmente será necessário? O caso dela foi grave a ponto de querer levar consigo, através da morte, Liam. E por amor. Se é que isso é chamado de amor e não obsessão.

Henry não falou nada após isso. Ficou parado na janela olhando o movimento dos poucos carros que passavam aquela noite. E então, resolveu quebrar o silêncio mais uma vez.

— A família perfeita que todos achavam, não é tão perfeita assim. Está tudo em pé de guerra, inclusive, meu novo irmão que estar prestes a nascer, não é filho do meu pai e sim de um caso perdido. Está tudo caindo, Adam. Tudo. Primeiro a Laura, depois eu e minha sexualidade e agora o Fred, que nem chegou a nascer e é fruto de um erro. Eu não aguentei os gritos e resolvi sair.

— Quem brinca com fogo, no final acaba se queimando. — Eu falei usando da frase para toda sua família. Foi a frase que me descreveu por alguns dias.

— Você me odeia não é? — E então, sua indagação me pegou de surpresa.

Como odiar? Como te odiar? Como odiar Henry Van Horsigh? Eu tentei de todas as formas sentir tamanho sentimento, mesmo que considerado forte. Tentei esquecê-lo além de odiá-lo. Era ele quem, de certa forma, proporcionava-me alguns minutos de felicidade. Longe dos demais, é claro. A verdade era que eu o amava. Até mesmo mais do que a mim. Amor tão grande que meu corpo não tinha estrutura pra suportar. Amava aquele sorriso, aquela voz, a pela morena, o toque das suas mãos, aquele jeito, mesmo que rude. Sabia que dentro de toda aquela armadura, escondia-se alguém carente necessitando de um abraço. Precisando de mim.

Era do tamanho da terra. Do sol. Era maior do que o céu e todas as suas belezas. Era um amor doentio. Absurdo aos olhos de quem me ouviria, algum dia, falar desse amor apesar de toda a guerra que enfrentávamos para que no final, em certo momento, pudéssemos jogar as armas ao chão e dar as mãos. Clamar por paz. A minha alma era rendida aos seus pés.

Quando me beijava. Quando me usava por uma noite. Mesmo que só por uma noite, eu considerava as poucas horas de contato as mais perfeitas da minha vida. Ele sabia dominar, sabia dar prazer. E vê-lo assim, caído e precisando de palavras que acolhem, atacava-me o coração. Eu não o odeio Henry Van Horsigh. Tentei, mas não consigo. No final, acabo dizendo que te amo. E como realmente te amo.

— Eu só te perdoo por tudo. — E foi só o que consegui falar.

— Você me odeia, Adam. Tem os que perdoam, mas não esquecem. Nem todos aqueles que dizem perdoar, perdoam de verdade.

— Se for necessário dizer que te amo para mudar esse teu pensamento, então eu te amo. — As palavras fluíram sem o meu comando, vindas do coração.

O moreno não disse nada. Silêncio. Apenas olhou para a lua, e através da iluminação daquela eu vi as lágrimas descerem daquela face. Eu quis levantar e ajuda-lo. Mas conhecendo-o sabia que aquilo seria pior.

— Se possível, eu daria meu corpo por essa noite em troca de seu sorriso. —Dói vê-lo assim.

— Eu posso dormir com você? Não quero ter que enfrentar aquela guerra agora. — Virou-se para mim enxugando as lágrimas, ignorando o que falei.

Não consegui dizer nada além de ir ao guarda roupas e tirar mais um cobertor e travesseiro. Quando olhei para trás, o moreno já estava deitado. Sua camisa e tênis já estavam no chão. Engraçado foi vê-lo usando o meu cobertor e meu travesseiro. Ele não muda.

Deitei-me na outra extremidade da cama e virei-me de costas, fitando a parede. Não queria olhá-lo. Aquilo iria me fazer perder o sono.

Como é bom tê-lo aqui.

E de repente, o braço de Henry me envolveu. Estava, agora, debaixo do meu cobertor e atrás de mim, abraçando-me.

Eu só pude ouvir a sua respiração.

Eu esperei acolhê-lo em meu abraço, mas foi totalmente ao contrário, eu quem fui acolhido. Fui o urso usado para cessar o choro de muitas crianças. E acabamos dormindo assim, de conchinha.

Notas finais
A sessão de beijos:
http://vocaroo.com/i/s0FOTVnxPjlq
Como disse, perdoe-me o atraso. Estou doente. Poxinha.
E aproveitar e divulgar minha nova fanfic e aborda também a bissexualidade só que dessa vez algo mais polêmico, o incesto.
http://fanfiction.com.br/historia/345874/Do_Mesmo_Sangue/
E sobre QD, eu irei postar o capítulo na semana que vem, ok?
Beijão!!!!