Inverno
14 Capítulo 14
Notas iniciais
— E-espera! Como é que é?! Repete, não entendi. — Indaguei assustado com o que acabara de ouvir.
— Por que o espanto? Está bem que isso não é normal. Mas então, foi o que você ouviu. Não sei por que até hoje guardo a foto. — Adam estava sentado em sua cama, encostado a parede, usando seu travesseiro para se sentir mais confortável devido as dores que sentia em seu corpo. — Está escondida na minha última gaveta e sempre que a olho trago de volta todo o sentimento de ódio que aquele dia me causou.
—Imagino o quão triste você deve ter ficado ao vê-lo beijar outro garoto. — Está bem que fui idiota ao dizer isso, a verdade é que eu não sabia o que dizer.
— O problema não foi o beijo. Não ligo para isso e eu seria igual a eles se ligasse, afinal não existia algo sério entre Henry e eu, mas não nego que senti ciúmes. Mas eu vi o quão bêbado Henry estava. E bom, até mesmo eu bêbado sou capaz de tudo, e acredite, sou capaz de tudo mesmo. O problema fora o fato de ele me tratar como um lixo na frente de todos, já que se dizia meu amigo. Queria muito poder esquecer tudo, só que infelizmente não consigo. Fui muito idiota, sacrifiquei muita coisa por ele...
Eu ainda estava com a frase “Liam e Henry se beijando”, que nem mesmo conseguia dar atenção as palavras do meu primo.
— E até hoje você não sabe quem enviou a foto? — E então o interrompi. Arrependi-me logo em seguida ao vê-lo olhar para mim desconfiado. — O que foi? Só estou curioso assim como você deve ter ficado no dia.
— Não, John. Eu até tentei descobrir e culpei Henry por isso. Mas logo desisti, já passou não quero trazer de volta todo aquele sentimento de antes.
— Foi a partir daí que iniciou essa guerra dos garotos? Achei que eles haviam se desentendido por causa daquela briga sobre Liam sentar no lugar do Henry.
—Eu sabia que em algum momento você iria me perguntar isso. Só não te contei toda a história porque bom, você era um novato e iria se sentir assustado com tudo aquilo, e talvez começar a tirar conclusão das coisas que eu não gostaria de te contar. A verdade é que a verdadeira guerra iniciou na festa e foi decretada justamente nesse dia em que brigaram por lugar.
— Conte-me o que houve. — Eu realmente estava interessado em saber. — Não vou negar que estou bastante curioso.
— Comecei a ligar os fatos até chegar à conclusão, e também são os rumores que rolam na escola. Antes de ser humilhado na festa, estive escondido tentando entender o que se passava no lugar, mesmo sabendo, é claro. Até que comecei a ouvi gritos e aplausos, então olhei na mesma direção de todos, Liam e Laura estavam se beijando. Pois é, você vai me olhar assustado e pensar: “Todo mundo se pegando”. O fato dos gritos, fora porque Liam era o novato misterioso e Laura tornando-se uma queridinha. E sempre esperam muito de pessoas assim. Não dá pra negar que eles viraram notícia por quase uma semana na escola, não é?
— Mas o que isso tem a ver com a briga dos garotos? Um beijo? Espera! Não vai me dizer que Henry gosta de Liam? — Pensar nessa hipótese deixou-me desconfortável.
— Claro que não. Esses dois se odeiam desde o dia que trocaram olhares. A verdade é que Henry sentiu sua popularidade ofuscada, já que sua festa virou notícia, mas junto da palavra “festa” comentavam também sobre o beijo de Laura e Liam que não fora nada esperado. E foi então que entrou a história que te contei sobre a briga por lugar, mesmo que esta não fosse a intenção de Liam provoca-lo. Até que criou a divisão. Agora pense comigo. — Adam ergueu a mão mostrando os cinco dedos e repousou sobre a coxa.
— O que?
— Laura por ser irmã de Henry é bem óbvio que ficaria com ele. Desde o início Anna sempre foi apaixonada por Liam e toda a escola sabe, então ficara com ele. Tobias já era amigo de Anna e simpatizou com o loiro. Emma já não suportava Anna, ficar com ela pra quê? — Ele olhou pra mim.
— Verdade. — Concordei sorrindo. — Até que faz sentido.
— Victor e Oscar, bom, esses aí vivem cheirando a calcinha de Emma. E se quiser pode perguntar aos demais o que estou te falando, todos irão te falar a mesma coisa. Finalmente te contei tudo. — Dissera aliviado.
— Tudo isso por causa de uma festa boba? Por causa de motivos tão fúteis, popularidade é algo tão... Como posso falar? Idiota. Quando estiverem velhos vão ser chamados assim, de idiotas por se importarem tanto com isso.
— Eu sei que é, mas é o que move a escola, digamos assim. E você nem deve falar nada, por causa de você ganhei até destaque — brincou — e olha agora, todos estão comentando sobre o primo do John. Puta que pariu, não sei se mando todo mundo se ir à merda ou causo algum massacre. Está bem, exagerei.
— Agora posso te fazer uma pergunta? — Indaguei sentando-me ao seu lado.
— O que quiser.
— Como você se sente em relação ao Henry? — Eu ainda precisava de resposta para tudo que eu estava sentindo por Liam. Está certo que não sou tão ingênuo assim, mas palavras facilitariam meu entendimento.
— Até hoje me sinto um idiota, mesmo depois dos anos que se passaram. O pior de tudo, é que pra ele pouco importa o que aconteceu naquela festa. Ele não liga, está satisfeito e conseguiu o que queria. O seu grupo me odeia, é claro. O que o deixa mais limitado ainda. Confesso que sei que dentro dele há um lado humano, mas... Às vezes acho que eu deveria falar todas as coisas na frente de seus amigos, mas não quero fazê-lo passar por tudo que já passei. Não iria me sentir bem. Queria muito odiá-lo, queria mais ainda poder esquecê-lo. A única coisa que nos liga e que cria algum contato entre nós são suas provocações. Caso contrário, eu já teria deixa-lo apodrecer na miséria da amizade que ele insiste em dizer que tem. É tudo questão de jogo.
— Acho que você está se sentindo melhor por descarregar metade do que você sente em mim.
— Eu queria mesmo falar muita merda pra ele. Mas está bem, já não precisa mais. Passou.
— Vou fugir um pouco do assunto, está bem? — Adam consentiu com a cabeça — Por que você resolveu me contar isso agora? Não sobre o assunto e toda essa futilidade, mas sobre bem... Você e sua paixão por outro garoto.
— Apesar de eu já não ter problemas em contar isso para quem é próximo de mim e saber se ela realmente se importa com minha sexualidade ou não, sempre ficamos com medo, é normal. E acho que já estava na hora de te contar tudo, John. Você agora é a pessoa mais próxima.
Até mesmo ele sente-se limitado a revelar o que estava sentindo. Se com ele é assim, mesmo não tendo mais problemas com isso, eu provavelmente iria acabar escondendo meu segredo por toda a vida. Não quero olhares de surpresas e decepção ao meu redor.
— Não se preocupa, serei o mesmo com você. — Sorri enquanto bagunçava seu cabelo — Afinal, independente da sua sexualidade eu só tenho você. E acho que tenho que te contar algo...— Era Adam, o meu primo, ele precisava saber.
Fomos interrompidos quando uma silhueta formou-se no chão do quarto e dono dela era Henry, que acabara de entrar por ali e assim como eu, estava assustado quando notou minha presença.
— Henry?! — Perguntei surpreso.
— Quem mais? — E seu descontentamento fora embora dando espaço pra arrogância. — Pode sair e me deixar sozinho com o Adam? Por favor.
Que ousadia! Estava na casa que agora era minha, entrou sem permissão e como um ladrão pulando a janela, e resolveu me expulsar do quarto? Meu Deus, como Adam consegue amar alguém assim?
— Ele não vai. — Adam disse, quebrando o silêncio que tinha se iniciado. — E pode voltar pelo mesmo lugar que entrou, Henry.
— Você está ferido e não vai conseguir me tirar daqui. Então irei ficar, o John nos dará licença — sorriu ironicamente para mim — e eu ficarei aqui um pouco com você.
— Cai fora, Henry. — Meu primo não havia mudado de ideia, estava disposto a expulsá-lo.
— É assim que você me agradece? Estou aqui pra te visitar e saber como você está. — Henry franziu a sobrancelha e já estava se irritando com a negação de Adam.
— Caralho! — Meu primo gritou — Será que você não entendeu a parte de que eu não quero falar com você? Nunca mais! Agora cai fora, Henry. Por favor.
Adam? Meu primo estava tão furioso que se tornou irreconhecível não só para mim, assim como para Henry. Mesmo ferido e praticamente sem forças para se mover, conseguiu jogar para fora um pouco da raiva que guardou dentro de si.
— Você não é assim, Adam. — Henry dissera, e dessa vez pareceu decepcionado com a atitude do menor.
— E não gostaria de ser, afinal, esse é você. Mas acho que já suportei demais até acabar do jeito que estou, não é? — fez menção ao seu estado atual — Por favor, vai embora, só isso que te peço.
— Mas Adam... — O moreno fora interrompido, calando-se e abaixando a cabeça.
— Não fala mais nada, Henry, dá as costas e volta por onde entrou.
E então, Henry o obedeceu. Deixando-nos sozinhos mais uma vez. Nada pude fazer quando vi Adam despejar todas as lágrimas de dor sobre o cobertor de sua cama. Coloquei-me ao seu lado e em seguida pus sua cabeça em meu ombro.
— Foi ele quem te levou ao hospital. — E entreguei o que o moreno pediu para não contar.
— Eu sei. Vovó me contou. — fechou os olhos e prosseguiu — Um dia, talvez, eu o agradeça por isso.
E então, fora dado início o silêncio, durou minutos até minha avó entrar com dois copos de suco, dizendo que precisávamos nos alimentar, principalmente Adam. Deu uma última checada nos ferimentos do meu primo e foi até a porta.
— Olha quem veio te visitar! — Minha avó agiu como se estivesse cuidando de uma criança quando puxou Nat para dentro do quarto.
— Lindão! — Sorriu, talvez, tentando disfarçar, também estava surpresa com o estado de Adam.
Seu rosto quase irreconhecível, com marcas espalhadas em diversas regiões de seu corpo. Usava atadura em uma das suas pernas, e usou a mesma envolta do seu pescoço para erguer o braço deslocado.
— Bom, já não sou mais adolescente e irei me retirar.
— Irei com a senhora, me sinto um estranho aqui perto deles dois que se conhecem há anos. — Falei acompanhando minha avó.
— Não é pra tanto, John. Você poderia aproveitar e conhecer Nat mais um pouco, eu vivo falando dela pra você.
— Mas com certeza vocês têm diversos assuntos para conversar e eu irei ficar de fora. Não se preocupem, qualquer dia marcamos pra sair juntos. Foi um prazer, Nat. Lindos olhos!
— Obrigada, John! Você é um fofo. — A garota de olhos puxados havia sorrido para mim.
— Bom, vou para meu quarto. — Fechei a porta e sai.
Fora só andar pelo corredor vazio que algo estranho acontecera. A imagem do meu pai surgira em meus pensamentos e eu queria muito saber como andava sua vida após o ocorrido. Está certo que diversas vezes não tocamos no assunto quando ele resolvia me ligar, mas sinto saudades de sua presença e até mesmo do seu jeito rude quando tentava me corrigir. Afinal, eu era seu filho, fruto de um caso que no futuro não deu certo. E queria muito vê-lo.
Entrei no quarto e me joguei na cama e ali iria esperar as horas passarem.
— John — minha avó me assustara entrando no quarto — você tem visita.
— Quem é?
— Aquele seu colega que estava conosco no hospital.
— Pode o mandar entrar.
— Já mandei, — sorriu — está conversando com Adam. Ah, — disse surpresa — foi rápido, olha ele aqui. — E o loiro, com o sorriso que me inquietava a alma adentrou por aquela porta.
— Vou preparar um lanche pra vocês. Aproveitar que a amiga de Adam também está aqui, logo vocês descem, está bem?
— Não precisa, dona... — Liam fizera uma pausa esperando minha avó responde-lo.
— Isobel. — Ela sorriu. — E não me chame de dona, senhora e derivados. Gosto de me sentir jovem, então um “você” vale muito.
— Então, Isobel, não precisa logo terei que ir embora.
— Não antes de provar dos meus bolinhos.
— Cupcakes. — Bufei.
— Não são. São bolinhos da Isobel, não sei pra que inventam nomes pra tudo. Vou logo antes que seu amigo vá embora. E se comportem. — Por fim, ela fechou a porta e nos deixou sozinho.
Fora só ouvir seus passos descendo a escada que Liam, feito um leão atacou-me.
Jogou-me contra cama e devorou meus lábios, depositando beijos também em meu pescoço. Até fazer uma pausa e sorrir.
— Já estava com saudades. — Dissera.
— Você é louco? — Eu o afastei. — Já pensou se alguém entra aqui?
— Quem entraria? Adam está com a amiga dele, e a conversa vai ser longa, tanto é que rapidamente sai de lá. Sua avó fora preparar os “bolinhos da Isobel” — fez aspas no ar sorrindo — e sua mãe, pelo que você sempre me diz, está trabalhando. — Colocou a mão em minha cintura — Só nós dois.
— Eu sei. — E dessa vez fora eu que lhe roubei um beijo deixando seus lábios rosados — Também senti sua falta.
— Mas e então, já que você não foi à escola tenho que te dizer que tudo foi tranquilo, Henry não foi. A única coisa triste foi ter que ficar sozinho, mas já me acostumei com isso.
— Ele esteve aqui.
— Quem?
— Henry. Veio saber como Adam estava.
— Então é verdade? — Liam levantou-se e fixou seus olhos em mim.
— Henry gosta de Adam. Acontece que há muito tempo eu os vi juntos, mas não tinha certeza. Deve ser por isso que ele vive o atacando na escola. Não é em vão quando desconfiam da sexualidade de Henry por sempre pegar no pé de Adam.
— Há toda uma história nisso tudo. E que por sinal, só soube hoje. — O intimei com meu olhar.
— Esse olhar significa? — Liam se fizera de desentendido.
— Por que nunca me contou que beijou Henry?
Eu esperei com que o loiro ficasse apreensivo, sem jeito ou com medo. Mas tudo que fizera fora sorrir e até mesmo gargalhar.
— Qual a graça?
— Você. — Calou-se.
— Não estou vendo graça na pergunta que fiz, muito menos em mim.
— Não contei porque não achei que fosse necessário. Talvez num futuro, quem sabe. Mas todos os nossos momentos juntos eram de nostalgia. E eu já esperava esses ciúmes seu. Foi só um beijo, ridículo por sinal, já que bebi muito àquele dia. Por sorte nem lembro. Prefiro seus lábios.
— Não sinto ciúmes, ainda não. — Falei sem jeito virando-me para a parede. Senti-me um idiota depois daquela ação.
— Não? — O loiro voltou a se deitar na cama, suas mãos invadiram minha caminha e nossas peles entraram em contato.
— Meninos? —Minha avó gritou da escada, o que nos fez pular da cama assustados.
— Temos que descer. — Falei. E acho que você deve se comportar toda vez que estivermos sozinhos em um quarto. O que ocorreu àquela noite entre nós dois foi tudo planejado.
— Ah claro, como se eu controlasse a chuva daquela noite. Posso ao menos receber um beijo antes de descermos?
É claro! Por que não?
Aproximei daquele humano, que ora se transformava em anjo ora demônio. E nossos lábios foram selados, trazendo-me mais uma vez a nostalgia de nossa infância. Até ouvirmos os passos de minha avó.
Um mês se passou.
As coisas estavam indo normal. Até receber uma carta.
— John, que foto é essa? — Minha mãe entrou gritando no quarto.
“Tente ser feliz, John.”
Estava escrito junto à fotografia minha e de Liam aos beijos em um dos corredores vazio da escola.
Notas finais
http://vocaroo.com/i/s0TzKuYSfp61
http://vocaroo.com/i/s0SdZR1Ut9Zq
http://vocaroo.com/i/s1ZpaiBYiJcd
E ah, perdoem-me pela tentativa falha de inovar, haha, e tenho certeza que me atrapalhei nas palavras.
Segue aqui o link surpresa:
http://fanfiction.com.br/historia/332583/Querido_Derick_2/
Pois é, eu disse que iria voltar, não disse? Pois é aí, QUERIDO DERICK 2 VOLTOU!!!!
E outra coisa foi o lance do tumblr:
http://noinverno.tumblr.com/
Está tudo certinho, ainda editando algumas publicações e se quiserem fazer perguntas, podem fazer pelo tumblr, ok?
Beijão galerinha, e me perdoem os erros e a voz super fail que é a minha.
E ah, meu twitter na no meu perfil!! Me sigam! :P
Fale com o autor