Inverno

5 Capítulo 05


Notas iniciais
Ele

— Lennon?

Foi desnecessário falar. Quando virei ele já estava a alguns metros de mim, caminhando sem ao menos olhar para trás. Como ele ousa me chamar dessa forma e simplesmente ir? Eu o deixei ir, de alguma forma, naquele momento seria melhor. Sem insistir, sem implorar. O tempo.

Tornei a realidade ao perceber que o número de alunos ali fora diminuía, eu teria de entrar antes que os portões se fechassem. Adam ainda me esperava, xingou algumas vezes e verificou meu rosto procurando algum machucado.

— Eles não te bateram? Você é louco? Porra, é melhor evitar confusão aqui!

— Calma, Adam, não foi nada. Apenas agradeci.

— E o que importa? Se Henry tivesse presenciado, com certeza iria achar que era alguma parceria. Não se mete na guerra deles. — Adam parecia estar mesmo preocupado. Mas caralho, era só uma briga de jovens metidos a grandalhões que não saber o que é ser adulto.

— Por que se preocupa tanto com Henry? — Indaguei puxando-o, assim começamos a caminhar em direção à sala de aula.

— Por nada. E não me preocupo com ele, estou me preocupando com você. É diferente.

— Qual é, Adam. Não sou idiota. Essa amizade significou tanto assim para você?

Adam fez uma breve pausa, fitou o chão e tomou coragem para responder:

— Significou. Éramos melhores amigos até ele se tornar no que é agora. Mas chega desse assunto, porque o foco aqui é você e seu quase suicídio de agora.

— Já disse que fui somente agradecer. Mas enfim, é melhor entrarmos.

Conheci novos professores, assim como novos alunos. Fora uma aula chata e difícil de acompanhar; o motivo seria o fato de ser aluno novo e pegar o assunto pela metade.

— O que tem escrito ali? — Adam sussurrou.

— Onde?

— No quadro.

— Eu sei que é no quadro, onde mais seria? Na minha testa?

Paciência.

— Querem falar a todos o que vocês estão conversando, garotos?

Fora só ouvir isso que nós ficamos em silêncio. De fato, eu odiava atenção e levando repreensão de professor era constrangedor. Meus pensamentos giraram em planos maléficos em relação ao Adam por me causar aquele constrangimento, até dá conta de que estava agindo como um dos diabinhos que rondam por ali.

— Hoje iremos conhecer o céu, vulgo, biblioteca. — Adam proferia as palavras enquanto guardava seu material.

Logo pensei no loiro que vagava na área de baixo. Eu ainda tinha muitas dúvidas em relação a tudo o que está acontecendo com ele.

— Não tenho certeza disso.

— Como assim não tem certeza? Prefere ficar aqui? Tu curte confusão?— Adam indagava, segurando-me pelo braço, pressionava-o a cada ponto interrogação.

— Não, Adam, é que...

— John! — Alguém me chamou, interrompendo-me.

Era Henry e seus amigos, eu provavelmente estaria usando alguma vestimenta de pele de animal para me apreciarem daquela forma, como se estivessem famintos prontos para se alimentarem de mim.

— O que querem dessa fez? — Não havia medo em minhas palavras.

— Nada. Só estávamos passando por aqui para desejar-lhe o bem vindo que ontem não pude dá de uma forma, digamos que... agradável. — Se eu pudesse enxergava, com certeza estaria vendo a ironia saindo de seu boca, perdendo-se no ar e adentrando os meus ouvidos.

— Está bem, Henry, agora pode ir. — Adam deu espaço para que eles passassem.

Os dois se olharam por alguns segundos, até o moreno sorrir mostrando superioridade ao menor. Adam apenas revirou os olhos por tamanha babaquice que o outro fazia. Eu não sabia ao certo o que teria acontecido, mas ambos pareciam realmente se odiarem. Quem não odeia o Henry?

— Você não muda e nunca vai mudar.

— Não quero discutir novamente com você, isso não é óbvio, Adam? Eu já disse que estou apenas aqui em paz, tanto porque o seu colega — Henry olhou para alguns metros atrás de mim — está logo ali nos observando.

Liam, o loiro, estava de braços cruzados, notei que o mesmo virou o rosto quando todos olhamos para ele. De certa forma, me deu segurança embora eu não precisasse.

— Viu? Dois seguranças particulares. — Olhou novamente para Adam. — Agora estou indo aproveitar o tempo que perdi aqui.

E partiu, felizmente.

Dias se passaram e não houve contato físico entre esses dois grupos rivais. Anna costumava sorrir para mim todas as manhãs, a única, que de fato, mostrava-se ser alguém bom naquele inferno. Eu conheci a biblioteca, e como meu primo sempre falou, era um espaço calmo. Com o tempo, eu fui percebendo que já estava me adaptando ao lugar, o silêncio que antes eu preferia, em alguns momentos tornava-se desagradável, fazendo-me muitas vezes recorrer a voz daquele que vivia me enchendo o saco, preferindo o térreo do que o primeiro andar. Henry provocava-me, mas recuava sempre que o loiro e seus amigos surgiam. Eu já não estava mais gostando daquele clima, era como se eu fosse algum espécie de objeto usado por um para provocar o outro.

O sol parecia brincar com os humanos, ora aparecia e mostrava a sua beleza, ora se escondia entre as nuvens deixando-nos sentindo falta de sua presença. Era belo saber que as pessoas sorriam em mais uma manhã de segunda feira. Horas atrás choveu, soube disso por dois detalhes: dormir como um anjo e poças d'água em alguns lugares das ruas largas no bairro. Os pássaros no presenteavam com seu belo canto, se não fosse por Adam, assustando-os. Eu poderia que estava vivendo em algum comercial de TV, geralmente os de creme dental, onde as pessoas acordam com um sorriso estampado no rosto.

— Aquela ali não é a Anna? — Adam me direcionou com seu olhar, fazendo-me atentar aos dois garotos.

— E o outro é Tobias, certo?

O fato de eles estarem caminhando para o lado oposto da escola, me fez criar milhares de perguntas em meus pensamentos, porém, eu não iria falar algo e nem indagar, não tinha liberdade o suficiente para isso.

— Aonde você estão indo?

Nem mesmo Adam tinha motivos para perguntá-los algo. Que merda ele tem na cabeça?

— Por que tanto te interessa? — Eu pude ouvir pela primeira vez a voz áspera de Tobias, uma mistura de locutor de rádio com um personagem de filme de terror; ao mesmo tempo que seduzia conseguia causar medo.

Adam nada mais falou após ser repreendido pelo maior. Confesso que achei merecido.

— Pra ser sincera, não queremos assistir aula, Liam não quis vir conosco. — Ouvir o nome do loiro, fez com que de imediato a sua imagem surgissem em meus pensamentos — Prefere ficar lá, provavelmente querendo arrumar confusão com Henry. Eu não insisto, chamei Tobias para vir comigo. E ah, perdoem-no por tamanha grosseria. Não é, Tob? — Anna pressionou seus dedos nos braços grandes do garoto, fazendo com que este revirasse os olhos.

Ela não precisava se explicar. Quem éramos nós? Mas o estúpido do meu primo tinha que abrir a boca. Ele sempre em alertava sobre me manter livre de confusão, mas estava ali, indagando à alguém que tinha o dobro do seu tamanho.

— Vocês poderiam fazer o mesmo, afinal, é segunda feira, temos mais quatro dias naquele inferno.

— E para que lugar vocês irão? — Adam fizera mais outra pergunta e aquilo com certeza iria acarretar alguns problemas.

— Tomar leite, jogar xadrez com algumas senhoras no banco da praça. — Tobias mais uma vez cortou o barato do meu primo.

Bem feito! A próxima com certeza iria resultar em algum soco inesperado — e esperado por mim — na face.

— Não, Anna. — Falei. — Adam e eu temos apresentação hoje. Obrigado pelo convite, marcamos pra outro dia, pode ser?

— Apresentação?

Adam seu filho da puta. Cala a boca.

— É, você costuma esquecer das coisas. — O puxei pelo braço deixando Anna e Tobias nos observarem por alguns minutos.

— Caralho, ta doendo, me solta. — Ele bradava, tentando retirar seu braço de minhas mãos.

— Isso não é nada comparado ao soco que você poderia levar. — Falei, soltando seu braço. — Não percebeu que Tobias estava furioso com suas indagações?

— Nossa, que mau tem em perguntar? — Adam acariciava seu braço, assim como sua camisa, espero ter deixado marcas.

— Nenhum, mas você precisa saber quando uma pessoa está se incomodando.

— Está bem! Desculpa, tudo bem? Eu não percebi. Eu não tenho medo de Tobias.

Só em falar o nome do garoto, sua voz saiu falha, olhou para todos os lados rezando para que ninguém estivesse ouvindo-o.

— Não tem? — Indaguei sorrindo.

— Ah, quer saber? Tenho sim. O garoto é alto, forte e mete medo. Mas confesso que ele é a única pessoa que me põe medo aqui, tem o Liam, mas apenas seu olhar consegue me assustar. Aqueles olhos cinzas, nossa...

— Tudo bem, chega. Você fala demais. — Não dei conta de que havia interrompido a fala de Adam quando o nome do loiro fora pronunciado.

— Nossa, falo demais? A partir de agora estou em greve de silêncio, e falo sério.

Adam deu alguns passos a mais que eu e não olhou para trás.

— Olha o buraco.

— Onde? — Procurou ao seu redor, até se dá conta que eu havia brincado — Se fuder, John.

Tínhamos chegado ao inferninho. Ou Inferno com direito a I maiúsculo. Já podia-se ouvir os alunos gritarem incentivando uma briga. Havia uma aglomeração de pessoas centradas no pátio da escola. Adam e eu corremos, claro, curiosos para saber quem seriam os protagonistas daquela vez. E lá estava: Henry e seus amigos contra Liam.

O loiro, sozinho conseguia dar conta dos três. Pela exaustão, aquilo não era recente, socos, chutes e empurrões complementava a cena. Usava a força que tinha para manter o tatuado e o ruivo distante, para atingir em especial Henry, que conseguia esquivar de alguns de seus socos, acertando-os com outros.

— Briga! Briga! Briga! — Gritava a multidão.

Ninguém desistia e cada vez Liam era atingindo por um dos três garotos. Não dava mais para ele, logo fora arremessado contra o chão, recebendo chutes em todas as partes do seu corpo. Se ao menos Tobias estivesse ali para ajudá-lo, certamente, teria se sobressaído. Era violência até demais para mim. Eu não iria aceitar aquela covardia, muito menos com o garoto dos olhos cinzas.

— Ore por mim! — Não olhei para Adam, sabendo que esse iria me impedir, e logo rasguei a multidão.

Primeiro, retirei o ruivo de cima dele e quando o tatuado tentou intervir, recebeu de mim um chute no local onde nenhum homem queria receber, ajoelhando-se em minha frente. Eu estava perdido, certamente, depois dali, eu iria providenciar um caixão. Henry acertou-me com um soco, mas Liam, já de pé, o empurrou para longe de mim.

— Você está bem?

É claro que ele não estava, que merda de pergunta eu fui fazer.

— Não era pra você se meter nisso.

— Caso contrário você estaria em um hospital. No final eu aceito agradecimentos.

Eu não esperei resposta, fui atrás do ruivo e deixei Liam cuidando de Henry. A multidão ia dando mais espaço. O ruivo, realmente estava furioso, sua pele que antes era branca, estava vermelha, o que me lembrou de um tomate justamente por conta da cor que se fundiram com seus cabelos. E o mais irônico ainda, ele usava camisa verde; a folha.

Foram socos e mais socos que eu conseguia desviar — sorte ou habilidade? — o que deixava-o mais furioso ainda. Se eu olhasse para trás para saber como Liam estava se saindo com certeza eu iria ser atingindo. Então teria que acabar ali o mais rápido possível. Não tive outra alternativa a não ser arremessar o lixeiro em cima do ruivo, dando-me oportunidade para atingindo com socos e chutes até conseguir vencê-lo, finalmente pude olhar para trás e saber que Liam estava em uma luta feroz com Henry.

O tatuado, parecia ter se recuperado. E a vítima dos seus socos seria eu. Seus olhos eram como metralhadora, e que se realmente fossem, eu estaria perfurado dos pés à cabeça. Até a imagem do gigante, se colocar em minha frente. Tobias apareceu na hora que eu mais precisava, Anna também estava ali ao seu lado. Tentei cogitar o motivo de fazerem eles voltarem, mas aquele não era o momento para isso. Se não atacarmos, seríamos atingidos.

Foi quando vi a loira, eterna rival de Anna correr em direção a dona dos cabelos curtos. Dizem que quanto mais se acrescenta fermento, maior o bolo fica. E se acrescentar fermento na merda? Até garotas estavam metida naquela confusão. A única coisa que faltava era sangue, armas de fuzíl ou até mesmo faca para se tornar as típicas gangues que encontramos em filmes. Puta que pariu.

Adam, coitado, adentrou na confusão tentando apartar cada um, mas a tentativa era falha. Porra, eu era muito fraco ou o ruivo era muito forte, pois o mesmo estava de pé, tentando me socar mais uma vez. Exausto, eu recebi mais socos do que a última vez, mas por fim, a imagem de milhares de filmes de ação — para isso que serviu passar horas em frente a TV — invadiram meus pensamentos.Consegui deixar o ruivo imóvel, usando os braços para pressionar seu pescoço, certamente por alguns minutos, já que eu estava resistindo a sua força.

— Todos! Parem já! — Lisa, a diretora, surgiu com mais alguns homens.

Se eu fosse relacionar o momento com algo... Seria com uma rebelião de prisioneiros, havia lixos espalhados por todos os lados, assim como alguns livros de outros alunos que por pouco não era atingidos.

— Finalmente! — Adam proferiu de forma aliviada.

— Vão imediatamente para a sala de direção.

— Até eu? — Meu primo indagou assustado com a autoridade da mulher.

— Sala da direção, agora! — Ordenou! Saindo do lugar sem falar nada.

Poderíamos prosseguir a confusão após a sua retirada do lugar, mas logo, ninguém mais se moveu de forma agressiva. Henry e seus amigos foram os primeiros a se retirar do lugar, a roupa da loira, completamente rasgada, exibia seu sutiã preto, o ruivo, vermelho no cabelo e vermelho no corpo, ainda olhava para mim querendo me socar, e o tatuado, esse sim com certeza me mataria. Anna passava a mão em seus cabelos e arrumava-os, levantando a calça apertada que usava.

— Porra! Em que merda você me meteu, John? — Adam ajoelhou-se no chão e não olhou para mais ninguém, apenas fitou o seu desejando que dali viesse alguma ajuda.

Meu única preocupação no momento era Liam, ele fora o que mais sofrera dando por enfrentar os três garotos de uma vez. Se bem que lembro que Liam me disse que ele sozinho conseguiu derrubá-los. Meu braço doía; não soube definir se era pelos socos que dei ou os que levei.

— Você está bem? — Vi o loiro massagear seus braços tentando amenizar a dor que sentia dos socos levados.

— Estou. — Respondeu de forma direta como se tais palavras não estivesse o agradando. — Você deveria ter ficado apenas observando.

— Você deveria me agradecer; te ajudei por está caído sem poder reagir enquanto os três te agrediam de forma injusta. Eu só quis ajudar. — Eu não ia me render também a sua grosseria.

— Eu. Não. Preciso. De. Ajuda! — Liam bradou, pausando em cada espaço de palavra dando ênfase principalmente na última. O foco que antes estava em nós, havia retornado.

Eu entrei para brigar por ele e se possível eu brigaria com ele.

— Está tudo bem aí, Liam? — Tobias indagava enquanto se aproximava.

— Meu amor, o que houve? — Anna também aproximou-se, acariciando o rosto do loiro, ocupando o lugar que eu na infância tinha. — Você teve sorte de voltarmos.

Não respondi, rebati ou pronunciei qualquer palavra. Talvez, fosse melhor assim. Saí caminhando sozinho, deixando-os para trás, eu senti o toque da mão de Adam em meu ombro, felizmente, ele entendeu que aquilo não era momento para conversa. Logo, todos estavam reunidos na sala da direção, exceto:

— Ué, cadê eles? — Adam perguntou surpreso quando não encontrou os infelizes que causaram a confusão.

— Os dispensei. — A voz tranquila da mulher, parecia estar provocando-nos. — Eles me contaram a versão deles e eu os simplesmente os liberei.

— E você não vai ouvir a versão do Liam? — Adam gritou, estava realmente achando injusto o que Lisa estava fazendo.

— Qual versão? Foi Liam que começou, acredito em Henry. Não é mesmo Liam? Conte para eles que foi você quem iniciou a confusão.

— Ela está certa. — Dissera de forma quase inaudível.

— Eu sempre estou. Ainda me contaram que fora John que derrubou a primeira lixeira, dando um péssimo exemplo aos demais.

— Você não tem provas! — Tentei me defender, mesmo mentindo.

— Quer ir comigo em todas as salas e eu faça essa pergunta?

Meu silêncio serviu como resposta para ela. Eu o imaginei ser uma pessoa boa. Concordo com meu primo: Puta!

— Anna, Tobias, Adam, Liam e John, ao final das aulas vocês ficarão responsável pela faxina das salas do térreo. Sem mais desculpas, estão dispensados, agora saiam da minha sala!

— Parabéns, John, tudo por sua culpa. — Meu primo estava realmente irritado, ele aplaudia enquanto saíamos da sala da direção, andando um pouco a frente de mim.

— Faxina? Eu não acredito que fujo das obrigações de casa para ter que fazer aqui. Porra, Liam, porque tu brigou? — Anna também estava irritada com o loiro.

— O que ainda faz aqui moleque? — A voz do maior amedrontou até a mim.

— E-eu?

— Quem mais? Agora pode nos deixar sozinhos. — O maior não tirava os olhos do menor, fazendo meu primo recuar.

Adam engoliu o seco, puxando-me pelo braço fazendo-nos seguir direções opostas.

— Que grosso! Tudo isso é culpa sua, se você não estivesse bancado uma de herói, estaríamos livres. São vinte salas, John! Vinte! — Exclamou.

— Mas eu mandei você ficar de fora, então não coloca a culpa somente em mim.

— Ah, já aconteceu mesmo. Agora tenho minhas certezas de que ela transa com alguns alunos. Vamos entrar John, age como se nada tivesse acontecido. Por sorte, você e Liam deram conta dos garotos sem ficar com os rostos... deformados.

— Pra proteger o rosto eu tive que suportar a dor no corpo. Então está tudo doendo e só de pensar que teremos que limpar tudo isso a dor parece aumentar.

Agir como se nada estivesse acontecendo era impossível, mas nada como ignorar os olhares, mas é claro que a situação que minha roupa ficou seria difícil não atrair os olhos famintos dos alunos. Por enquanto estava indo tudo bem até as horas se passarem. No intervalo ambos os grupos estavam distantes, Henry ria descaradamente por toda a culpa em nós, eu e Adam apenas observávamos de longe Liam ignorá-lo, assim como os demais. Retornamos à sala de aula até finalmente, e infelizmente, a hora de toda a arrumação chegou.

— Bom trabalho. — A voz do moreno chegou até a mim e Adam, que preferiu ignorá-lo, assim como eu.

Liam, Anna e Tobias aproximaram-se de nós, o que foi estranho, já que para falar com eles era necessário que nós tomássemos a atitude.

— Vamos dividir a tarefa. — Anna tomou a atenção para si — Eu, Liam e Tobias arrumamos o lado esquerdo e todas as dez salas, vocês ficam com o direito, pode ser?

— Sem problema, é melhor começarmos logo para terminarmos o mais rápido possível.

Dei de ombros seguindo novamente direção oposta.

— Espera! — A voz do loiro imediatamente tomou controle sobre mim.

— O que houve? — Anna indagou, pondo a mão no ombro de seu namorado.

— Eu vou com John. — Disse, caminhando em minha direção.

— Por que, Liam? — Tobias também achou a atitude estranha.

— Todos nós sabemos que Henry e seus amigos nutrem alguma espécie de ódio por ele, então, estando por perto posso de alguma forma ajudá-lo.

Ele estava mesmo se preocupando comigo? Eu não sabia ao certo saber o que pensar, tal atitude deixou-me nostálgico tendo mais lembranças de nossa infância.

— Tudo bem, então, Adam, você vem comigo? — Anna estendeu a mão para meu primo, chamando-o. — Quando mais rápido esse lado terminar, mas descanso terei. E você Tobias, vê se o deixa em paz.

Adam olhou para o maior temendo alguma resposta, olhou para mim fazendo-me ler seus pensamentos. Não ia ter problema comigo, e ele entendeu por um breve sorriso meu. Logo, nos afastamos para fazermos a incrível tarefa.

Liam e eu agíamos como dois desconhecidos, por conta do meu silêncio e o seu orgulho, permanecemos daquela forma. A primeira sala estava em ordem, o que achei bom por encontrar apenas algumas folhas de papel amassadas no chão. Nossos olhares se entendiam quando afirmávamos juntos que o lugar estava em ordem. Assim fora com a segunda, que me trouxe mais trabalho quando fiquei responsável por varrer todo o chão, enquanto ele recolhia o lixo.

— Até amanhã. — Henry surgiu na sala sorrindo. Logo, fechou a porta, Liam correu para tentar segurá-la. Tentativa falha quando percebeu que estávamos trancados.

Notas finais
Então, pra ser sincero... eu não revisei da forma que sempre reviso. É que tenho que sair em alguns minutos, mas não queria ficar sem postar. Beijo para todos! E desculpem-me os erros, qualquer coisa. Ah, sou carente de Rev :(