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24 State of love, trust and grace (II): a new year has come!


Notas iniciais
Olá flores! Tem alguém por ai ainda?? Olha quem ressurgiu das cinzas!! Desculpem a ausência prolongada mas ando com certa dificuldade em postar. Não em escrever. Postar. Escrever até que ando escrevendo bastante. Mas o animo em postar já não é mais o mesmo, confesso. Sei que estou na contramão com minhas fics, que os casais aqui e nas fics Rheese não são exatamente populares ou que o pessoal queria ver ou mesmo que se tornaram reais algum dia nas referidas series, tipo Snow-Merlyn. Mas que posso fazer?? São Meus casais do coração juntamente com Olicity!!! Mas a pouca receptividade e retorno estão me deixando Cabrera. E olha que nunca fui de ficar cobrando ou mesmo dar valor excessivo a numero de acompanhamentos e coments, mas sempre reconheci o quantos estes são importantes para nós que escrevemos para que possamos saber se devemos ou não seguir adiante ou largar mão de tudo! É mais ou menos assim que sinto atualmente. Mesmo tendo Perfect, não me sinto animada a postar. Desculpem o desabafo! Agora, sem mais delongas, até porque tenho mais dois babies para postar antes do almoço (é, hoje resolvi tirar parte do atraso gigante e pretendo continuar durante a semana mesmo porque estarei encerrando três fics muito em breve. uma delas terá seu penúltimo capitulo postado já, já!), vamos ao cap fresquinho repleto de novidades, fofiches e logico, tensão! Grata aquelas que não desistiram da historia . Aguardo algum retorno, caso achem que o cap merece. Boa leitura. Bjinhos flores. Em tempo: desde o começo deixei implícito que Thea e Tommy sabiam ser irmãos mas uma leitora, a Ilana Sodré, chamou minha atenção para algo que passou batido: não disse como souberam. Então Ilana, se você ainda estiver por aqui, hoje elucido está questão até porque achei o momento preciso para tal! Espero que goste. Bjinhos flores

“ A new day has come;

A new day...has come;

I was waiting for sol ong;

For a miracle to come;

Everyone told me to be Strong;

Hold on and don’t shed a tear;

Through the darkness and good times;

I knew I’d make it through;

And the world thought I had it all;

But I was waiting for you...”

A New Day Has Come

Céline Dion

Hospital de Starling (quinta, 28/12 – 11:17 a.m)

Tommy

A respiração calma e compassada de Cait, seu silencio e quietude, me fazem pensar que adormecera. Apenas quando retira seus dedos dentre os meus e muda a cabeça de posição, noto estar acordada.

Seus dedos roçando a pele de minha mão e parte do antebraço numa caricia tão suave e lenta me causam arrepios de puro prazer. Mas não um prazer sexual. Um prazer diferente, mais puro, por assim dizer porém igualmente intenso...O prazer puro e simples de estar ao lado de alguém que te ama, desfrutando da companhia um do outro sem nada exigir, nada pedir em troca!...penso, um sorriso gigante e bobo tomando conta de meu rosto, uma alegria que não sei de onde vem preenchendo meu coração e aliviando o peso de algumas horas atrás, quando a conversa com meu pai deixara de ser trivial para entrar no campo da discussões corriqueiras que tínhamos quando discordávamos de algo. Ela tinha este poder sobre mim. Desde o primeiro momento. Me fazer sentir leve e feliz com um simples Bom dia!

A batida leve na porta corta o fluxo de meus pensamentos e faz Cait ergue a cabeça olhando naquela direção.

—Oi. Podemos entrar? – minha irmã pergunta pondo parte do troco para dentro do quarto, balançando o que me parece ser um pirulito e arqueio a sobrancelha – É que não encontrei nada melhor que pudesse servir como bandeira de paz então tive de improvisar – explica-se, entrando de uma vez por todas.

—E para que precisaria de uma bandeira de paz? – inquiro, liberando Cait para que senta-se sobre o colchão, encarando minha irmã, sério.

—Sei lá! Ouvi dizer que andava distribuindo patada pra todo lado. Vai que....- insinua, uma vozinha que começava a tornava-se familiar saindo em minha defesa.

—Não briga com ele titia, tá dodói e não é legal ficar assim. Eu sei porque já fiquei uma vez e também não gostei nadinha – Amy Lee ralha, surgindo por detrás dela, dirigindo seu olhar esperto e vivo para mim – Oi! – acena timidamente.

—É, não briga comigo titia que tô dodói! – a parafraseio fazendo Thea rolar os olhos.

—Ah, faça-me o favor Tommy Merlyn!! – bufa, cruzando os braços.

—Hei, princesinha, poderia vir até aqui? – convido, tocando o lado oposto ao que Cait estava – Thea...

—Venha aqui mocinha – entende meu pedido mudo, segurando e erguendo a pequena, pondo-a sentada a minha direita, ela própria postando-se a seu lado, atenta. Impressão minha ou a presença dessa garotinha estava fazendo muito bem a Thea?

—Oh, já tirou sangue!! – Amy exclama, o dedinho tocando o band-aid em meu braço – A moça lá embaixo disse que eu podia fazer isso. Até me deu uma injeção...cadê minha injeção titia? – pergunta, fazendo um biquinho fofo.

—Está com sua mãe...acho – Thea responde, em dúvida – Espera que vou ver porque aqueles dois estão demorando tanto. Fica quietinha ai viu!? – ordena, olhando para Cait.

—Fico de olho – minha namorada tranquiliza-a, ajeitando-se melhor.

—Estão lembradas de que estou aqui também não estão? – resmungo, Thea saindo sem me dar atenção – As vezes sinto vontade de dar uns bons cascudos em certa pessoa! – digo, Cait e Amy rindo divertidas.

—Você também ganhou pirulito? – quer saber.

—Não ganhei não meu bem – respondo, ela me entregando um pirulito redondo e ao fazê-lo vejo o band-aid colorido em seu bracinho – Vou protestar! Seu curativo é mais bonito que o meu – reclamo, ela e Cait sorrindo de um jeitinho que faz meu coração aquecer.

—É porque sou pequenininha e você é grandão – justifica com sua logica inocente no instante em que Thea retorna juntamente com Felicity – Acho que por isso ganhei pirulito e você não, porque só crianças ganham doce e você não é mais criança! – conclui, abrindo os braços e pondo a cabeça de lado.

—A controvérsias! – Thea exclama, estreitando os olhos ao me encarar.

—Então é aqui que a senhorita se escondeu não é!? – Felicity ralha, levando as mãos a cintura – É com você mesmo que estou falando dona Cait! – especifica, apontando-a, vindo em nossa direção– Procurei por você quando terminamos a coleta para o exame e uma enfermeira disse que estava no terraço, chorando. Ficamos preocupados achando que algo tinha acontecido a Tommy. Oliver até cancelou a reunião que teríamos na QC – conta – O que aconteceu? – quer saber, aceitando a mão que Cait lhe estendia.

—Nada não. Só tive uma noite agitada e acordei um pouco deprimida, só isso. Ainda acontece algumas vezes sabe, por isso me refugiei um pouco lá em cima. É bem calmo. Mas já passou. Está tudo bem – assegura – Desculpa pelo susto. Certamente essa enfermeira não me viu quando vim com April para ela coletar o sangue de Thomas – presume.

—Certeza que não, mas até que foi bom. Não estou com cabeça pra certos diretores que roubam minha paciência com suposições cretinas! – bufa a loira e rio – Tá rindo porque não sabe como aquelas bestas são...Ops, foi mal! Você não ouviu isso filha! – exclama, e me pego pensando o que acontecera caso o exame dê negativo

—Sei tanto que evito o máximo que posso não participar de absolutamente nenhuma na Global salvo sob coação, ou esqueceu que meu pai restituiu o direito a participar da diretoria – lembro.

—Pior que esqueci mesmo! – admite.

—Cadê minha injeção!? – Amy cobra.

—Bem aqui amorzinho – diz, entregando uma sacolinha com a sigla do hospital a ela.

—Foi isso aqui que a moça me deu. Ela falou que podia tirar seu sangue mas agora não precisa mais – conta minha provável filha, exibindo uma seringa de brinquedo – E tem mais pirulitos e até bombons que tia Thea pegou pra gente – diz, parando de mexer na sacola de repente – A Fel pode ser minha mãe sabia? – pergunta sem ergue a vista.

—Sim – me limito responde, pressentindo que deveria deixa-la falar.

—Eu gostei de saber porque algumas pessoas diziam que minha mamãe não me queria e por isso tinha me deixado lá no orfanato com tia Erica e tia Vicky – comenta, esfregando o nariz como se algo o tivesse irritado.

—Uhum... mas estavam errados – afirmo.

—Muito errados – Thea e Cait dizem juntas.

—Tremendamente errados – Felicity acresce, esticando o braço para afagar o cabelo dela.

—Agora eu sei, mas tava já acreditando – confessa ainda sem nos olhar, voltando a mexer na sacola com doces – Por isso a gente tirou sangue hoje. Pra saber se ela é minha mamãe mas ela falou que vai ser mesmo que o sangue diga que não – revela e entendo o porquê da forma como Thea e Felicity a estavam tratando – Quando Ollie contou pra mim hoje cedo, pensei que ele era meu papai – diz após um curto silencio e sinto um frio incomodo no estomago. Mordo a língua para não perguntar se havia gostado da possibilidade, temendo a resposta, admito – Mas ai eles contaram que meu papai pode ser você sabia?! – pergunta, erguendo o olhar diretamente para mim.

—Sabia...soube...alguns dias atrás – revelo, retribuindo o gesto.

—E gostou? – quer sabe, não me deixando responder de imediato – Eu só conhecia a tia Thea, o tio Eddie e o Ollie até ela me trazer pra cá. Ai conheci a Fel, a vó Donna, a vó Moira e a vó Bel e depois os vôs Robert, Malco e Demi – enumera, contando os dedinhos – Ah, e os tio Jay e Dig e a tia Lala – acresce, prosseguindo – Eu gostei muito deles e acho que gostaram de mim também porque a gente teve tempo de brincar mas você tava dodói...mais dodói que agora – corrige-se, tocando meu peito – E ai a gente não pôde brincar e só no Natal que se falou então, se não gostar de mim ainda nem de ser meu papai, talvez, eu vou entender tá?! – conclui. Ao menos foi o que pensei – Mas eu gostei mesmo a gente só conversando aquele dia. Foi engraçado. E legal...então eu gostei que seja meu papai...talvez – finaliza, enfim!

—Meu Deus, é uma miniatura de você Lis! – Cait exclama, boquiaberta.

—Não falei que era! – Thea se vangloria – E quando pede alguma coisa e olha pra gente com esses olhos e esse sorriso, parece uma versão do Tommy em tamanho menor e de saias!! – acrescenta.

—Eu!?! – Amy indaga, levando as duas mãos ao peito por cima da jaqueta jeans que usava, as mangas dobradas até o cotovelo, fazendo uma carinha tão inocente que não consigo me conter. Solto uma gargalhada ao mesmo tempo em que a puxo para mais perto, fazendo com que apoie as mãos em meu peito.

—Princesa, eu não gostei de saber que posso ser seu pai...Eu adorei! – garanto, lhe dando um beijo estalado na bochecha – E mesmo que o sangue diga que não, vou reivindicar o posto. Ollie vai ter que dividir comigo ou vou ficar bravo! – brinco, beijando e soprando em seu pescoço, a risada gostosa que dá me trazendo a melhor sensação que já senti até hoje – E assim que sair dessa cama, vamos passear e conversar bastante. Você, Cait e eu. Vou querer vinte e quatro horas de exclusividade pra compensar a vantagem dos outros – alerto.

—Há, vai sonhando!! – Thea responde, deitando parcialmente sobre nós – Saiba que a titia única e exclusiva aqui tem preferência. Sempre – diz, erguendo o queixo desafiadora.

—Como é? Tia única e exclusiva? – Ollie, que entrava, interroga, Jay e Eddie o seguindo segundos depois – Quem disse que é a única tia dela speedy? – questiona, cruzando os braços – E quanto a Erica e Victoria?

—Acontece que elas são tias como as de escola, como outras que Amy terá quando começar a estudar. Já euzinha aqui, sou tia de sangue meu bem! – enfatiza, apoiando as mãos no colchão – E tem mais: Eu fui quem mais passou tempo com ela e....- afasta-se um pouco com ar de riso -... “I’m the one who makes she laugh when she you know about to cry and I kow her favorite songs...— cantarola, Amy dando um pequeno salto, pondo-se de pé, deixando-me e a Felicity e Cait em pânico! — ... “So Can’t you see? She belongs to me!!”— abre ao braços fazendo-a atirar-se, catando-a no ar -... “ You belongs to me!!”— cantarolam as duas, girando e rindo.

—Está decidido: não vai ficar com Amy sem supervisão de um adulto!! Nunca mais! – determino, ainda sentindo o corpo treme pelo susto.

—Ah, mas não vai mesmo!! – Felicity corrobora, cruzando o espaço que as separava num piscar de olhos – E você mocinha, não faça isso de novo está me ouvindo? Meu coração quase saiu pela boca!! – dramatiza, estapeando minha irmã.

—Thea, isso lá é coisa que se faça!?! – Ollie ralha, apreensivo.

—Ai parem de exagero! – revida de pronto, usando Amy como escudo para escapar das tapas desferidas por Felicity – Eu jamais iria por minha sobrinha em risco seus bobões. Se fiz é porque sabia que conseguia segura-la – garante – E se ficaram com inveja, desculpa ai mas nós já temos uma conexão bem antiga...Sorry!! – nos provoca, beijando os ombros, Amy rindo ainda mais enquanto é girada de um lado para o outro.

—Thea pare. Vai deixa-la zonza – Cait reclama, sacudindo a cabeça negativamente e a puxo para junto de mim.

—Já pensou no que fará com o nosso? – cochicho em seu ouvido e sorrir daquele jeito doce que amo – Espero que seja outra menininha e que tenha seus olhos!! – desejo, roubando um beijo.

—Hei, parem de namorar. Temos menores presentes! -Thea ralha, estapeando minha nuca e percebo que Felicity conseguira resgatar nossa filha de seus braços.

Nossa filha!!, repito mentalmente, observando-a retirar as mechas de cabelo que grudaram no rosto suado de Amy, seu sorriso luminoso me emocionando.

—Oliver, já que não vamos a QC, que tal almoçarmos? Estou com fome e acho que Amy também – Felicity sugere.

—Não sei ela, mas eu estou! – Thea declara, esfregando as mãos – E depois podemos aproveitar e ver o que mamãe pediu para a festa de réveillon — sugere.

—Festa de réveillon? Já? – Eddie questiona.

—Hoje é dia vinte e oito Eddie. Daqui a pouco o ano acaba – Jay o lembra.

—Vovó Moira e vovó Donna estão organizando outra festa mas elas disseram que era só pra família pai. Até vó Bel vai ajudar – Amy relata, animada – Eu vou ficar – avisa, batendo palmas.

—Vó Donna, vó Moira e vó Bel?? – inquiro, arqueando a sobrancelha olhando de Felicity para Thea.

—Não implica!! – Felicity responde quase cantando – Vamos indo Oliver. Cait, mais tarde venho te buscar se quiser. Soube por Layla que vai receber alta no final do dia – se oferece.

—Hum-hum, não vou sair hoje não. Somente amanhã à tarde – informa, sem dar mais justificativas – Te chamo, se for o caso – diz, recostando-se a mim.

—Ok então. Até amanhã e Tommy, trago a Amy pra te ver – avisa.

—Ficarei esperando ansioso – digo, atirando um beijo para a pequena, que retribui.

—Tommy, Eddie e Jay te porão a par a respeito da autopsia do sujeito que agrediu vocês – Ollie informa – E tenho novidades a respeito do projeto Glades. Mas gente se fala com calma quando estiver em casa. Até mais – despede-se, tocando o ombro de ambos ao passar por eles, abrindo a porta para que Felicity passasse com Amy nos braços.

—Tchau maninho! Venho com Fel e Amy amanhã – Thea avisa, me dando um beijo na testa e outro em Eddie (na boca), saindo a seguir, Ollie acenando antes de fechar porta.

—Vocês tiveram acesso ao resultado da autopsia? – Cait se adianta, a tensão em seu corpo sendo visível.

Seguro forte sua mão, transmitindo-lhe segurança.

—Tivemos – Eddie toma a frente, trocando um olhar rápido com Jay que me deixa curioso.

—Então, o que dizia? – pergunto quando demoram a falar.

—Primeiro a identidade dele: Isaac Barcelos. Ele era imigrante e vivia clandestinamente no país. Recentemente estava trabalhando num pet shop do bairro...- Jay conta, Eddie o interrompendo.

—Mas antes era monitor, segurança ou sei lá o que no asilo de Central City, por isso lembrei dele quando vi as tatuagens – afirma – Investiguei um caso que me levou até lá e cheguei a entrevista-lo, mas não o reconheci – admite – Até porque naquela época era um cara normal, fisicamente falando, parecido com qualquer um de nós e não aquela coisa que vimos em seu apartamento – diz, coçando o queixo.

—Deve ter usado esteroides para aumentar a musculatura – Cait presume.

—Usou sim, a autopsia mostrou isso – Jay confirma – Mas também usou outra droga que não consta em nenhum banco de dados, nem mesmo na A.R.G.U.S – informa – E foi essa droga nova quem conferiu a força descomunal e a resistência a dor segundo a legista.

—Apesar de existir oficialmente, como Jay disse, alguns componentes são conhecidos, um deles seria derivado da Morfina: Oxicodona, Opio ou outro similar. Quanto a força, o responsável seria um derivado da Epinefrina. Como estavam muito misturados a outros componentes desconhecidos, não foi possível especificar qual – Eddie prossegue – O fato é que nosso amigo foi alterado física e mentalmente pelo uso continuo dessas drogas mais os esteroides, que talvez já fizesse uso.

—Se os Chase tem algo a ver com isto ou se ele era alguma cobaia de laboratório, só iremos descobrir quando pegarmos os desgraçados – Jay declara, cerrando os punhos – Falando neles, o Lance tinha encontrado uma pista do que pode ser um esconderijo mas não deu em nada. Eu e o sarge estamos pensando em ir investigar assim mesmo. Vai que vemos algo que a polícia não viu!! – revela.

—Mas não sozinhos – condiciono – Nada de incursões sem as devidas precauções. Mouse poderia ter morrido e nós também. Até você, caso não tivesse encontrado Ollie e seguido direto para meu apartamento, como pretendia – lembro, ele fazendo uma careta quase cômica.

—É, eu sei. Mas na podemos deixar a pista esfriar – argumenta.

—Ou talvez seja exatamente isto que devemos fazer – o contradigo, uma ideia surgindo em minha mente – E se dermos a impressão de que desistimos agora que as câmeras não são mais uma ameaça? Se os deixarmos pensar que não iremos atrás deles, que somente a polícia continua no caso e mesmo assim por conta do duplo homicídio e da tentativa de homicídio? – pondero.

—Poderiam relaxar e baixar a guarda, mesmo que demore – Eddie supõe – É, pode ser o ideal. Ao menos para este final de ano e começo do próximo – sugere.

—Vamos dar corda para que eles mesmos se enforquem! – Jay exclama – Só ficarmos atentos...

—E Mouse, Ray e Felicity criarem algo que possa nos alertar caso sujam novamente, e vão surgi, pode ter certeza – Eddie idealiza, cortando Jay mais uma vez, a chegada de Isabel nos fazendo calar.

—Desculpem interromper mas está na hora da medicação e também Thomas precisa descansar, portanto ...Fora rapazes!! – ordena, abrindo a porta.

—Ok....saindo!! – Jay anui, acenando – Vou trocar uma ideia com Mouse e depois direto pra casa. Até mais Tommy, Caitlin – despede-se.

—Vou com você – Eddie avisa – Nos vemos depois. Até mais – despede-se, ambos saindo.

—A qual medicação refere-se? – inquiro, franzindo o cenho, desconfiado.

—Nenhuma. Eu menti! – assume na cara dura e antes que possa contestar, justifica-se – Na verdade, é Caitlin que vim buscar. Está na hora do exame que Lacerda pediu – diz, cuidadosa.

—A ultrassom para saber como ela e o bebê estão, você quer dizer – indago, ela não me parecendo tão surpresa quanto esperava – Mas parece que já sabia – comento.

—Foi Isabel que me alertou para a probabilidade de estar grávida – Cait revela – Aproveitando, quero pedir que não comente nada com ninguém, nem mesmo o senhor Merlyn. Não quero que mais ninguém, além daqueles que já sabem, saiba por hora. Apenas se conseguir mantê-la, daqui uns dois, três meses, anuncio a todos – argumenta.

—Ok. Avisarei Layla e April – se oferece.

—Layla apenas. Falei com April mais cedo – avisa, descendo do leito – Você quer me acompanhar? Acha que dá pra ir? – pergunta, me encarando preocupada.

—Não perderia por nada neste mundo! Nem que tivesse de ir arrastado ou numa cadeira de rodas – exagero, beijando sua mão.

—Acertou na segunda opção – Isabel diz, precipitando-se para fora do quarto.

—Ela tá brincando não é? – pergunto, abrindo a boca quando retorna com uma cadeira de rodas – Não preciso disto! Posso andar – irrito-me, tentando levantar, Cait me retendo.

—De jeito nenhum! Se quiser me acompanhar terá de ser aqui – segura a bendita cadeira, trazendo-a para mais perto – Thomas, está se recuperando de uma cirurgia demorada e complicada, teve de ser induzido ao coma por alguns dias e mesmo estando muito bem aparentemente...

—Estou Bem!! – a interrompo.

—Ainda assim não deve correr riscos – insiste – Nem preciso dizer o quanto me sentiria culpada caso algo te acontecesse...Ou preciso? – questiona.

—Não, não precisa – digo, mal humorado – Ok, eu vou nessa coisa! — bufo aceitando a ajuda das duas (ela também não podia fazer grandes esforços ainda) para sentar na cadeira, recusando veementemente que Isabel pusesse um cobertor sobre minhas pernas – Ai já é demais!! – esbravejo, empurrando para longe.

—Ok, ok, nada de cobertor – aceita, se posicionando por detrás de mim – E antes que recuse minha ajuda, quero lembra-lo de que Caitlin não pode sair por ai empurrando uma cadeira igualmente pelas razoes já ditas — alerta e respiro fundo em busca de paciência – Bom. Agora vamos indo porque preciso retornar o mais rápido possível – avisa, sem maiores explicações.

Seguimos direto para a Obstetrícia aonde a tal médica já aguardava Cait. Enquanto ela se prepara para o exame, faz o mesmo pedido que fizera a Isabel, recebendo resposta igual da Obstetra.

Minha madrasta posiciona a cadeira o mais próximo que consegue da cama, me permitindo ter visão total do monitor. Após fazer algumas perguntas a Cait e, posteriormente, recomendações, começa a realizar o exame propriamente dito, me fazendo ficar atento a tudo que via e ouvia.

Não consigo esconder a emoção que sinto ao visualizar aquele pontinho no meio da tela indicado por ela, não muito maior do que uma uva! (agora entendo porque embrião), bancando o bobo quando pergunto se já poderíamos ouvir o coração batendo!!

—Somente a partir da quinta semana, lá pelo vigésimo segundo dia aproximadamente, será possível escutar o coração dele ou dela – informa – É quando o embrião começa a se desenvolver pra valer e podemos passar a chamar de feto – simplifica e me sinto ainda mais ridículo.

Dali em diante acompanhei tudo no mais absoluto silencio (ou quase!!). Ao final, a obstetra nos tranquiliza dizendo estar tudo bem tanto com Cait quanto com o embrião fazendo mais recomendações como repouso, diminuição na carga de trabalho quando retornasse a este, boa alimentação além de prescrever alguns medicamentos que poderia fazer uso desde em casos de um simples mal estar ou dor de cabeça até um sangramento ou ameaça de aborto espontâneo (algo que desejava ardentemente não acontecer).

Saio da consulta ainda mais otimista porém guardo para mim, mantendo-me contido em respeito a Cait. Sabia o quanto estava ainda temerosa mesmo diante do quadro positivo a nós apresentado.

Retornamos para o quarto, onde depois de alguns minutos a enfermeira vem trazendo almoço para nós dois a pedido de Isabel, que nos deixara tão logo regressáramos, conforme dissera que faria. Comemos num silencio tranquilo, sem a tensão que experimentei no consultório, Cait acabando por relaxar mais com a chegada de Mouse e Mônica quando já estávamos terminando a refeição, os dois nos fazendo companhia até anoitecer.

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“ ...Hush, now, I see a light in the sky;

Oh, it’s almost blinding me;

I can’t believe I’ve been touched by an angel with love...”

Mansão Queen (domingo, 31/12 – 14:23 p.m)

Thea

Deitada em uma das espreguiçadeias a beira da piscina em casa, observo Tommy interagindo com Amy no gramado mais adiante tendo a companhia dos pugs e sorrio.

Meu irmão estava radiante e bem mais animado do que quando chegou noite passada após ter recebido alta do hospital, e sem duvida a filha tinha grande parcela de responsabilidade nisso. E Cait também, óbvio!

Era cada vez mais evidente o quanto estavam apaixonados...e que estavam escondendo algo de todos nós!!

—Mas não por muito tempo! É só as festas passarem que descubro o segredo de vocês maninho. Eu sempre descubro! – vanglorio-me sem qualquer fingida modéstia, sobressaltando-me ao sentir o toque em meu ombro – Ai, que me matar de susto!! – resmungo, me voltando para Felicity e Cait, que se aproximaram sem que percebesse – Vocês duas andam ficando demais em companhia daquele maluquinho do computador! – reclamo, fazendo-as rirem enquanto sentam nas espreguiçadeiras a meu lado.

—Se disser isto a ele, irá tomar como elogio – Felicity afirma, protegendo os olhos dos raios de sol que teimam em persegui-la, olhando em direção a Tommy e Amy, seu rosto suavizando, assumindo uma expressão de carinho imensa que me faz refletir em como seria caso não tivessem separado anos atrás.

Não à toa Ollie fica enciumado as vezes!, penso, dirigindo meu olhar a Cait, que tinha expressão semelhante no rosto, porém com algo diferente, algo a mais além do amor...Já você nem tchum!! Por que não sente ciúmes Cait? Nem da Fel, nem da Amy, menos ainda quando vê os três juntos ao contrário de meu irmão? Logo você que quase terminou com ele quando soube do envolvimento no passado. Qual o mistério? Terá algo a ver com o que estão escondendo? —questiono-me em pensamento, tomando outro susto quando o celular de Felicity vibra com alerta de mensagem.

—April. Os exames já estão sendo processados. Agora só esperar – avisa, suspirando – Mal vejo a hora de ter este bendito resultado em mãos e poder cuidar da papelada para ter Amy em definitivo – diz, soltando outro suspiro mais alto e demorado ao mesmo tempo em que acariciava a barriguinha discreta porém já visível. Ao menos Eu via!!

—Eu também – corroboro, Cait se voltando para mim, estreitando os olhos da forma que faz quando está curiosa (já começava a conhece-la melhor) – O que foi cunhadinha numero dois? Disse algo errado? – não resisto provoca-la.

—Não. É só que...- para um segundo parecendo escolher as palavras ou ponderar se deveria ou não falar o que tinha em sua mente.

—É só que...?? – a instigo curiosa, admito.

—As vezes você parece tão ou mais ansiosa por este resultado do que Felicity – diz, completando rápido – Nada contra, entenda. Só não compreendo bem o porquê – confessa, me encarando.

—Eu também notei e cheguei a me perguntar a mesma coisa – Felicity admite, fazendo o mesmo que Cait – E as vezes tenho a sensação de que supervaloriza este resultado. Na verdade, desde que Oliver levantou a possibilidade, cada vez mais real especialmente depois dos fatos trazidos por Jay, de minha filha com Tommy estar viva, parece até mais decidida do que nós em descobrir o paradeiro dela – acrescenta.

—E estou – admito e é minha vez de ponderar se deveria ou não dizer a elas a razão de minha insistência, suspirando, me sentando de modo a ficar de frente para ambas – Prometem que não irão rir ou me achar maluca, ou neurótica!? – peço, as duas enrugando o cenho, confusas e sacudo as mãos – Olha só, vai parecer meio neurótico e até talvez seja...- começo sem esperar que respondam — Mas a verdade é que depois do que aconteceu entre mim e Tommy, ou melhor , quase aconteceu, eu meio que fiquei mesmo neurótica em relação a irmãos que não sabem que são irmãos. Não tinha me dado conta disto até esse lance todo começar – confesso, enrolando um pouco em começar a falar.

—O que quase aconteceu entre Tommy e você? – Fel pergunta, bastante curiosa.

—Bem...nós meio que ...quase...transamos quando eu tinha dezesseis anos!! – despejo fazendo as duas sobressaltarem-se em suas cadeiras – Calma que explico tudo – peço, erguendo as mãos em defesa, sinalizando para aquietarem-se – E por favor não riam – reitero, suspirando – Acontece que nem sempre soube que éramos irmãos – revelo vendo a surpresa se estampar na face delas – Cresci tendo ele sempre por perto juntamente com Ollie, mas nem por isso o via como irmão, mesmo antes de saber que o era de fato – prossigo – Primeiro, quando pirralha, o via como um herói das historias que minha babá contava. Ele e Ollie eram minha dupla perfeita de cavaleiros andantes!! -relembro com certa melancolia — Depois, quando comecei a crescer, passei a vê-lo como o príncipe encantado da Cinderela e o fato de ter substituído o banana que meus pais haviam contratado para minha festa de quinze anos, mesmo contra vontade, já que Ollie não lhe dera escolha, só piorou as coisas – afirmo, coçando a cabeça – Naquela época Tommy era tudo em minha imaginação: herói, mocinho de novela, príncipe encantado ...amigo gato/sexy/gostoso de meu irmão que estava sempre por perto me fazendo rir, me deixando encantada e boba com aquele charme que Deus lhe deu!!...- suspiro outra vez — O via como qualquer coisa excerto irmão! – repito – A partir dos treze, quatorze anos, passei a sonhar com ele frequentemente. Sonhos românticos e ingênuos a principio e nada comportados depois, quando atingi a puberdade. Ai passaram a se...picantes, mesmo não recebendo nenhum tipo de incentivo por parte dele. Ao menos não conscientemente – afirmo, relembrando os banhos de piscina e todas as vezes em que me agarrava para jogar dentro d’água ou simplesmente para me impedir de seguir Ollie — Até aquele bendito final de semana três meses depois de meu decimo sexto aniversário!! – exclamo, erguendo os indicadores.

—O que houve?? – Cait quer saber, atenta e ...era riso o que estava vislumbrando em seu rosto??

—Aconteceu que fomos para a fazenda de nossa família comemorar sei lá o que...rolou uma festa daquelas que Ollie costumava fazer, aproveitando a ausência momentânea de nossos pais...eles beberam além da conta, pra variar...Ollie se trancou no quarto com a bola da vez na época...Laurel fez Sara vir embora para Starling com ela por estar com raiva em ter sido preterida pelos dois...os demais amigos que estavam por lá sumiram pra se pegar em algum local ermo pela fazenda e acabou que sobrou apenas Tommy estirado no tapete da sala, bêbado, e euzinha, que tinha obedecido a ordem, pela primeira vez na minha curta vida, de Ollie em ficar no quarto mais por não ter interesse em nenhum dos carinhas que estavam lá do que por respeitar meu , até então, irmão mais velho – conto, fazendo uma pausa para respirar, a vergonha se misturando com a vontade de rir ao lembrar aquela manhã de domingo – Tinha chovido bastante na noite de sábado e por isso nossos pais não haviam conseguido retornar da fazenda, nem tão vizinha assim, a qual tinham ido visitar deixando a casa a disposição da gente – lembro – Pois bem, eis que acordo muito cedo com algum dos idiotas gritando. Desço, irritada evidente, pra ver do que se tratava e quando chego a sala encontro Tommy na situação que falei – faço nova pausa rápida – Estava esticado no tapete com a camisa e a calça abertas, agarrado a uma almofada e nem me perguntem como ficou naquele estado!! – advirto ao ver Fel abrir a boca — Tentei faze-lo levantar e acabei perdendo o equilíbrio e caindo por cima dele...- fecho os olhos um segundo trazendo a cena a mente – Sabe aqueles lances que dizem em novelas ande a irmã diz que sentiu algo estranho quando beijou o carinha que não sabia ser seu irmão? Que sentiu que era errado quando estavam quase lá e coisa e tal e que por isso parou, não conseguiu seguir em frente? Balela! Tudo balela. Dos dois lados – afirmo categoricamente – Quando cai em cima do Tommy aquela manhã de domingo, usando um baby doll nada comportado, diga-se – pontuo — E senti seus braços envolta de meu corpo, todas as fantasias proibidas e reprimidas por não querer estragar a amizade entre ele e Ollie vieram à tona com força total!! – exclamo, vendo as duas espremerem os lábios para não rirem – Tirei proveito da situação, evidente, quem em sã consciência não tiraria – brinco – E o beijei como sempre quis fazer. Beijei bem beijado. Beijo de língua! E ele correspondeu – asseguro, pondo as mãos sobre o rosto – Correspondeu e começou a despertar rapidinho, o sem vergonha! – exclamo, abrindo uma fresta em meu “escudo” para olha-las — Em defesa, ele sequer sabia de quem se tratava quando intensificou o beijo e começou a me apalpar, ao contrário de mim, que sabia muito bem quem era e no que aquela brincadeira perigosa poderia dar – o defendo, a vontade de rir me acometendo de repente, mas me controlo – Eis que as coisas estavam evoluindo para o que seria a transa mais louca e ousada que teria até aquela data, já que estava em meio a sala de casa de meus pais, em plena manhã de um domingo que prometia ser ensolarado, com uma penca de convidados que podiam aparecer a qualquer momento, o mesmo valendo para meu irmão no andar de cima, quando meus pais surgem na porta envidraçada que dava acesso a casa vindo da piscina e minha mãe, aos berros, literalmente, e ela Nunca elevava a voz! – friso – Ordena que parássemos com aquilo, que não podíamos porque éramos irmãos. Assim, na lata. Sem anestesia local ou aviso prévio! – digo, não conseguindo segurar o riso desta vez – De boa: não sei o que foi mais engraçado: minha cara tragicômica de pânico por ter sido pega em fragrante fazendo o que não devia com o melhor amigo de meu irmão, dez anos mais velho, alguém em quem meus pais confiavam...ou a cara igualmente de pânico do Tommy, toda amassada e marcada por ter dormido de bruços encarando meu pai e minha mãe de boca aberta e olhos arregalados, tão surpreso quanto eles ao perceber que era eu a garota com quem estava se pegando sobre o tapete. Pense numa bebedeira que curou mega rápido aquela! – brinco, já não conseguindo mais falar, só rir, acabando por contagiar as duas – Depois do susto inicial, fomos, os dois, devidamente enquadrados e recebemos o maior sermão de todos os tempos sendo que a culpa nem era nossa! – falo depois de me controlar.

—Depois disso meu pai e Moira assumiram que tinham dormido juntos uma única vez, durante uma briga entre ela e Robert, alguns dias antes de minha mãe morrer – escutamos Tommy dizer, nos fazendo saltar (literalmente!), ficando de pé – Demorei meses para perdoar os dois, ela em especial já que não esperava muito de meu pai, sem contar a mim mesmo e não apenas por ter descoberto da pior maneira possível que Thea era minha meia irmã, mas por quase transado com a irmã caçula de meu melhor amigo – completa, cruzando os braços ao nos encarar – Por que trouxe essa história à tona speedy? Sabe o quanto detesto lembrar esse dia por inúmeras razões – protesta e antes que minhas cunhadas se acusem, explico.

—Porque quis que Fel e Cait entendessem o motivo de eu dar tanta importância ao teste de DNA – revelo – Fel vai ter outro bebe dentro em pouco. Um menino. E se os dois crescessem separados, sem saber que são irmãos e ai, por uma manobra malvada do destino, se encontram e se apaixonam na universidade e não tem nenhuma Moira para impedir de transarem? – dramatizo — Sei que é uma hipótese vaguíssima, mas se quase aconteceu com a gente, que éramos criados como irmãos, o que impede o destino repetir a dose com eles? – aponto do ventre de Fel para Amy, que brincava com uma de suas bonecas – Nahm! Prefiro não arriscar. Melhor saber quem e onde está minha sobrinha e ter os dois bem perto. Não sou careta ou preconceituosa, mas incesto é um pouquinho demais e podem me chamar de exagerada, eu deixo – assumo, pondo as mãos na cintura – Além do mais, se esse menino tiver metade do charme que os pais têm, a coitada da Amy não teria nenhuma chance de resistir! – digo, arqueando a sobrancelha – Pensando bem, ele também não teria já que ela claramente herdou seu poder de sedução maninho – o provoco – De qualquer jeito, não quero meus sobrinhos passando pelo trauma que passei quando soube da verdade. Só Deus sabe o quanto de terapia precisei pra deixar de te olhar como o amigo gato/sexy/gostoso altamente pegável para te vê como irmão mais velho – digo, ele abrindo a boca espantado – O quê? Tá pensando que foi só girar a chave do seletor e pronto? Nahmm!! Deu trabalho viu! – exclamo, me agachando para pegar Amy, que vinha correndo em nossa direção, nos braços – E muito trabalho – reforço, dando um beijo estalado na bochecha de minha sobrinha antes de o encarar de novo – Vai me dizer que foi fácil pra você?? – inquiro, me divertindo ao vê-lo corar, coisa rara, posto que sabia que Ollie vivia chamando atenção dele, ameaçando até, cada vez que me dirigia um elogio por estar ficando gostosa!!

—Foi...um pouco – admite, ficando ainda mais sem graça quando Fel e Cait disparam a rir – De qualquer maneira, este cenário dramático que pintou é bem improvável de acontecer não acha não? – questiona-me, saltitando de repente – Putz Sherlock, faz isso não!! Pensei que éramos amigos já carinha – resmunga, fazendo uma careta quando o gato de Cait apoia as patas em sua perna direita, as garras penetrando o tecido da jeans que usava.

—Sherlock, sai! – Cait ordena, o gato lhe dirigindo um olhar desafiador antes obedecer, saindo a caminhar todo prosa, pulando sobre outra espreguiçadeira, a gata, Watson, surgindo segundos depois, se unindo a ele enquanto os pugs corriam enlouquecidos pelo jardim.

—Esses seus pets são umas figurinhas Cait! – digo, rindo juntamente com Amy.

—Estão animados com o espaço que dispõem para brincar. Não sei como será quando voltarmos para o apartamento – reflete, pensativa.

—Eles se adaptam novamente...ou podemos comprar uma casa, menor, aqui por perto – Tommy sugere fazendo-nos encara-lo, surpresas – Amy parece gostar daqui também. Crianças gostam de espaço para correr, sei bem disto- afirma, chamando-a para seus braços e entrego depois de Cait liberar – Gostaria de uma casa princesa? Para quando for passar uns dias comigo e Cait – pergunta.

—Sim. Mas apartamento também é legal papai – responde e prendo a respiração, meu irmão ficando visivelmente emocionado ao escutá-la chamar de pai pela primeira vez – Bom mesmo é ter você e mamãe perto – declara a pequena, se enroscando ao pescoço dele, o fungado a minhas costas me dizendo que não era a única a chorar ali.

—Ok, vou ali tomar um litro e meio de água para não desidratar e já volto! – aviso, caminhando para dentro de casa sem esperar resposta, fungando alto quando me afasto o suficiente para não ouvirem.

—Thea, o que foi? Algo errado amor? – ouço Eddie perguntar e me volto, deparando com ele, Ollie, Jay e Mouse apoiado em suas muletas.

—Oi, já chegaram? – desconverso, indo ao encontro dele – Pensei que só viriam logo mais a noite, para a festa – digo, lhe dando um selinho.

—Mudamos de ideia já que conseguimos resolver tudo antes do esperado – diz, me envolvendo a cintura – E ai, vai dizer porque o choro? – retoma e rio.

—Nada não, só a Amy sendo a fofa de sempre!- exclamo vendo meu irmão abrir um sorriso imenso – Estão lá no jardim, perto da piscina – indico, ele agradecendo com um aceno antes de seguir para lá – Fiquem a vontade rapazes. Há quartos aqui embaixo e lá em cima. Podem escolher – aviso, sorrindo-lhes.

—Obrigado. Oliver já pediu pra governanta nos instalar – Jay avisa, olhando em volta – Será que podemos sentar por aqui para Mouse verificar o programa? – pergunta.

—Claro. Como disse, fiquem a vontade – reitero, os dois indo sentar-se no sofá – Quer comer alguma coisa? Já almoçou? – pergunto, encarando meu loiro.

—Almoçamos no restaurante da QC – informa, afagando meu cabelo recém cortado – Mas um banho gostaria de tomar – pede.

—É pra já! – estalo os dedos, o conduzindo a meu quarto, onde passamos boa parte da tarde, saindo apenas quando nossa governanta vem avisar da chegada de Barry e nossos amigos de Central City além de Malcom, Isabel e a bebezinha, Donna e Damien, Monica juntamente com Sara, Ray e Quentin Lance, os pais de Cait (para nossa surpresa e dela) e Laurel e com os gêmeos sendo os últimos a chegarem.

Pela primeira vez em anos, minha mãe realmente cumpre o que prometera: uma festa apenas para a família e amigos mais íntimos.

E é neste clima pra lá de familiar, surpreendente leve em vista dos acontecimentos recentes em nossas vidas, que damos as boas vindas ao novo ano de dois mil e dezoito, a esperança única em todos de um ano mais feliz e tranquilo que o anterior.

“...Let the rain come down and wash away my tears;

Let it fill my soul and drown my fears;

Let it shatter the walls for a new sun;

A new day has come..”

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Seattle (00:15 a.m)

Narrador

Da varanda da imensa cobertura, a figura alta e imponente observa os fogos em comemoração a chegada do novo ano, sorvendo o ultimo gole do champanhe em sua taça, olhando o horizonte, reflexiva, o limpar de garganta chamando sua atenção.

—Conseguiu? — pergunta sem se voltar.

—Sim senhora – responde o homem, mantendo a postura firme e alerta.

—Tudo? – inquire, ainda de costas.

—Tudo – confirma, a porta sendo aberta ao seu sinal, outro homem conduzindo uma cadeira de rodas adentrando o recinto – A menina está em uma cidade chamada Starling, sob a tutela de uma das famílias importantes do lugar, os Queen – recomeça a falar enquanto a cadeira é guiada até junto dela – Ao que tudo indica ela é a certa, apesar de os exames da pequena no Canada não haverem ficado prontos ainda – cala-se, ao escutar a voz forte do homem na cadeira de rodas.

—E quanto ao juiz Dark e sua família perfeita, onde estão? – quer saber, a mulher voltando-se de imediato, encarando-o com olhos marejados.

—Na mesma cidade senhor. A filha é noiva desse tal Oliver, primogênito dos Queen – informa, a entrada tempestiva da jovem morena os fazendo voltarem-se.

—Não acredito!! Está realmente aqui, conosco?? – indaga, correndo ao encontro dele, agachando-se para abraça-lo – Pensei que havia morrido!- exclama, apertando-o forte.

—Como pode ver, os boatos sobre minha morte foram precipitados -diz de maneira irônica, rindo com o canto da boca, erguendo o olhar a mais velha, que o encara de volta – Agora que sabemos aonde estão, vamos agir! – determina – Quero minha vingança! Agora mais do que nunca – cospe, respirando pesadamente.

—E terá meu bem – garante a mulher, ajoelhando-se a seu lado, segurando-lhe a mão – Teremos nossa vingança não apenas contra aquele juizinho metido a besta, mas contra todos que nos prejudicaram e traíram, causando a morte de seu pai e irmão – afirma, apertando-a com força – Mas não agora. Temos de ter paciência e saber a hora certa de atacar para que não tenham chance de defesa. Terá sua vingança pessoal e eu terei a minha Rico, meu filho. Iremos esmagar todos que ousaram desafiar nossa família e ai daqueles que estiverem do lado destes. Sofrerão as consequências – ameaça, cerrando os punhos, erguendo-se, altiva – Palavra de Dolores Diaz!! – decreta, nenhum dos dois notando a troca significativa de olhares entre o homem loiro e jovem morena.

Notas finais
Até breve. Bjinhos flores