Notas iniciais
Olá flores!! Quero pedir desculpas pela ausência e desta vez foi forçada: fiquei alguns dias sem internet. Somente ontem consegui restaurar. Por esta razão, peço um pouco de paciência a quem comentou. Irei responder a todos bem como atualizar as fics uma a uma a começar por aqui. Bom, aqui temos uma pequena passagem de tempo, um pouquinho de ciúmes, Amy sendo fofa, Tommy apanhando um pouco, ameaças no horizonte e o resultado do DNA! Grata a todas que permanecem aqui, mesmo eu estando demorando demais a att (Sorry!!)....Me deixem suas impressões sobre o capitulo por favor (responderei, devagar, mas responderei)....Boa leitura... Bjinhos flores. P.S : para quem acompanha Links of fate, comunico que talvez ainda hoje postarei o último capitulo. Aviso também que estou com fic nova que entrou no lugar de Madly Para o lugar de Links há uma sendo preparada também

“I can’t write one song that’s not about you;

Can’t drink without thinking about you;

Is it too late to tell you that;

Everything means nothing if I Can’t have you?...

Oh, I’m good at keeping my distance;

I know that you’re the feeling I’m missing;

You know that I hate to admit it;

But everything means nothing if I can’t have you…”

If I Can’t Have You

Shawn Mendes

Verdant (sábado, 24/2/18 – 11:16 a.m.)

Tommy

—Que diabos pensar estar fazendo?? – o xingamento chega a meus ouvidos e me volto, olhando em direção a Ollie, que me encarava, indignado enquanto vinha em minha direção – Ainda está se recuperando Tommy, não pode se meter no topo de uma maldita escada carregando peso droga! – reclama, parando junto ao balcão – Sem contar que se Caitlin desconfiar que te deixei fazer algo tão estúpido, entra no primeiro avião e me arranca a pele sem anestesia – dramatiza e rio.

—Desconhecia esse seu lado dramático Ollie – digo, depositando as duas últimas garrafas sobre a prateleira antes de começar a descer – E se Cait estivesse assim tão preocupada comigo, estaria aqui e não a quilômetros de distância – minha vez de dramatizar.

Três semanas e meia depois do ano novo, ela havia me comunicado que iria a Nova York com os pais (que tinham vindo de surpresa, passar a virada de ano em Starling, com ela) a fim de resolver alguma pendência em relação a antiga sociedade com o ex noivo e a amiga...ex amiga. E de nada adiantou ter me mostrado contrário, ela se foi. Pior, sem data certa para voltar. O que estava me irritando profundamente.

—Agora é minha vez de dizer: para de drama Tommy! Sabe muito bem o quanto Caitlin se preocupa com você, o quanto te ama. Me diz quantas vezes te ligou desde que viajou com os pais? – questiona, me encarando assim que me volto para ele – Pense pelo lado positivo: enquanto ela estiver por lá, estará longe da mira dos Chase – pondera ao notar minha irritação, mas as duas observações só serviram para aumenta meu mau humor, algo que também não lhe passa despercebido – Também não estou feliz em saber que continuam por aí, livres. Eles e a viúva negra. Se pudesse e ela aceitasse, mandaria Felicity para bem longe. E Thea e Amy também – revela – Pelo menos até estar tudo resolvido – completa, servindo-se de uma dose generosa de uísque cowboy.

—Nenhuma novidade ainda? – pergunto, apoiando as mãos ao balcão, o encarando, a leve pontada de dor em meu ombro alertando que não deveria repetir a estripulia de agora a pouco.

—Nada. Parece que os infelizes sumiram da face da terra – rosna, irritado, passando a mão pelo cabelo – Tudo que eu mais queria era resolver logo essa situação toda para que possamos retomar nossas vidas, nossos planos – diz, suspirando, tomando mais um pouco do uísque.

—Também quero o mesmo – confesso, me servindo de uma dose também, recebendo um olhar reprovador de meu amigo – Tomei a última dose de medicação prescrita ontem a noite, portanto posso beber mamãe!! – não resisto provocá-lo, o sorriso largo quebrando o gelo entre nós.

Apesar de estar feliz com a possibilidade de ter encontrado minha filha, era inegável que isto estava afetando minha relação com Ollie mais do que queria admitir. Sempre que estava ao lado de Amy e Felicity sentia seu olhar sobre nós. Algumas vezes parecia triste, em outras enciumado e algumas vezes simplesmente não conseguia decifrar o que se passava em sua mente. Se bem que isto nunca foi algo fácil de se fazer. Oliver Queen foi e algumas vezes ainda é uma incógnita total para mim, mesmo o conhecendo a tantos anos. E olha que não estava dando motivos para tal comportamento. Ao menos não conscientemente. Mas deveria estar fazendo alguma coisa errada, melhor dizendo, Muito errada mesmo, visto que minha namorada também vinha demonstrando a mesma reação. Talvez por isso tenha decidido viajar (contrariando também as ordens de sua obstetra) com os pais para fazer algo que eles próprios haviam declarado poderiam fazer sem a presença dela.

E por falar em meus futuros sogros (ao menos espero que continuem a ser!), não tinha gostado nada deles e o sentimento fora recíproco pelo que pude perceber. A todo momento que estavam junto conosco, relembravam o passado, como Cait tinha destaque na sua clinica em Nova York, como era querida entre os pacientes, como poderia estar bem financeira e profissionalmente além de trazerem notícias do tal ex noivo (o cara terminara com a ex amiga dela e dizia-se mudado e arrependido do que tinha feito) e por mais que Cait negasse, havia ficado mexida. Ou talvez fosse apenas meu lado inseguro e ciumento falando mais alto. Mas o que posso fazer se ela estava mais distante a cada dia depois da chegada de Amy Lee?

Houve momentos em que desejei que este bendito exame dê negativo, que tudo não passe de uma cisma coletiva (não havia quem não dissesse que Amy era minha filha!!) para poder ter minha garota de volta a meus braços como antes (É isso mesmo que estão pensando: não transavamos desde que sai do hospital! Primeiro porque estava me recuperando. Depois porque a obstetra recomendara evitarmos sexo nos primeiros dois meses de gravidez, a qual mantínhamos em segredo ainda. E agora essa bendita viagem!) ...

—Terra para Tommy, câmbio. Tem alguém em casa? – a pergunta em tom de brincadeira seguido do toque em minha cabeça me traz de volta a realidade– Tudo bem tenente? – encaro de volta o rosto de Mouse, que me olhava num misto de preocupação e divertimento e enrugo o cenho, notando, além dele, Jay e Ray ao lado de Oliver, os três fazendo o mesmo que o rato: me encarando sérios.

—De onde vocês brotaram? – pergunto, quebrando parcialmente o clima tenso, fazendo-os rirem.

—Não disse que estava a quilômetros de distância??- Ray declara, sentando-se ainda sorridente.

—Mais precisamente a distância entre NY e Starling! – Jay exclama, fazendo o mesmo, pondo uma pasta marrom sobre o balcão.

—Que pasta é essa? – interrogo, ignorando a observação (verdadeira) dele.

—Mais informações sobre nossos amigos Chase e a viúva negra, aliás, ela realmente faz jus ao apelido que Mouse deu – informa, abrindo-a e expondo diversos documentos – O lutador é o quarto marido da fogosa dama em questão. O único que permanece vivo...

—Até onde sabemos – Ray o interrompe, erguendo o polegar.

—Ela matou os outros três? – Ollie pergunta, me entregando um maço de folhas, ficando com outro.

—Não que se tenha conseguido provar. Mas todas as mortes se deram em circunstâncias no mínimo suspeitas – Jay prossegue, aceitando o copo com bebida que Mouse lhe estendia – Sem contar que foi sempre ela a primeira pessoa a encontrar os corpos. Em todos os casos, no entanto, o álibi apresentado conferia – completa, tomando um gole generoso.

—E olha que coincidência: em todos os casos havia amantes que convenientemente levaram a culpa e estão pagando pelos crimes mesmo se dizendo inocentes. Um deles foi morto na prisão dois meses antes de ela e o grandão se mudarem para Starling – Mouse revela, me trazendo um arrepio a espinha ao pensar que eu poderia ser o próximo preso por assassinar seu quarto marido!– E não é só isso: os maridos deixaram polpudas apólices de seguro para adivinhem quem?? – indaga, aumentando meu mau estar.

—Uma assassina serial – Ollie murmura, preocupado.

—Que em algum momento fez amizade com os Chase e viu aí um meio de lucrar ainda mais – Ray continua – Descobri que ela estava chantageando algumas pessoas do condomínio com os vídeos, e por falar no lugar, estão sabendo da decisão final tomada na assembleia de condôminos?? – pergunta de repente e negamos, Ollie e eu, com movimentos de cabeça, ambos absortos na leitura dos documentos – A torre três será demolida – informa e erguemos a cabeça juntos, o encarando, surpresos – Era a menos habitada e optaram por derrubar e ampliar a área de convívio em comum. Em seu lugar irão construir uma sauna, uma quadra de tênis, uma outra piscina além de plantarem mais arvores e gramados para as crianças e animais poderem brincar. Os tuneis também serão lacrados. A coleta de lixo será a moda antiga, com depósitos solicitados diretamente a companhia de limpeza de Starling e feita em dias e horários pré-determinados – comunica e assinto em concordância.

Depois que recebi alta não retornará ao apartamento, tinha me hospedado na casa de meu pai enquanto Cait ficara com os pais dela no hotel (um erro do qual não irei me perdoar nunca!). Nos víamos todos os dias ao final de seu turno e nos finais de semana, sendo justamente em um destes que Cait avisou-me da viagem...e acabamos discutindo feio. Como resultado, me ligara duas míseras vezes e enviara umas poucas mensagens durante todo este tempo, a última, três dias atrás, avisando que estava quase terminando de resolver o que precisava. Quase. E nada de data de retorno.

—Pelo visto nossa ex vizinha era uma golpista de primeira – Ollie comenta e anuo com um aceno – E talvez seja por aí que iremos descobrir aonde ela e os Chase estão, usando sua ambição – sugere, pensativo.

—Partindo do pressuposto que continuam juntos – Jay comenta – Podem ter-se separado logo depois de fugirem, afinal Anelise não tinha mais utilidade para eles – supõe.

—Duvido muito que tenha deixado seu novo pote de ouro escapar! – exclamo, irritando-me comigo mesmo por quase ter caído na armadilha daquela vigarista – Como pretende fazer para atraí-los Ollie? – pergunto, curioso.

—Espalhar a notícia de que Rock deixou uma pequena fortuna escondida no cofre do banco na pressa de fugir – revela, me deixando confuso – Se estivesse com a cabeça aqui, teria notado a lista de bens deixados para trás por ambos contida no relatório entregue por Jay – acusa em tom de brincadeira e corro os olhos pelo papel, notando a citação marcada em vermelho: cofre particular no banco de Starling – Podemos espalhar que a policia descobriu joias e outras coisas neste cofre. Se Rock tiver sido pelo menos um pouquinho precavido, devera ser o suficiente para plantar a dúvida nela e aí...

—Pegamos a dona baratinha! – Mouse brinca, esfregando as mãos – Vocês não têm noção do quanto estou a fim de pôr as mãos nessa filha de uma....

—UOU, modere a linguagem ratinho, crianças na área!! – a advertência em tom divertido ecoa pela Verdant juntamente com o som de passos rápidos.

Dou a volta, saindo detrás do balcão, me agachando de braços abertos para receber a pequena Amy, minha filha, que se atira em meu pescoço, como habituara-se fazer nos últimos dias. Antes, quando estávamos Oliver e eu num mesmo ambiente, este primeiro abraço era geralmente dele (o que me causava certa dose de ciúmes, admito). Agora ganhara a primazia!

—Buon diorno principesca!! – cumprimento fazendo-a rir gostoso, erguendo-me com ela em meus braços, as pernas entrelaçando-se a minha cintura, os braços apertando forte meu pescoço.

—Bom dia papai – responde com voz embargada e franzo o cenho, olhando para Felicity e Thea, que já não sorria mais.

—O estão fazendo aqui? Não tínhamos combinado de nos encontrarmos no almoço, em casa? – Ollie questiona, abraçando e depositando um beijo terno na fronte de uma Felicity visivelmente tensa.

—Erica ligou a pouco – avisa e sinto meu coração apertar. Sabia do que o momento que mais temíamos havia chegado.

—Entendo – Ollie diz, tão desanimado quanto eu.

—Não, não entende. Nenhum dos dois entende – Felicity afirma, voltando-se para Thea – Por que não leva Amy para Roy mostrar a ela como mexe no sistema de som? – sugere, esticando o braço e acariciando as costas de nossa filha – Amorzinho, lembra que a mamãe falou que iria precisar conversar com o papai e o tio Oliver quando chegássemos? – pergunta, fazendo com que Amy desgrudasse um pouco de mim, voltando o rostinho para ela.

—É agora mamãe? – quer saber, a voz soando normal.

—É sim. Vá com a titia vê o tio Roy trabalhar – pede, ela anuindo com um gesto de cabeça, me dando um beijo estalado antes de se atirar em direção a Thea (iria ter uma conversa séria com essa mocinha a respeito dessa mania de se jogar para tudo e todos!!) – Não podemos levá-la de volta – Felicity declara tão logo se afastam, nos deixando surpresos – Uma mulher jovem esteve no orfanato. Avisou que o local está sendo vigiado dia e noite e que assim que Amy aparecer, a pegarão, com ou sem autorização. Pela descrição pode ser a irmã de Ricardo Diaz. E tem mais – alerta, abrindo a bolsa com mãos trêmulas, retirando uma folha de papel e entregando a Ollie – Ele, o Diaz, saiu da prisão no dia de ano novo. Está sob condicional. Uma juíza amiga de Damien enviou isto por e-mail e avisou também que nas próximas vinte e quatro horas um mandado de prisão pode ser expedido...para Thea! – despeja, respirando fundo, um silencio tenso caindo sobre nós.

—Meu pai já sabe? – Ollie é o primeiro a quebrá-lo, Felicity confirmando com um aceno.

—Sim e está providenciando um advogado, o que não está me deixando menos ansiosa ou nervosa – revela Felicity, apertando as mãos com força.

—Ótimo. Erica falou se avisou Dean ou Sam? – quer saber.

—Não deu tempo, a tal garota apareceu por lá ontem, bem tarde. Ela falou que a primeira coisa que pesou foi em nos avisar já que pretendíamos estar lá hoje, logo cedo – conta, mordendo o lábio – Na correria dos últimos dias acabei esquecendo de avisá-las de que havíamos mudado os planos. Somente quando li a mensagem que lembrei desse detalhe. Estava prestes a ligar de volta quando ela ligou para mim – revela, apertando ainda mais as mãos – O que faremos? – pergunta, olhando de mim para Oliver alternadamente.

—Nada – me adianto, Ollie olhando-me confuso – Não faremos nada. Se estão vigiando o orfanato e já sabem sobre Thea, sabem sobre nós também – explico, massageando meu queixo – Precisamos tirar a baixinha e Amy de Starling o mais rápido e em segredo possível. Levá-las a um local seguro até sabermos exatamente com o que estamos lidando – digo, olhando-os – Quem sabe a fazenda Queen – sugiro, Oliver negando com um menear de cabeça.

—O ideal seria fazê-lo em algum local que não pertencesse a nossas famílias – diz, girando o indicador – Como bem disse, já devem saber sobre nós – reitera e bufo.

—Posssi tentar descobrir o quão longe os Diaz vieram – Jay sugere de repente, Felicity o encarando de cenho enrugado – Até onde sabem sobre cada um de vocês, se têm informantes aqui em Starling ou mesmo amigos – específica, a loira soltando um “Ah” em compreensão.

—Faça – Ollie ordena no automático – Por favor – completa, fazendo nosso amigo rir divertido.

—Considere feito Cap! – exclama, tocando a fronte com dois dedos – Deixarei Ray e Mouse no encalço dos Chase e cuidarei disso – avisa, sinalizando ao rato que estavam de saída.

—Hã...- Mouse ergue o indicador ao levantar, chamando nossa atenção para si – Não sei se seria adequado, mas enquanto investigava o falecido síndico, descobri que possuía algumas propriedades nos arredores da cidade, entre elas uma pequena vivenda. Foi posta a venda alguns meses atrás e assim permanece – relata, pegando caneta e papel, anotando rapidamente um número – O contato é este aqui. De repente é uma opção. E sempre posso providenciar um sistema de segurança ultra moder...- começa dizer, encarando Felicity, que o olhava de sobrancelha – Deixa pra lá!! – sacode as mãos, fazendo uma careta gozada – Fui!!! – exclama, adiantando-se em direção a saída, Jay o seguindo rindo alto.

—Estes dois são meios estranhos!! – comenta a loira, levando um dedo ao queixo – Gosto deles – declara, Ollie e eu rindo.

—Nós também – declara meu amigo, ficando sério ao olhar o papel em sua mão – Pedirei a John que mande alguém de sua confiança cuidar deste assunto. Enquanto isto, melhor as duas permanecerem na mansão. Há bastante espaço caso precisem se esconder rapidamente e estarão seguras – pondera, me encarando – Tudo bem pra você Tommy? – pergunta, o tom que usa chamando não apenas minha atenção.

—E por que não estaria? – Felicity adianta-se, estreitando os olhos ao nos encarar – Tem algo acontecendo aqui? Por acaso andaram brigando ou algo do gênero? – quer saber.

—Algo do gênero – respondo rápido – Ollie acha que posso não estar gostando de você e nossa filha estarem passando mais tempo ao lado dele do que comigo e que talvez devamos mudar isto a fim de nos dar um tempo para descobrirmos o que sentimos um pelo outro, você e eu – indico-nos – E Cait, presumo eu, parece compartilhar da mesma opinião já que inventou essa bendita viagem que parece não ter fim! – resmungo, a reação da loira demorando não mais que alguns segundos – Hei, porque tá me batendo?? – questiono-a, erguendo os braços para me proteger das tapas desferidas.

—Pra deixar de ser idiota! – xinga, me batendo duas vezes seguidas – Então foi por isto que minha prima viajou as pressas? Por julgar que precisava dar espaço a você, a nós?? Eu falei eu se fizesse ela sofre ia te esganar não falei!?! – bufa, recomeçando a me estapear com mais força.

—Eu não magoei ninguém sua maluca!! – exclamo, me defendendo da melhor maneira possível – Ela que tirou conclusões erradas e...

—E você não fez nada para impedir ou fazê-la pensar diferente!! – acusa, me batendo ainda mais forte – Trate de ligar para ela e desmanchar este mal-entendido agora mesmo está ouvindo? Ou juro por Deus que Amy vai ser a Única prole que terá nesta vida Tommy Merlyn!! Isto Se continuar respirando – ameaça, me batendo com o bloco de notas que estava sobre o balcão.

—Eu tentei, mas ela não me atende há dias!! – me defendo, erguendo os braços – Desde antes de ontem que vai direto para a caixa postal. Não sei mais o que fazer ...Espera, não está esquecendo nada não?? E quanto a ele? – aponto Ollie, que se fazia de “morto” – Ele também anda pensando bobagem – acuso.

—Eu não...- Oliver tenta argumentar, mas Felicity não deixa.

—Eu sei e com este senhor aqui me entendo mais tarde!! – ameaça, fuzilando-o com o olhar e preciso me controlar para não rir ao ver um cara com quase dois metros de altura e o triplo da força dela, se encolher na cadeira que ocupava!!

—Sério que vai me fazer perder isto?? – inquiro, me protegendo de suas tapas novamente.

—Mamãe, por que tá batendo no papai?? – a vozinha doce de Amy me salva da sessão “bata no Tommy”, mas antes que ela pudesse responder, uma outra voz surge.

—Mamãe?? Papai?? Entrei em algum universo paralelo por acaso?? – Sebastian Blood pergunta, nos encarando espantado enquanto caminha em nossa direção– Dever ter sido isto porque primeiro vejo dois marmanjos quase se enfiando dentro das próprias calças com medo de uma dama com menos da metade do peso e força de ambos e agora ouço isto!! É pegadinha!?! – inquire, parando alguns passos de nós.

—Se conhecesse minha cunhadinha número um entenderia!! – Thea brinca, recostando-se no balcão a minha frente – Quanto ao que escutou...Não é de sua conta!! – declara, erguendo o queixo em desafio.

—O que traz o nobre vereador aqui em plena manhã de sábado!? – ironizo, pegando minha filha, a pondo sentada sobre o balcão entre Thea e eu.

—Caso um dos dois se dignasse atender o telefone, me poupariam a viagem – devolve, apontando de Oliver para mim – Mas agora que sei quem manda de fato, não cometerei o mesmo erro – alfineta.

—O que quer Blood? – Ollie inquire, ignorando a provocação.

—Blood? Seu nome é Blood?! Que esquisito!! – Amy comenta distraidamente, mexendo no head fone que Roy lhe dera.

—Uhum...e Merlyn é bem normal não é pequena? – devolve ele.

—Vai debater com uma criança de quatro anos? É sério?? – Felicity questiona, ele rolando os olhos e sacudindo as mãos.

—A Câmara de vereadores aprovou o projeto para os Glades – anuncia direto – O que Summers refez. Todo ele. Na integra. Sem nada contestar – completa, exibindo um sorriso orgulhoso.

—E veio aqui para receber os parabéns? – interrogo,

—Parabéns. Quando começam? – Ollie diz, seco e desta vez não consigo evitar rir, Blood rolando os olhos outra vez.

—Quanta ingratidão! – resmunga, prosseguindo – Não é assim tão rápido. Será publicado um edital no diário oficial, depois aberta uma licitação para concorrência pública a fim de escolhermos qual construtora será responsável pela obra. Ou construtoras, se for o caso – explica e torço o nariz.

—Concorrência pública? Qualquer um pode se candidatar? – inquiro.

—Evidente. Ganha aquela que oferecer o melhor custo/benefício a cidade – diz, me encarando – Algum problema nisso senhor Merlyn?? – quer saber.

—A Global também poderá participar – elucido.

—Qual o problema nisso? – rebate, dando de ombros.

—Algo do tipo: o projeto inicial ter sido deles e que este mesmo projeto pretendia destruir parte dos Glades, talvez? – Ollie devolve, ele suspirando.

—Malcom Merlyn retirou seu projeto alguns dias antes que o dos senhores fosse exposto e abriu mão de qualquer disputa por tal – revela, me pagando de surpresa – Deveria conversar um pouco mais com seu pai. Ao menos para se inteirar dos fatos – sugere e engulo a resposta malcriada por conta da presença de Amy – Bem, já fiz o que tinha de fazer. Fiquem de olho no diário oficial ou se preferirem no site da câmara. Todas as informações serão postadas lá – avisa, se inclinando e estalando os dedos a fim de chamar atenção de minha filha – Prazer em conhecê-la pequena aprendiz! – declara, jogando um beijo a ela, nos cumprimentando com um gesto de cabeça antes de sair.

—Sujeitinho chato esse viu!! – Thea exclama, torcendo o nariz.

—Mas eficaz...quando quer – Ollie diz, verificando a hora em seu relógio de pulso – Que acham de almoçarmos? Todos nós. Juntos – convida e anuo.

—Vou pegar minha carteira no escritório e encontro vocês lá fora – aviso, dando um beijo estalado na bochecha de Amy.

Subo os degraus de dois em dois, pego a carteira, verifico em meu celular se Cait enviara algo ou ao menos respondera minhas mensagens (não queria fazer em frente a Felicity) suspirando ao ver que não o fizera, saio do escritório, fecho-o e sigo ao encontro deles no estacionamento.

Optamos por almoçar num restaurante ali perto, nos Glades mesmo, evitando expor Thea e Amy demais. Durante a refeição evitamos assuntos desagradáveis e minha filha permanecer noventa por cento do tempo em meu colo, o que me faz pensar em meu outro filho, o que Cait esperava. Seria um menino ou outra menina? Estaria forte? Será que ela fizera uma outra ultrassonografia em Nova York e descobrira o ter perdido, por isto estava me evitando?.... Droga Cait, te pedi pra não me deixar de fora outra vez!!, penso, triste, aceitando a colherada generosa de sobremesa que Amy me dava na boca, rindo junto com ela quando e lambuza todo.

Quando terminamos, me despeço deles no carro, acenando até sumirem de vista, decidindo ir em casa descansar um pouco antes de voltar a Verdant.

— Boa tarde – cumprimento Isabel ao passar pela cozinha, estancando ao ouvi-la chamar.

—Thomas, poderia segurar Emiko pra mim um segundo? Tenho de verificar minhas mensagens e ela não está deixando! – pede e atendo, segurando minha irmãzinha nos braços enquanto acessa a internet. Mais uma vez sinto meu coração apertado ao pensar em Cait e nosso bebê – Obrigada – Isabel agradece algum tempo depois, pegando Emiko de meus braços – Alguma notícia de Caitin? – pergunta, naturalmente, fazendo um muxoxo para a bebê.

—Não – respondo, seco, hesitando em fazer o pedido que se formara em minha mente – Se souber de algo me avisa? – inquiro.

—Lógico! -responde de pronto, enrugando o nariz numa careta – Parece que alguém fez caquinha! Pode me ajudar? – pede e novamente a atendo.

—O que faço? – prontifico-me.

—Pegue uma fralda e uma muda de roupa naquele móvel, por favor – pede enquanto se dirige a área de serviço.

A sigo após ter pego o que pedira, encontrando-a banhando minha irmã. Recosto a parede observando-a cantarolar e conversar com a neném enquanto a banha, dizendo palavras doces. Me pego a imaginar a mim mesmo o fazendo e sinto o nó na garganta aumenta a ponto de quase sufocar, me impelindo sair dali.

—Aqui está o que pediu. Vou subir. Preciso descansar um pouco antes de ir para a boate – justifico-me, saindo sem esperar resposta.

Me atiro sobre o colchão tão logo entro no quarto, os piores pensamentos me atormentando, fazendo-me demorar um bom tempo até conseguir relaxar e cair num sono relativamente tranquilo.

Acordo um bom tempo depois me sentindo mais relaxado. Levanto, tomo um banho demorado, me visto e desço, cumprimentando meu pai e madrasta ao passar por eles, que se encontravam sentados na sala, bebericando algo.

—Não fica para o jantar filho? – papai pergunta ao me vê.

—Não. Como algo por lá – digo, estancando, ansioso, ao escutar Isabel.

—Thomas, a clínica está quase pronta. Talvez consigamos reabrir ainda este mês – revela e murcho – Achei que gostaria de saber. Desculpa – pede, notando meu desanimo.

—Gostei – digo, abrindo e fechando a boca, desistindo do questionamento que pretendia fazer – Boa noite – me despeço, deixando a casa de meu pai em direção a Verdant decidido a mergulhar no trabalho a fim de esquecer Cait pelo menos por algumas horas.

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Aeroporto de Starling (21:19 p.m)

Cait

Empurro o carrinho com minhas malas pelo saguão pouco movimentado do aeroporto de Starling, controlando a ansiedade a muito custo.

Três dias atrás minha bolsa fora roubada enquanto caminhava com mamãe pela Time Square. A polícia até conseguira recuperá-la, mas não intacta. Meu celular e carteira haviam sumido. Passei as últimas vinte e quatro horas cancelando cartões, solicitando novos, tive de ir pessoalmente ao guichê da companhia aérea já que minha passagem fora um dos itens não recuperados, um verdadeiro inferno!!

Papai me dera um celular novo de presente, mas cadê lembrar os números dos contatos mais importantes: Felicity e Thomas? Não houve como obedecer a uma das principais recomendações feitas pela doutora Lacerda: evitar estresse! Mamãe, com a maldita mania de fazer pouco caso de algumas coisas, mesmo sem querer, contribuiu imensamente para isto pois a toda hora ficava repetindo que deveria me tranquilizar, que já estava para voltar a cidade mesmo e não valia a pena assustar as pessoas contando sobre o assalto. A verdade é que ela estava vibrando com a possibilidade de Thomas e eu rompermos já que assumira, já nos primeiros dias, não ter simpatizado com ele, que parecia um moleque irresponsável, que eu merecia alguém melhor...nunca agradeci tanto a sobriedade e parcimônia de meu pai como nestes dias. Mesmo ele também não tendo morrido de amores por meu namorado, não entrou em campanha aberta para me fazer mudar de ideia e voltar para Nova York. E pôs um freio em mamãe. Ainda bem que sustentei minha língua e não contei da gravidez.

—Chegamos meu bem, estamos em casa! – comemoro, parada na calçada fora do aeroporto, acariciando meu ventre enquanto aguardo o motorista pôr minha bagagem no taxi – Agora só fazer as pazes com seu pai e tudo vai ficar bem – sopro, erguendo o olhar para a cidade mais abaixo.

—Mais alguma coisa senhorita? – ouço e me volto para o jovem com traços indianos que me sorria, simpático.

—Não, é só isso – aviso, agradecendo quando abre a porta para mim, dando a volta pela frente do carro, se acomodando no banco do motorista.

—Para onde? – pergunta, aguardando minha resposta para acionar o taxímetro.

Pondero um segundo, verificando a hora em meu relógio.

—Verdant, nos Glades, sabe aonde fica? – pergunto, me sentindo um pouco estúpida ao vê-lo sorrir em anuência – Desculpa. É claro que sabe! – exclamo, rindo sem graça.

—Sei sim. Moro lá perto – informa, acionando o vidro que separa motorista de passageiro, dando a partida.

Cerca de meia hora depois, para minha grata surpresa já que o trânsito em um sábado à noite costumava ser bastante complicado, o veículo estaciona defronte a boate pertencente a Oliver Queen e meu namorado, que, para variar, estava bombando.

Desço do carro, esperando de lado que pusesse minhas malas na guarita com ajuda do segurança, Timothy. Pago a corrida, agradeço e me volto, perguntando ao homem alto e forte se Thomas se encontrava no lugar.

—Ainda não senhorita. Ligou a pouco avisando que está a caminho. Parece que teve algum problema com o carro, mas já resolveu. A senhorita Sara, o senhor Raymond, o detetive Thawne e a senhorita Queen estão lá dentro – avisa.

—Certo. Obrigada – agradeço, fazendo menção sair, estancando – Tim, não avise a Thomas que cheguei. Quero fazer surpresa – peço, ele concordando com um sorriso simpático. Agradeço mais uma vez, seguindo para o interior da boate.

Lá dentro, não encontro Thea e os demais sem muita dificuldade e junto a eles uma surpreendente bem-humorada Laurel, todos ocupando uma única mesa na área vip. Sara e Thea me atualizam sobre a situação do exame de DNA bem como sobre o alerta dado por Erica.

—Se o resultado já tivesse saído, Felicity poderia dar entrada no pedido de reconhecimento materno e Tommy no paterno, o que impediria a qualquer um tentar tomá-la deles – discursa Laurel, sorvendo um gole generoso de bebida, me fazendo olhar a loira interrogativamente, esta me respondendo com um dar de ombros – Sabe dizer porque tanta demora? Mais de um mês já!! – inquire.

—Honestamente não sei, mas é comum atrasar algumas vezes – explico.

—E agora que voltou, não teria como dar uma apressadinha no pessoal? Estou me roendo de tanta ansiedade!! – Thea pede, não me dando chance responder – Você voltou né? Digo, para Starling e para Tommy. Porque ele anda um verdadeiro porre desde que viajou! Insuportável!! – exagera e rio – Falo sério Cait. E não sou a única que pensa assim, não é não rapazes!? – interroga alguém as minhas costas e me volto, deparando-me com Jay e Mouse, que chegavam.

—Sei de nada!! – Mouse ergue os braços em defesa, tocando a mão que Ray lhe estendia no ar, apoiando-se a mureta – Mas é bom saber que está de volta doutora. Tem umas pessoas meio doentes por aqui! – brinca, indicando o colega com um gesto de cabeça – Só não sei se coração é sua área – completa, rindo divertido.

—Há, há...Idiota! – Jay xinga, parecendo mal-humorado – Bom te ver doutora – me cumprimenta, puxando uma cadeira e sentando – E sim, o tenente anda bem chato sem sua presença – confirma, provocando risos.

—Não exagerem! – peço, encabulada – Há tantas coisas acontecendo, pelo que disseram, que certamente Thomas sequer teve tempo para lembrar de mim! – exclamo.

—Olha cunhadinha número dois, posso garantir que todo mau-humor do meu irmão vai se dissipar instantaneamente tão logo se depare com você, aqui – Thea assegura, completando rápido – Quer apostar!? – desafio e rio.

—Faz isso não que vai perder feio Cait. Só acho!! – Sara diz, erguendo as mãos

—Será mesmo? – rebato, lembrando de nossa última conversa e de quão pouco nos falamos depois que tinha viajado, o que pode ter sido bom, afinal, ambos tivemos bastante tempo para pensar em nossa relação. Especialmente ele.

—Saberemos assim que ele aparecer. Se aparecer. Já deu o cano antes está semana – Eddie revela, me deixando surpresa.

—Verdade. E quando veio estava tão azedo que fomos obrigados a jogar açúcar pra adoçar um pouquinho! – Mouse declara e fico em dúvida se falava sério.

—Ainda não ouvi dizer se aceita minha aposta! – Thea lembra, piscando.

—Vou pensar – respondo, rindo da careta que faz.

—Melhor fecharem a mesa de apostas porque, senhoras e senhores, Elvis acaba de adentrar o recinto!! – Ray brinca, pondo-se de lado, me permitindo ver, devido a altura onde estávamos, a entrada da boate...e Thomas.

Após haver caminhado alguns metros dentro da boate, ele some de meu campo de visão, reaparecendo, segundos depois, já no elevado aonde fica a área vip, caminhando em direção a nossa mesa.

Retenho o ar nos pulmões ao ver sua expressão carrancuda ir mudando gradativamente na medida em que se aproxima, seus olhos azuis e matreiros não se desviando de mim um segundo sequer após terem me encontrado. Thomas para imediatamente a minha frente, encarando-me com um sorriso dançando nos lábios, a barba rala lhe conferindo um ar incrivelmente sedutor. Mais sedutor.

Durante um tempo impreciso permanecemos assim, mergulhados no olhar um do outro, em silencio, esquecendo o mundo a nossa volta.

—Boa noite para você também Tommy. Estamos sendo muito bem servidos. Obrigada por perguntar! – ouço Sara dizer em tom provocativo e rio, sem desviar o olhar.

—Que bom Sara – Thomas responde, inclinando-se, apoiando uma mão a mesa e outra ao encosto da parte do assento que ocupo (era um daqueles conjuntos de mesa com bancos estofados em forma de meia lua), aproximando seu rosto do meu até quase tocar – Está o meu lugar doutora! – diz, sorrindo de maneira sexy e sorrio de volta, deslizando para o lado sem desviar minha atenção dele, que volta a se aproximar ao sentar – Senti sua falta – cochicha em meu ouvido, mordendo o lóbulo, deslizando os lábios por minha pele até tomar meus lábios num beijo saudoso.

Não sei quanto tempo durou o contato, mas quando cessa e abro os olhos, nossos amigos não estão mais ali. Olha a volta, os procurando.

—Na pista de dança – Thomas diz, indicando com um gesto de cabeça, abrindo uma cerveja das que haviam no mini cooler sobre a mesa – Por que não me ligou nem respondeu minhas mensagens nos últimos três dias Cait? Estava enlouquecendo de tanta...

—Fui assaltada – solto, no automático, distraída observando Thea, Laurel (bastante animada) Eddie, Mouse e Mônica na pista de dança, Jay, Ray e Sara não estavam à vista e somente quando escuto o berro percebo a besteira que fizera.

—VOCÊ O QUÊ!? – volto o rosto deparando-me com um alarmado Thomas limpando a cerveja que espirrar na camisa.

—Oh, meu Deus, Tommy, me desculpa. Me desculpa amor, eu falei sem pensar -peço, tentando ajudá-lo a se limpar – Estava distraída vendo nossos amigos porque fiquei envergonhada por terem saído daqui e falei sem pensar – acresço, vendo-o enrugar o cenho.

—Então não foi assaltada? – inquire, mais calmo e respiro fundo antes de falar novamente.

—Fui. Fomos, minha mãe e eu – reitero, erguendo a mão, impedindo-o contestar – Estamos bem. O ladrão passou correndo entre nós duas enquanto caminhávamos na Time Square e levou nossas bolsas, nada mais. Não nos agrediu ou ameaçou – tranquilizo-o, segurando a lapela de sua camisa, rindo minimamente – Tentei te ligar, mas não recordava o número. Nem mesmo o de Felicity ou Thea. Não lembrava nenhum número para ser sincera – admito, ele sorrindo torto – A polícia recuperou apenas nossas bolsas. Nada de carteiras ou celulares então passei os últimos dias em Nova York correndo de um lado para o outro, cancelando cartões, indo a empresa área buscar uma nova passagem já que não lembrava o número para gerar outra pela internet...E ainda tive de manter a calma por causa dele....- acaricio meu ventre.

—Ou dela – Tommy diz, pondo sua mão sobre a minha – Então estão bem? Vocês duas? – repete e confirmo.

—Estamos. Até fomos atendidas num hospital porque mamãe aranhou o braço, mas fora susto estamos bem – declaro, ele franzindo o nariz numa careta gozada.

— Ehhhh....me referia a você e nossa pequena heroína aqui – declara, acariciando meu ventre – Mas fico aliviado em saber que minha sogrinha está bem também! – exclama e abro boca, espantada, o estapeando.

—Thomas Merlyn, não acredito que já está implicando com minha mãe! Vocês mal se conheceram!! – reclamo o mais sério que consigo ante sua expressão.

—Ela que começou ao ficar lembrando o passado a toda hora e dizendo o quanto Roland é excelente profissional que estava se destacando e ganhando fama no país inteiro!! Me fez sentir dentro de um comercial de plano de saúde — resmunga, errando propositadamente o nome de meu ex noivo, fazendo outra careta – Nem parecia lembrar que foi ele quem te traiu com sua sócia e melhor amiga – indigna-se – Imagino que devam ter visto o senhor maravilha enquanto esteve por lá. Ainda agora que ele está livre e dizendo-se tão arrependido – bufa e desta vez é impossível conter o riso.

—Está com ciúmes, que fofo!! – brinco, lhe dando um selinho – Em primeiro lugar o nome dele é Ronnie. Em segundo lugar, nós três errámos sócios, não apenas ela e eu – o corrijo, afagando seu lindo rosto – E acima de tudo, ele poderia aparecer diante de mim com todas as jóias do infinito presas num colar que não o perdoaria, sabe por quê? – pergunto, não lhe dando chance responder – Porque eu te amo seu bobo!! – exclamo, lhe dando outro selinho.

—Humm, tem certeza? Olha que seriam as jóias do infinito!! – me provoca e rolo os olhos, sacudindo a cabeça negativamente.

—Como alguém tão lindo pode ser tão inseguro? – questiono, roubando dois beijos rápidos – Amo você Thomas, e nada nem ninguém vai se interpor entre nós ...e não digo isto apenas por nosso pequeno milagre – toco meu ventre outra vez, enrugando o cenho ao lembra sua fala de segundos atrás – Disse pequena heroína, acha que é uma menina?? – inquiro vendo-o abri um sorriso luminoso.

—Tenho certeza de que é. Até sonhei com ela alguns dias atrás – conta, me deixando pasma – Uma linda menininha igual a mãe!! – exclama, os olhos brilhando de satisfação.

—Ou igual ao pai, como Amy Lee – lembro – Falando nela, Thea me contou sobre a ameaça dos Diaz. Como você está? – me preocupo. Sabia o quanto este assunto o deixava tenso. Por inúmeras razões.

—Preocupado, não nego, mas estamos cuidando de tudo, Oliver e eu – diz, segurando minha mão, a levando aos lábios num beijo carinhoso – Mouse nos indicou a solução e amanhã mesmo irei levar as duas a vivenda que compramos. Bom, não nós na verdade. O irmão de Layla quem o fez – revela – Evitamos ao máximo pessoas ligadas a nossas famílias e como ele não usa o sobrenome de família e sim do padrasto, acabou sendo nossa melhor opção. O dinheiro é nosso, meu e de Ollie, mas é o nome dele que consta na escritura. Além disso, Felicity, a pedido do juiz, apagou qualquer tipo de ligação que pudesse ter conosco ou mesmo com John, só por precaução. Ele e Donna ficaram meio paranóicos depois que souberam dos fatos. Aliás, os pais de Ollie, meu pai e até Isabel também ficaram – relata, me surpreendendo ao falar na madrasta com tanta naturalidade.

—Imagino. Tia Donna está tão louca na Amy que é capaz de enfrentar um exército por ela! – exagero, assumindo ar sério antes de voltar a falar – Amanhã verei com April o porquê da demora do resultado. Sei que é normal passar um pouco do prazo estipulado, mas pedimos urgência – relembro, mordendo a unha do dedão.

—Não pretende trabalhar amanhã, não é? Acaba de chegar de viagem. Pensei que podíamos passar o dia juntinhos. Ou a semana talvez! – reclama e rio.

—Não vou trabalhar amanhã. Apenas irei falar com ela, nada mais – o tranquilizo – Adoraria passar a semana inteira a seu lado, mas preciso repor os dias que passei fora e pensei que iria levar Amy e Thea na vivenda – indago.

—E vou. Melhor dizendo, vamos. Vai comigo não vai? – convida, completando antes que respondesse – Felicity, Ollie e Eddie também irão. John já está lá, examinando o perímetro, instalando sistema de segurança, montando rotas de fuga, que espero não precisar usar – diz, ficando tenso – Ray e Sara ficarão com elas os quinze primeiros dias e nós iremos nos finais de semanas, alternados para não chamar atenção. Jay irá todas as noites e Eddie duas vezes por semana enquanto estiverem lá, não estarão sozinhas em momento algum – explica, relaxando aos poucos – Espero que este novo pesadelo não demore se resolver. Tudo que mais quero é poder passear com minha filha por aí sem temer ter de enfrentar alguém para defendê-la e a você – deseja, suspirando.

—Vai dá tudo certo meu amor, você vai vê – o acalmo, enroscando os dedos em seu cabelo, pensando em como senti falta dele aqueles dias e no quanto estava sendo boba – Thomas, me perdoa? Estava agindo feito uma boba antes de viajar – reconheço, suspirando – Mas é que...é difícil não ficar mexida ao te ver interagir com Amy e Felicity, sabe. Pensar em como poderiam ter sido felizes juntos e tal – assumo.

—Eu sei. Oliver pensa mesmo, apesar de não verbalizar. Não para mim – afirma – E se disser que isto nunca me passou pela cabeça estaria mentindo – assume – Mas são apenas conjecturas Cait e não pretendo nem quero viver com isto. O que houve entre Felicity e eu durou o que tinha que durar. O que tinha ficado, as arestas por meu sumiço e a culpa dela em não ter deixado os pais revelarem a gravidez, foram aparadas. Já passou da hora de nós quatro seguirmos em frente. Quanto a Amy, caso o exame confirme ser nossa filha, será um laço entre nós assim como Thea é entre meu pai e Moira, e quero crer, não será um empecilho a sermos felizes. Ela espera um filho de Ollie, você um meu...vida que segue – discursa de forma madura.

—Não será – garanto, o beijando mais demorado desta feita, meu corpo inteiro responde a seu toque como terra em busca de água após longo tempo sem chuva! – Thomas...será .... Podemos ir embora? – pergunto, ofegante, quando cessamos o beijo em busca de ar – Quero você!! – sopro, tomando a iniciativa de novo beijo, mordendo seu lábio inferior, arrancando um grunhido rouco.

—Tem certeza Cait?... De que podemos... transar, quero dizer!! – pergunta, entre um beijo e outro, mal me dando chance responder.

—Tenho – digo, afastando-o minimamente a fim de poder falar – Quando fui ao hospital em Nova York, aproveitei para fazer uma consulta enquanto minha mãe e meu pai falavam com a polícia. Está tudo bem comigo e com o bebê – asseguro, franzindo o nariz numa careta – Só não exagerar e buscar uma posição confortável – conto, corando ante seu olhar de luxúria – Minhas malas estão na guarita. Podemos ir para meu apartamento...ou não – pondero, mordendo o lábio. Ainda não queria retornar ao condomínio. Na verdade, não sabia se iria querer algum dia!

—Melhor lá em casa. Tenho acesso privativo – revela, já levantando, me puxando com ele.

—E quanto a seus...seu pai e Isabel? – quero saber, seguindo-o, hesitante.

—Estão dormindo a esta hora – diz, me fazendo o seguir por outra saída que não a principal – E como seus maluquinhos estão com Amy na casa dos Queen, ninguém irá delatar nossa chegada!! – exclama e sorrio.

—Eles estão bem? – quero saber, acompanhando seu passo rápido no piso irregular com um pouco de dificuldade por conta do salto.

—Estão ótimos. São um grude só com Thea e Amy, sinto dizer e espero não te causar ciúmes – brinca, parando diante da porta da guarita, batendo na mesma, Tim abrindo-a quase que imediatamente – Me veja as malas da Cait – pede, o segurança anuindo, ajudando-o a carregar tudo para o carro – Avise minha irmã para ela fechar tudo com Eddie e Roy – pede, fechando o porta malas.

—Pode deixar senhor Thomas. Tenham uma boa noite – deseja.

—Boa noite Tim – respondo, acenando antes de entrar no veículo, pondo o cinto de segurança, Thomas se acomodando a meu lado um segundo depois, dando a partida após fazer o mesmo.

Ao passarmos diante do prédio aonde funcionara a clínica escola, reparo as luzes acessas e a movimentação de trabalhadores. Isabel me dissera, antes de eu viajar, que estaria pronta para funcionar no final deste mês e que não havia revelado o nome a Thomas e Malcom pois queria fazer-lhes surpresa...Só espero que gostem. Ambos, penso, voltando meu rosto para o interior do automóvel, a figura bela e elegante do moreno a meu lado, concentrado na direção, me fazendo suspirar.

Confesso: jamais pensei que daria certo. Nós dois, quero dizer. Pensei que seria apenas mais um entre tantos casos que tivera, que não duraria mais do que algumas noites e, no entanto, aqui estávamos, juntos, contra todas as probabilidades. Dividindo muito mais do que a cama e algumas horas de sexo e prazer. Dividíamos sonhos e, muito em breve, um laço que nos uniria enquanto vivêssemos!

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Hospital Geral de Starling (23:44 p.m)

April

Estico braços e pernas a fim de aliviar parte do cansaço que sentia. Mesmo a Patologia sendo, tecnicamente falando, o setor mais “calmo” dentro de um grande hospital, era cansativo dobrar turno!

—Ai, ai!! Oh tempo que não passa!! – resmungo comigo mesma, girando a cadeira de um lado para o outro, entediada.

No começo do plantão até que tinha tido bastante movimento. Mas agora o único som que ouvia era o arrastar moroso dos ponteiros do relógio na parede e o ronco de meu colega de plantão, Joey, que encontrava-se confortavelmente encolhido dentro de seu saco de dormir (sim, ele trouxera um!!) em um canto da sala. As luzes fracas do ambiente ajudavam a deixar a madrugada que se iniciava ainda mais preguiçosa.

—Quer saber? Vou tirar um cochilo também!! – decido, pegando meu celular, enviando uma mensagem primeiro a meu marido, desejando boa noite (sabia que ainda estaria acordado estudando algo) e outra a enfermeira chefe do plantão, Zoe, avisando que tiraria um cochilo com o celular ligado e junto a meu ouvido, o que a faz enviar outra com gifs de risada.

Em seguida, programo o despertador do aparelho para daqui uma hora (provavelmente acordaria antes, por conta própria, mas não iria arriscar), caminhando até o pequeno e confortável (de verdade) sofá de dois lugares na instalado na sala anexa ao laboratório, me esticando nele, usando uma toalha de rosto para proteger os olhos da luminosidade já que não pretendia apagar todas as luzes.

Pouco tempo depois que estava deitada, meu celular vibra com o alerta de novo e-mail recebido. Descubro os olhos o suficiente apenas para ver do que se tratava, sentando num salto quando vejo de onde veio: o laboratório para o qual enviara o teste de DNA.

—Finalmente! – exclamo, abrindo o e-mail, ficando nervosa, a principio, quando o texto começa com um pedido de desculpas pela demora excessiva (o que normalmente é seguido de “sua amostra não foi suficiente” ou “ Amostra estragou”, respirando aliviada ao ver o tradicional “segue resultado em anexo” escrito logo acima de um anexo em PDF – Graças a Deus!! – agradeço, abrindo-o, lendo apenas a introdução por estar ser a parte técnica explicativa do material analisado, tipo aspecto, quantidade, etc, resistindo a tentação de saber o resultado em si. Ainda assim visualizo o primeiro número, que faz sorrir satisfeita. Mesmo não lendo a totalidade, já sabia o que estava escrito no restante.

Encaminho o resultado a Caitlin com um pedido de desculpa e desejando que esteja bem (não nos falávamos desde que viajara com os pais), repetindo o processo para mais duas pessoas: Oliver Queen (e Felicity por tabela) e minha chefe, Isabel, única a me responder de pronto agradecendo e pedindo que mantivesse segredo por enquanto, dizendo explicar o motivo na segunda.

A tranquilizo notificando que avisara apenas os interessados, ela agradecendo mais uma vez, me desejando um bom final de semana.

Encerro as comunicações, me deitando novamente após verificar a hora. Ainda tinha quarenta minutos de descanso.

“....I’m sorry that my timing’s off;

But I can’t move on if we’re still gonna talk;

Is it wrong for me to not want half?

I want all of you, all the strings attached;

Oh, I’m good at keeping my distance;

I know that you’re the feeling I’m missing;

You know that I hate to admit it;

But everything means nothing if I can’t have you…”

Notas finais
Até breve. Bjinhos flores