Invasão de Privacidade

14 Murder in first degree – part. I


Notas iniciais
Olha eu aqui de novo!!! Terceira fic atualizada. Finalmente estou conseguindo por meus bebês em dia. Para não sabe ainda, passei por um momento difícil em família, meu pc quebrou ... Enfim, enfrentei um período conturbado. Ainda estou passando pra ser sincera mas com o apoio da família e de meus amigos presentes e virtuais estou superando aos poucos e recobrando a vontade e animo para escrever. Tanto que dois embriões estão em andamento. Aguardem as novidades. Josi, Mari, Paty, Renata, Carla, Andrea, Aline, Dwda, Ingret, Ana...muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, mas MUITO obrigada pela força! Vocês são TDB! Boa leitura....Aguardo suas rewiews.... Bjinhos flores.

“It starts with

One thing, I don’t know why;

It doesn’t even matter how hard you try;

Keep that in mind;

I designed this rhyme to explain in due time;

All I know;

Time is a valuable thing;

Watch it fly by as the pendulum swings;

Watch it count down to end of the day;

The clock ticks life away;

It’s so unreal...”

In The End

Linking Park

Cond. Resid. Ilha de Creta (Quinta, 30/11 – 05:15 a.m)

Jay

Adentro o condomínio através do acesso oeste diminuindo o ritmo de corrida.

Apesar de o tempo ter amanhecido carregado e uma chuva leve cair persistentemente, mantive minha rotina de acordar cedo e sair para correr.

Colocara meu moletom, tênis de corrida e após verificar que Mouse ainda dormia (acompanhado, diga-se) deixei o apartamento bem antes de o sol nascer posto que, além da corrida matinal, queria aproveitar a ausência de olhares curiosos para tentar investigar o tal túnel que Tommy mencionara cerca de três semanas atrás.

Com este propósito em mente, viro a direita assim que cruzo o portão, fechando-o com meu controle remoto. Sigo alguns metros em linha reta até chegar bem perto da torre três, onde moro. Pelo que Tommy dissera, a saída do tal túnel deveria ser naquela região já que, segundo o senhor Ristow , perpassava todos os edifícios que formavam o condomínio vertical desembocando em algum ponto fora dos muros (grades para ser exato) que delimitam o lugar.

Que diabos levaria alguém a fazer um túnel sob todo um condomínio? – era a pergunta em minha mente desde que soubera da existência do mesmo. A desculpa dada por Ristow não convenceu nenhum de nós. Nem mesmo o sarge, tradicionalmente o mais ingênuo, por assim dizer, de nosso grupo acreditou na explicação dada por ele. Quem sabe os tais irmãos que projetaram o condomínio sofram de síndrome de pânico? Ou talvez algum deles tenha uma deformidade que o faz não gostar de aparecer em público ou....

— Senhor Halstead? – escuto chamarem e estanco, voltando-me, dando de cara com o sindico me olhando com o meio sorriso estranho que parece grudado em seu rosto – Vindo de sua corrida matinal? – questiona, encarando-me– Eu realmente admiro sua determinação em manter a rotina mesmo quando o tempo convida fazer o contrário – declara depois que confirmo com um meneio de cabeça – Chega a ser....estranho, digamos – insinua, mexendo as mãos dentro dos bolsos de seu casaco e imediatamente me ponho em alerta, sua fala fazendo-me pensar se estaria me observando ou seguindo.... Mas por que diabos faria isto? Não dei motivos para suspeitar de mim...Ou dei?

— Admito: sou um homem de hábitos! – digo, tentando soar casual – Mas ao que parece não sou o único. Também gosta de acordar cedo e correr senhor Ristow?– comento vendo-o fazer uma careta negando.

— Detesto sair da cama antes das dez da manhã – revela, levando uma mão ao rosto, esfregando o dorso contra o nariz proeminente (que o havia feito ganhar de Mouse o apelido de Cyrano de Bergerac) – O que foi? Disse algo engraçado? – questiona ao flagrar meu riso, irritado.

Não, de forma alguma – apresso-me dizer, recriminando-me mentalmente por essa distração – Apenas achei estranho que, não gostando de fazê-lo, esteja de pé, às cinco horas de uma manhã chuvosa. Algum problema nas dependências do condomínio? – interrogo, não conseguindo conter a curiosidade.

— O que o faz pensar que haja algo errado? – devolve e capto o tom de desconfiança em sua voz alertando-me para ter cuidado com a resposta.

— Nada além do fato de o senhor ser um homem zeloso em sua posição de sindico. Percebi isto na reunião da qual participei – relembro — Portanto, suponho que somente algum problema grave o faria quebrar sua rotina em prol do bem estar dos condôminos. Nosso bem estar – elogio rindo intimamente ao ver o homem inflar-se ....Nada como uma boa bajulada para fazer um sujeito como este abaixar a guarda! – Então, algum problema? Posso ajudá-lo de alguma maneira? – ofereço-me.

— Nada que o faça perde o sono ou o obrigue a mudar sua rotina – garante – Apenas um pequeno entrevero com o pessoal da limpeza, mas já resolvi tudo, não se preocupe – revela – Precisei acordar mais cedo por conta disto, mas já estou voltando para meu apartamento onde minha adorável esposa aguarda-me numa cama quentinha. Aliás, deve ser isto que o estimula a manter sua rotina: a falta de uma companhia na cama! – insinua não me dando chance responder – Lembro que o senhor Merlyn também costumava correr com certa frequência até envolver-se com a adorável doutora Snow – comenta não disfarçando seu encantamento pela namorada do tenente – Quem sabe não é isto que lhe falte? – insinua, não me deixando falar mais uma vez – Tenha um bom dia senhor Halstead – despede-se, girando no próprio eixo, caminhando a passos largos em direção a torre dois.

— Quer dizer que tem nos observado senhor Ristow?! – murmuro, sobressaltando-me ao sentir o toque em minha cintura ao mesmo tempo em que uma voz exageradamente melosa fala junto a meu ouvido.

— Ele sempre observa. Adora fazer isto – assegura a ruiva, que surge a minha direita vestindo um short lycra ultra justo e curto, camiseta regata igualmente justa com uma cava maior que o normal, um top mínimo por debaixo da mesma, fita na testa, polainas (???) e tênis – Então gosta de correr além de fotografar? Aliás, que tipo de fotos faz: natureza, eventos...nu?? – interroga, deslizando as mãos com unhas bem cuidadas, pintadas num tom de vermelho tão vivo quanto seu cabelo, por meu peito, descendo pelo abdômen até parar na região abaixo da linha de minha cintura – Uau! Parece que correr deixa seu soldadinho animado! – exclama, fazendo uma pressão não tão leve sobre o local sem nenhum constrangimento.

— Geral – respondo, fingindo não ter escutado sua ultima observação, dando um passo para trás – Fotografo em geral, desde eventos a books, infanto-juvenil de preferência, excerto nus – informo, arqueando a sobrancelha quando põe as duas mãos em meu peito, aproximando-se mais.

— Pena – declara suspirando longa e dramaticamente – E não abriria uma exceção? – pergunta, completando antes que respondesse – Mês que vem é aniversario de meu marido e gostaria de presenteá-lo com algo especial e diferente. Essa historia de perfumes, roupas ou jantares românticos não faz meu gênero! – exclama, deslizando as mãos por toda extensão de meu tórax.

Imagino que não! , o sorriso desprovido de pudor em sua face diz-me que verbalizara meu pensamento – Hum-hum eu não...hã não tenho experiência com este tipo de foto senhora Vaungh – aviso, vendo-a fazer careta quando a trato formalmente – Para fazer algo ruim, de qualidade inferior ao meu habitual, prefiro não fazer. Gosto de trabalhar com capricho, fazer tudo bem feito– afirmo vendo seu riso ampliar-se.

— Hummm...Então capricha em TUDO o que faz? – malicia, colando seu corpo ao meu, as mãos em minha cintura, mexendo-se provocativamente.

Cacete, essa mulher vê duplo sentido em tudo! – Hã....Se quiser posso indicar um colega que trabalha exclusivamente nesta área – minto, segurando seus braços de modo a afastá-la...ou tentar.

— Pare de me chamar de senhora. Faz-me parecer velha. Pareço uma velha pra você? – questiona, girando em torno do próprio eixo, voltando a envolver minha cintura quando termina – Sei que existem outros fotógrafos na cidade que lidam com esta área exclusivamente, mas nenhum está tão acessível quanto você já que moramos no mesmo condomínio...Nem é tão gostoso! – solta, esfregando-se em mim sem nenhuma vergonha – Além do mais quero apenas algumas fotos casuais na cama, banheira e outros lugares de nosso apartamento em posições nas quais ele vai gostar. Só teria que mirar sua lente e fotografar, nada mais – minimiza, as mãos pousando sobre meu pênis por sobre o moletom outra vez, friccionando, fazendo-o endurecer ainda mais. Reconheço: ela sabe provocar um cara – Podemos aproveitar que Rocky irá viajar por uns dias está semana – sugere, umedecendo os lábios com a ponta da língua enquanto me dirige um olhar lascivo.

— Está me convidando ir a seu apartamento na ausência de seu marido para fotografá-la nua senhora Vaungh? – interrogo fingindo espanto, surpreendendo-me ao vê-la rir abertamente.

— Do jeito que fala parece que estou te convidando pra transar – diz, falhando em parecer debochada.

— Não está? – pergunto, direto, querendo vê até onde iria esse joguinho de sedução que iniciara.

— Não – responde rápido demais e rio com o canto da boca – Mas se acontecer, não precisamos nos sentir culpados ou nos reprimimos não é? Somos adultos e donos de nossos corpos e...- o baque surdo interrompe seu discurso fazendo-nos olhar na direção do som.

Estreito os olhos tentando entender a cena a alguns metros de onde estávamos.

Diviso, através das grades, um homem alto e relativamente franzino vestindo o que me parece ser um uniforme na cor preta ou azul com um desenho em suas costas, arrastando dois sacos negros aparentemente muito pesados posto que tentasse ergue-los sem sucesso. À distância não me permite ver com perfeição nem seu rosto nem o desenho estampado em suas costas e quando tenciono ir até ele, sou impedido pela ruiva.

— É apenas o pessoal da coleta de lixo – afirma, barrando meu caminho – Então Jay, que me diz? Vai encarar o desafio de fazer algo diferente? De repente até descobre um talento escondido que pode te render muito dinheiro... e outros benefícios a mais! – sugere, provocativa.

— Tipo? – inquiro sem desviar os olhos do homem mais adiante que ganhara a companhia de outro, mais baixo, após estacionar um carro estilo pick up. Somente quando sinto meu membro ser envolvido por uma mão aveludada me dou conta do que a ruiva fazia – UOU! – exclamo, retirando sua mão ao mesmo tempo em que me afasto– Devagar com o andor. Está indo rápido demais senhora Vaungh – digo, sustentando seu olhar avaliativo.

— É gay Jay? – pergunta direta.

— Não – respondo – O que não significa que goste de ser pressionado senhor...

— Anelise. Chame-me de Anelise – pede, vindo pra cima de mim novamente – Desculpe se estou te pressionando, mas quando vejo algo que quero corro atrás até conseguir – garante, avançando, fazendo-me recuar novamente — Se não quer responder agora, prometa que irá ao menos pensar a respeito. Meu marido viaja na terça da semana que vem e retorna apenas no domingo à tarde. Teremos todos estes dias para preparar minha surpresa – sugere — Acredito que sabe aonde moro não é? – inquire, rindo maliciosa – Aguardarei sua resposta, mas tente não demorar. Sou muito impaciente – avisa, piscando antes de dar-me as costas e sair rebolando exageradamente em direção aos prédios.

— Louca! – exclamo, soltando diversos palavrões ao notar que o carro e seus ocupantes sumiram – Merda! – bufo, dando um pique parando junto ao gradeado pelo lado interno, olhando para o chão lá fora.

Examino a grade em busca de uma passagem xingando mais ao descobrir que a única provinha do tal túnel. Agacho-me a fim de observar as marcas deixadas sobre a estreita faixa de grama e no asfalto, franzindo o cenho ao visualizar uma mancha escura.

— Droga – xingo, soltando um suspiro impaciente quando a chuva engrossa lavando o asfalto – Agora mesmo que quisesse não conseguiria saber do que se tratava – murmuro, optando por retornar ao apartamento.

Durante o trajeto, concluo ser aconselhável investigar a digníssima senhora Vaungh posto que nosso encontro “casual” fizera surgir algumas duvidas em minha mente. E não apenas pela maneira como agiu, mas por um detalhe de sua vestimenta que chamara minha atenção.

Decido subir pelo elevador de serviço por estar encharcado...e para evitar novo encontro com a ruiva, que diviso atracada ao corn...marido, no mezanino conversando animadamente com outro casal que conheço apenas de vista.

— Definitivamente estes dois não são normais – comento para mim mesmo enquanto entro no elevador ao notar que ela flertava abertamente com o marido da outra, que por sua vez parecia ignorar o fato assim como o marido dela também parecia fazê-lo.

Recosto-me a parede do fundo tentando imaginar se era realmente lixo naqueles sacos, meu instinto gritando a plenos pulmões que não.

— Se não era lixo, que poderia ser? – questiono-me, deixando o elevador de um salto quando este para.

Sigo direto para o sofá, sentando defronte o notebook que Mouse deixara ligado sobre o centro, esquecendo-me das roupas molhadas.

Acesso a internet abrindo uma pagina de pesquisas, digitando o nome da ruiva, o som de passos chegando a meus ouvidos.

— Mouse como faço pra acessar os registros do condomínio? A pesquisa na internet não está sendo eficiente – questiono sem olha-lo — Acredita que a ruiva da torre dois me passou a mais descarada das cantadas a pouco? E quando não correspondi perguntou se era gay. Mulher estranha aquela – comento, ainda sem me voltar – Ah, o tênis que o tenente pegou do invasor ao apartamento, onde está? Começo a pensar que você estava certo. Pode ter sido uma mulher. A ruiva mais especificamente falando. Acho bom o avisarmos que ela não é tão inocente quanto aparenta – digo, voltando-me rápido ao escutar uma voz feminina responder.

— Disso nunca duvidei – afirma a morena parada ao lado do sofá usando apenas uma camiseta branca e mais nada. Nada mesmo – Mas porque ela invadiria o apartamento de alguém? – interroga, me encarando – Você vai investigá-la? Espera um segundo...Você não é fotografo? E quem é esse tenente do qual está falando? – bombardeia, me encarando desconfiada.

— Que está havendo? – escuto Mouse dizer fazendo a morena e eu nos voltarmos vendo-o surgir por detrás dela bocejando, a cara amassada, a mão desalinhando ainda mais o cabelo.

— Greg, por que seu primo, supostamente um simples fotografo, diz que vai investigar Anelise Vaungh e por que ele acha que você tem acesso aos registros do condomínio? Quem é esse tenente que teve o apartamento invadido supostamente pela mesma criatura? Como secretária do sindico tenho acesso aos registros dos moradores e não lembro de nenhum tenente morando aqui – revela me fazendo arquear a sobrancelha ao encarar Mouse — E nem pense em mentir pra mim! – alerta cruzando os braços.

— Ops! Acho que deu ruim!! – exclama, olhando de mim para a morena alternadamente.

— Pode estar certo que sim...Idiota! – afirmo, sacudindo a cabeça negativamente.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Apartamento Tommy (08:00 a.m)

Tommy

Deslizo o braço lateralmente em busca de Cait encontrando apenas o espaço vazio e frio em vez do corpo macio e quente e solto um resmungo impaciente esticando o braço até tocar o relógio sobre o criado mudo. O pego verificando a hora: oito em ponto.

— Droga! De tantas mulheres com quem já dormi e namorei tinha que me apaixonar justamente por uma médica? E ainda por cima uma tão certinha? – bufo, soltando o relógio sobre o colchão displicentemente, agarrando seu travesseiro, aspirando fundo, seu cheiro invadindo minhas narinas provocando uma reação imediata em meu corpo – Puta que pariu, estou tão ferradamente fudido que não dá nem pra acreditar! – digo, cheirando o travesseiro outra vez – Ah Cait! Cait, Cait, o que você fez comigo mulher? – questiono-me sorrindo satisfeito – Tem noção do quanto te amo? – pergunto para o objeto inanimado, encarando-o antes de beijá-lo repetidas vezes.

— Ownnnn, que fofo! Aposto que a Cait vai adorar ouvir isto. Especialmente a parte do Ferradamente fudido! – a observação me faz girar, sentando de um salto, fazendo o cobertor escorregar, descobrindo-me parcialmente – UOU! Essa parte ai pode guardar pra ela maninho!

— Porra Thea, quer me matar de susto?? – esbravejo encarando o riso prepotente de minha irmã por detrás de seu celular – Que diabo faz aqui a esta hora da manhã e como conseguiu entrar? – interrogo, irritado, enrolando o coberto em minha cintura.

— Bom dia pra você também Tommy! – responde, irônica, cruzando os braços após guardar o celular em sua bolsa – Entrei pela porta como qualquer pessoa normal. Sua namorada que permitiu, reclame com ela. Aliás, seria precipitado de minha parte começar a providenciar o vestido para ser dama de honra da minha futura cunhada de número dois? – questiona e a olho confuso – Porque já estão morando juntos a o quê, dois meses? – inquire não me dando chance responder – Apesar de Caitlin não me parecer do tipo antiquado, acredito que ira querer oficializar a coisa toda em algum momento da mesma forma que Felicity também o fará em bre....- começa dizer, parando de repente, retendo o ar, fechando e erguendo as mãos para o alto como faz quando alguma idéia maluca lhe vem a mente.

— Não! – me antecipo, segurando o cobertor em volta da cintura com força, levantando e caminhando em direção ao banheiro – Seja lá o que passou por essa sua mente nada normal a resposta é Não! – aviso, entrando e fechando a porta.....Como se isto representasse obstáculo para Thea!!!

— Não seria maravilhoso se vocês casassem no mesmo dia!? – pergunta, entrando cômodo adentro feito uma ventania, me fazendo pegar o cobertor que largara – Faríamos uma festa única, grande, enorme, no clube ou na lá em casa, a cerimônia poderia ser campal, nos jardins da mansão como foi a de John e Layla, as duas noivas poderiam se arrumar lá como Layla fez e depois a recepção em volta da piscina pra não ficar tão igual ao casamento dela...- descamba a falar andando de um lado para o outro, os olhos brilhando de entusiasmo – O que me diz Tommy? Acha que elas vão topar? – inquire, parando de frente para mim.

Puxo o ar com força levando-o aos pulmões, soltando-o lentamente na tentativa de acalmar meus nervos antes responder.

— Número um: Cait e eu estamos Apenas morando juntos. Sequer falamos sobre noivado quanto mais casamento! Número dois: mesmo que estivéssemos não acho que seria de bom tom casar no mesmo dia que minha ex por mais que nos demos bem. Seria meio que impossível não trazer certas lembranças à tona. Número três: ambas, Cait e Felicity merecem ter seus momentos separadamente. Com certeza iriam concordar com suas ideias malucas, mas não significa que iriam ficar felizes com isto, portanto, ponha um freio em seus delírios maninha querida do meu coração! – enumero enquanto prendo o coberto em volta de meu corpo antes de segura-la pelos ombros, girando-a de frente para a porta – Agora, caso não se importe, gostaria de tomar um banho e me preparar para o que a trouxe tão cedo a nosso apartamento, seja lá o que for. Logo...Cai fora! – ordeno, empurrando-a sem muita gentileza, fechando a porta com um chute, voltando-me e caminhando em direção ao boxe deixando o cobertor no trajeto – Eu mere....

— Número um: é questão de tempo para que falem em casamento já que, usando suas palavras, Está Ferradamente Fudido! ...Essa expressão existe? – Thea parafraseia-me, divagando um segundo — Número dois — retoma – Independente de a cerimônia ser conjunta, evidente que Felicity irá recordar o casamento maluco de vocês em Vegas especialmente porque Você estará no altar ao lado do noivo a menos que recuse ser o padrinho de Ollie! – lembra, prosseguindo – Número três: também acho que mereçam viver seus momentos, mas ambas são mulheres praticas e modernas além de primas que se amam e também são maduras o suficiente para recusarem uma sugestão minha para um casamento duplo a qual eu iria prontamente respeitar caso fosse o desejo delas para sua In.For.Ma.Ção! – pontua, soletrando a ultima palavra, enfiando o dedo no meu peito a cada silaba dita – Quanto ao que me fez vir aqui tão cedo, agradeça ao tal arquiteto amigo do Ollie que assina o projeto do resort nos Glades marcou um encontro conosco hoje, pela manhã, único horário disponível para ele, e como meus dois irmãos moram no mesmo condomínio, achei que seria mais prudente e legal vir até aqui ao invés de um dos dois ter que se deslocar até a zona sul para me buscar já que meu carro foi confiscado por Moira Ditadora Queen só porque tomei uma multa por excesso de velocidade...e por ter destruído o portão da garagem também, mas isto não vem ao caso – revela, me deixando boquiaberto – Oliver deve estar, a esta altura, nos esperando chegar para irmos ao encontro do carinha em algum restaurante aonde tomaremos nosso café da manhã, portanto trate de não demorar uma eternidade nesse banho ok?! – manda, girando nos calcanhares, voltando-se para mim novamente em meio ao batente da porta – Uma coisa: reparou que usou o termo “Nosso” e não “Meu” apartamento? – indaga, sorridente — Está tão casado quanto Oliver. Apenas não admitiu isso ainda! – afirma, piscando antes de sair, me deixando atordoado.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Ristorante e cantina Bertinelli (08:25 a.m)

Narrador

— Sem querer ser chata, já sendo, acha uma boa ideia tomar o café da manhã no restaurante de sua ex/maluca/quase serial killer namorada Ollie?? – Thea pergunta fazendo o irmão rolar os olhos enquanto salta do carro entregando a chave ao manobrista.

— Desta vez concordo com Thea – Tommy corrobora descendo do veículo, dando a volta e abrindo a porta para a irmã o fazê-lo – Não estou nem um pouco a fim de rever Helena mesmo que a distancia – afirma, fechando a porta depois quando ela o faz, cruzando os braços.

Oliver respira fundo abotoando o terno sob medida antes de voltar-se para a irmã e o amigo, que o observavam com visível insatisfação.

— Foi Roger que escolheu o local, não eu.... – começa a dizer o empresário sendo prontamente interrompido pela irmã.

— Poderia ter sugerido outro – insiste a jovem, batendo o pé, o salto de sua bota fazendo ruído no cimento liso.

— Além do mais – prossegue Oliver, ignorando comentário e atitude dela – Helena não costumava vir aqui a esta hora do dia mesmo quando éramos namorados, portanto as chances de a encontrarmos é de uma em um milhão – garante, olhando de um para o outro – E não deveria ser eu a estar preocupado com um possível reencontro ? Afinal fui eu a traí-la com MacKenna — lembra, rindo amarelo.

— Posso lembrá-lo que, na época, Helena Me culpou por isto e quase quebrou meu braço com um maldito taco de beisebol ao ir à boate a sua procura e escutar nossa conversa acerca do assunto? – Tommy relembra, apontando o próprio peito.

— E que a sopa quente despejada por ela sobre sua cabeça quando papai escolheu, desafortunadamente, comemorar o aniversario da mamãe aqui Me atingiu e queimou o Meu braço!? – é a vez de Thea recordar, batendo o pé com mais força – Na boa Ollie, não quero correr o risco de topar com essa vaca maluca vingativa – declara.

— Dois – Tommy anui novamente, erguendo a mão, encarando o amigo, sério.

— A sopa estava morna, foi um acidente, no seu caso, e sua pele ficou apenas vermelha – corrige o loiro — Isto foi há anos atrás. Todos seguimos em frente. Tenho certeza de que Helena sequer lembra-se destes incidentes – assegura, completando sem dar-lhes chance protestar – Agora parem de agir como crianças birrentas e vamos entrar. Estamos perdendo um tempo precioso – determina Oliver, indicando a entrada aos dois.

— Só pra constar: se ela fizer algo contra ou que respingue em mim, acidentalmente ou não, desta vez vai ter troco – Thea avisa, pisando firme rumo à entrada do local, Tommy a seguindo com um resmungo ininteligível fazendo Oliver apertar a ponte nasal com força, respirando fundo antes de segui-los.

Adentram o local parando na recepção, olhando em volta, Oliver indicando a mesa junto a um dos janelões do local de onde um homem erguia a mão, acenando. Imediatamente são conduzidos pela hoste até ele.

— Bom dia Oliver, como vai? – Roger Sommers cumprimenta-o com um aperto de mão – Por um segundo pensei que havia algo errado – comenta, explicando ante o cenho franzido do amigo – Os vi chegar e ficarem parados na calçada um bom tempo antes de entrar. Algum problema? Se é que posso perguntar – questiona, olhando-os atentamente enquanto se acomodam.

— Apenas uma questão de saúde – Tommy diz, ajustando sua cadeira – Tommy Merlyn – apresenta-se, estendendo a mão.

— Sei quem é, embora não tenhamos sido apresentados formalmente – comenta o arquiteto – O vi umas duas vezes no prédio da Global quando fui apresentar os esboços a seu pai – explica, voltando o rosto para a garota a seu lado – E você deve ser Thea, a encantadora irmã caçula de meu amigo – conclui, segurando e beijando o dorso da mão que ela estendia.

— Tem certeza que é amigo do Ollie? Normalmente Todos os amigos dele são Ogros! – exclama a jovem, sorrindo encantada.

— Grato pela parte que me toca! – Tommy protesta, pegando o menu.

— Você não conta idiota. É meu irmão também – retruca ela, estapeando-o.

— Deixando a rasgação de seda de lado – Oliver começa, fazendo o trio arquear a sobrancelha – Então é o arquiteto responsável pelo projeto da Merlyn Global em conjunto com a QC para construir um resort nos Glades? – questiona, o outro negando com um aceno.

— Não mais – revela – Depois que descobri que grande parte de meu projeto, a parte social, não seria executada, me retirei – confessa – Na verdade andei cogitando junto a meu advogado a possibilidade de tomá-lo de volta ou retirar meu nome, o que fosse mais rápido e fácil. Daí você me ligou perguntando sobre o assunto e fiquei curioso – admite, rindo sem graça.

— Será que daria para fazermos o pedido antes de entrar no assunto? Discutir com meus irmãos sempre me dá fome – Thea pergunta.

— Quem estava discutindo? – Tommy contesta, soltando o xingamento antes que a jovem pudesse responder – Mas que merda! – exclama, erguendo o cardápio a frente do rosto.

— O quê? – Thea quer saber, retesando-se na cadeira ao escutar a voz as suas costas.

— Sério que está tentando se esconder detrás do cardápio Thomas? Quanta infantilidade! – ironiza a morena de intensos olhos azuis, apoiando as mãos no encosto da cadeira – Oliver, quanto tempo? – indaga, tocando o ombro de Thea – Reunião familiar a esta hora e fora dos olhares paternos? Que estão aprontando? – pergunta, rindo com o canto da boca.

— Bom dia, Helena. Trata-se apenas de um café da manhã entre irmãos e um amigo – Oliver explica ligeiramente tenso – Como vai indo? Não lembrava que de você vir ao restaurante neste horário – comenta.

— Então não esqueceu meus hábitos? – indaga a morena com um brilho nos olhos — Ainda não costumo. Meu pai está se recuperando de uma cirurgia e estou administrando os negócios – explica ela – Já foram servidos? – pergunta polidamente, sinalizando para um dos garçons.

— Sinto por seu pai – Oliver diz, solidário.

— Não sinta, ele está bem. Na verdade esta melhor do que antes, eu diria – afirma ela, olhando-o de forma intensa – Sugiro provarem nossa panqueca doce, especialidade da casa para o café da manhã acompanhada por mel e frutas cristalizadas. É uma delicia. Os croisant também são maravilhosos – sugere, acenando para o gerente, que a chamava — Se me dão licença, preciso verificar umas coisas. Fiquem à vontade – despede-se, sorrindo gentilmente.

— Como eu disse, o passado ficou no passado – comenta o loiro, encarando a irmã e o amigo de queixo erguido.

— Não comemore ainda sabe tudo. Toda essa gentileza não me engana. Na verdade, me dá medo – Thea retruca, sacudindo os ombros.

— A mim também – Tommy admite – E somente porque ela sugeriu, Não vou pedir panqueca – afirma, voltando-se para o garçom –Uma salada de frutas com granola, suco de laranja e duas fatias de bolo comum – pede – Ah, e uma xícara de café puro, com adoçante – completa.

— Vou querer o mesmo excerto pelo café e meu bolo pode ser recheado – Thea ordena, fechando o cardápio.

— Já fiz meu pedido, obrigado – Roger informa ao ver o jovem voltar-se em sua direção.

— Vou querer as panquecas com mel, suco de laranja, salada de frutas com granola e café – Oliver pede, dando atenção ao amigo novamente – Enquanto nosso desjejum não chega, podemos ir adiantando algumas coisas, que acham? – questiona, todos anuindo com gestos de cabeça – Bem, pra começar devo te avisar que nós três não concordamos com o projeto – avisa, o engenheiro, sorrindo compassivo.

— Imaginei que não logo depois que conversamos – afirma ele – O que pensam fazer a respeito? – questiona-os.

— É possível fazer alterações no projeto sem que precise comunicar QC ou Global? – Tommy questiona, direto.

— Eu posso a qualquer momento visto que assino o projeto – revela Roger.

— Tem certeza disso? – Oliver insiste, sorrindo ao vê-lo confirmar – Ótimo, porque é exatamente isto que queremos – diz – Vamos te dizer o que pensamos, eu e Tommy e ai nos diz se é possível ser feito – pede, passando a explicar detalhadamente o que haviam pensado.

Mesmo após a chegada do desjejum permanecem trocando ideias, o engenheiro fazendo uso de seu tablete para alterar virtualmente tudo que lhe era pedido, anotando outras tantas observações e ideias dadas por eles. Ao final, fica acordado que faria as alterações, reformularia o projeto e os apresentaria em novo encontro dentro de duas semanas.

— Terminamos? – Thea pergunta de repente.

— Por hora sim – Roger confirma, fechando sua pasta, abrindo espaço para as xícaras de café e uma bandeja com croisant – Deve haver algum engano. Não pedimos isto – diz, apontando a badeja.

— Cortesia da senhorita Bertinelli – explica o garçom.

— Oi?? – Tommy e Thea indagam ao mesmo tempo.

— Grato – Oliver agradece, fazendo uma reverencia em direção a mulher, que os observava a certa distancia.

— Muito gentil da parte dela – Roger diz, servindo-se de um salgado – Não vão pegar um? – questiona ao ver que apenas Oliver e ele haviam se servido.

— Ela não poria numa bandeja se houvesse algo errado, poria? – Thea pergunta, segurando um salgado, desconfiada.

— Supostamente não – Tommy responde, mexendo seu café – Eu não vou comer – diz, levando a xícara à boca.

— Tommy, pare de bobagem. Helena não está aramando nada contra nenhum de nós – Oliver ralha, fazendo aspas no ar, assustando-se quando o garçom que passava por detrás do amigo escorrega, desequilibrando-se, deixando o conteúdo da bandeja que trazia cair parte sobre Tommy, parte sobre a mesa.

— Putz! – Thea exclama, levantando a tempo de evitar molhar-se com o restante do suco que escoria sobre a mesa, Oliver e Roger fazendo o mesmo.

— Sinto muito senhor. Perdoe-me – pede o jovem garçom, recolhendo a louça espalhada, pondo-as na bandeja – Perdoe-me senhor – reforça, limpando os ombros de um estático Tommy com o guardanapo.

— Tommy....- Oliver começa dizer, apertando os lábios a fim de conter o riso, calando-se ante a mão erguida do moreno.

— Não. Diga. Nada – ordena o moreno, pondo-se de pé, os diversos líquidos escorrendo por seu corpo – Absolutamente nada e se ouvir um som sequer de riso Thea, vai se arrepender – ameaça, apontando a garota, que tapava a boca com as duas mãos – Se não se importam vou esperá-los lá fora – avisa, dispensando com um gesto de mão o guardanapo que o garçom lhe estendia, caminhando determinado para a saída, sorrindo discretamente ao escutar algumas garotas oferecerem-se ajudá-lo a limpar-se, aceitando o pedido formal de desculpas feito por Helena ao passar pela mulher.

— Agora mesmo que ele não volta aqui nunca mais! – Thea diz, sorrindo abertamente.

— Só espero que não esteja me culpando pelo incidente – Helena comenta, aproximando-se do grupo – Mil perdões por isto Oliver. Demitirei esse desastrado imediatamente – ameaça.

— Não faça isso Helena. Tommy sabe que foi acidente e certamente irá sentir-se mal caso demita o rapaz – pede.

— Ollie, deveria tentar salvar o emprego do rapaz, não incentivar sua demissão – Thea brinca recebendo o olhar desaprovador do irmão – Vou ver se meu irmãozinho precisa de ajuda pra tirar o cereal do cabelo embora já esteja vendo algumas senhoritas solicitas tencionando fazê-lo – comenta, torcendo o nariz ao ver duas jovens saindo com guardanapos nas mãos – Apesar do acidente, estava tudo ótimo Helena. Parabéns – diz, despedindo-se com um aceno.

— Estava mesmo. Muito obrigado pela cortesia, a propósito – Roger declara – Vou indo também. Entro em contato assim que fizer as alterações combinadas – avisa, apertando a mão de Oliver, cumprimentando Helena com um aceno.

— Foi muito bom revê-lo Ollie – adianta-se a morena, sorridente – Apareça mais vezes – convida.

— Farei isto. Meus futuros sogros amam comida italiana. Quem sabe não os trago aqui no final de semana – comenta fazendo-a torcer as mãos não tão discretamente – Bem, preciso ir. Ainda preciso deixar aqueles dois em casa antes de ir a QC. Bom te ver bem, Helena. Até qualquer dia – despede-se, dando um beijo rápido na bochecha dela.

— Até – responde Helena num fio de voz, levando a mão ao local que ele beijara, uma lágrima solitária escorrendo por seu rosto.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Oliver

Deixo o restaurante com a sensação de que Thea estava certa: não foi uma boa ideia ter vindo aqui.

Mesmo toda educação e polidez com que Helena nos tratou não conseguiram disfarçar a magoa que ainda sentia de mim. Confesso: pensei sim que o “acidente” com Tommy não foi tão acidente assim.

— Quer parar! – o comentário irritado me tira do devaneio e encaro minha irmã e Tommy parados no meio da calçada, ele se esquivando das tentativas dela em tirar algo de seu cabelo – Falo sério Thea, não dê nem mais um passo ou te...- a ameaça morre em sua boca quando é atingido por um pouco de água atirada por Thea.

— Thea! – ralho, me aproximando rápido, entregando um lenço a Tommy – Pensei ter dito que o ajudaria, não que iria tentar afogá-lo – dramatizo propositadamente a fim de diminuir a irritação de meu amigo.

— Afogar com esse tantinho de água? Fala sério Ollie! – rebate nossa irmã, entregando o copo ao jovem manobrista, que observava tudo boquiaberto.

— Poderia trazer meu carro, por favor – peço, o rapaz indo atender-me – Caso não saiba, é possível afogar-se inclusive numa poça rasa...

— Se cair de cara em uma enquanto estiver bêbado – Thea retruca levando as mãos a cintura – Tudo que fiz foi tirar um pouco do excesso de açúcar antes que as Formigas, começassem a atacar – justifica, indicando três garotas a sua direita – Além, é claro, de defender a propriedade de minha futura cunhada de numero dois – acresce fazendo Tommy bufar.

— Não por isso! – exclama, devolvendo-me o lenço, que recuso, obvio.

— Vai saber – Thea insiste, dando de ombros e trato de intervir antes que a coisa tomasse proporções maiores posto que Tommy não estava num momento bom.

—Ok, vamos indo que ainda tenho que pegar Felicity no Hospital antes de ir a QC – revelo, recebendo a chave do manobrista.

— Felicity está doente? – Thea pergunta, precipitando-se para o banco do carona mal destravo o carro – Não vou ficar sentindo esse cheiro enjoado de coisa doce o caminho inteiro nem morta! – avisa, pondo o cinto.

— Ok, já deu. Vou pegar um taxi – Tommy avisa, decidido, sinalizando a um que se aproximava naquele instante.

— Tommy, não. Eu te levo em casa – chamo.

— Não precisa. Além do mais a mansão é caminho, o condomínio não. Iria te atrasar imensamente – pondera, despindo o blazer, única peça pouco atingida pela chuva de alimentos – Vá lá Ollie, ficarei bem. Até mais chata – garante, provocando Thea antes de entrar no veiculo, acenando após indicar o destino ao motorista.

Suspiro, resignado, entrando dirigindo-me ao carro, entrando.

— O que Lissy foi fazer no hospital? Está doente? – Thea repete, me olhando astutamente.

Pondero um segundo decidindo se deveria ou não contar-lhe afinal a própria Felicity não havia Me contado nada. Fora Donna quem insinuara, quando ela fora ao quarto pegar sua bolsa, o porque da consulta tão cedo.

— Ollie, o que está havendo? Qual o grande segredo? – minha irmã insiste atenta.

— Nenhum – respondo, dando partida no veiculo – E não, Felicity não está doente – asseguro, completando – Grávida talvez. Doente não.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Condominio Ilha de Creta (10:00 a.m)

Tommy

Salto do taxi em frente à entrada principal do condomínio entrando, após haver pago a corrida acrescendo uma bonificação por conta da sujeira sobre o banco, sob os olhares curiosos de alguns moradores que se encontravam nas proximidades da portaria.

— Bom dia – cumprimento um grupo de adolescentes que saia segundo a passos rápidos para a torre dois.

— Merlyn

— Tenente – os dois chamados chegam ao mesmo tempo e estanco junto à porta de entrada do edifício me voltando, vendo o juiz Darhk, Jay, Mouse e uma garota morena (a mesma que ficou dando palpite no resgate do Sherlock) aproximarem-se vindos de direções opostas (torre um o juiz, torre três meus amigos e a garota) parando alguns passos de distância.

— Precisamos conversar – Jay e o juiz falam ao mesmo tempo me fazendo arquear a sobrancelha.

— O que houve? Parece que acaba de participar de uma guerra de comida – Darhk pergunta não me dando chance responder – Não importa. Precisamos conversar com certa urgência – avisa, dirigindo um olhar intimidador a Jay.

— Digo o mesmo – meu amigo avisa, ignorando-o – Não dá pra esperar.

— Não mesmo tenente – Mouse reforça.

— Tem a ver com a pessoa que invadiu o apartamento de sua namorada – solta a garota pondo o juiz em alerta.

— Como é? Alguém invadiu o apartamento de minha sobrinha? Quando e por que? – interroga, se voltando para mim – O que tem a ver com isto Merlyn? E que historia de câmeras clandestinas sobre as quais Donna ouviu aquela loira amiga de Felicity conversando com o namorado? Tem alguém filmando a intimidade das pessoas sem que saibam? A troco de quê? Alguém foi ameaçado ou chantageado? Por que não nos contaram quando disse que pretendia morar aqui? – interroga e bufo, xingando Ray e Sara mentalmente.

— Não iam contar pra ele? – Jay questiona, me encarando.

— Íamos, Oliver e eu, hoje à noite já que Felicity avisou que havia fechado negocio no apartamento na torre três – explico sustentando o olhar gélido do juiz, continuando antes que dissessem algo – Olha só, como iremos tratar do mesmo assunto, que tal o fazermos lá em cima? Preciso de um banho antes que atraia toda sorte de inseto nas redondezas – resmungo, entrando sem esperar resposta, franzindo o cenho ao ver a movimentação próxima ao elevador – Que aconteceu? – pergunto, um dos funcionários respondendo prontamente.

— Algum problema no sétimo andar senhor Merlyn. O elevador ficou travado lá e não conseguimos fazer descer. Estamos esperando a firma de manutenção chegar para verificar o que aconteceu – explica – Por hora apenas as escadas estão liberadas – avisa.

— Já pensaram em olharem nos monitores de segurança ou mandar alguém subir pra verificar?– questiono-o.

— O sistema de segurança está em manutenção e o pessoal da assistência nos orientou espera-los — justifica fazendo-me bufar, voltando-me e caminhando em direção as escadas.

— Vai subir? – Darhk questiona.

— Sim. Além do banho tenho que verificar se os pets estão bem – digo, vendo pelo canto do olho o grupo todo, incluindo a garota, me seguir – Quem é ela? – interrogo Jay enquanto subimos.

— Monica Torres, secretária do sindico e moradora de um dos apartamentos do quarto andar – apresenta-se ela – Tecnicamente a doutora Snow e eu somos vizinhas. Não sei se lembra de...

— Lembro – corto-a, dirigindo um olhar inquisidor a Jay.

— Não pergunte – pede, sacudindo as mãos – O lado bom é que com a ajuda dela descobrimos algumas coisas sobre Ristow e a ruiva do décimo andar – conta.

— A mulher do lutador de MMA? – o juiz pergunta fazendo-me enrugar o cenho – Digamos que ela me deu as boas vindas quando soube que havia fechado negocio no apartamento de forma...Hã...Efusiva – revela.

— Caramba, isso que é rapidez! – Monica exclama.

— Vem cá, fui o único a não receber as boas vindas da ruiva? – Mouse reclama- Não que esteja reclamando – corrige-se rápido.

— Não. Imagina! – Jay e eu dizemos junto, o riso morrendo em meus lábios quando abro a porta de acesso ao sétimo andar dando de cara com os gatos de Cait – Hey, o que estão fazendo aqui ? – interrogo, me agachando a fim de pega-los, erguendo a vista em busca dos pugs – Homer, Marge – chamo, assobiando a seguir, levantando com os dois gatos em meus braços, os cães surgindo animados – Como saíram do apartamento?- questiono sentindo a mão de Jay segurar meu braço, impedindo-me avançar – O que foi? – pergunto ao notar sua expressão.

— Sua roupa – alerta, passando a minha frente.

Baixo a vista notando as manchas de sangue em forma de patinhas em minha camisa.

— O sangue é deles? Estão feridos? – Darhk pergunta, fazendo o mesmo que Jay só que empunhando um revolver – Sou um juiz. Ameaças fazem parte de minha rotina – diz ao me ver arquear a sobrancelha.

— Não estão feridos, ao que parece – é Monica quem responde e só então noto que estava examinando os gatos em meus braços – Quer me dá um deles ou prefere que segure os pugs? – questiona.

— Os pugs – respondo, seguindo Jay e o juiz pelo corredor, Mouse e Monica fazendo o mesmo após pegarem os pugs.

A primeira coisa que noto são as portas de todos os apartamentos abertas. A segunda é a trilha formada pelas patinhas dos pets por todo o corredor. A terceira é o som de algo batendo em alguma coisa fofa.

— Que barulho é esse? – pergunto parando entre Jay e Darhk, retendo o ar ante a cena alguns metros a nossa frente.

— Acho que descobrimos o problema do elevador – Jay diz, voltando-se para mim enquanto Monica solta uma interjeição de espanto.

— O cargo de sindico acaba de ficar vago – ouço Mouse dizer parando a meu lado segurando Homer.

— Ligue para a policia Merlyn. Parece que temos um duplo homicídio nas mãos – Darhk ordena, pondo a arma de volta no coldre, caminhando até os dois corpos estendidos entre as portas do elevador impedindo-as fechar.

— Parecer que nosso stalker saiu da inercia – digo, sentindo um calafrio percorrer minha espinha ao pensar no que iria acontecer de agora em diante.

“...I tried so hard and got so far;

But in the end, it doesn’t even matter;

I hard to fall to lose it all;

But in the end, it doesn’t matter”

Notas finais
Nos vemos em breve. Bjinhos flores.