Invasão de Privacidade
8 Investigations (I)
Notas iniciais
“It’s not that I can’t live without you;
It’s just I don’t even want to try;
Every night I dream about you;
Ever since the day we said goodbye;
If I wasn’t such a foo;
Right now I’d be holding you;
There’s nothin’ that I wouldn’t do;
Baby if only knew...”
Back To Your Heart
Backstreet Boys
Apartamento Caitlin (Sabado, 7/10 – 02:20 a.m)
Cait
Ergo a cabeça virando-a de lado a fim de visualizar meu celular sobre o criado mudo, as lágrimas turvando minha visão.
Era a terceira vez que Lissy ligava em menos de dez minutos!
Sento na cama, enxugando os olhos com a blusa de meu short doll, fungando, tentando controlar ao máximo minha voz antes de atender.
—Oi Lissy, algum problema? – questiono, escutando-a fungar do lado de lá – está chorando? – pergunto, ela rindo nervoso antes de responder.
< Acho que Oliver me deixou! > diz e imediatamente sinto meu corpo se retesar < Esperou que estivesse dormindo, ou melhor, quando julgou que eu estava dormindo – corrige-se – Saiu sem dizer nada > conta, fungando.
—Lissy, ele pode ter ido apenas caminhar um pouco para espairecer – minimizo tentando acalma-la.
< Não Cait, ele se foi, tenho certeza > insiste, soluçando e me pego refletindo se não teria sido melhor para nós quatro se o passado tivesse ficado para trás, bem atrás, morto e sepultado!... Evidente que não Cait, não seja idiota. Uma coisa dessas Nunca fica sepultada a menos que todos os envolvidos assim o queiram fazer. Todos! ... Minha consciência avisa e reconheço que tem um pouco de razão < Ele me odeia! > a voz de minha prima me traz de volta a realidade e balanço a cabeça a fim de organizar as ideias.... Não lembrava de Felicity ser tão dramática assim! ...penso, escutando-a gemer do outro lado da linha < Você também me odeia Cait? > pergunta e decido dar um basta.
—Felicity Megan Smoak, pare agora mesmo com todo esse drama! Você não é assim. Onde esta aquela garota forte, guerreira, que nunca se deixou abater por nada nem ninguém? – questiono.
< Está enganada Cait. Não sou tão forte quanto aparento> afirma < Estou quebrada Cait. De novo. Lembrar tudo que passei, as acusações de Moira Queen...> cala-se, fungando novamente.
—Ok, reconheço que deve estar sendo difícil pra você recordar tantas coisas...ruins – digo, cuidadosa – Mas Oliver te ama, tenho certeza, e jamais iria te abandonar sem mais nem menos. Ele deve ter ido a algum lugar, andar, pensar, refletir...Eu mesma tive vontade de fazer isto...Mas acabei ficando em casa – revelo, olhando a volta, as paredes do quarto voltando a me dar a sensação de prisão.
< É quem sabe ele só foi dar uma volta > diz, mais animada, parecendo caminhar < Ele não foi embora. Suas roupas, sapatos, tudo ainda está aqui >
—Viu!? Vai ver você estava sonhando com isso, acordou e não o viu ai pressupôs que não era sonho – pondero, escutando o som de algo deslizando — Lissy, o que está fazendo? – pergunto, uma ideia assustadora crescendo em minha mente.
< Na varanda > informa, completando como se lesse minha mente < Não vou pular, não se preocupe. Se quando tudo aconteceu não senti vontade de me matar, por que o faria agora? > questiona, me deixando aliviada < Está no quarto ou na sala > quer saber.
—Quarto – informo, levantando, antevendo seu pedido.
< Poderia vir até sua varanda? > pede e sorrio discretamente.
—Já estou indo – informo, sentindo a maciez do pelo em meu pé ao resvalar em Sherlock estendido no chão do corredor, meu riso aumentando ante seu comentário seguinte.
< Saindo da minha cabeça, faz favor! > repete a brincadeira que fazíamos ao adivinharmos o pensamento uma da outra.
Aceno assim que entro na varanda, ela retribuindo. Nossos andares eram os mesmos mudando apenas o edifício, mas por conta do declive, o dela parecia ser um pouco abaixo do meu.
—Mais calma? – pergunto, apoiando-me a mureta, estendendo a mão aberta por entre a trama da rede de segurança, a boa iluminação e o luar possibilitando-me ver que fazia o mesmo.
< Estou...E você, como está? Nem tente me enganar dizendo que não chorou > avisa e rio.
—Estou bem, ou melhor, vou ficar – admito, sentando na mureta apoiada a rede.
< E Tommy? > pergunta.
—O que tem ele? – devolvo, sentindo o aperto voltar.
< Não brigou com ele, brigou? Quer dizer, não terminaram, não é? Cait, não vou me perdoar se o fizer ainda mais por minha causa > dispara, a tensão perceptível em sua voz.
—Não, não terminamos...Mas preciso de um tempo Lissy — digo, suspirando – Se disser que não fiquei mexida estaria mentindo. Sei que o que aconteceu entre vocês é passado, mas mesmo assim....
< Cait, eu entendo > me corta suspirando < O que quero saber é se deixou isso claro para ele. Tommy pode até ter esse lado Ranger, mais sério, mas normalmente é lerdo que dói para entender as coisas, especialmente em se tratando de mulheres. Igualzinho Oliver. As vezes acho que Moira cometeu um engano e Ollie que é irmão dele, não Thea! > brinca, e rimos juntas < Falando sério agora, ele não é exatamente um gênio no que diz respeito a sentimentos. Alias, acho que aquele dali...>
—Veio com defeito de fábrica! – completo fazendo-a rir mais – É, já notei. Mas para a sorte dele (e nossa!) é muito competente na horizontal – deixo escapar, me arrependendo de imediato, preparando-me para o “revide” que não vem – Lissy, ainda está ai? – chamo, olhando em direção a ela, vendo-a acenar afirmativamente, apontando para baixo, em direção ao jardim interno entre os dois edifícios.
Sigo sua indicação vendo três homens parados ali, conversando, e estreito os olhos tentando saber de quem se trata. Apesar de certa distância, tenho certeza (pelas roupas e altura) que um deles é Ray Palmer.
—É Ray ali embaixo? – interrogo ao mesmo tempo em que um deles se move ficando mais perto do poste de iluminação permitindo-me reconhece-lo -Thomas?
< E Oliver > ouço Felicity dizer, demonstrando estar tão surpresa quanto eu < Ray, Tommy e Oliver > enumera.
—O que estão fazendo ali a essa hora da madrugada? – questiono, olhando o relógio em meu pulso: 03:05.
< Discutindo alguma coisa com certeza. E séria > Lissy garante.
—Como pode saber? – interrogo.
< Conheço muito bem as expressões corporais de Oliver e está é de algo muito sério mesmo > assegura < O que estará acontecendo? > questiona mais para si mesmo do que para mim.
—Isso teremos....você terá que perguntar – me corrijo, vendo-os despedirem-se, cada um seguindo em direção ao edifício onde mora – E Sara – acrescento – Me conta se descobrir? – peço.
< Conto > garante < Cait, vai perdoar Tommy não vai? Assim, tive tanta culpa quanto ele > pede.
—Lissy, não existem culpados. Vocês se apaixonaram em uma época onde sequer sonhavam conhecer Oliver e a mim. Ele pelo menos – emendo, escutando-a rir – Eu realmente só preciso de um pouco de tempo, nada mais.
< Ok. Boa noite Cait. Te amo > despede-se.
—Também te amo Lissy. Durma bem – desejo, desligando, retornando ao interior do apartamento, refletido qual assunto faria três Rangers reunirem-se na calada da noite.
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“..I don’t know how it got so crazy;
But I’ll do anything to set things right;
‘Cause your love is so amanzing;
Baby, you’re the best thing in my life;
Let me prove my love is real;
And make you feel the way I feel;
I promisse I would give the world;
If only you would tell me girl...”
Três semanas depois (sexta, 27/10 – 06:59 a.m)
Tommy
Apoio os pés sobre a mureta de vidro na varanda em meu apartamento tomando um generoso gole de cerveja. Havia chegado da Verdant alguns minutos atrás.
Estava me dedicando mais a gerencia da boate nas últimas semanas por três razões: Uma, o salário (generoso) ainda era minha principal fonte de renda já que meus bens continuavam bloqueados; Dois, quanto mais tempo passasse fora de meu apartamento, menos raiva teria por ainda estar exposto a esse maníaco-depravado-doente, que instalara as malditas câmeras em meu apartamento (banheiro para ser mais exato).
Mouse havia ligado, como prometera, avisando que somente no ultimo final de semana do mês (este, finalmente!) poderia vir até em casa. Ray até havia tentado localizar as câmeras, em seu apartamento primeiro, usando um programa, mas falhara. Cá pra nós, ele era bom, mas em se tratando de quebrar ou invadir sistemas ou espionar alguém, nosso amigo rato era melhor. Bem melhor. Além dele, só conhecia outra pessoa capacitada a tanto: Felicity.
O que me leva a terceira, porém não menos importante razão para minha total e absoluta dedicação a boate: Cait. Na verdade, ela era a primeira.
Desde a noite do jantar não havíamos nos falado novamente.
Nos viramos apenas duas vezes, muito rapidamente. Uma dentro do elevador, quando ambos estávamos de saída, e outra no mezanino enquanto aguardava Ray e Eddie para irmos até a Verdant. Trocamos cumprimentos rápidos e só. Nenhuma mensagem, nenhum telefonema, nada. Ela havia me pedido um tempo e estava dando mesmo sofrendo feito um condenado.
—Droga Cait, o que é tão difícil assim de perdoar? – resmungo vendo os primeiros raios de sol furarem o bloqueio imposto pelas nuvens iluminando o mar ali perto.
Pelo canto do olho percebo o movimento na varanda d seu apartamento e antes que possa me controlar volto a cabeça naquela direção vendo-a surgir usando short e camiseta, cabelo bagunçado, braços esticados para o alto, espreguiçando-se manhosamente.
—Puta. Que. Pariu! – solto o impropério sentindo meu membro latejar e endurecer a medida em que percorro o corpo que conheço bem com os olhos. Estava ainda mais linda do que lembrava, se é que isso é possível – Tanto é que ela está, estupido! – respondo-me, subindo o olhar por suas pernas expostas pelo short curtíssimo, detendo-me no quadril e barriga a mostra pelos braços ainda no alto, delineando o contorno dos seios evidenciados pelo tecido grudado a eles, acompanhando a linha dos braços delicados – Opa, pego em flagrante delito! – sinto meu coração falhar uma batida ao me deparar com seus olhos me observando de volta.
Por um segundo penso que iria retornar para o interior do apartamento, talvez chateada por a estar observando, mas para minha surpresa e alegria não apenas permanece como se volta, vindo até o limite da mureta, apoiando as mãos sobre a mesma após acenar, sorrindo.
—É comigo? – pergunto, sentando rápido, olhando a volta sem nenhum constrangimento, levantando, fazendo o mesmo que ela – É comigo? – repito um pouco....pouco nada, Bem mais alto, apontando meu peito fazendo-a rir mais, daquele jeito que anima e aquece meu coração...e outra parte de meu corpo também!
—Com quem mais seria? – devolve, sentando, apoiando as costas na junção da parede com a mureta, elevando e apoiando uma perna sobre a mesma, a rede de proteção servindo de apoio – Como vai Thomas? – pergunta, me obrigando a tentar articular uma resposta que não seja...
—Hã – escuto o som de minha voz e reviro os olhos me sentido um completo idiota.
—Hã?? Hã o quê? Está bem, não está? – questiona, ficando em alerta de repente – Não me diga que também contraiu a virose? – pergunta.
Soube, através de Oliver, que por sua vez soube por Felicity, que Cait andava dobrando turnos repetidamente chegando muito perto do aceitável por lei, devido a um surto de virose que assolava Starling e regiões próximas chegando até a vizinha Central City, atingindo adultos e crianças.
—Não, eu estou bem. Sem virose – respondo vendo-a relaxar voltando a recostar-se – Obrigado por perguntar – agradeço, não querendo que nossa conversa terminasse – Como vão as coisas? – pergunto, fazendo o mesmo que ela só que na posição contrária a fim ver seu rosto...e corpo.
—Bem estressantes – admite – O hospital anda sobrecarregado com tantos pacientes. E nós médicos também – conta, dobrando o joelho.
—Uhum, eu soube...Oliver me contou – digo rápido, não querendo dar-lhe a impressão que a vigiava. Não estava, mas tinha procurado notícias através de meu amigo. Ele, aliás, aconselhara tentar uma reaproximação garantindo que ela já havia me perdoado e só não o fizera por conta da correria no emprego – Cait, será que ....- começo dizer, a campainha me interrompendo – Será que poderíamos...- tento continuar, mas a pessoa lá fora toca insistentemente – Um minutinho! – peço, erguendo o dedo, levantando, caminhando para dentro do apartamento, estancando a centímetros da porta, me voltando para ela – Não saia daí – peço vendo-a abrir um sorriso lindo acenando afirmativamente – Sério Cait, não sai — reforço antes de sumir de vista correndo (literalmente) até a porta, xingando baixinho quem quer que fosse, surpreendendo duplamente ao me deparar com Mouse, Jay e minha irmã parados a porta – O que diabos faz aqui tão cedo?
—Você nos chamou, digo, me chamou tenente. Não tá lembrado? – Mouse responde, abrindo os braços, confuso.
—Falei com ela – respondo, ríspido, fazendo minha irmã abrir a boca espantada.
—Como é? – indaga, me empurrando, entrando sem esperar ser convidada, o que é bem típico dela!– Isso lá são modos de receber sua irmã Tommy? – questiona, levando as mãos a cintura ao mesmo tempo em que bate nervosamente o pé, me irritando ainda mais.
—Se quiser podemos voltar outra hora tenente – escuto Jay dizer.
—Entrem – ordeno sem ao menos encara-los, continuando a fitar Thea – O que há Speedy, deu formiga na cama? – provoco-a indicando o sofá para os dois sentarem.
—Eu deveria lhe bater Thomas Merlyn! – bufa ela, erguendo uma mão – Mas estou tão estressada, mas tão estressada que mesmo que tivessem formigas em minha cama não saberia já que não dormi desde a maldita hora em que recebi a bendita convocação! – esbraveja, sentando pesadamente no braço da poltrona, o gesto me lembrando de Cait – O que...
—Espera só um segundo – corto-a, correndo de volta a varanda, deixando a cerveja (quente aquela altura) em sua mão ao passar, um sorriso bobo iluminando meu rosto ao vê-la no mesmo lugar, olhando em direção ao mar, distraída – Oi, voltei – aviso, chamando sua atenção – Estou com visitas aqui, portanto tenho que ser rápido: aceita jantar comigo hoje? Você escolhe o lugar – convido – Só jantar, nada mais – prometo, beijando os indicadores cruzados, aguardando ansiosamente sua resposta.
—Aceito – responde após alguns segundos – No Ippon está bom pra você? – pergunta, levantando.
—Está ótimo – respondo – As nove? – questiono.
—Sim, pode ser – confirma – Nos encontramos lá, vou direto do trabalho.
E eu vou “gazear” o meu se tudo der certo! — Sem problema. Nos vemos lá então – confirmo.
—Até mais tarde Thomas – despede-se, acenando antes de entrar, Homer e Margie a seguindo.
—Até – sopro rindo feito bobo, permanecendo olhando o espaço vazio após sua saída até ser trazido de volta pela voz irritada de minha irmã.
—Agora que conseguiu marcar seu encontro Romeu, e espero que se acertem porque ambos andam insuportáveis, daria para Me dar um pouco de atenção? – Thea resmunga parada a porta ainda segurando a garrafa de cerveja, fazendo-me fechar os olhos, respirando fundo antes de me voltar, caminhando em sua direção – Ainda terão que contar o porquê de terem brigado – diz, empurrando a garrafa contra meu peito ao aproximar-me dela.
—Isso não é da sua conta irmãzinha – retruco, dirigindo um olhar entediado a meus amigos, que tapam a boca escondendo o riso – Agora, o que a fez perder o sono e vir me incomodar tão cedo? – questiono, sentando sobre o braço da poltrona antes ocupado por ela, pondo a garrafa no chão – E só para lembra-la: trabalhei até quatro da madrugada na Verdant – completo, encarando-a.
—Neste caso, irmãozinho, sinto dizer que não poderá por em dia o sono atrasado – afirma, exibindo um envelope com o timbre da Global — Fomos convocados para uma reunião na empresa do Seu pai, o que me levou a perder o sono tentando entender o que diabos Malcom Merlyn quer convocando a Mim para esta bendita reunião! – esbraveja, girando nos calcanhares após pegar o envelope de suas mãos, indo até meu bar – O que tem aqui pra beber? Algo gelado além de cerveja? – quer saber, fuçando em tudo.
—Nada para você. Sai já daí Thea. Não vou te deixar ir a uma reunião com Nosso pai cheirando a bebida a menos que queira ser exorcizado por ele! – bufo, abrindo e lendo o conteúdo do envelope, lembrando vagamente de ter recebido um idêntico ontem pouco antes de sair para a Verdant – Thea Falo sério, não beba – reforço, sinalizando para Jay jogar o blazer a suas costas.
—Este? – pergunta e aceno afirmativamente – Tem certeza que não quer que voltemos outra hora tenente? – pergunta, indicando minha irmã, que pegara uma cerveja, com um gesto de cabeça.
—Tenho. Aguardem só um minuto enquanto vejo do que se trata e já conversamos – peço, tirando a garrafa das mãos dela quando passava por mim, escutando seu protesto ao mesmo tempo em que atiro o objeto em direção a Mouse, que a segura.
—Thanks tenet.! – agradece, abrindo-a e tomando um gole generoso.
—Quem são vocês mesmo? E por que chama Tommy de Tenente? – Thea interroga, as mãos na cintura encarando os dois, brava.
—De novo: não é da sua conta Speedy – respondo por ele, dobrando ambos envelopes – Por que diabos fui convocado a uma reunião de diretoria se nem mesmo faço parte dela? – questiono para mim mesmo em voz alta, massageando meu queixo.
—Estou me fazendo a mesma pergunta desde que recebi a convocação – Thea resmunga, sentando ao lado de Mouse – O que Seu pai quer comigo Tommy?
—Nosso pai, Speedy – a corrijo – Gostando você ou não, é seu pai também...
—Biologicamente falando! – lembra ela, me cortando.
—Pai do mesmo jeito – reitero, suspirando, olhando o relógio em meu pulso. Tinha menos de duas horas para explicar a situação aos rapazes, tomar um banho, trocar de roupa, comer algo e partir para enfrentar a fera na Global, o que me lembra uma coisa – Veio aqui para irmos juntos, é isso? – questiono, encarando minha irmã.
—Bingo! Eu sabia que o cérebro dele começaria a funcionar a qualquer momento – me provoca, acertando as costelas de Mouse com o cotovelo – Normalmente o raciocino dele é meio lento quando acorda. Depois de ter feito as pazes com Cait então, precisou de mais tempo para pegar – brinca, fazendo os dois rirem.
—Engraçadinha! – exclamo, levantando – Olha só, preciso conversar um assunto, particular – pontuo, estendendo a mão para ela – Com os rapazes. Depois disso vou me trocar e podemos comer algo no caminho para a Global, o que acha? – pergunto, convidando-a com gesto a levantar.
—Está me expulsando de sua casa Tommy Merlyn? – questiona, estreitado os olhos.
—Nops! Estou pedindo que me espere no mezanino enquanto resolvo um problema particular com estes dois cavaleiros aqui – reitero, sustentando seu olhar – Anda Thea, não tenho muito tempo e não estou a fim de encarar papai de barriga vazia...Nem cheia, para ser franco! – Depois respondo tudo que quiser, mas agora vá para o mezanino, por favor – prometo, um sorriso maroto iluminando seu rosto.
—Saiba que vou cobrar essa promessa maninho – avisa, pondo-se de pé, se voltando para os rapazes – Até qualquer dia ilustres desconhecidos, já que meu irmão fez questão de esquecer os bons modos! – me provoca novamente — Até já fofo! – aperta minha bochecha, saindo tão rápido quanto entrara, o assobio de Jay chamando minha atenção.
—Quando disse que sua irmã era um furacão, juro que achei exagero tenente! – exclama, rindo divertido.
—Isso é apenas uma pequena amostra se quer saber – garanto, suspirando – Mas vamos ao motivo de ter te chamado aqui – começo dizer, me voltando para Mouse – Vou precisar de seus talentos, ou melhor, Ray e eu vamos – digo.
—As ordens tenente – afirma, ficando de pé – Diga ai, quem é o pobre coitado que vamos pegar!
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Global Merlyn (08:55 a.m)
Narrador
Tommy abre a porta da empresa de sua família ficando de lado para dar passagem a Thea, esta o aguardando para só então encaminharem-se para a recepção do lugar.
—Bom dia, poderia me ver dois crachás de acesso ao andar da presidência por favor – pede, apoiando-se ao balcão, a jovem recepcionista o encarando.
—Bom dia, estão sendo aguardados? – questiona, olhando-os alternadamente.
—Sim – confirma – Acho – corrige-se.
—Vou verificar com a secretária do senhor Merlyn – diz ela, discando o ramal do andar da presidência, o chefe da segurança intervindo.
—Estão sendo esperados sim. Ambos – confirma, a garota pondo o interfone de volta no gancho – Entregue-lhes os crachás Vanessa – ordena, ela obedecendo sem pestanejar – Podem subir. A reunião começara dentro de vinte minutos – avisa, indicando os elevadores – Seja bem-vindo senhor Thomas, é muito bom vê-lo por aqui novamente – cumprimenta.
—Obrigado Jefferson. Bom te ver também – agradece o moreno, prendendo o crachá a lapela do blazer, entregando o da irmã enquanto a conduz aos elevadores.
—Aquele ali não é... – outra garota pergunta, se aproximando
—Thomas Merlyn, filho do senhor Malcom – confirma, rindo diante da expressão de pânico da recepcionista.
—Misericórdia! Quase barrei a entrada do filho do chefe! – exclama a garota, apavorada.
—Filhos, na verdade – a corrige uma terceira mulher que chegava, olhando em direção a Thomas e Thea – A garota também é filha dele – conta.
—Pronto, definitivamente estaria ferrada de vez! – exagera a garota, sentando pesadamente, apoiando a cabeça nas mãos, fazendo os demais rirem.
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Tommy
Imediatamente após sairmos do elevador sinto a mão de Thea segurar a minha, apertando-a com força e a olho de esguelha.
—Fique tranquila Speedy, estou com você – afirmo, soltando sua mão, envolvendo-a pelos ombros enquanto caminhamos – Bom dia Celly, como vai? – cumprimento a secretária de nosso pai.
—Bom dia Thomas, vou bem, obrigada – responde, dando atenção a Thea – Bom dia senhorita Queen, prazer em vê-la aqui...Prazer em ver os dois irmãos juntos e envolvidos com a empresa finalmente – declara, levantando-se com uma pilha de pastas – Espero que possam impedir esse projeto. Seu pai está cometendo um erro Thomas — diz, baixando o tom de voz, prosseguindo antes que tivesse a chance de perguntar algo – Venham comigo. Vou leva-los até a sala de reuniões. Seu pai os espera para conversarem antes que a reunião com a diretoria e os sócios comece – avisa.
—A qual projeto ela está se referindo? – Thea cochicha em meu ouvido enquanto a seguimos.
—Sei tanto quanto você – respondo, atento ao movimento a nossa volta, minha tenção sendo chamada por Celly ao ouvi-la falar meu nome.
—Thomas, me desculpa, mas estou começando a entrar em pânico, assim como outros funcionários da Global que, como eu, moram nas redondezas dos Glades ou no próprio bairro diante da ameaça de termos que deixar nossas casas – explica sem, no entanto, se explicar, ao pararmos a porta da sala de reuniões, completando – Quando vê o projeto entenderá – afirma, abrindo-a após uma leve batida – Senhor Merlyn, Thomas e Thea chegaram – nos anuncia, ficando de lado a fim de nos dar passagem.
—Que bom que puderam vir! – meu pai exclama, vindo a nosso encontro com um sorriso no rosto – Thomas...Thea...Que bom poder estar com meus filhos, finalmente, num mesmo ambiente, como pai e filhos, quero dizer – corrige-se rápido.
—Perdoe se não compartilho da sua alegria Malcom – Thea declara, esquivando-se do abraço – Na verdade, não sei o que vim fazer aqui já que oficialmente não sou sua filha, e não faço parte da diretoria – discursa, a voz de Moira fazendo ambos nos voltarmos vendo-a entrar em companhia de Robert.
—É justamente por isso que foi chamada minha querida – a senhora Queen afirma parando próximo a nós, me cumprimentando – Olá Thomas, como vai? – pergunta e acho praticamente impossível associar a mulher que me olha com frieza àquela que me acolheu em sua casa tantas vezes após a morte de minha mãe, esforçando-se para me fazer sentir bem a ponto de preparar um quarto para mim.
—Bem, obrigado – respondo, acenando para Robert – Senhor Queen.
—Olá Thomas – responde, voltando sua atenção para Thea – Porque não sentamos para conversar com calma. Ainda temos algum tempo antes do início da reunião – lembra.
Mesmo a contragosto, ambos aceitamos, sentando nas cadeiras indicadas por ele, os três ocupando as do lado oposto ficando de frente para nós.
—Bem, antes de mais nada, quero que saibam, os dois, que refletimos muito antes de tomar essa decisão – Robert começa dizer, meu pai tomando a palavra logo em seguida.
—Thomas, vou reconhecer Thea oficialmente. Ela passara a ter tanto direito a herança quanto você e sua irmã caçula — informa.
—E?? – questiono, arqueando a sobrancelha.
—Só queria tranquiliza-lo que não ira perder nenhuma de suas ações. O que é seu é seu, mesmo estando retido. Alias, gostaria de falar-lhe sobre isto. Estive pensando em retirar o bloqueio a seus bens – me surpreende – Estou a par de seu empenho em gerenciar a Verdant e o quanto isto o tem feito amadurecer. Acho que já está mais do que na hora de suspender essa punição.
—Honestamente pai, não dou a mínima para isto – afirmo, tranquilo – Também não estou preocupado que divida Seu patrimônio com quem bem entender. Ao meu ver não está fazendo mais do que sua obrigação reconhecendo a paternidade de Thea, bem como lhe dando acesso a herança a qual tem direito – declaro, olhando-os atentamente, uma pergunta rondando minha mente: por que fazê-lo agora?
—Não tenho o menor interesse em ambas as coisas, portanto se era esse o motivo de minha convocação – Thea declara, fazendo menção levantar-se, Moira a impedindo.
—Na verdade, este é apenas um dos motivos – diz, sinalizando para que sentasse – Quanto ao reconhecimento e herança, é fato consumado, estamos apenas comunicando porque de agora em diante poderá usar o sobrenome de seu pai biológico junto com o de Robert – avisa, minha irmã abrindo e fechando a boca, desistindo do protesto ensaiado – Afora isto, passará...
—Ambos irão passar, já que restituirei os bens de Thomas, a ter direito de voto na Global e, no caso de Thea, na Queen também – meu pai a interrompe, retomando a palavra – A partir de amanhã filho, todos os seus bens estarão desbloqueados para que faça deles o que quiser – avisa, mas antes que Thea ou eu digamos algo, a porta é aberta.
—Senhor Merlyn, os diretores chegaram – Celly avisa.
—Excelente! – comemora, pondo-se de pé – Prontos para participarem de sua primeira reunião de diretoria?
—Primeira? – retruco, arqueando a sobrancelha.
—Ah, é verdade Thomas, já participou outras vezes quando trabalhou a meu lado – lembra, indo receber os membros que entravam, Robert e Moira o acompanhando.
—Que bom, ao menos um de nós tem experiência aqui. Me dá umas dicas maninho? – Thea cochicha em meu ouvido enquanto levantamos.
—Tente não roncar, faça cara de interesse e o principal – enumero, abotoando meu blazer – Resista a vontade de pular pela janela – concluo, sorrindo polidamente para o homem gordo e careca que vinha em nossa direção, apertando minha mão com força exagerada, se derretendo em elogios a Thea.
Durante uns quinze minutos tudo que fazemos, ela e eu, é apertar mãos e sorrir educadamente na medida em que nossos pais nos apresentam, todos sendo convidados a sentar ao final dando início a tal reunião.
Durante as horas seguintes (honestamente perdi a noção do tempo), escutamos as discussões sobre a viabilidade de projetos, contenção de despesas em alguns setores das duas companhias (QC e Global eram parceiras em vários projetos por isso tinham setores compartilhados) além de projeção de orçamento para o próximo ano nos diversos setores da Global em especial. Nada que justificasse a preocupação apresentada por Celly quando chegamos.
Esperava escutar que o quadro de funcionários seria reduzido, ou que haveria demissões ou mesmo incentivo a demissões voluntarias, mas nada disso estava acontecendo. Já começava a pensar que ela se enganara quando um dos diretores, o gordo exagerado, questiona meu pai sobre o novo projeto para um resort urbano fazendo a garota que servia as bebidas (água, suco e café) quase derrubasse a bandeja enquanto Celly me dirigia um olhar significativo.
Abandono minha postura displicente prestando atenção a resposta, o tom cuidadoso dele me deixando ainda mais alerta.
—Este projeto ainda está na fase de estudos – afirma, parecendo desconfortável – Há muita coisa ainda a ser estudada, avaliada para que possamos ...
—Por que então nos apresentou o projeto na reunião passada? – questiona outro diretor.
—Malcom, assim como nós, estamos empolgados com o projeto, por isso se adiantou – Robert intervém – Realmente ainda existe muito a ser estudado avaliado, pesquisado antes que possamos partir para a construção propriamente dita.
—Um resort urbano? Me parece algo bem interessante – Thea comenta – Aonde seria? Digo, em qual parte de Starling já que precisa de uma área relativamente grande, a não ser que seja algo pequeno....
—Isso não é mesmo senhorita – uma das diretoras a corta, voltando-se para meu parecendo estressada – Sabem minha opinião a respeito desse projeto Malcom. Não gosto da ideia de mexer com milhares de pessoas. Aquele lugar já é um vespeiro natural. Mexer ali é confusão na certa – alerta, fazendo uma luz de alerta acender em meu cérebro.
—Concordo com Allena – outro homem, um ruivo baixo, se posiciona – Se quisermos investir em um resort urbano deveríamos procurar outro local ou quem sabe fazermos em Central City, onde certamente teríamos bem menos problemas – pondera, uma pequena discussão tendo início.
Levanto-me, tentando (e falhando) sair sem ser percebido.
—Thomas, aonde vai? Ainda não terminamos – meu pai avisa, fazendo todos se voltarem para mim.
—Desculpe pai, mas pelo visto essa discussão ainda vai demorar e minha bexiga não pode esperar tanto tempo assim – digo com voz entediada – Se me dão licença, vou ao banheiro. Sintam-se à vontade para encerar caso eu demore – acrescento, saindo sem esperar resposta.
Sigo pelos corredores tentando entender o que se passava. Sabia que Celly morava nos arredores dos Glades (havia dormido uma noite em sua casa quando batera o carro, bêbado).
—Mas o que isto tem a ver com o tal projeto? — me questiono, parando em meio ao corredor, pensativo, lembrando a fala do tal diretor – Ele disse que meu pai já tinha apresentado o projeto, logo deve haver uma maquete – pressuponho relembrando o tempo em que trabalhei ao lado de meu pai.
Mesmo tendo sido pouco tempo, aprendi algumas coisas sobre o empresário Malcom Merlyn. Ele jamais apresentava um projeto sem uma maquete. A questão era descobrir onde estava.
—A sala da presidência! – estalo os dedos, seguindo a passos largos até o local, entrando no escritório de meu pai por uma porta lateral sem que ninguém me visse.
Observo o ambiente tentando pensar como ele, imaginando um local seguro onde ninguém veria a maquete antes do tempo...Ou antes que desejasse, uma porta chamando minha atenção: o closet que mantinha ali.
Entro com cuidado, olhando a volta, tentando não mudar as coisas de lugar a fim de não denunciar minha visita, encontrando o que procurava em um compartimento secreto que descobri por acaso, admito, ao pressionar o tampo de um móvel, escutando um estalo seco.
Abro-o fazendo uma espécie de prancha deslizar expondo a imensa maquete. Observo-a atentamente, um calafrio percorrendo minha espinha ao reconhecer o desenho como sendo a região dos Glades. Todo ele.
—Um resort nos Glades? – questiono, confuso, a realidade me atingindo como um raio – Não nos, mas sobre os Glades... Ele quer destruir o bairro inteiro! – me assombro, um ruído do lado de fora chamando minha atenção.
Rapidamente, saco meu celular tirando o máximo de fotos que consigo, saindo antes de ser flagrado, retornando à sala no exato momento em que encerravam a reunião.
Me despeço de meu pai e dos Queen, Thea avisando que acompanharia os pais. Não posso deixar de notar seu entusiasmo, o que me preocupa, deixando um recado ao passar por Celly.
—Darei um jeito de impedi-lo – aviso, olhando dentro de seus olhos, apertando firme sua mão antes de sair.
Enquanto desço, ligo primeiro para Oliver avisando da chegada dos rapazes, pedindo que avisasse Ray e Eddie, marcando um encontro na Verdant, em seguida para os rapazes lhes passando o endereço da boate, para onde sigo.
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Oliver Queen (12:15 p.m)
Desço do carro no estacionamento da boate ao mesmo tempo em que outros dois carros se aproximam seguidos por uma moto, sorrindo ao reconhecer meus camaradas.
—Se tivéssemos combinado não daria tão certo! – Jay exclama, vindo até mim, apertando minha mão – Capitão, como está? – pergunta.
—Ansioso e curioso para saber o resultado da investigação de vocês – admito, vendo Ray, Mouse e Eddie trocando cumprimentos antes de virem até onde estou.
—Oh captain, my captain! – Mouse brinca, batendo continência a minha frente.
—Como está rato!? – devolvo, ele rindo com o canto da boca.
—Animado – diz, o que deixa a mim e Ray preocupados já que para Mouse ânimo quase sempre é sinal de encrenca. E da grossa – O tenente já chegou? – pergunta, todos olhando a volta, visualizando o carro de Tommy parado alguns metros de onde estamos.
—Vamos entrar – convido caminhando em direção a entrada da boate com eles logo atrás, encontrando Tommy por trás do balcão servindo-se de uma bebida, tomando-a de um só gole, parecendo ainda mais tenso do que na noite do jantar – Tommy, tudo bem? – pergunto, chamando sua atenção.
—Não deve estar, já que é a segunda garrafa que “derruba” em menos de meia hora – Roy, nosso DJ avisa – Estou indo boss. Chegarei cinco minutos mais cedo, como combinamos – avisa, fazendo menção de sair, Tommy o detendo momentaneamente.
—Não esqueça de ver aquilo que lhe pedi – pede, ele acenando afirmativamente, cumprimentando-nos com um aceno ao passar – Então Mouse, tem boas ou más noticias para mim? – questiona, servindo-se de mais um drink.
—Melhor pegar leve Tommy – aconselho, apoiando-me ao balcão.
—Quando te contar as novidades, vai querer se juntar a mim, acredite – avisa, esvaziando o copo mais uma vez.
—Mais novidades? – pergunto, ele confirmando com um aceno.
—Você vai adorar quando te contar! – ironiza, me deixando preocupado – Mas antes quero saber o quanto aquele pervertido anda vendo e principalmente quando o pegaremos – diz, voltando-se para Mouse.
—Pergunta: qual pervertido? – Eddie quer saber, erguendo a mão, nos olhando confuso.
—Resumo breve: tem um maluco que pôs câmeras no apartamento de Tommy, no meu, anda nos filmando em momentos íntimos, e agora resolveu brincar de gato e rato, sem ofensas, nos enviando um vídeo junto com um texto provocativo – Ray fala de um folego só, voltando-se para Tommy repentinamente – Não recebeu nenhum vídeo novo, recebeu? – questiona.
—Não – Tommy garante – Novidades Mouse! – repete, estalando os dedos.
—Estamos tensos não! – Mouse comenta, sentando em uma das mesas, acenando para que fizéssemos o mesmo, Ray precisando arrastar Eddie visto que ficara paralisado ante seu relato.
—Diga que tem boas notícias, por favor – Ray pede, puxando uma cadeira para si.
—Bem que gostaria sarge, mas infelizmente só tenho notícias não muito boas, ruins e muito ruins – revela, respirando fundo antes de prosseguir – Pra começar, tenente, em seu apartamento as câmeras não estão restritas ao banheiro. Estão em vários cômodos como quarto e sala. Só não capturei o sinal na cozinha e varanda, porém os pontos da sala são suficientes para cobrirem praticamente toda área, ou seja, deve ter um ângulo que proporcione uma visão ao menos parcial dos dois ambientes – conta, fazendo meu amigo cerrar os punhos, socando a mesa com força.
—Tommy, calma! – peço, segurando-o, impedindo que levantasse – Se ele descobriu as câmeras, certamente deve ter descoberto quem as instalou, não é? – interrogo, arqueando a sobrancelha diante de sua expressão sem graça – Me diz que temos como saber quem é esse cretino!
—Essa é a notícia ruim – diz, erguendo o dedo, rindo sem graça, Jay intervindo.
—Por mais que tentássemos não conseguimos descobrir de onde o sinal parte – avisa – O sinal fica rebatendo além da interferência do sinal das câmeras de segurança, as visíveis e autorizadas pelos condôminos.
—Na minha língua sargento – peço.
—Que dizer que pode estar vindo de qualquer parte, dentro ou fora do condomínio – Ray esclarece, recostando-se a cadeira, massageando as têmporas –O mesmo que aconteceu comigo.
—Se soubesse que esbarraria no mesmo ponto que Ray não teria perdido três semanas! – Tommy esbraveja, irritado – Estamos no mesmo ponto de antes, ou seja, nada de saber quem é o pervertido que está nos filmando.
—Eu disse que não havia descoberto, e não que ao poderia fazê-lo – Mouse rebate de imediato – Apenas não será tão simples como pensei. A coisa é mais sofisticada e maior do que esperava...O que me leva as notícias mais ruins – fala, olhando de Tommy para mim e depois para Ray, e de volta para mim de novo – Captei diversos sinais idênticos ao encontrado em seu apartamento tenente...Por todo o condomínio...Nos três edifícios – diz devagar.
—Como assim ? – questiono, tenso.
—Depois que saímos do apartamento do tenente, fomos ao do sarge – Jay começa dizer – Acontece que não sabíamos o número e o rapaz na portaria nos mandou ao apartamento errado. Começamos a fazer a varredura encontrando os mesmos sinais que no seu – aponta para Tommy – Ai o dono chegou e tivemos que fingir que éramos de uma firma de dedetização saindo de fininho...
—Por causa disto, decidimos dar uma verificada no edifício onde mora cap. – Mouse prossegue – Dissemos que éramos da tv a cabo e tínhamos vindo verificar uma falha de instalação, o porteiro liberando nossa entrada depois de falar com sua noiva....A propósito, parabéns, é uma gata, com todo respeito! – ergue a mão para mim e rio com o canto da boca.
—O mesmo tipo de sinal também está presente em seu apartamento – Jay completa, elevando minha tensão.
—E por que Oliver não recebeu nenhum vídeo ainda? – Eddie se antecipa.
—Me perguntava o mesmo – Tommy diz, cruzando os braços – Por que eu e Ray ...
-Poder ser algum tipo de perseguição? – Eddie pergunta, interrompendo-o -Mesmo vocês dizendo que existem outros sinais, os únicos a receberem vídeos foram Tommy e Ray, ambos Rangers. Se nos próximos dias Oliver receber algo, pode caracterizar algum tipo de perseguição, ou ameaça – conjectura.
—Não me prenderia a isso tenente – Jay diz, massageando o queixo – Além do mais, até onde sabemos ele pode ter enviado vídeos a outras pessoas e não sabermos já que não é algo que se comente ou reclame numa reunião de condomínio – exemplifica.
—Espera, quer dizer que esse ....cretino, pode estar filmando outras pessoas? – interrogo, Tommy socando a mesa mais uma vez, nos assustando.
—Cait....Ele pode estar filmando Cait!!! – exclama, irritando-se mais ao ver nossos amigos acenarem afirmativamente – Miserável, filho da...- desta vez não consigo impedi-lo levantar, todos nós fazendo o mesmo – Eu vou matar esse infeliz! – ameaça, furioso.
—Tommy, precisa ter calma – peço, encarando-o – Sei que não é fácil diante da situação, mas precisamos agir com cautela e prudência. Não podemos correr o risco de que se irrite e solte esses vídeos na rede – lembro, me voltando para os rapazes – Em quanto tempo acha que consegue descobrir a origem do sinal Mouse?
—Honestamente capitão, não poderia lhe dar uma data precisa neste momento. Preciso primeiro separar e isolar o sinal para então descobrir sua origem – explica, Tommy o interrompendo.
—Então comece a fazê-lo – ordena, desculpando-se em seguida – Desculpe Mouse, não tem obrigação nenhuma em fazer isso. Não se trata de uma missão oficial.
—Não. É pessoal tenente – afirma ele – Perseguição ou não, esse sujeito mexeu com as pessoas erradas. Ninguém ameaça um Ranger direta ou indiretamente e sai impune. Pode demorar o tempo que for, só vou sossegar quando entregar esse pervertido de bandeja nas suas mãos – garante.
—Acho que esse fulano vai se arrepender do dia que nasceu! – Eddie exclama, sentando-se, pondo as pernas sobre a mesa, as mãos entrelaçadas atrás da cabeça – Agora que decretamos o inicio do fim do nosso amigo misterioso, que tal comermos algo? Estou varado de fome! – sugere, e balanço a cabeça negativamente, rindo.
—Só você para pensar em comida numa hora dessas Thawne – digo.
—Saco vazio não para em pé Ollie. Além do mais, raciocínio melhor de barriga cheia – afirma.
—Desde quando loiro raciocina? – Jay o provoca, derrubando suas pernas.
— Está certo, pra variar um pouco – ironizo, me voltando para Tommy – Vamos indo, eu pago – proponho.
—Ainda tenho algo a te contar – relembra.
—Pode fazer isto durante o almoço – sugiro.
—Acho que vai perder o apetite – avisa, pendurando o blazer sobre os ombros – Eu perdi – afirma, caminhando em direção a saída.
—O que pode ser mais ruim do que ser espionado dentro de sua própria casa? – Ray questiona, a resposta nos sendo dada durante o almoço quando Tommy revela os planos do pai para os Glades.
—Alguma chance desse projeto ir adiante? – questiono-o, tão irritado quanto ele.
—Em se tratando de meu pai, tudo é possível – responde, amargo – Ainda não entendi qual o interesse em reconhecer Thea e liberar meus bens – declara.
—Só nos resta ficar atentos e agir na hora certa – afirmo, respirando fundo.
Ao final, combinamos de nos encontrar no dia seguinte na Verdant a fim montarmos uma estratégia de ação no que se refere ao stalker, seguindo em direções opostas. Enquanto Tommy retorna a Verdant, Ray, Eddie e os rapazes vão a Palmer Tech a fim de providenciar alguns “brinquedinhos” novos para Mouse.
Quanto a mim, decido fazer uma visita a QC.
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“....Give me one more chance, to give my love to you;
‘Cause no one on this Earth loves you like I do;
Tell me...”
Restaurante Ippon (20:49 p.m)
Cait
Desço do Uber com onze minutos de antecedência, arrumando roupa e cabelo.
Havia conseguido sair um pouco antes do termino do plantão conseguindo ir em casa tomar um banho e me trocar antes de ir ao encontro de Thomas.
Subo os poucos degraus da entrada sentido as pernas bambas.
—Não seja ridícula Cait. Está parecendo uma colegial em é seu primeiro encontro! – admoesto-me baixinho, parando a porta, sorrindo para a host do lugar – Boa noite – cumprimento-a, a voz grave e familiar de Thomas soando as minhas costas ao mesmo tempo em que sua mão toca minhas costas nuas provocando arrepios.
—Boa noite, reserva para dois em nome de Thomas Merlyn – diz, inclinando-se – Está linda! – elogia junto a meu ouvido, provocando mais arrepios.
—Obrigada – agradeço, sentindo meu rosto esquentar.
—Por aqui, por favor – convida a moça, indicando o interior do restaurante, nos conduzindo a uma mesa num dos cantos, discreta – Desejam beber algo antes de pedir? – pergunta, nos entregando os menus.
—Saquê – Tommy pede – Me acompanha? – indaga, olhando em meus olhos.
—Sim – anuo, presa ao azul intenso, estremecendo ao sentir sua mão segurando a minha, levando-a boca num beijo casto, me olhando de forma tão intensa que sinto o ar me faltar.
Durante longos minutos permanecemos em silencio, apenas nos olhando, nossos dedos entrelaçados.
—Como foi seu dia? – quebro o silencio, estremecendo ante novo beijo.
—Aborrecido – responde sem entrar em maiores detalhes, brincando com meus dedos – E o seu?
—Cansativo – assumo, retendo o ar quando suga meus dedos um a um lentamente – Thomas ...podem no...ver – sopro, sentindo meu centro pulsar.
—Sabe o que mais gosto neste lugar? – questiona, ele mesmo respondendo – A privacidade. Notou os biombos? – nova pergunta e balanço a cabeça negativamente, incapaz de falar – Posso pedir que os fechem nos dando total privacidade – afirma e olho a volta, atestando a veracidade de sua informação. Nunca tinha ido ao lugar antes. Apenas ouvira falar – Posso pedir? – questiona assim que o garçom chega trazendo nossas bebidas.
—Uhum – anuo, o sorriso em seu rosto me deixando ainda mais vermelha.
—Vamos pedir agora – avisa ele, abrindo o cardápio, fazendo seu pedido, aguardando-me fazer o mesmo – Por favor, nos dê mais privacidade – pede, o jovem fazendo um rápida mesura antes de soltar uma espécie de trava, puxando a estrutura de bamboo recoberta com tecido de seda (acho) na cor preta, formando um pequeno nicho só nosso.
—Como farão para entregar o pedido? – questiono, fechando os olhos ao sentir seus lábios em meu ombro nu ao mesmo tempo que as mãos envolvem minha cintura, puxando-me para mais perto.
—Não se preocupe com isso Cait – pede, deslizando a boca por meu pescoço e queixo até tomar minha boca num beijo saudoso – Como senti sua falta meu amor! – murmura em meu ouvido, mordendo o lóbulo.
—Também senti a sua – admito, enroscando os dedos em seu cabelo, fazendo uma careta quando a barba rala roça minha pele – Thomas! – sopro, ofegante a medida em que suas caricias avançam, as mãos passeando por meu corpo, ávidas.
Me inclino praticamente deitando sobre o banco estofado em formato de meia lua, encaixando-o a meu corpo, puxando-o para um novo beijo o qual cessamos apenas ao escutar o discreto limpar de garganta do lado de fora anunciando a chegada de nossos pedidos.
Sento rápido enquanto ele libera a entrado do garçom, este deixando nossos pratos com rapidez, retirando-se assim que termina.
O jantar (regado a saquê e beijos) é simplesmente maravilhoso. A comida, a música ao redor criando uma atmosfera ao mesmo tempo romântica e erótica me fazendo esquecer que estávamos num local público, protegidos apenas pelo frágil biombo.
Me obrigo a conter suas investidas cada vez mais ousadas a fim e evitar uma situação constrangedora, agradecendo mentalmente quando seu celular toca insistentemente.
—Droga! – xinga, interrompendo as caricias, atendendo-o – Melhor que seja um caso de vida ou morte Harper! – diz me fazendo rir – Oliver não pode resolver isso? – pergunta, bufando – E quanto a Thea? – indaga, passando a mão pelo cabelo irritado – Ok, já estou indo – avisa, desligando – Tenho que ir a Verdant – informa, emedando – Quer me acompanhar?
—Uhum...Sim – concordo vendo seu rosto se iluminar.
—Ótimo! – vibra, sentando-se, me ajudando a fazer o mesmo, aguardando me recompor para chamar o garçom, solicitando a conta.
Saímos direto para a boate, onde me conduz a área vip, deixando-me em uma mesa discreta, retornando meia hora depois bastante suado.
—Uma das válvulas da tubulação de ar estava emperrada. A parte da adega e cozinha estavam um verdadeiro forno – explica, despindo o blazer, a camisa aberta atraindo minha atenção.
—Conseguiram resolver? – pergunto, vendo-o acenar pedindo uma bebida.
—Por hoje. Amanhã terei que ver o tamanho do estrago e providenciar o concerto definitivo – conta – O mesmo que ela está tomando – pede, a jovem garçonete acenando positivamente – Desculpe por isso. Prometo compensar no próximo jantar.
—Só no próximo? – indago, sorvendo um pouco da bebida pelo canudo, correndo os olhos por seu corpo de forma lasciva – Terei que esperar mais três semanas? – reclamo, mordendo o lábio inferior.
—Não...- afirma, vencendo a curta distância a nos separar, me tomando em seus braços num beijo selvagem, quase bruto, me fazendo derrubar a bebida sobre nós.
—Desculpa – peço, ofegante, o rosto queimando de vergonha e desejo – Sou uma desastrada! – exclamo.
—Sem problema – afirma, me pegando de surpresa ao levantar, levando-me consigo, recusando o drink que pedira, me conduzindo por uma escadaria lateral ao bar.
—Onde estamos indo Thomas? – pergunto quando chegamos ao topo seguindo por um corredor estreito e pouco iluminado.
—Escritório – responde, abrindo uma porta perto ao final do corredor onde entramos.
Mal fecha a porta, me toma em seus braços novamente, beijando-me com ainda mais ardor, me guiando até um sofá onde deitamos.
—Cait, senti tanto sua falta. Estava quase enlouquecendo! – declara com voz rouca, a boca colada a minha.
—Também senti sua falta – admito, ofegante, abrindo os botões de sua camisa desajeitadamente, arrancando o restante, impaciente, gemendo de prazer ao tocar sua pele quente sob minha mão – Quero você Tommy! Sentir sua pele contra a minha sem nenhuma barreira – sussurro, febril de desejo – Quero te sentir inteiro em mim... dentro de mim! – peço, ajudando-o a despir a camisa, depois a calça e por ultimo a box, devorando-o com os olhos sem nenhum pudor.
Ergo os braços ao sentir suas mãos roçando a parte interna de minhas pernas, segurando a barra do vestido, erguendo-o lentamente, cobrindo de beijos cada parte exposta, retirando-o por completo, sutiã e calcinha tendo o mesmo destino rapidamente.
—Linda! – elogia, fazendo o mesmo que fizera segundos atrás, encaixando seu corpo entre minhas pernas, a urgência eliminando as preliminares, me penetrando numa estocada forte, firme, um gemido gutural escapando de meus lábios ao me sentir preenchida por ele – Eu te amo Cait – murmura, tomando minha boca enquanto investe novamente, indo mais fundo dentro de mim.
Me agarro a seu corpo cravando as unhas em suas costas, gemendo cada vez mais alto a medida em que aumenta o ritmo, meu corpo deslizando sobre o tecido macio, sacudido por espasmos maiores até gozarmos juntos, nos aquietando alguns minutos antes de recomeçarmos tudo de novo.
“... The words to say;
The road to take;
To find a way back to your heart;
What can I do
To get to you;
And find a way back to your heart...”
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Apartamento Oliver e Felicity (23:50 p.m)
Felicity
—Amor, atende ai. Deve ser o jantar que pedi – Oliver grita do banheiro me fazendo largar o computador sobre o sofá, bufando.
Precisava alardear para o prédio todo que havia, mais uma vez, falhado ao tentar lhe preparar um jantar surpresa?
Ele havia passado praticamente o dia inteiro fora, chegara visivelmente estressado e mesmo assim fora um doce (reconheço) ao tentar engolir a gororoba que preparei no intuito de nos propiciar um jantar romântico...Que quase acabou no hospital visto que o fizera vomitar quase que instantaneamente após a segunda (já disse que ele foi um doce?) garfada.
Como não queria obriga-lo a ir para a cozinha por minha incompetência ( o que me fez prometer a mim mesma que iria entrar numa dessas aulas de culinária básica sem falta no dia seguinte!), acabamos ordenando nosso jantar num restaurante chinês que fica próximo ao condomínio e entrega vinte e quatro horas...Ou quase.
—Um segundo – peço ante o terceiro toque da campainha, pegando o dinheiro em minha bolsa (meu erro, eu pagaria!) caminhando até a porta, abrindo-a já me desculpando – Desculpe a demora. Estava pegando o paga....Mento – balbucio, surpresa ante a mulher parada a minha frente, sorriso aberto, o rapaz da entrega a olhando deslumbrado.
—Então, não vai dizer nada? – pergunta, me encarando de volta.
— Mãe? O que está fazendo aqui?

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