Notas iniciais
Olá flores!! Este capitulo deveria ter sido postado ontem, mas simplesmente não rolou. Não sei o que houve mas todas as vezes que tentei não deu certo. Por aqui, o pessoal ganha um novo líder, novos planos são traçados e uma ameaça antiga se torna realidade. Grata por todas as rewiews passadas; Aguardo mais rewiews, please; Boa leitura; Bjinhos flores. P.S : não mês estendi muito porque to ansiosa. Tomara que agora vá!!

“A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega;

No momento em que eu queria ver;

O segundo que antecede o beijo;

A palavra que destrói o amor;

Quando tudo ainda estava inteiro;

No instante em que desmoronou;

Palavras duras em voz de veludo;

E tudo muda, adeus velho mundo;

Há um segundo tudo estava em paz...”

Cuide Bem Do Seu Amor

Os Paralamas do Sucesso

Bangalô na propriedade Merlyn (quarta-feira, 1/3 – 8:22 a.m)

Caitlin

Estico os braços me espreguiçando manhosamente, sorrindo ao escutar Thomas assobiando uma melodia animada enquanto está no chuveiro.

Havíamos acordado bem cedo, mas de comum acordo decidíramos ficar na cama mais um pouco, desfrutando da companhia um do outro, aonde permaneço, deitada de bruços agarrada a seu travesseiro, sentindo seu cheiro.

Desde domingo mal punha os pés fora do bangalô. Na verdade, mal punha os pés no chão! Até mesmo na hora de tomar banho Thomas me carregava nos braços, pondo-me no solo apenas dentro da banheira. Ajudava até mesmo na hora de me vestir.

Exagero? Pode ser e cheguei a me irritar um pouco com tal atitude, mas, quando na noite de segunda voltei a sentir um desconforto leve ao fazer um esforço mínimo na tentativa de vestir uma jeans um pouco mais justa, parei de reclamar. Não houve sangramento nem nada, mas por conta disto não fui a consulta com a Nutricionista e “ganhei” um dia a mais de repouso absoluto. Absoluto mesmo!!

E qual não foi minha surpresa quando, após o almoço, Thomas apareceu no bangalô trazendo Thaise, a Nutricionista que trabalha no hospital, a tiracolo para uma consulta particular. Aliás, aquela foi a única refeição que não fizemos juntos ontem. Após o café da manhã ele saiu para cumprir alguns compromissos de trabalho e salvo este breve momento em que a trouxera, só voltamos a nos falar a noitinha, no jantar (já seguindo a dieta prescrita).

Felicity, Thea, Sara e Amy Lee vieram me fazer companhia no meio da manhã e acabaram ficando pelo resto do dia, almoçando e lanchando comigo. Confesso ter ficado impressionada com a inteligência e criatividade de Amy. Não negava os genes herdados de minha prima tampouco os herdados de Thomas. Sabia usar seu charme para nos fazer exatamente o que queria, a danadinha!.

Usando algumas coisas que Thea comprara para ela, criou bonecos e diversos outros brinquedos artesanais incluindo um telefone sem fio, ( o qual esta adulta aqui fez bastante uso já que não me deixavam pôr o pé no chão para nada!) Passei praticamente o tempo inteiro sentada ou deitada na espreguiçadeira, Lissy a meu lado, rindo e observando a bagunça feita pela menina juntamente com a Queen mais nova e meus pets (os quatro vieram visitar a mãe, finalmente).

—Quer que prepare seu banho? – escuto ao mesmo tempo em que sinto as gotas de água fria caírem em minhas costas, grudando o tecido o tecido fino da camisola a meu corpo.

—Humm... agora não. Acho que vou ficar mais um pouco aqui – declino, arrepiando-me ao senti-lo esfregar o queixo em meu pescoço, a barba rala fazendo cócegas – Já disse o quanto essa barba te deixa sexy? – pergunto – Mais sexy! – me corrijo, escutando-o rir sem interromper a carícia.

Estava sendo a parte mais dura e difícil para nós dois: não poder transar. Zero de sexo desde a noite/madrugada do sábado. Já ouvira falar que algumas mulheres perdiam a libido durante a gravidez enquanto em outras o desejo sexual se mantinha ou aumentavam. Não tenho dúvidas de me encaixar no segundo caso!

—Hoje ainda não – responde com voz rouca, colando cuidadosamente seu corpo ao meu, usando os braços para sustentar o próprio peso – Saudade de beijar seu corpo inteiro.... de te amar....- murmura, distribuindo beijos por minha coluna, rolando para o lado com um suspiro alto – Melhor parar por aqui ou deste jeito quem vai precisar de cuidados serei eu!! – resmunga e rio, me pondo sobre ele como fizera a pouco, sentando sobre seu quadril.

—Exagerado! – exclamo, deslizando as mãos por seu peito, enroscando os dedos na pelagem negra, adorando ver a pele arrepiar-se com a carícia.

—Cait, não me torture assim ou nossos filhos correm o risco de virem ao mundo sem pai! – exagera e rio mais, suspirando ao sentir sua ereção evidenciando-se sob a toalha – Amor, falo sério!! Assim vai me fazer enfartar – reclama, gemendo quando começo a beijar seu corpo a partir do pescoço — Cait!! – geme, a voz ainda mais grave pelo desejo.

Ignoro seus protestos, seguindo meu “caminho”, detendo-me um segundo na barreira formada pela toalha. Ergo o olhar sorrindo satisfeita ao vê-lo de olhos fechados, a respiração tornando-se mais pesada e entrecortada quando solto a toalha, abrindo-a, expondo sua nudez.

Só porque não podíamos transar, não significava que não necessariamente não dar prazer um ao outro. Ou, no caso, eu lhe dar prazer.

Ponho meu cabelo de lado, preso detrás da orelha, voltando a beijar-lhe o abdômen, mordiscando a pele aqui e ali, sentindo-o retesar-se ao passar a língua por toda extensão de sua virilha, primeiro de um lado, depois do outro enquanto minhas mãos acariciam suas coxas e lateral da bunda, cravando as unhas na carne firme. Sorrio novamente ao escutá-lo praguejar, fazendo menção escapar a prisão que lhe impusera, aquietando-se quando beijo a cabeça vermelha de seu membro rijo, completamente ereto. Um gemido alto e rouco, quase um urro, escapa por seus lábios quando o coloco em minha boca, iniciando movimentos lentos e ritmados de vai e vem.

Se estava excitada mesmo sabendo ser arriscado? Evidente que sim! Mas ainda assim não iria parar. Seria maldade com ele e comigo também, por isso me esforço em dobro, controlando minha respiração e meu desejo em senti-lo dentro de mim, me concentrando em lhe dar o máximo de prazer que conseguisse.

Mais alguns minutos e sinto o gosto de seu líquido quente invadir minha boca, escorrendo parcialmente pela garganta e canto dos lábios. Retiro seu membro, ainda ereto, de minha boca, passando a tarefa de lhe proporcionar mais alguns minutos de prazer a minhas mãos, massageando-o até o fazer gozar novamente, o jato forte atingindo meu colo e seios, escorrendo por meu corpo, umedecendo a camisola. Me deito sobre ele sem nada dizer, satisfeita em saber que estava feliz, nossos corações batendo no mesmo ritmo, nossa respiração voltando a normalidade aos poucos.

—Você é maravilhosa Cait – elogia, beijando o topo de minha cabeça enquanto afaga meu cabelo – Agora estou em dívida contigo – diz e rio baixinho.

—Não me deve nada, mas se ainda assim se considerar em dívida e quiser pagar, aceito de bom grado! – brinco, sentindo seu peito vibrar com o riso divertido.

—Bom, posso pagar uma parte agora mesmo – declara e antes que pudesse questionar como, inverte nossas posição para logo em seguida me pôr nos braços – Precisa de um banho – avalia, me conduzindo ao banheiro.

Lá dentro, me despe, como tem feito nos últimos dias, liga a ducha me banhando carinhosamente. Trocamos alguns beijos e mais caricias dentro do limite suportável para ambos, dando por encerrado o banho antes que perdêssemos o controle.

Saímos do box abraçados, separando-nos para vestir os roupões, saindo do banheiro de mãos dadas.

—Te amo cada dia mais, sabia doutora?! – afirma, mordendo, de leve, a ponta de meu nariz.

—Digo o mesmo Thomas – retribuo, ficando na ponta dos pés para beijá-lo, a batida curta na porta quebrando o clima que nos envolvia.

‘Senhor Thomas, senhorita Snow, sou eu, Liza. Estão acordados?’ a babá de Emiko pergunta.

—Estamos Liza – Thomas responde, sem me soltar.

‘Dona Isabel quer saber se querem que traga o café da manhã no bangalô’

—Não precisa, já estamos indo. Em cinco minutos chegamos – aviso.

‘Certo, senhorita’ responde ela, indo, a julgar pelo silêncio, embora.

—Cinco minutos?? – Thomas inquere, piscando.

—Cinco sim senhor – reforço, o empurrando delicadamente – Já abusei demais da boa vontade e hospitalidade de seu pai e sua madrasta, que por sinal vem a ser minha chefa – lembro, caminhando até o guarda roupa, vendo-o, pelo canto do olho, se atirar sobre o colchão – Thomas, falo sério. Levante e venha se arrumar – ralho, vasculhando minhas roupas a procura de algo para usar.

—Bem que podíamos comer aqui, só nós dois – resmunga, levantando-se.

—Nem pensar! Acabei de dizer que não quero abusar – reitero, examinando as dele – Qual o horário Isabel disse que seria a reinauguração da clínica? – pergunto, mordendo a unha do dedão.

—As três e meia, mas ela quer que cheguemos um pouco antes, não sei porque. Você não vai fazer nada mesmo – avisa, vindo até mim, envolvendo-me pela cintura e colando a boca em minha nuca.

—Não vou fazer esforço, mas lógico que posso ajudar a recepcionar as pessoas -rebato, encolhendo o ombro ao sentir cócegas. Sabia qual a razão de Isabel nos querer, Thomas, seu pai e eu, mais cedo que os demais convidados, mas não podia falar– Vai sair agora pela manhã? – pergunto, estapeando sua mão – Tommy, pare! Falei cinco minutos e serão cinco minutos – reforço, escutando-o rir gostoso.

—Já reparou que é a única a me chamar de Tommy quando quer ralhar comigo? – questiona e franzo o cenho, virando o rosto de lado a fim de ver-lhe o seu.

—Faço isso? – devolvo, duvidosa.

—Faz – confirma, rindo ante a careta que faço – Mas gosto porque te diferencia dos demais, embora não precisasse já que é única pra mim. Em vários sentidos – declara, roubando um beijo.

—Pare de tentar me enrolar! – reclamo, estapeando-o – Vai sair agora pela manhã ou não? – repito.

—Vou ao condomínio ver como as coisas andam por lá, e se der tempo a Verdant – enumera, me soltando.

—Passe no meu apartamento, por favor, e pegue algumas coisas que ainda estão lá dentro, especialmente daqueles quatro traidores! – resmungo, escolhendo para ele uma jeans preta, boxe azul claro, uma camisa de cashmere também azul, num tom mais escuro, e para mim um vestido no mesmo tecido, em cor neutra, mangas longas e bolsos frontais com zíper. Não era nada sexy, mas extremamente confortável.

—Não são traidores amor. Soube que passaram horas por aqui ontem, os quatro mais Amy, Felicity, Sara e Thea — enumera, vestindo-se – Fizeram a maior bagunça pelo que me contaram. Até banho de mangueira rolou!! E por isto a senhorita estava exausta quando cheguei, não foi? – indaga em tom de reprimenda, me encarando sério.

—Não senhor!! – nego – Sua filha e irmã que fizeram bagunça. Lissy e eu apenas observamos tudo, de camarote, sentadinhas nas espreguiçadeiras – garanto, ajustando minha calcinha e top de algodão (mais confortável do que sutiã para ficar em casa), pondo o vestido – Difícil era saber quem era a mais animada: Thea ou Amy – digo, fazendo-o rir – Amy é uma fofa Thomas! Ela é inteligente, esperta, carismática, a mistura perfeita de você e Lissy – elogio, prendendo meu cabelo num rabo de cavalo – Meu amor, pega minha sandália embaixo da cama por favor – peço, colocando um pouco da colônia infantil que Lissy trouxera para mim. Estava enjoando de algumas fragrâncias. Não a dele, por sorte. Ainda – Viu os presentes que fez para os irmãozinhos? – pergunto, sentando-me na cama para calçar a sandália.

—Vi – confirma, dirigindo o olhar a mesa onde havia arrumado tudo que Amy montara com nossa ajuda – Isabel mostrou o mobile que ela fez para Emiko usando palitos de picolé– conta, arrumando o cabelo após vestir a camisa.

—Sua irmã adorou! Ficou tentando pegar e soltando gritinhos de alegria – conto, me pondo de pé a esperá-lo.

—A propósito, conseguiu falar com sua mãe? – pergunta, levantando e pegando a carteira e o celular, guardando-os nos bolsos traseiros da jeans.

—Ainda não. Ontem caiu na caixa postal todas as vezes que tentei – revelo, aceitando a mão que me estendia – Espera – peço, fazendo menção arrumar a cama.

—Deixe Cait. Só por hoje não faz mal – pede, me puxando de volta – Vai contar pra ela que já estava grávida quando foram assaltadas? – questiona, fechando a porta do bangalô após sairmos.

—Ainda não sei – assumo — Se contar vai me passar um sermão e se não, vai fazer do mesmo jeito então....- dou de ombros, passando o braço em volta de sua cintura enquanto ele põe o seu sobre meus ombros.

—Aposto que ela vai encontrar uma maneira de me culpar – resmunga.

—Por que cismou que minha mãe não gostou de você meu amor? – questiono-o, espremendo os lábios para não rir.

—Talvez por ela ter passado todo o tempo me comparando com seu ex? – devolve – E pior: eu perdi todas as vezes – acresce, fazendo um biquinho charmoso.

—Se servir de consolo, ela também implicou com Ronnie quando começamos a namorar – revelo, rindo da careta cômica que faz, o assobio fino precedendo os latidos nos fazendo estancar e nos voltar para ver Lissy, Oliver e Amy caminhando em nossa direção juntamente com meus pugs (Amy e os pugs correndo, melhor dizendo!), os dois últimos nos alcançando segundos antes que a filha de Thomas e Lissy – Olá meu amores! – exclamo, me agachando para afagá-los, ganhando um abraço apertado de Amy Lee – Bom dia bonequinha. Dormiu bem? – pergunto, lhe dando um beijo estalado na bochecha.

—Muito tia Cait – responde, retribuindo meu gesto, esticando os braços para Thomas logo em seguida – Papai!!! – chama, ele a atendendo após me ajudar levantar.

—Bom dia minha princesinha! – Thomas diz, erguendo-a no ar, girando, provocando risos e gritinhos de euforia, Marge e Homer saltando nas pernas dele – Oi pestes. Já estava sentindo falta de vocês! – exclama, fazendo Amy se escanchar em sua cintura, afagando meus pets.

—Viu os presentes que eu fiz papai? – Amy pergunta, ansiosa.

—Vi sim princesa. Lindos. Onde aprendeu? – quer saber, beijando o rostinho afogueado pela corrida.

—Tia Keka quem ensinou – responde, ele enrugando o cenho, olhando para Oliver.

—Erica, uma das tutoras no orfanato – explica.

—Falando nisso, quando iremos até lá? Quero conhecer as tutoras da Amy e ver onde vivia – Thomas quer saber, recomeçando a caminhar em direção a casa e faço o mesmo.

—Podemos ir amanhã ou depois, caso esteja livre – Oliver sugere, seguindo-nos com Lissy.

—Na sexta fica melhor para mim – Thomas responde – Alguma novidade sobre os Chase? Não tenho dado atenção a investigação ultimamente, por motivo mais que justo – diz, me dando um selinho.

—Muito mais que justo – Oliver corrobora, abraçado a minha prima – Quanto a investigação, foi exatamente por isto que viemos. Tem algum compromisso agora pela manhã? – inquere.

—Pretendia ir ao condomínio e depois a Verdant, mas suponho que vá me fazer mudar os planos – relata meu namorado.

—Vou. O juiz nos convocou para uma reunião. Você, eu, os rapazes e, salvo engano, o detetive Lance – avisa – Quer saber a quantas anda a investigação sobre os Chase e alertar sobre a família Cruz, aliás, estou pensando em um remanejamento e também em chamar mais dois dos nossos para ajudar. John concorda com....o que foi? Viu alguma coisa? – pergunta quando Thomas estanca de repente, fazendo a mim e Felicity, retermos o ar.

Andávamos um pouco assustadas com a possibilidade em receber uma visita de qualquer um dos citados, admito.

—Não, nada. Desculpem se os assustei – pede o cenho enrugado, olhando a volta – Tá um silêncio, não tá? Como se tivesse faltando algo... ou alguém – insinua, estalando a língua – Já sei! Thea!! – exclama e suspiro, rolando os olhos com a implicância dele – Por que a baixinha não veio com vocês? – pergunta, voltando a caminhar e fazemos o mesmo.

—Depois diz ser ela que implica!! Sinceramente Tommy – ralho, bufando.

—Pois é – Lissy corrobora.

—Mas é ela quem sempre começa, por isso estranhei a calmaria. O furacão Thea Queen Merlyn não se faz presente! – brinca, fazendo Amy rir.

—Pois agora vou te fazer sentir culpado – Lissy avisa, completando antes que a questionasse – Thea está de cama. O banho de mangueira acabou provocando uma reação inesperada nela. Teve febre alta a noite toda, vomitou, reclamou de dores de cabeça e pelo corpo....

—Coitada – penalizo-me, interrompendo minha prima – Levaram-na ao hospital? – quero saber, respondendo ao aceno de Isabel e Malcom Merlyn.

—Não, mas o médico particular de mamãe estava com ela quando saímos – Oliver informa, parando próximo a mesa aonde o pai e a madrasta de Thomas se encontravam – Malcom, Isabel, bom dia – cumprimenta-os.

—Bom dia – respondem praticamente juntos.

—Thereza está melhor? – Isabel pergunta, servindo-se um pouco de café.

—Está sim, e obrigado – agradece, explicando-se ao nos ver, Thomas e eu, confusos – Acordamos de madrugada com a movimentação, Felicity e eu. Pensando se tratar de Amy, nos levantamos correndo e topamos com meus pais no corredor – conta.

—Até meus pais se levantaram – Lissy acresce.

—Como não conseguíamos baixar a febre, papai ligou para Malcom e Isabel fez a gentileza de ir até em casa aplicar uma medicação venosa. Só depois ela conseguiu dormir e nós também. Pouco, mas dormimos – completa Oliver.

—É bom ela ir fazer alguns exames. Não falei nada ontem porque além de não ser o momento, não queria deixar Moira ainda mais aflita, mas Thereza se alimenta muito mal. Não é de hoje que noto – comenta Isabel, sinalizando para nos sentarmos – Ela tem uma rotina agitada e pelo pouco que sei não toma os devidos cuidados. Ai mesmo uma simples virose pode derrubá-la – pondera ela.

—Concordo, mas Thea é teimosa e de nada adianta reclamar com ela – Oliver anui, apoiando o braço no encosto da cadeira na qual Lissy sentara-se – Que acha de irmos em seu carro Tommy? – pergunta.

—Por mim tudo bem – anui meu namorado, deixando Amy sair de seu colo para o de Malcom quando este a chama – Onde vai ser a reunião? – pergunta, servindo-se e me servindo café.

—No apartamento de Ray e Sara. É mais conveniente para ele e os rapazes – informa Oliver – Depois posso ir com você a Verdant, se quiser– se oferece.

—Lembre a ele de passar em meu apartamento por favor, Oliver. Quero que busque algumas coisas pra mim – peço, me servindo de torradas com creme de ricota.

—Lembrarei – garante-me.

—Que reunião é esta, se não importam em dizer? – Malcom pergunta, fazendo Amy rir ao morder a torrada que ela lhe oferecia com “voracidade”.

Era impressionante como ele mudava perto dela. Já até conseguia imaginá-lo com nossos filhos, todo bobo.

—Meu padrasto quer tomar algumas providências no que se refere aos casos do stalker e da família Cruz – Lissy responde.

—Neste caso, poderia participar também? – Malcom pergunta, completando – Afinal ambos os casos são de meu interesse – afirma, tranquilo.

—Não vejo problema. Tommy? – Oliver inquere.

—Por mim tudo bem – concorda, dando de ombros – Vai comigo ou em seu carro pai? – Thomas pergunta, rindo com o canto da boca ao ver Amy lambuzar o rosto de Malcom com geléia de morango.

—No seu, desde que vá voltar para cá depois porque não irei a Global hoje – condiciona, limpando-se.

—Malcom Merlyn não irá a empresa? Parem o mundo que vou descer!! – Thomas brinca, o encarando – Nunca o vi faltar um dia sequer de trabalho antes. A não ser quando....

—Seu pai merece um descanso de vez em quando e sei bem que se fosse a empresa não chegaria a tempo de participar da inauguração, e nem perca seu tempo negando! – Isabel o interrompe, voltando-se para a babá – Liza, por volta das duas e meia arrume Emiko e se arrume para estar pronta quando Malcom chegar – recomenda, dando atenção ao marido – Não se atrase ou vou ficar brava está me ouvindo senhor Merlyn? – ameaça, roubando um beijo rápido – O mesmo vale para vocês todos – aponta-nos um a um – Quero todo mundo no mínimo meia hora antes, portanto façam com que o detetive e o juiz sejam sucintos por favor – pede (ou deveria dizer ordena?), novamente não dando chance ninguém falar– Até mais tarde meu bem – despede-se, beijando-o outra vez, acenando para nós, pegando a pasta e saindo apressada.

—Isabel sendo Isabel – Malcom diz, sorridente – Vou pegar minha carteira para sairmos. Já volto bonequinha – avisa, entregando Amy no colo de Thomas, caminhando em direção ao interior da casa.

—Se alguém me dissesse, algum dia, que veria Malcom Merlyn recebendo ordens sem contestar, diria que era louco!! – Oliver comenta, balançando a cabeça negativamente.

—Vai ver a idade amoleceu o coração dele – Felicity cogita – Ou ser pai a esta altura da vida. Vai saber! – exclama minha prima.

—Vou esperar por você pronta assim ganhamos tempo, Thomas – aviso, me servindo de mais torradas e queijo.

—Certo amor – concorda, verificando a hora em seu relógio de pulso – Melhor irmos andando Ollie, ou nos atrasamos – convida – Se comporte mocinha – recomenda, beijando a bochecha da filha ao levantar-se, pondo-a em seu lugar na cadeira.

—Não se preocupe Tommy, vou ficar com Cait até vocês voltarem. Peço para trazerem as roupas que separei para mim e Amy assim ajudo-a a se arrumar e depois nos arrumamos – Lissy avisa, comendo uma generosa fatia de bolo – E a Liza pode ajudar, não é mesmo? – pergunta, a garota acenando afirmativamente.

—Claro senhorita – prontifica-se a babá.

Gostava de Liza por diversas razões. A principal porque, mesmo sendo bonita e considerar Thomas atraente (ela mesmo dissera isto em conversa comigo), não se oferecia nem fazia ceninhas provocantes em frente a ele mesmo eu não estando presente.

—Prontos? – Malcom pergunta ao retornar.

—Prontos – Thomas responde, me dando um selinho – Até mais tarde, amor. Tchau princesa – despede-se, beijo o rosto da filha antes de sair em direção a frente da casa acompanhado pelo pai e Oliver

—Eles ainda não descobriram a surpresa? – Lissy pergunta quando estão distantes.

—Que surpresa mamãe? – Amy quer saber, pegando uma fatia de bolo.

—Tia Isabel preparou algo para seu pai e seu avô lá naquele lugar onde iremos mais tarde – explica minha prima, sorrindo para a filha.

—Não, mas Thomas estranhou a insistência dela em chegarmos antes – digo, pegando a salada de frutas com aveia que me fora preparada. Fazia parte da dieta preparada por Thaise para meu café da manhã: menos gorduras, como queijos (excerto ricota), mais frutas e fibras e alimentos ricos em ferro.

—Confesso que também não entendo. Ela não vai mudar o nome agora, vai? – Felicity pondera.

—Não, mas não quer que sejam pegos de surpresa. Quer preparar os dois, entende? – indago – Isabel acha, e concordo, que ambos não iriam gostar de descobrirem apenas na hora a homenagem a Rebecca. Teme que Malcom sinta-se incomodado e se souberem antes podem optar por não estar presente no ato de descerrar a placa – completo, suspirando – Acho que os dois ficarão emocionados, não com raiva ou algo do tipo, mas....

—Em se tratando de Malcom e Tommy nada é absoluto – Lissy completa meu pensamento – Só nos resta rezar para tudo dar certo – diz, unindo as mãos.

—Pois é – anuo– Já escolheu o que vai vestir? Eu estou em dúvida – assumo.

—Cait, se vestir um saco de batatas estará linda! – elogia e rio agradecida – Já eu, com este barrigão, preciso ter cuidado para não parecer a lona de um circo! – exagera e quase engasgo.

—Não fale bobagens. Está ainda mais linda com esse barrigão!! – devolvo, afagando seu ventre instintivamente, sentindo o movimento contra a palma de minha mão – Ele é ativo, não é?

—As vezes até demais! – exclama, sorrindo maravilhada – Especialmente quando Amy e Oliver conversam com ele. Aí é uma verdadeira festa... menos para mim, evidente – resmunga, enrugando o nariz numa careta – Respondendo sua pergunta, já escolhi sim e aproveitando a deixa, vou ligar para trazerem nossas roupas e a de Oliver para cá. Assim não perdemos tempo. Quando terminarmos aqui, se quiser, te ajudo – oferece, levando o celular ao ouvido.

—Ah, quero sim – aceito, oferecendo um naco de queijo a Homer, que prontamente aceita – Manda meu desejo de melhoras a Thea e que irei visitá-la depois – peço, dando atenção a Amy, que segurava meu rosto entre suas mãos.

—Cait, meus bebês tão bem? – pergunta e rio. Ela começara a chamá-los assim e confesso amar.

—Estão sim meu bem. E vão ficar cada dia mais – afirmo, rezando intimamente para estar certa.

Com o passar dos dias, me sentia mais forte e confiante. Ainda assim, não baixaria a guarda de forma alguma.

—Pronto. Daqui a pouco minha mãe vai trazer nossas coisas pra cá e, lógico, aproveitar para te amolar um pouco – Lissy avisa, desligando.

—Amolar em que sentido? – pergunto, entre desconfiada e divertida.

—Nomes – diz, me fazendo enrugar o cenho – Ela já fez uma lista imensa de prováveis nomes para seus filhos. Desde bíblicos a esdrúxulos! Prepare os ouvidos porque tem cada um que só a misericórdia divina! – alerta e mesmo assustada, assumo, é impossível não rir – Tá rindo é? Espera até ouvir as fofuras de nomes que pensou!!– reforça.

—Mal posso esperar – brinco – Não quer me dar um exemplo? – sugiro, ela atendendo de pronto.

—Asdrubal e Andruxa! – diz, rindo alto quando faço careta – Nesse nível.

—Nossa! – exclamo, sacudindo os braços – Melhor mudarmos de assunto. Não quero perder o apetite – digo, fazendo-a rir mais, mudando o rumo da conversa para amenidades.

Durante um tempo ficamos sentadas à mesa, mesmo após a governanta haver retirado a louça do café, jogando conversa fora observando Amy brincar com Homer e Marge pelo gramado, Liza a nosso lado com Emiko dentro do carrinho. Somente quando Donna chega acompanhada por uma das empregadas dos Queen, trazendo o que Lissy pedira, saímos da mesa.

No bangalô, depois de vasculhar (literalmente!) o guarda roupas, tia Donna se dá por satisfeita ao encontrar um conjunto saia e blusa que a agradasse, me fazendo experimentar para ver como ficava, sorrindo e batendo palmas quando saio do banheiro.

—Linda!! – exclama, unindo as mãos, piscando para mim.

—E a barriguinha ainda não tá aparecendo né vovó? – Amy pergunta, pulando sobre o colchão, deixando meus pugs agitados.

—Amy não pule, filha. Está agitando os bichinhos e pode quebrar a cama – Lissy ralha, segurando a mão dela, a fazendo sentar.

—Eu não me preocuparia com isto. Se resistiu a Thomas e Cait sobre ela, resiste a qualquer coisa – minha tia solta e abro a boca, chocada.

—Mãe!!! – Lissy exclama, tapando os ouvidos de Amy – Não fale assim perto dela. Sabe que temos um pequeno papagaio aqui – alerta.

—Desculpa, esqueci – tia Donna pede, dobrando as roupas que retirara do armário – Se bem que não anda acontecendo nada aqui, não é? Pelo menos é o que espero ou sou capaz de castrar aquele sem vergonha!! – ameaça, me fazendo corar da cabeça aos pés.

—Que é castar vovó? – Amy pergunta, afastando as mechas de cabelo que entravam em sua boca de forma encantadora.

—Viu o que fez mãe!?! Agora resolva!! – Lissy bufa.

—Ops, foi mal!! – titia pede – Esqueça o que vovó disse anjinho. Ainda é muito nova para entender. Só precisa saber que se seu papai não se comportar, não for bonzinho com sua tia Cait, vovó vai por ele de castigo. Um castigo bem forte!! – arrebata.

—Mãe, para. Tá assustando a gente!! – Lissy pede, nós duas olhando-a espantadas.

—Parei – diz, erguendo as mãos, voltando a dobrar as roupas que bagunçara.

—Mudando de assunto, Cait, que acha de ir almoçar na mansão? Assim aproveita para visitar Thea. Depois voltamos pra cá e nos arrumamos – Lissy sugere.

—Acho ótimo. Aproveito para matar a saudade de meus bichanos e caminhar um pouco – anuo.

—Neste caso melhor irmos andando para que possa caminhar com calma – tia Donna sugere, fechando o armário.

—Vou avisar Liza que almoçarei lá– digo, pegando meu celular.

Ligo para a casa, aviso que almoçaria na casa dos Queen, saindo com elas após desligar.

Na mansão, Moira nos recebe com festa, me abraçando e beijando. Subimos para os quartos, encontrando Thea cercada por meus gatos, sonolenta pela medicação. Ainda assim conversamos um tempinho antes de descermos para almoçar, Robert Queen se unindo a nós (Oliver ligara avisando que não viria para o almoço, reforçando que iriam direto para a casa de Thomas quando voltassem).

Depois da refeição terminada, subo novamente, com Amy e Lissy, para o quarto de Thea, onde permanecemos até as duas da tarde, quando Lissy pede a Moira o motorista nos levar em casa a fim de não nos casarmos.

Ao chegarmos no bangalô, deixo que Lissy e Amy tomem banho primeiro, aproveitando para descansar um pouco.

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Tommy (10:00 a.m)

Abro a porta do apartamento de Cait e é como se voltasse no tempo. As lembranças da primeira noite em que estive ali me fazendo sorrir, saudoso.

Adentro o ambiente vazio (seus móveis, assim como os meus, haviam sido colocados em depósitos pagos pela construtora enquanto as reformas não terminavam), caminhando em direção ao único cômodo no qual algumas coisas ainda se encontravam dentro de caixas: a área de serviço.

Aproveitei que o juiz e Lance se atrasaram para pegar o que Cait pedira. Rapidamente, recolho as caixas onde estavam guardadas as coisas dos pets, uma com sapatos e bolsas dela e uma menor, com livros e pastas do trabalho.

—Uma pena se Cait decidir vender. Batalhou tanto para conseguir comprar seu próprio canto, com seu dinheiro e não o dos pais – escuto Sara lamentar (ela, Oliver e Ray tinham se oferecido para me ajudar) – Escolheu pessoalmente cada móvel, cada quadro, cada pequeno bibelô que pôs aqui dentro – enumera, suspirando, olhando em volta – E nem tivemos a chance de inaugurar oficialmente! – lembra.

—Ela realmente vai vender? – Ollie pergunta, se voltando para mim quando retorno à sala – E você? Também vai? – quer saber, não escondendo a tristeza que sentia.

—Eu irei. Não consigo nem pensar em entrar naquele lugar novamente – admito.

Sei que era errado e talvez até exagero, mas era como me sentia, que podia fazer? Já ali....

—Mas Cait poderia manter o dela – digo, olhando em volta – Quem sabe não mudamos para cá depois que a reforma terminar. Aliás, agora que falou, acho que vou conversar com ela sobre isto. Podemos aproveitar para fazer algumas mudanças aqui, para quando os bebês chegarem, e ficar. Gosto daqui – assumo, sorrindo saudoso novamente.

—Se quiseram ampliar, podem comprar o apartamento do lado. O proprietário vai vender – Ollie sugere.

—Pode ser – pondero, imaginando se não ficaria grande demais. Gostava de espaço, admito, mas não queria ter de usar um interfone cada vez que precisasse falar com minha esposa ou filhos....Esposa e filhos?? Uau! Quem diria que estaria pensando nisto um dia!— É, quem sabe – repito, olhando o ambiente novamente, a idéia começando a me agradar.

—Depois que as reformas terminarem, isto aqui vai ficar ótimo Tommy. Até vejo nossos filhos, os meus e os de vocês correndo pelo gramado, brincando juntos. Raymond Júnior e Sara Louise....- Ray divaga, fazendo Oliver e eu o encararmos antes de dirigir nosso olhar a Sara.

—Ray Júnior? Sara Louise? Como assim produção? – inquere a loira, levando as mãos a cintura, estreitando perigosamente os olhos, o toque do celular de Ollie livrando nosso amigo ser atirado janela afora!

—Oi? Ok, já estamos indo – avisa ele, desligando – Chegaram – diz, vindo me ajudar, Ray fazendo o mesmo, aproveitando para escapar ao olhar inquisidor de Sara.

Seguimos para a torre dois, onde nossos amigos estavam agora, encontrando-os em companhia de John, Damiem Darhk, Quentin Lance e...

—Laurel?? O que ela faz aqui? – questiono enquanto ponho a caixa que trazia sobre o balcão, Olli e Ray fazendo o mesmo.

—Ela se ofereceu para ajudar com a guarda de minha neta. Já a pus a par de tudo bem como em contato com aquele seu amigo advogado que está agilizando as coisas em Seattle, o Winchester – Darhk explica e enrugo cenho.

—O que a promotoria tem a ver com causas familiares? – interrogo, encarando-a quando se aproxima.

—Em alguns casos, tudo. No seu, especificamente falando, serei o apoio ao advogado de Seattle e caso tenha esquecido, o que me parece bastante provável, antes de ser promotora sou advogada – responde, enfiando o dedo em meu peito.

—Okay! – digo, erguendo as mãos em rendição.

—Laurel é uma excelente advogada Thomas, e não digo por ser minha filha – Quentin Lance declara, abrindo espaço para ela se sentar no sofá a seu lado.

—Não duvide, a menos que deseje escutar um discurso que irá nos fazer chegar mega, ultra, hiper atrasados a inauguração da clínica – papai cochicha quando passo por ele, indo me sentar em uma das cadeiras, perto de Jay e Mouse -Laurel poderia ir com vocês a Seattle quando forem conhecer as tutoras de minha neta – sugere e arqueio a sobrancelha.

—Nossa neta Malcom e evidente que ela irá. Iremos nós quatro, Oliver Thomas, Laurel e eu – ouço Damien dizer.

—Ok. O que nós perdemos enquanto fomos ao apartamento de Cait?? – inquiro, arqueando a sobrancelha.

—E desde quando o senhor passou a dar ordens por aqui? – Ollie pergunta, cruzando os braços.

—Desde que o senhor Diggle e eu concordamos que as investigações precisavam de um upgrade! – responde o padrasto de Felicity, erguendo o queixo desafiador – Alguém discorda? – questiona, olhando-nos um a um.

—Não os que têm juízo – Mouse cantarola, esfregando os dedos de forma frenética, gesto característico seu quando encontrou algo que procurava – Demorou, mas consegui – comemora – Senhor Merlyn, incomoda-se em ligar a televisão e sentar um pouco mais a direita? – pede.

—Claro – prontifica-se, fazendo exatamente o que meu amigo pedira.

—Ollie me belisca porque ou estou dormindo ou de alguma maneira entramos num universo paralelo! Meu pai e o detetive Lance recebendo ordens de terceiros sem contestar!?! – inquiro baixinho, abrindo os braços.

—É que não estavam aqui vinte minutos atrás!!! – Jay murmura, enfiando a cabeça entre nós – Seu pai e o detetive bem que tentaram argumentar, mas o juizão não deu chance a nenhum dos dois, ainda mais com o reforço do John – conta, rindo divertido – Chegou até ser engraçado – diz.

—E vocês não contestaram? – Ollie pergunta, surpreso com a passividade deles, especialmente o próprio Jay.

—Como Mouse bem disse a pouco: tenho juízo! – exclama Jay, o limpar de garganta de Darhk nos fazendo calar.

—Muito bem, agora que já chegamos a um consenso, vamos aos fatos. Senhor Gurwitch, assuma – ordena, Mouse fazendo uma careta gozada que nos faz espremer os lábios para não rirmos.

—Só um pedidinho: me chama assim não. Pode me chamar de Greg, Mouse, mas não pelo meu sobrenome, por favor! – pede, unindo as mãos, completando antes que pudesse rebater – Obrigado, de nada e vamos ao que interessa – diz, conectando a televisão a seu note com um toque no teclado, fotos da família Chase surgindo quase que de imediato – Para quem ainda não conhece, estes são os Chase, digo, a parte viva da família, que é o que importa para nós – apresenta, olhando em direção a Laurel – Acredito que seu pai a porá a par de como eles se tornaram os malucos de hoje em dia – comenta, esfregando as mãos – Como sabemos, a parte mais fraca, ou mais acessível, por assim dizer, dos três malucos parece ser, e eu diria de fato ser, Derek Chase, o da cadeira de rodas – especifica para Laurel, prosseguindo – Quando fizeram Mônica e eu prisioneiros ano passado, foi ele quem impediu nossa morte. A dela por lembrá-lo a irmã falecida e a minha, sei lá por quê!! – admite – Este é, ou melhor, era Isaac Barcelos, mais conhecido por nós como gorila/cão de guarda/assassino que quase conseguiu nos matar – aponta a si mesmo e a mim – Como já sabemos, alguns de nós – começa, olhando meu pai e Laurel – O senhor Barcelos era um ilegal no país, trabalhava num pet perto do condomínio e antes no Asilo em Central City. Era usuário de anabolizantes entre outras drogas – relata – O que não sabíamos e descobrimos era qual sua ligação com Adrian Chase ainda no buraco aonde ele se escondeu todos estes anos, o qual ainda não consegui descobrir posto que andou mais do que notícia ruim – comenta.

—Este é o tal que foi atropelado e morreu? – Laurel pergunta.

—O mesmo – Eddie confirma – Pulou do sétimo andar após uma luta com Tommy, comigo e Oliver, levar um tiro...

—Isto era um ser humano?? – espanta-se, apontando a tela.

—Era, só que modificado geneticamente pelas drogas que usou – acresce meu amigo – Por isto a resistência a dor.

—Nada que um caminhão não resolvesse! – Mouse faz piada de mau gosto – Foi mal – diz, erguendo uma mão ao notar nossas expressões, limpando a garganta antes de voltar a falar – Seguindo: está é Anelise Rock, também conhecida por viúva negra. Ela e os Chase se conheceram por intermédio do falecido síndico de nosso condomínio – relembra – Ela era responsável por chantagear alguns condôminos com os vídeos clandestinos. Os Chase nada tinham a ver com isto. Ela e o marido vinham tirando proveito próprio. Para Derek e o irmão, Steve, monitorar as pessoas era um prazer pessoal, uma espécie de vingança pelo que tinham passado com o tio. Quando Adrian voltou, de uma de suas muitas viagens, que as coisas parecem ter ficado estranhas e perigosas. Minha opinião pessoal: ele é o maluco mor e fez os irmãos enlouquecerem novamente – opina.

—Quanto a isto não resta a menor dúvida – John afirma – Depois que Chase regressou para junto dos irmãos, passou a controla-los e as suas ações. E apostaria que tem o dedo de Anelise também. Ela é esperta e logo deve ter percebido quem mandava ali – completa.

—De fato. Essa .... senhora, tem uma ficha tão vasta que daria para forrar o chão deste apartamento! – Quentin Lance comenta.

—Criatura adorável, pelo visto – Laurel ironiza.

—E há quantas anda a investigação detetive Lance? – pergunto.

—Estagnadas, infelizmente – resmunga – São mais escorregadios que sabonete. Já nos deparamos com dois becos sem saída no último mês...

—Por isto, decidimos envolver o restante do esquadrão nas buscas – Ollie adianta-se dizer – John e eu tomamos a liberdade de entrar em contato com o restante do grupo. Devem chegar em Starling este final de semana – avisa.

—O que não nos impede ir a Seattle agilizar as coisas no processo de minha netinha – Darhk diz, me encarando – O que me leva ao outro ponto de nossa reunião: os Cruz – diz, sinalizando a Mouse, que a um toque muda as imagens na tela – Oscar, o patriarca, Dolores, matriarca, e os filhos Raul, Ricardo, Iana e Sonja Cruz – apresenta-os, indicando um a um na tela – O patriarca comandava um esquema gigantesco de fraudes, assaltos, tráfico, inclusive humano, extorsão, chantagem a políticos e empresários, enfim, uma vasta área de atuação – enumera, me deixando espantado.

—A família gostava de diversificar – Ray comenta.

—E põe diversificar nisso! Faltou alguma contravenção para eles?? – Sara indaga.

—Tecnicamente sequestro posto que não posso acusá-los formalmente pelo de Amy Lee. Ainda – Darhk afirma, os olhos brilhando de uma forma assustadora.

—Tenho medo. Tenho muito medo! – Mouse exclama, baixinho.

—Só você!?! – Ray, Ollie e eu respondemos, Jay tapando a boca para esconder o riso.

—O que eles têm contra você? — meu pai pergunta.

—Fui um dos responsáveis pela desarticulação da maior parte destes esquemas. Não todos, infelizmente, pois tinham amigos fortes na época – relembra, bufando – Ainda assim, consegui prender os filhos, o patriarca e vários comparsas importantes ligados a família. Durante a prisão, Oscar e o filho mais velho se mataram e Ricardo foi ferido gravemente, passando a andar numa cadeira de rodas. Evidente que a matriarca me culpou pelo infortúnio de sua família e por isto ordenou essa vingança sórdida usando minha filha como alvo, coisa que sempre fizeram muito bem, diga-se de passagem – diz – Era assim que controlavam seus aliados, por assim dizer: ameaçando e até matando familiares como advertência – revela.

—Por isto foram atrás da sua. Para tentar te intimidar – conclui meu pai.

—Sim. Antes de tentarem me atingir através de felicity, tentaram o fazer por Donna, mas falharam. Acredito tenha sido ali que tenham descoberto sobre nossa neta e decidido mudar os planos – presume.

—Graças a Deus falharam, em parte – Sara comenta.

—Sim – anui ele, respirando fundo – Sei que precisarão de toda ajuda possível no caso Chase, mas pediria liberarem o senhor Halstead aqui posto que já está familiarizado com o caso – pede – Quero que ele pessoalmente volte a Massachusetts para continuar investigando o dia em que Felicity foi ferida e principalmente conseguir provas junto a Universidade e ao hospital de que minha filha não abandonou ou rejeitou a filha – justifica-se.

—Como assim rejeitou ou abandonou??? – inquiro, espantado – Ela não fez isto em momento algum – asseguro.

—Sabemos disto Thomas, mas devemos estar preparados para o caso de a família Cruz tentar usar este artificio para dificultar ou mesmo questionar a maternidade de Felicity – Laurel explica – Podem também alegar que você não desejava a criança e por isto ela teria abandonado ou doado o bebê – acresce, completando antes que eu contestasse – Sabemos que não fez isto, mas, como disse a pouco, devemos estar preparados para tudo, inclusive aparecer supostos pais adotivos para a menina – avisa.

—Acha que fariam isto juiz? – Ollie verbaliza meu questionamento.

—Vindo de Dolores Cruz, depois de ela ter ordenado a morte de Felicity, espero qualquer coisa – diz, amargo – Por isto quero que o senhor Halstead vá até lá e procure por testemunhas de que Felicity jamais abriu mão da filha. E por documentos também.

—Neste caso acho que devo ir com Jay, para o caso de precisar coletar informações de maneira pouco...usual – Ray sugere e de imediato Ollie, Jay, Mouse e eu o encaramos – O que??? Disse algo errado? – inquere.

—Disse Tudo errado meu querido!! – Laurel responde – Se pretendemos fazer as coisas corretamente, não podemos fazer uso de meios ilícitos para conseguir provas ou não poderemos utilizá-la no tribunal...

—E não vou me rebaixar aos mesmos métodos deles mesmo que para uma causa justa – Darhk acresce, o encarando sério – Faremos tudo absolutamente dentro da lei! – frisa.

—Isso mesmo Raymond. Dentro da lei – repito, estapeando sua nuca.

—Sem trapaças – Jay acresce, imitando-me.

—E hackear computadores definitivamente não está dentro da lei – Ollie diz, também o estapeando.

—Ok, já entendi – afirma nosso amigo, fazendo uma careta de dor.

—Mesmo assim, seria bom ter ajuda para investigar – Jay afirma – Dividir e conquistar certo boss?? – inquere, olhando para Dig.

—Certo – anui ele, desconfiado – Os dois juntos podem render mais – pondera.

—Se não forem fazer nada ilegal – condiciona o juíz.

—Uhum, nadinha ilegal – Ray assegura, sorridente.

—Não sei por que não acredito nisso – Lance comenta, arqueando a sobrancelha – Mas estão certos quanto a rapidez na coleta de provas – anui.

—Então ele pode ir – libera Darhk e respiro aliviado.

Evidente que, caso fosse necessário, Ray iria invadir computadores. Mas apenas se fosse necessário.

—Agora que já resolvemos tudo, podemos almoçar. Daqui duas horas tenho uma inauguração para ir não pretendo fazer isto de barriga vazia – meu pai sugere e somente então me dou conta o quão tarde era.

—De acordo. Podemos almoçar no restaurante aqui do lado e terminar os ajustes que faltam – sugere Damien.

—Ou podemos pedir comida chinesa e ficar por aqui mesmo. É mais seguro – sugiro, não querendo nos expor.

Seria melhor não sermos associados para o caso de os Cruz enviarem, como Ollie e eu imaginávamos poder acontecer, algum espião a Starling.

—Penso o mesmo – Ollie concorda, sacando o celular – Vou avisar Felicity e depois ligo para o restaurante – avisa, se afastando para fazer a ligação.

—Bom, então enquanto esperamos, podemos ver o que falta – Darhk sugere e concordamos.

Na hora seguinte, montamos as estratégias para ambos os casos, não parando nem mesmo após a refeição chegar, concluindo tudo quinze minutos antes da três da tarde.

Nos despedimos, combinando ir a Seattle na sexta pela manhã, meu pai, Oliver e eu seguindo direto para casa onde Cait, Felicity e Amy já nos aguardavam arrumadas.

Enquanto faço o mesmo, conto a Cait como fora a reunião e tudo que ficou decidido, Ollie fazendo o mesmo com Felicity (soube depois) num quarto na casa de meu pai.

—Ao menos agora temos um plano de ação – digo, admirando-a um segundo ao abrir a porta – Já disse o quanto está linda? – indago, fazendo-a sorrir.

—Já, mas pode repetir – diz, me dando um selinho.

Está linda!— repito, segurando sua mão ao caminharmos em direção a entrada, meu pai, Amy, Oliver e Felicity chegando segundos depois de nós o fazermos.

No caminho para os Glades, papai explica a minha filha o porquê do nome do bairro ser aquele e o que a clinica representara para minha mãe, deixando escapar que a surpresa não era tão surpresa assim.

—Então já sabia senhor Merlyn? – Cait pergunta, desapontada.

—Sabíamos – respondo por ele, vendo-a abrir a boca – Não fizemos por mal amor – garanto.

—Um e-mail endereçado a Isabel foi parar, por engano ou erro de alguém, na minha caixa de entrada. Pensei tratar-se de algo em comum e abri. Era uma foto do letreiro frontal. A firma queria saber se estava bom ou precisava de ajustes – papai explica – Imediatamente respondi avisando do engano e pedindo para que fosse reenviado a ela, mas sem me identificar. Contei a Thomas somente noite passada, quando chegou da boate.

—E decidimos não dizer nada a ela ou a você – acresço – Além do mais, papai recebeu o e-mail a quase um mês. O nome pode ser o mesmo, mas o visual pode ter sido modificado, portanto, ainda é surpresa. De certa forma – argumento.

—Ele tá certo – Felicity opina, arrumando o cabelo de nossa filha.

—Eu sei – Cait concorda, desanimada.

—Prometo que faremos cara de surpresa quando ela nos contar amor – digo, levando sua mão aos lábios, vendo-a sorrir novamente.

Quando chegamos, já havia muitas pessoas em frente a clínica, o que impossibilitou Isabel nos reunir antecipadamente como desejava. Após pedirmos desculpas pelo atraso, nos reunimos a ela e os demais gestores do hospital de Starling, incluindo a esposa de John, Layla, para dar início a cerimonia em si.

Praticamente todos os nossos amigos se encontravam no local, incluindo Harper, a amiga dele, Sin, Laurel, com os gêmeos, Ray e Sara e, claro, o vereador Blood. Apenas Eddie e Thea não compareceram, ela por ainda não estar se sentindo bem e ele por ter ficado lhe fazendo companhia.

Depois de alguns discursos (longos e chatos!!), Isabel toma a palavra.

—Quando idealizamos está clinica-escola, nossa primeira preocupação foi não apenas fornecer um espaço maior para os alunos dos cursos da área de saúde em geral, mas também prestar um serviço a comunidade dos Glades e adjacências – começa, emocionada – Quando a doutora Snow, aqui presente – indica Cait – Sugeriu usarmos o prédio da antiga clínica da falecida esposa de meu marido, fiquei receosa. São muitas recordações, nem todas boas, contidas aqui – lembra, me deixando tenso – Mas justamente por isto, acabei concordando. Está mais do que na hora de deixarmos o passado descansar – declara, olhando diretamente para meu pai – E nada mais justo do que prestar uma homenagem aquela que tanto amou e quis ajudar as pessoas daqui. Por isto, convido meu marido e enteado a virem a frente para cortarem a fita e descerrarem a fachada – pede, meu pai e eu atendendo-a – Fiquem à vontade para escolher qual farão primeiro – libera.

—Acho que a fachada – papai sugere e anuo com um aceno.

Juntos puxamos o fio, soltando o tecido que cobria a fachada, ficando genuinamente surpresos, não pelo nome ali contido, mas pela imagem gravada na parede lateral: uma imagem de minha mãe, corpo inteiro, ocupava toda a lateral esquerda. No alto o letreiro: Clínica Escola Rebecca Merlyn. Foi impossível não chorar.

—Obrigado – é tudo que consigo dizer, minutos depois, já no interior do lugar.

—Não há o que agradecer. Sua mãe merece – Isabel afirma, soltando o braço de meu pai para me dar um abraço e beijo no rosto, voltando a circular com ele pelas dependências.

Observo-os e a Cait, conversando com médicos e outros membros do hospital e da universidade, meu sorriso desmanchando-se gradativamente ao notar algumas pessoas apontando a mim e ela com risinhos. Enrugo o cenho, marchando em direção ao grupo formado basicamente por adolescentes, algumas fugindo ao perceberem minha aproximação.

—Algum problema por aqui? Viram algo engraçado? – pergunto, não escondendo minha irritação.

—Não, engraçado não – uma delas responde, tensa – É....Outra coisa – diz, cuidadosa, me estendendo seu celular – Recebi de um amigo algumas horas atrás, mas só vi agora. Desculpa, mas ... são vocês, não são? – pergunta, minha boca secando quando o vídeo termina de carregar e começa a ser exibido.

Ali, na tela do celular em minhas mãos, num aplicativo de vídeos na internet, as cenas de um casal transando eram exibidas com uma nitidez assombrosa. Não um casal qualquer. Erámos nós, Cait e eu, em nossa primeira noite juntos no meu apartamento.

—Filho da puta!!! – solto, apertando o aparelho com força, meu olhar buscando a mulher que amo com temor.

Devolvo o aparelho a garota sem responder sua pergunta, procurando Oliver com o olhar, vendo-o vir em minha direção, pálido como cera, um pressentimento me acometendo.

—Temos de sair daqui agora, neste instante! – declara, aflito, seu olhar dizendo mais do que qualquer palavra.

—De acordo – anuo, indo ao encontro de Cait enquanto ele vai a busca de Felicity e Amy – Com licença – peço, tirando-a do meio de uma conversa – Amor, importa-se se formos embora? Minha cabeça está explodindo – pergunto.

—Claro que não. Está bem? — preocupa-se.

—É só uma dor de cabeça. deve ser emoção — minto, em parte.

—Certo.Vou me despedir de Isabel e já saímos – avisa, indo até onde minha madrasta e meu pai estavam.

Olho em volta, ansioso, temendo mais alguém ter visto o maldito vídeo, Oliver sinalizando de longe estar de saída com Felicity, minha filha em seus braços e anuo com um aceno, seguindo-os segundos depois, quando Cait retorna.

Durante todo o trajeto, tento me manter atento ao que Cait e Felicity conversavam, mas mal as escuto, Oliver tão silencioso quanto eu.

Deixo os três na mansão e sigo para casa com Cait, agradecendo intimamente por ela ir banhar-se assim que entramos no bangalô, me deixando sozinho.

Sento na cama, pego meu celular que começara a vibrar. Sinto meus ossos gelarem ao ler o texto enviado por um número desconhecido: “ Vai se arrepender por me desafiar, soldadinho!”

“...E cada segundo, cada momento, cada instante;

É quase eterno, passa devagar;

Se o seu mundo for o mundo inteiro;

Sua vida, seu amor, seu lar;

Cuide de tudo que for verdadeiro;

Deixe tudo que não for passar;

Palavras duras em voz de veludo;

E tudo muda, adeus velho mundo;

Há um segundo tudo estava em paz;

Cuide bem do seu amor;

Seja quem for”

Notas finais
Aguardem novidades em breve! Até logo. Bjinhos flores