Invasão de Privacidade
28 How to catch a vole!
Notas iniciais
“The world can be a nasty place;
You know it, I know it, yeah;
We don’t have to fall from grace;
Put down the weapons you fight with;
And kill ‘em with kindness;
Kill ‘em with kindness;
Kill ‘em, kill ‘em, kill ‘em with kindness;
Kill ‘em with kindness;
Kill ‘em with kindness;
Go ahead, go ahead, go ahead now;
We’re running out of time;
Chansing our lies;
Everyday a small piece of you dies...;
Your lies are bullets;
Your mounth’s a gun;
And no war in anger;
Was ever won;
Put out the fire before igniting;
Next time you’re fighting...”
Kill ‘Em With Kindness
Selena Gomez
Mansão Queen (sexta-feira, 3/3 – 9:00 a.m)
Tommy
—Mas nem a pau vou sair da cidade e deixar Cait à mercê desses lunáticos!! – esbravejo, cruzando os braços, decidido.
—Olha a língua Tommy Merlin! Temos menores presentes – Laurel reclama de pronto, apontando seus gêmeos e Amy, que brincavam ali perto, sobre o gramado defronte as portas de acesso ao jardim , sob os cuidados da babá.
—E me respeite garoto! Acha que iria deixar minha sobrinha desprotegida? – Darhk protesta, me encarando com olhos gélidos.
—Acho que já provei não ser de porcelana, não acha Tommy? – Cait questiona, me encarando, levemente irritada – E não ter intenção nenhuma de me expor, colocando a mim e nossos filhos em perigo – frisa, emocionando-me.
Havia tentado esconder dela o maldito vídeo, mas foi impossível. Até porque ela sabe me lê melhor do que eu mesmo. Logo percebeu que algo me incomodava e não deu sossego até que lhe contasse. Para minha grata surpresa, reagiu melhor do que esperava. Melhor do que eu reagi.
—Sei disso meu amor. Mas este pessoal é perigoso e...
—Perigosa serei eu caso se aproximem de minhas meninas!! – Donna me interrompe, o dedo em riste – Eles que não se atrevam sequer pensar em ameaçar meus bebês! Vão descobrir do que uma mãe linda e loira é capaz – ameaça.
—Duas – ouço Moira Queen dizer e me volto, surpreso – Essa briga se tornou nossa também a partir do momento em que Thea e Oliver se envolveram e não me refiro apenas aos Chase – pontua ela, erguendo o queixo, altiva.
—Com certeza – Robert corrobora, pondo a mão no ombro da esposa.
—Acho que falo por todos os presentes ao endossar as palavras de Moira e Donna, e acrescento: ambas famílias, Diaz e Chase, não sabem com quem se meteram! – meu pai acrescenta e sinto um misto de orgulho, medo e preocupação já que nossas famílias estavam agora mais unidas do que jamais foram. Até Isabel demonstrava a mesma decisão no olhar.
—Não sei se fico feliz ou preocupado – dou voz a meu sentimento, olhando de Ollie para Dig e Darhk – Esse pessoal é perigoso pai. Muito perigoso e igualmente não me refiro apenas aos Chase – friso – Eles já deram mostras do que são capazes. Quase me mataram e a Cait mesmo cientes de que tínhamos pessoal treinado a nosso lado, nos vigiando. Podiam ter morto Felicity e Amy antes mesmo de minha filha nascer! – relembro, ganhando o reforço de Oliver.
—Tommy está certo – anui, descruzando os braços, saindo de junto da porta, aonde se encontrava apoiado, se aproximando de nós – Por mais que nos deixe alegres – aponta de si mesmo para mim – Saber que contamos com o apoio de todos, não podemos permitir que se exponham. Da mesma forma como chegaram a Tommy e Cait sem nenhuma dificuldade, podem chegar até qualquer um de vocês com a finalidade de nos atingir. Estes vídeos foram jogados na rede para mostrar exatamente isto. Não estamos seguros. Nenhum de nós. Até que estejam presos...
—Ou mortos – ouvimos e nos voltamos, deparando-nos com Adam e Kevin – E aí tenente, capitão, que mandam!? – cumprimenta o primeiro, indo ao encontro de Ollie e depois ao meu.
—Bom dia a todos e desculpem o mal jeito e a má educação de meu amigo– Kevin pede, sorrindo polidamente. Ele sempre foi o lado mais centrado da dupla.
—Chegaram mais cedo do que esperava – John comenta, apertando a mãe dele, voltando-se para Adam – Nada de mortes Ruzek. A menos que se faça necessário. Nosso objetivo aqui é capturar a todos com vida – pontua.
—Com todo respeito coronel, lemos os arquivos que nos enviou durante a viagem. Este tipo de gente não se entrega. Não vão aceitar mofar em uma prisão de forma alguma, ainda mais com a quantidade de crimes que têm nas costas – Adam rebate, coçando a barba – Não sei se captura será uma opção e falo por eles – diz.
—Desta vez estou do lado do Adam – Kevin nos surpreende, mas antes que ele ou qualquer de nós possa comentar algo, Felicity intervém.
—Em que momento as apresentações irão acontecer mesmo? – questiona-nos, arqueando a sobrancelha – E devo me preocupar já que estávamos falando de segurança e dois estranhos surgem do nada sem que nenhum segurança ou alarme tenha sido acionado — cobra.
—Desculpem, mea culpa! – Dig pede, levando uma mão ao peito – Senhor e senhora Queen, senhor e senhora Smoak, senhor e senhora Merlin – indica-os um a um, votando-se para Felicity e Cait – Senhorita Smoak, senhorita Snow, estes são Adam Ruzek e Kevin Atwater, dois de meus melhores homens em campo e a segurança não foi acionada porque havia avisado, previamente, que chegariam – explica, voltando-se para Lance e Laurel – Este é o capitão Quentin Lance, sua filha e advogada Laurel — os apresenta – Adam e Kevin vieram nos ajudar capturar os Chase –diz, frisando o capturar ao encarar Ruzek.
—Mensagem entendida – Adam anui, tocando a fronte com a mão, Ollie e eu espremendo os lábios para não rir.
—Seu time me parece ser bem.... heterogêneo John. Como consegue manter a ordem e o controle? – o juiz pergunta, fazendo nós quatro nos voltarmos para ele de cenho franzido – Um bom grupo precisa ser coeso, pensar minimamente igual para que as coisas dêem certo em campo – justifica-se, nos deixando, ainda assim, sem entender seu ponto de vista.
Até nenhuma missão que nos fora dada fracassou por discordarmos. E olha que já discordamos dezenas de vezes, inclusive em campo!
—Justamente por serem tão diferentes encontrei o equilíbrio – Dig responde, sorridente, o alerta de mensagem no celular de Ollie deixando a todos tensos de imediato.
Estava sendo assim nas últimas quarenta e oito horas, apesar de Mouse ter posto um alerta em nossos aparelhos para o caso de novos vídeos surgirem e ter retirado os vídeos que haviam sido postados com extrema facilidade. Ele, Felicity e um cara chamado Cisco, amigo de Barry e Caitlin do qual falaram outro dia, fariam qualquer um temer o simples som de dedos digitando em teclado! Sem mencionar Ray.
—É apenas Jay avisando que desembarcou em Massachuster juntamente com....Upton??? – Oliver inquere, olhando diretamente para John.
—Quem é Upton? Não lembro dele – comento.
—É porque Ela entrou para a equipe a pouco tempo, substituindo a Erin. Vocês souberam que ela nos deixou, não souberam? – Adam interroga e tanto eu quanto Ollie negamos – Pois é. Erin nos trocou pelo FBI e Haley, meio irmã dela, entrou em seu lugar.... em vários sentidos!! – completa e arqueio a sobrancelha.
—Longa história. Melhor deixar para depois – Kevin recomenda, dando de ombros – Viemos antes porque terminamos a missão. Antônio e Gabby virão amanhã pela manhã – avisa, me fazendo sorrir com a oportunidade de reencontro todo o grupo (ou quase) mais uma vez.
Havia pelo menos três anos e meio que não participava de nenhuma missão. Talvez mais, já que a última que tenho lembrança ocorreu pouco tempo depois de Oliver anunciar que ficaria noivo. Na época eu estava no Novo México, a passeio enquanto ele tinha ido a Central City resolver alguma coisa para a empresa da família.
—Muito bom. Logo mais nos reuniremos, aqui, se possível – John sugere, olhando diretamente para o pai de Ollie, que consente com um aceno – E montaremos nossa estratégia de ação efetiva – avisa, apertando as mãos, seu olhar se perdendo no nada um segundo, hábito seu quando um plano está se formando em sua mente, o que me traz alívio imenso.
—A pessoa não pode se afastar dois segundos que vocês já começam a planejar dominar o mundo!! – a brincadeira chama nossa atenção e nos voltamos, todos, em direção a escada onde uma Thea, ainda bastante pálida e descabelada, usando um pijama de cetim se encontra, parada nos últimos degraus nos observando – Marcaram reunião e nem me convidaram. Magoei! – exclama, terminando de descer, indo se aninhar nos braços da mãe, parecendo tão frágil que me espanto.
—Não deveria estar na cama mocinha?? – Cait inquere, olhando-a com carinho.
—Deveria, mas não aguento mais aquelas paredes! Já memorizei até as rachaduras do teto às paredes. Sei exatamente quais são as mais novas e as mais antigas, onde as aranhas teceram suas teias. Tem até filhotinhos já! Até com as traças já peguei intimidade – exagera e é impossível não rir.
—Thereza, não seja dramática! Escutou o que doutor Kapoor disse. Repouso total e absoluto mocinha se não quiser ser internada – Moira lembra-a, minha irmã enrugando o nariz numa careta graciosa.
—Se soubesse que um simples banho de mangueira daria nisso, por mais divertido que tenha sido, não tomaria – resmunga, deitando a cabeça no ombro da mãe, olhando, curiosa, para Adam e Kevin – Vocês são???
—Sou Adam e este é o Kevin. Somos colegas de farda do seu irmão – Adam identifica-se.
—Irmãos – Ollie e eu protestamos juntos, fazendo-a rir pequeno.
—Isso. Sempre esqueço – admite Ruzek.
—Então estão montando um esquadrão para pegar os caras maus? – Thea brinca, a voz saindo mais rouca que anteriormente, um pequeno acesso de tosse a acometendo.
—Melhor voltar para cama Speedy. Não me parece nada bem – Ollie recomenda, preocupado.
—Não mesmo – Felicity acresce, levando uma mão a testa dela – Acho que está com febre Moira – alerta, Moira e Donna imitando-a com uma rapidez assombrosa.
—Posso estar queimando, mas não volto para aquele quarto nem morta! – dramatiza, afastando as mãos que a examinavam – Além do mais, não quero que partam sem se despedirem de mim e sei que o fariam para me deixar descansar – faz aspas no ar e um bico tão grande que metade dos presente, incluindo eu, acaba rindo – Falo sério! – pontua, cruzando os braços, amuada, olhando em volta – A propósito, se isto é uma reunião de equipe, cadê aquele meu namorado desnaturado? Só veio me ver uma vez e sumiu. Honestamente, se não estivesse de cama ele ia ver só! – ameaça, brava.
—Eddie está na delegacia Thea. Ele e Sara estão investigando um caso de latrocínio. Starling não parou por conta de nossos problemas, infelizmente – Quentin Lance frisa.
—Ele está ciente desta reunião e o informaremos da próxima, logo mais a noite, após o término de seu turno – Dig avisa, sorrindo complacente.
—Estou certo de que o senhor Thawne virá vê-la assim que puder filha – Robert diz, sério – Agora é melhor obedecer e ir deitar-se, senão em seu quarto, aqui embaixo, no sofá. Ou posso pedir a José que traga um colchão inflável para você – sugere, recebendo diversos olhares de censura das mulheres presentes.
—Quanto a não nos despedirmos, esteja certa de que não permitira isto Thea, ainda que precisasse acordá-la – Cait afirma, brindando minha irmã com um de seus sorrisos doces.
—Com toda certeza, afinal, foi você quem nos trouxe Amy – Felicity lembra, beijando-a carinhosamente.
—E por falar nisso, preciso que decidam se iremos ou não viajar e quando. Tenho de agilizar a documentação de guarda provisória junto com o advogado de Seattle – Laurel intervém, dirigindo seu olhar as crianças – Além de providenciar hospedagem para meus filhos e não pai. Não vou deixá-los com você e muito menos com Raymond. Ele está tão envolvido na captura dos Chase que é capaz de esquecê-los ou pior: levá-los junto com ele a campo – exagera e rolo os olhos, Dig me salvando de dar-lhe uma resposta grosseira.
—Justamente por isto os demais membros do esquadrão foram trazidos senhorita Lance. Para permitir a Raymond ficar nos bastidores – afirma – Não irá a campo em momento algum, independente do que planejarmos. Dará suporte nos bastidores juntamente com Greg – completa.
—E tanto Sara quanto eu podemos ajudar sim. Estes bebês são uns anjos. Não puxaram ao pai nem a você e sua irmã, graças a Deus! – capitão Lance comemora, deixando-a de boca aberta – O que? Estou sendo sincero – diz e baixo a cabeça, escondendo o riso.
—Então irão mesmo? – Thea quer saber.
—Sim
—Não -Ollie e eu, Felicity e Cait respondemos ao mesmo tempo, fazendo-a arquear a sobrancelha.
—Sim ou não? – inquere, olhando-nos alternadamente e suspiro.
—Não quero deixar Cait sozinha depois que fomos expostos na internet....
—Não estarei sozinha – ela rebate, me cortando.
—Não vamos começar com isto novamente, por favor – Laurel retruca antes que mais alguém dissesse algo – Precisamos decidir e pronto. Praticidade por favor! – exige, soltando o ar com força.
—Gostei dela – ouço Adam dizer e me volto rápido, ele abrindo e fechando os braços.
—Qual o problema afinal? Além dos tais vídeos, óbvio – mesmo de cama, Thea se mantinha atualizada.
—Como disse, não quero viajar sem Cait – me corrijo, evitando novas contendas – E ela não pode passar horas dentro de um avião...ou pode? – me volto para Isabel.
—De fato, um vôo comercial não é recomendável neste momento. Além do desconforto e duração relativamente longa, há a pressurização das aeronaves que pode ser prejudicial – explica.
—É este o grande problema? Sério? – Thea questiona de forma debochada, não nos dando tempo rebater – Gente, tão simples. Usem o jatinho da QC. É bem mais rápido e infinitamente confortável – sugere, olhando para Isabel – Pode ser? – inquere.
—Olha, um jatinho até pode por conta do que falou – admite minha madrasta, massageando o queixo – Ainda há a pressurização, mas com tempo reduzido e conforto, o risco é bem menor – acresce – Claro que viajaria medicada e quando pousassem precisaria descansar um pouco mais que os demais, mas tudo bem. Por mim liberada.
—Não tínhamos pensado no jatinho da empresa – Ollie admite, me encarando – Será até mais discreto do que usarmos vôos comercias. Podemos sair sem chamar atenção...
—O que é altamente recomendável tanto no que se refere aos Chase quanto aos Diaz – Darhk o interrompe.
—Pronto. Resolvido. Vão no jatinho – Thea decide, olhando-nos uma a um — Honestamente, não sei o que seria de vocês sem mim! – diz, convencida.
—Ok, antes de inflar como um balão, saiba que eu havia pensado em um vôo particular sim, mas para que nossa partida não fosse pública – digo, erguendo o indicador – Apenas julguei que teria o mesmo problema que um comercial por conta da pressurização – completo.
—No caso de vôos comerciais a pressurização é um pouco maior tenente. Se não me falha a memória – Kevin comenta.
—Se todos concordam, entrarei em contato com o piloto e pedirei que prepare o jato para as....? – Ollie quer saber.
—Acredito que umas sete da noite seja ideal. Teremos tempo de preparar tudo que precisamos assim como seus amigos e as administrados do orfanato também – Darhk sugere – Peça-lhe, se for possível, para manter o plano de vôo em sigilo ou que forneça ao menos dois a torre, só por segurança – pede.
—Farei isto – Ollie avisa, sacando seu celular.
—Marque para as oito Ollie. Preciso ir a Verdant acertar os detalhes para o final de semana com Roy e pode demorar um pouco – peço.
—Ok – anui – Além de você, Caitlin, Felicity, Amy, Laurel e eu, quem mais irá? – pergunta, olhando diretamente ao padrasto de Felicity.
—Pensei em ir, mas acho que ficarei. Quero esperar seu amigo Jay retornar. Acredito que desta vez não irá demorar-se já que anteriormente deixou tudo previamente agendado – diz, voltando-se para Donna – Se quiser ir amor, fique a vontade – libera.
—Ah, vou sim. Estou curiosa pra saber onde meu anjinho vivia e conhecer as tias sobre as quais tanto fala – avisa e confesso sentir vontade de vetá-la com alguma desculpa.
Mesmo tendo deixado de pegar tanto no meu pé, Donna e eu ainda não tínhamos uma relação, como direi, próxima.
—Também não irei – meu pai revela – Surgiram alguns problemas na filial da Global em Central e talvez precise ir até lá amanhã. Além de que seja possível que os engenheiros e analistas visitem os Glades para uma avaliação prévias das obras – avisa e troco um olhar preocupado com Ollie – É apenas um reconhecimento de terreno. Irão fazer algumas medições e recolher amostras de solo para saber o que é ou não seguro ser feito. Seu arquiteto estará presente e não pretendo, de forma alguma, alterar ou dificultar nada, não se preocupem – tranquiliza-nos.
—Não estão preocupados, estou certa – Felicity adianta-se, nos admoestando a concordar com o olhar.
—Não mesmo – afirmo, Ollie anuindo com um aceno, saindo para o jardim ao mesmo tempo em que Amy entra correndo, vindo direto para mim.
—Papai, olha o que achei no chão – diz, erguendo a mão, fazendo Felicity e Cait, bem como as demais mulheres presentes, reterem o ar ao visualizarem a pequena lagarta peluda, do tipo que queima a pele, entre seus dedinhos – Não é bonita? – pergunta.
—Linda meu amor. Deixa o papai vê? – peço, abrindo a mão com a palma voltada para cima, ela depositando o bichinho bem no centro – É bonita mesmo. Mas não é para brincar anjinho. Ela é molinha e se você apertar vai machucá-la, tá vendo? – alerto, tocando (com bastante cuidado) o pequeno ser – E se ela se sentir ameaçada, vai queimar você pra se defender, faz um dodói bem feio e dolorido – aviso.
—Sério papai? – pergunta e confirmo.
—Muito sério amor. Peguei uma quando era um pouco mais novo que você e me queimei porque apertei a pobrezinha – conto, ela fazendo uma carinha de pena linda. Só não sei se de mim ou da lagarta! – Que acha de a pormos de volta onde a encontrou ou em uma arvore, onde ficara segura e poderá se alimentar de folhinhas verdes, como gosta? – sugiro.
—Vamos sim – concorda, segurando minha mão livre quando me levanto – Põe ela bem alto papai, porque o Sherlock pode querer brincar com ela e ela não vai gostar não. É muito pequenininha. Vai machucar ela né papai? – pede e rio.
—Com certeza meu bem – anuo, seguindo para o jardim com ela.
—E ainda há quem duvide que meus irmãos serão excelentes pais!! – ouço Thea dizer e me emociono, engolindo o choro, cumprimentando a babá de Laurel ao passar por ela no jardim.
—Acho que essa arvore aqui tá boa. Que acha anjo? – pergunto, olhando para baixo.
—Tá sim pai – concorda, me surpreendendo com seu pedido – Pai, posso pôr ela no galho? – pede e de imediato busco as portas de acesso ao jardim, visualizando Kevin em primeiro plano, meu pai e John alguns passos dele, notando que nem Felicity nem Cait podiam ver-nos – Eu tenho cuidado papai. Deixa!! – implora, sacudindo meu braço e me agacho.
—Deixo, mas tem que ter cuidado amor – recomendo, retendo o ar quando mal termino de falar e ela já pegava o bichinho com tanto cuidado que me deixa surpreso – E não conte nada a sua mãe nem a sua tia Cait, ok? – peço, segurando-a pela cintura, erguendo-a o mais alto possível.
—Tá papai – anui – Vai nosso segredo. Seu, meu e do tio Ollie, né tio? – diz e olho de lado, encontrando meu amigo parado a dois passos, olhando-me com ar divertido.
—Minha boca é um tumulo, boneca! – Ollie garante, fechando os lábios e girando os dedos sobre eles, como se os lacrasse.
—Valeu – agradeço, piscando, descendo minha filha quando avisa poder fazê-lo.
Retornamos, os três, para o interior da casa, Amy entre mim e Ollie, de mãos dadas, rindo com nosso pequeno segredo!
Naquele dia, pontualmente as oito horas, embarcamos no jatinho da QC, Oliver, Felicity, Caitlin, Amy Lee, Laurel e eu, rumo a Seattle, praticamente em segredo, deixando o pessoal em Starling dispostos a capturar os Chase.
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Mansão Merlin (sábado, 4/3 – 10:32 a.m)
Narrador
—Mouse, onde ponho estas caixas? – Gabriela Dawson questiona, parando ao lado do técnico, arqueando a sobrancelha ao visualizar a tela do computador dele – Não deveria estar montando algum plano como o John pediu ao sair? – inquere, fazendo com que os demais se inclinassem para olhar na mesma direção que ela.
—E estou – Mouse responde, indicando o local aonde deveria por a caixa contendo os arquivos da família Chase e de Anelise Rock.
—Acessando as redes sociais do Oliver e Tommy? – Adam inquere, cruzando os braços, encarando-o – A propósito, como conseguiu as senhas e em que isto pode ajudar montar um plano de captura? – questiona-o.
—Como se Mouse pedisse permissão pra xeretar a vida de alguém! – Antônio exclama, divertindo-se.
—Não peço mesmo e alguns casos, como este, pedem medidas drásticas – começa o técnico, erguendo o dedo indicador – Mas, excepcionalmente, ontem à noite, os avisei que iria acessar suas redes sociais, só para constar– informa.
—Em que isto irá nos ajudar a pegar os Chase? – Eddie Thawne, que chegara sem ser notado, pergunta, sentando-se sobre uma mesa próxima.
—Bom dia pra você também Eddie. Dormiu comigo por acaso? – provoca-o Mouse, não lhe dando chance responder – Respondendo, pode nos dar a chave para capturarmos os irmãos e a Viúva Negra de uma só tacada e para constar, quem plantou a semente deste plano em minha mente foi Thea Queen, lembre-me de agradecê-la – pede, sorridente.
—Thea? Entendo menos ainda – admite o detetive.
—Relaxa, porque nem nós, que estamos aqui a manhã inteira com ele, entendemos bulhufas do que está se passando nessa mente nada normal do Mouse – Kevin afirma, descendo os pés que mantinha sobre a mesa tão logo visualiza Malcom Merlin se aproximar – Senhor Merlin, bom dia – cumprimenta-o, fazendo os demais darem atenção ao empresário.
—Bom dia. Não precisam levantar-se ou pararem o que estiverem fazendo. Vim apenas avisar que minha esposa e eu estamos de saída, mas sintam-se à vontade. Instrui os empregados da casa a atendê-los no que precisarem – avisa, tocando o ombro de Eddie – Thea está melhor? – pergunta.
—Está sim, senhor. Bem melhor – diz o detetive – Praticamente não vomitou, o que lhe permitiu dormir a noite inteira. Mesmo a febre foi bem fraquinha e não a impediu ter um sono tranquilo – relata.
—Fico feliz – diz Malcom, dando atenção aos demais – Vou deixá-lo trabalhar em paz. Como disse, sintam-se a vontade em pedir o que precisarem. Até mais tarde – despede-se, cumprimentando a todos com acenos rápidos antes de sair.
—Você dizia Mouse...?? – Eddie o instiga prosseguir após alguns minutos.
—Ontem à noite, uma observação feita pela senhorita Queen me fez perder o sono, por assim dizer, e reexaminar algumas coisas – diz, deslizando sua cadeira até a mesa onde Gabriela depositara a caixa com os arquivos – Ela disse que era uma pena a Viúva Negra e o irmãos Chase não terem algo em comum que pudesse servir para prender todos de uma só vez – comenta.
—Se me disser que encontrou um ponto fraco de ontem para hoje, não vou me espantar – Antônio afirma.
—Tommy – Mouse diz, fazendo-os encará-lo, confusos – Tommy é o ponto fraco deles, por assim dizer – repete, entrelaçando os dedos, observando-os satisfeito.
—Ok, vai nos dizer ou vamos perder tempo adivinhando? – Gabriela inquere, apoiando uma mão a mesa, tamborilando os dedos, impaciente.
—Só um segundo. Me deixe saborear a vitória de ter uma informação que vocês não têm – pede, sorrindo mais.
—Tá, para de palhaçada. Fala de uma vez o que descobriu. Agiliza Mouse, agiliza! – Kevin ordena, estalando os dedos.
—Sem graça! – Mouse exclama, ainda sorridente – Certo. Vejam só: Analise Rock, também conhecida como Viúva Negra, costumava matar seus maridos e fazer alguém levar a culpa por ela. Em geral um amante – relembra – Não seria diferente desta feita. Planejava se livrar do marido e fazer alguém pagar pelo crime, no caso....
—Tommy. Ele levaria a culpa quando ela resolvesse se livrar do marido – Eddie conclui.
—Yep! – Mouse confirma – Ela certamente estava preparando o terreno para isto quando duas coisas aconteceram: a doutora entrou na jogada, o que atrapalhou os planos da Viúva, e um dos irmãos Chase, Steve, suponho, já que ele me pareceu ser o mais descontrolado do trio, por alguma razão desconhecida até agora, resolveu brincar de gato e rato com as pessoas que haviam sido gravadas em segredo, enviando vídeos a vários deles – lembra.
—Espera, se várias pessoas receberam vídeos, porque considera que Tommy é o ponto fraco deles? – Adam questiona.
—Porque foi o único a confrontá-los – Eddie responde, passando a mão no queixo –Tommy não ficou quieto nem esperou pedirem dinheiro a ele para não soltar o vídeo na rede. Ele se posicionou e começou reunir aqueles que haviam recebido também, no caso, Ray e Oliver apenas, no começo, organizando uma reação que ameaçou tomar grandes proporções. Os Chase certamente não gostaram nadinha disto e por está razão resolveram eliminá-lo – conclui.
—Exatamente, e eu, na minha pressa e ignorância, admito, apressei as coisas, conforme o próprio Derek Chase me deu entender – Mouse prossegue – Acredito que foi através de Bristow que a Viúva travou conhecimento com os Chase. O resto foi consequência – conclui.
—E certamente a Viúva não contava que o marido fosse se envolver com a esposa de Bristow, agora mais do que confirmado já que os dois sumiram do mapa tão logo ele foi assassinado – Eddie supõe.
—E como temos certeza de que também não foram mortos? – Antônio questiona.
—Imagens das câmeras de segurança na saída da garagem mostram os dois deixando o condomínio alguns minutos antes de os corpos serem encontrados – Mouse conta – Meu palpite é que um dos dois viu ou ouviu algo e alertou o outro, optando por darem no pé enquanto podiam já que, em minha opinião, ambos sabiam que seus parceiros não eram flor que se cheire.
—Tá, entendi. Cait estragou os planos da Viúva em culpar Tommy pelo futuro assassinato do marido, e o tenente, por sua vez, irritou os Chase ao começar caçá-los quando recebeu o primeiro vídeo, o que fez com que se tornasse persona non grata ao quarteto pavoroso – Adam enumera, provocando risos discretos – Agora me explica em que raios acessar as redes sociais do tenente vai ajudar prendê-los!! – quer saber.
-Elementar meu caro cabeção! – brinca o hacker, levando um peteleco na nuca – Olha a violência! – protesta, provocando mais risos.
—Fala logo – Gabriela ordena, estapeando-o também.
—Vocês me amam! – os provoca, começando explicar seu plano – Vamos assumir que tanto os irmãos quanto a querida Anelise, neste momento, querem a caveira do tenente, sendo que ela também quer, no mínimo, esganar a doutora – reforça – Logo, saber que ambos estão muito bem obrigada, felizes e planejando o futuro, mesmo após terem sido expostos, certamente irá irrita-los ao extremo – afirma, rindo de forma enigmática.
—Acho que estou entendendo aonde quer chegar – Eddie diz, rindo também.
—E vão falar ou ficar de segredinhos? – Adam protesta.
—Mouse vai plantar uma notícia falsa em uma das redes do Tommy pra atrair atenção do quarteto pavoroso – elucida.
—Sério? – inquere o rapaz, arqueando a sobrancelha – Acha mesmo que isto uma simples fake news que pode ser facilmente descoberta vai fazê-los sair da toca? – contesta.
—E como sabe que os Chase e a tal Viúva verão? – Antônio emenda
—Ruzek e Tony, perderam a noção do perigo foi? – Kevin questiona, apoiando o queixo na mão, olhando-os divertido.
—Hã??? – respondem os dois, Adam abrindo os braços.
—Pra começar, me respeitem!! – Mouse exclama, sério – Eu nunca plantaria algo que pudesse ser facilmente desmascarado. Evidente que já tomei as devidas providências para evitar ser desmascarado e claro que verão. Eles estão monitorando as redes sociais de todos os envolvidos com Tommy e a doutora. Por isso pedi ao Oliver para não acessarem, a não ser quando eu pedir, e para não deixar Tommy e el acessarem nenhuma rede em hipótese alguma até que eu libere – revela – Depois que a fake news estiver no ar, todos nós iremos curtir e comentar, de preferência com elogios rasgados a felicidade do casal, o que irá gerar mais comentários, fortalecendo e validando a notícia. Tão logo repercuta, vou precisar de sua ajuda Eddie. Precisamos de um corretor de imóveis em quem podemos confiar – diz.
—Corretor para quê? – Gabriela inquere, enrugando o cenho, confusa.
—Mouse, que tipo de notícia pretende plantar? – Eddie questiona-o, desconfiado.
—Está aqui – responde o hacker, indicando a tela do computador, Eddie, Kevin, Adam, Antônio e Gabriela se inclinando a fim de lê a legenda embaixo de uma foto de Tommy e Cait abraçados e sorridentes.
—Ok, quer ser enterrado aqui em Starling mesmo ou prefere que enviemos o corpo para sua cidade natal? Ou talvez prefira ser cremado e ter as cinzas jogadas em algum lago ou montanha. Basta dizer que providencio – Eddie enumera, empertigando-se – Tommy vai te matar quando vir isto! – garante.
—Acontece que não verá. Ao menos espero que não – o hacker pondera – Se tudo der certo, excluo tudo, até os comentários, antes que voltem de Seattle e jamais saberá do que aconteceu – diz, unindo as mãos.
—Me chamem de burro, mas ainda não estou entendendo – admite Adam.
—Elementar meu caro gênio: quando as coisas ganharem as proporções que espero, vamos montar a ratoeira e prender as ratazanas todas de uma vez! – comemora.
—Montar com o que exatamente? Ou melhor, com quem, já que, se não entendi errado e tendo por base o que disse a pouco que iria precisar, precisaremos de uma isca para o sucesso da operação – Kevin questiona-o.
—Neste ponto precisaremos contar com um pouco de sorte já que nossas iscas não se encontram na cidade ainda – Mouse declara.
—Está se referindo ao Jay e a Hailey? – Eddie inquere – Eles têm o tipo físico mais próximo a Tommy e Caitlin – esclarece ante os olhares inquisidores dos amigos.
—Isso. Jay falou que chegariam hoje, até o final da tarde no máximo. Tempo suficiente para instigar a raiva de nossos amigos Chase e Anelise – Mouse comemora – Por isto vou lançar....
—Mouse, não seria melhor avisar Oliver antes? – Eddie sugere – Assim ele ganha mais um motivo para manter Tommy, Cait e Felicity longe das redes sociais – completa.
—Ok – concorda o hacker, sacando seu celular, digitando rapidamente, enviando, aguardando alguns segundos até ter uma resposta – Ele vai...Ligar?? – diz, surpreso, atendendo a ligação – Não precisava ligar capitão. Bastava dizer que entendeu.
< Precisava sim, mas tenho de ser rápido. Só quero saber uma coisinha: perdeu o juízo? > pergunta < Se Tommy vê essa postagem, ele mesmo irá pilotar o jatinho da QC para ir até aí, te esganar com as próprias mãos > alerta.
—Por isso preciso que não o deixe ver. Nem ele nem ninguém. E curta, em seu nome e da sua noiva, o post para dar veracidade ao fato – rebate, ansioso.
< Este é o melhor plano que conseguiram montar? Sério? > questiona, suspirando < Acha mesmo que vai funcionar? >
—Por que todo mundo tá me perguntando isto? – devolve, olhando os colegas a sua volta – Eu li e reli os arquivos diversas vezes desde a reunião de ontem. Mal dormir. Encontrei o ponto fraco. Montei o plano, com o qual John concordou, bom dizer – pontua – E agora ficam duvidando? Estamos falando de que mesmo? Ratazanas, não foi assim que os chamou Eddie? – inquere, o loiro acenando afirmativamente – Então acho que de família eu entendo né não? Rato, ratazana, perceberam a ligação?
< Não, mas se está confiante, fico mais tranquilo > Oliver afirma < Ok. Sigam com o plano. Farei o melhor aqui para evitar que a postagem seja vista e se for, cuidarei das explicações. Tomem cuidado e boa sorte > deseja < Avisem quando tudo terminar > pede, desligando.
—Liberado – comemora o “rato”, sorrindo vitorioso.
—Lógica estranha a sua não acha? – Gabriela inquere.
—Mas ainda assim uma lógica – rebate ele, entrelaçando e esticando os dedos antes de se voltar para a tela do computador – E.... foi. Boato lançado. Agora é só esperar os resultados – diz, esfregando as mãos.
—Esperar preparados para a ação, portanto, vou entrar em contato com meu amigo corretor e ver com ele algum imóvel que possamos usar – Eddie diz, afastando-se do grupo para efetuar a ligação.
—E torcer para o vôo do Jay não atrasar um minuto sequer – Antônio diz.
—E torce para que esteja certo, ratinho. Essas ratazanas precisam cair na ratoeira – é a vez de Adam dizer.
—Cairão. Acredite. Cairão – Mouse assegura, tranquilo.
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Aeroporto de Starling (16:09 a.m)
Jay Halstead
—Só pode ser brincadeira!! – exclamo, estancando alguns passos da saída, olhando meu celular, boquiaberto.
—O que? – Hailey pergunta, parando a meu lado, esticando o pescoço, curiosa.
—O tal plano de Mouse – respondo, inclinando o aparelho para que pudesse lê a mensagem.
—Este é o plano? Só isto? – inquere.
—As vezes o mais simples é o mais eficaz – ouvimos a voz grave de Dig pronunciar, nos fazendo erguer o olhar para ele – Também achei bobagem quando me acordou as três da madrugada para contar – revela, e rimos – Mas depois que refleti melhor, vi que pode dar certo. Ninguém sabe que estão fora da cidade. Se fizermos a coisa bem-feita, teremos uma chance real de prende-los. Todos – afirma – Conseguiram o que foram buscar? – pergunta.
—Quase tudo – respondo, recomeçando caminhar, Hailey e John fazendo o mesmo – Temos todas as informações referentes a noite em que Amy Lee nasceu, mais os nomes do casal que a levou...
—Mas não conseguimos o endereço atual deles – Hailey completa – Também conseguimos maiores informações sobre a família Diaz – acresce.
—Ótimo. Comunicarei ao Darhk para que venha a nosso encontro na casa do senhor Merlin.
—Estamos na casa do pai de Tommy? – pergunto, postando-me junto a seu carro, no lado do carona, tão logo chegamos a ele.
—Uhum. Nos reunimos na casa dos Queen, mas optamos por mudar a base para a dos Merlin por ser de mais fácil acesso – explica, destravando o veículo – Mantive a vigilância em todo o perímetro para passar a impressão de que Oliver e os demais estariam ali. Também pusemos uma criança da idade de Amy brincando no jardim parte do dia – conta, apoiado ao teto do carro – Para todos os efeitos, não aconteceu viagem alguma, mas não há como segurar a farsa por mais de vinte e quatro horas – avisa.
—Então melhor o plano maluco do Mouse funcionar – digo, entrando no veículo ao mesmo tempo que ele, Hailey se adiantando a nós.
Seguimos direto para o condomínio onde as casas das famílias Merlin e Queen se localizam. Não me passa despercebido que haviam redobrado a segurança no local. Discretamente, mas haviam feito.
—Como disse, para todos os efeitos as famílias estão reunidas aqui para o fim de semana – reforça Dig e aceno afirmativamente.
Estacionamos na lateral direita, fora de visibilidade, estrategicamente entre o bangalô a e casa principal, Adam e Gabby nos recebendo.
—E aí, como foi a viagem? – Ruzek pergunta, apertando minha mão, indicando Hailey com um gesto de cabeça, piscando.
—Tudo bem. Conseguimos quase tudo que fomos buscar – respondo – E trate de tirar esse risinho da cara antes que ela veja ou vai ter problemas! – sugiro baixinho – Estávamos trabalhando lá – reforço.
—Eu não disse nada diferente, disse? – rebate e rolo os olhos, atirando a mochila em minhas costas.
—Vamos direto ao plano por favor – peço, caminhando a frente deles, seguindo o som de risos até a saleta onde haviam montado nossa base de ação – Que raios está acontecendo aqui? – inquiro, arqueando a sobrancelha, segurando o riso ao ver Kevin usando uma peruca loira.
—Só um pouquinho de relax antes da ação – Mouse responde, girando em sua cadeira de um lado para o outro.
—A mim parece que estão se preparando para o carnaval – Hailey diz, indo sentar-se – Pra que a peruca? – quer saber – As perucas, melhor dizendo – se corrige, exibindo uma outra, menor e de cor escura que gira em seu dedo.
—Para vocês – Antônio responde rápido.
—Oi??
—Para quem? – perguntamos ao mesmo tempo, estupefatos.
—Seguinte: como já deve ter visto, lancei o boato, ou fake news, como preferir, em uma das redes sociais do Tommy, onde ele supostamente comunica estar feliz com a gravidez da namorada e que estariam planejando morar juntos a espera do primeiro rebento e por conta disto, amanhã pela manhã, iriam visitar alguns imóveis a fim de escolha o futuro ninho de amor do casal, não com estas palavras, obviamente, com o intuito de atrair nossas ratazanas para fora da toca em definitivo – discursa o nerd – E para aqueles que duvidavam, a postagem já alcançou mais de mil curtidas e comentários além daqueles que pedi o fizessem, como Oliver. E entre eles está nossa querida viuvinha negra inconsolável! – exclama, abrindo e aumentando um comentário específico na tela de seu computador.
—Sério que se trata de Anelise Rock Greg? – John pergunta, lendo-o.
—Absoluta. É o IP de um dos computadores da família Chase que Derek conseguiu levar consigo na fuga – conta – E se ela sabe, eles também sabem, logo, meu plano está em andamento. Só precisamos torcer para que Anelise tenha a influência que julgo ter sobre ao menos um dos irmãos: Adrian – acrescenta.
—E se não tiver? – Hailey questiona – Qual o plano B? – pergunta.
—Não há plano B e ela tem, pode estar certa disso – garante ele, seguro.
—As perucas são para o que mesmo? – retomo o assunto.
—Você e Hailey são quem mais se aproxima deles fisicamente falando. Se brincar ela nem vai precisar de peruca. Só prender o cabelo do jeito que a doutora faz – Mouse sugere – Mas você vai precisar porque seu cabelo não é preto!
—Sério? Nem notei – ironizo – Olha só Mouse, por mais que a primeira parte de seu plano esteja dando certo, não significa que a outra parte dará. Eles podem não ir atrás de Tommy, podem ignorar caso Anelise peça por vingança – pondero – Sem mencionar que temos de encontrar um local seguro para...
—Já temos – ouço e me volto, dando de cara com Eddie – Meu amigo concordou em ajudar. Ele me deu três opções, todos em pequenos condomínios ainda em fase de construção, sem moradores, risco mínimo de civis serem feridos e área fácil de vigiar e controlar – revela, entregando uma pasta – O próximo a orla é meu predileto por ter menos rotas de fuga. Apenas uma entrada e uma saída. Dá para montar vigilância tranquilamente sem chamar atenção – garante.
—Então será este. Confirme com ele. Avise que deve vir aqui para ir com nosso pessoal. Em hipótese alguma deve ir sozinho – John ordena, se voltando para mim e Hailey – Hoje à noite repassaremos todo o plano, detalhe por detalhe. Amanhã precisamos estar afinados. Caso a segunda parte do plano funcione como esperamos, nada pode dá errado. Só teremos uma única oportunidade para pegá-los – adverte.
—E não vamos desperdiçá-la – asseguro, tomando uma decisão – Então, qual é o plano? – pergunto, me sentando.
Durante o restante da tarde e começo da noite discutimos cada detalhe da ação que realizaríamos no dia seguinte, calculando, repensando e refazendo passos, ganhando a companhia do juiz Darhk e dos senhores Queen e Merlin. Os três tinham vindo saber a respeito do material que trouxe de Massachuster e acabaram ficando e participando da reunião, que se encerrou apenas quando a esposa do senhor Merlin avisa que o jantar estava sendo servido, convidando-nos, a todos, encerrarmos o assunto por hora, retomando-o após o término da refeição.
Após revisarmos o plano inteiro uma última vez, damos o assunto por encerrado e nos recolhemos, mas o sono custa a vir, me fazendo revirar na cama durante um bom tempo até finalmente adormecer, mergulhando em um sono agitado.
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Costa leste de Starling (domingo, 5/3 – 10:33 a.m)
Narrador
—Algum sinal? – Jay pergunta, caminhando discretamente de um lado para outro na varanda da casa de forma a estar visível, fingindo arrumar o cabelo.
< Nada > Eddie responde, suspirando < Quase duas horas e nada. Acho que a segunda parte do plano subiu no telhado > comenta.
—É o que parece – concorda Jay, apoiando ambas mãos a mureta, olhando o horizonte, assumindo uma postura mais relaxada – Quanto tempo mais vamos esperar? – pergunta.
< Por que a impaciência? Por acaso o casal combinou algo para depois? > Adam os provoca.
—Olha só, se repetir a brincadeira, não vamos precisar esperar bandido nenhum aparecer para certa pessoa ter o nariz quebrado! Aposto que a Kimberly vai me agradecer – Hailey ameaça, o corretor cobrindo a boca para esconder o riso.
< Foco pessoal, foco. Ainda não podemos nos dar por vencidos > Mouse chama atenção de todos.
—Honestamente rato, acho que desta vez seus parentes te pregaram uma peça! – Jay brinca, quase tirando a peruca ao passar a mão com mais energia sobre ela.
< Jay, ajeita a peruca e o blazer. Olha a postura meu filho! Tommy é um cara elegante. Assim vai queimar a imagem dele! > Kevin brinca, provocando risos.
< Concentração pessoal > John ralha < Esperaremos mais vinte minutos. Caso não apareçam, damos o fora > avisa.
—Não quis dizer antes para não desanimar, mas estava na cara que não cairiam nessa Mouse. Sinto dizer – Jay revela – Não fica chateado, mas...
< Caras, um carro se aproxima > Kevin alerta.
—São eles? – Hailey pergunta, tensa, a mesma tensão refletindo-se no corretor e em Jay.
< Ainda não dá pra dizer. Aguardem > recomenda, deixando todos em alerta.
—Kevin, são eles? – Jay insiste após alguns minutos – Kevin???...
< São eles! Os quatro! > vibra Atwater.
< E não é que eles vieram mesmo! > Adam espanta-se.
< Falei que viriam, não falei? > Mouse vangloria-se.
< Em alerta agora. Jay, oriente o senhor Tovar a sair, conforme combinado. Um policial o aguarda no primeiro quarto > John orienta < Assim que eles descerem e se dirigirem a casa, avançamos devagar, ao meu comando. Atwater, mantenha posição e fique alerta caso precise atirar > ordena.
Kevin anui.
< Aguardando ordens > Eddie responde
< No aguardo > Antônio e Ruzek fazem o mesmo, todos se pondo em alerta.
< Tenham cuidado com Derek, não o subestimem por estar em uma cadeira de rodas > Mouse avisa.
< Não vi nenhuma cadeira no carro. Apenas quatro pessoas, três homens e uma mulher. Aguarde confirmação > Kevin pede, voltando olhar o carro, que agora reduzia a velocidade, aproximando-se da casa quase sem fazer barulho < Confirmado. Nenhuma cadeira de rodas >
< Então ele não veio com os irmãos? Estranho > comenta o nerd < Vou procurar por algum outro veículo nas proximidades > avisa, concentrando-se na tarefa enquanto os demais ficam atentos ao carro, que estaciona em uma das laterais, seus ocupantes saltando mal para.
< Vou ficar com Mouse para o caso de ele precisar > Gabby avisa.
< Jay, confirmado: Adrian e Steve Chase, Anelise Rock e outro homem não identificado entrando pela lateral da casa. Avançando em três, dois, um > John comanda, o grupo formado por seus homens e policiais avançando silenciosamente, cercando a residência gradativamente, atentos a seus pontos a espera do sinal que Jay daria.
—Que achou amor? Ficamos com esta? – pergunta o detetive, abraçando a parceira, ambos ficando de costas para a sala, conforme havia sido combinado.
—Por mim sim. Amei a vista. Já imagino nosso filho correndo na areia ao entardecer ou amanhecer conosco – Hailey responde, levando a mão, discretamente, ao coldre em sua cintura, Jay imitando-a.
—Vejo o mesmo. Acho que seremos muito felizes aqui amor – Jay diz, ambos ficando tensos ao escutarem o som característico de uma arma sendo engatilhada.
—Acho que não, minha cara – Adrian Chase declara – Disse que iria se arrepender em nos desafiar soldadinho. Hora de pagar a conta – rosna.
—Vai se arrepender por ter me trocado por esta vadia, Thomas – Anelise esbraveja – Ninguém nunca me dispensou e saiu impune. Nunca!! – frisa, a raiva transparecendo em sua voz.
—Chega de conversa. Acabem logo com eles e vamos embora. Derek pode estar certo. Isto pode muito bem ser uma armadilha – Steve pede, olhando para os lados, temeroso – Você, fique atento. Cadê o bendito corretor? – questiona, nervoso.
—Acalme-se, Steve. Checamos tudo, você mesmo viu. Não há ninguém por perto além deles. A covardia do aleijado está te contaminando – Anelise desdenha.
—Já disse para não falar assim dele – rebate o rapaz, sobressaltando-se de repente – Que barulho foi este? – pergunta, tenso.
—Deve ser o tal corretor. Pegue-o – Adrian ordena, o capanga que os acompanhava obedecendo de imediato – Não me importo em matar pelas costas, mas particularmente neste caso quero ver seu rosto quando executá-los. Primeiro ela e depois você – declara – Virem-se – ordena.
—Ela é minha Adrian. Prometeu que seria – Anelise cobra, melosa, girando dois punhais nas mãos – Quero rasgar sua barriga de um extremo a outro para que ele veja o filho morrer antes dele e dela – rosna, movendo-se lentamente em direção a Hailey.
—Como quiser – Chase libera – VIREM-SE! – grita novamente – Ergam as mãos de se virem – repete, postando-se de lado enquanto Steve sacava sua arma somente agora, ainda desconfiado.
—Ok – Jay diz, ele e Hailey virando-se lentamente já com suas armas em punho – Mas adianto duas coisas: não vai rolar nenhuma execução aqui hoje a não ser que resistam – começa.
—Resistam a quê? – Steve questiona, cada vez mais apavorado.
—E dois – Jay prossegue, ignorando-o – Deveriam ter dado ouvidos ao Derek – completa, os fazendo recuar, surpresos, ao terminar de virar-se,
—Surpresa! – Hailey exclama, a sala sendo imediatamente invadida por John, Eddie e os demais.
—Polícia de Starling, abaixem as armas agora!! – Eddie ordena – Adrian e Steve Chase, Anelise Rock, estão presos – emenda.
—Mesmo? E sob qual acusação? – Adrian contesta, sarcástico, erguendo os braços lentamente.
—Invasão de privacidade e cumplicidade em assassinato e tentativa de assassinato para começar – John responde – Agora, largue sua arma se não quiser morrer – ameaça, ficando a um passo dele, arma em punho.
—Não faria isto soldadinho! – ironiza, mudando de postura repentinamente, apontando para ele, mas antes que fizesse algo, Adam vence a distância que os separava, encostando o cano de seu fuzil na fronte de Chase.
—Ele não. Eu sim. Me dá só um motivo, por favor!! – pede o loiro.
—Nos rendemos! – Steve exclama, soltando o revólver e erguendo as mãos – Nos rendemos – repete.
—Fale por você, covarde – Anelise rosna, movendo-se rápido, pegando a todos de surpresa.
Com agilidade espantosa, ela atira os punhais, um indo cravar-se no peito de Jay, o impacto o fazendo perder o equilíbrio e cair ao chão, o outro atingindo Hailey de raspão no braço ao mesmo tempo em que Adrian avança contra John, o disparo preciso de Kevin derrubando-o antes que pudesse feri-lo ou a Adam.
—Mais alguém quer reagir? – Eddie inquere, segurando Anelise contra o chão após tê-la derrubado, algemando-a, seu olhar dirigindo-se a Jay e Hailey – Estão bem? – quer saber, preocupado.
—Estamos – Jay tranquiliza-o, levantando-se com ajuda de Antônio, puxando o punhal que ficara cravado em seu colete, voltando-se para a loira a seu lado – Tudo bem? – certifica-se.
—Estou. Pegou de raspão – informa ela, segurando o local atingido com a mão, pressionando – Está sangrando – espanta-se ao notar a mancha na camisa de Jay.
—O punha deve ter rompido o colete – Dawson presume, ajudando-o despir a camisa rapidamente, respirando aliviado ao ver que o ferimento era tão superficial quanto o dela – Não é grave – avisa.
—Ainda assim precisamos de uma ambulância – Diggle diz, apertando o botão de seu rádio comunicador — Mouse, está me ouvindo? – chama, não obtendo resposta em um primeiro momento – Mouse, está ouvindo? – repete, tenso ante o silêncio persistente.
—Parece que perderam alguém – ironiza Chase, fazendo uma careta quando John pressiona o ferimento em seu ombro.
—Para sua sorte espero que esteja errado – rosna, forçando-o caminhar em direção a frente da casa, Eddie e os demais os seguindo, levando Steve e Anelise igualmente algemados com eles.
Do lado de fora, os policiais que participavam da ação trazem o capanga algemado, informando que o corretor fora levado embora em segurança.
—Algum sinal do Mouse? E Gabby, onde está? – Dawson preocupa-se, entregando Steve a um dos oficiais.
—Mortos, se foram atrás de meu irmão – Steve declara, sorrindo satisfeito.
—Aquele aleijado não é capaz de matar uma formiga! Foi por culpa dele que fomos pegos. Se não tivesse impedido que aqueles dois fossem mortos em primeiro lugar, nada disso estaria acontecendo – Anelise esbraveja.
—A culpa de estarmos aqui é sua não dele e já falei para não destratar meu irmão!! – Steve devolve, furioso – Se não tivesse convencido Adrian a vir aqui e sim mantido o plano original como Derek queria, a esta hora estaríamos longe – bufa, resistindo ser colocado dentro da viatura;
—No que dependesse de vocês ficaríamos o tempo inteiro escondidos, feito ratos. É tão inútil e covarde quanto ele! – devolve ela, sendo posta dentro da viatura com dificuldade.
—Cadela! Vai me pagar por isto – Steve ameaça, se deixando pôr dentro do carro, finalmente, ao lado de um silencioso Adrian, ambas viaturas partindo com os prisioneiros.
—E os elogios já começaram!- Adam ironiza, observando-os.
—Mal foram presos e já estão se digladiando. Vai ser fácil ao promotor condená-los – Jay comemora, mantendo o ferimento em seu peito sob pressão.
—Melhor parte – Eddie diz, olhando a volta – Alguma sinal de Gabby e Mouse? – pergunta.
—Ainda não – John responde, tenso – Vamos organizar uma busca nas redondezas....
< Não é preciso chefe. Estamos voltando > Gabby avisa pelo comunicador, cortando-o, trazendo alívio a todos.
—Posso saber aonde estavam Gabby? Por que não responderam quando chamamos? – Antônio reclama, voltando-se ao escutar barulho a suas costas.
—É que precisávamos de silêncio para pegar a última ratazana – anuncia morena, abrindo espaço para Mouse passar empurrando a cadeira de rodas com Derek Chase algemado a ela.
—Podem levá-lo – John ordena, enrugando o cenho ao notar o filete de sangue escorrendo na fronte de Mouse – Está ferido Greg.
—Não foi nada. Sabe como é, parente zangado por ter sido capturado – brinca, voltando sua atenção a Jay e Hailey – Estão bem? – quer saber.
—Foi só um susto – Hailey responde, rindo torto.
—Como disse, as ratazanas não gostaram nadinha de terem sido enganadas – Jay diz, rindo.
—O importante é que pegamos todos. Não sobrou nenhum ratinho pra contar história! – Adam comemora, corrigindo-se ao escutar Mouse limpar a garganta – Digo, não sobrou nenhuma ratazana.
—Agora sim! – exclama o nerd, fazendo uma careta engraçada– Será que podemos ir comer alguma coisa? Caçar sempre me dá fome! Que acha boss? – pergunta, John balançando a cabeça negativamente, rindo divertido.
—Acho que devemos levar os três ao hospital e depois vemos algo para comer – enumera, erguendo o indicador – Mas antes, Thawne, envie uma mensagem a Oliver avisando que o plano deu certo – ordena.
—É para já – anui o loiro, sacando seu celular.
—E antes que me esqueça – John chama atenção de todos – Bom trabalho pessoal – elogia, tocando seus ombros – Para o hospital mais próximo – ordena, tomando a frente do grupo.
—Não seria melhor parar no Big Belly antes, não? Tô mais preocupado em matar minha fome do que em curar minha cabeça – Mouse sugere.
—Mouse, não se iluda. Sua cabeça não tem cura. Aceita que doí menos – Adam brinca, caminhando ao lado dele.
—Ruzek, alguém já te disse o quanto é engraçado? A tv tá perdendo um comediante nato – Mouse devolve.
—Só que não!! – Jay, Kevin e Antônio dizem em coro, Hailey e Gabby rolando os olhos, Eddie seguindo-os enquanto enviava a mensagem a Oliver.
“O plano deu certo. Todos presos. Acabou”
“...Kill ‘em with kindness;
Kill ‘em with kindness;
Go ahead, go ahead, go ahead now...”

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