Notas iniciais
Olha eu aqui novamente flores! Hoje atualização dupla! Obrigado pela paciência de vocês com essa pessoa atrasadinha! Estou caprichando para reduzir os atrasos. Por aqui, Tommy, Cait, Felicity, Oliver e Amy em Seattle para darem inicio ao processo, que será mais demorado do que imaginavam. Grata por todas as rewiews passadas.... More rewiews, pleasee.... Boa leitura.... Bjinhos flores

“It’s undeniable that we should be together;

It’s unbelievable how I used to say that I’d fall never;

The basis you need to know, if you don’t know just how I feel;

Then let me show you now that I’m for real;

If all things in time, time will reveal, yeah;

One, you’re like a dream came true;

Two, just wanna be with you;

Three, girl it’s plain to see that you’re the only one for me;

And four, repet steps one thriugh three;

Five, make fall in love with me;

If ever I believe my work is done;

Then I start at back one (yeah)...”

Back At One

Brian Macknight

Seattle (Sábado, 4/3 -11:44 a.m)

Oliver

Desligo o celular e massageio o pescoço, procurando me acalmar antes de retornar para junto de minha noiva e os demais. Mal puséramos os pés em Seattle e os problemas já haviam começado!!

Primeiro Cait nos dera um susto ao passar mal quando desembarcamos. Graças a Deus tudo não passou de um susto. Estava apenas enjoada e acabou desmaiando por conta do calor.

Enquanto aguardávamos ser liberada pela equipe que a tendeu, recebi a mensagem de Mouse e por muito pouco não surto em frente a todos, o que não seria nada recomendável.

Me afastei a fim de saber que diabos estava acontecendo e ouvi as explicações de Greg e os demais para tal absurdo. Acabei me comprometendo ajudar no tal plano maluco, já rezando para que nem Tommy, nem Cait ou Felicity lessem a postagem-isca feita por Greg e que, principalmente funcionasse.

—Oliver, amor, tudo bem? -minha noiva chama e ergo o olhar – Algo errado? -pergunta, me encarando de cenho enrugado.

—Não, não, nada – minto, fechando os olhos e respirando fundo -Na verdade...- a puxo para um canto, dirigindo um olhar rápido a Laurel, Tommy e Amy Lee -Sweet, o que vou te contar não pode chegar ao conhecimento de Cait e menos ainda de Tommy – alerto – Sequer deveria ser de seu conhecimento, mas não quero mentiras entre nós, por menores e inofensivas que pareçam ser -discurso, ganhando um de seus sorrisos meigos.

—Que houve? -inquere, olhando em meus olhos.

—Os rapazes elaboraram um plano para captura os Chase.... Que envolve divulgar uma pequena mentira – faço aspas no ar, abrindo o aplicativo de mensagens em meu celular, entregando-lhe para que lesse.

—Eles perderam o juízo!! Tommy vai surtar quando vir isto, ainda que seja por uma boa causa – diz, me devolvendo o aparelho -E por que ele te enviou isto? Quer que o ajudemos? – advinha e sorrio – Tá brincando né?? -pergunta, espantando-se quando confirmo.

—Eu sei que isto é tudo que Tommy e Cait Não querem, mas se funcionar, como eles acreditam que irá, terá valido a pena – digo, não a deixando rebater -Nossa parte é não deixar os dois verem a postagem. Assim que tudo terminar, Mouse irá retirá-la do ar – faço aspas, minha loira rolando os olhos.

—Amor, acha mesmo que vamos impedir qualquer dos dois verem ou mesmo saberem que algo referente a eles foi postado em uma de suas redes sociais? -questiona, não me dando chance responder -Mesmo que consigamos tal feito até que este plano maluco dê certo, e espero que dê rapidamente, muito rapidamente – frisa -E que seu amigo kamicase delete postagem e comentários, como disse que faria, sempre haverá algum desavisado que verá e vai comentar algo com um deles dois e aí eu não gostaria nadinha de estar na pele desse ratinho!! -exclama e sorrio.

—Nem eu – digo, voltando ficar sério – Concordo que pode acontecer, mas no momento é nossa melhor chance de capturar a família Chase e a viúva negra -pontuo – Não temos um plano B no momento, portanto, acho que devemos nos esforçar a ajudar na tarefa de mantê-los longe das redes – concluo.

—Isso não vai ser tão difícil já que teremos muito o que resolver por aqui. Não acredito que Tommy ou Cait irão se preocupar em ficar zapeando por redes sociais tendo todo processo envolvendo nossa filha aqui – frisa, voltando o olhar em direção a meu amigo -Amy sozinha já é distração mais do que suficiente para mantê-los ocupados.

—Verdade – anuo, sorrindo ao ver a garotinha que aprendi amar como uma filha interagindo com os dois -Ainda assim...

—Vamos ficar atentos – completa meu pensamento, envolvendo-me a cintura com os braços – Que tal agora irmos ver se já podemos continuar viagem? – sugere.

—Uhum. Por falar em viagem, por que sua mãe mudou de idéia quanto a vir conosco? -quero saber já que minha futura sogra estava animada até bem poucas horas antes de viajarmos.

—Não entendi bem também – confessa, dando de ombros -Coisas de mamãe -declara, segurando minha mão -Venha. Vamos ver se Cait foi liberada -convida e a acompanho de volta a companhia de nossos amigos e Amy.

Conforme supomos, Cait podia seguir tranquilamente desde que respeitasse seu tempo e descansasse assim que possível. Por conta disto, optamos em seguirmos do aeroporto para o hotel, indo ao orfanato somente na parte da tarde. Enquanto Tommy vai ao guichê de uma locadora providenciar nosso carro, ligo para Erica avisando da mudança de planos.

Após nos registrarmos, vamos para o restaurante do hotel onde almoçamos com calma. Procuro envolver Amy posto que ela mantém a todos presos em suas histórias, evitando assim que meu amigo ou Cait mexessem em seus celulares. Quando subimos, Felicity sugere ficarmos todos em nossa suíte, já que havia espaço suficiente, descansando, até perto da hora combinada de irmos ao orfanato assim Amy não precisaria se dividir e o fazemos.

Por volta das duas da tarde, Tommy, Cait e Laurel vão para seus quartos a fim de tomarem banho e se trocar. Discretamente, dou um jeito de ambos celulares ficarem em nosso quarto, conseguindo mais uma vez evitar verem a postagem, que aliás, estava bombando. Havia diversos comentários em poucas horas. Mouse, passando-se por Tommy, respondia a todas. Conforme havia pedido, para dar maior credibilidade, Felicity e eu também comentamos, parabenizando os dois pela gravidez de Cait. Em poucos minutos mais pessoas fazem o mesmo, incluindo Anelise, usando um perfil falso o qual Mouse havia descoberto durante as investigações anteriores.

—Vai dar certo. Tem que dar – murmuro, deitado na cama a espera que Felicity e Amy saíssem do banho para que eu pudesse fazer o mesmo.

Tão logo minhas garotas saem, entro no banheiro deixando a recomendação a Felicity que mantivesse os celulares de nossos amigos fora de vista.

—Ou a vista, mas desconectados – sugere, piscando para mim e rio, entendendo o que pretendia.

Tomo um banho relativamente rápido, troco de roupa e retorno a sala de nossa suíte, aproveitando que Felicity e Amy ainda se aprontavam para saber dos rapazes como andam as coisas em Starling. Também ligo para Steve a fim de saber como estavam as coisas nos Glades (ainda não conseguia confiar plenamente em Malcolm), respirando aliviado com o relatório que ele faz.

Estou enviando mensagem a Jay, posto que não havia atendido, quando minhas garotas surgem. Sorrio, imaginando antecipadamente quando tivéssemos nossa garotinha (minha e dela, no caso).

—Prontas? – pergunto, pondo o celular em meu bolso após enviar a mensagem a Jay.

—Totalmente -minha loira responde, apoiando as mãos em meu peito, ficando na ponta dos pés para me dar um selinho.

—Sim – Amy diz, saltitando a nossa volta.

Usava uma jardineira jeans e camiseta, presentes de Tommy, e um tênis azul floral, presente de Cait -A gente vai nas tias agora? -pergunta, aquietando-se um pouco.

—Vamos sim meu bem. Está com saudades delas? – Felicity pergunta, afagando sua cabeça.

—Tô – admite, fazendo uma careta graciosa -Mas não vou ter de fica lá, vou? – inquere e de imediato ficamos tensos.

Era quase certeza de que precisaria sim voltar para o orfanato por alguns dias. Trocamos um olhar tenso, optando por sentar-nos para poder falar com ela.

—Venha aqui amorzinho – Felicity chama, fazendo com que sentasse entre nós – Pode ser que tenha de ficar sim com as tias um tempo novamente – diz, optando pela verdade, sendo direta sem ser dura, o biquinho que Amy faz me deixando de coração apertado -Não é que nós queiramos isso meu amor, mas existem certas coisas, leis, que dizem que não podemos ficar com você direto, como queremos -explica, acarinhando os cachos da filha.

—Foi por isto que a Laurel, aquela moça morena, veio com a gente -digo, me ajoelhando a sua frente -Ela e outro amigo de seu pai e meu já estão tomando as providências para que possa ficar conosco de uma vez por todas – acresço.

—Que é isso? – pergunta, enxugando algumas lágrimas com o dorso da mão.

—Quer dizer que eles estão cuidando de tudo que precisa para que ninguém tire você da gente – Felicity resume, ajudando-a a enxugar o rostinho -Não precisa chorar meu anjo. Se tiver de ficar será por pouco tempo – tranquiliza-a. Ou tenta.

—Mas eu não quero mamãe! -choraminga, abraçando-a forte -Quero não mamãe! – repete entre soluços, levando minha noiva as lágrimas.

Preciso de todo meu auto controle para não me deixar levar por elas e chorar também, pensando em algo que dizer para acalmá-las, no entanto o nó em minha garganta não me permite falar.

—Que está acontecendo aqui? – a voz de Tommy chama minha atenção e volto o rosto em direção a porta onde ele, Cait e Laurel se encontravam, parados, a surpresa tomando a todos quando Amy se solta de Felicity, correndo ao encontro dele –Hei, que houve meu anjo? -inquere, olhando interrogativamente para nós.

—Quero ir ver as tias mais não papai. Quero não! – Amy diz, agora aos prantos.

—Mas por que amor? Não disse que estava com saudade delas? -Tommy pergunta, ainda mais confuso.

—Suponho que já tenham dito que talvez seja preciso ela ficar no orfanato um tempo já a partir de hoje -Laurel, com sua habitual falta de tato, diz e cerro o punho discretamente quando o choro da garotinha aumenta.

—Obrigada por esclarecer as coisas tão delicadamente, Laurel!! – Felicity rosna (literalmente), não escondendo sua irritação, tentando controlar o choro.

—Gente, e de que adiantaria esconder isso da menina? Iria ser bem pior – justifica-se.

—Precisava ser tão fria? – Cait reclama, agachando-se ao lado de Tommy, acariciando Amy.

—Se souberem uma maneira doce de dizer uma coisa como esta, me avisem porque eu realmente adoraria saber – rebate minha amiga, cruzando os braços, inabalável, olhando-nos um a um -Sabiam, desde o dia em que Thea a levou para Starling, Sem autorização da justiça, que isto aconteceria. A questão era quando e como isto se daria. Melhor ter sido com vocês, de forma mais carinhosa, do que através de um oficial de justiça com Thea sendo pre....

—Laurel, dá pra ser menos advogada e mais Mãe, por favor!! – Caitlin a interrompe, erguendo o rosto, revoltada – Não percebe que sua praticidade só está piorando as coisas para todos? – protesta, indicando Felicity, que aquela altura já chorava tanto quanto Amy, abraçada a uma almofada.

De imediato sento-me a seu lado, trazendo-a para meus braços, beijando o topo de sua cabeça ao mesmo tempo que afago seus braços.

—Me desculpem -Laurel pede, respirando profundamente -Prometo que este caso será minha prioridade. Vou me empenhar para que sua filha volte o mais rápido possível para....

—Não vai precisar porque ninguém vai levar minha filha embora! – Tommy, que até então se mantinha calado, afirma, erguendo-se com Amy nos braços -Está ouvindo meu amor? Não vou deixar que ninguém te afaste de mim novamente e não me importa o que droga de lei alguma diga! – exclama, decidido, afastando a pequena o suficiente para que pudesse olhar em seu rosto – Você não vai ficar em lugar nenhum que não seja a nosso lado, está me ouvindo? É uma promessa que faço. Ninguém vai te tirar de onde está agora porque seu lugar é bem aqui, em meus braços! -promete.

—Jura papai?? -Amy pergunta, usando ambas mãos para enxugar o rostinho.

—Juro!! – Tommy reitera, distribuindo beijos pelo rosto da filha, arrancando pequenas risadas da garotinha, que se enrosca em seu pescoço com toda força – Juro, meu anjo. Não vai mais sair de perto de mim. Nunca mais – reforça, apertando-a contra si.

—Thomas... – Laurel começa, mas a silencio com o olhar.

Uma coisa era evidente ali: de nada adiantaria discutir com Tommy naquele momento, emocionado como estava. O conhecíamos bem o suficiente para sabermos, Laurel e eu, que iria cumprir a promessa seja lá de qual forma fosse, portanto, restava a nós amenizar ao máximo os estragos que tal promessa causaria.

—Ainda precisamos ir falar com as tias Amy – aviso, mantendo Felicity em meus braços -Prometemos a elas que o faríamos. Além disso, aquele amigo do qual te falei vai estar lá. Ele estava aqui, cuidando para que possamos cumprir a promessa que seu pai fez – lembro – E tem seus amiguinhos. Eles sabem que irá lá hoje. Estão te esperando com uma surpresa. E as tias querem conhecer seus pais também. Nós vamos até lá, conversamos um tempinho e depois voltamos para cá, o que acha? – negocio e não apenas com ela, mas com Tommy e Laurel.

—Melhor que nada -Laurel resmunga, claramente irritada -Será que podemos ir agora? Quanto mais tempo perdermos, pior – alerta, ajustando a bolsa a seu ombro.

—Já vamos. Só Felicity e Amy se recuperarem – peço, ela anuindo.

—Certo. Vou esperar por vocês lá embaixo -avisa, saindo sem esperar resposta.

—Ela até pode ser uma grande advogada, mas em matéria de sensibilidade mais parece um trator! -Caitlin comenta conseguindo fazer-nos rir.

—Pior que sempre foi assim – Tommy afirma, permanecendo agarrado a filha -Ollie, falei sério a pouco. Não vou deixar Amy em lugar nenhum. Já fiquei tempo demais separado dela -reclama.

—Nós ficamos Thomas -Felicity lembra-o, puxando o ar com força, mantendo a cabeça em meu ombro, acalmando-se lentamente -Tem de ter um jeito amor. Também não quero me separar de Amy! – protesta, ameaçando começar chorar novamente.

—Vamos dar um jeito Sweet – prometo, repetindo o gesto que Tommy fizera com Amy -Mas para isto precisamos cumprir o que prometemos -digo, olhando dentro de seus olhos vermelhos -Agora ponha aquele sorriso lindo que tanto amo nesse rostinho maravilhoso e erga a cabeça. Sua filha precisa de você. E eu também – confidencio a última parte em seu ouvido, vendo-a fazer o que pedia, enchendo meu peito de orgulho.

—Está certo. Nunca fui de ficar lamentando. Vamos lá conhecer as mulheres que cuidaram tão maravilhosamente bem de nossa menininha -declara, conseguindo sorrir – Tenho certeza de que os advogados que temos irão conseguir o que desejamos -anima-se.

—Isso! Essa é minha garota! – comemoro, pondo-me de pé, ajudando-a fazer o mesmo.

—Assino embaixo Oliver – Caitlin corrobora, recostando a cabeça ao ombro de Tommy – E o senhor prometa que terá paciência, está me ouvindo? – admoesta, dando uma tapinha leve em meu amigo

—Prometo tentar – Tommy responde, sacudindo a filha – Que acha amoreco? Papai tem paciência ou sai dando porrada em todo mundo que tentar tirar você da gente? -pergunta, Amy respondendo de pronto.

—Dá porrada papai!! – diz, a voz abafada por estar com o rosto enfiado na curva do pescoço dele.

—Olha o que fez!! – Felicity reage de imediato, atirando uma almofada contra ele – Violência não resolve nada filha e seu pai sabe disso – diz, admoestando-o com o olhar a não a contrariar.

—Vamos andando -sugiro antes que Tommy revidasse -Se bem conheço Laurel, já deve estar cuspindo vespas – brinco, pegando minha carteira.

—Melhor mesmo -Felicity anui, pegando sua bolsa – Está se sentindo melhor Cait? -pergunta.

—Estou. Foi só enjoo -tranquiliza-a, tomando a iniciativa de abrir a porta para nós.

—O primeiro de muitos, se prepara – Felicity avisa, a prima fazendo uma careta engraçada.

—Se todos forem assim, vou acabar enfartando antes de os bebês nascerem – Tommy dramatiza.

—Neste caso melhor deixar um quarto reservado para você no hospital porque dizem que gravidez múltipla além de complicada costuma não chegar aos nove meses -comento, fazendo-o estancar e me olhar espantado – Estou mentindo Caitlin? -inquiro.

—Não, mas tomarei os devidos cuidados meu amor. Não precisa se preocupar -tranquiliza-o, fazendo carinho na nuca de meu amigo quando paramos em frente aos elevadores.

—Ainda bem – murmura ele de volta, fazendo bico pedindo a ela beijinho e rio.

Confesso que, apesar de saber que a teimosia de Tommy poderia nos causar problemas, muito embora reconheça a validade de seu desejo, estava sendo divertido acompanhar este começo de gravidez de Caitlin. Se agora ele já estava surtado, imagina quando a barriga aparecer, quando as noites de sono começarem a rarear antes mesmo de o bebê nascer.

Como eu sabia disso tudo? Simples, era exatamente o que estava começando a passar com Felicity.

Conforme supunha, Laurel começara ficar impaciente. E para passar o tempo havia ligado para Sam Wincherster e conversado sobre o caso, porém, quando perguntamos o assunto, se fechou em copas alegando que preferia falar uma única vez.

O trajeto até o orfanato, para minha surpresa, é feito com relativa alegria. Após um tempo, Amy se alegrara e até contara histórias da época em que morava no lugar (o antigo), especialmente as peripécias que aprontava em companhia de algumas meninas com as quais tinha mais amizade. Logo sorria novamente daquele jeito que fazia lembrar ambos, Felicity e Tommy. A semelhança dela com eles ficava cada dia maior e mais evidente.

Enquanto os olhos e a cor do cabelo (estava ficando mais e mais escuro) eram de meu amigo, os traços do rosto, as covinhas e principalmente os trejeitos eram todos de minha sweet. Ah, também havia herdado o charme do pai. Era inegável como conseguia monopolizar a atenção de todos com rapidez e facilidade. Até mesmo Laurel já havia se encantado por ela.

Sem sombra de dúvidas é uma combinação genética perfeita dos dois! ... penso, olhando-a pelo retrovisor interno.

Quando chegamos ao orfanato, as crianças fazem uma tremenda festa. Chegar até a porta foi uma dificuldade imensa. Caitlin e Felicity ficaram simplesmente encantadas com as crianças. E o encanto foi mútuo.

—Boa tarde Victória, Erica. Desculpem o atraso. Como expliquei, Caitlin passou mal e optamos por descansar o período da manhã -justifico-me tão logo as irmãs surgem a porta de entrada para nos receber, Sam e Dean logo atrás delas.

—Sem problemas, senhor...Oliver -Erica corrige-se ligeiro, sorridente -Crianças, olha a bagunça! – ralha.

—Tudo bem. Estamos amando -Felicity responde por ela e Cait, que se sentara nos degraus, algumas crianças a cercando, mexendo em seu cabelo enquanto um grupo encarava Laurel com olhos de admiração.

—Você é rica? Gente rica usa ternos como o seu! – uma menina loirinha e sardenta diz.

—Gente importante também – outra emenda.

—Você é bonita! – uma terceira elogia.

—É mesmo – Dean corrobora e presencio algo raro, especialmente nos últimos tempos: Laurel Lance enrubescendo, sem graça.

—Humm...Obrigada – agradece, retomando o controle de suas emoções -Vamos entrar!?! – sugere, desviando o olhar do irmão de Sam.

—Por favor – Victória anui, pondo-se de lado, indicando a entrada da casa.

—Posso fica brincando papai e mamãe? – Amy pergunta.

—Claro que sim anjinho – Felicity libera, ela saindo correndo com as três garotinhas que estavam perto de nós.

Somos conduzidos a uma saleta aonde fica o escritório/direção do orfanato. Nos acomodamos, Cait e Tommy a direita, Felicity e eu a esquerda, Laurel ao centro, Dean mais a direita, no canto apoiado a janela enquanto Sam posta-se ao lado de Erica, Victória sentando-se (havia mais cadeiras, mas tanto Erica quanto meus amigos Winchester optam por permanecer de pé).

—Bem, antes de qualquer coisa, apresentações -tomo a palavra – Victória, Erica, está é a mãe da Amy e minha noiva, Felicity Smoak -apresento -Este é Thomas Merlyn, meu melhor amigo e pai da pequena -prossigo, Tommy inclinando levemente a cabeça -Ao lado dele está a Caitlin Snow, prima de Felicity e namorada do Tommy e por último, Laurel Lance, uma amiga antiga e muito querida minha e dele que irá representá-los juntamente com Sam – finalizo.

—É um prazer conhecê-los -diz, estendendo a mão, cumprimentando-os um a um, Erica fazendo o mesmo – Falamos com a doutora Lance a pouco. Ela nos atualizou sobre algumas coisas, inclusive a respeito de uma promessa que o senhor teria feito a Amy Lee... a qual não poderá cumprir – avisa, não dando chance meu amigo contestar -Senhor Merlyn, entendo sua posição e até sua resolução em não se afastar de Amy Lee, mas entenda, há regras e leis a serem cumpridas aqui. Não podemos simplesmente fechar os olhos e permitir que Amy continue com vocês. Eu sinto muito – lamenta.

—Não há lei que me faça ficar longe de minha filha -Tommy afirma, tranquilamente -Já perdi quatro anos da vida dela. Não pretendo perder um segundo sequer -reafirma, criando uma tensão quase palpável.

—Senhor Merlyn, procure entender: temos responsabilidades que vão além de Amy. Todas as crianças aqui estão sob nossa guarda. Podemos perder este lugar, as crianças podem ser tiradas de nós caso este assunto se torne público. Que tipo de guardiãs seremos se permitimos uma delas ser levada sem autorização legal? – Erica argumenta.

—E que tipo seriam não permitindo aos pais que tiveram a filha roubada ficarem longe dela? -rebate, aumentando a tensão já existente.

—Ok, agora já chega Thomas!? – Felicity adianta-se, respirando fundo ao encará-lo — Eu também sou parte interessada aqui. Também não pretendo me afastar de nossa filha, mas entendo o que elas querem dizer – pontua -Não podemos ir contra a lei, por mais que nos doa. Eu quero ter Amy pra sempre, sem risco de um maldito oficial de justiça bater a porta com um mandato ou algo do gênero, tirando ela de mim. De nós -argumenta, apertando minha mão com força.

—Lis está certa meu amor – Cait intervém.

—Eu não vou deixá-la e ponto – Tommy insiste, olhando-nos -Viram como ela ficou apenas supondo que isto ocorreria. Sequer queria vir -lembra, voltando-se para Felicity -Vai conseguir dormir tranquila sabendo como Amy vai estar caso a deixe-nos? -questiona, minha noiva retendo o ar.

—Infelizmente todos estão certos – decido intervir, fazendo-os me olharem -Vimos, a pouco, o quanto uma separação a esta altura será dolorosa para Amy, mas precisamos agir o mais dentro da lei possível se não quisermos correr riscos -repito os argumentos usados por eles -Deve haver alguma forma, um meio ou brecha na lei que permita-nos ficar com ela enquanto o processo de reconhecimento de paternidade e maternidade estiver em andamento -sugiro, não gostando das expressões de Laurel e Sam – O que foi? Por que fizeram essas caras? – inquiro, os demais olhando-os, curiosos.

—Algo errado? -Tommy questiona.

—Me disse que estava tudo certo Sam. Que era só eles trazerem a Amy e não teríamos problemas -Erica diz, olhando-o tensa.

—Não menti -garante ele, passando a mão pelo cabelo -E não é que tenha algo errado Thomas -diz, encarando-nos -Mas o processo pode ser um pouco mais demorado e complicado do que pensei a princípio -revela, nos deixando surpresos.

—Como assim? – Caitlin da voz a dúvida de todos.

—Bem, pra começar, gostaria que tivesse instruído sua irmã a falar comigo sobre suas suspeitas, Oliver, e não revelar da forma como revelou – Sam reclama.

—Se servi de desculpa, tinha pedido a ela que mantivesse segredo até que eu pudesse vir, pessoalmente – digo -Infelizmente Thea se precipitou – lamento.

—Mas foi por uma boa causa. Ou pelo menos ela pensou ter sido -Felicity argumenta, mordendo o lábio inferior.

—Pode até ter sido, sweet, mas foi errado -digo.

—Me corrijam se estiver enganado: não fosse Thea ter levado Amy embora ela poderia ter sido levada embora por aquele tal sujeito que se dizia irmão de Felicity, correto? -Tommy relembra.

—Não é bem a esta atitude que meu colega se referiu Tommy, e sim a ela ter dito, diante de estranhos, que a menina Poderia ser sobrinha dela. Ainda mais de forma tão tempestuosa – Laurel comenta, erguendo a mão -Eu sei que ela não fez por mal, mas ainda assim foi temerário. Não sabemos quem era aquele casal. E se estivessem trabalhando para a família Diaz? — justifica ela.

—Sem neuras por favor Laurel – Tommy pede, ainda irritado.

—Não se trata de neura. Esse pessoal foi capaz de tirar uma recém-nascida dos braços da mãe. De mentir a essa mesma mãe dizendo estar morta e sabe lá mais o que fizeram – argumenta, Sam tomando a palavra outra vez.

—É exatamente a este ponto que eu queria chegar – diz, erguendo o indicador -Só mencionei a atitude de sua irmã porque teria nos poupado tempo. Eu poderia ter entrado com o pedido para que ela ficasse indisponível para adoção. A dúvida era suficiente para tal – diz, não nos dando tempo contestar – Mas não vamos ficar chorando sobre o leite derramado. O que está feito, está feito. Agora temos que tomar as medidas necessárias para que tudo possa seguir dentro da lei de agora em diante, sem ofensas – apressa-se dizer, olhando diretamente para Tommy.

—Não me ofendi – meu amigo garante, tranquilo e espremo os lábios para não rir. Tommy pode ser bem teimoso quando quer.

—Bom.... -Sam diz, pensativo – Retomando. Depois que Oliver me pôs a par do caso, os detalhes, busquei aconselhamento com uma colega especialista na vara de família, aliás, antes que me esqueça, este é outro ponto sobre o qual quero falar – ergue novamente o dedo -Salvo engano, eu e a doutora Lance iremos representar ambos, você e Felicity, correto? – quer saber.

—Sim – Tommy, Felicity e eu respondemos ao mesmo tempo.

—Ótimo. Neste caso quero recomendar que façamos uso desta minha amiga. Nem a doutora Lance nem eu, somos especialistas na área, ela não está com disponibilidade de assumir o caso no momento, mas pode nos assessorar tranquilamente. Pode ser? – questiona e os três damos de ombros.

—Pode ser -Felicity diz -Qualquer ajuda é bem-vinda – acresce.

—Doutora? – volta-se para Laurel.

—De pleno acordo – anui ela.

—Neste caso irei entrar em contato com ela – avisa – Como dizia, quando soube os detalhes busquei orientação com Cinthya. Ela me orientou a não deixar furos, brechas que possam ser contestadas entendem? – pergunta de forma retórica, prosseguindo -Para tanto, há passos que deveremos seguir – alerta – Em primeiro lugar, precisamos saber se há um tumulo. Foi-lhe dito que sua filha morreu alguns minutos após haver nascido, lhe entregaram a certidão de óbito, mas nem você, nem seus pais foram ao cemitério verificar se havia de fato sido enterrada correto? – Sam questiona-a.

—Correto – Felicity confirma -Mas o que isto tem a ver?? -inquere.

—Se houver um corpo teremos de pedir exumação para confirmar que não se trata da garotinha brincando lá fora -Sam explica, apontando o jardim -Agora, sei que enviou alguém até Massachuster para verificar estas coisas. Será que ele já conseguiu? -questiona, olhando para mim.

—Enviei uma mensagem mais cedo. Estou aguardando resposta – digo -Caso haja um corpo, como devemos proceder? Teremos de ir até lá ou podemos resolver a distância? – quero saber, embora desconfiasse saber a resposta.

—Não. Alguém terá de ir até lá, a mãe mais especificamente falando -diz, voltando sua atenção a minha noiva -Nestes casos apenas um parente direto pode solicitar exumação de um corpo para fins de identificação ou confirmação, no caso avós, pai ou mãe -explica.

—Mas isto apenas caso seja necessário, o que eu realmente torço para não ser -Laurel comenta e enrugo o cenho.

—Por quê? -Felicity adianta-se perguntar.

—Porque tudo o mais ficará parado aguardando o resultado da autopsia -diz e sinto um calafrio na espinha -Até podemos dar entrada nos demais processos, mas ficarão em aberto, a espera do laudo oficial. Sem contar que teremos de solicitar uma certidão de vida da Amy -avisa, explicando-se quando nós quatro a olhamos confusos -Trocando em miúdos: iremos diante de um juiz, levando provas, no caso o exame de DNA, pedir um atestado, uma certidão, de que Amy está viva – esclarece.

—Aliás, o DNA irá nos ajudar bastante. Foi muito bom não terem esperado para realizá-lo -Sam pontua, sorrindo pela primeira vez desde que chegamos -De posse dele temos uma prova concreta de que a menina está viva e é filha de vocês -aponta de Tommy para Felicity.

—Menos uma preocupação – Cait comenta, sorrindo pequeno.

—Com certeza! Quanto menos trabalho tivermos melhor -Laurel exclama -Se este seu amigo tiver conseguido mais alguma prova juro que solto fogos – nos surpreende.

—É para tanto? – Tommy pergunta, olhando-a de sobrancelha arqueada.

—Antes que diria que não, mas agora, depois de termos tomado consciência de alguns fatos, mudei meu pensamento -Sam diz, erguendo a mão – Como a doutora Lance explicou, caso haja um corpo, teremos que aguardar o laudo do legista e isto pode demorar -reitera -Claro que não ficaremos parados. Não estamos, aliás -pontua, abrindo uma pasta de papel sobre a mesa -Adiantei algumas coisas depois que conversamos doutora -avisa, entregando algumas folhas a Laurel -Leia por favor enquanto prossigo – pede, ela anuindo com um gesto de cabeça -Bom, o que entreguei a ela são papeis que ambos precisam assinar. Neles nos constituem seus representantes legais para cuidar de tudo que se referir a este caso: solicitação de exumação, reconhecimento de parentesco, no caso pedir a justiça que reconheça que a senhorita Smoak é a mãe e o senhor Merlyn o pai da Amy Lee, pedido de guarda temporária em separado, e já explico porque -adianta-se, voltando-se para Tommy e espremo os lábios para não rir. Meu amigo estava, de fato, bem impaciente, digamos, com as etapas que iriam envolver o processo -Depois a definitiva e por fim a compartilhada -conclui.

—Explicação -Tommy pede, cruzando os braços.

—Vocês não são mais casados e Felicity tem uma situação mais estável do que a sua além de ser a mãe biológica, portanto, está muito mais apta a ter a guarda da filha do que você! – Laurel declara sem erguer os olhos dos documentos que lia.

—Oi?? – desta vez o questionamento vem em coro. Até eu quero saber o porquê daquela justificativa.

—Como Felicity pode ter uma situação mais estável do que a minha? Só porque é noiva? -Tommy inquere.

—Tecnicamente sim já que você apenas namora enquanto ela e Oliver estão montando a casa aonde irão morar, construindo um lar para Amy e sim, eu sei que casamentos se desmancham até dentro da igreja. Sou a prova viva disto, esqueceu? – relembra, amarga, me causando desconforto -Além disto, praticamente todos os juízes tendem a favorecer as mães em casos de guarda, que seja temporária ou permanente – completa, depositando os papeis sobre a mesa, nos encarando sem emoção.

—Agora entendo por que ela está pleiteando uma posição na promotoria -Felicity murmura.

—Realmente, tato não é algo do qual a doutora possa ser acusada -Dean se manifesta pela primeira vez desde que chegamos.

—Não mesmo e bem antes de ser uma advogada -Tommy resmunga, fazendo nossa amiga bufar.

—Ok, se querem que eu continue neste caso vamos esclarecer algumas coisas: se for para ficar todo melindroso sempre que algo te desagradar, ouça algo que não gosta ou vai de encontro a seu desejo Thomas, irei sugerir que abra mão de participar deste processo e deixe apenas a Felicity assumir -sugere, direta, não dando tempo ninguém retrucar – Nem tudo irá sair como lhe agrada e se surtar toda vez que isto ocorrer teremos sérios problemas. Quando Felicity tiver a guarda da filha de vocês, vemos a questão de a compartilharmos – continua, o encarando, séria – Claro que isto não interfere em que siga com o pedido de reconhecimento de paternidade, mas se quiser seguir com o processo na forma como pretendemos, em conjunto, terá de acatar certas decisões e não agir como agiu no hotel, por exemplo -cita.

—Vou continuar como está – Tommy responde após um breve silencio -O que não significa dizer que abrirei mão da promessa que fiz a nossa filha – reafirma.

—Veremos isto depois -Sam intervém, evitando um embate desnecessário naquele momento -Além das razões expostas por minha colega, válidas, bom dizer, outro motivo para pedirmos a guarda separadamente é que será bem mais rápido o juiz deliberar. Felicity conseguindo, a guarda compartilhada será igualmente fácil e rápido conseguir -sustenta.

—Entendi -Tommy diz, relaxando, o alerta de mensagem em meu celular soando naquele momento.

—Jay chegou a Starling. Irá me mandar as informações que conseguiu tão logo esteja em casa– aviso, erguendo o olhar da tela de meu celular.

—Então mais alguns minutos e poderemos definir qual será nossa primeira providencia efetivamente falando -Laurel diz -Por hora, dêem uma lida nestes documentos e caso estejam de acordo assinem -pede, entregando a ambos, Tommy e Felicity -Podem levar para o hotel se quiserem.

—Acho que não é preciso -minha noiva diz, olhando para Tommy, que anui com um meneio de cabeça, apoiando os papeis sobre a mesa de Erica, assinando-os, Felicity fazendo o mesmo -Prontinho -avisa, os dois devolvendo-os a ela -Agora são oficialmente nossos advogados.

—Que mais podemos fazer hoje? -Tommy pergunta, olhando-os.

—Basicamente, resolver o que estamos adiando -Laurel responde, causando uma pequena tensão no ambiente – Refiro-me uma outra questão mais prática sobre a qual conversamos doutor Winchester: tempo. Precisamos saber qual dos dois poderá permanecer em Seattle no decorrer do processo -explica.

—De fato. Havia me esquecido disto -Sam admite -Independente de que Felicity precise ir a Massachuster, um dos dois, ou ambos, terão de permanecer em Seattle no decorrer do processo, ele todo, porque a menina terá de permanecer na cidade Thomas. Ao menos até o juiz deliberar -avisa.

—Já desconfiava -meu amigo limita-se dizer, puxando ar com força -Como tudo depende do que Jay conseguiu, sugere esperarmos -diz.

—Concordo -Felicity anui.

—Bem neste caso vamos ao outro ponto complicado: sua promessa a Amy, senhor Merlyn -Erica retoma, entrelaçando os dedos -Acho que podemos chegar a um acordo aqui. O processo pode ser longo e quanto menos estresse para ela melhor -pondera, me pegando de surpresa.

Ela me pareceu, desde o princípio, a mais, digamos, intransigente das duas.

—Para todos nós -Victória acresce, sorridente -Para que não tenhamos problemas com a justiça, Amy Lee precisa estar aqui – avisa -Depois que a senhorita Queen partiu, aquele senhor que se apresentou como sendo tio dela, nos fez diversas ameaças e apesar de não as ter cumprido de fato até agora, o risco ainda existe. É real -relata.

—Basta que ele faça uma denúncia, anônima mesmo, para que nossa licença seja caçada e percamos as crianças. Todas elas -Erica diz, apoiada ao espaldar da cadeira aonde a irmã sentava-se.

—Eu sinto muito por isto – lamento-me -Se soubesse o que minha irmã faria, teria dado um jeito de vir eu mesmo – digo.

—Thea é adorável. Não fez por mal e já nos pediu desculpas -Victória tranquiliza-me -Voltando ao caso de agora, eu sinto dizer, mas Amy precisa permanecer conosco. Até podemos permitir que passe o dia com vocês enquanto estiverem na cidade, mas terá de vir para cá antes do anoitecer preferencialmente. Estou certa de que se falarmos com jeitinho o juiz Barba irá nos atender -comunica.

—Mas será que não poderia começarmos a partir de amanhã? Porque hoje acho que ela vai sentir demais se tiver de ficar -Felicity argumenta, mordendo o lábio inferior.

—Porque não tentamos falar com ela, explicar o que há e caso reaja mal, permitiremos que durma no hotel com vocês -Erica sugere, Tommy se mexendo desconfortável.

—Acho uma excelente idéia -me adianto -Amy é uma garotinha esperta, inteligente, vai saber entender -argumento, muito embora temesse que não, o som de nova mensagem chamando minha atenção – Jay. Está enviando os arquivos para meu e-mail – comunico.

—Pode usar meu notebook para acessar – Erica libera, voltando o aparelho para nós.

—Sweet pode fazer isto? – peço, continuando a lê a mensagem que meu amigo enviava, dando maiores detalhes sobre o plano de captura aos Chase.

—Claro – se prontifica, acessando o computador.

—Engraçado, meu celular não está acessando a internet -ouço Tommy comentar e olho discretamente para minha noiva.

—Use o meu -Caitlin oferece e retenho o ar ao vê-la, pelo canto do olho, entregar o aparelho a ele, que enruga o cenho tão logo o destrava.

—O seu também não está conectado -informa, mexendo no aparelho -Qual é a senha da rede aqui? – pergunta.

—Moeckel332 -Erica informa, me deixando tenso quando mexe em seu aparelho -Meu celular está normal -diz.

—O meu também – Victória informa.

—O meu tá ótimo. E olha que está com a internet móvel -Dean comenta e ergo o olhar, quase implorando a Sam e Laurel não dizerem nada.

—O meu também não está acessando – Laurel avisa, fazendo uma careta, não sei se por ter entendido meu pedido mudo ou por estar de fato com problemas.

—Deixei o meu no carro – Sam avisa, estreitando os olhos ao me encarar.

—Conseguiu? – Caitlin questiona.

—Não. Nada. Nos dois -Tommy responde, bufando.

—Posso dar uma olhada quando estivermos no hotel – Felicity oferece e preciso me controlar para não rir — Prontinho. Arquivos baixados -avisa, abrindo um deles que continha fotos, a primeira nos dando a resposta que precisávamos -Droga! -bufa.

—Que foi? -Tommy pergunta esticando-se a fim de ver melhor a tela.

—Temos um tumulo -Laurel, que se inclinara com o mesmo objetivo, avisa -Melhor ligar para seu padrasto e vê com ele e sua mãe se estão dispostos a ir com vocês – sugere.

—Ele já sabe. E nossos pais também – aviso, pondo o áudio que Jay enviara para tocar.

< Conforme falei para o juiz, estivemos no cemitério, mas não posso garantir que haja algo no tumulo. Uma opção seria violá-lo, mas ai não serviria para o processo >

—Garoto esperto! -Dean comenta, sentando-se no beiral da janela e rio, deixando o áudio seguinte seguir.

< A enfermeira sobrevivente com a qual conversei disse não saber já que caiu fora quando viu que as coisas podiam engrossar. A propósito, ela está disposta a depor. Tem uma baita raiva dos Diaz. Já o médico que realizou o parto não está muito amigável. O juiz falou que irá até lá. Se querem uma sugestão não o deixem ir sozinho >

—Não mesmo! – exclamo.

< Consegui anexar alguns documentos do arquivo do hospital com a ajuda do Ray, de forma legal doutora Lance > avisa fazendo Laurel rolar os olhos < A atual direção se mostrou disposta ajudar desde que o nome deles não seja comprometido. Também consegui o nome do casal que adotou a Amy Lee e supostamente a largou no aeroporto, mas não o endereço atual. Ray ficou de ver isto. Amanhã, depois que estiver livre, ligo. Agora preciso ir. Estamos ajustando os últimos detalhes do plano e a senhora Merlyn já veio chamar para jantar. Até mais > despede-se.

—Já é tarde assim? -Cait inquere, olhando para fora através da janela.

—Aqui faltam dez minutos para a dezoito horas – Dean informa e me espanto. Não tinha notado que se passara tanto tempo -As crianças acabaram de entrar – avisa, a porta da saleta de abrindo naquele momento, Amy adentrando, correndo, indo direto para o colo de Felicity.

—Olá sumida! Brincou muito? -minha noiva pergunta, segurando e prendendo o cabelo dela.

—Muito mamãe. Tô toda suada -Amy responde.

—Está mesmo. Precisa de um banho – minha noiva diz.

—Amy, por que não sobe e toma um banho com a tia Linda? Tem roupas suas lá em seu antigo quarto -Erica sugere.

—Faz isso amor. Assim já vamos direto para o restaurante do hotel, jantar -Felicity corrobora.

—Mas... -Amy titubeia, olhando dela para Tommy e depois para mim e Cait -Você não vai embora, vai mamãe? Nem o papai, né? – questiona, já se agarrando ao pescoço dela.

—Claro que não meu anjo! – Felicity apressa-se dizer.

—Sweet, por que você e Caitlin não sobem com a Amy? Assim aproveita para ela te mostrar o quarto e os brinquedos que tinha aqui. De repente, se não for incomodo, podemos jantar aqui – sugiro, dirigindo meu olhar as irmãs -Pode ser? Se for o caso Tommy e eu iremos comprar mais comida -me prontifico.

—Não precisa, obrigada. Pode ser sim -Victória responde -Linda, avise que teremos convidados para o jantar e leve a senhorita Smoak e a senhorita Snow até os quartos – pede, a jovem anuindo com um aceno.

—Segura minha bolsa amor -Felicity pede – Seu e-mail está aberto caso precise -avisa, me dando um selinho antes de se retirar com Amy e Cait.

—Entende agora por que não posso deixá-la? – Tommy diz tão logo saem -E isto não pela promessa que fiz.

—Entendo, mas também precisa entender nossa situação senhor Merlyn -Erica sustenta – Vic, vá até lá e veja com a senhorita Smoak uma maneira de falar com a Amy. Caso ela se mostre muito reticente, vemos o que fazer -pede.

—Ok – a irmã anui, saindo logo em seguida.

—Teremos de resolver está situação o quanto antes, Thomas. Amy não pode voltar para Starling por enquanto e mesmo que permaneça em Seattle ela terá de dormir aqui até que consigamos um documento que lhe permita ficar com ela – Laurel avisa -Aliás, agora que sabemos que de fato Felicity terá de viajar, como ficamos? Poderá permanecer aqui? – quer saber.

—Posso ir a Starling cuidar de tudo na Verdant e no projeto dos Glades enquanto Felicity viaja com o juiz. Você e Caitlin podem ficar mais uns dias – proponho.

—Pode ser – ele responde, pensativo – Pensei que iria querer ir com ela.

—Até queria, mas não acho que seja possível – digo, massageando meu queixo – De qualquer maneira preciso retornar a Starling no mais tardar até a teça à noite – aviso.

—Todos teremos -Laurel afirma, corrigindo-se rápido -Digo, menos você e Caitlin. E aproveitando a ausência delas, usando um linguajar mais informal, vou te dizer a real Thomas Merlyn -diz, mudando de posição de forma a encarar um surpreso Tommy -Tem idéia de quanto tempo a garotinha está fora da instituição na qual deveria permanecer até ser adotada? – inquere sem dar tempo uma resposta – Meses. Não dias ou semanas. Meses. Thea a levou antes do Natal. Estamos em Março. Apenas este fato já seria suficiente para dar uma tremenda confusão não fosse a atitude do doutor Winchester e os conhecimentos das senhoritas Victória e Erica, portanto o senhor vai baixar a crista e obedecer a lei. Amy Lee fica – decreta, enfiando o dedo no peito dele.

—Faz tanto tempo assim? – me espanto, enrugando cenho, Sam e Erica confirmando com acenos — Confesso que não percebi o tempo passar. Tanta coisa aconteceu desde o dia em que me ligou contando o que fizera. O mesmo dia em que vocês quase foram mortos – relembro.

—Falando neste assunto, disse que estão prestes a prender a pessoa que atentou contra a vida do senhor Merlyn e da namorada, correto? Ou seja, Amy não estará em perigo certo? – preocupa-se Erica.

—Ela nunca esteve de fato. Apenas pessoas próximas, de total confiança sabem da presença dela na mansão. Ninguém mais -tranquilizo-a, estranhando o silencio de Tommy após a intimação de Laurel.

—Melhor -diz ela, dirigindo o olhar a porta e de pronto me volto, Tommy imitando-me.

—Melhor subir -Victória aconselha e antevejo qual o assunto.

—Estou indo -Erica avisa, fazendo menção levantar-se, mas antes que o faça, Tommy sai da inércia.

—Não. Eu vou – diz, levantando-se ligeiro, calando meu protesto com ao erguer a mão -Eu fiz a merda e sou eu quem irá concertar -acusa-se, saindo ante que qualquer de nós fizesse ou dissesse algo.

—Qual o problema com Thomas afinal? Não lembro de ele ser tão intransigente – Laurel questiona -Até parece que estamos pedindo que abandone a filha -diz, um estalo iluminando minha mente.

—Merda! Malcolm – xingo, apertando minha ponte nasal.

—Até acho o elogio merecido, mas o que o pai de Tommy tem a ver com isto? -ela pergunta e rio sem vontade.

—Tem que foi exatamente isto que Malcolm fez no passado -digo, explicando ao demais presentes -A mãe de Tommy, Rebecca, ficou muito tempo doente, cerca de dois anos se não me engano, até sua morte. Durante este período Malcolm praticamente ignorou o filho. Tommy passava a maior parte de tempo com a governanta ou em minha casa. Tanto que minha mãe montou um quarto para ele – relembro, Laurel fazendo uma careta de desagrado.

—Tinha esquecido disso – admite – E depois que Rebecca morreu, ele se envolveu com Isabel, quer dizer, assumiu o que se dizia já existir antes mesmo de a esposa falecer -conta.

—Pois é. E novamente Tommy ficou em segundo plano. Foi nesta época que nos metemos na encrenca que nos levou a servir o exército -lembro, torcendo o nariz -A relação dele com o pai nunca foi fácil e só piorou com o tempo. Somente a bem pouco começaram se entender melhor. Por ironia justamente através de Isabel.

—Agora dá pra entender a atitude dele em relação a Amy -Erica suspira, unindo as mãos em frente ao rosto -Deve ser complicado para ele ter de abrir mão da presença de Amy – supõe.

—Ainda mais que não teve a chance de viver a gravidez de Felicity muito menos saber que tinha uma filha até o Natal – Laurel acresce, me deixando tenso.

—Como assim? – Erica pergunta, sacudindo as mãos – Pensando bem esqueçam. Para nós basta saber o porquê de estar agindo da maneira como agiu. Vou conversar com minha irmã e amanhã conversamos em particular com ele -diz, mordendo o polegar e pressinto haver algo mais, mas guardo para mim.

—Resolvido -Victória retorna, anunciando -Enquanto estiverem aqui e não tiver um documento de autorização para que ele possa ficar com ela, Amy passa o dia conosco e dormira no hotel com o pai -avisa, apoiando-se a cadeira aonde a irmã estava sentada – Se não tivermos mais nada a resolver, podemos jantar -sugere.

—Eles já estão prontos? – pergunto, enrugando o cenho ao notar Laurel mexendo no celular.

—Quase, mas já podemos ir para a sala – diz, arrumando o cabelo.

—Neste caso vou encaminhar os arquivos para vocês e fechar meu e-mail -aviso, puxando o note para mais perto.

—Me corrige se estiver enganado Oliver -Dean começa dizer, apoiando as mãos sobre a mesa -Não é coincidência os celulares do casal serem os únicos a não conectarem, é? – questiona e o encaro, vendo o riso divertido em seu rosto.

—Não – confirmo, finalizando a tarefa que me propusera, dando atenção a ele e os demais, que me encaravam, curiosos – Caitlin está grávida. Não foi planejado, é uma gravidez de risco e os dois estão aguardando um tempo para poder comunicar isto. Apenas alguns poucos amigos e parte da família sabem. E foi justamente essa a isca usada para fazer a pessoa que os atacou sair da toca – explico – Por isto Felicity deu um jeito de pôr os parelhos deles fora de combate. Eles não podem ver o post. Especialmente Tommy – digo, olhando a porta ao escutar a voz de Amy.

—E até quando isso tem que durar? – Laurel pergunta.

—Amanhã – digo, esticando o pescoço -A armadilha foi montada para a parte da manhã. Irão me avisar quando terminar.

—Humm...sei – Laurel murmura, dando atenção seu celular – Consegui! – comemora, erguendo o olhar para mim – Amanhã cedo volto para Starling. Vou conversar com o padrasto e a mãe de Felicity. Quero montar uma estratégia para quando chegarmos a Massachuster – avisa e arqueio a sobrancelha -O quê? Achei que estava implícito que iria com eles. Precisam de um advogado com eles – diz, rindo divertida.

—Ok – digo, rindo de volta, me levantando no momento em que Felicity adentra.

—Vamos comer!? – convida, vindo diretamente para mim, envolvendo-me em seu abraço.

—Com fome sweet? – devolvo, beijando o topo de sua cabeça.

—Faminta! – admite.

—Então não vamos deixar mamãe e bebê com fome – Erica diz, indicando a porta.

Seguimos para o refeitório aonde praticamente todas as crianças já se encontravam sentadas, aguardando-nos em seus lugares, excerto Amy, que se encontrava no colo de Caitlin.

Embora interagisse com as demais, estava claro que não pretendia desgrudar deles ou de nós, já que mal Felicity senta-se, pula para o colo dela.

A refeição transcorre tranquila e na hora de ir embora nos despedimos com a promessa de retornamos no dia seguinte.

Ao chegarmos ao hotel, subimos direto para os quartos, nos preparando para dormir.

—Alguma notícia de Starling? – Felicity pergunta, terminando de pôr o pijama em Amy.

—Nada de novo – digo, me esticando na cama – Acho que só amanhã mesmo – pondero, dando uma olhada em minhas redes sociais – O post está bombando. Só espero que depois Mouse consiga desfazer tudo como prometeu ou vai ter problemas com Tommy – comento, tentando imaginar a reação de meu amigo caso isto chegue a seu conhecimento de alguma maneira.

—E com Cait também – acresce – Pronto mocinha. Agora vá escovar os dentes – comanda, Amy obedecendo sem pestanejar, um suspiro pesado e triste escapando de seus lábios.

—Relaxe sweet. Vai dar tudo certo – tranquilizo-a, deslizando a seu encontro, envolvendo-a com meus braços – Só vai demorar um pouquinho mais do que prevíramos – pondero.

—Eu sei. Mesmo assim não consigo ficar tranquila. Sinto uma espécie de agonia no peito – confessa, massageando o local.

—É normal sentir medo. Mas lembre que não está sozinha. Estarei sempre a seu lado – garanto, apertando-a mais, sorrindo quando Amy se atira sobre a cama, pendurando-se em meu pescoço – Está feliz docinho? – quero saber.

—Tô – admite.

—E entendeu por que tem de passar o dia com as tias no orfanato? – pergunto, trazendo-a para o lado de forma que Felicity e eu pudéssemos ver seu rostinho sapeca.

—Uhum – murmura, balançando a cabeça positivamente.

—Muito bem. Agora vamos dormir porque amanhã é um novo dia – convido, fazendo cócegas em sua barriga – Sweet?? – inquiro ao ver Felicity levantar-se.

—A natureza chama! — responde, enrugando o nariz em uma careta graciosa, seguindo para o banheiro e rio -Tá rindo porque não é você que precisa fazer xixi a cada meia hora! – resmunga, fechando a porta, retornando minutos depois, deitando-se a meu lado.

Conversamos mais algum tempo até que noto ambas adormecidas. Sorrio, observando-as dormir, pensando em como é preciso tão pouco para ser feliz.

“... Say farewell to the dark night I see the coming of the sun;

I feel like a little child whose life has just begun;

You came and breathed new life;

Into this lonely heart of mine;

You threw out the life line just in the nick of time...”

Notas finais
Até breve flores